Entrevista | Hollywood Undead – “Ver o punk de volta é refrescante”
Lendário Jerry Lee Lewis morre aos 87 anos, nos Estados Unidos
Entrevista | Daymé Arocena – “Quero fazer o jazz popular novamente”

Destaque da nova cena do afrojazz cubano, a cantora e compositora Daymé Arocena, de 30 anos, abraçou de vez o Brasil em seu último single, Dançar e Voar. A faixa, um samba, foi inteiramente composto em português. Aliás, recebeu a produção do carioca Kassin. Produzida entre Porto Rico e Rio de Janeiro, a composição de Arocena ganhou o conhecimento de Kassin, que mergulhou em uma balada samba inspirada em artistas como Djavan, Luedji Luna, Ed Motta e Gal Costa. A banda é formada por Kassin no baixo junto de grandes músicos: Danilo Andrade (teclados), Davi Moraes (guitarra), Alexandre Siqueira (percussão) e Daniel Conceição (bateria). Em entrevista ao Blog n’ Roll, Daymé Arocena falou sobre Dançar e Voar, música brasileira e o que a levou para Porto Rico. Confira abaixo. Impossível não iniciarmos essa conversa sem falarmos sobre Dançar e Voar. A canção é inteiramente em português. Como surgiu esse interesse pelo samba e o idioma? Não era minha intenção escrever essa música em português. Para mim, a linguagem é apenas o canal, o jeito que conecto a minha música, meu mundo. É um jeito de me expressar, mas o mais importante é a música. Eu tinha a melodia, a música, a harmonia, a vibe, o ritmo, e soava como um samba para mim, e aí então decidi fazê-la em português. Só agradeço ao Google Tradutor, pois sempre me ajuda com as línguas que não sou fluente. É uma ferramenta muito boa de se ter, pois agora tudo que eu imaginar posso colocar no tradutor. Aliás, do espanhol para o português, geralmente é muito simples. Apenas faço a letra em espanhol e depois ponho no tradutor, e me ajuda a dar forma a ela. Você sempre ouviu música brasileira? Quais artistas você mais admira no Brasil? Muito. Gosto de muitos compositores e cantores, como Djavan, Ed Motta, Jair Oliveira, Antônia Carlos Jobim e Arlindo Cruz. Também amo cantoras, como Gal Costa, Elis Regina, Maria Rita, claro, Bebel Gilberto. Para mim são como dois mundos, a composição é muito importante, mas a interpretação é o principal objetivo. O Brasil tem ótimos compositores e intérpretes. Quando era mais nova gostava de escutar uma banda chamada Zuco 103 (grupo holandês com vocalista brasileira). Marcos Vale também, pude conhecê-lo pessoalmente, em um festival em Montenegro. Como foi trabalhar com Kassin? O que ele trouxe de bom e inovador para o seu trabalho? Ele é um doce de pessoa. Acho que já tínhamos nos conhecido pessoalmente há alguns anos, mas toda a comunicação foi feita por chamadas de vídeo no Zoom, devido a pandemia. Não tivemos a possibilidade de estar juntos, sentar para trocar ideias na mesma sala fisicamente. Mas, honestamente, a comunicação entre nós foi muito boa, me senti muito conectada com ele desde o começo. Ele entendeu meu mundo, meu jeito, minha missão com a música, e trabalhar com ele foi muito fácil. Atualmente você mora em Porto Rico. Qual foi o motivo dessa escolha? Tem algo a ver com a sua produção? Primeiramente, deixei Cuba em 2019. Foi uma decisão muito difícil, mas foi devido a situação política, uma ditadura que vem oprimindo nosso país há mais de 60 anos. Ficou muito difícil para artistas tornarem seus sonhos realidade. Também enfrentei alguns problemas com o Ministro da Cultura, pois não mantenho minha boca fechada, digo o que penso, o jeito que penso. Meu marido e eu decidimos sair e fomos para o Canadá, que é um lugar muito diferente, uma cultura diferente. Toronto tem uma grande comunidade brasileira. Honestamente, era a melhor parte de morar em Toronto. A comunidade brasileira, as padarias, amava comer sonhos. Era um grande abraço acolhedor para mim. Moramos na região portuguesa, mas todos são brasileiros, chamam de Little Portugal, eu amo Little Portugal. No entanto, houve um momento que o Canadá era muito frio, especialmente para uma mulher caribenha como eu. Gosto de pessoas sorrindo, dançando, gosto de sair, odiava os casacos, o clima frio, tudo isso não era para mim. Mas não planejei sair do Canadá, fui convidada a fazer uma colaboração com um produtor musical de Porto Rico muito bom e respeitado, Eduardo Cabra, conhecido como Visitante do Calle 13. Calle 13? Calle 13 foi um fenômeno musical muito forte, misturando hip-hop com ritmos latinos. Eles eram um duo. Residente que é o René, o rapper, que movia o público, e o outro cara era o Eduardo Cabra, o cérebro musical por trás. Tem uma música muito influente para os latinos, que teve colaboração com a Maria Rita. Então, o Calle 13, fez muito barulho, foi muito grande, mas em certo ponto decidiram fazer cada um seu próprio projeto. O Eduardo continuou focado na produção. Vem