Billy Idol apaga má impressão do Rock in Rio e entrega show de alto nível em São Paulo

Prestes a completar 70 anos, Billy Idol voltou ao Brasil disposto a apagar a má impressão deixada no Rock in Rio 2022, quando errou a entrada de algumas canções clássicas e pareceu perdido no palco. Na noite de sábado (8), no Vibra, em São Paulo, Billy Idol mostrou que tem muita lenha para queimar e deixou uma impressão muito melhor. Divertido e à vontade, Billy Idol está em ótima forma. Manteve o set quase intacto da It’s a Nice Day to… Tour Again!, fazendo pequenas alterações. As novidades, na comparação com os últimos shows, foram o cover Love Don’t Live Here Anymore, de Rose Royce e regravada por Madonna em Like A Virgin, como foi lembrado pelo artista, além de Gimme the Weight, tocada pela primeira vez ao vivo. A faixa faz parte do álbum mais recente de Billy Idol, Dream Into It, lançado em abril. Por falar em Dream Into It, outras quatro faixas do disco foram tocadas: Still Dancing, que abriu o show, People I Love,Too Much Fun e 77, gravada com Avril Lavigne. Mas foi no mergulho nos anos 1980 que Billy Idol emocionou o público. Incluiu tudo que era esperado por eles: Cradle of Love, Flesh for Fantasy, Eyes Without a Face, Mony Mony, Ready Steady Go, Rebel Yell, Dancing With Myself e White Wedding, as duas últimas já no bis. Uma coisa muito legal da apresentação foi o tom “VH1 Storytellers” que Billy Idol deu. Contou muitas histórias antes de cada música. Nada cansativo ou arrastado, garantiu uma conexão boa para os sucessos. Antes de Rebel Yell, por exemplo, lembrou a origem do batismo da música, tal como já havia feito no VH1 em 2001. Segundo Billy Idol, ele estava em uma grande festa com Mick Jagger, Keith Richards e Ron Wood quando encontrou a inspiração necessária. “Todos eles estavam bebendo uma garrafa com uma coisa marrom, e era uma garrafa grande. Então, pensei: O que é isso que estão bebendo? E vi no rótulo um cavaleiro cavalgando, era um cavaleiro de guerra, e vi a inscrição Rebel Yell”. Outros pontos a destacar da apresentação são as presenças das backing vocals, Kitten Kuroi e Jess Kav, que roubam a cena com vários highlights. O lendário guitarrista Steve Stevens, parceiro antigo de Billy Idol e com contribuições marcantes para Michael Jackson e Michael Monroe, é personagem central do show. Além das várias interações com o cantor, ainda apresenta a música-tema do filme Top Gun, composta em parceria com Harold Faltermeyer. Para quem não conseguiu ir ao Vibra, Billy Idol ainda faz mais um show no Brasil, na próxima quarta-feira (12), na Arena da Baixada, em Curitiba. Edit this setlist | More Billy Idol setlists Supla O esperado encontro de Supla e Billy Idol no palco não rolou, mas o Papito entregou um show muito bom. Soube aproveitar os 50 minutos disponíveis para misturar hits de sua carreira autoral com uma espécie de karaokillers, com várias versões punks de clássicos do rock. Na parte autoral, Supla cantou faixas como Cenas de Ciúmes, Encoleirado, Japa Girl, São Paulo, Humanos e Garota de Berlim. Já entre os covers, Supla tocou Imagine (John Lennon), I Wanna Be Your Man e She Loves You (Beatles), além de Stand By Me (Ben E. King) e Let’s Dance (David Bowie). Em I Wanna Be Your Man, aliás, Supla foi para a bateria, tal como faz no projeto paralelo Brothers of Brazil, em parceria com o seu irmão, João Suplicy. Acompanhado de sua banda, Punks de Boutique, Supla abusou dos gritos e dancinhas. Vale destacar que a banda é muito boa e estilosa, lembrando o Holly Tree, saudosa banda de pop punk de São Paulo, que gravou o álbum Charada Brasileiro, em 2001, com o Papito. O Punks de Boutique é formado por Ale Iafelice (bateria), Henrique Cabreira (guitarra) e Edu Hollywood (baixo).
