Entrevista | Usted Señalemelo – “Sempre tentamos buscar coisas novas”

Um dos maiores nomes do indie rock e da música alternativa sul-americana contemporânea, o trio argentino Usted Señalemelo aterrissa em São Paulo na noite deste sábado (27) para uma apresentação que promete ser histórica no Bar Alto. Acostumados a lotar arenas na Argentina e a rodar grandes festivais pelo mundo, incluindo uma passagem recente pelo Lollapalooza Chicago, os músicos trazem à capital paulista um formato intimista. O grande combustível da noite é o quarto álbum de estúdio do grupo, Términos & Condiciones, lançado no início de 2026. Sucessor do aclamado TRIPOLAR (indicado ao Latin Grammy), o novo trabalho marca uma virada corajosa do trio em direção às pistas de dança. Com uma sonoridade retrofuturista rica em synth-pop, texturas sombrias de eletrônica e batidas de drum and bass, o álbum quebra as fórmulas do rock tradicional e convida o público a habitar o movimento e a experimentação digital. Para esquentar os motores antes de subirem ao palco, o baterista, Lucca Beguerie Petrich, conversou com o Blog n’ Roll. Em um papo franco e descontraído, Lucca revelou os bastidores do processo de composição feito inteiramente em computadores, detalhou as inéditas parcerias de estúdio com o mexicano Jay de la Cueva e com os norte-americanos do Portugal. The Man, e analisou como o minimalismo estético do novo trabalho serve de manifesto contra o excesso de telas na sociedade moderna. A conexão do Usted Señalemelo com o Brasil não é de hoje, e Lucca fez questão de reforçar o carinho pelo público local. Relembrando o início da carreira, quando tocaram em São Paulo para apenas duas pessoas que já conheciam suas letras, o baterista celebrou o retorno à cidade ao lado de bandas parceiras da cena brasileira, como Boogarins e Terno Rei, e destacou o quanto o público do país é caloroso e aberto a novas e ousadas experiências sonoras. A apresentação de hoje no Bar Alto é uma oportunidade única de testemunhar a evolução de uma banda que se recusa a estagnar. Os ingressos para o evento estão disponíveis na Ingresse. Confira a seguir a íntegra da entrevista! Términos y Condiciones traz uma virada clara para as pistas de baile, mesclando synth-pop, drum’n’bass e disco. O que motivou o Usted Señalemelo a buscar essa sonoridade mais eletrônica e retrofuturista logo após o sucesso de TRIPOLAR? É um disco que, na hora de compor e começar a fazer as canções, nós o fizemos com muita gente. Foi a primeira vez que, na etapa de composição, incorporamos outros compositores ou produtores. Então isso nos deu um leque, uma quantidade de possibilidades de músicas que, quando começamos a pensar no álbum já como um corpo de trabalho e não como faixas isoladas, o eletrônico unia muito bem tudo o que tinha acontecido na composição. Além disso, nós sempre tivemos elementos eletrônicos nos nossos discos, sempre usamos sintetizadores, baterias eletrônicas, samplers, um pouco de tudo. Então, este disco foi uma aposta: vamos fazer com que o eletrônico seja um pouco o eixo do que está acontecendo a nível estético, algo que nunca tínhamos feito de forma tão explícita quanto agora. Foi um processo longo, muito digital. É um disco muito digital, feito inteiramente no computador e não em grandes estúdios, um processo bem diferente daqueles a que estávamos acostumados, que no geral eram mais orgânicos e de gravações clássicas de um disco de rock. Neste álbum foi como: vamos tentar fazer algo mais atual, com a forma como estamos trabalhando e as ferramentas que temos hoje, e ver o que acontece. O disco tem estruturas ousadas e mudanças inesperadas, como em Eso que llaman luz. Como foi o processo de composição e produção junto aos produtores para alcançar texturas complexas e imprevisíveis? Nós sempre nos caracterizamos por buscar dinâmicas nas músicas ou nos discos que talvez fujam do que estamos acostumados em termos de estruturas, melodias ou formas de compor. Sempre tentamos buscar coisas novas na hora de compor e gravar, caminhos que ainda não tínhamos trilhado para que nos levem a novos resultados. Sempre estivemos experimentando; há muitas músicas deste disco que tiveram