Entrevista | The Aces – “O modo como mostramos de onde viemos nos fez sentir vulneráveis”

A banda de indie pop norte-americana The Aces revelou, na última sexta-feira (28), o quarto single de seu terceiro álbum de estúdio, I’ve Loved You For So Long, que será lançado em 5 de junho. A faixa-título apresenta melodias de violão que evocam um som nostálgico dos anos 1990, de bandas como The Cranberries e é dedicada ao amor entre as integrantes da The Aces, que se apoiam mutuamente desde a infância, quando começaram a tocar juntas. O clipe, dirigido pela vocalista Cristal Ramirez, reflete a relação forte entre elas e a vibração nostálgica da música do The Aces. Cristal compartilhou sua inspiração para a música que dá nome ao projeto novo do The Aces. “Percebi rapidamente que o amor da minha vida é essa banda. Nunca amei nada como amo essa banda. Mesmo em tempos de inspiração entorpecida, de questionar tudo, sempre sou lembrada de que é exatamente onde eu deveria estar”, reflete. A guitarrista Katie Henderson, a baixista McKenna Petty, a baterista Alisa Ramirez e a vocalista e guitarrista Cristal Ramirez conversaram com o Blog n’ Roll, via Zoom, sobre o novo álbum, influências, Brasil e o cenário musical de Provo, em Utah, terra-natal delas. Como foi o processo de produção do novo álbum? Alisa: Escrevemos este álbum ao longo de um ano e meio, começamos em meio a pandemia em 2020, e terminamos no começo de 2022. Foi um longo processo, mas divertido e nos aprofundamos muito nele, nos levou a um lugar que não esperávamos ir, então foi muito legal. Teve algum desafio maior para lançar esse álbum? O que diferencia ele dos outros dois? Por que? Cristal: Falamos muito nesse álbum sobre nossas trajetórias e de onde viemos, e isso foi muito vulnerável para nós, pois nunca fizemos isso na nossa música. Então naturalmente, quando pensamos em mostrar isso ao mundo, nos apoiamos muito umas nas outras, pois o modo como mostramos de onde viemos nos fez sentir vulneráveis, e assustadas, mas também muito animador pensar que o mundo nos conhecerá de uma forma muito verdadeira. Então, assustador, mas animador. Os primeiros singles mostram algo bem diverso na sonoridade. Como funciona esse caldo de influências para vocês? Cristal: Acho que nascemos com muita influência de bandas como Paramore, com guitarras pesadas, pop punk, então isso está no nosso DNA, e sai naturalmente no nosso trabalho. Mas também gostamos de outras coisas, tipo Michael Jackson, então o casamento entre rock and roll, new wave, batidas de pop dance é muito a cara da banda, devido ao gosto de nós quatro. Então você ouvirá isso no disco, uma menção a coisas que ouvimos crescendo, mas também coisas eletrônicas que foi uma forma com a qual a nossa música cresceu. McKenna: Acredito que também nos inspiramos em como fazíamos música quando mais jovens neste disco, então voltando a ter as coisas analógicas, assim como a música que crescemos ouvindo, mas com um toque moderno. Vocês são de Provo, uma pequena cidade em Utah. Existe uma cena musical? Alisa: Sim, uma bem grande. Tinham lugares, que não serviam álcool, onde nós tocamos. Menciono isso de não servir álcool pois no começo da banda éramos muito novas e não nos deixavam entrar em lugares que serviam álcool. Mas este lugar nos deu uma oportunidade de construir uma base de fãs entre os jovens, e as pessoas da cidade, surpreendentemente, têm muita disposição de apoiar os músicos. A família apoiou vocês nessa trajetória inicial? McKenna: Toda a família, sempre tivemos muito apoio da nossa família e nos ajudaram muito. Alisa: Minha mãe, e da Cristal, era a nossa empresária, ela era muito engajada, levava a gente na minivan dela, carregando a bateria, ligava para as pessoas deixarem a gente tocar no aniversário de seus filhos. Cristal: Temos uma família que sempre nos apoiou, e nos encorajou, não é o caso para todos que são músicos, então temos muita sorte. Qual som predomina em Provo? Cristal: É mais o folk. Nós éramos bem únicas na cena, provavelmente a única banda de meninas, eram poucas artistas femininas. Nós nos destacamos muito, o que tem seu lado bom e ruim, no começo não entendiam muito a gente. A cena era muito folk, e nós no indie pop rock, bem alto na sua cara, e a cena era tão quieta e calma, fomos disruptivas de alguma forma. Alisa: Isso pode não fazer sentido, mas tínhamos mais um som de Salt Lake, e a nossa cidade era tudo mais tranquilo, com violões, com músicas suaves, e nós tocando pop rock. Ficavam confusos, se perguntavam com quais artistas podíamos tocar. A gente se diferenciava na cena. Cristal: Sendo uma banda apenas de mulheres também, em uma cidade religiosa, sendo repressiva de uma maneira muito específica com