Lynyrd Skynyrd emociona em show dançante em São Paulo
Everclear promove show intimista e cheio de hits em Westbury

Nos anos 1990 e começo dos 2000, a banda norte-americana Everclear entregou um caminhão de hits, todos sempre carregados de letras fortes e refrões fáceis. Apesar desse apelo, que teve grande impulsionamento pela MTV Brasil, o grupo de Art Alexakis nunca veio ao Brasil. Coube então a missão de buscar essa experiência longe de casa. Bem próximo de Nova York, em Westbury, na região de Long Island. Esse foi o local que pude realizar esse desejo. O cartaz não poderia ser melhor, além do Everclear, estavam escalados The Pink Spiders e The Ataris. No entanto, o vocalista do Ataris, Kris Roe, contraiu covid e cancelou a apresentação em cima da hora. Coube ao The Pink Spiders esquentar o público. Com o The Space at Westbury ainda vazio, esse grupo não poupou energia. Mesmo sem conhecer profundamente o trabalho deles, me surpreendi com a disposição dos integrantes e o visual bem roqueiro. O show do The Pink Spiders começou com Gold Confetti, carro-chefe do álbum mais recente, Freakazoid, lançado há dois meses. Outros destaques do show foram Little Razorblade, canção mais conhecida da banda, e Modern Swinger, que encerrou a apresentação. Se no começo o público parecia muito discreto curtindo o show, da metade para o fim o cenário mudou por completo. The Pink Spiders saiu bastante aplaudido do palco. Antes do início do Everclear, aproveitei para conhecer melhor a casa de shows. O The Space at Westbury é um antigo teatro, que foi como um respiro cultural nessa pequena cidade, dos anos 1920 aos 1980. Menos de uma década atrás ele foi salvo de uma demolição e virou a principal casa de shows da região. Everclear Mesmo que a esclerose múltipla limite Art Alexakis para muitas coisas, no palco o vocalista do Everclear vira outra pessoa. É nítido como se manter ativo é uma terapia para ele, seja para relembrar a origem de algumas canções ou arrancar sorrisos cantando seus maiores sucessos. Por falar em hits, o show do Everclear é praticamente um best of do início ao fim. So Much for the Afterglow, Everything to Everyone e Heroin Girl foi a trinca inicial. Art Alexakis não é a única estrela no palco. O baixista Freddy Herrera é vibrante o tempo todo, o braço direito do vocalista, capaz de manter o ritmo puxado entre as músicas, garantindo um setlist acelerado. >> Confira entrevista exclusiva com Art Alexakis, do Everclear Uma das surpresas do set foi Sing Away, que foi feita originalmente acústica para a carreira solo de Art Alexakis, mas ganhou uma versão mais rock com a banda. Tocando para um público abaixo de mil pagantes, Art Alexakis relembrou momentos em Long Island, brincou com alguns fãs, além de detalhar a importância de cantar faixas tão marcantes, como Father of Mine e Wonderful. Da metade para o fim, mais hits: AM Radio, I Will Buy You a New Life e Santa Monica, que fechou o show. Antes, no entanto, ainda teve tempo para atender o pedido do público por The Boys Are Back in Town, cover do Thin Lizzy. Antes de deixar o The Space, Art Alexakis e seus companheiros de banda receberam o público para uma rodada de autógrafos, fotos e conversas. Em resumo, pacote completo. Impossível não sair feliz de Westbury. E ainda deu tempo de pegar o trem de volta para a Grand Central, em Nova York.
