Após o elogiado disco “Normal”, Molho Negro lança “Estranho”; ouça!

O Molho Negro lançou na última quinta-feira (15) o disco Estranho, sucessor do elogiadíssimo Normal. O power trio faz o show de lançamento do álbum no próximo dia 23, no Centro Cultural Santa Cecília, em São Paulo. Estranho foi gravado num período mais extenso, se comparado à produção dos anteriores. Começou no final de 2020 e terminou no começo de 2022, gravado no Estúdio Costella, em São Paulo, com Gabriel Zander. O lançamento é via selo Flecha Discos. O novo álbum tem 11 músicas e foi antecedido por dois singles, Berrini e 23. O minimalismo dos arranjos é uma característica importante à sonoridade deste álbum. O Molho Negro olha para Estranho como mais ‘sério’ ou ‘ríspido’ do que os anteriores, com ‘menos humor’, como ressalta João Lemos (vocal e guitarra), um tanto incerto quanto às definições, que de fato vai precisar da audição completa do público para enfim poder falar melhor do que aprontou o power trio. João acrescenta: “uma coisa natural, de amadurecer, de pandemia, de mundo acabando mesmo, acho que gradualmente as coisas foram tomando outras formas”. A banda tem quatro discos lançados: o homônimo Molho Negro (2012), Lobo (2014), Não é nada disso que você pensou (2017), Normal (2018). Além do single Contracheque (2019) e um DVD no YouTube intitulado 33’54” – Molho Negro ao vivo. O último lançamento foi o EP Antes de Ficar Estranho, com produção da banda com Gabriel Zander. Saiu no fim de 2020, durante a pandemia, com duas regravações e a inédita Me Adaptar, lançado pela Flecha Discos, selo encabeçado por João Lemos, Gabriel Zander e Cyro Sampaio (Menores Atos).

Supergrupo santista Apnea lança álbum de estreia, Sea Sound

Após meses de trabalho, a banda santista Apnea lançou o tão aguardado álbum de estreia, Sea Sound, na última sexta-feira (9). A produção veio acompanhada do videoclipe da canção Highs and Lows. Com proposta de apresentar um som influenciado pela música dos anos 1970 e 1990, mesclando grunge, heavy metal e stoner rock, a banda Apnea construiu seu som com influências que passam por A.S.G., Fumanchu, Alice in Chains, Soundgarden, Cave In, até Led Zeppelin e Black Sabbath. O álbum Sea Sound traz uma mistura ímpar e única de sonoridades. Em resumo, faz com que o Apnea alcance originalidade e personalidade dentro de elementos tradicionais das décadas citadas acima. Formada por músicos experientes com projeção e extensa carreira, o quarteto é considerado como um supergrupo com status de local hero no Brasil. A Apnea conta com membros das bandas Ratos de Porão, Garage Fuzz e Bayside Kings.

Bastille faz show animado em São Paulo com direito a pedido de casamento e “grito” pela Amazônia

De volta ao Brasil após sete anos, a banda britânica Bastille entregou aos fãs um show animado na noite da última sexta-feira (9), no Tokyo Marine Hall, em São Paulo. Embalada na turnê do álbum Give Me The Future, lançado em fevereiro deste ano, a banda se aproveitou da temática futurística do disco para fazer seu show voltado à crítica ao escapismo da realidade que a tecnologia causa atualmente. Com uma história contada no telão após cada sequência de músicas, o público (só os que entendiam inglês, pois não houve tradução na tela) pôde acompanhar uma empresa futurística fictícia, e a forma como ela proporciona a fuga da realidade para o mundo virtual, como se fosse um metaverso. A crítica se estendeu até o final do show, e terminou com o “cancelamento” da empresa. Mas esse foi apenas um dos detalhes que tornou o show do Bastille interessante. Musicalmente, a banda contou com uma boa variação entre seus quatro álbuns de estúdio e alguns de seus principais singles com outros artistas. Para abrir a apresentação e já sentir o clima em São Paulo, o grupo emendou quatro músicas animadas: Stay Awake e Distorted Lights Beam, do último álbum, e as conhecidas Things We Lost In The Fire e Laura Palmer, do disco All This Bad Blood, de 2013. Em seguida, o vocalista Dan Smith deitou em um divã, que permaneceu no palco durante toda a apresentação, e ouviu mais um recado da empresa fictícia antes de iniciar uma sequência um pouco mais lenta. Apesar da quebra de ritmo, os fãs não deixaram de cantar com empolgação até mesmo Those Nights e Quarter Past Midnight, que deram um ar mais intimista ao ambiente. Foi durante essas músicas, inclusive, que uma cantora convidada pelo grupo roubou a cena. Lamentavelmente, o vocalista não a apresentou ao público, assim como não apresentou os demais membros da banda e nem mesmo se apresentou durante a apresentação. Porém, se trata de Bim Amoako, ou só BIM, cantora britânica responsável por coordenar o coral do casamento real de Principe Harry com Meghan Markle, em 2018. Convidada pela banda para a turnê, BIM roubou a cena em alguns momentos, mostrando muita qualidade vocal e agregando bastante ao longo da noite. Após o ritmo ficar um pouco mais lento, a banda passou a variar entre músicas mais dançantes e mais melódicas até chegar no momento do acústico, onde o grupo apresentou Flaws, um trecho de Laughter Lines e em seguida emendou com a triste No Bad Days, que curiosamente fala sobre eutanásia. Um outro detalhe interessante que chamou atenção durante o show foi a constante comunicação por sinais que o vocalista Dan Smith fazia com alguém do backstage. O artista parecia incomodado com o volume, mas não foi claro se era o do microfone ou o de seu retorno. Os gestos duraram até a última música, mas não foi algo que pareceu deixar o cantor irritado ao longo da apresentação. Muito pelo contrário. Simpático e carismático, Dan Smith interagiu com os fãs, pegou bandeiras e cartas, arriscou frases em português e ainda permitiu que um pedido de casamento fosse feito no palco. Além disso, ele ainda fez um serviço de achados e perdidos para sua produção quando alguém perdeu um equipamento de comunicação, oferecendo baquetas e uma champanhe para quem achasse, mas até o fim do show ninguém apareceu com o objeto. Voltando à apresentação, após o momento acústico, foi a hora da música eletrônica ganhar espaço, com a aclamada Happier, em parceria com o DJ Marshmello, e Run Into Trouble, feita com o brasileiro Alok. Assim, com o público novamente aquecido, foi a vez de emendar Of The Night que é um mashup dos hits noventistas europeus The Rhythm of the Night e Rhythm Is a Dancer, e a agitada Shut Off The Lights. Em seguida, o grupo deixou o palco e voltou para o bis com Hope for the Future, música que fala sobre a crise climática e os problemas que o mundo pode sofrer. Foi nesse momento em que Dan Smith passou a falar da importância do meio ambiente e recomendou que os fãs procurassem os representantes do Greenpeace que estavam no show para saberem como ajudar. Durante o discurso, o baterista Chris Wood ergueu uma faixa com a frase “Salve a Amazônia” escrita. Muito aplaudida pelo público após o discurso, foi hora da banda encerrar o show com a mais esperada da noite. Após uma introdução mais lenta, que contou com trechos de Oblivion e Million Pieces, o Bastille fez todo mundo sair do chão com Pompeii, seu maior hit. Com um show de luzes e do público, o grupo finalizou em ótimo astral sua segunda passagem por São Paulo – a primeira havia sido em 2015, no Lollapalooza. O próximo show da banda no Brasil acontece neste sábado (10), no Rock ir Rio. Em seguida, a banda faz uma pausa nas apresentações e retorna aos palcos em novembro, para tocar na Europa.

