Alexisonfire e A Day To Remember promovem noite histórica na Audio

As vertentes do punk e hardcore estão em alta no Lollapalooza Brasil. Se no primeiro dia, Turnstile, Jxdn e Machine Gun Kelly deram as caras, o segundo será dominado por Alexisonfire e A Day To Remember. Aliás, essa dobradinha já passou pelo Rio de Janeiro e por São Paulo durante a semana. Na noite de quinta-feira (24), com a Audio, na Barra Funda, completamente lotada, as bandas mostraram muita disposição e peso no palco. A noite teve início com os canadenses do Alexisonfire. A banda de post hardcore, aliás, não se apresentava no Brasil há dez anos, fato lembrado pelo vocalista, George Pettit, durante o show na Audio. O Alexisonfire veio ao Brasil em 2012, numa turnê de despedida. Felizmente, a situação foi revertida e, em 2015, eles já estavam juntos novamente. Desde aquela apresentação de estreia no Brasil, o grupo não lançou nenhum álbum. Mas a situação mudará em junho, quando vão estrear Otherness, primeiro disco de estúdio em 13 anos. No show na Audio, a banda testou uma das canções do novo álbum com o público. A escolhida foi Sweet Dreams of Otherness, que veio após um início avassalador, que teve três canções de Crisis, álbum de 2006. Sweet Dreams of Otherness não teve um retorno tão empolgante quanto as faixas de abertura do show, mas também não chegou a ser um ponto fraco. Aliás, ponto fraco é algo que não existe em um show do Alexisonfire. Com uma presença muito empolgante de todos os integrantes, ficou difícil os fãs não acompanharem e cantarem juntos, além de atender os pedidos do vocalista por circle pit. Com foco maior em Crisis, o Alexisonfire tentou não deixar nenhum fã insatisfeito com o setlist. Para isso fez passagens por todos os álbuns. O repertório apresentado em 1h20 agradou em cheio. Após o show no Lolla neste sábado (26), o Alexisonfire retorna aos shows no hemisfério norte, com destaque para a participação no Slam Dunk, em junho, na Inglaterra, quando será o headliner do festival junto com Sum 41, Neck Deep, Dropkick Murphys e The Interrupters. Confira abaixo um pouco do show do Alexisonfire A Day To Remember Contemporâneo do Alexisonfire, o A Day To Remember surgiu em Miami, nos Estados Unidos. A sonoridade é um pouco diferente, mas puxada para o metalcore com umas pitadas de pop punk. E se o Alexisonfire será headliner do Slam Dunk, o A Day To Remember será co-headliner do Download Festival, na Inglaterra, em junho, tocando antes do Kiss apenas. Na Audio, a banda mostrou o motivo de estar tão badalada. Conseguiu empolgar ainda mais que o Alexisonfire. A trinca inicial veio carregada de peso e nostalgia, com The Downfall of Us All, All I Want e Paranoia. Fiquei impressionado como o ADTR, tal como Alexisonfire, teve o cuidado de equilibrar bem o setlist. Afinal, foram oito anos sem se apresentar para o público brasileiro. Então nada de blocão com canções do último álbum, You’re Welcome (2021). Foi tudo muito bem espalhado e misturado com o restante da discografia. Tal ação faz com que canções mais recentes tenham desempenho tão forte como os clássicos da banda. Last Chance to Dance (Bad Friend), por exemplo, esquentou ainda mais a pista da Audio. Ótimo feedback dos fãs. You’re Welcome, lançado durante a pandemia, foi o segundo álbum mais lembrado pelos integrantes. Foram quatro canções no show da Audio, sendo superado apenas por Homesick (2009), terceiro trabalho de estúdio do ADTR, que teve cinco faixas executadas. Bad Vibrations (2016), lançado após o último show no Brasil e maior sucesso da banda nas paradas internacionais, foi lembrado com duas músicas: Paranoia, no início da apresentação, além de Reassemble, também muito bem recebida pelo público. Por fim, quem ainda tinha voz e disposição, gastou o que sobrou na trinca final: If It Means a Lot to You, Sometimes You’re the Hammer, Sometimes You’re the Nail e The Plot to Bomb the Panhandle. Impecável! A Day To Remember, Alexisonfire e Turnstile no lineup do Lollapalooza e Lolla Parties foi uma das decisões mais acertadas do festival. Confira abaixo um pouco do show do A Day To Remember

