Novo álbum do Foo Fighters está pronto, confirma Dave Grohl

Creed

Se o fim de semana já estava agitado para a família Grohl com a estreia da carreira solo de Violet (leia aqui), o patriarca decidiu não ficar para trás. Durante um show em Launceston, na Austrália, neste fim de semana, Dave Grohl soltou uma bomba para os fãs, o novo álbum do Foo Fighters está finalizado. Entre uma música e outra, o vocalista revelou que a banda tem um “álbum completamente novo com músicas que acabamos de finalizar outro dia”. Previsão de lançamento do novo álbum do Foo Fighters Embora não tenha cravado uma data exata, Grohl deu uma pista importante sobre o cronograma. Ele afirmou que o disco chegará antes dos próximos shows da banda na Austrália, que, segundo ele, devem acontecer antes de seu próximo aniversário, em 14 de janeiro de 2027. Ou seja, podemos esperar material inédito muito em breve. Este será o sucessor do emotivo But Here We Are (2023), disco marcado pelo luto e pela superação após a perda de Taylor Hawkins. No ano passado, a banda já havia dado sinais de atividade com as faixas Today’s Song e Asking for a Friend. Turnê de verão com QOTSA Além do disco novo, o verão do hemisfério norte promete ser histórico. O Foo Fighters embarcará em uma turnê por estádios da América do Norte ao lado do Queens of the Stone Age.

Matt Sorum reflete sobre glória e caos do Velvet Revolver: “Poderia ter sido maior”

O baterista Matt Sorum, peça-chave na história do hard rock, abriu o jogo em uma nova entrevista para o podcast Get On The Bus sobre a montanha-russa que foi o Velvet Revolver. Formada em 2002 ao lado dos ex-companheiros de Guns N’ Roses (Slash e Duff McKagan) e do guitarrista Dave Kushner, a banda foi o último grande suspiro do rock de arena nos anos 2000. Mas, segundo Sorum, a jornada até o topo, e a subsequente queda, foi intensa. A busca por uma voz e o fator Weiland Sorum relembrou que a banda passou quase dois anos procurando um vocalista, até que Scott Weiland (Stone Temple Pilots) entrou em cena. “Scott era simplesmente um dos melhores… Naquele momento, nos tornamos VELVET REVOLVER, e foi só alegria. Foi muito emocionante”, disse o baterista. Ele destaca que, na época, eles estavam na casa dos 40 anos e precisavam se reinventar para competir com bandas que dominavam as paradas, como Linkin Park, Queens of the Stone Age e Foo Fighters. “Não podíamos simplesmente nos acomodar… Tínhamos que ser os melhores que pudermos ser. A fome de vitória naquela época era exatamente a mesma de quando eu era criança.” O sucesso de “Contraband” e o Grammy do Velvet Revolver O esforço valeu a pena. O álbum de estreia, Contraband (2004), vendeu 3 milhões de cópias e trouxe algo que o Guns N’ Roses nunca conseguiu: um Grammy. Sorum relembra com carinho de um momento específico em Nova York, quando um fã o abordou na rua. O fim prematuro do Velvet Revolver e os velhos hábitos Apesar do sucesso, a banda durou pouco, encerrando as atividades com Weiland em 2008 após o álbum Libertad. Sorum admite que os “velhos hábitos” cobraram o preço. “Infelizmente, acabamos caindo nos maus hábitos novamente, na mesma merda de sempre, e tudo desmoronou… [A banda] não era tão grande quanto o GN’R, mas poderia ter sido. Simplesmente não durou o suficiente.” Scott Weiland faleceu tragicamente em 2015, mas Sorum guarda a imagem do colega como um dos maiores: “Na minha opinião, ele foi um dos maiores vocalistas de rock and roll com quem tive a honra de trabalhar, junto com Axl e Ian Astbury.” A mágoa com a reunião do Guns O baterista também tocou em um ponto sensível: sua ausência na reunião do Guns N’ Roses em 2016. Sorum revelou que, na época, Duff McKagan já havia assinado contrato aceitando Frank Ferrer na bateria antes mesmo de discutir a inclusão de Matt. Apesar disso, em 2026, o músico parece ter feito as pazes com o passado: “Aceitei que eles estão seguindo seus próprios caminhos e eu estou seguindo os meus. Ao mesmo tempo, me sinto muito bem com o tempo que passei na banda.”