fazendo história por sua produção e o jeito que enxerga a nossa música regional. Ele tem 28 Grammys, é um gênio. Trabalhando com ele e vendo sua paixão, vejo que é por isso que tem tantos Grammys. A mente dele é explosiva. Você percebe conexões entre Porto Rico e Cuba? Sou muito mandona com minha música, pois sou compositora, mas vejo que com ele (Eduardo) minhas músicas estão sempre em boas mãos. Então vim para Porto Rico para trabalhar com Eduardo Cabra. Mas desde o primeiro dia, quando coloquei meus pés em Porto Rico, me senti de volta a Cuba. Tive flashbacks de como se estivesse voltando para casa, um sentimento forte, liguei para meu marido e falei para mudarmos para Porto Rico, pois não iria voltar para o Canadá, é melhor vir para cá. E isso foi em novembro, então faz basicamente um ano que mudamos para cá. É difícil achar um lar quando se parte da sua terra natal. É um processo pesado, não vejo minha família há quatro anos. Difícil, mas fica mais fácil quando se encontra um lugar que se parece com a nossa terra, onde se sente uma conexão, para mim é muito importante. Está nos planos fazer shows no Brasil para divulgar seu trabalho? Temos vários festivais relevantes de jazz. Seria uma ótima
Entrevista | Gabrielle Aplin – “Fiz essas canções de maneira muito real”

A cantora e compositora britânica Gabrielle Aplin segue aquecendo o público com singles de seu quarto álbum de estúdio, Phosphorescent, que tem previsão de lançamento para 13 de janeiro de 2023. Aliás, para se aproximar ainda mais dos fãs brasileiros, ela tem investido em lyric video com as músicas em português, como fez recentemente com a dançante e introspectiva Never Be The Same. Never Be The Same é a síntese perfeita entre as duas faces do som de Gabrielle, misturando suas raízes no folk e uma sonoridade que se aproxima do pop alternativo. Ela é um dos destaques do novo álbum da artista, Phosphorescent, que não é necessariamente um produto da pandemia, mas é o da solidão e estranheza que a artista, como muitos de nós, experimentou ao longo desse tempo. Após uma mudança para o interior, com maior conexão com a natureza, Gabrielle descobriu que estava escrevendo canções com uma libertação recém-descoberta. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Gabrielle Aplin conversou sobre o novo álbum, a pandemia e a ligação com o Brasil. Anteriormente, a artista participou da novela Totalmente Demais, da Globo, com música na trilha sonora e uma ponta na reta final. Phosphorescent, seu novo álbum, será lançado em janeiro. Como está sua expectativa? Eu espero que seja o maior álbum do mundo. Não diria que tenho expectativas disso, mas gostaria que fosse. Sem dúvida, o meu favorito de todos que fiz, acho que é o mais detalhista, o que mais coloquei carinho em tudo. É meu quarto álbum, então sei do que gosto e não gosto, o que eu faria e o que não faria, então espero que isso transpareça também. Em resumo, é uma união de fatores, espero que pareça muito verdadeiro e tenha muito espaço físico. Então espero que isso apareça quando meus fãs o escutarem. E também terei que viajar por causa dele, então me levará a lugares. Como foi o processo de criação desse trabalho? O que precisou fazer de diferente na comparação com os três primeiros? Escrevi músicas no isolamento do lockdown. Estava apenas escrevendo por diversão, não tinha planos de fazer um álbum. Então meu amigo, Mike Spencer, que produziu o álbum, veio e me perguntou se queria fazer um álbum, e eu tinha todas essas canções que fiz. Pareceu tão natural, tão real, e estava escrevendo canções apenas por diversão, como quando trabalhava em uma cafeteria e compunha, era a mesma vibe. Fiz essas canções de maneira muito real, orgânica, mas também muito isolada. Eu queria que o processo de gravação fosse muito humano, com o máximo de instrumentistas possível, pelo menos para a gravação. E tudo que não fosse real, como por exemplo um simulador de bateria, teria que sair por um alto-falante e uma sala, para dar ambiência, ter uma sensação de espaço físico, isso foi muito importante para mim. Por fim, também queria uma conexão forte com a natureza, queria que tudo fosse muito natural e real. Me esforcei muito para ter certeza de que estava sendo eu mesma. Esse tempo sem álbum novo, quase três anos, traz algum sentimento curioso para você? Com certeza, me sinto como no meu primeiro álbum, English Rain, novamente. Só que com mais conhecimento, e confiança para dizer o que quero e o que não quero. Sinto a sensação de fazer um álbum pela primeira vez, mas já tendo feito antes. Não teve ninguém da gravadora vindo falar comigo e perguntando se podem ouvir algo, mudar algo, se posso fazer uma música de um jeito para ser mais popular, não houve interferência, e não tive que pedir para ser desse jeito, apenas