várias versões, tanto em estrutura quanto em arranjos. Por isso, foi um trabalho que envolveu muito mais produção do que pré-produção. Foi muito mais sobre começar a gravar e começar a mudar tudo uma vez que já estava gravado, testando coisas novas. Há músicas que gravamos e terminaram completamente diferentes no disco, da primeira versão até a última. Nós nos damos essa liberdade de poder experimentar porque acreditamos que faz parte da nossa identidade e da nossa busca. Então não importa se é mais eletrônico, se é mais rock ou mais pop, sinto que sempre haverá esse selo nosso de buscar algo diferente, mesmo que esteja ligado a um gênero, entende? E, pela primeira vez na história do Usted Señalemelo, vocês tiveram colaborações de estúdio, com o mexicano Jay de la Cueva e com o Portugal. The Man. Como surgiram esses convites e como foi equilibrar a identidade de vocês com a deles? Nós assistimos ao show deles (Portugal. The Man) e tivemos uma conexão muito bonita. Eles são do Alasca, que fica bem ao norte dos Estados Unidos, nas montanhas, na neve, e nós somos de Mendoza, que é um pouco semelhante sob certo aspecto: somos da montanha, estamos longe das grandes cidades. Então já existia algo ali que nos conectava por si só, o fato de sermos bandas de rock de lugares fora do eixo onde as coisas costumam acontecer, com tudo o que isso custa para uma banda. Naquela noite, ficamos conversando um tempão sobre a vida, ficamos muito amigos, e eles estavam muito interessados em tudo o que estava acontecendo na cena alternativa em espanhol. Eles já tinham escutado bandas e artistas do México, da Argentina, então já estavam conectados com isso. Conversando, dissemos que um dia deveríamos fazer música juntos, como algo bem descompromissado, tranquilo, e eles toparam de primeira. Quando começamos a fazer essa faixa, que se chama Dando Vueltas, era uma música que imaginávamos com
Melton Sello lança É Mole? e prepara estreia do álbum OPA!

A banda carioca Melton Sello apresentou nesta semana o single É Mole?, última prévia antes do lançamento de OPA!, primeiro álbum de estúdio do quarteto, previsto para chegar às plataformas digitais em 10 de julho. Conhecido por transformar situações do cotidiano em músicas leves e bem-humoradas, o grupo mantém essa proposta na nova faixa, que nasceu de um bordão ouvido com frequência pelos integrantes em um dos bares que costumam frequentar. O lançamento marca mais um passo da banda em sua consolidação dentro da cena independente do pop punk nacional. A inspiração para É Mole? veio de Teixeira, garçom de um bar frequentado pelos músicos, que costuma repetir a frase “Você é tão demais pra mim”. A expressão acabou sendo incorporada pela banda como uma maneira divertida de representar situações em que alguém ou alguma coisa parece estar além do alcance. Segundo o vocalista Caio Paranaguá, essa ideia serviu de ponto de partida para a composição da música, que combina uma letra descontraída com uma sonoridade que aproxima o pop punk clássico de elementos mais modernos, apostando em um beat marcante e refrões de fácil assimilação. Formada no Rio de Janeiro, a Melton Sello vem construindo sua identidade a partir de referências da cultura brasileira e do humor popular. O próprio nome da banda faz homenagem ao ator que interpretou Chicó em O Auto da Compadecida, enquanto o EP de estreia, Só Sei Que Foi Assim, lançado em 2023, também faz referência a uma das frases mais conhecidas do personagem. Desde então, o grupo passou a chamar atenção por unir melodias acessíveis, letras irreverentes e uma abordagem que conversa diretamente com o cotidiano de seu público. Os singles Dei Bobeira e Para com Essa Parada ajudaram a ampliar a visibilidade da banda e abriram caminho para OPA!, primeiro álbum da carreira. A expectativa é que o disco reúna as principais características que marcaram os primeiros lançamentos da Melton Sello, mas também apresente uma evolução na produção e nos arranjos. Com É Mole?, o quarteto entrega a última peça desse quebra-cabeça antes da chegada do álbum, reforçando sua aposta em um pop punk descontraído, bem-humorado e conectado à nova geração da música independente brasileira.