mulheres, demorou mais tempo para entenderem e quererem ser fãs. McKenna: Especialmente quando começamos a fazer isso de maneira mais séria, as pessoas estavam achavam que não era uma coisa séria, então demoraram para entender. Excursionar com 5 Seconds of Summer ajudou a aumentar o alcance de vocês? Alisa: Completamente! Acredito que fazer a turnê com o 5SOS, logo quando lançamos nosso primeiro álbum, foi uma grande virada de jogo para nós, eles são caras muito legais e nos levaram em uma turnê com ingressos esgotados em diversas arenas. Isso quadruplicou nosso número de fãs de um jeito incrível, conseguimos vender nossa própria turnê. Somos muito gratas às bandas que nos projetaram, pois fazem muita diferença. Como era o contato entre vocês durante a turnê? Cristal: Sempre foram muito gentis conosco, muito solícitos, fãs do que fazíamos, e nós deles. Alisa: Acho que eles sempre souberam que sua base de fãs é basicamente de jovens meninas, acho legal eles colocarem uma banda de mulheres para tocar para essa fãs, para inspirar elas a tocarem, ou apenas para ver algo diferente, pois estão acostumadas a sempre verem caras no palco. Acho muito legal eles pensarem em trazer mulheres para elas se inspirarem. Nunca achamos que iríamos fazer turnê com bandas grandes
Entrevista | Freya Ridings – “A indústria musical diz para não fazer, mas me rebelei”

Blood Orange é o disco que Freya Ridings precisava fazer. No auge da pandemia e com um coração partido, a inglesa mergulhou nos altos e baixos de um período de incertezas para oferecer ao público novos hinos de amor próprio e celebração da vida. As 14 faixas de Blood Orange, que chegou ao streaming nesta sexta-feira (28) apresentam Freya Ridings mais segura de sua voz – de intérprete e compositora – indo do piano intimista aos sintetizadores da disco music. O atual momento de Freya Ridings inclui ainda a participação na coroação do Rei Charles III e a estreia no Glastonbury. Recentemente, Freya Ridings conversou com o Blog n’ Roll, via Zoom, sobre o novo álbum, o convite para cantar na coroação do Rei Charles III, além das comparações com Florence Welch. Como foi para você receber o convite para cantar na coroação do Rei Charles III? É tão surreal, eu sou uma grande apreciadora da história da família real, amo os Tudors, Elizabeth I, Rainha Vitória. Não sou obcecada, mas as histórias, amo, minha mãe também, ficou muito animada quando a contei pelo telefone. Terão 14 milhões de pessoas assistindo, tenho que ensaiar, mas será ótimo. Te surpreendeu de alguma forma esse convite? Nem imaginei que seria uma opção, por isso amo tanto esse trabalho, você nunca sabe as oportunidades que aparecerão para você. Sou fã do Rei Charles, por tudo que ele fez ao longo dos anos para empoderar os jovens. Minha mãe era de um grupo de teatro fundado por ele, então é uma honra participar deste momento. Você já sabe o que vai cantar na coroação? Na coroação será apenas uma música, e não será minha, é um cover muito bonito, que será tocado com uma orquestra, será muito bonito. Blood Orange mistura reflexões sobre solidão e a busca pelo reencontro de si. Como foi retornar para a casa dos seus pais e trabalhar nesse álbum? Foi tão surreal, acredito para todos. Eu estava triste atrás do piano, tinha acabado de encerrar uma turnê pela Austrália. Estava tão desmantelada, genuinamente, pronta para parar, e acho que usei a adrenalina de estar em turnê para ficar longe desta dor, por muito tempo. De repente tive tempo e espaço para pensar sobre, e foi muito assustador, mas também muito libertador sentar atrás do piano, sem gente da indústria musical interferindo, devido a pandemia, mas ainda tinha que lançar meu segundo álbum. Pensando em como fazer isso, me direcionei para os fãs, comecei a fazer lives semanais no Instagram, e eles escreviam nos comentários quais músicas gostavam, quais não gostavam. Basicamente foi o que me salvou, me ajudou a escolher as músicas que colocaria no álbum. Não sei o que faria sem eles, não tinha como fazer shows, nem como a indústria me ajudar, e eles ajudaram. Espero que sintam como fizeram parte desse álbum, e como me esforcei para agradecer a eles. A indústria musical diz para não fazer isso, e me rebelei fazendo. A pandemia acabou sendo um fator complicador na produção do seu segundo álbum. Pensou em desistir ou achou que poderia levar ainda mais anos para concluir sua obra? Estava muito perto de desistir antes de voltar para casa na pandemia, não achava que tinha algo ainda. Então tive esse tempo e espaço, para sentir. O motivo de amar a música é poder cantar para as pessoas que amo o que sinto por elas. Mas, de repente, a música na minha vida ficou acima das pessoas que amo, e senti