foi desse jeito. Artisticamente fiquei muito grata. No Brasil, você conquistou um grande alcance quando teve o single Home na trilha sonora de uma novela. O que representou para você? Foi muito divertido, eu amei. E tive a oportunidade de fazer uma participação no último episódio, foi doido. É a razão pela qual tenho que voltar para o Brasil, fazer shows, foi uma experiência incrível. Algo que eu nem sabia que existia, e de repente estou no meio de tudo isso. Acho incrível a quantidade de maneiras que uma música pode estourar. Não temos nada equivalente a isso aqui, temos novelas, mas não é a mesma coisa. É muito único do Brasil o que vocês têm com as novelas. Pude ir até o estúdio e ver a gravação, foi uma experiência incrível. Deu tempo de conhecer alguns lugares do Brasil? Na verdade não, preciso voltar, preciso voltar. Foi muito rápido, fiz um show em São Paulo e passei no Rio onde ficavam os estúdios de gravação. Mas amo fazer shows para conhecer fãs, acho que música e fãs são as duas coisas mais importantes. Então adoraria voltar para fazer mais shows pelo país, e tiraria alguns dias para explorar também. A pandemia aflorou muitos sentimentos nas pessoas. A solidão foi um dos mais impactantes. Você passou esse período em Brighton mesmo ou foi para outra região? Como lidou com esse período? Poderia ter sido pior, tive muita sorte, não posso reclamar, mas encontrei muita dificuldade. Eu sofro de TOC, então na época minha pior sensação era de ser uma pandemia global respiratória, e eu pensava que meu pior pesadelo tinha se tornado realidade, então foi bem assustador. Estava em Brighton e tinha acabado de lançar um álbum, e os outros artistas estavam pensando que ia ser um bom período para compor em nossas casas, e eu já tinha feito um álbum e não sabia o que fazer. Então me mudei para uma área mais rural, me senti desanimada, era inverno também, e foi aí que comecei a compor, pois não tinha mais nada para fazer, e nesse ponto já me sentia pronta para compor novamente. Obviamente, agora, estou feliz que fiz isso, mas na época me senti estranha. Foi uma época estranha para todos, tenho certeza que afetou meu álbum de uma maneira interessante, pois como disse, foi uma época onde estava muito isolada, que quando chegou
Ken Stewart e Larry McDonald comandam festa do Skatalites em Santos
Andrew Tosh emociona público santista com clássicos do pai na Virada SP

Pela primeira vez em Santos, o jamaicano Andrew Tosh emocionou o público com um mix de canções autorais e clássicos do reggae, no domingo (23), durante a Virada SP, na Praça Mauá. Acompanhado de uma banda muito técnica, o filho único do lendário Peter Tosh, um dos fundadores do The Wailers, apresentou um set consistente, com 21 canções, abrindo espaço para participação especial do havaiano Mike Love, que tocou um pouco antes, além de lindas homenagens ao pai. Andrew Tosh, de 55 anos, é um legítimo representante do legado de Peter Tosh. Iniciou a carreira cedo. Aos 13 anos já fazia aulas de piano e compunha as primeiras canções. Aos 18 anos, dois anos antes do pai ser assassinado, vítima de latrocínio (roubo seguido de morte), lançou seus primeiros sons. À época do assassinato, Andrew Tosh emocionou o público cantando Jah Guide e Equal Rights no funeral do pai, em uma arena de Kingston, capital da Jamaica. Desde então, partiu para uma carreira vibrante, intercalando álbuns com canções autorais e outros com canções do pai. Equal Rights, aliás, foi tocada na Praça Mauá, em uma sequência de faixas imortalizadas na voz de Peter Tosh, como African, Coming Hot, Not Gonna Give Up e Downpresser Man, uma música espiritual tradicional afro-americana que foi gravada por vários artistas, incluindo o próprio pai de Andrew. Antes de Legalize It, mais um clássico famoso na voz do pai, já no fim da apresentação, Andrew Tosh defendeu a legalização da maconha em um discurso rápido. “It’s good for the flu / It’s good for asthma / Good for tuberculosis / Even umara composis / Legalize it – don’t criticize it / Legalize it and i will advertise it (algo como É bom para a gripe / Bom para Asma / Bom para Tuberculose / Como também para Trombose de Numara / Legalize-a – Não critique-a / Legalize-a e eu a anunciarei)”, cantou Andrew, sendo ovacionado pelos fãs. E pensar que Legalize It, faixa-título do álbum de estreia de Peter Tosh, foi lançada em 1976. A discussão é velha, mas segue atual em muitos lugares do mundo, inclusive no Brasil. Andrew Tosh ainda guardou três clássicos para o fim: Mystic Man (faixa-título do quarto álbum de estúdio de Peter Tosh), Johnny B Good (versão reggae que o pai gravou para o clássico de Chuck Berry) e Get Up Stand Up (clássico do Wailers, da época que Peter Tosh, Bob Marley e Bunny Wailer, grande mentor de Andrew, se apresentavam juntos).