Placebo relança álbum de estreia em versão remasterizada após 30 anos

Trinta anos depois de apresentar um dos discos mais influentes do rock alternativo dos anos 1990, o Placebo revisita suas origens com Placebo RE, nova versão de seu álbum de estreia. Produzido a partir das fitas master originais, o projeto atualiza a sonoridade do clássico lançado em 1996, preservando sua identidade, mas incorporando a evolução que as canções ganharam ao longo de décadas de apresentações ao vivo. O lançamento celebra a trajetória da banda britânica e convida uma nova geração de ouvintes a redescobrir um trabalho que marcou época. Quando chegou às lojas em 1996, Placebo chamou atenção por romper padrões dentro do rock britânico. Liderado por Brian Molko e Stefan Olsdal, o grupo se destacou em meio ao auge do britpop ao apostar em uma sonoridade mais sombria, influenciada pelo rock alternativo, pós-punk e glam rock. Ao mesmo tempo, as letras abordavam temas como sexualidade, identidade de gênero, isolamento e dependência química de maneira aberta e provocativa, algo pouco comum no cenário musical da época. Faixas como Nancy Boy, 36 Degrees e Bruise Pristine ajudaram a transformar o disco em um marco da década e consolidaram o Placebo como uma das bandas mais importantes do rock europeu. Segundo a banda, Placebo RE não busca reinventar o álbum original, mas refletir a forma como essas músicas amadureceram após milhares de apresentações ao redor do mundo. O novo tratamento sonoro foi desenvolvido diretamente a partir das gravações originais, permitindo destacar detalhes antes menos perceptíveis e aproximando o resultado da intensidade que o trio costuma entregar nos palcos. A proposta é oferecer uma experiência renovada sem descaracterizar o espírito do disco que apresentou o Placebo ao mundo. Ao longo de três décadas, o Placebo construiu uma carreira marcada pela constante reinvenção. Álbuns como Without You I’m Nothing, Black Market Music, Sleeping with Ghosts e Meds ampliaram a influência da banda sobre diferentes gerações de artistas e fãs do rock alternativo. Mesmo acompanhando as transformações da indústria musical, Brian Molko e seus parceiros mantiveram uma identidade própria, tornando o grupo uma referência para quem busca músicas que combinam intensidade emocional, experimentação e questionamentos sociais. Com Placebo RE, a banda reafirma a importância de um álbum que continua atual e relevante mesmo 30 anos após seu lançamento.
Riviera Gaz lança Monomania e reúne integrantes de Sonic Youth, Pitty e Forgotten Boys

O Riviera Gaz apresentou nesta semana o single Monomania, faixa que antecipa o álbum Catacroma e marca uma nova etapa na trajetória do trio. Com atmosfera cinematográfica, elementos psicodélicos e uma proposta sonora mais expansiva, a música explora a ideia da obsessão e aponta para um trabalho que promete ampliar os horizontes criativos da banda. O lançamento reforça a identidade autoral do grupo, que reúne músicos com passagens por alguns dos nomes mais importantes do rock brasileiro e internacional. O trio é formado por Gustavo Riviera, guitarrista, cantor e fundador da banda Forgotten Boys, um dos principais nomes do garage rock brasileiro; Paulo Kishimoto, baixista conhecido pelo trabalho com a banda Pitty e também por sua atuação como jornalista e produtor ligado ao mercado da música; e Steve Shelley, baterista do Sonic Youth, banda fundamental para a consolidação do rock alternativo e experimental nas décadas de 1980 e 1990. A união dos três músicos faz do Riviera Gaz uma espécie de superbanda, combinando diferentes influências que vão do punk e garage rock ao indie e à psicodelia. Segundo o grupo, Monomania representa uma evolução natural da sonoridade desenvolvida desde a formação da banda. A faixa aposta em texturas mais densas, arranjos contemplativos e uma construção que remete ao universo do cinema e da ficção, criando uma experiência imersiva para o ouvinte. O single também funciona como uma prévia do que será apresentado em Catacroma, álbum que promete explorar novas possibilidades sonoras sem abandonar a essência rock que caracteriza os integrantes do projeto.