Humberto Gessinger se transforma em vocalista de Heavy Metal com a banda It’s All Red

O encontro entre o ícone do rock brasileiro Humberto Gessinger e a banda de Porto Alegre It’s All Red resultou em um dos lançamentos mais curiosos do ano. A faixa “Pertencimento — pt.2”, que foi lançada hoje (07/11), marca a estreia de Gessinger no universo do heavy metal. Um videoclipe registrado durante as gravações será lançado em breve. Misturando o peso do metal moderno à identidade melódica e poética de Gessinger, a canção aposta em uma sonoridade prog metal guiada por violinos e teclados, que intensificam o tom dramático da composição. Os arranjos foram criados por Vini Möller, parceiro recorrente da banda e coautor do single. O solo de violino, gravado em uma única tomada, é assinado por Maria do Carmo. A letra reflete sobre as travessias humanas, migrações, deslocamentos e a busca por pertencimento. Inspirada em histórias de imigrantes que vieram ao Brasil, também dialoga com a atual crise dos refugiados. Gessinger contribuiu com a letra e melodias vocais, enquanto o vocalista da It’s All Red, Tom Zinsk, acrescentou versos em inglês e alemão, reforçando o caráter universal da música. A sintonia foi tanta que a canção acabou dividida em duas partes: o trecho inédito fará parte do próximo álbum da banda, atualmente em produção. “Estamos muito ansiosos para ver a reação do público do Humberto, que tem um dos fãs mais fiéis do país”, comenta o guitarrista Rafael Siqueira. O vocalista Tom Zinsk complementa com bom humor: “Os fãs do Humberto são tão incríveis quanto os do Iron Maiden. Se conquistarmos eles, teremos algo para lembrar pra sempre.” A amizade que virou parceria A conexão entre Gessinger e o It’s All Red nasceu dentro do estúdio Soma Music Hub, em Porto Alegre. Rafael Siqueira conheceu o músico enquanto participava das gravações de “Sem Piada Nem Textão” e da pré-produção do álbum “Revendo o que Nunca Foi Visto”. A afinidade se transformou em troca criativa. “Gessinger postou uma foto com o livro Mês dos Cães Danados, do Moacyr Scliar. Comentei que daria pra fazer uma música sobre a obra e ele respondeu: ‘Pensei em ti quando postei’. Convidei pra fazermos um som juntos, e ele topou”, relembra Siqueira. Heavy metal sem fronteiras A estreia de Gessinger no gênero pode surpreender, mas suas referências deixam pistas. “Minha árvore genealógica é Zeppelin–Purple–Maiden–Motörhead (por causa do baixo). Sempre fui mais progressivo do que metaleiro, mas aos 60 anos essas gavetas ficam pequenas demais pra tanta música boa”, explica. Sobre a parceria, o guitarrista Rafael destaca o impacto de ouvir a voz de Humberto em uma base pesada: “Foi emocionante. Dá vontade de fazer um disco inteiro.” Durante as gravações, as conversas sobre bandas e estilos fluíram naturalmente. “Falamos sobre Opeth e Ghost enquanto experimentávamos ideias. Parecia que a gente era uma banda só”, brinca Tom Zinsk. It’s All Red Com 18 anos de estrada, o It’s All Red é uma das bandas mais consistentes do metal gaúcho. Já dividiu palco com nomes como Megadeth, Cavalera Conspiracy, Paul Di’Anno e Ratos de Porão, e lançou três álbuns e quatro EPs. O grupo conquistou destaque internacional com os discos “The Natural Process Of…” (2010) e “Lead By The Blind” (2015), lançados também na Europa. Entre seus trabalhos mais recentes estão os singles “H5N1”, que ganhou uma inusitada versão para meditação, e “Moment”, que reflete sobre o medo das multidões em tempos de incerteza.