Crítica | Slash (Feat. Myles Kennedy and The Conspirators) – 4

Slash, na companhia de Myles Kennedy and The Conspirators, está de volta com o disco intitulado 4. Um álbum gravado ao vivo em estúdio e que traz uma banda extremamente bem entrosada e falando a mesma língua. Ou seja, hard rock com bastante riff de guitarra e vocais naquela tonalidade de tenor, extremamente alto. Um disco relativamente curto e direto, com apenas dez músicas distribuidas em 43 minutos, 4, se por um lado não surpreende, também não desaponta os fãs da quimíca desenvolvida pela banda ao longo dos últimos anos. Está tudo lá, os esforços guitarristicos do Slash, que hora acertam em cheio, como na agitada Call Off the Dogs, a Stoneana Actions Speak Louder than Words e na balada Fill my World, essa com ecos de Sweet Child o´Mine e um lindíssimo solo de guitarra e em outras se perdem um pouco, como são os casos de Whatever Gets you By e Spirit Love. 4 é um disco de manutenção de carreira e que serve mais como pretexto para a banda embarcar em uma turnê, do que qualquer outra coisa. E isso é sim uma coisa boa.

Crítica | Melanie C no O2 Shepherd’s Bush, em Londres

Na noite da última quarta-feira (16), na O2 Shepherd’s Bush, em Londres, Melanie C fez uma apresentação calorosa, energética e cheia de paixão. A base do show da ex-Spice Girls foi o álbum homônimo, lançado em setembro passado, o sétimo da carreira solo. Atravessando o palco, a ex-Spice Girl oferece um mix pop de sucessos do passado para uma sua fanbase. Sem delongas, no palco apenas dois músicos (tecladista e baterista) e três telões davam toda a base para Melanie C dançar e cantar sem parar. O ritmo alucinante de Who I Am e Blame it On Me deixaram a abertura digna de um workout. O “team sporty” era imenso, com sorriso estampado no rosto. Aliás, ela disse o quanto estava feliz por aquele momento estar acontecendo e sem pausa. Good Enough fechou a trinca de abertura, todas do último álbum. Logo depois, voltando no tempo, o clássico Never be the Same Again foi revisitado e cantado uníssono pelo público. Goin’ Down, Northern Star e a belíssima versão de When You’re Gone, de Bryan Adams, pontuaram o set basicamente feito em cima do último álbum. No entanto, um dos pontos mais altos do show foi quando ela perguntou se tinha algum fã das Spice Girls na casa… 2 Become 1 e Who Do You Think You Are coroaram a apresentação impecável dela. Por fim, para fechar a noite, o clássico I Turn to You e um emocionado agradecimento a todos que foram e prestigiaram o show.

Crítica | A Vida Depois

Engenharia do Cinema Exibido em Março de 2021, no Festival de Cinema de Southwest, “A Vida Depois” foi lançado mundialmente apenas agora pelo streaming do HBO Max e, tem chamado atenção de vários cinéfilos e assinantes do serviço. Estrelado por Jenny Ortega (“Pânico“) temos um drama que reflete e muito a situação dramática que vivem os estudantes que indiretamente são afetados pelos atentados ocorridos em suas escolas. A historia gira em torno de Vada (Ortega), uma adolescente que vive uma vida tranquila e bastante familiar com as pessoas em sua volta. Mas tudo muda quando ela acaba se escondendo no banheiro de sua escola com a popular Mia (Maddie Ziegler) e Quinon Fitch (Niles Fitch), de uma chacina que está ocorrendo em sua escola. Após o mesmo, Vada passa a ter uma intimidade maior com os dois se tenta estabilizar sua vida. Imagem: Warner Bros Pictures (Divulgação) Escrito e dirigido pela estreante Megan Park, a mesma mostra que sabe conduzir um filme com uma temática delicada. Não há piadas fora de época, novelas mexicanas ou até mesmo situações clichês. Estamos falando de um trio de pessoas afetadas gravemente por um atentado violento, e a mesma acaba apresentando como foco a desconstrução de Vada. Esta é vivida por Ortega com mastreia e mostra como a própria acaba se desconstruindo por conta de tudo que vem passando. Ele só acaba pecando apenas no quesito de poder ter aproveitado melhor nomes como Shailene Woodley (que faz uma ponta como uma psicologa) e John Ortiz (que interpreta o Pai de Vada e possui apenas uma cena forte, mas poderia ter tido mais momentos como este). “A Vida Depois” parece ser uma produção clichê adolescente, mas acaba se transformando em um interessante filme sobre situações luto e amor.