Phoebe Bridgers lança o single Lost Boys e anuncia novo álbum para agosto

Após um hiato de quase quatro anos sem lançar músicas inéditas em carreira solo, Phoebe Bridgers está de volta. A cantora e compositora apresentou nesta semana Lost Boys, primeiro single desde 2022 e faixa que abre os caminhos para Lost Weekend, seu próximo álbum de estúdio, previsto para chegar às plataformas digitais em agosto. O lançamento veio acompanhado de um videoclipe ambientado em uma feira renascentista com temática de RPG ao vivo, reforçando a estética criativa e cinematográfica que marca a trajetória da artista. Desde o lançamento de Punisher, em 2020, Bridgers consolidou seu nome como uma das principais vozes da nova geração do indie folk e do indie rock. O álbum recebeu ampla aclamação da crítica, foi indicado ao Grammy e impulsionou a carreira da cantora em escala global. Nos anos seguintes, ela manteve uma agenda intensa com projetos paralelos, incluindo o supergrupo boygenius, ao lado de Julien Baker e Lucy Dacus, além de colaborações com artistas de diferentes estilos. Mesmo assim, os fãs aguardavam por um novo trabalho solo, expectativa que agora começa a ser atendida com Lost Boys. A chegada do single aumenta a expectativa para Lost Weekend, que marcará o terceiro álbum de estúdio de Phoebe Bridgers. Conhecida por transformar temas como vulnerabilidade, relações pessoais e saúde mental em composições intimistas, a artista deve manter essa identidade no novo projeto, ao mesmo tempo em que explora novas sonoridades. Com uma base de fãs consolidada e grande prestígio entre a crítica especializada, Bridgers inicia uma nova fase de sua carreira cercada por expectativas de que o disco esteja entre os principais lançamentos do indie em 2026.
Madonna e Sabrina Carpenter impulsionam trend de Bring Your Love nas redes sociais

A parceria entre Madonna e Sabrina Carpenter segue ganhando força nas redes sociais. A faixa Bring Your Love virou trilha sonora de uma crescente onda de vídeos criados por fãs e influenciadores, especialmente no Brasil, onde a música passou a embalar uma nova trend em plataformas como TikTok e Instagram. O movimento ampliou o alcance da colaboração para além dos serviços de streaming e reforçou o apelo da canção entre o público. Um dos momentos que impulsionou a repercussão aconteceu após um vídeo da criadora de conteúdo e drag queen brasileira Any Mary B ser compartilhado pelo Team Sabrina, perfil oficial dedicado à cantora. A publicação também recebeu destaque nas redes sociais de Madonna, aumentando a exposição da trend e incentivando novos conteúdos inspirados na música. O fenômeno reforça o papel das redes sociais na popularização de lançamentos musicais. Faixas que estimulam coreografias, desafios e vídeos criativos costumam alcançar novos públicos de forma orgânica, muitas vezes refletindo diretamente no crescimento de reproduções nas plataformas digitais. No caso de Bring Your Love, o reconhecimento oficial por parte das equipes de Madonna e Sabrina Carpenter evidencia a relevância que a movimentação criada pelos fãs vem conquistando. A colaboração une duas artistas de gerações diferentes, mas com forte influência na cultura pop. Enquanto Madonna segue expandindo seu legado ao apostar em novas parcerias, Sabrina Carpenter vive um dos momentos mais bem-sucedidos de sua carreira, consolidando seu nome entre os principais fenômenos do pop atual. A repercussão de Bring Your Love nas redes sociais reforça a capacidade das duas artistas de mobilizar comunidades de fãs e transformar uma música em um fenômeno digital.
