Após show histórico em Santos, Pitty encanta com caminhão de hits no I Wanna Be Tour

Na reta final das celebrações dos 20 anos do álbum Admirável Chip Novo, a cantora baiana Pitty vive um dos momentos mais especiais da carreira. Em dois dias, ela cantou para 100 mil pessoas (50 mil no I Wanna Be Tour, no Allianz Parque, 50 mil na Praia do Gonzaga, em Santos, na noite anterior). Pitty, com o passar dos anos, se transformou naquela artista unanimidade que combina com tudo que é festival e público. Se analisarmos a proposta musical, ela destoa bastante do lineup. Nomes nacionais como Hateen e Dance of Days cairiam muito melhor, ainda mais pelo peso histórico no emo verde e amarelo. Mas isso não foi empecilho para Pitty, que apostou em um setlist repleto de hits. Teto de Vidro, logo de cara, foi o suficiente para ter a noção que o público apoiaria do início ao fim. Sem perder tempo, Pitty, que estava elegantemente vestida de roxo, distribuiu hits em sequência: Admirável Chip Novo, Máscara e Equalize. Sempre comunicativa com os fãs, Pitty pediu para o público abrir uma roda de pogo. Foi atendida prontamente. Antes de um dos seus sons mais conhecidos, Pitty brincou que há 20 anos lançou uma música com o nome do festival. I Wanna Be caiu muito bem no repertório. Mesmo com o tempo escasso, Pitty conseguiu fazer uma reta final tão forte como a do início. Semana Que Vem, Memórias, Na Sua Estante e Me Adora. Apesar do clima nostálgico, o show de Pitty não soa antigo ou ultrapassado. As faixas de Admirável Chip Novo são bem atemporais e casam realmente com qualquer ambiente com música. Por esse motivo, ela soube cativar tão bem o público no Allianz. Recentemente, Ney Matogrosso, Sandy, Planet Hemp, Emicida, entre outros, recriaram Admirável Chip Novo. A pluralidade dos artistas define bem o peso dessa obra, que serviu como base no I Wanna Be Tour.  Ainda não se sabe o que Pitty fará após o encerramento da turnê, mas fica nossa torcida por um álbum de inéditas. 

Mayday Parade entrega show mais emotivo do I Wanna Be Tour

Se alguém ainda tinha dúvida de que se tratava de um festival emotivo, o Mayday Parade afastou qualquer desconfiança com a apresentação. Foi provavelmente um dos shows mais emotivos da tarde, no Allianz Parque. O Mayday Parade, da Flórida (EUA), que já foi presença constante naquelas coletâneas de covers (Punk Goes Pop e Punk Goes 90’s), priorizou seu álbum de estreia, A Lesson in Romantics (2007), com quase metade do set de 12 faixas dedicado a ele. Era tudo que os fãs queriam mesmo. A primeira e última vez que esteve no Brasil, em 2012, o Mayday Parade estrelou o lineup do extinto Next Generation. Agora, estava longe de ser uma atração principal, mas mesmo assim entregou uma apresentação cativante. O vocalista Derek Sanders, descalço, entregou uma presença de palco empolgante. Não parou por nenhum momento, mesmo com um set repleto de baladas. E agiu corretamente ao não incluir as canções das coletâneas Punk Goes. Afinal, precisa mostrar o trabalho autoral que é muito rico. Get Up, Jersey e Jamie All Over, que vieram na trinca final, garantiram o restinho que faltava para conquistar de vez o público que desconhecia a banda. As duas últimas, aliás, são as mais populares da carreira do Mayday Parade.

Plain White T’s faz show honesto com feat de Day Limns

O Allianz Parque ainda estava no início de sua ocupação, muito em função da péssima logística de abrir os portões em cima da hora da primeira banda, quando o Plain White T’s iniciou sua apresentação.  Tom Higgenson, vocalista e único membro da formação original, sabia que não teria muito tempo para conquistar o público em sua primeira visita ao Brasil, logo abriu com Our Time Now, faixa que ficou marcada por sua presença nas séries iCarly e Greek. Com um palco simples e fazendo menção à capa do novo disco, homônimo, lançado no ano passado, a banda aproveitou que chamou a atenção dos fãs com Our Time Now para soltar duas canções do registro mais recente: Young Tonight e Fired Up, que tem uma sonoridade bem diferente do restante da carreira, lembrando mais um Foster the People. Take Me Away, uma viagem ao auge da banda, em 2005, serviu para manter a conexão com os fãs, que não se empolgaram com as novidades. Mas o show do Plain White T’s é mais introspectivo, mesmo com Tom Higgenson demonstrando muito carisma e carinho pelo público que chegou cedo. The Giving Tree, que veio na sequência, foi exatamente dessa forma: uma faixa para receber o público que enfrentava um forte sol e com pouco acesso à água (um dos pontos falhos do festival). Para uma banda que nunca havia tocado no Brasil, a estratégia de Tom e companhia foi louvável. Passou por todos os álbuns. Natural Disaster e 1,2,3,4, do Big Bad World (2008), vieram em sequência, numa dobradinha que representa bem a característica da banda, vezes beirando o pop punk, vezes abraçado no folk com influências do emo. Mas o álbum mais recente foi o mais presente no set, com quatro canções, o dobro do restante dos outros trabalhos. Dessa forma, Would You Even e Feeling (More Like) Myself vieram na sequência.  Na reta final, os dois maiores sucessos do Plain White T’s foram tocados. Hit absoluto, Hey There Delilah contou com a participação da cantora brasileira Day Limns, que não escondeu a emoção de cantar a canção. Uma pena ter uma meia dúzia de babacas reclamando que queria ouvir a faixa apenas na voz de Tom. Felizmente, a maior parte do público abraçou a ideia e valorizou a presença de Day. Rhythm of Love deu números finais ao show. E não deu nem tempo de sair do lugar, apenas virar a cabeça para o outro lado e curtir o Mayday Parade.