Em Santos, Supla mostra que tem mais lenha a queimar que Billy Idol

Recentemente, Billy Idol e Supla voltaram aos holofotes por conta de um encontro dos dois no Brasil, durante a passagem do autor de Dancing With Myself pelo Rock in Rio. Enquanto o britânico fez duas apresentações repletas de erros e esquecimento de letras, o Papito segue mostrando que não envelhece jamais. Ok, existe uma diferença de dez anos entre eles (56 e 66 anos, respectivamente), mas a qualidade sonora destoa demais. Divertido e caricato, Supla retornou a Santos e foi o segundo artista a subir no palco da Virada SP, no sábado (22), na Praça Mauá, logo após o Planet Hemp. O repertório foi muito bem equilibrado, passando pelos tempos de Tokyo, banda que Supla teve nos anos 1980, rendendo os hits Humanos e Garota de Berlim, avançando na fase pós Casa dos Artistas (O Charada Brasileiro, 2001) e alcançando os singles mais recentes como Motocicleta Endiabrada e As It Was, versão do hit de Harry Styles. Supla se porta como um grande showman do início ao fim. Sabe como levantar o público, coloca todo mundo para cantar junto e é praticamente um local na Cidade. E, por falar em Billy Idol, o show abriu com Suplaego, divertida faixa com o seguinte trecho: Eu ainda não consegui / Parar de ser eterno / De Beatles a Billy Idol / sempre me disseram / Eu sou muito belo / Que Narciso acha feio / O que não é espelho /De David Bowie a Mick Jagger, me tira daqui. Diante das atuais circunstâncias, Supla está muito mais eterno que Billy Idol, pelo menos para o público brasileiro, levando em consideração os shows recentes.
Na abertura da Virada SP, Planet Hemp esquece “Jardineiros” e foca em clássicos

Foram 22 anos de espera até um novo álbum de estúdio do Planet Hemp. Jardineiros chegou na última sexta-feira (21). Uma visita a Santos também demorou bastante, tendo em vista que as últimas tentativas do Planet Hemp foram canceladas de última hora. No fim da tarde deste sábado (22), Marcelo D2, B-Negão e companhia abriram a programação da Virada SP, na Praça Mauá, em Santos. No entanto, o álbum novo foi praticamente ignorado. A única exceção foi Distopia, single que tem a participação de Criolo. Para os fãs mais antigos, porém, o show foi um prato cheio. Usuário, disco de estreia da banda, lançado em 1995, teve nove faixas lembradas pelo Planet Hemp: Não Compre, Plante!, Legalize Já, Dig Dig Dig (Hempa), Mary Jane, Planet Hemp, Fazendo a Cabeça, A Culpa é de Quem, Deisdazseis e Phunky Buddha. O mais chocante notar é que 27 anos depois do lançamento de Usuário, todas as músicas parecem atuais. Ou pior, ainda mais atuais. Pior porque as denúncias não envelheceram. Tudo que o Planet protestava em 1995, segue sendo motivo de manifestação até hoje. Aliás, o show do Planet Hemp foi palco de muitas manifestações. Entre uma música e outra, gritos de apoio a Lula (PT), candidato à presidência, gritos hostis contra o atual presidente, Bolsonaro (PL), além de discursos inflamados de Marcelo D2 e B-Negão. “Trabalhador vota em trabalhador. Patrão nunca. Patrão nunca!”, gritou D2. “Dia 30 temos uma eleição importante pela frente. Se ganharmos, será uma guerra a partir do dia seguinte. Se perdermos também será uma guerra. Mas se ganhar, sem salto alto. Vamos ficar atentos”, discursou B-Negão. A sessão de nostalgia do Planet Hemp também passou pelo disco Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Pára (1997): Zerovinteum, Seus Amigos, Queimando Tudo e 100% Hardcore foram as lembradas. A apresentação também teve espaço para uma homenagem ao Ratos de Porão, que ganhou uma versão de Crise