Entrevista | CJ Wildheart – “Se tocasse aí, sentiria como se parte do meu coração estivesse voltando para casa”

Membro fundador de uma das bandas mais viscerais e subestimadas do rock britânico dos anos 1990, o The Wildhearts, CJ Wildheart parece ter encontrado na carreira solo a sua verdadeira fonte de juventude. Em uma fase intensamente prolífica, o músico lançou seu mais novo álbum de estúdio, Devil, um trabalho que consolida de vez sua paixão pelo street punk clássico, repleto de refrões feitos para cantar junto, guitarras furiosas e a urgência que sempre ditou os seus melhores momentos nos palcos. Diferente do ecletismo por vezes caótico de sua antiga banda, a jornada solo de CJ Wildheart entrega exatamente o que o fã de punk rock procura: energia pura, riffs diretos e honestidade brutal. O novo disco reflete não apenas suas influências de longa data, que vão de The Clash a Cardiacs, mas também funciona como uma espécie de terapia pessoal para um artista que recusa veementemente o rótulo de preguiçoso, mantendo um ritmo de lançamentos impressionante nos últimos anos. Mas a vida de um músico independente em 2026 vai muito além dos palcos e estúdios. Na conversa com o Blog n’ Roll, CJ Wildheart abriu o jogo sobre as dificuldades de sobreviver na era dos algoritmos e do streaming, um cenário desafiador especialmente para artistas que ainda dependem do formato físico para colocar comida na mesa. Além da música, ele também canaliza sua criatividade em outra paixão intensa: a culinária, comandando sua própria marca de molhos de pimenta artesanais inspirados nas receitas de sua mãe. Para os fãs brasileiros, a entrevista traz um tom de respeito e uma ponta de melancolia. Filho de pai guianense, CJ revela sua forte conexão emocional com a América do Sul e o antigo sonho de excursionar por aqui, um desejo que, embora pareça distante aos 58 anos de idade, permanece vivo em seu imaginário como uma espécie de retorno para casa. Confira a entrevista na íntegra abaixo. Você esteve bastante ocupado nos últimos anos com muitos lançamentos. Agora, está prestes a lançar seu novo álbum. Como foi o processo de gravação? Bom, em todos os meus álbuns solo gravo todas as guitarras, baixo, teclados e vocais sozinho. Trabalho no meu home studio e preparo toda a música e os vocais com uma bateria programada. Assim que termino de gravar as minhas partes, vou para o estúdio do meu produtor, Dave Draper, e nós substituímos a bateria programada por uma bateria ao vivo. O Jason Bowld, do Bullet For My Valentine, tocou bateria nos meus últimos nove álbuns. Depois que a bateria é gravada, eu mixo o álbum com o Dave. Ao gravar a maior parte das coisas sozinho, consigo manter os custos baixos. Criar um álbum é um processo que envolve muita dedicação e inspiração. Durante grande parte da sua carreira, você fez parte de bandas. No entanto, esses últimos anos parecem ser o seu período mais prolífico. Como funciona o seu processo criativo para criar tantas composições? Realmente não sei, tenho tanta música dentro de mim e colocá-la para fora faz bem para a minha cabeça. Música é como uma terapia para mim e, nos últimos dez anos, ela simplesmente jorrou de dentro de mim, talvez precise de uma tonelada de terapia (risos). Alguém que conheci há muitos anos me chamou de preguiçoso, eu olhei para aquele tolo com pena nos olhos, porque uma coisa que não sou é preguiçoso. Tenho muita sede de vida e sou grato por ainda conseguir produzir música. Embora você tenha começado sua carreira no hard rock com o Tattooed Love Boys, formado o Honeycrack, o The Jellies e escrito uma história fantástica com os Wildhearts, o direcionamento do seu trabalho solo parece mais inclinado para o punk rock. Este álbum traz todos