que era errado, estava fora de equilíbrio. Então tive tempo de reencontrar esse equilíbrio, fazer terapia, e ter algum tempo para ser mentalmente saudável. É um trabalho que foi se jogar de alma, e não voltar para casa por muito tempo, acho que por isso muitos caem no abuso de substâncias químicas, é um trabalho solitário. Para mim, lutar pela minha relação e minha saúde mental se tornou algo muito importante, e ter o tempo de me apaixonar novamente, crescer como pessoa, voltar para a casa dos meus pais, dar uma volta de carro, as pequenas coisas que não faço há muito tempo. E colocar algo que acho valioso nesse álbum, para mim e para outras pessoas, pois antes não tinha vivido o suficiente para dizer nada, só pensava em escrever sobre a dor emocional que tinha, e a composição me tirou dessa dor. Seu álbum de estreia teve uma repercussão muito grande com público e crítica. Você se sente pressionada com Blood Orange? Senti tanta pressão que no começo tive um bloqueio criativo, não conseguia escrever uma palavra. Não conseguia entrar no estúdio sem começar a chorar, percebi que era um problema, que a pressão estava me matando. Foi quando comecei a terapia, dois anos e meio atrás, fui para lá para entender de onde vinha essa pressão, talvez era interna, algo invisível que diz que se eu fizer uma vez, na próxima tenho que fazer mais. E comecei a me questionar quem diz isso, e se você pensa bem, comecei a tocar com 11 anos, e fiz isso sem fama e dinheiro por dez anos, eu faria isso de graça, e tinha que lembrar disso. O motivo pelo qual fiz sucesso foi por dizer as coisas que queria dizer, da forma que queria, e não eram “maneiras”, nem um pouco, me diziam para fazer o oposto disso. Mas me mantive firme, quando disse que queria escrever uma balada, música romântica, me disseram que tinha que escrever músicas alegres, por baladas são um saco, e eu insisti. E depois me falaram que eu era a garota das baladas, não poderia fazer pop, as pessoas gostam de falar merda. No final das contas quando me permiti fazer o álbum que amo, criticaram até o nome que escolhi, Blood Orange, e eu disse que não trabalharia mais com essa pessoa. E foi bom, encontrei pessoas maravilhosas que amaram a minha ideia. Você só tem que tentar, mas me levou muito tempo. Nesse álbum pude trabalhar
Entrevista | Sleaford Mods – “A Inglaterra está quebrada, eu queria desabafar isso”
Repetitivo, mas impossível de enjoar, Kiss fecha Monsters com show apoteótico
Scorpions apresenta Rock Believer e deixa hits para o fim em SP

Diferente do Helloween e Deep Purple, o Scorpions optou por uma estratégia mais ousada com o público brasileiro. No Monsters of Rock, que aconteceu no Allianz Parque, a banda alemã dedicou um quarto do show para o último álbum de estúdio, Rock Believer, lançado em 2022. Aliás, abriu a apresentação com um dos singles do disco, Gas in the Tank. Peacemaker e Seventh Sun não demoraram a aparecer também. E isso explica um pouco da frieza do público no início da apresentação. O Scorpions, no entanto, tinha mais tempo disponível que Deep Purple e Helloween. E não quis desperdiçar a chance de estrear essas canções no Brasil. Quem acompanha o Scorpions há tempos, sabe que essa estratégia é até uma forma de renovar os shows da banda. Das últimas vezes que veio ao Brasil, sempre dedicou um tempo da apresentação para tocar entre três e cinco músicas do álbum do momento. De preferência, do início para a metade do show. Clássicos mudam tom do Scorpions A partir de Bad Boys Running Wild as coisas mudam bastante de cenário. A banda que alcançou sucesso comercial mundial nos anos 1980 começa a gastar todo o seu repertório de sucesso. Wind of Change, também do clássico Love at First Sting, aparece um pouco depois. Dedicada ao povo ucraniano, pareceu até um recado para quem tenta imputar uma culpa ao país atacado. Ovacionados, Rudolf Schenker, Klaus Meine e Matthias Jabs, três dos membros da formação mais famosa do Scorpions, mostraram muita dedicação no palco. Sorridentes, agradecem o carinho dos fãs o tempo todo. Dos três, Klaus Meine é o que parece sentir mais o desgaste do tempo. A voz continua boa, ainda emociona, mas o vocalista parece um boneco de cera no palco. Mas nada que comprometa o produto principal. Rock Believer, do último álbum, veio isolada dos outros sons recentes. Veio entre os clássicos da banda. E funcionou bem dessa forma. É nítida ser a música que mais vingou do disco para o grande público. A reta final veio da forma como os fãs esperavam. Assim como nas últimas quatro vezes que vieram ao Brasil, Big City Nights, Still Loving You e Rock You Like a Hurricane vieram juntas, garantindo a apoteose do público. Impossível ficar parado com essa sequência.
