Matt Berninger transforma crise e desencanto em magnetismo confessional no C6 Fest

Depois da energia expansiva do Wolf Alice, Matt Berninger ocupou outro tipo de território: menos explosivo, mais interior. Vocalista do The National, ele carrega uma presença que não depende de euforia para ser magnética. Sua força está justamente nesse contraste: uma voz grave, quase conversada, que parece transformar insegurança, desencanto e humor seco em matéria de performance, com muitos movimentos, quase em um estado de urgência, de quem precisa tirar do peito uma série de palavras querendo sair do controle, de alguém em crise querendo ajudar alguém que também está nessa condição. No contexto de um festival, esse tipo de show pode parecer menos imediatamente arrebatador do que uma apresentação feita para levantar a plateia, mas há uma beleza particular em sua forma de sustentar tensão. Matt Berninger não tenta competir com o barulho do dia. Ele cria uma atmosfera própria, mais próxima da confissão do que do espetáculo. Costumo brincar que ele é quase um pai para quem procura afago dentro dentro de soms intimistas. Não existe um trovador como ele no cenário da música alternativa na atualidade. É uma apresentação que pede outro tipo de atenção: menos salto, mais escuta, menos catarse coletiva, mais atenção à emissão da palavra. Ao longo do show, ele tocou várias músicas solo e alguns sucessos da carreira, como Gospel (em uma versão que em quase nada lembra a sonoridade de estúdio), do álbum Boxer, de 2007, e Terrible Love (onde atravessou a barreira que separa público de performer), do álbum High Violet, de 2010. Edit this setlist | More Matt Berninger setlists
Com atitude de sobra, Wolf Alice entrega show mais descolado do C6 Fest

Se o Horsegirl tratou a herança indie com uma juventude embalada em ruído ansioso, como se ainda estivesse em formação, o Wolf Alice levou a Tenda MetLife para outro patamar: o do rock como espetáculo de corpo inteiro, evocando os ídolos de outras décadas que atuavam enquanto cantavam. A vocalista Ellie Rowsell mantém a energia lá em cima o tempo todo, passeando das baladas mais íntimas às canções que flertam com o hard e o soft rock dos anos 1970, sem que a performance soe calculada ou refém de poses clichês. No repertório, a banda equilibrou faixas de seu álbum mais recente, The Clearing (2025), que tira um pouco o pé do acelerador em relação ao aclamado Blue Weekend (2021), mas se mostra muito preocupado com a dinâmica do espetáculo, como a energética White Shoes, além da catártica e obrigatória Don’t Delete the Kisses, do disco Visions of a Life (2017). O restante do grupo acompanha esse movimento com a mesma entrega, e o ponto mais interessante é que o protagonismo nunca fica centralizado em uma única figura. Cada integrante tem seu espaço na engrenagem. Todos parecem se divertir com o peso dos holofotes, como se a potência meio antiga, meio eterna, de simplesmente “fazer rock n’ roll” jamais tivesse deixado aquele palco. Os músicos impregnaram o lugar com uma certeza quase física: o verdadeiro estrelato passou por ali. Sem esnobismo, sem cara amarrada. Apenas muita atitude, estilo e a naturalidade de quem é genuinamente descolado, algo que você e eu tentamos ser diariamente, sem o mesmo sucesso. Mesmo com um leve atraso no cronograma, o Wolf Alice transformou a espera em um detalhe menor. Quando o quarteto entrou em cena, a sensação compartilhada era de que esse tipo de presença ainda faz muita falta na música atual: guitarras barulhentas, postura, carisma e uma confiança inabalável que não pede desculpas por querer ser gigante. Talvez seja hora de montar uma banda. Edit this setlist | More Wolf Alice setlists
Mano Brown domina C6 Fest com o groove do Boogie Naipe e impõe respeito