Greta Van Fleet estreia no Madison Square Garden com show cheio de figurino e solos

Na minha cabeça sempre existiram três possibilidades de conhecer o lendário Madison Square Garden, uma das tradicionais arenas cobertas multiuso do mundo: jogo do New York Knicks, um grande evento do UFC ou show de uma banda boa. Felizmente foi a terceira opção: Greta Van Fleet. Dois meses após lançar o terceiro álbum de estúdio, Starcatcher, o Greta Van Fleet fez sua estreia no Madison Square Garden, em Nova York, na última terça-feira (12). A Surf Curse foi a responsável pela abertura. O aquecimento do show do Greta Van Fleet começou com uma faixa de violino tocando um pouco de cada canção do último álbum. Permaneceu assim por quase dez minutos, quando a cortina caiu e a banda assumiu o controle do palco. Sem tempo a perder, o Greta Van Fleet já deu uma baita destacada no novo álbum, tocando duas faixas de Starcatcher logo de cara: The Falling Sky e The Indigo Streak. Enquanto equilibrava o set entre Starcatcher, que teve oito faixas no setlist, e canções dos primeiros álbuns e EPs, o Greta Van Fleet dividiu o protagonismo entre seus integrantes. Jake Kiszka, Sam Kiszka e Danny Wagner intercalaram em solos extensos, porém extremamente técnicos. Josh Kiszka aproveitava esses intervalos para trocar o figurino, algo que fez com muita frequência durante o show. Vestido com um macacão azul marinho com estrelas, Josh retornou para Meeting the Master, que foi precedida por um trecho de Norwegian Wood, dos Beatles. A primeira parte do show ainda teve espaço para Heat Above e Highway Tune, muito festejada pelo público. Logo depois, Josh, Jake e Sam saíram do palco para o solo de bateria de Daniel, que durou cerca de dez minutos. E isso não é modo de falar. Contabilizei esse tempo. Enquanto isso, os três seguiram para o palco B, que ficava no outro extremo da quadra (o equivalente ao fim da pista comum). Por lá, eles cantaram três músicas no formato acústico: Unchained Melody (sim, a trilha principal do filme Ghost, lembra?), Waited All Your Life e Black Smoke Rising. No retorno ao palco principal, Josh foi novamente aos bastidores para mais uma troca de roupa. Dessa vez retornou com um macacão roxo. Nesse meio tempo, Sam segurou a atenção do público com mais um solo, mas não tão extenso. Sacred the Thread veio na sequência, tendo um ótimo retorno dos fãs. The Archer veio logo depois, sucedida por mais um solo de guitarra. Sim, os solos além de entreterem, eram a deixa para Josh trocar novamente de roupa. A reta final veio com o figurino mais deslumbrante de Josh: calças prateadas e uma grande capa branca. A quantidade de vezes que Josh trocou de roupa tornou o show ainda melhor porque cada um teve seu momento. Para o bis, a primeira música foi Light My Love. Durante essa canção, o Madison Square Garden foi iluminado com arco-íris. Foi mágico. Por fim, eles cantaram Farewell For Now. Pouco antes do último adeus, Jake e Josh deram um longo abraço na frente dos fãs. Foi a quarta vez que assisti ao Greta Van Fleet. E o que mais me agradou foi ver o quanto essa banda evoluiu a ponto de entender que é protagonista e precisa entregar um espetáculo completo. Fizeram isso com muita qualidade. Confira o setlist do Greta Van Fleet no Madison Square Garden Edit this setlist | More Greta Van Fleet setlists
Titãs emociona 50 mil pessoas com show de alto nível no Allianz Parque

Um dream team de artistas, um palco que não deixa a desejar em nada na comparação com grandes shows internacionais, além de um repertório repleto de hits. A turnê Titãs Encontro é o maior acerto da música brasileira em 2023. Nos últimos meses nos despedimos de Rita Lee, Erasmo Carlos, Gal Costa, Astrud Gilberto, além de assistirmos as despedidas do Skank e Milton Nascimento dos palcos. Portanto, assistir Arnaldo Antunes, Nando Reis, Sérgio Britto, Branco Mello, Paulo Miklos, Tony Bellotto, Charles Gavin é um abraço quente para quem gosta da boa música brasileira. Que o retorno do público seja o suficiente para manter esses caras juntos por muito mais anos. O Blog n’ Roll acompanhou a segunda das três noites da turnê no Allianz Parque, em São Paulo, que estava lotado, com 50 mil pessoas. Logo de cara, o palco é algo que chama demais a atenção. Grandioso, com toneladas de equipamento, além de um telão realmente de primeiro mundo. Me lembrou muito a qualidade da imagem proporcionada na atual turnê do The Killers. O repertório é praticamente inteiro dedicado aos álbuns gravados com os sete integrantes juntos: Titãs (1984), Televisão (1985), Cabeça Dinossauro (1986), Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas (1987), Õ Blésq Blom (1989) e Tudo ao Mesmo Tempo Agora (1991). Cabeça Dinossauro e Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas dominam o set, com dez e seis canções cada, respectivamente. A apresentação do Titãs foi dividida em três etapas, além do bis. Na primeira, com exceções de O Pulso e Eu Não Sei Fazer Música, o set foi inteiramente dedicado aos discos Cabeça Dinossauro e Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas. Antes de entrar no segundo ato, a banda sai do palco e o telão passa a exibir imagens históricas dos integrantes juntos, inclusive bastidores de Fromer com os amigos. Logo depois, o set acústico assume o protagonismo. Todos ficam sentados mais à frente. Arnaldo se ausenta por alguns minutos enquanto Sérgio Britto e Nando Reis assumem os vocais. Arnaldo retona depois, acompanhado de Alice Fromer, filha do falecido Marcelo Fromer, para cantar três músicas. O terceiro ato do show é mais variado, contemplando um pouco de cada um dos discos lançados até o início dos anos 1990. Sempre com os integrantes revezando nos vocais, Arnaldo Antunes, Nando Reis, Branco Mello, Paulo Miklos e Sérgio Britto. A apresentação foi repleta de tributos. Erasmo Carlos (É preciso saber viver), Rita Lee (Ovelha Negra), Ciro Pessoa e Marcelo Fromer (Toda Cor) foram citados em momentos diversos do show. Além da sintonia perfeita dos músicos, uma grande reunião de amigos talentosos, o show também trouxe discursos emocionados e outros inflamados, quando Nando Reis falou de como as canções seguem atuais, principalmente após quatro anos de desgoverno do coiso lá que não merece ser mencionado. Branco Mello, curado de um câncer na garganta, emocionou ao falar da alegria de voltar a fazer o que mais ama. Disse que estava muito feliz de poder voltar ao palco, falar e cantar, mesmo que a voz esteja bem comprometida. Cantou Tô Cansado, Eu Não Sei Fazer Música, Cabeça Dinossauro, 32 Dentes e Flores. O bis trouxe três clássicos: Miséria, Marvin e Sonífera Ilha, essa com Miklos fazendo referência a Santos, “cidade que gostamos muito de tocar sempre”. Moral da história: precisamos muito de uma sequência do Titãs. Não apenas em turnê reunião, mas com mais canções novas, mais shows, mais cidades contempladas. Ficamos na torcida por aqui. Setlist Set 1 Diversão Lugar nenhum Desordem Tô cansado Igreja Homem primata Estado violência O pulso Comida Jesus não tem dentes no país dos banguelas Nome aos bois Eu não sei fazer música Cabeça dinossauro Set Acústico Epitáfio Os cegos do castelo Pra dizer adeus Toda cor (Com Alice Fromer nos vocais) Não vou me adaptar (Com Alice Fromer) Ovelha Negra (com Alice Fromer) Set 2 Família Go Back É preciso saber viver (Erasmo Carlos) 32 dentes Flores Televisão Porrada Polícia AA-UU Bichos escrotos Bis: Miséria Marvin Sonífera ilha
No ritmo do Ilariê, HAIM entrega show divertido e dançante no MITA
NX Zero sai do hiato e mostra que não tem ferrugem alguma no MITA
Capital Inicial promove matinê de hits em show redondo no MITA Festival

Apostar em veteranos do rock nacional tem sido um grande acerto dos maiores festivais de música do Brasil. Se o Lollapalooza trouxe o Paralamas do Sucesso e o Best of Blues and Rock veio com Ira!, o MITA não ficou para trás e escalou o Capital Inicial, no segundo dia do evento, em São Paulo. No Novo Anhangabaú, Dinho Ouro Preto comandou um repertório de hits do início ao fim. Menos falante que o normal, o cantor vibrou com a oportunidade no festival. “Eu morei 12 anos aqui do lado, no Centro de São Paulo. É muito bom ver o Centro sendo revitalizado. Hoje é como se eu cantasse no quintal da minha casa”. É perceptível que houve uma quebra na sequência de gerações que curtem as bandas nacionais dos anos 1980, mas é justamente aí que entra a força dos festivais para reconectar público jovem com esses artistas. Essas bandas seguem ativas, produzindo conteúdos e renovando repertório. No caso do Capital, são cinco anos sem disco de inéditas, mas lançou no ano passado o Capital Inicial 4.0, comemorando as quatro décadas de música, dando novos arranjos para clássicos do grupo. Em pouco mais de uma hora de apresentação, Dinho distribuiu hits a rodo, passando por várias fases, dos anos 1980 ao Acústico MTV, do início dos anos 1990 até discos mais atuais. Começou com O Mundo, Independência, Depois da Meia-Noite, Todas as Noites e Tudo que Vai. Olhos Vermelhos deu uma segurada na euforia do público, mas a sequência final foi matadora: Primeiros Erros, Não Olhe Pra Trás, Música Urbana, Fátima, Veraneio Vascaína, Natasha e À Sua Maneira. O Capital Inicial deu o seu recado e mostrou que as bandas clássicas do rock nacional merecem respeito sempre. Não podem ser esquecidas na estante, ainda mais em tempos tão ruins no mainstream.