Geese estreia no SNL com performances intensas de “Au Pays du Cocaine” e “Trinidad”

A noite de sábado (24) marcou um passo gigante na carreira da banda nova-iorquina Geese. O grupo do Brooklyn tomou conta do lendário Studio 8H para sua estreia musical no Saturday Night Live (SNL). O episódio foi apresentado por Teyana Taylor (atriz do filme Uma Batalha Após a Outra), mas musicalmente, a noite foi do indie rock caótico e teatral do Geese. As performances do Geese Acompanhados pelo tecladista de turnê Sam Revaz, o grupo focou na divulgação de seu terceiro e aclamado álbum, Getting Killed (lançado em setembro de 2025). A primeira entrada foi com Au Pays du Cocaine, a oitava faixa do disco, entregando a energia frenética que se tornou assinatura da banda. Mais tarde, eles retornaram para uma interpretação melancólica e atmosférica de Trinidad, mostrando a versatilidade do vocalista Cameron Winter, que será atração do C6 Fest, em São Paulo. Turnê e próximos episódios Atualmente em turnê mundial, o Geese tem agenda cheia. Eles tocam em Honolulu no dia 31 de janeiro e já estão confirmados nos maiores festivais da temporada, incluindo Coachella, Governors Ball e Bonnaroo. O SNL segue na próxima semana (31) com o ator Alexander Skarsgård como apresentador e Cardi B como atração musical. Assista às apresentações do Geese abaixo.

My Chemical Romance posta teaser enigmático “PHANTOM” e agita fãs

O domingo (25) dos fãs de My Chemical Romance acaba de se tornar uma sessão de investigação coletiva. Sem qualquer aviso prévio, a banda publicou hoje cedo um vídeo enigmático em suas redes sociais, quebrando a calmaria do fim de semana. A postagem no Instagram traz a legenda em caixa alta: “A GAME YOU’LL PLAY” (“Um jogo que você vai jogar”). No vídeo, sem música ou som, a palavra “PHANTOM” pisca intermitentemente em um verde neon agressivo. O guitarrista Frank Iero também compartilhou a publicação, endossando o mistério. Ver essa foto no Instagram Um post compartilhado por My Chemical Romance (@mychemicalromance) Nova era ou pista para a turnê do My Chemical Romance? O timing da publicação é curioso. O MCR faz seu primeiro show de 2026 hoje à noite, em Lima, no Peru. A apresentação marca o início real da perna sul-americana da turnê, já que o show de abertura em Bogotá, na semana passada, precisou ser cancelado por motivos de força maior. A mesma turnê chega ao Brasil para dois shows no Allianz Parque, em São Paulo, no início de fevereiro. O que intriga os fãs é a estética. A atual turnê celebra o álbum The Black Parade, com visuais monocromáticos e teatrais. O verde neon de “PHANTOM” foge completamente desse padrão, sugerindo que algo novo, e desconectado da nostalgia, pode estar a caminho. A eterna espera pelo 5º álbum A base de fãs do MCR é calejada quando o assunto é expectativa. O último álbum de estúdio, Danger Days, saiu em 2010. Desde o retorno triunfal em 2019, a única música inédita foi o single The Foundations Of Decay (2022). Houve pistas falsas no caminho. Em setembro passado, um relógio cenográfico em contagem regressiva para 12 de dezembro fez a internet parar, mas a data passou em branco. Em 2025, Frank Iero chegou a dizer à NME sobre novas músicas: “Não, desculpe… Quando isso acontecer, nós avisaremos. Avisaremos da maneira que acharmos melhor.” Seria este teaser em neon a “maneira que eles acharam melhor”? Ou apenas mais um jogo mental de Gerard Way?