Era difícil não notar a mudança de densidade que a simples presença de Mano Brown provocava na Arena Heineken, no C6 Festival, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, no começo da noite de sábado (23). O público, que foi chegando aos poucos e em cima da hora, transformou o espaço assim que o homem pisou no palco. Acompanhado por uma extensa banda de apoio e pela ilustre presença do rapper Rincon Sapiência, Brown acionou uma reação imediata de flashes, celulares erguidos e olhares atentos. Um registro que já se repetiu inúmeras vezes, mas que nunca perde o impacto. Naquele momento, ficou nítido que sua figura ultrapassava o status de mera atração de festival, era a partilha viva de uma história sobre território, linguagem e diversidade. Há artistas que precisam conquistar a plateia a cada acorde, Brown parece partir de outro lugar. Antes mesmo de qualquer grande gesto ou palavra, existe uma espécie de respeito institucionalizado e tácito no ar. Logo cedo, ele se apoiou ao microfone para conduzir Dance, Dance, Dance, faixa emblemática do clássico moderno Boogie Naipe. O groove sofisticado e dançante que marcou essa fase solo de sua carreira dominou a apresentação. O momento funcionou como um respiro e, ao mesmo tempo, como uma afirmação política e estética dentro do sábado: uma lembrança contundente de que, em um festival marcado por forte presença internacional e pela linha editorial indie, a presença de Brown desloca o eixo da programação. Ele não ocupa apenas uma linha no line-up. Mano Brown é um acontecimento em si. Aliás, a surpresa durante o show ficou para o anúncio que Brown fez já no fim da apresentação: em breve “tem disco novo” do Racionais MCs. Ainda sem título definido, o sucessor de Cores e Valores (2014) deve ser lançado no segundo semestre deste ano.
Ruído e personalidade do Horsegirl resgatam o indie dos anos 90 no C6 Fest

O primeiro dia do aguardado fim de semana do C6 Festival, em sua quarta edição na capital paulista, entregou personalidade e irreverência, tanto por parte dos artistas quanto por parte do público. Nem mesmo a forte chuva que caiu à tarde, os atrasos e os problemas técnicos foram capazes de ofuscar a sinergia do evento, embora tenham testado o planejamento da organização no Parque Ibirapuera. Mais do que uma sequência de apresentações, o sábado funcionou como um estudo sobre presença de palco. O público observou como cada atração constrói, tensiona ou confirma sua própria mitologia diante de uma plateia disposta a resistir, mesmo quando o céu não colaborava. >> LEIA ENTREVISTA COM HORSEGIRL Entre a Tenda MetLife e a Arena Heineken, essa linha do tempo foi atravessada por diferentes gerações: da exuberância rockstar do Wolf Alice à melancolia elegante de Matt Berninger (distribuindo seus habituais conselhos para adultos deprimidos), passando pela imponência de Mano Brown e o minimalismo acelerado do The xx. No entanto, o grande mérito de renovação do festival ficou por conta do frescor das guitarras do trio americano Horsegirl. O som autoral e a estranheza segura do Horsegirl O Horsegirl abriu esse percurso com uma proposta que, à primeira vista, poderia facilmente cair na armadilha do saudosismo vazio. O trio americano parte de referências muito claras, que passeiam pelo noise pop, pelo twee e pelo indie rock de guitarras ásperas e versos truncados, preservando o clássico espírito universitário dos anos 1990. No entanto, a banda escapa do pastiche. Elas reverenciam esse legado cultural de forma direta, sem soar como apenas mais um grupo perdido na fusão de estilos, o som entregue é essencialmente autoral. O trio, formado por Penelope Lowenstein (voz e guitarra), Nora Cheng (guitarra e voz) e Gigi Reece (bateria), interagiu pontualmente com o público. As integrantes demonstraram entusiasmo, especialmente ao executarem os sucessos Switch Over (do álbum Phonetics On and On) e Anti-Glory (de Versions of Modern Performance), duas canções estrategicamente posicionadas no encerramento do repertório para incendiar a plateia. Em uma indústria ávida por transformar referências em fórmulas prontas, entregar frescor ao mercado é um feito raro. No caso do Horsegirl, há algo mais vivo na performance: uma energia ainda em formação, mas já muito segura de sua própria estranheza. A banda não parece interessada em repaginar o passado para torná-lo palatável. O objetivo delas parece ser habitá-lo, bagunçá-lo e devolvê-lo com uma assinatura própria. Edit this setlist | More Horsegirl setlists
Sob dilúvio, Korn encerra jejum de 9 anos em SP e prova tamanho de seu legado

