Nanda Moura abre Best of Blues and Rock com show cativante

Atração de abertura do primeiro dia do Best of Blues and Rock 2023, Nanda Moura foi a responsável por representar o blues em uma tarde/noite marcada por guitarristas virtuosos. Acompanhada de Gil Eduardo, Cesar Lago e Otávio Rocha, a cearense Nanda Moura, de 32 anos, surgiu no palco com uma cigar box guitar, algo característico em seus shows, e apresentou um repertório cativante. Apresentou um set com clássicos do blues e jazz. Debaixo de forte sol e com poucas pessoas na plateia, Nanda Moura não diminuiu o ritmo. Pelo contrário, mostrou muita dedicação e técnica. Quando tocou Hit the Road Jack, de Ray Charles, conseguiu colocar o público para cantar junto. Foi o grande momento da apresentação. Fiquei com muita vontade de assistir em um clube de blues ou bar do Sesc. Casa bem com a proposta do som. Confira set list abaixo Trouble So Hard (Vera Hall) Hard Times Killing Floor (Skip James) Walking Blues (Robert Johnson) Who You Gonna Hoodoo Now (Tony Joe White) Everything Is Gonna Be Alright (Little Walter) Let The Good Times Roll (B.B. King) Nextdoor Neighbor Blues (Gary Clark Jr.) Baby, Please Don’t Go (Big Joe Williams) Skinny Woman (R.L. Burnside) Halfway To Jackson (Justin Townes Earle)
Em show com feat de IZA, Alicia Keys encanta com hits e simpatia

A nova-iorquina Alicia Keys pode facilmente ser incluída em um top 10 das maiores cantoras dos últimos 30 anos. Na última sexta-feira (5), no Allianz Parque, a artista comprovou a força do seu trabalho. É completa: tem um alcance vocal incrível, toca piano como poucos, esbanja carisma o tempo todo e ainda traz surpresas muito agradáveis ao palco. Diante de uma configuração diferente do Allianz Parque, com cadeiras espalhadas por todo o gramado, Alicia Keys deixou bem claro que ninguém precisava ficar sentado. Bastou entrar em cena que o público todo já estava de pé. E permaneceu assim até o fim. Nat King Cole, You Don’t Know My Name, Wasted Energy, Karma e New Day formaram o cartão de visitas de Alicia para o público paulistano. Com o estádio inteiro na mão, Alicia promoveu a surpresa da noite. Enquanto cantava Un-Thinkable (I’m Ready), ela recebeu a cantora IZA para um medley com Dona de Mim, da artista carioca. Vale lembrar que nas outras duas passagens pelo Brasil, Alicia também protagonizou feats com artistas locais: Maria Gadú (2017) e Dream Team do Passinho e o sambista Pretinho da Serrinha (2019). So Done, Show Me Love e Diary vieram na sequência, antecedendo a mudança de palco. Segundos depois, Alicia Keys surgiu em uma cabine de DJ bem próxima do fim do gramado. A partir desse ponto, a cantora se divertiu com uma sequência de hits, covers e batalhas. Deu uma passada rápida por The Gospel e Plentiful, além de tocar Nobody (DJ Khaled). Logo depois, brincou de batalha: Original X Unlocked. Tocava trechos e perguntava como o público preferia. Skydive foi mais festejada no Original, enquanto Is It Insane e Only You na Unlocked. O tempo na cabine de DJ, um pouco extenso, por sinal, ainda teve uma rápida execução de My Boo (Usher) antes de entrar em City of Gods e na épica Empire State of Mind (Part II) Broken Down. Foi ao som de Empire State of Mind que Alicia retornou ao palco principal, passando pelo corredor dos fãs. O momento catártico parecia até o encerramento da apresentação. Mas com tantos hits na manga, todos sabiam que viria muito mais. Não tardou para Girl on Fire, Fallin’ e No One fossem cantadas, sendo acompanhadas no sing along dos fãs. Alicia faz um daqueles shows que não nos dá vontade de ir embora do estádio. Se cantasse a noite toda, poucos ousariam ir embora do Allianz. Like You’ll Never See Me Again (com um trechinho de Purple Rain, de Prince) e If I Ain’t Got You deram minutos finais ao concerto, que ganhou uma versão bonitinha no Spotify. Ouça abaixo.
Repetitivo, mas impossível de enjoar, Kiss fecha Monsters com show apoteótico
Scorpions apresenta Rock Believer e deixa hits para o fim em SP

