Crítica | Apresentado os Ricardos

Engenharia do Cinema O cineasta Aaron Sorkin ganhou bastante notoriedade após ter escrito o aclamado A Rede Social, e ter dirigido os ótimos A Grande Jogada e Os 7 de Chicago. Em seu terceiro projeto como diretor, Apresentado os Ricardos, temos o seu filme mais fraco por vários motivos. Seja por intermédio de seu texto menos ácido ou até mesmo por faltar uma maior proximidade com quem não é dos EUA, pois estamos falando de um longa que retrata um fato histórico desta nacionalidade e também mostra o quão estes amavam o seriado I Love Lucy. Baseado em fatos reais, a história mostra o famoso casal Lucille Ball (Nicole Kidman) e Desi Arnaz (Javier Bardem), que protagonizaram durante anos o seriado I Love Lucy, cujos espectadores paravam os EUA para verem os episódios semanais. Mas tudo isso acabou indo para o ralo, após uma séria denúncia em relação a primeira estar envolvida com o Partido Comunista, além do seu casamento com Desi estar aos poucos se esgotando. Imagem: Amazon Studios (Divulgação) Realmente, Sorkin se viu perdido ao tentar quebrar este paradigma, ao retratar uma história que interessa mais um estadunidense que um brasileiro. Para tentar se sobrepor, ele resolve criar uma espécie de “mock documentary” (um misto de documentário com longa live-action), porém ele se perde totalmente ao não saber inserir os discursos de alguns produtores do programa para falarem “o quão ele era grande e importante pros EUA”. Bastava cenas de 30 segundos ou até mesmo dois minutos, com alguns figurantes, que já eram suficientes.  Apesar do trabalho de maquiagem em Nicole Kidman e Javier Bardem está excelente (inclusive o Oscar pode vir para este filme, na categoria citada), você repara que eles realmente estavam um tanto quanto desconfortáveis em estarem presentes nesta produção. Tanto que o segundo esconde seu sotaque espanhol, mesmo em cenas aos quais ele seria um certo “charme”. Fora que os arcos aos quais eles poderiam ter extrapolado as cenas mostrando bastidores do programa ou até mesmo a censura que estava rolando em Hollywood (tudo é embasado em diálogos, principalmente vindos de personagens como o encabeçado com JK Simmons). Apresentado os Ricardos é uma típica produção feita apenas para os estadunidenses, aos quais consequentemente poderão ainda dar um Oscar apenas por este motivo.

Crítica | Comemoração dos 20 Anos de Magia: Harry Potter De Volta A Hogwarts

Engenharia do Cinema Após o tremendo sucesso que foi o relançamento de Harry Potter e a Pedra Filosofal nos cinemas nacionais e mundiais, a HBO Max anunciou que iria lançar no primeiro dia de 2022 o especial Comemoração dos 20 Anos de Magia: Harry Potter De Volta A Hogwarts. Ele contaria com o reencontro do elenco principal de todos os filmes e seus diretores, comentando sobre como foi o processo de realizarem a franquia durante exatos 10 anos. Apesar de alguns erros como “trocar” a foto de Emma Watson pela de Emma Roberts na infância, e também o nome dos personagens dos atores James Phelps e Oliver Phelps (intérpretes dos personagens George e Fred Weasley), pode-se dizer que foi algo emocionante para se iniciar o ano. Com uma abertura remetendo a icônica cena de “recebimento da carta de Hogwarts”, sendo guiadas por Watson, vemos aos poucos vários atores que marcaram aquele universo como Gary Oldman, Helena Bohan Carter, Robbie Coltrane e Mark Williams se preparando para irem até o salão oval. Momento pelo qual causará até arrepios nos fãs mais ávidos da franquia, criada por J.K. Rowling (que por conta de várias polêmicas em relação ao politicamente correto, acabou se desligando do projeto, aparecendo apenas por vídeos de arquivo). Imagem: HBO Max (Divulgação) Dividida em quatro capítulos, com dois filmes cada um, as principais entrevistas são guiadas pelos próprios Daniel Radcliffe e Emma Watson, aos quais acabam tirando memórias e ótimas situações que se passaram nos bastidores. Como estamos falando de uma produção de 100 minutos, que resume-se mais de 10 anos, obviamente muitas coisas iriam estar de fora (por isso, muitos fãs podem se chatear por conta deste quesito). Porém relatos de cineastas que comandaram os filmes como Chris Columbus, Afonso Cuaron, Mike Newell (cujas histórias rendem vários risos) e David Yates (que inclusive comanda até os filmes do spin-off “Animais Fantásticos”).     Com relação aos atores que já se foram, a homenagem se resume apenas aos quatro importantes nomes de todos os filmes que foram Richard Harris, Richard Griffiths, Alan Rickman, Helen McCrory e John Hurt (que mesmo tendo uma breve cena como o Senhor Olivaras, carregou um enorme carinho por ser o responsável por conduzir a marcante cena de Harry escolhendo a sua varinha). Mas a carga emocional acaba sendo enorme, pois são selecionados para falar nomes que estavam mais próximos aos mesmos, durante a realização da franquia. No final das contas, este especial de Harry Potter acaba sendo tão emocionante como o de Um Maluco no Pedaço, que foi feito exatamente da forma que os fãs esperavam e enalteceu os responsáveis por uma das melhores obras da história do cinema.