Pais do nu metal e responsáveis por quebrar os moldes tradicionais do rock e do metal dos anos 1990, acelerando o fim do hair metal e preenchendo o vácuo deixado pelo declínio do grunge, a banda norte-americana Korn, enfim, teve sua estreia como headliner em um estádio brasileiro. Na noite de sábado (16), diante de 50 mil pessoas que esgotaram os ingressos do Allianz Parque, em São Paulo, Jonathan Davis e companhia entregaram tudo o que se esperava deles, encerrando um doloroso jejum de nove anos longe dos palcos do país. Esse status novo do Korn para o porte de estádio no Brasil reflete um fenômeno global: o forte revival do nu metal e o interesse renovado em grandes experiências ao vivo. Mas estar ali, comandando uma arena desse tamanho, faz justiça histórica a um grupo que revolucionou a música sem fazer concessões. Visualmente, eles chocaram os puristas ao trocar o couro e o visual do metal clássico pela estética das ruas, com dreadlocks, agasalhos da Adidas e tênis brancos. Sonoramente, rejeitaram clichês como longos solos de guitarra para fundir o peso do metal ao groove do hip-hop, o baixo funkeado e melodias sombrias do new wave. Com guitarras de sete cordas afinadas lá embaixo e a inusitada gaita de foles de Jonathan Davis, o Korn construiu uma ponte definitiva entre gêneros outrora distantes. O show começou exatamente às 21h33 com Blind, faixa de abertura do disco de estreia de 1994. A introdução com a queda das cortinas foi o suficiente para mudar o clima na pista. A partir dali, o que se viu foi um desfile econômico em pirotecnia, mas monstruoso em som, grave e cristalino. Faixas como a pesada Here to Stay (embalada por sinalizadores na pista) e a dançante Got the Life mantiveram o Allianz em ebulição, mesmo quando uma forte chuva desabou sobre o estádio. No comando de tudo estava Jonathan Davis, a personificação do “anti-herói danificado”. Enquanto o metal tradicional focava em fantasia ou hedonismo, Davis trouxe para o topo das paradas uma vulnerabilidade brutal sobre traumas, depressão e o severo bullying de sua juventude. Ouvir 50 mil vozes ecoando o interlúdio bizarro de Twist ou berrando os versos de Shoots and Ladders (com direito ao trecho final de One, do Metallica) evidencia o nível de conexão emocional fanática que a banda gerou com uma geração de jovens suburbanos alienados. Essa fórmula crua e barulhenta, vale lembrar, chegou a desbancar astros do pop como Britney Spears e NSYNC na MTV no fim dos anos 90 e deu origem à icônica Family Values Tour. Por volta da nona música, após engatar a sequência com Coming Undone, o Korn fez sua primeira pausa totalmente sem som, quebrando o clima de ruídos industriais que unia as faixas. Foi o momento em que Jonathan Davis, visivelmente incrédulo com o mar de gente sob o dilúvio, conversou com o público e pediu sinceras desculpas pela demora de quase uma década. Ele prometeu um retorno mais rápido e justificou que o grupo esteve imerso em estúdio nos últimos anos. Na sequência, introduziram a inédita Reward the Scars, faixa lançada para o game Diablo IV e que deve integrar o próximo álbum. Na segunda metade do set, canções mais recentes como Cold dividiram espaço com petardos cheios de groove como Twisted Transistor e a contestadora Y’All Want a Single. Musicalmente, o grupo soa impecável e idêntico às gravações de estúdio. Os guitarristas Brian “Head” Welch e James “Munky” Shaffer emulam as timbragens com perfeição. O baterista Ray Luzier exibe uma habilidade técnica assustadora, enquanto o baixista convidado Ra Díaz substitui Fieldy mantendo o peso necessário, ainda que com uma pegada ligeiramente menos percussiva. Davis, aos 55 anos, administra o fôlego em alguns refrões, mas compensa com uma entrega visceral. O bis foi um presente nostálgico milimetricamente calculado: a curta 4U abriu caminho para a apoteose com Falling Away from Me, a divertida A.D.I.D.A.S. e o hit máximo Freak on a Leash, que transformou a pista encharcada do Allianz Parque em um mosh pit generalizado sob chuva de serpentinas. Edit this setlist | More Korn setlists
Spiritbox equilibra setlist em SP, mas esbarra em público frio e ausência de telões gringos