aqueles coros clássicos do street punk, guitarras furiosas e até um cover do Soul Asylum. Quais são as suas maiores influências e como você trabalha com todas essas referências? Bem, sempre tive um coração punk, e dá para ouvir isso. Quando tinha 12 anos, era fã do Kiss, mas aí ouvi o The Police e eles mudaram tudo para mim. A música deles não era rock, nem punk, tinha tantos sabores diferentes e o baterista Stewart Copeland era simplesmente incrível, até hoje é o meu baterista favorito, ele e o Bill Stevenson. Mais tarde, me tornei fã de muitos tipos diferentes de música, mas sempre voltei para o punk. Minhas duas bandas britânicas favoritas são The Clash e Cardiacs. Eu pego muita coisa emprestada do The Clash, e o Mick Jones é um dos meus guitarristas favoritos. Nos tempos atuais, em que a indústria musical foi muito impactada pelas redes sociais e plataformas de streaming, sobreviver da música se tornou um pouco mais difícil. Temos relatos de muitos artistas enfrentando crises de burnout devido à pressão de estar presente na internet e trabalhar com algoritmos. Como você lida com isso? Sim, tem sido um pouco difícil tentar acompanhar a velocidade com que o mundo moderno está mudando. Sempre tentei viver o momento, na verdade, nunca fui nostálgico até meus pais falecerem recentemente. Você precisa viver no presente e manter os olhos voltados para o futuro. Sim, faz bem ao coração olhar para trás e relembrar, mas estamos em uma jornada e ela não é em marcha ré. Está cada vez mais difícil sobreviver na indústria da música, especialmente para artistas menores que dependem da venda de produtos físicos para colocar comida na mesa. Vi que você é apaixonado por culinária. Você até tem uma marca de molho de pimenta (hot sauce). De onde veio essa paixão? De ambos os meus pais. Minha mãe era das ilhas Seychelles e meu pai era da Guiana, e a comida era uma parte enorme da cultura deles. Cresci com uma comida picante, ardente, linda e vibrante. Minha mãe sempre fazia seu próprio molho de pimenta porque o molho que vendiam no Reino Unido era uma porcaria, as coisas que você encontra nos supermercados por aqui ainda são. Meu molho de pimenta é baseado na receita da minha
High on Fire estreia no Brasil após quase 30 anos de carreira

Depois de quase três décadas de espera, o High on Fire finalmente fará sua estreia no Brasil. A banda norte-americana se apresenta no dia 4 de outubro, na Burning House, em São Paulo, em show único da turnê latino-americana promovida pela Solid Music Entertainment. Os ingressos já estão à venda. Liderado pelo guitarrista e vocalista Matt Pike, o High on Fire desembarca no país com a turnê do álbum Cometh the Storm (2024), trabalho que mantém a sonoridade pesada que transformou o grupo em uma das principais referências do stoner, sludge e heavy metal moderno. No repertório, o público também deve encontrar músicas que marcaram a trajetória da banda ao longo de nove discos de estúdio. Formado em Oakland, na Califórnia, em 1998, o High on Fire construiu uma identidade própria ao unir riffs densos do doom metal com a velocidade do thrash e a agressividade do Motörhead. A fórmula rendeu uma sequência de álbuns elogiados pela crítica, como Blessed Black Wings (2005), produzido por Steve Albini, Death Is This Communion (2007) e Snakes for the Divine (2010), que levou a banda a excursionar ao lado do Metallica. O reconhecimento alcançou outro patamar em 2019, quando o trio venceu o Grammy de Melhor Performance de Metal com a faixa Electric Messiah. O prêmio consolidou uma trajetória que já era considerada uma das mais importantes do metal pesado norte-americano e reforçou a influência do grupo sobre diferentes gerações de bandas. Grande parte desse legado passa