Crítica | Gavião Arqueiro

Engenharia do Cinema Após a Viúva Negra/Natasha Romanoff (Scarlett Johansson) ter ganho seu filme solo, o último Vingador que faltava ter uma produção para chamar de sua era o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner). Segundo o próprio Kevin Feige, ele disse que mesmo cogitando levar o arco do mesmo como um filme, logo no início do projeto, viu que ele seria melhor abordado em uma minissérie de seis episódios. Anunciada em 2018, a minissérie Gavião Arqueiro iria introduzir ao Universo Cinematográfico da Marvel, a personagem Kate Bishop (Hailee Steinfeld) sucessora do Gavião na equipe dos maiores heróis da terra.      A história começa no exato momento da confusão causada por Loki em Nova York, em meados de 2012, onde uma então pequena Kate Bishop acaba sendo salva pelo Gavião Arqueiro e fica deslumbrada com suas habilidades. Onze anos depois do fato, agora se mostrando ao ser bastante hábil com arco e flecha, ela tem seu caminho cruzado com este após um incidente durante um evento. Porém ambos acabam percebendo que devem se unir para combater um inimigo em comum.    Imagem: Marvel Studios (Divulgação) Apesar de não ter feito tanto alarde ou sucesso como as outras produções da Marvel (afinal, neste ano tivemos quatro filmes e séries do estúdio), essa minissérie serve mais como um “passe de tocha” entre os Clint e Kate. Mesmo ela sendo bem retratada, a subtrama envolvendo Yelena Belova (Florence Pugh) e esta mostra que futuramente elas serão os “novos” Gavião e Viúva no UCM, e elas funcionam demais juntas (tanto que se fizerem uma produção estrelada pela dupla, seria sucesso de imediato). Mas não estamos falando de um programa centrado nelas e sim no próprio Clint Barton/Gavião Arqueiro, que mais uma vez acaba sendo coadjuvante por causa destes “erros” na narrativa (já que em momento algum vemos um cenário que de uma ênfase apenas nele).     Mesmo mostrando de forma sutil algumas consequências de seus atos em prol da humanidade no filme Vingadores Ultimato, como o fato da surdez e o trauma em relação ao sacrifício de Natasha, eles acabam se perdendo em relação às cenas de ação. Nisso o único diferencial que é explorado são os “tipos de flechas” que Clint usa (realmente não há mais nada diferente, além disso), até mesmo o fato dele ter se utilizado da identidade de Ronin é bastante rasteiro. Isso acabou trazendo os arcos dos personagens Maya Lopez (Alaqua Cox, que se mostra uma forte antagonista, mas não tão explorada quanto deveria) e a inclusão do vilão Rei do Crime dentro do UCM (que após a série do Demolidor da Netflix, continua sendo vivido por Vincent D’Onofrio) , porém a sensação de “importância” do protagonista, não consegue ser comprovada nessa minissérie.    Porém com relação aos aspectos técnicos, a direção consegue ser bastante interessante ao conseguir prender a ação por divertidos planos sequências, onde seja através de uma câmera no banco traseiro de um carro ou até mesmo andando por um apartamento, durante uma cena de luta. Com duração destas cenas variando entre 10 e 20 minutos, elas conseguem prender a atenção do espectador por conta destes quesitos. Em seu desfecho vemos que a minissérie do Gavião Arqueiro serviu apenas para incluir alguns personagens no universo da Marvel, e nada mais além desta premissa.