Crítica | Kimi: Alguém Está Ouvindo

Engenharia do Cinema Sendo o terceiro longa do cineasta Steven Sodebergh para o HBO Max, após os medianos “Let Them All Talk” e “Nem um Passo em Falso“, “Kimi: Alguém Está Ouvindo” é seu filme mais simples em anos e realmente conseguiu ser seu melhor projeto cinematográfico desde “Distúrbio” (que foi inteiramente filmado com Iphone), lançado em 2018. Estrelado por Zoë Kravitz, pode-se dizer que é o primeiro grande projeto que explora uma protagonista com uma certa “neura” em um cenário de pandemia, porém este é apenas um mero detalhe no perfil da mesma (já que este não é o foco). A história gira em torno da analista de sistemas do sistema operacional Kimi, Angela (Kravitz), que sofre de agorafobia. Durante seu trabalho em home-office, ela descobre um áudio de um crime e resolve contestar para seu superior. Porém ela não imaginava a gravidade do mesmo, diante de toda sua empresa. Imagem: Warner Bros Pictures (Divulgação) O roteiro de David Koepp realmente consegue se aproveitar de várias situações que mudaram diante do cenário de pandemia, durante sua narrativa. Seja pelo fato da falta de necessidade de uma pessoa ir até a empresa em que trabalha, e ser desconhecida por várias pessoas da mesma e até mesmo como a sociedade está independente com relação ao uso de mascaras (onde algumas pessoas usam e outras não, independentemente do local). Diante desta situação, é criada uma produção de suspense de primeira, onde passamos a compreender a mente de Angela (mérito também da própria Kravitz, que realmente transpõe estes sentimentos) e ver que várias pessoas ficaram como ela. Porém, há um breve ploat que chega a aumentar ainda mais esta situação e funciona. Com uma piada de Alfred Hitchcock na direção de Sodebergh, (principalmente se tratando de “Janela Indiscreta”) vemos que este notoriamente não cai na mesmice do clássico citado (o que tem ocorrido com várias produções do gênero). Inclusive a metragem é exata para este tipo de projeção (no máximo, 90 minutos são suficientes para este tipo de filme). “Kimi: Alguém Está Ouvindo” é realmente um suspense que consegue se aproveitar da situação imposta pela pandemia, para entregar um suspense bem interessante.

Crítica | Atração do Lolla BR, Turnstile volta a Londres em grande estilo

Dando início a perna europeia da tour do disco Glow On, lançado no verão passado, a banda norte-americana Turnstile se apresentou no O2 Forum, na última quinta-feira (3). O Blog n’ Roll viu de perto o que promete ser um dos shows mais especiais do Lollapalooza Brasil, que rola no fim de março. Encarregados de abrir a festa, os londrinos do Chubby and the Gang apresentaram seu punk rock cru ao público que já era bem expressivo. Uma banda nova que deu início às atividades em 2019 e com dois álbuns lançados, Speed Kills e The Mutts Nut’s, a Chubby abriu a festa com muita empolgação. Pavimentou bem o caminho para o Turnstile. Aliás, o Turnstile vem trilhando seus caminhos desde 2010, bebeu da fonte de bandas clássicas como Bad Brains, 311, Rage Against the Machine e por aí vai… O grupo mescla com muita propriedade diferentes andamentos, riff pesadíssimos, beats eletrônicos, breakdowns e interlúdios, dando uma atmosfera incrível ao show. Uma das minhas percepções é que a banda claramente consegue levar a atmosfera de um show intimista de um lugar pequeno para outro maior. Porém, potencializando toda a apresentação. A banda tocou por mais de uma hora sem pausas ou discursos. A única exceção foi na última música, quando o vocalista agradeceu os fãs pela presença. Exceto isso, os integrantes não conversam com o público. No entanto, isso não é ruim, pois a banda tocou 24 músicas nesse tempo. Último álbum domina set do Turnstile O setlist é calcado no último álbum da banda. Em resumo, Mistery, Real Thing e Big Smile fazem a trinca de abertura. Sem tempo de respirar, Blackout, que literalmente começou com tudo no breu, definitivamente colocou abaixo a casa e mostrou o quanto o público estava disposto a se entregar. Posteriormente, com jogo mais que ganho, a Turnstile mandou músicas novas como Don’t Play, intercalando percussão e peso, a calma e grooveada Underwater Boi, além da rápida Endless, no gás total. Algumas pinceladas de músicas antigas, como Blue by You, Gravity, 7 e Pushing me Away, deram os toques finais. T.L.C (Turnstile Love Connection) encerrou o show de fôlego dos norte-americanos. Agora, para o público brasileiro, é rezar para ter um side show deles por aí ou ir ao Lollapalooza. Certamente vai ser um dos melhores shows do festival.

