Per Gessle e Lena Philipsson celebram legado do Roxette com casa cheia em São Paulo

Na noite desta terça-feira (14), o Espaço Unimed, em São Paulo, não foi apenas uma casa de shows, foi uma máquina do tempo. Com casa cheia e um público ávido por nostalgia, o Roxette encerrou sua turnê brasileira com uma apresentação que equilibrou a dor da ausência com o êxtase de um catálogo recheado de hits atemporais. Cérebro e a nova voz do Roxette Assistir a Per Gessle aos 67 anos é entender a engenharia por trás do pop perfeito. Conservado, enérgico e com seus icônicos violões quadriculados, ele provou por que Marie Fredriksson o descrevia em sua biografia como uma “máquina de sucessos”. Gessle não é apenas o guitarrista, ele é o arquiteto de cada melodia que dominou as rádios brasileiras nas últimas décadas. A missão de dividir o palco com ele coube a Lena Philipsson. Aos 60 anos, a cantora (amiga de longa data de Per) foi cirúrgica: não tentou mimetizar Marie. Com um timbre diferente e uma presença de palco autêntica, ela e Per deixaram claro que não há espaço para comparações. “Eu sei que nem todo mundo gosta do fato de eu estar ali no lugar da Marie. Tento fazer justiça às canções e deixá-la orgulhosa”, já havia declarado Lena anteriormente. No palco paulista, essa honestidade se traduziu em respeito. Homenagens que tocam o céu O momento de maior nó na garganta veio antes de It Must Have Been Love. Lena dedicou a canção à antiga parceira de Per: “Esse é para Marie. Vocês sentem muita falta dela e eu também. Talvez ela consiga ouvir no céu”. O público, que já havia ovacionado Lena durante sua apresentação em Dressed for Success, respondeu com lágrimas e aplausos efusivos. Opções técnicas Musicalmente, o show optou por um caminho mais “clean”. A banda, que conta com veteranos da história do grupo como o tecladista Clarence Öfwerman e o guitarrista Jonas Isacsson, priorizou a equalização das melodias radiofônicas. Se por um lado isso destacou os vocais, por outro, tirou um pouco do “punch” rock’n’roll de faixas como Sleeping in My Car e How Do You Do!. Outro ajuste técnico notável foi a transposição de tons. As músicas foram tocadas um tom abaixo para acomodar a extensão vocal de Lena, já que Marie alcançava notas consideravelmente mais agudas. O resultado foi um som confortável e tecnicamente impecável, embora menos explosivo que nos anos 90. Interação e hino nacional Sem telões laterais (por decisão da banda, apenas uma tela de fundo com animações), o foco total foi na performance. Per Gessle assumiu o papel de frontman absoluto, regendo a plateia que cantou diversas faixas à capela. O tempero local ficou por conta do guitarrista Christoffer Lundquist. Vestindo a camisa da Seleção Brasileira, ele tocou o Hino Nacional no meio do set, além de arriscar riffs de Highway to Hell (AC/DC), trazendo a dose de adrenalina que o público roqueiro esperava. Inventário de hits Durante pouco mais de 1h30, o Roxette desfilou por álbuns fundamentais como Look Sharp! e Joyride. Do início vibrante com The Big L. ao encerramento emocionante com Queen of Rain, o que se viu foi a prova de que boas canções são à prova de tempo e luto. Como o próprio Per Gessle mencionou em entrevistas recentes, o Brasil tem uma conexão única com a banda, a ponto de os hits ganharem versões em forró e tecnobrega. No Espaço Unimed, a versão original retomou seu trono, provando que, mesmo com uma formação renovada, o “estilo sueco” de fazer hits segue atemporal. Setlist – Roxette em São Paulo
John Lydon celebra 70 anos com show memorável do Public Image Ltd no Cine Joia