por Matt Pike, considerado uma lenda do stoner metal. Antes de fundar o High on Fire, o músico ganhou notoriedade como guitarrista e vocalista do Sleep, banda responsável por clássicos como Holy Mountain (1992) e o cultuado Dopesmoker, álbum de faixa única com mais de 50 minutos que se tornou um dos registros mais emblemáticos da história do gênero. Enquanto o Sleep apostava em composições longas e atmosféricas, Pike criou o High on Fire para explorar uma abordagem mais veloz e agressiva, aproximando o peso do Black Sabbath da energia do thrash metal. O trabalho mais recente da banda, Cometh the Storm, foi lançado em 2024 com produção de Kurt Ballou, guitarrista do Converge. O álbum mantém a essência do High on Fire, mas também incorpora novas influências, incluindo elementos da música tradicional turca trazidos pelo baixista Jeff Matz, que estudou o instrumento bağlama durante o período de hiato do grupo. Na atual turnê, o posto de baterista é ocupado por Ben Koller, conhecido pelo trabalho com Converge e All Pigs Must Die. High on Fire em São Paulo Data: domingo, 4 de outubro de 2026 Horário: a partir das 18h Local: Burning House (Avenida Santa Marina, 247, Água Branca – São Paulo/SP) Venda online: 101tickets.com.br/events/details/High-on-fire-em-Sao-Paulo Valores (1º Lote): Pista meia-entrada ou com doação de 1 kg de alimento: R$ 160,00 Mezanino meia-entrada ou com doação de 1 kg de alimento: R$ 250,00 Pista inteira : R$ 320,00 Mezanino inteiro: R$ 500,00
Entrevista | Dexter and the Moonrocks – “O Top da Billboard nos fez levar a banda um pouco mais a sério”

O Dexter and the Moonrocks se consolidou como um dos principais fenômenos do rock alternativo norte-americano nos últimos anos. Formada no Texas, a banda encontrou uma identidade própria ao misturar influências do grunge dos anos 1990 com elementos da música regional texana, criando o estilo que ficou conhecido como “Western Space Grunge”. O grupo começou de forma despretensiosa entre amigos, mas rapidamente conquistou espaço além do circuito local e se tornou um dos nomes mais comentados da nova geração do rock dos Estados Unidos. O crescimento ganhou uma dimensão ainda maior com o recente sucesso de “Freakin’ Out”. A faixa ultrapassou a marca de 100 milhões de reproduções no Spotify, impulsionou a banda ao Billboard Hot 100 e colocou o quarteto ao lado de alguns dos maiores nomes da música mundial. Atualmente, o Dexter and the Moonrocks soma cerca de 9 milhões de ouvintes mensais na plataforma de streaming, números que reforçam a ascensão meteórica de uma banda que há poucos anos acreditava que tocaria apenas em bares do Texas e estados vizinhos. Em entrevista ao Blog n’ Roll, o guitarrista Ryan Anderson falou sobre a trajetória da banda ao lado do primo Ty Anderson e do vocalista James Tuffs, explicou a origem do termo “Western Space Grunge” e comentou o impacto que a entrada de “Freakin’ Out” no Billboard Hot 100 teve na forma como o grupo enxerga a própria carreira. Como é construir uma carreira ao lado do seu primo Ty e como vocês conheceram o James? É surreal. O Ty estava lá desde o começo, quando comecei a aprender guitarra, há uns 14 ou 15 anos. A gente sempre falava que seria legal ter uma banda um dia, mas sem levar muito a sério. O fato de fazermos isso profissionalmente hoje é incrível. Eu conheço o James desde o ensino médio. Somos melhores amigos desde os 13 anos. O mais engraçado é que o Ty nem tocava baixo quando a banda começou. Depois do colégio, o James começou a escrever músicas do nada e me chamou para montar uma banda e eu aceitei imediatamente. Preferi isso a continuar na faculdade (risos). Foi aquele clássico pedido de desculpas para os meus pais: “vou largar a faculdade para tocar com