Avril Lavigne faz show compacto, mas repleto de hits em São Paulo; confira review

Já se passaram 20 anos desde o lançamento do álbum de estreia de Avril Lavigne, Let Go, que estourou mundialmente com hits como Complicated e Sk8er Boi. Agora, em sua quinta vez no Brasil, a cantora canadense retorna renovada e com um álbum repleto de energia e sucessos em potencial. Na quarta-feira (7), Avril Lavigne apresentou um show sucinto, com 1h10 de duração, no Espaço Unimed, em São Paulo. Alguns fãs se queixaram de ser pequeno, mas foi suficiente para apresentar as faixas de trabalho de Love Sux (2022) e passear por outros cinco álbuns da carreira. Nas 14 faixas tocadas, a cantora deu uma atenção maior a Love Sux e Let Go, com cinco e quatro faixas respectivamente. Goodbye Lullaby (2011). Os demais discos foram representados pelos seus maiores hits. Acompanhada de uma banda cheia de energia, a Rainha do Pop Punk, responsável por popularizar o gênero entre as mulheres, ainda guardou uma surpresa para o fim, tocando Avalanche, de Love Sux, pela primeira vez em um show. Duas décadas depois de surgir na música, Avril Lavigne segue com o mesmo rosto. Parece não ter envelhecido nada. A energia e disposição no palco idem. Corre, chuta os balões de ar e conversa com o público diversas vezes. A disposição do set também é interessante. Inicia com dois dos carros-chefes de Love Sux (Cannonball e Bite Me), antes de intercalar os hits de todos os álbuns. Antes de iniciar Complicated, Avril Lavigne sentou no palco da bateria e agradeceu aos fãs pelo apoio nos últimos 20 anos, ouvindo todos os discos e curtindo fase a fase. Por fim, vale ressaltar que Avril se provou autêntica mais uma vez. Não só pelo show, mas pelo novo álbum, com produção de Travis Barker (baterista do blink-182), John Feldmann (vocalista do Goldfinger) e o rapper Mod Sun. Esse trio conseguiu extrair o melhor da cantora, equilibrando a nostalgia do pop punk do início dos anos 2000 com uma dose de inovação. Edit this setlist | More Avril Lavigne setlists Abertura de Avril Lavigne Antes de Avril Lavigne subir ao palco, a cantora Day Limns se mostrou a escolha mais acertada possível para abrir a noite. Fã de carteirinha da canadense, ela não escondeu em momento algum a satisfação de estar ali. “Isso é um sonho sendo realizado. Eu esperei por isso desde os meus sete anos”, disse durante a apresentação. Foram 30 minutos de show e uma oportunidade única de apresentar o álbum de estreia, Bem-vindo ao Clube, que conversa perfeitamente com o público de Avril. Day, aliás, teve um grande feedback da plateia. Foi acompanhada em coro em sua versão para Na Estante, de Pitty, além de ter seu pedido atendido por lanternas de smartphones em Dilúvio, que veio logo na sequência. Suas principais canções foram deixadas para o fim, com Clube dos Sonhos Frustrados e Finais Mentem. Na primeira, Day mostrou sua camiseta personalizada para o show, com a frase “Clube dos Sonhos Realizados”. “Acreditem no sonho de vocês. Eu não fui nas quatro primeiras vezes que a Avril veio ao Brasil, mas eu disse que a quinta seria especial. E hoje estou aqui. Tuitei isso na última vez que ela veio. Eu juro”.