Diferente do Helloween e Deep Purple, o Scorpions optou por uma estratégia mais ousada com o público brasileiro. No Monsters of Rock, que aconteceu no Allianz Parque, a banda alemã dedicou um quarto do show para o último álbum de estúdio, Rock Believer, lançado em 2022. Aliás, abriu a apresentação com um dos singles do disco, Gas in the Tank. Peacemaker e Seventh Sun não demoraram a aparecer também. E isso explica um pouco da frieza do público no início da apresentação. O Scorpions, no entanto, tinha mais tempo disponível que Deep Purple e Helloween. E não quis desperdiçar a chance de estrear essas canções no Brasil. Quem acompanha o Scorpions há tempos, sabe que essa estratégia é até uma forma de renovar os shows da banda. Das últimas vezes que veio ao Brasil, sempre dedicou um tempo da apresentação para tocar entre três e cinco músicas do álbum do momento. De preferência, do início para a metade do show. Clássicos mudam tom do Scorpions A partir de Bad Boys Running Wild as coisas mudam bastante de cenário. A banda que alcançou sucesso comercial mundial nos anos 1980 começa a gastar todo o seu repertório de sucesso. Wind of Change, também do clássico Love at First Sting, aparece um pouco depois. Dedicada ao povo ucraniano, pareceu até um recado para quem tenta imputar uma culpa ao país atacado. Ovacionados, Rudolf Schenker, Klaus Meine e Matthias Jabs, três dos membros da formação mais famosa do Scorpions, mostraram muita dedicação no palco. Sorridentes, agradecem o carinho dos fãs o tempo todo. Dos três, Klaus Meine é o que parece sentir mais o desgaste do tempo. A voz continua boa, ainda emociona, mas o vocalista parece um boneco de cera no palco. Mas nada que comprometa o produto principal. Rock Believer, do último álbum, veio isolada dos outros sons recentes. Veio entre os clássicos da banda. E funcionou bem dessa forma. É nítida ser a música que mais vingou do disco para o grande público. A reta final veio da forma como os fãs esperavam. Assim como nas últimas quatro vezes que vieram ao Brasil, Big City Nights, Still Loving You e Rock You Like a Hurricane vieram juntas, garantindo a apoteose do público. Impossível ficar parado com essa sequência.
Com tributo à MPB e clássicos, Deep Purple emociona em SP

O Deep Purple foi certeiro no setlist. Quinta banda a se apresentar no Monsters of Rock, que rolou neste sábado (22), no Allianz Parque, em São Paulo, a lendária banda inglesa abriu os trabalhos com Highway Star e deixou Smoke on The Water para a reta final, dois dos seus maiores hits. No recheio dessa apresentação, Uncommon Man foi dedicada ao finado Jon Lord, enquanto When a Blind Man Cries ficou ainda mais potente ao vivo. Ian Gillian, aos 77 anos, não se rendeu ao playback. Segue firme e forte, apesar do desgaste natural. Simon McBride rendeu um fôlego ainda maior para os veteranos. Assumindo o lugar de Steve Morse, demonstrou muita personalidade no palco. Extremamente técnico, o músico de 44 anos fica muita à vontade no palco, parece companheiro de décadas. Ian Pace e Roger Grover estão envelhecidos na aparência, mas na disposição e técnica, nada mudou. É impressionante ver esses senhores de 74 e 77 anos, respectivamente, curtindo a apresentação do Deep Purple. O tecladista Don Airey, que já havia declarado seu amor pela música brasileira em entrevista ao Blog n’ Roll, fez um medley com Sampa, Brasileirinho, Tico Tico no Fubá e Meu Brasil, Brasileiro. Isso tudo misturado com um trecho de Mr. Crowley, clássico de Ozzy Osborne, que começa com o teclado de Airey. Aliás, o músico estava com um bonequinho de Ozzy em cima do instrumento. Perfect Strangers, Space Truckin’ e Smoke on the Water vieram na sequência do solo de Airey, que foi provavelmente um dos poucos que não ficou cansativo ao longo do festival. Hush e Black Night vieram nos acréscimos, quando boa parte do público já se deslocava para ir ao banheiro ou reabastecer de cerveja.
Helloween faz set curto e repleto de clássicos no Monsters of Rock