Crítica | Matrix Resurrections

Engenharia do Cinema O primeiro Matrix revolucionou o cinema e mudou a perspectiva do gênero de ficção-científica, além de alavancar a carreira de Keanu Reeves, Laurence Fishburne e Carrie-Anne Moss. Apesar de também serem um sucesso, os dois longas posteriores encerraram um arco que estava estabelecido como “sem chances de ser reaberto”. Porém, com várias franquias voltando aos cinemas, a Warner Bros viu que era a hora de renascer com uma das suas maiores produções: Matrix Resurrections. Matrix Resurrections brinca com si mesmo, com o assunto é “não se deve realizar um reboot, de uma produção que funcionou no passado”. Mas já aviso de antemão, que estamos falando de um projeto que possivelmente irá dividir a maioria dos espectadores e fãs do universo citado.    A história tem início com Thomas Anderson (Reeves) trabalhando em uma produtora de games, pelo qual está projetando um novo jogo da franquia Matrix (sim, realmente ele está acreditando que todos os acontecimentos antecessores, eram um videogame e não real). Mas ele passa a ver que tudo não é o que parece, quando esbarra com uma então “misteriosa” Tiffany (Moss), e a é surpreendido pela presença do velho amigo (que ele realmente não se lembrava) Morpheus (agora vivido por Yahya Abdul-Mateen II).     Imagem: Warner Bros Pictures (Divulgação) Um dos pontos positivos da produção assinada por Lana Wachowski (que também cuidou da trilogia original, com sua irmã), é que ela não necessita que você confira os antecessores para entender essa história, ou seja, é uma narrativa totalmente cânone (basicamente como foi feito com os últimos Exterminadores do Futuro). Apesar do enredo beber bastante do original de 99, seja por intermédio de constantes flashbacks com cenas daquela produção, ou até mesmo situações bastante similares. Isso funciona dependendo do ponto de vista do espectador, pois se você gosta deste tipo de filme, vai comprar a premissa, caso contrário, não (inclusive irá desistir e ir embora, antes do desfecho da projeção). No caso de quem vos fala, funcionou muito bem. Porém diferente dos anteriores, Wachowski não consegue estabelecer uma direção operante nas cenas de luta e ação. Com muitas utilizando de um slow-motion capenga, misturado com uma câmera na mão, é notável que o recurso foi estabelecido pelo fato de alguns atores não terem tido tempo para treinar artes marciais (afinal, estamos falando de uma das várias produções afetadas pela pandemia, no primórdio de suas gravações). Agora com relação às tomadas envolvendo perseguições automobilísticas, ela realmente soube trabalhar isso (inclusive, é perceptível que ela optou por menos CGI e mais efeitos visuais práticos nestas horas). Não hesito em dizer que estamos falando de um dos melhores efeitos visuais realizados em 2021, pois o realismo em determinadas cenas é enorme (diferente de recentes produções da Marvel). Com quesito das atuações, não há nenhuma em destaque, pois eles estão operantes e até mesmo canastrões de atores como Jonathan Groff (que vive o “novo” Sr. Smith), Neil Patrick Harris (intérprete do psicólogo de Thomas, que é um mais do mesmo com relação ao seus outros personagens na sua filmografia) e até ao próprio Mateen II (que não convence como um “novo” Morpheus).     Matrix Resurrections é uma produção que realmente dividirá a opinião dos espectadores, pois ele acaba sendo mais um cânone que homenageia o original e possivelmente uma porta para uma nova trilogia.