Após um hiato de 34 anos, John Lydon finalmente retornou ao Brasil com o seu Public Image Ltd (PiL). O reencontro, que aconteceu na noite desta quarta-feira (8) no Cine Joia, em São Paulo, provou que o tempo parece não ter diminuído a urgência artística do grupo. Recentemente, a banda desafiou a lógica do mercado fonográfico ao lançar, no fim de março, o disco Alive exclusivamente em formato físico. Essa recusa em ser refém das plataformas de streaming reafirma que o PiL segue sendo uma entidade provocativa, criativa e dona de uma personalidade inabalável. O que se testemunhou no palco foi uma verdadeira aula de rock. A banda apresentou-se vibrante, entregando versões irrepreensíveis de clássicos que moldaram o que convencionalmente chamamos de pós-punk. A abertura veio com a densa Home, do aclamado Album (1986), seguida pela energia de Know Now, extraída de What the World Needs Now… (2015), estabelecendo uma conexão imediata entre o legado oitentista e a produção mais recente. Lydon, nitidamente feliz e à vontade, entregou uma performance hipnótica. Sua presença de palco continua sendo um espetáculo à parte: uma mistura de sarcasmo, autoridade e entrega emocional. Um dos grandes destaques da noite foi a execução de World Destruction. Fruto de uma colaboração histórica entre Lydon e Afrika Bambaataa em 1984, a faixa surgiu em uma versão revigorada, fazendo a ponte perfeita entre o rock e as batidas eletrônicas experimentais. Dançante, intrigante e mantendo aquele DNA anárquico, o show contagiou o público que aguardou décadas por esse momento. Hinos como This Is Not a Love Song, Flowers of Romance e a seminal Public Image foram pontos altos, mas nada se comparou à força de Rise. O maior hit da banda foi entoado a plenos pulmões por todos os presentes, criando um momento de catarse coletiva. No encerramento, o medley old school composto por Annalisa, Attack e Chant sacramentou o show. Aos 70 anos recém-completados, John Lydon prova que ainda é o visionário inquieto de sempre: uma figura ameaçadora e fascinante que não vive apenas de glórias passadas. Apoteótico e caótico na medida exata para incendiar a pista, o retorno do PiL a São Paulo foi, sem dúvidas, memorável. Edit this setlist | More Public Image Ltd setlists
Mac DeMarco reafirma o trono do indie em noite de catarse e irreverência na Audio

Após um hiato de oito anos, Mac DeMarco retornou a São Paulo no último sábado (4) para o segundo show de sua extensa turnê de nove datas pelo Brasil. Divulgando seu mais recente álbum, Guitar (2025), o canadense provou que a aposta da produtora Balaclava em uma série tão longa de apresentações foi certeira: com ingressos esgotados, a fila que dominava a calçada da Audio já denunciava a ansiedade de um público que chegou cedo para garantir um lugar rente ao palco. “Jizzy Jazzy” em solo brasileiro Qualquer sinal de impaciência pelo leve atraso de 15 minutos evaporou assim que Mac pisou no palco, visivelmente confortável e feliz. Sua marca registrada, o som frequentemente rotulado como “jizzy jazzy”, uma mistura de indie lo-fi com grooves relaxados e guitarras limpas, traduziu-se naturalmente em sua performance corporal. O repertório foi um equilíbrio preciso entre o novo e o clássico. Abrindo com Shining, do disco novo, Mac desfilou hinos de seus 14 anos de carreira, como For The First Time, Salad Days e Ode to Victory, intercalando-as com as recentes Sweeter, Phantom e Rock And Roll. O que se viu na plateia foi uma renovação notável: uma forte presença de um público jovem que canta cada verso, provando que a base de fãs de DeMarco segue em expansão. Conexão com Pedro Martins Um dos grandes trunfos da noite foi a escolha de Pedro Martins para a abertura. Se o brasiliense ainda busca o reconhecimento do grande público nacional, seu currículo já fala por si no