Crítica | Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente

Inspirado livremente na obra de Angeli, o filme Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de Gente chega nesta quinta-feira (11) nos cinemas. Dirigido por Cesar Cabral, o longa é dividido em dois universos que estão prestes a colidir. De um lado o cartunista Angeli (aqui retratado como um personagem) vivendo uma crise criativa, após ter assassinado seus icônicos personagens Bob Cuspe e Rê Bordosa. Enquanto do outro está – em um surreal ambiente pós apocalíptico, Bob Cuspe, acompanhado dos Gêmeos Kowalski, em busca por vingança contra o seu criador. Misturando comédia, road movie e documentário, o filme funciona muito bem como uma divertida homenagem ao trabalho de Angeli. Aliás, como se trata de um filme do Bob Cuspe, o humor ácido e anárquico vem acompanhado de uma trilha sonora com músicas dos Titãs, Mercenárias e Inocentes. O filme conta com a dublagem de Milhem Cortaz, Paulo Miklos, André Abujamra, Grace Gianoukas e Laerte. Por fim, parafraseando Bob Cuspe, Punk is not Dead! Fuck You! Nós só podemos agradecer seu escroto! O filme de Cesar Cabral ganhou o principal prêmio da Mostra Contrechamp, em Annecy, que é o maior festival de animação do mundo. No entanto, teve sua primeira exibição no Brasil na 45a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Contudo, vale destacar que não é a primeira vez que Cesar Cabral trabalha com algo relacionado a Angeli. Ele é diretor geral da série de animação Angeli The Killer, cuja primeira temporada foi exibida em 2017 pelo Canal Brasil e a segunda está em finalização. A nova animação, todavia, é o seu primeiro longa-metragem. Atualmente está em pré-produção de seu longa animado, Um Pinguim Tupiniquim, adaptação da obra de Índigo Ayer. Bob Cuspe – Nós Não Gostamos de GenteDireção: Cesar CabralRoteiro: Leandro Maciel e Cesar Cabral

Resenha | Scalene retorna aos palcos no Sesc Santos

Após quase dois anos sem apresentações ao vivo, acredito que ninguém que foi ao Sesc Santos, na noite do último sábado (6), sabia direito o que esperar do primeiro show de rock no local. E quando falo ninguém, incluo também os membros da banda Scalene. Contudo, todo esse sentimento de viver algo novo acabou tornando o show emocionante. Assim que Danse Macabre deu o pontapé inicial na performance, não pareceu que era a primeira vez que o conjunto se apresentava ao vivo depois de tanto tempo. Muito à vontade no palco, o vocalista Gustavo Bertoni se mostrou com ótima presença de palco. Ainda falando sobre primeiras vezes, esta foi a performance de estreia da Scalene após a saída do baterista Philipe “Makako” Nogueira. Quem assumiu as baquetas foi Alana Ananias, que cumpriu muito bem o papel. O ponto alto da primeira metade da apresentação foi a presença do vocalista santista Rafael Costa, o Bola da Zimbra, na faixa Surreal, uma das canções mais conhecidas pelo público. Aliás, a banda soube mesclar momentos mais explosivos, com músicas presentes no disco Magnetite, além de faixas mais calmas, como foi Furta-Cor. Em síntese, o grupo também trouxe seus novos singles para o show. O destaque ficou para Névoa, que soa ainda melhor quando tocada ao vivo. Já no fim, o guitarrista Tomás Bertoni se emocionou ao falar sobre os momentos difíceis vividos por cada um de nós durante a pandemia. As palavras emocionadas vieram seguidas de phi, que encerrou uma noite carregada de sentimentos no local. Por fim, após diversas apresentações na cidade, Santos ficará guardada nos corações dos membros da Scalene após este fim de semana, no Sesc Santos.