Turma da Mônica – Lições estreia nesta quinta-feira

Estreia nesta quinta-feira (30), Turma da Mônica – Lições, o aguardado filme com as aventuras da turminha do Bairro do Limoeiro. Programa imperdível nas férias escolares e para curtir com toda a família, o live-action traz ainda mais emoção para toda a família, além de novos e queridos personagens do universo Mauricio de Sousa. O filme é dirigido por Daniel Rezende (Turma da Mônica – Laços, Bingo, o Rei das Manhãs, Ninguém Tá Olhando), produzido pela Biônica Filmes, em coprodução com Mauricio de Sousa Produções, Paris Entretenimento, Paramount Pictures e Globo Filmes. A Paris Filmes e a Downtown Filmes assinam a distribuição. Na última quinta-feira (23), em parceria inédita feita especialmente para Turma da Mônica – Lições, as cantoras Duda Beat e Flor Gil lançaram a faixa Que Som é Esse?, tema original do filme, que já está disponível em todas as plataformas. A letra diz: “Ninguém vai se entristecer/pulando pra todo mundo ver que eu quero é dançar com você”. A música ganhou uma dança exclusiva no TikTok produzida pelos coreógrafos Fabriccio Andrade e Thales Matias. No longa, Mônica (Giulia Benite), Cebolinha (Kevin Vechiatto), Magali (Laura Rauseo) e Cascão (Gabriel Moreira) se esquecem de fazer o dever de casa e fogem da escola. Mas nem tudo sai como esperado e os pais de Mônica decidem mudá-la de colégio. Mesmo fazendo novos amigos – Marina (Laís Vilella), Milena (Emilly Nayara), Humberto (Lucas Infante) e Do Contra (Vinícius Higo), a turminha sente saudade de estar sempre junta. Nessa nova e emocionante aventura, Cebolinha resolve bolar um plano infalível com Magali e Cascão para trazer a Dona da Rua de volta, mesmo que para isso precise recuperar o coelhinho Sansão para a amiga. Será que dessa vez o plano vai dar certo? No elenco também estão Monica Iozzi e Luiz Pacini vivendo os pais de Mônica, e Paulo Vilhena e Fafá Rennó interpretando os pais de Cebolinha. Além das participações especiais de Malu Mader como a professora da classe de Mônica, Isabelle Drummond dando vida à Tina e Augusto Madeira que será um professor de natação.  O primeiro longa live-action, Turma da Mônica – Laços, levou mais de 2 milhões de espectadores ao cinema. O filme é inspirado na graphic novel homônima, escrita e desenhada pelos irmãos Vitor e Lu Cafaggi.

Crítica | Amor, Sublime Amor – 2021

Engenharia do Cinema No início dos anos 60, um então Steven Spielberg com 10 anos conheceu a história de “Amor, Sublime Amor“, clássico dirigido pela dupla Jerome Robbins e Robert Wise, com base no livro de Arthur Laurents. Apaixonado desde então pela história de amor proibido entre Tony (Richard Beymer) e Maria (Natalie Wood), ele tentou durante anos realizar esta produção e mesmo sendo quem ele é, nenhum estúdio queria que este projeto acontecesse (devido ao fato de descreverem o mesmo como “único”). Então após constantes sucessos na então 20th Century Fox, o mesmo permitiu que ele o realizasse da sua maneira. O resultado acabou não só sendo um dos melhores musicais do ano, como também dos últimos anos. A história é fortemente inspirada no clássico de William Shakespeare, “Romeu e Julieta” e mostra os jovens Tony (Ansel Egort) e Maria (Rachel Zegler), que fazem parte de etnias completamente diferentes, pelas quais brigam constantemente de formas diversas. Afinal, o primeiro faz parte de uma gangue de estadunidenses, e a segunda é irmã de um dos líderes da gangue de costa-riquenhos. Imagem: 20th Century Studios (Divulgação) Spielberg sabe as grandes possibilidades que poderiam ser feitas nesta produção, e por isso nos brinda com diversos momentos que fazem esta produção ser única. A começar pela sequência de abertura, que é totalmente concebida com um número musical com uma melodia viciante composta por Leonard Bernstein (que provavelmente vai levar o Oscar), pelos quais consegue captar a nossa atenção de imediato. Isso não poderia ter ficado melhor, já que a fotografia de Janusz Kaminski usa e abusa de tonalidades amareladas e acinzentadas, para remeter ao fato de estarmos assistindo ao filme dos anos 60 (e isso ocorreu durante toda a projeção, vale destacar). Com relação às canções, há dos mais diversos tipos, dos mais românticos aos mais animados e dramáticos. Mas Spielberg sabe muito bem como e quando conduzi-las, pois ele sempre os coloca nos momentos certos e não durante arcos dramáticos ou desfechos aos quais o espectador ainda está absorvendo o que foi visto. São nestas horas que vemos o talento do casal protagonista vivido por Elgort e Zegler, consegue não só ter química, mas também semblante e entonação para as músicas. Agora uma atriz chave, pelo qual acaba roubando a cena é a costa-riquenha Rita Moreno (que esteve no original interpretando a irmã de Maria, Anita, e agora vive Valentina, a chefe de Tony), que possivelmente pode ser indicada ao Oscar de atriz coadjuvante. A veterana sabe brilhar quando aparece e até mesmo possui ótimos momentos chaves em cena (já que muitos dos pesos dramáticos caem sobre ela). O remake de “Amor, Sublime Amor” é uma verdadeira obra de Steven Spielberg que mostra o quão o mesmo estava nitidamente apaixonado na hora de conceber essa nova roupagem ao clássico.