exterior, com colaborações com gigantes como Eric Clapton, Thundercat e Tyler, The Creator. A sonoridade de Pedro, uma fusão sofisticada de jazz com a MPB oitentista de Guilherme Arantes e Beto Guedes, preparou o terreno com perfeição. Sua habilidade na guitarra foi um dos pontos altos da noite, não apenas em seu set solo, mas também quando retornou para integrar a banda de apoio de DeMarco, adicionando profundidade e solos pontuais que elevaram as composições do canadense. Dinâmica de palco e virtuosismo Ao vivo, as canções de Mac DeMarco ganham camadas que os discos, por vezes propositalmente secos e “desgastados”, não revelam. A banda que o acompanha nesta turnê é de um calibre absurdo: o baixista Daryl Johns esbanjou groove e carisma, enquanto o baterista Phil Melanson trouxe explosões rítmicas que deram um tom mais rock ‘n’ roll ao show. Mac, sempre bem-humorado, manteve o público na mão. Brincou, fez piadas, plantou bananeira e aceitou presentes dos fãs com a leveza de quem domina o que faz, mas se recusa a levar o “estrelato” a sério. Essa irreverência, somada à competência musical, é o que torna a experiência tão envolvente. Ao longo de 1h40 de apresentação, o vínculo entre Mac DeMarco e o público paulista foi não apenas reafirmado, mas fortalecido. Entre momentos de improviso, jams e um mar de luzes de celulares, ficou claro que a música indie encontrou em DeMarco um de seus guardiões mais autênticos. Ao se despedir com a promessa de voltar em breve, ele deixou a certeza de que o indie segue pulsando forte e encontrando novos ecos a cada passagem por aqui. Edit this setlist | More Mac DeMarco setlists
Guns N’ Roses prova no Monsters of Rock que o gigantismo e a história superam qualquer crítica

Se durante as 12 horas de festival diversas bandas tentaram roubar a cena, o encerramento no sábado (4), no Allianz Parque, deixou claro: quando o logo da pistola e das rosas brilha no telão, o posto de “maior do mundo” é indiscutível. Em uma apresentação de cerca de 2h30, ligeiramente mais enxuta que as maratonas de três horas de outrora, mas ideal para um público já exausto, o Guns N’ Roses entregou uma aula de rock de arena. Química inabalável e sustos no palco A abertura com Welcome to the Jungle foi o gatilho necessário para incendiar o estádio e fazer o cansaço ser esquecido. A química entre Axl Rose, Slash e Duff McKagan continua sendo o pilar de sustentação do grupo. Mesmo após anos de reunião, vê-los juntos ainda é o ponto alto da noite. Um momento curioso (e tenso) ocorreu logo no início, durante Slither (sucesso do Velvet Revolver). Em um movimento brusco de Slash, Axl acabou levando uma “braçada” acidental da guitarra no rosto. O susto não abalou o vocalista, que seguiu o show firme, rindo da situação. De “Banda Mais Perigosa” a “Banda Mais Familiar” Nos bastidores e nas laterais do palco, o clima era de reunião de família. A antiga “banda mais perigosa do mundo” deu lugar a um ambiente acolhedor: famílias dos integrantes assistiam ao show, incluindo a família santista de Axl Rose. O vocalista chegou a brincar com um bebê no colo da mãe, enquanto Duff trocou um carinhoso selinho com a esposa após seu momento solo. Voz de Axl e a genialidade de Slash Sobre a voz de Axl Rose, o consenso (ou o que deveria ser) é claro: ele não tem mais o alcance de 1991, e está tudo bem. Adaptado, magro e visivelmente mais feliz, Axl corre, grita e mantém a chama acesa com uma leveza contagiante. Ele até brincou que o setlist estava sendo decidido na hora e que poderiam tocar Macarena. Do outro lado, Slash reafirmou por que é um ícone imortal. Mesmo após um dia repleto de guitarristas virtuosos no palco do Monsters, o homem da cartola mostrou que seu