Com tributo à MPB e clássicos, Deep Purple emociona em SP

O Deep Purple foi certeiro no setlist. Quinta banda a se apresentar no Monsters of Rock, que rolou neste sábado (22), no Allianz Parque, em São Paulo, a lendária banda inglesa abriu os trabalhos com Highway Star e deixou Smoke on The Water para a reta final, dois dos seus maiores hits. No recheio dessa apresentação, Uncommon Man foi dedicada ao finado Jon Lord, enquanto When a Blind Man Cries ficou ainda mais potente ao vivo. Ian Gillian, aos 77 anos, não se rendeu ao playback. Segue firme e forte, apesar do desgaste natural. Simon McBride rendeu um fôlego ainda maior para os veteranos. Assumindo o lugar de Steve Morse, demonstrou muita personalidade no palco. Extremamente técnico, o músico de 44 anos fica muita à vontade no palco, parece companheiro de décadas. Ian Pace e Roger Grover estão envelhecidos na aparência, mas na disposição e técnica, nada mudou. É impressionante ver esses senhores de 74 e 77 anos, respectivamente, curtindo a apresentação do Deep Purple. O tecladista Don Airey, que já havia declarado seu amor pela música brasileira em entrevista ao Blog n’ Roll, fez um medley com Sampa, Brasileirinho, Tico Tico no Fubá e Meu Brasil, Brasileiro. Isso tudo misturado com um trecho de Mr. Crowley, clássico de Ozzy Osborne, que começa com o teclado de Airey. Aliás, o músico estava com um bonequinho de Ozzy em cima do instrumento. Perfect Strangers, Space Truckin’ e Smoke on the Water vieram na sequência do solo de Airey, que foi provavelmente um dos poucos que não ficou cansativo ao longo do festival. Hush e Black Night vieram nos acréscimos, quando boa parte do público já se deslocava para ir ao banheiro ou reabastecer de cerveja.
Helloween faz set curto e repleto de clássicos no Monsters of Rock

Quarta atração a subir no palco do Monsters of Rock, que aconteceu neste sábado (22), no Allianz Parque, em São Paulo, a banda alemã Helloween apresentou um set curto, com dez músicas apenas, priorizando os clássicos. Intercalando duetos de Andi Deris e Michael Kiski com ambos sozinhos na linha de frente, o grupo de power metal iniciou o show com uma trinca de peso: Dr Stein, Eagle Fly Free e Power. Das dez músicas apresentadas no show, somente três vieram dos últimos oito álbuns lançados de 2000 para cá: Best Time, Future World e If I Could Fly. Mas, mesmo essas mais “recentes”, foram muito bem recebidas pelos fãs. Heavy Metal (Is the Law), com Kai Hansen assumindo os vocais, também fez a plateia vibrar bastante. Forever and One, com Andi Deris e Michael Kiski sentados no banquinho, garantiu um momento mais emocionante para o público, que acompanhou a canção no coro do início ao fim. I Want Out deu números finais para a apresentação, deixando os fãs extasiados. Sem dúvida alguma foi um dos momentos mais empolgantes de todo o festival. O Helloween retornou ao Brasil menos de um ano de sua última apresentação, mas comprovou mais uma vez que os retornos de Kiski e Kai Hansen, em 2016, foi a decisão mais importante que o grupo poderia ter tomado.
Twenty One Pilots lança MTV Unplugged no streaming

O duo Twenty One Pilots, que recentemente esteve no Brasil para um único show em São Paulo, na última edição do festival Lollapalooza Brasil, lançou o álbum MTV Unplugged, que apresenta novas versões de algumas das principais canções de catálogo da dupla. Originalmente gravado no ano passado para a icônica série MTV Unplugged, o trabalho já está disponível em todas as plataformas de streaming. O duo, que coleciona hits, em 2021 estreou em primeiro lugar nas paradas de “Álbuns de Rock” e “Álbuns Alternativos” da Billboard com o projeto Scaled And Icy, enquanto chegava ao terceiro lugar na “Billboard 200”, marcando a maior semana de abertura de um álbum de rock no ano. Em 2022, Twenty One Pilots recebeu inúmeras novas certificações da RIAA, sendo Gold para o álbum Scaled And Icy e o single Shy Away, Platinum para a faixa Jumpsuit e Diamond para o hino geracional Heathens.
Entrevista | Deep Purple – “Nós continuamos porque tinha muita demanda pela banda”