Crítica | Chucky: A Série (1ª Temporada)

Engenharia do Cinema Já não é novidade que a franquia “Brinquedo Assassino” havia caído e muito a qualidade de seus últimos filmes, especialmente o recente reboot (que funciona mais como comédia, que um filme de horror). Com propósito de “reaver” a imagem do boneco Chucky, “Chucky: A Série” tenta pegar a essência do original (que foi um enorme sucesso nos anos 80 e 90) e transpor em oito episódio tudo aquilo que queríamos ver: terror com um humor negro de primeira. E confesso que eles finalmente conseguiram isso. A história mostra o tímido adolescente Jake Wheeler (Zackary Arthur), que após adquirir um boneco em uma venda de garagem, para colocar em sua obra de arte, acaba descobrindo que o mesmo se trata do famoso serial-killer Chucky (ainda dublado no original por Brad Dourif, e em português por Guilherme Briggs). Então o mesmo volta a espalhar sua onda de terror, com várias mortes e sempre fazendo Jake se tornar o principal suspeito. Imagem: SyFy/USA Network (Divulgação) Com episódios com duração em torno de 50 minutos cada, em cada um deles vemos que cada vez mais o programa tenta mostrar a origem do mesmo (lembrando que o criador da franquia, Don Mancini, está envolvido com o programa como showrunner e diretor do piloto) e explorar o perfil de todos os seus personagens coadjuvantes, antes de executar determinadas ações com os mesmos. Desde os tios de Jake, Logan (Devon Sawa) e Bree (Lexa Doig), até mesmo colegas de escola do mesmo, como Lexy (Alyvia Alyn Lind) e Devon (Bjorgvin Arnarson). Tudo é bem conduzido e nos capta o interesse, assim como a abordagem de Jake, cujo ator Zackary Arthur consegue transpor um trabalho considerável dentro do que lhe é proposto. Já quando voltamos a origem de Chucky, na época que ele estava no corpo do icônico assassino Charles Lee Ray (vivido pela filha do intérprete original do mesmo, Fiona Dourif, que é encoberta com um excelente trabalho de maquiagem), a pegada da série fica mais voltada ao terror e o gore rola ainda mais solto. Mas sempre com uma pegada cartunesca, aos quais acabam fazendo a produção voltar ao estilo cômico. É nesta hora que compreendemos o talento de Fiona e da veterana Jennifer Tilly (que volta a viver a assassina e namorada de Chucky, Tiffany).     “Chucky: A Série” acaba não só resgatando a qualidade original dos filmes da franquia “Brinquedo Assassino“, como também abre um leque enorme para continuar com mais arcos envolvendo o boneco Chucky. Que venha a segunda temporada!