Gloryhammer estreia no Brasil com show em São Paulo no dia 16 de novembro

A banda escocesa Gloryhammer, um dos nomes mais originais do power metal atual, se apresenta pela primeira vez no Brasil no dia 16 de novembro, no Carioca Club, em São Paulo. O show marca a estreia do grupo no país e promete uma imersão no universo épico e fantasioso criado pelo tecladista e fundador Christopher Bowes, também conhecido por liderar o Alestorm. Os ingressos estão à venda. A realização é da Overload. Formado em 2010, o Gloryhammer se tornou referência no power metal europeu ao unir guitarras velozes, coros grandiosos e arranjos orquestrados que remetem a trilhas sonoras de cinema. Com influências de Rhapsody of Fire e Sabaton, o grupo encontrou um caminho próprio, equilibrando técnica e teatralidade com doses de humor britânico. As músicas funcionam como capítulos de uma saga interplanetária protagonizada por Angus McFife, um herói que atravessa dimensões e enfrenta criaturas míticas. As letras, cheias de fantasia e ironia, criam um universo que mistura mitologia, ficção científica e sátira, sem deixar de lado a grandiosidade do gênero. O álbum de estreia, Tales from the Kingdom of Fife (2013), apresentou o Reino de Fife, território fictício inspirado na Escócia natal da banda, e o embate entre Angus McFife e o vilão Zargothrax. Em seguida, Space 1992: Rise of the Chaos Wizards (2015) levou a narrativa ao espaço, ampliando a escala da aventura. Com Legends from Beyond the Galactic Terrorvortex (2019), o Gloryhammer consolidou seu nome entre os principais expoentes do estilo, e o mais recente trabalho, Return to the Kingdom of Fife (2023), marcou o retorno às origens, resgatando o espírito heroico do início e expandindo a mitologia da saga. No palco, o grupo é conhecido por apresentações que beiram o teatro, com figurinos medievais, armaduras reluzentes e encenações que transformam o show em uma experiência cinematográfica. Essa combinação de humor e espetáculo fez do Gloryhammer uma presença constante em grandes festivais como Wacken Open Air e Bloodstock Open Air. ServiçoGloryhammer em São Paulo – 1º show no BrasilData: 16 de novembro de 2025 (domingo)Horário: 18h30 (abertura da casa) | 20h (show)Local: Carioca Club (Rua Cardeal Arcoverde, 2899 – Pinheiros, São Paulo/SP)Ingressos: www.clubedoingresso.com/evento/gloryhammer-saopauloClassificação: 16 anos
Do hardcore ao caos psicodélico: Drain e Portugal. The Man lideram os lançamentos da semana

A nova investida da banda norte-americana Drain confirma sua reputação de “banda mais simpática do hardcore”. Gravado em meio a adversidades, já que o baterista Tim Flegal enfrentou recentemente um diagnóstico de câncer, o álbum explode com a energia característica do HCNY, riffs frenéticos e refrões que misturam otimismo e intensidade. Faixas como “Stealing Happiness From Tomorrow” trazem hinos com o mantra “Life is not a contest, but I’ve already won!”, enquanto “Darkest Days” e “Scared Of Everything And Nothing” exploram ansiedade, vulnerabilidade e superação. Os vocais de Sammy Ciaramitaro não escondem os demônios pessoais, e é justamente essa honestidade que torna o disco tão potente. No fim, “Is Your Friend” serve tanto como trilha de mosh-pit quanto como manifesto de união, reafirmando que o hardcore do Drain é sobre comunidade, não apenas brutalidade. Portugal. The Man Enquanto isso, o Portugal. The Man retorna com seu décimo álbum, “Shish”, expandindo fronteiras sonoras com uma mistura de indie rock, distorção pesada e colagens experimentais. O disco traz a fórmula de sucesso que mistura psicodelia, eletrônico e indie pop. John Gourley e Zoe Manville mergulham em suas próprias raízes para criar faixas que vão do crust punk agressivo de “Pittman Railliers” aos momentos contemplativos de “Knik” e “Tanana”. Algumas escolhas arrojadas, como o refrão de “Angoon” que lembra o saudoso Kurt Cobain, mostram uma banda que não teme errar para seguir explorando. “Shish” é denso, cheio de texturas e nuances, e recompensa quem escuta com atenção. É uma obra de liberdade criativa e autoconhecimento, um retrato de uma banda que prefere se reinventar a repetir fórmulas. Esses dois lançamentos mostram caminhos opostos, mas igualmente pulsantes do rock atual. O Drain mantém viva a essência do hardcore visceral e coletivo, enquanto o Portugal. The Man se aventura por um território mais caótico e inventivo. Em comum, ambos reafirmam que a música continua sendo um espaço de intensidade e renovação. ServiçoDrain – “Is Your Friend” (lançamento: 7 de novembro de 2025, Epitaph Records)Portugal. The Man – “Shish” (lançamento: 7 de novembro de 2025, Thirty Tigers)