Ano passado, meses após a estreia deles no Brasil no fim de 2024, avisei que o grupo canadense Spiritbox estava com uma projeção gigantesca no hemisfério norte, amparado por um show incrivelmente bonito e telões de última geração, como pude constatar de perto no Hammerstein Ballroom, em Nova York. Infelizmente, a apresentação que veio para São Paulo no último sábado (16), como abertura para o Korn no Allianz Parque, não trouxe toda essa parafernália tecnológica. No entanto, com ou sem os supertelões, Courtney LaPlante e companhia conseguem entregar um show excelente, extremamente técnico e com uma presença de palco marcante. Em turnê mundial para divulgar seu segundo álbum de estúdio, Tsunami Sea, o Spiritbox mudou a lógica do setlist no Brasil. Se no ano passado metade do repertório era focado no disco mais recente, no sábado a divisão ficou mais equilibrada: foram quatro canções do álbum de estreia (Eternal Blue), quatro de Tsunami Sea, três do EP The Fear of Fear e uma do EP Rotoscope. A recepção do público, por outro lado, deixou um pouco a desejar. Mesmo que algumas pessoas tentassem imitar os guturais de Courtney na pista, no geral a plateia se mostrou fria com a banda. Nada que estragasse a noite, já que a vocalista demonstrou muita alegria no palco, dançou bastante e conversou brevemente com a galera. O ápice da reta final ficou por conta de um encontro de peso: Courtney chamou Taylor Barber, do Seven Hours After Violet, para dividir os vocais na avassaladora Holy Roller. Sigo com o meu hiperfoco em assistir a um show solo do Spiritbox no Brasil. Essa será a verdadeira validação da banda com um público estratégico do showbiz mundial e, acima de tudo, a experiência rica que os fãs merecem, de preferência, com toda a tecnologia visual a que têm direito. Edit this setlist | More Spiritbox setlists
Com direito a gravação de clipe, Shavo Odadjian comanda show do Seven Hours After Violet em SP

A programação do show do Korn em São Paulo trouxe duas excelentes novidades que já haviam se destacado no Allianz Parque nos últimos anos: Seven Hours After Violet e Spiritbox, bandas que lançaram seus primeiros álbuns em 2024 e 2021, respectivamente. A primeira foi escalada no Knotfest 2024, enquanto a segunda abriu para o Bring Me The Horizon no mesmo ano. No sábado (16), o Seven Hours After Violet (Shav) se apresentou logo após o show incendiário do Black Pantera, hoje, uma das melhores bandas do cenário nacional. Liderado por Shavo Odadjian, baixista do System of a Down, o projeto traz no palco a companhia de Taylor Barber (vocal), Michael “Morgoth” Montoya (guitarra), Alejandro Aranda (guitarra) e Josh Johnson (bateria). Juntos, eles transitam entre o metalcore e o metal alternativo, com Taylor no comando dos guturais e Alejandro, vice-campeão do American Idol 17 (2019), entregando as vozes mais melódicas. Impressionado com a resposta do público, que atendeu a todos os pedidos de mosh pit, cantou junto e vibrou intensamente, Shavo arriscou o agradecimento em bom português: “Vocês são foda”. O repertório foi baseado inteiramente no álbum homônimo de estreia, de 2024, com nove das 11 faixas executadas. Mas ainda houve espaço para uma novidade no set: a inédita Graves, que deve integrar o próximo disco do grupo. Durante a execução, os fãs foram convidados a escanear um QR Code no telão para enviar vídeos dançando e curtindo a música ali na hora. O material fará parte do próximo videoclipe do Shav. É contagiante ver a empolgação do baixista no palco. Ele leva muito a sério o conceito que aprendeu com o Bad Brains, conforme revelou no livro Barulho – A História Oral do Heavy Metal (Louder Than Hell), de Jon Wiederhorn. Na obra, o músico destaca o impacto fundamental da lendária banda de hardcore, ilustrando bem sua própria mentalidade artística independente: “Provavelmente não haveria um System of a Down se não fosse pelo Bad Brains. Eles foram muito influentes, e não apenas musicalmente. Eles abriram o caminho para os artistas não darem a mínima e fazerem o que querem fazer”. A mesma lógica é aplicada no Seven Hours After Violet, que foi abraçada principalmente pela figura de Shavo, mas que saiu do Allianz Parques com muitos fãs novos também.