Em franca ascensão, Sabrina Carpenter conquista novos fãs no MITA

Estrela pop em ascensão, Sabrina Carpenter tem tudo para fortalecer ainda mais seu nome no Brasil. Pela terceira vez no País, ela protagonizou um bom show no segundo dia do MITA Festival, no Novo Anhangabaú, em São Paulo, que aconteceu no domingo (4). E o retorno já está garantido: vem em novembro como atração de abertura da turnê de Taylor Swift. Surgida em série da Disney, tal como outras estrelas pop como Britney Spears, Miley Cyrus, Olivia Rodrigo e Selena Gomez, Demi Lovato, Sabrina Carpenter já tem cinco discos de estúdio, mas foi o último, emails i can’t send, lançado em 2022, que deu um status maior para ela. No palco do MITA, ela comprovou a força desse álbum, que ganhou uma versão deluxe no início deste ano. Das 15 canções do repertório, 12 vieram de emails i can’t send. Aliás, todas cantadas com muita euforia pelos fãs. Vale destacar que o show de Sabrina foi um dos primeiros do dia, mas o público já estava em peso no Palco Deezer. A ascensão da cantora é nítida. Em 2017 veio ao Brasil como atração de abertura da turnê de Ariana Grande, voltou dois depois para um pocket show fechado para convidados. Disposta a deixar uma boa impressão para um novo público, Sabrina ainda apresentou uma bela versão para The Sweet Escape, de Gwen Stefani. Aqui arrancou muitos elogios da plateia. Apesar do problema técnico em Paris, que precisou ser reiniciada, Sabrina ainda demonstrou muita simpatia, conversando com os fãs o tempo todo, inclusive para lembrar que retorna em novembro. Setlist Read your Mind Feather Vicious Already Over Tornado Warnings bet u wanna The Sweet Escape (Gwen Stefani cover) Looking at Me Paris opposite Fast Times Sue Me decode skinny dipping because i liked a boy Nonsense
Com longo atraso, Lana Del Rey supera problemas técnicos e entrega grande show

O principal show da primeira noite do MITA Festival em São Paulo, neste sábado (3), foi ofuscado por problemas antes e durante o início da apresentação. A cantora Lana Del Rey entrou no palco quase 45 minutos atrasada, após um coro de vaias dos seus fãs, que claramente já haviam perdido a paciência com a demora. Após subir ao palco, a artista foi muito carinhosa com o público, mas não informou o motivo de tanta demora. Aliás, durante as duas primeiras músicas da performance, a equipe de Lana ia até a cantora de momento em momento para finalizar a preparação do seu primeiro figurino. Outro problema que ocorreu durante o início do show da cantora foi quando seu pianista perdeu o tempo em Bartender. O erro fez com que a artista interrompesse a canção e pedisse para reiniciá-la. Fim dos momentos ruins Mas as coisas ruins acabaram por aí. Em The Grants, a cantora se emocionou ao ver uma multidão com as lanternas dos celulares ligadas. Logo após o fim da canção, ela agradeceu o carinho dos paulistas mais uma vez. Após apresentar uma sequência de sucessos, os fãs começaram a pensar que a setlist seria igual à do primeiro show de Lana no MITA, realizado no Rio de Janeiro. Porém, atendendo a um grande pedido da plateia, Lana Del Rey incluiu Get Free na apresentação. Essa adição fez o público delirar e todos cantaram juntos, tornando-se o ponto alto do dia. Perto do fim, a cantora ainda incluiu Cinnamon Girl, outro pedido do público. E mais uma vez, os fãs fizeram jus ao pedido atendido e cantaram a canção aos berros. Assim como no Rio de Janeiro, Lana encerrou seu show com Video Games, em que ela performa a faixa inteira sentada em um balanço. Esse momento também é muito especial para os admiradores da artista. Aliás, uma grande parte do motivo pelo qual a performance foi positiva se deve aos fãs, que realmente deram tudo de si nesses pouco mais de 1h de apresentação. Com a headliner visivelmente frustrada com algo nas primeiras músicas, coube ao público trazer Lana de volta aos eixos para que ela encerrasse o primeiro dia do MITA Festival em São Paulo de forma digna.