Entrevista | Banda 365 – “A música São Paulo virou um hino porque fala da vida real de quem mora na cidade”

A banda 365 construiu uma trajetória sólida dentro do punk e rock nacional desde sua formação nos anos 80, marcada por uma relação direta com a cidade de São Paulo. Lançada originalmente em 1987, no álbum de estreia do grupo, a música São Paulo atravessou décadas e foi eleita como a canção que melhor representa a capital paulista, tornando-se um hino informal da cidade. A faixa sintetiza o cotidiano, as contradições e o afeto de quem cresceu e vive na metrópole, ajudando a consolidar o 365 como uma banda de estrada, ativa e em constante diálogo com seu público ao longo de mais de 40 anos de carreira. Hoje, a canção ganhou uma nova roupagem em um relançamento especial com a participação de Dinho Ouro Preto, celebrando os 472 anos da cidade. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Miro de Melo, fundador da banda, fala sobre o relançamento de São Paulo como homenagem à capital, a longevidade do 365 no cenário do rock brasileiro e a forte ligação da banda com Santos e a efervescência cultural dos anos 80, período que marcou a consolidação do grupo e de toda uma geração do rock nacional. A música São Paulo foi eleita o hino informal da cidade e agora está sendo relançada com uma nova versão com outra lenda do rock. Fale um pouco sobre esse lançamento. Ela foi lançada em 87, no primeiro disco do 365, e se tornou um clássico. É uma das três maiores músicas em homenagem a São Paulo. Uma vez a gente ganhou na Kiss FM em primeiro lugar com essa música e, recentemente, mais ou menos em julho, a gente começou a gravar com a participação do Dinho Ouro Preto. É uma homenagem à cidade de São Paulo, aos 472 anos, uma homenagem do 365 para a cidade onde a gente cresceu, vive, ri, chora, mas ama. Muitas bandas dos anos 80 acabaram ficando alheias ao tempo. Como você vê a nova geração em relação à história do rock nacional dessa época? O 365 está fazendo quatro décadas e mais dois anos, 42 anos. A gente sempre foi uma banda de estrada e continua sendo. Viemos de bairros distantes e, naquele boom do rock dos anos 80, a gente tinha uma música boa e um repertório legal. A gente nunca parou, porque ama fazer isso, ama fazer rock and roll. Muitas bandas regravaram nossas músicas, como os Inocentes. A gente continuou na estrada e, a cada dia, se reinventa com a própria música e com a própria história. Você tem uma relação forte com Santos. Como foi essa fase da banda por aqui? Foi um auge da carreira. Antes do disco, tocamos no Heavy Metal e depois conhecemos o empresário do Legião, o Rafael Borges, que fazia shows no Caiçara. Ele é um grande manager do rock and roll. A gente veio para Santos, lotou o Caiçara, estava em turnê do primeiro disco. Foi muito bacana. Cada vez que a gente vem para cá é maravilhoso. Como você descreve a Santos nos anos 80? Fervia rock and roll. Estava tudo novo, bandas novas, surgimento de muitas bandas do Sul, de Brasília, nós em São Paulo, Ira, 365, Inocentes. Acho que tudo isso está sendo resgatado. Claro que o novo tem que vir, a gente precisa reciclar, mas estamos de passagem fazendo música e amando fazer rock and roll. Para encerrar, alguma história de bastidores marcante aqui em Santos? Com o primeiro disco, tinha o disco single, com duas faixas, uma de cada lado, a gente chegou no Caiçara e lotou. A gente pensou: “é isso mesmo?” Tinha lambe-lambe na cidade inteira, era isso que estava acontecendo com a gente. A gente tinha uma banda para tocar, qualquer palco era palco. De repente, estava estourado, com toda a receptividade da época, e de lá para cá estamos aí, há 42 anos.