Dois Girassóis lança o álbum “Coisas Boas” e celebra uma década de estrada

O duo formado por Luiza Novaes e Aloisio Oliveira chega ao primeiro álbum autoral com “Coisas Boas”, trabalho que marca os dez anos de trajetória do Dois Girassóis. O disco, lançado pela Tratore e disponível em todas as plataformas digitais, abre um novo ciclo para os artistas, reconhecidos em 2024 com o Prêmio Inezita Barroso de Música Caipira e Cultura Popular. A dupla soma passagens por projetos como Ruas Abertas, Virada Cultural (2016–2025) e feiras literárias pelo país, além de turnês pelos Estados Unidos, Argentina e Peru. Gravado no Estúdio 185, o álbum tem produção de Rodrigo Carraro e masterização de Beto Mendonça. As faixas transitam entre o baião, o folk celta, o reggae e o cururu, misturando influências nordestinas e da música popular brasileira. “É um convite para acordar a criança do adulto e fazer dormir o adulto da criança”, resumem os músicos. Entre os destaques estão “Lua Gira Sol”, que reflete sobre as fases da lua e seus efeitos sobre os sentimentos, “Coisas Boas”, composta à beira-mar como um chamado à energia positiva, e “Beijo”, que resgata a leveza das brincadeiras de roda. Já “Repense”, escrita no Dia do Meio Ambiente, reforça a importância dos sete R’s; “Deixa” fala sobre o perdão; e “Tudo ou Nada”, em ritmo de forró, aborda a dificuldade de colocar emoções em palavras. Outras faixas ampliam o universo poético do álbum, como “Acerola no Quintal”, que celebra a natureza em compasso 7/8, e “Intransitivo”, sobre o amor que existe por si só. O clipe dessa última já ultrapassou 120 mil visualizações após sua exibição no festival La Mission. O disco termina com “Eu Não Tô Só”, canção que lembra que sonhos se realizam em conjunto. O álbum conta com participações de Márcio Maresias (gaita), Lucas Tornezze (viola caipira), Marcos Coin (violão e guitarra), Rodrigo y Castro (flauta), Ramiro Marques (saxofone), Humberto Zigler (bateria e moringa) e Max Dias (baixo). A capa, assinada por Warley Kenji, foi registrada nos trilhos de trem que levavam o duo às aulas de yoga, o mesmo caminho onde nasceram várias composições, simbolizando a busca pela luz mesmo em dias nublados. O lançamento vem acompanhado de um videoclipe dirigido por Alécio Cezar, que mostra os bastidores da gravação. Viabilizado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), por meio do município de Guararema, o projeto celebra a arte como força transformadora. “Coisas Boas” é, acima de tudo, um disco sobre esperança, parceria e o poder de encontrar beleza no simples.
N4T! lança “Lighthouse” com Jason Lancaster em faixa que celebra a nostalgia pop punk dos anos 2000

Depois de parcerias com nomes como Kellin Quinn (Sleeping With Sirens) e We The Kings, a artista brasileira N4T! apresenta “Lighthouse”, faixa que marca uma das colaborações mais emocionais e cinematográficas de sua carreira. A música conta com a participação de Jason Lancaster, lendário vocalista e compositor que marcou o pop punk dos anos 2000 à frente do Go Radio e do Mayday Parade. Gravada na Geórgia (EUA) e produzida por Zack Odom e Kenneth Mount, dupla responsável pelo som de álbuns icônicos da cena, como A Lesson in Romantics (2007), do Mayday Parade, “Lighthouse” combina arranjos de piano, violinos e vocais intensos para construir uma narrativa sobre amor e esperança. A canção fala sobre encontrar luz em meio à escuridão e retoma a estética emocional dos anos 2000, sem perder a identidade contemporânea de N4T!. “Trabalhar com o Jason foi surreal”, conta N4T!. “Ele é uma das vozes que mais me influenciaram quando comecei a compor. E poder gravar essa música com os mesmos produtores do álbum que marcou minha vida, A Lesson in Romantics, foi um sonho realizado.” Com atmosfera cinematográfica e produção refinada, “Lighthouse” chega como um hino moderno sobre amor, fé e conexão. Uma verdadeira ponte entre a nostalgia do pop punk e a nova geração do gênero.