Geral, faixa do disco Cada dia mais sujo e agressivo (1987), dos paulistanos. O último álbum antes do longo hiato, A Invasão do Sagaz Homem Fumaça (2000), foi lembrado por faixas como Stab, Contexto e Quem Tem Seda? D2, que disse ter comido uma feijoada mais cedo e estava se sentindo pesado, voltou a fazer mais discursos inflamados durante a apresentação. “Preta, mulher, gay e favelada. Quando eu disser Marielle, vocês respondem ‘presente’”, pediu, sendo atendido de forma imediata na homenagem à ex-vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL), assassinada em março de 2018. A trinca final do show, em uma Praça Mauá bem cheia, contou com Samba Makossa (Chico Science & Nação Zumbi), A Culpa é de Quem e Mantenha o Respeito. Positivo para os nostálgicos, negativo para quem está com o álbum novo fresquinho na mente e só pode ouvir Distopia ao vivo. A pesada Taca Fogo, também de Jardineiros, foi lembrada apenas de forma falada por D2.
Entrevista | Larry McDonald (Skatalites) – “Para outras pessoas é fácil pegar o ska e colocá-lo em uma música ‘pesada'”

Neste domingo, a partir das 15 horas, quando o Skatalites estiver no palco da Virada SP, na Praça Mauá, em Santos, o público estará diante de um dos pais do ska. Além disso, na percussão, uma lenda viva da música jamaicana também estará presente, Larry McDonald. Aos 85 anos, Larry McDonald simplesmente gravou com todos os grandes nomes possíveis: de Slackers a Mick Jagger, de Taj Mahal a Lee Scratch Perry, de Peter Tosh a Toots & The Maytals, passando por outros mais variados, como Cat Power e Soulfly.E, mesmo com esse currículo pesado, Larry McDonald não perde a simplicidade. Em conversa com o Blog n’ Roll, o músico demonstrou muita alegria em estar no Brasil. Além de Santos, ele ainda passará por várias cidades, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro. “É minha primeira vez no Brasil. Em 60 anos de carreira, nunca estive no Brasil. Acho que vocês não me queriam aqui”, disse aos risos. Falando sobre o pioneirismo do Skatalites, Larry tirou o peso de “pioneiro do gênero”. “Veio com o começo da indústria fonográfica… Vou ter que dizer, teve uma greve nas gravadoras nos Estados Unidos e nenhum disco estava sendo feito. Acredito que foi por volta desta época que as pessoas iam para os Estados Unidos, mas não conseguiam comprar discos por causa disso. Então, as gravadoras começaram a gravar artistas locais… e o resto como dizem é história”. Admiração de Larry McDonald pela música brasileira Admirador de bossa nova, Gilberto Gil e Gal Costa, Larry relembrou o dia em que gravou com Max Cavalera, em um álbum do Soulfly. “Fiz um álbum de metal com o Max Cavalera, do Soulfly. Eu o conheci em um festival de reggae. Ele disse que quando voltássemos aos Estados Unidos, ele queria fazer alguma coisa comigo. E ficamos uma semana para gravar isso”. Para Larry, os movimentos subsequentes ao ska raiz, dos anos 1960, na Jamaica, são muito bons, tais como as bandas da 2Tone ou a terceira onda do ska. E não trata a situação com purismo quando vê bandas misturarem o gênero com punk e hardcore, por exemplo. “Para outras pessoas é fácil pegar o ska e colocá-lo em uma música “pesada”. É bem natural, como se sentisse em casa, porque nós sempre fazemos nossas coisas e distorcemos um pouco das nossas inspirações”. Confira a programação musical completa da Virada SP, em Santos Palco Mauá – Praça Mauá s/nº, Centro Sábado (22) 18h – Planet Hemp 20h30 – Supla 23h – Zimbra 1h30 – Ana Cañas canta Belchior Domingo (23) 12h – Mike Love 13h – Andrew Tosh 15h30 – Skatalites 18h – Baile do Simonal + Paula Lima