Holly Humberstone anuncia álbum “Cruel World” e mergulha em conto de fadas sombrio em single

Uma das compositoras mais honestas e viscerais da geração atual está de volta. Na última sexta-feira (23), a britânica Holly Humberstone anunciou oficialmente o lançamento de seu aguardado segundo álbum de estúdio, intitulado Cruel World. O disco tem data marcada para chegar aos ouvidos do mundo em 10 de abril de 2026. Para selar o anúncio, Holly liberou o single To Love Somebody, acompanhado de um videoclipe dirigido por Silken Weinberg (conhecida por trabalhar com Ethel Cain). A estética visual e sonora propõe um mergulho em um “conto de fadas sombrio”, onde relíquias da infância colidem com monstros e memórias. A tensão entre dor e prazer Se o álbum de estreia, Paint My Bedroom Black (2023), foi marcado pela ansiedade e turbulência de uma ascensão meteórica, Cruel World parece buscar estabilidade no caos. Aos 26 anos, a vencedora do Brit Rising Star explora a dualidade dos sentimentos. “Em To Love Somebody, eu quis captar essa contradição: amar alguém é machucar alguém e perder alguém — mas, pelo menos, você amou alguém. Para sentir uma felicidade extrema, é preciso conhecer uma tristeza extrema. Essa é a tensão do disco”, explica Holly. Estética gótica e nostalgia O conceito visual do novo trabalho foi construído ao lado de sua irmã Eleri e da diretora Silken Weinberg. A inspiração veio de objetos encontrados na casa da família (que Holly descreve como “mal-assombrada”): sapatilhas de balé, livros de Alice no País das Maravilhas e referências a filmes como Edward Mãos de Tesoura. O resultado é uma atmosfera que bebe do teatro vitoriano, dos contos dos Irmãos Grimm e até de Nosferatu. É o pop alternativo flertando com o gótico de forma lúdica e mágica. Tracklist e turnê de Holly Humberstone O álbum também incluirá a faixa “Die Happy”, lançada em novembro e eleita “Hottest Record” pela BBC Radio 1. Escrito em sessões diárias com o colaborador Rob Milton, o disco promete explorar o amor em todas as suas formas, romântico, platônico e feminino. Com shows marcados para arenas na Europa e no Reino Unido neste início de ano, Holly Humberstone se consolida não apenas como uma promessa, mas como uma realidade global da música alternativa.

Synx, destaque do shoegaze goiano, lança o denso e etéreo EP “Desaguar”

A cena alternativa de Goiânia continua provando que é um dos celeiros mais criativos do rock nacional. Na última sexta-feira (23), a banda Synx deu o pontapé inicial em 2026 com o lançamento de seu novo EP, intitulado Desaguar. O trabalho, que já está disponível nas plataformas de streaming via Monstro Discos, marca um claro amadurecimento artístico do quarteto. Se no álbum de estreia (Inventário das Palavras Ausentes, 2023) eles já flertavam com o shoegaze e o dream pop, agora o mergulho nessas águas é ainda mais profundo. Atmosfera onírica e novas dinâmicas na Synx Gravado no Fusion Studio, em Goiânia, o EP reúne quatro faixas: Desaguar, Janeiro, Tédio e Calmaria. A sonoridade mantém a identidade da banda, guitarras ruidosas contrastando com vocais reverberados, mas traz novidades na formação. Renata Servato, além dos vocais e sintetizadores, agora assume também a guitarra, encorpando a parede sonora. Além disso, há um maior protagonismo vocal de Pedro Mendes e Matheus Campos, ampliando as texturas do grupo. Luto, afetos e existencialismo Liricamente, Desaguar aborda as inquietações típicas do início da vida adulta. As canções funcionam como um espaço de fuga e reencontro, tratando de temas como luto, afetos e existencialismo. Formada em 2020, a Synx (composta por Renata, Pedro, Matheus e o baterista Lucas Radí) já circulou por festivais importantes como Goiânia Noise e Vaca Amarela, além de dividir palco com nomes como Terraplana e a banda argentina Fin Del Mundo. Com este novo EP, eles reafirmam seu lugar entre os nomes mais expressivos do rock triste e barulhento do Brasil. Ouça o EP completo no link abaixo.