Crítica SEM SPOILERS | Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa

Falar sobre Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, se abstendo de spoilers é uma tarefa bastante difícil. Seja por conta dos vários mistérios envoltos na trama, ou até mesmo por vários rumores constantes. Independentemente, posso garantir que estamos entrando em 2022, ano onde o primeiro longa do personagem fará 20 anos e certamente este filme serve como uma grande homenagem para a importância do herói nestes últimos tempos. A história começa no exato ponto onde parou Homem-Aranha: Longe de Casa, com o mundo descobrindo que Peter Parker (Tom Holland) é o Homem-Aranha. Tendo de lidar com às consequências disso e por ter sido acusado de terrorismo e assassinato por Mysterio (Jake Gyllenhaal), ele resolve pedir ajuda ao Dr. Estranho (Benedict Cumberbatch) para que todos esqueçam que ele é o herói. Só que após o mesmo dar errado, vários vilões de outros universos do Homem-Aranha, entram em sua própria linha do tempo. Entre todos os personagens que estão de volta, o roteiro de Chris McKenna e Erik Sommers sabe explorar muito bem os pontos positivos que eles possuem em suas produções e nas HQs. Por tanto, acabamos vendo novas feições de personagens como Electro (Jamie Foxx) e Lagarto (Rhys Ifans) que não haviam funcionado adequadamente da saga O Espetacular Homem-Aranha, quanto Homem de Areia (Thomas Haden Church) Octopus (Alfred Molina) e o Duende Verde (Willem Dafoe) estão com a mesma feição que nos filmes da primeira trilogia, comandada por Sam Raimi. Imagem: Sony Pictures/Marvel Studios (Divulgação) Só que como estamos falando de uma produção com vários vilões de peso, realmente vemos que Dafoe consegue ser um dos maiores vilões na história dos filmes de heróis. Ele só não rouba a cena em boa parte da projeção, como também ainda possui o semblante do icônico Norman Osborn (pelos quais já estávamos sentindo falta). Seu retorno foi honrado com sucesso, enquanto Molina nos apresenta uma outra versão de Octopus, pelos quais passamos a ver o mesmo com outros olhares (lembrando que junto do citado, ele também foi considerado um dos maiores vilões da Marvel, nos cinemas). Tudo soa como natural, e nada acaba sendo forçado. Com relação aos outros personagens, todos possuem seus momentos e alguns até conseguem possuir boas esquetes, vide o companheirismo entre Ned (Jacob Batalon) e MJ (Zendaya). Mas entre os coadjuvantes, o que consegue roubar a cena e causar momentos bem hilários, é o veterano J.K Simmons (que repete seu icônico papel do jornalista J. Jonah Jameson). Mas não podia deixar de citar a atuação de Tom Holland, que possui aqui seu papel mais dramático sobre o traje do herói, afinal foram várias situações vivenciadas que finalmente a ficha caiu sobre suas responsabilidades verdadeiras. Agora mesmo possuindo um roteiro bastante plausível e cheio de fan-services de primeira, uma coisa que pecam bastante é na inserção dos efeitos visuais, pois em determinadas cenas é nítida sensação de estarmos vendo uma “tela verde” ou até mesmo um “acessório” levantando determinado ator (o que é uma pena, pois isso não chegou a ocorrer na primeira trilogia, que até levou um Oscar em seu segundo filme). Mas como temos um texto bom, isso acaba sendo irrelevante na hora de determinadas cenas de ação. Termino essa análise de Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, dizendo que se fosse vivo, Stan Lee estaria bastante feliz e emocionado com tamanho trabalho para homenagear o seu personagem mais querido de toda a Marvel.  Engenharia do Cinema

Crítica | King Richard: Criando Campeãs

Engenharia do Cinema Há quase 16 anos, o astro Will Smith havia nos entregado uma das melhores atuações de sua carreira em “A Procura da Felicidade”. Tendo lhe rendido sua segunda indicação ao Oscar, a produção foi um enorme sucesso e só deixou claro que ele realmente era um bom ator. Desde então, ele não havia conseguido escolher um papel no mesmo estilo até que chegou a possibilidade de estrelar “King Richard: Criando Campeãs“. Em sua terceira tentativa de finalmente conseguir levar seu Oscar, devo confessar que isso realmente é possível. Inspirada em fatos reais, a história gira em torno de Richard Williams (Smith), que diariamente tenta provar que suas filhas Serena (Demi Singleton) e Venus (Saniyya Sidney) são grandes jogadoras de tênis. Para isso ele procura vários treinadores renomados e nomes influentes na área, para tentar colocar ambas de forma digna, nesta vida.    Imagem: Warner Bros Pictures (Divulgação) O roteiro de Zach Baylin procura estabelecer de forma sutil não apenas a trajetória da família Williams, mas também mescla uma breve noção da enorme guerra racial que acontecia em plenos anos 80/90 nos EUA. Mas como o foco não é o preconceito e sim a relação da família Williams, isso é mostrado de forma homeopática, ou seja, em uma situação de 10 minutos, 2 são voltados para esta reflexão (afinal, estamos falando da vida de duas das maiores tenistas da história, que são vítimas de racismo até hoje).     Com relação às atuações, realmente Smith consegue se sobressair neste papel (seja por seu olhar e até mesmo expressões) e com a ajuda da enorme maquiagem (que possivelmente vai ser reconhecida nas premiações), ficou bastante parecido com o verdadeiro Richard. Por conta disso, apesar de já conhecermos o desfecho desta história, ainda conseguimos vibrar como se não conhecêssemos a mesma. Mérito também do diretor Reinaldo Marcus Green, que soube conduzir as cenas de jogos e até mesmo as dramáticas, de forma que não parecesse um novelão mexicano.  Apesar de estar passando em branco nos cinemas, “King Richard: Criando Campeãs” realmente nos trás uma das melhores atuações na carreira do astro Will Smith.