Quarta atração a subir no palco do Monsters of Rock, que aconteceu neste sábado (22), no Allianz Parque, em São Paulo, a banda alemã Helloween apresentou um set curto, com dez músicas apenas, priorizando os clássicos. Intercalando duetos de Andi Deris e Michael Kiski com ambos sozinhos na linha de frente, o grupo de power metal iniciou o show com uma trinca de peso: Dr Stein, Eagle Fly Free e Power. Das dez músicas apresentadas no show, somente três vieram dos últimos oito álbuns lançados de 2000 para cá: Best Time, Future World e If I Could Fly. Mas, mesmo essas mais “recentes”, foram muito bem recebidas pelos fãs. Heavy Metal (Is the Law), com Kai Hansen assumindo os vocais, também fez a plateia vibrar bastante. Forever and One, com Andi Deris e Michael Kiski sentados no banquinho, garantiu um momento mais emocionante para o público, que acompanhou a canção no coro do início ao fim. I Want Out deu números finais para a apresentação, deixando os fãs extasiados. Sem dúvida alguma foi um dos momentos mais empolgantes de todo o festival. O Helloween retornou ao Brasil menos de um ano de sua última apresentação, mas comprovou mais uma vez que os retornos de Kiski e Kai Hansen, em 2016, foi a decisão mais importante que o grupo poderia ter tomado.
Além do Buena Vista, o furacão Wil Campa e a resistência dançante em Havana

Se você vai a Cuba esperando encontrar apenas os senhores do Buena Vista Social Club sentados em cadeiras de vime, o alerta local é certeiro: os remanescentes do lendário grupo hoje brilham mais nos palcos da Europa e dos EUA do que nas ruelas de Havana Velha. Para quem busca a pulsação atual da ilha, o nome que ecoa entre os cubanos é um só: Wil Campa. O show de Will Campa Assistir a Wil Campa e sua orquestra La Gran Unión é mergulhar em um espetáculo que desafia definições simples. No palco, Campa é um showman completo, herdeiro da disciplina rigorosa de quem estudou Canto Popular e lapidou seu talento em festivais de jazz por 38 países antes de fundar sua própria orquestra. O som é uma evolução contagiante do Son cubano, flertando com o merengue eletrônico e a música urbana. Mas o que realmente prende o olhar é a encenação. Para quem viveu os anos 90 no Brasil, a experiência tem um sabor familiar: a energia e as coreografias sincronizadas dos dançarinos evocam imediatamente a estética do Axé Bahia 97 ou, para os íntimos da Baixada Santista, o vigor do grupo Filhos do Sol. É uma lambaeróbica caribenha de alto nível, onde os músicos não apenas tocam, mas performam com tacos de beisebol, máscaras e tambores em uma entrega física absoluta. Experiência “real” na Casa de la Música O cenário dessa imersão é a histórica Casa de la Música. Aqui, a autenticidade cubana encontra as complexidades do turismo moderno. Se você não estiver disposto a desembolsar os “mínimos extravagantes” para garantir uma mesa, o destino é o balcão. E, honestamente? Talvez seja o melhor lugar para observar a fauna local. Enquanto Campa desfila sucessos como La Bambina e Me Gustas Tú, o salão é dominado por figuras que parecem saídas de um filme de ação: “dublês” em miniatura do Vin Diesel, que ostentam o controle dos espaços vips e regem a pista, convidando mulheres solitárias para dançar com uma confiança que só Havana proporciona. Veredito sobre Will Campa Wil Campa se define como um “camponês empreendedor e guerreiro”. Fora do palco, um cavalheiro de voz suave; sob os refletores, uma força da natureza que mantém viva a tradição de Benny Moré e Juan Formell, mas com a roupagem de quem conquistou a era digital. Se o Buena Vista é a nostalgia de uma Cuba que se recusa a passar, Wil Campa é a prova de que a música popular dançante da ilha está mais viva, disciplinada e suada do que nunca. É show para se ver em pé, de preferência com um mojito na mão e sem se preocupar com o rigor das mesas, deixando-se levar pelo ritmo de quem nasceu para não deixar ninguém parado.
Sepultura estreia nova fase da turnê com poucas surpresas em Santos
Yungblud incendeia Interlagos e consagra sua relação de amor com o Brasil

Dias após destruir (no bom sentido) o Cine Joia em um sideshow caótico, o britânico Yungblud provou no Lollapalooza, em Interlagos, que sua energia não se dilui em palcos grandes. Vestindo uma camisa do Brasil (que virou quase uniforme), ele correu, gritou e cuspiu marra punk durante uma hora ininterrupta. O setlist foi um ataque frontal: The Funeral, Parents e Tissues foram tocadas em velocidade máxima. A conexão com o público foi visceral, ele desceu para a grade, regeu os mosh pits e exigiu participação total. O encerramento com Loner foi o ápice de uma performance que misturou a teatralidade do glam rock com a sujeira do punk. Yungblud saiu de cena como o nome mais vibrante da nova geração do rock no festival. Edit this setlist | More YUNGBLUD setlists