Eric Bê estreia com álbum “Sigo andando em frente”, unindo MPB e vivência periférica

A renovação da Música Popular Brasileira ganhou um novo capítulo nesta sexta-feira (23) com o lançamento de Sigo andando em frente, álbum de estreia de Eric Bê. Com 14 faixas, o trabalho chega às plataformas digitais via selo ST Music, apresentando uma fusão madura de MPB com elementos de rock, reggae e jazz. Natural da capital paulista e criado na Cohab II de Itaquera, Eric transforma suas vivências e memórias afetivas em crônicas musicais. Sua formação sonora, que começou no rock clássico (Beatles e Stones) e desaguou nos gigantes da MPB (Caetano, Gil, Djavan), reflete-se na diversidade dos arranjos. Histórias reais e imaginadas por Eric Bê O álbum se destaca pelo storytelling. Um exemplo é a faixa Parabelo, gravada com um quarteto de cordas. A música narra a história da primeira arma de um sujeito envolvido em uma briga de bar. “Não é uma história real, mas trata de um tema que já foi recorrente na minha vida, quando morei por 18 anos na Cohab II de Itaquera”, revela o artista. Para apresentar o disco, Eric escolheu a faixa Teus Sonhos de Carnavais, que conta com a participação da cantora Bia Faina e do violinista Gabriel Eleutério. Segundo o compositor, é uma música sobre “alegrias simples, que nos fazem esquecer do dia a dia”. Produção de peso e homenagem ao pai A qualidade técnica do disco é garantida pela engenharia de som de Rodrigo de Castro Lopes, vencedor do Grammy, e pelos arranjos de Rodrigo Morte. O repertório autoral abre espaço para uma única releitura: uma versão intimista do clássico Você Não Me Ensinou a Te Esquecer (de Fernando Mendes, eternizada por Caetano Veloso). A gravação foi um pedido especial do pai de Eric. “Sou entusiasta da arte feita por gente, misturando sentimentos com estética, letras com significados, sons com imagens”, define Eric sobre sua obra.

Entrevista | Ye Vagabonds – “Da coxinha ao café, aqui em Dublin somos muito conectados com o Brasil”