feeling e seus riffs são a alma do Guns. Duff McKagan também brilhou ao assumir os vocais em New Rose (The Damned), resgatando a aula de punk rock do álbum The Spaghetti Incident?. Raridades e homenagens emocionantes no show do Guns n’ Roses Para os fãs casuais, a ausência de baladas como Don’t Cry e Patience foi sentida, mas os “die-hard fans” foram presenteados com raridades como Dead Horse e a surpreendente Bad Apples, que não aparecia em um setlist desde 1991. Aliás, só havia sido tocada duas vezes na história, a primeira no Rock in Rio de 1991. O momento de maior emoção foi a estreia de Junior’s Eyes (cover de Black Sabbath), dedicada a Ozzy Osbourne, falecido no ano passado. O clima de tributo seguiu com a obrigatória Knockin’ on Heaven’s Door. Reta final apoteótica do Guns n’ Roses A celebração atingiu o ápice em Estranged, com o público arremessando golfinhos infláveis em uma referência nostálgica ao videoclipe, e o mar de luzes em Sweet Child O’ Mine. A tríade final com Axl ao piano em November Rain, a explosiva Nightrain e o hino Paradise City encerrou o festival em estado de catarse. O Guns N’ Roses fez jus ao topo do cartaz. Ninguém rouba o posto deles. Agora, a banda segue em turnê pelo Brasil até o fim do mês, provando que o “momento mágico” de um show do Guns ainda é a experiência definitiva do rock. Edit this setlist | More Guns N’ Roses setlists
Lynyrd Skynyrd traz peso e emoção com tributo a Gary Rossington no Monsters of Rock

Há quem torça o nariz para bandas com formações muito alteradas, mas o Lynyrd Skynyrd transcende o rótulo de “tributo”. O vocalista Johnny Van Zant lidera o grupo há quase 40 anos, acompanhado por um trio de guitarristas excepcionais, um baixista preciso, um tecladista de técnica apurada e um baterista seguro, sem esquecer das duas backing vocals que conferem o toque de “magia” sulista ao espetáculo. Mantendo o legado vivo do Lynyrd Skynyrd Como co-headliner do Monsters of Rock, realizado no último sábado (4), no Allianz Parque, o Lynyrd Skynyrd demonstrou plena consciência de sua missão: preservar um legado histórico. Como o próprio Johnny reforçou em entrevista ao Blog n’ Roll: “Vamos garantir que as pessoas saibam que estivemos aqui e vamos carregar o legado”. Além de Van Zant, a linha de frente conta com o icônico Rickey Medlocke, que curiosamente foi baterista da banda em sua primeira fase (1971-1972) antes de assumir as guitarras na formação atual. Noite de homenagens Os 90 minutos de show foram pontuados por celebrações à memória de ex-membros. Com mais de dez integrantes falecidos ao longo das décadas, o telão tornou-se um memorial durante a execução de Free Bird. O momento atingiu o ápice com um dueto virtual entre os instrumentistas e o saudoso irmão de Johnny, Ronnie Van Zant, resgatado de gravações históricas. Outro ponto alto de sensibilidade foi Tuesday’s Gone, dedicada a Gary Rossington, o último membro fundador a deixar o grupo, falecido em 2023. A canção serviu como pano de fundo para uma belíssima homenagem ao guitarrista que atravessou todas as eras da banda. Catarse coletiva O show equilibrou com maestria a melancolia dessas perdas com a euforia de clássicos dançantes como What’s Your Name, Gimme Three Steps e That Smell, além do hino absoluto Sweet Home Alabama. Foi nesse misto de emoções que o grupo conquistou um público tão diverso, sendo ovacionado por fãs de todas as vertentes do rock presentes no estádio. No meio desse turbilhão, ainda houve espaço para a densa Simple Man, capaz de emocionar até o mais durão dos espectadores. O encerramento, com o duelo final de guitarras em Free Bird, gerou uma catarse coletiva que certamente ecoará na memória dos fãs por muitos anos.