meu amigo”. Depois dissemos para o Ty comprar um baixo e pronto. É uma daquelas histórias em que tudo se encaixa de maneira improvável. Mas quando vocês começaram a tocar juntos, acreditavam que a música poderia virar uma carreira ou era apenas algo divertido para fazer entre amigos? Nós acreditávamos desde o primeiro momento. Talvez nem devêssemos acreditar tanto, porque não estávamos prontos. Mas nunca imaginamos nada parecido com o que está acontecendo hoje. Achávamos que ganharíamos algum dinheiro para pagar cerveja nos fins de semana e tocaríamos pelo Texas, Oklahoma e região. Tínhamos uma confiança enorme, muito maior do que nossa experiência justificava. Hoje podemos dizer que estamos mais preparados para sustentar essa confiança. E como é a cena de rock no Texas? Sinto que ela é bem ligada ao country. Vocês tocavam mais em bares country ou em casas de rock? Nós tocávamos onde fosse possível. Normalmente eram bares com música ao vivo. O importante era conseguir colocar os equipamentos no palco, tocar por três horas, pegar os 300 dólares da noite e voltar para casa. Hoje a cena de rock no Texas está mais forte do que nunca. Quando começamos, ela não era tão grande. Muitos artistas ajudaram a abrir esse caminho. Um deles foi Koe Wetzel, que mostrou para muita gente que era possível fazer rock naquele ambiente. Antes dele, o Cross Canadian Ragweed já fazia isso no início dos anos 2000. Eles tocavam ao lado de artistas country, mas eram uma banda de rock and roll. Bem, eles ajudaram a construir o cenário que existe hoje. Seu xará Ryan entrou para a banda através de um anúncio online. Como foi receber alguém que não fazia parte do grupo de amigos? Foi um salto no escuro. Já estávamos juntos havia quase quatro anos e sentíamos que havíamos chegado a um limite. Melhoramos como compositores, mas precisávamos mudar alguma coisa. Chegamos a um ponto em que pensamos: se isso for tudo o que a banda vai ser, talvez seja hora de conseguir empregos convencionais e seguir outro caminho. Então decidimos dar uma última grande cartada. O Ryan chegou cheio de ideias desde o primeiro dia. Ele falava sobre estratégias, redes sociais e planos que nunca tínhamos considerado. Três semanas depois parecia que o conhecíamos havia a vida inteira. Hoje é impossível imaginar a banda sem ele. Existe o Grunge, o Post-Grunge e qual é a viagem que vocês inventaram de Western Space Grunge? Antes da entrada do Ryan Fox, tínhamos um amigo e mentor chamado Shea Abshire. Ele veio da mesma cidade que eu e o James e já tinha conseguido algum sucesso na música. Sempre recorríamos a ele em busca de conselhos. Um dia ele nos disse que precisávamos ser mais visíveis nas redes sociais e preencher aquelas descrições de gênero musical. Eu respondi que não sabia qual gênero colocar. Ele respondeu imediatamente: “Western Space Grunge”. A definição fez sentido porque crescemos ouvindo Alice in Chains, Stone Temple Pilots, Soundgarden, Pearl Jam e outras bandas grunge dos anos 1990. Ao mesmo tempo, também éramos muito ligados ao country texano. Quando começamos a compor, essas influências apareceram naturalmente. Misturar country e rock e se auto denominar como West Space Grunge deve abrir muita margem para comentários né? Qual foi a descrição mais estranha que você ouviu sobre a música da banda? A que mais ouvimos é que somos como o Nirvana se tivesse crescido no Texas. Essa já ficou até comum, porque o nosso vocalista é loiro e nosso som é ligado ao grunge. Mas a minha favorita foi alguém dizer que parecemos os Smashing Pumpkins se fossem caipiras. Eu adoro Smashing Pumpkins, então escolho essa. Fico feliz, porque Smashing Pumpkins é a minha banda favorita (risos), então fico com essa também. Vocês abordam temas