O Ye Vagabonds se prepara para lançar All Tied Together no próximo dia 30. O álbum aprofunda a relação da dupla irlandesa com o folk contemporâneo e aposta em gravações ao vivo, arranjos mais encorpados e uma abordagem direta tanto no som quanto nas narrativas. O disco do Ye Vagabonds amplia o alcance artístico dos irmãos Brían e Diarmuid Mac Gloinn, equilibrando intimismo, força coletiva e temas sociais que dialogam com o presente, como a crise habitacional e o sentido de comunidade em tempos instáveis. Em entrevista ao Blog N’ Roll, a dupla Ye Vagabonds falou sobre o processo de gravação ao vivo do novo álbum, as experiências ao dividir a estrada com artistas como Boygenius e I’m With Her, além da relação entre folk, comunidade e a forte conexão que sentem com o Brasil. Como foi a decisão de gravar ao vivo e evitar overdubs, moldando o som final do álbum em comparação com os trabalhos anteriores do Ye Vagabonds? Foi definitivamente uma decisão importante no processo de fazer o álbum. Quando estávamos escrevendo as músicas, queríamos que elas fossem o mais diretas possível e que o disco fosse muito claro na forma como as histórias são apresentadas. A ideia era que fossem íntimas e imediatas ao mesmo tempo. Quanto menos coisas colocássemos no caminho entre nós, a história e o público, melhor. Para nós, o lugar onde isso sempre funcionou melhor foi no ambiente ao vivo. Então, se pudéssemos recriar o melhor dessa experiência ao vivo, mas com a energia e a atmosfera colaborativa de um estúdio, era exatamente isso que queríamos tentar. E acho que funcionou. Foi muito divertido. A abordagem mais sólida deste disco foi uma escolha consciente ou uma evolução natural depois de excursionar com o I’m With Her? Na verdade, o disco já estava pronto antes da turnê com o I’m With Her. Mas todas as experiências de estrada acabam influenciando. Já tínhamos excursionado com Hozier, Phoebe Bridgers e feito alguns shows com a Boygenius. Fazer shows de abertura é uma experiência muito valiosa, porque você toca para um público diferente e passa a ouvir suas próprias músicas de outra forma. Quando você toca para pessoas que talvez estejam mais acostumadas com um certo tipo de composição, elas respondem de maneira diferente, e você sente isso. Esse retorno ensina coisas novas sobre suas próprias músicas. Sempre que tocamos para públicos diferentes, isso influencia o que fazemos a partir dali. A turnê com o I’m With Her foi incrível nesse sentido, porque o público escutava com muita atenção, reagia às letras em tempo real. Isso te deixa mais presente no momento. Além disso, elas são artistas incríveis, extremamente profissionais, grandes compositoras e musicistas. Foi uma experiência muito bonita. A colaboração com a Boygenius ajudou a expandir ainda mais o alcance de vocês. Como foram os bastidores desse encontro? No começo, quando tocamos com a Phoebe Bridgers, ainda era período de Covid, então foi tudo meio estranho. Não havia muita interação nos bastidores, exceto conversas rápidas, mantendo distância. Já na época da Boygenius, conseguimos nos aproximar mais. A Phoebe é extremamente generosa, focada, inteligente e muito clara nas ideias que tem sobre música. Foi ótimo poder interagir mais e entender um pouco do processo dela. Algo muito especial nessa colaboração foi que, normalmente, quando somos convidados para colaborar, querem nossas vozes. Mas a Boygenius queria o som da nossa banda, a atmosfera que criamos, com cello, contrabaixo e todos os arranjos. Foi a primeira vez que alguém reconheceu isso de forma tão direta, e foi muito especial. E com quem vocês gostariam de colaborar no futuro? Temos muitos amigos incríveis. Na Irlanda, gostaríamos muito de trabalhar com Joshua Burnside e Laura Quirke, da banda Lemoncello. Também começamos colaborações em um festival em Cork focado justamente nisso, e dali surgiram trabalhos com artistas como Memorial e Neve Reid. Gostaríamos muito de fazer mais coisas com Sam Amidon, somos grandes fãs de Big Thief, Adrianne Lenker e Buck Meek. E, honestamente, adoraríamos trabalhar de novo com a Phoebe em algum momento. A música The Flood aborda a crise habitacional. Você acredita que o folk tem o papel de documentar esses problemas sociais? Eu não diria que a música folk tem um dever de documentar questões sociais, mas acho que isso acaba sendo uma consequência natural de escrever sobre a vida real. Muitas experiências humanas intensas são negativas e estão ligadas a estruturas sociais. Então é natural que essas músicas tenham um elemento político. A política não vem primeiro, vem a experiência emocional e humana. Ser completamente apolítico é, muitas vezes, uma posição de privilégio. Para nós, a música folk está muito ligada à ideia de comunidade. Em irlandês, a palavra para música folk significa literalmente música comunitária. E se você está falando sobre comunidade, inevitavelmente está falando de política, porque tudo o que afeta uma comunidade é político. O título All Tied Together sugere união, mas também pode indicar aprisionamento. Que sentimento o Ye Vagabonds quer que prevaleça para o ouvinte? Existe sempre uma tensão entre comunidade e liberdade pessoal. Não acho que seja papel da arte responder isso de forma definitiva, mas sim oferecer espaço para reflexão. Queríamos chamar atenção para a ideia de que tudo está conectado e que a comunidade está no centro de tudo. É algo muito poderoso. Ao mesmo tempo, comunidade pode significar muitas coisas diferentes. Para quem vive viajando, como nós, o conceito muda. Pode ser uma rede mais espalhada, menos fixa. Parte do mais empolgante de lançar um álbum é justamente ver como as pessoas interpretam isso e o que o disco se torna para elas. Há planos de shows no Brasil? O nosso país tem uma conexão forte com o mar e com a natureza. Eu, por exemplo, pratico canoagem havaiana e sinto que a música de vocês combina muito com o oceano e também com a comunidade do surf. Vocês já tiveram contato com a música brasileira? Nós adoraríamos fazer uma turnê pela América do Sul. Nossa relação