Antes de show com Linkin Park no Morumbis, Poppy entrega apresentação marcante no Cine Joia

Atração de abertura dos três shows do Linkin Park no Brasil, a cantora norte-americana Poppy lotou o Cine Joia, em São Paulo, na quinta-feira (6), com uma apresentação focada nos seus dois últimos álbuns, Negative Spaces (2024) e I Disagree (2020). Aliás, o guitarrista do Linkin Park, Alex Feder, acompanhou o show na pista da casa. O set curto, com 1h05 de duração e 15 músicas, teve momentos de destaque, principalmente com I Disagree, Concrete, They’re All Around Us e New Way Out, que fechou a apresentação. Poppy, que iniciou a carreira como youtuber e depois migrou para a área musical lançando dois álbuns com uma pegada mais pop, não foi muito comunicativa no palco. Emendou um som atrás do outro, com breves pausas para se hidratar. A falta de interação, no entanto, não incomoda nem um pouco o público, em sua maioria bem jovem, que respondeu com gritos de “Poppy, eu te amo”. Acompanhada de músicos mascarados, Poppy faz uso de pré-gravados no palco, mas não chega a ser algo tão ostensivo a ponto de transformar a experiência em algo negativo. É nítido o potencial que ela tem, provavelmente se soltará mais nas próximas turnês. Ou não. Pode ser que isso seja apenas parte de sua persona quase robótica. Combinando elementos de dark pop, metal e música eletrônica no seu som, Moriah Rose Pereira, a Poppy, tem um repertório consistente, capaz de colocar muito marmanjo para se acabar em mosh pits, como orientou em vários momentos. Para quem quiser se preparar para o show de sábado, no Morumbis, em São Paulo, quando abrirá para o Linkin Park, recomendo os dois álbuns mais presentes na fase atual: Negative Spaces e I Disagree. Mesmo fora do atual momento, o EP de estreia, Bubblebath (2016), é uma indicação legal para ver o quão diferente está Poppy. Nesse trabalho, a cantora mistura ska, punk e reggae. Enquanto o álbum de estreia, Poppy.Computer (2017), já possui uma pegada mais eletropop. Setlist Have You Had Enough? Bloodmoney V.A.N (Bad Omens) The Cost of Giving Up Anything Like Me Crystallized From Me To U (Babymetal) The Center’s Falling Out Scary Mask I Disagree Bite Your Teeth Concrete Surviving On Defiance They’re All Around Us New Way Out
Geordie Greep faz show antológico e intimista em São Paulo

Alguns shows se fazem antológicos pelo seu escopo. De exemplos a história da música está cheia: os Beatles no Shea Stadium, o Queen no Live Aid, o Nirvana no Reading, ou, se quisermos nos aproximar na linha do tempo e na geografia, o mar de sinalizadores no System of a Down em Interlagos ou os milhões que lotaram Copacabana para ver a Lady Gaga. Outros se fazem antológicos pelo completo oposto. São aqueles que capturam artistas em ascensão tocando em lugares que logo vão se tornar impossíveis para eles devido ao seu tamanho. São momentos fugazes, dos que devem gerar discussões em bares até os dias de hoje: “tudo bem que você viu eles tocarem pra meio mundo em um estádio, eu vi quando eram umas 50 pessoas em um boteco”. Com apenas um disco de estúdio lançado em carreira solo, o britânico Geordie Greep não parece interessado em alcançar o patamar de nenhuma das bandas citadas. Ao mesmo tempo, o álbum The New Sound, do ano passado, já o alçou, no mínimo, ao lugar que a sua antiga banda, o black midi, ocupava no panorama da música alternativa contemporânea. Um lugar que supera, por muito, a capacidade de cerca de 80 pessoas do Bar Alto, onde fez a sua estreia brasileira na última quarta-feira (5). >> Confira entrevista com Geordie Greep Sideshow do Balaclava Fest, que ocupará o Tokio Marine Hall no próximo domingo (9), a apresentação com ingressos