Estreia do Balance and Composure em São Paulo prova que algumas esperas valem cada segundo

Tinha algo diferente no ar desde cedo. Às 15h em ponto de sábado (16), o Cine Joia, em São Paulo, já pulsava por tanta expectativa acumulada. Anos de pedidos, comentários e “come to Brazil” espalhados pela internet finalmente ganhavam forma com o Balance and Composure. Antes da tão aguardada estreia do Balance and Composure em São Paulo, quem abriu os trabalhos foi a Bullet Bane, entregando um show intenso e presenteando o público com duas músicas inéditas do novo álbum, que chega no dia 29. Energia alta, público cantando junto e aquela sensação de que algo especial estava se formando. Na sequência, Pedro Lanches surpreendeu muita gente: uma verdadeira descoberta para boa parte da plateia, que rapidamente comprou a proposta e entrou no clima. Mas era quando as luzes baixavam de novo que o Cine Joia realmente prendia a respiração. Quando o Balance and Composure subiu ao palco, ficou claro: a espera tinha sido longa demais para ser morna. Desde os primeiros acordes de Restless, a recepção foi de arrepiar. Ovacionados antes mesmo de começarem e celebrados a cada pausa, os músicos pareciam sentir o peso e o carinho daquele momento. Jon Simmons foi sincero logo de início: disse que estava doente e pediu desculpas. Mas se aquilo era um vocalista “debilitado”, fica difícil imaginar o seu 100%, já que a entrega no palco foi total. >> LEIA ENTREVISTA COM BALANCE AND COMPOSURE Reflection, Parachutes e Back of Your Head vieram em uma sequência que deixou nítido que aquela não seria uma noite contida. Quake transformou a pista em movimento constante. Em Any Means e Cut Me Open, o público já não estava apenas assistindo, os gritos mostravam a intensidade de quem vivia cada verso. E aí veio o que já é marca registrada dos shows com a assinatura da New Direction Productions: a ausência de grades. O espaço entre palco e público vira território livre. Stage divings aconteciam o tempo todo, com corpos sendo erguidos, devolvidos e sustentados. Mosh pits abriam e fechavam como ondas. Gente pulando, se abraçando e cantando olho no olho. Tiny Raindrop e Notice Me fecharam a noite com aquele sentimento agridoce de quem esperou demais e, de repente, se vê no fim. Mas ninguém saiu frustrado, pelo contrário, a sensação coletiva era de que cada segundo valeu a pena. Depois de anos de silêncio, o Balance and Composure não apenas tocou em São Paulo: eles foram abraçados como se nunca tivessem ido embora, deixando o palco sob pedidos de “come back soon”. E talvez seja isso que torna algumas esperas tão especiais. Quando finalmente acontecem, você entende que não era apenas hype, mas sim destino, e uma comunidade fiel de fãs que soube aguardar o momento certo. Setlist 1. Restless 2. Reflection 3. Parachutes 4. Back of Your Head 5. Void 6. Quake 7. Any Means 8. Cut Me Open 9. Body Language 10. Cross to Bear 11. Postcard 12. Stonehands 13. I’m Swimming 14. Tiny Raindrop 15. Notice Me
Rodox encerra jejum de 22 anos em Santos com Arena Club lotado e bênção do Charlie Brown Jr.