Com Gary Cherone inspirado, Extreme faz público vibrar e se emocionar com hits

Antes mesmo do início do Monsters of Rock, integrantes do Halestorm e do Lynyrd Skynyrd não hesitaram ao apontar qual apresentação mais ansiavam assistir: Extreme. Seja pelo hard rock vigoroso que conseguiu furar a bolha do grunge nos anos 1990, ou pelo virtuosismo técnico do guitarrista Nuno Bettencourt, a banda é sempre um selo de garantia para performances memoráveis. Dinâmica e presença de palco No palco, Gary Cherone e Nuno não decepcionaram. A dupla mantém uma dinâmica impecável, entregando exatamente o que o público esperava: uma sucessão de hits radiofônicos que marcaram época, e trilhas sonoras de novelas brasileiras. O álbum Pornograffitti (1990), maior êxito comercial do grupo, serviu como a espinha dorsal do repertório. Cinco canções do disco foram apresentadas, incluindo os clássicos: Protagonismo de Nuno e a agilidade de Cherone Nuno Bettencourt, que se comunicou em português com os fãs durante boa parte do set, centralizou as atenções com seus riffs precisos e solos explosivos. No entanto, Gary Cherone não ficou à sombra. O vocalista exibiu uma agilidade impressionante, dançando e percorrendo o palco com um vigor que contagiou o Allianz Parque ao longo dos 60 minutos de show. Momento “sing along” do Extreme More Than Words proporcionou o maior coro uníssono do festival, repetindo o fenômeno ocorrido na última passagem da banda pelo Brasil, no Best of Blues and Rock. O único “obstáculo” para aproveitar plenamente o momento foi o onipresente mar de smartphones erguidos, uma barreira digital que competia com a visão direta do palco. Encerramento do Extreme em alta voltagem Mesmo após o impacto de seu maior hit, o Extreme manteve a intensidade no nível máximo. O encerramento veio com a emblemática Get the Funk Out e a moderna Rise. Esta última conta com um solo de 55 segundos que já nasceu clássico, sendo considerado por diversos críticos como um dos melhores do século XXI, uma prova definitiva de que o virtuosismo de Nuno permanece intocado pelo tempo.
Halestorm rouba a cena e entrega um dos melhores shows do Monsters of Rock

A escalação do Monsters of Rock contava com gigantes do quilate de Guns N’ Roses, Lynyrd Skynyrd e Extreme, mas quem verdadeiramente roubou a cena foi o Halestorm. Liderado pelo “furacão” Lzzy Hale, indiscutivelmente uma das maiores frontwomen do rock mundial, o grupo demonstrou por que está habituado a “engolir” palcos de arena. Sintonia e poder vocal Durante uma hora, o Halestorm entregou uma performance de altíssimo nível, sustentada pela sintonia quase telepática entre os irmãos Hale. Se Lzzy impressiona pelo alcance vocal avassalador, o baterista Arejay Hale garante o entretenimento com seu carisma e o já tradicional solo com baquetas gigantes. Se James Bartholomew (Jayler) e Marc LaBelle (Dirty Honey) iniciaram, mais cedo, uma disputa informal para ver quem possuía o maior fôlego vocal do festival, Lzzy Hale encerrou a discussão com sobras. Sua voz preencheu cada centímetro do Allianz Parque com uma potência que parece não exigir esforço, deixando a audiência em transe. Rejuvenescimento do rock Apesar dos quase 20 anos de estrada, o Halestorm consolidou-se como um dos principais estandartes do rejuvenescimento do gênero. Ao vivo, essa vitalidade torna-se ainda mais evidente, revelando um domínio de palco raramente visto em bandas de gerações mais recentes. Um dos momentos de maior protagonismo foi o solo de Arejay. Embora o uso das baquetas gigantes seja um número conhecido pelos fãs devotos, a performance arrancou sorrisos e aplausos de surpresa do público desavisado que lotava a pista. >> LEIA ENTREVISTA COM O HALESTORM Equilíbrio no repertório do Halestorm O setlist equilibrou com maestria os hits do aclamado The Strange Case Of… (2012) e as novidades do álbum Everest (2025), que ainda eram inéditas nos palcos brasileiros. I Miss The Misery e Love Bites (So Do I) foram, sem dúvida, os pontos culminantes da apresentação. O álbum de estreia homônimo (2009) também foi reverenciado com dois clássicos contemporâneos: Familiar Taste of Poison e I Get Off.