esgotados teve clima daqueles shows que, por muito tempo, só se ouvia falar aqui pelo Hemisfério Sul: os dos artistas que resolvem encolher por uma noite para uma ocasião mais intimista voltada aos fãs. Isso se fez notar desde o começo, seja com os músicos, Greep incluso, abrindo caminho pela pista do local para chegar ao palco, seja nos backing vocals da competente banda de apoio, cantados em parte sem o auxílio dos microfones. A banda Foi com Holy, Holy nas caixas de som que Greep subiu ao palco. “É estranho entrar ao som da sua própria música”, comentou, em uma de suas poucas falas da noite. A partir daí, o britânico se comunicou de outras formas. Acompanhado para a turnê brasileira por um time de músicos locais, o show focou totalmente no repertório do disco, deixando de fora apenas duas faixas e abrindo espaço para muito improviso e experimentação. No papel, foram nove músicas tocadas, na prática, a apresentação chegou na marca de uma hora e meia de duração. A escolha da banda não foi por acaso. Parte dos músicos participou das sessões do disco, gravado parcialmente em São Paulo durante a primeira e última (se não houver uma reunião) passagem do black midi por aqui. A influência da música brasileira é notável em The New Sound, o que, ao vivo, fica ainda mais aparente. Além da estreia de sua carreira solo no país, a noite também marcou a primeira vez que a formação tocou junta ao vivo. Pelo palco, era possível ver folhas de partituras e anotações para auxiliar os músicos nas canções que não são lá as coisas mais simples do mundo. Sem querer menosprezar o valor de um bom apoio, o fato é que os olhos da experiente banda raramente se demoraram no escrito, sempre buscando os seus companheiros para executar as passagens. Assim, Greep atua não só como maestro, dando instruções através de gestos e, por vezes, falando, mas também como público, visivelmente empolgado com diversas das construções da banda. A cozinha, formada pelo baterista Vitor Cabral e o baixista Fábio Sá, dá a sustentação necessária com os andamentos tortos típicos do jazz fusion, sendo que nos momentos mais intensos a batida na caixa chega a ensurdecer. O guitarrista Filipe Coimbra alterna entre as paisagens melódicas e fortes distorções, buscando feedbacks grudando a guitarra em seu amplificador. O trabalho do percussionista Daniel Conceição, que chega a bater em uma garrafa de vidro com as baquetas, realça a brasilidade das músicas e, por fim, o tecladista Chicão Montorfano toca como se estivesse possuído, arrancando olhares de alegre euforia de Greep. Quanto ao cantor, ele reveza entre fazer somente o vocal e tocar junto a guitarra. Quando pega o instrumento, ele debulha, dando a impressão de ter passado os seus 26 anos em um conservatório. Quando só canta, no melhor estilo crooner, a voz grave alcança notas impressionantes. Improviso O black midi primava pela desconstrução das suas canções ao vivo. Muitas vezes, era difícil identificar o que eles estavam tocando mesmo para quem conhecia o repertório. Sozinho, o cantor e compositor não é tão hermético. Todas as músicas são reconhecíveis para quem está familiarizado com o disco, porém, a grande maioria delas se estende e se expande. A primeira vez que isso é mais perceptível é durante a terceira música do set, a instrumental The New Sound, que dá nome ao disco e vem após uma sequência matadora formada por Walk Up e pela brasileiríssima Terra. É após a canção alongada que ocorre o único deslize aparente, no começo de Through a War, facilmente contornado após o reinício da música. Fora isso, tudo parece fluir em sintonia, apesar de muito parecer vir do improviso. E o improviso é essencial e por vezes emociona