Foram mais de 22 anos de separação entre o Rodox e Santos, mas, com o retorno recente da banda liderada por Rodolfo Abrantes, o público caiçara enfim pôde assistir a uma apresentação do grupo. Na noite de sexta-feira (15), o Rodox se apresentou no Arena Club lotado. A noite teve direito a dois integrantes da formação clássica do Charlie Brown Jr. na plateia: Marcão e Pelado, que foram celebrados por Rodolfo no palco como “a maior banda de rock do Brasil”. O momento foi emblemático e fechou um ciclo: foi em Santos, afinal, no M2000 Summer Concerts de 1994, que um jovem Chorão ficou na grade do show de Rodolfo e o entregou a primeira fita da banda santista. Confesso que a primeira fase do Rodox não me atraía quando lançaram os dois primeiros álbuns, no início dos anos 2000. Muito provavelmente por infantilidade da minha parte, eu era adolescente, e por não entender o real motivo do fim do Raimundos da forma que conhecíamos. >> LEIA ENTREVISTA COM RODOLFO ABRANTES (RODOX) O documentário Andar na Pedra, dirigido e roteirizado por Daniel Ferro (disponível no Globoplay), ajudou muito a quebrar essa resistência com o Rodox, pois humanizou o “vilão” do fim dos Raimundos. Rodolfo realmente precisava romper com aquele momento, foi necessário ir para outro extremo e viver uma nova vida até encontrar o atual equilíbrio. Santos, inclusive, testemunhou suas dores mais profundas, como a tragédia de 1997 no lançamento de Lapadas do Povo, ferida que quase o fez abandonar a música e que só começou a cicatrizar após o abraço acolhedor dos familiares das vítimas na cidade. Ver o Rodox ali, décadas depois, é a prova de que o tempo cura. E quem ganha com isso são os fãs. Afinal, quem aqui não gostaria de ver um grande ídolo, que muitos perderam para a overdose, vivo até hoje, fazendo shows e sendo feliz? Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por Blog n' Roll (@blognroll) No palco, o Rodox ao vivo entrega uma energia absurda, reflexo de um reencontro que começou despretensioso para 2026, mas que virou um renascimento criativo com promessa de disco de inéditas. Rodolfo segue com muita atitude, cantando bem e acompanhado por um timaço: Fernando Schaefer (baterista de uma cacetada de bandas), Patrick Laplan (baixista original do Los Hermanos) e Pedro Nogueira (guitarrista do Wacky Kids, uma das melhores bandas de hardcore melódico do Brasil). O guitarrista Victor Pradella, que foi sideman na fase musical de Rodolfo após o término do Rodox, também compõe o time na tour. O time que acompanha Rodolfo, inclusive, também é muito festejado pelo vocalista. Após pedir palmas para Chorão, Champignon, DJ Bob e Canisso, todos com muitos elogios, o frontman disse que é importante homenagear os amigos em vida também. O setlist, idêntico ao de todas as apresentações da atual turnê e sem espaço para novidades, passeia pelos dois álbuns da banda, deixando de fora apenas faixas muito datadas: foram nove canções do disco homônimo e sete de Estreito, além de dois covers (Exodus, de Bob Marley, cujo álbum Kaya é uma das grandes influências da vida de Rodolfo, e Alive, do P.O.D.). Para quem ainda tem resistência ao grupo, recomendo dar uma chance às ótimas faixas apresentadas nessa tour, como De Costas Para o Mar, Beach Punx, Foi Bom Esperar, De Uma Só Vez, Dia Quente e Olhos Abertos. Diferente de boa parte dos shows da banda, Rodolfo não pulou nos braços do público durante Alive. Mas a faixa contou com a participação especial de Wander Ruas, vocalista da banda Alva, responsável pela abertura do show, que já havia cantado também Olhos Abertos. O líder do Rodox preferiu terminar a apresentação no palco, deixando claro que o que era para ser apenas uma turnê curta de reencontro já virou um plano para o ano inteiro, para a alegria dos fãs que não o abandonaram mesmo após tantos anos. Setlist Segue a linha De costas para o mar Cego de Jericó Mais e mais Incinerador Beach Punx Horário nobre Foi bom esperar De uma só vez Iluminado Dia quente Inflexível 1000 megatons Olhos abertos BIS Quem tem coragem não finge Três reis Exodus (Bob Marley cover) Alive (P.O.D. cover)