Yngwie Malmsteen, o malabarista das seis cordas em um espetáculo para iniciados

Quando Yngwie Malmsteen subiu ao palco do Monsters of Rock, no último sábado (4), no Allianz Parque, ficou evidente que sua estratégia de conquista seria distinta da utilizada por Jayler ou Dirty Honey. No universo de Malmsteen, a técnica transbordante fala muito mais alto que qualquer voz. Trata-se do clássico espetáculo no estilo “ame ou odeie”. Técnica neoclássica sob o sol Devido ao calor intenso, parte do público aproveitou o início do set para se hidratar e buscar refúgio na praça de alimentação. No entanto, os entusiastas do virtuosismo e os aficionados por guitar heroes não arredaram o pé. Eles acompanharam atentamente cada nota do mestre sueco, que ainda arriscou momentos como vocalista, embora, reconhecidamente, sem o mesmo brilho que demonstra ao empunhar suas cordas. O icônico “muro” de amplificadores Marshall não apenas impressionou visualmente, mas garantiu uma sonoridade única e extremamente densa. Malmsteen conseguiu a proeza de transformar o estádio em um imenso recital particular de metal neoclássico. Performance e repertório de Yngwie Malmsteen Além da maestria musical, o sueco exibiu uma habilidade peculiar: chutar palhetas com precisão cirúrgica diretamente para as mãos dos fãs na grade. Passeando por sua extensa discografia, Malmsteen abriu o show com a clássica Rising Force, apresentando também Fire and Ice e Baroque & Roll. Contudo, o engajamento da massa aumentou quando ele recorreu a clássicos universais, como o cover de Smoke on the Water (Deep Purple) e um trecho de Bohemian Rhapsody (Queen), intercalados à complexa Trilogy Suite Op: 5. Embora a capacidade técnica de Malmsteen seja inquestionável, o excesso de solos durante uma hora de apresentação acabou limitando o alcance do show perante o grande público. Para uma plateia de festival, que muitas vezes busca por grandes hinos, como More Than Words (Extreme), Sweet Home Alabama (Lynyrd Skynyrd) ou Sweet Child O’ Mine (Guns N’ Roses), a densidade do virtuosismo sueco pode ter soado um tanto exaustiva.
Dirty Honey encanta com rock de arena no Monsters of Rock

Assim como o Jayler, o Dirty Honey dispôs de apenas 45 minutos de palco no Monsters of Rock, realizado no último sábado (4), no Allianz Parque, em São Paulo. A banda californiana, repetindo a sinergia vista na Audio dias antes, soube otimizar cada segundo para imprimir uma excelente impressão no público paulistano. Essência setentista e vocação para estádios Fortemente influenciada pelo Aerosmith, o Dirty Honey é o tipo de banda que parece ter nascido para as arenas, carregando consigo aquela aura vibrante dos anos 1970. Se na Audio o show foi uma celebração íntima do classic rock moderno, no Allianz os músicos provaram que possuem envergadura para se tornarem headliners no futuro, seguindo os passos das lendas que emulam. O vocalista Marc LaBelle, cujos trejeitos remetem inevitavelmente a Steven Tyler, conquistou a plateia com uma entrega vocal impecável e um carisma magnético. Ele não hesitou em buscar o contato direto com os fãs, chegando a descer até o “gargarejo” da pista, eliminando qualquer barreira entre o palco e o público. Setlist e impacto do Dirty Honey no Monsters of Rock O repertório foi um “tiro curto”. Embora tenha sofrido mais cortes que o show do Jayler em comparação à apresentação de quinta-feira, a espinha dorsal do setlist foi preservada. A abertura ficou por conta de Gypsy, seguida pela energética California Dreamin’. A banda ainda resgatou Heartbreaker antes de disparar Don’t Put Out the Fire, que foi acompanhada em uníssono pelo estádio. >> LEIA ENTREVISTA COM O DIRTY HONEY Enquanto Another Last Time serviu como a vitrine perfeita para LaBelle cativar a audiência com seu domínio das love songs, o encerramento com When I’m Gone chegou com autoridade, agora validada pelo grande público como parte da trilha sonora do filme do Minecraft. As duas experiências com o Dirty Honey, na quinta e no sábado, foram complementares e marcantes. A primeira, na Audio, permitiu o privilégio de observar os detalhes técnicos; a segunda, no Allianz Parque, revelou a força e o impacto do som da banda em escala monumental.