mais do que as próprias canções. É fácil falar que Holy, Holy, por exemplo, foi um dos pontos altos da noite. Realmente foi. Difícil é explicar que a longa jam que veio em seguida e desembocou em Bongo Season – que em estúdio tem meros 2 minutos e 35 – foi tão espetacular quanto. Não existe um segundo desperdiçado no show do Geordie Greep Antológico Provavelmente, o show no Bar Alto não enfeitará as páginas da história da música como os citados no começo deste texto. Ele se destina a um outro tipo de história, a que existe na memória de quem estava presente e de onde não deve sair tão cedo. Com o tempo, pode até integrar o vasto folclore dos shows em solo nacional, naquela categoria dos que mais se ouvem
Millencolin e Pennywise lideram We Are One Tour 2026; veja datas e locais

A maior edição da história do já tradicional We Are One Tour acontece em março de 2026 em cinco cidades do Brasil, com três grandes atrações internacionais e mais bandas brasileiras. A nova edição do festival terá como headliners duas lendas do punk/hardcore melódico: Pennywise (EUA) e Millencolin (Suécia), junto à canadense Mute e à paulistana The Mönic na abertura de todos os shows. A realização é da Solid Music Entertainment. Os ingressos para todas as apresentações estarão à venda no site da 101 Tickets a partir das 15h desta quinta (6). A We Are One Tour 2026 começa dia 20/03, em Santiago (Chile), passa por Buenos Aires (Argentina) dia 22/03 e chega ao Brasil no dia 24/03. A primeira parada é Porto Alegre/RS, no URB Stage. Em seguida, é a vez de Florianópolis/SC, dia 25/03, no Life Stage. Curitiba/PR é a próxima cidade que recebe o super We Are One Tour 2026, no dia 27/03, no Piazza Notte. Em São Paulo/SP, na sequência, é dia 28/03, no Terra SP, com mais duas bandas no lineup: Zander e Contra o Céu. Termina dia 29/03, no Rio de Janeiro/RJ, no Sacadura 154. Formada em 1988 em Hermosa Beach, Califórnia, Pennywise lançou-se como força dominante do skate punk/rock melódico no início da década de 90 com forte influência da geração anterior do hardcore californiano. Com letras que enfatizam atitude positiva, resistência pessoal e crítica social, a banda conquistou relevância ao lado de nomes como Bad Religion, Nofx e The Offspring. Pennywise hoje é Byron McMackin, Jim Lindberg, Fletcher Dragge e Randy Bradbury. O som da banda combina riffs rápidos, bateria pulsante e bastante energia típica do hardcore, mas incorpora linhas melódicas, refrões que puxam a plateia para cantar junto. Originária de Örebro, Suécia, Millencolin foi formada em outubro de 1992 e continua até hoje como uma das forças máximas do punk/hardcore melódico, ao lado do Pennywise. A banda construiu uma sólida reputação com álbuns como Life on a Plate (1995), For Monkeys (1997) e principalmente Pennybridge Pioneers (2000), que ampliou seu alcance global dentro do cenário punk/skate. Millencolin hoje é Fredrik Larzon (amarelo), Nikola Sarcevic, Mathias Färm e Erik Ohlsson (azul). A outra atração internacional é a Mute, punk rock/skate-punk de Québec (Canadá) e desde 1998 na ativa, sempre prestigiada pelo público brasileiro. Musicalmente, mescla velocidade, técnica instrumental (guitarras rápidas, bateria ágil) e, claro, refrões melódicos. SERVIÇO We Are One Tour 2026 em Porto Alegre/RSData: 24 de março de 2026 Local: URB Stage Ingresso We Are One Tour 2026 em Florianópolis/SCData: 25 de março de 2026 Local: Life Club Ingresso We Are One Tour 2026 em CuritibaData: 27 de março de 2026 Local: Piazza Notte Ingresso We Are One Tour 2026 em São PauloData: 28 de março de 2026 Local: Terra SP Ingresso We Are One Tour 2026 no Rio de Janeiro/RJData: 29 de março de 2026 Local: Sacadura 154 Ingresso