Maroon 5 lança “Heroine” e mira o Rock in Rio 2026

O Maroon 5 lançou o single Heroine. A faixa é o primeiro material inédito desde a edição deluxe do aclamado álbum Love Is Like! (2025) e já chega com o status de hit instantâneo. Impulsionada pelos vocais inconfundíveis de Adam Levine, Heroine é uma mistura equilibrada de nostalgia e modernidade. A música resgata a intensidade das conexões avassaladoras, marca registrada das composições do grupo, sob uma produção elegante que aponta para o futuro da banda. Caminho para o Rock in Rio O lançamento de Heroine não é isolado. Ele marca o início de uma nova fase que culminará em uma série ampliada de shows internacionais em 2026. Para o público brasileiro, a notícia mais aguardada foi confirmada: o Maroon 5 será uma das atrações principais do Rock in Rio 2026. Além do festival carioca, o grupo também será headliner do cobiçado BST Hyde Park, em Londres, consolidando um ano de apresentações em estádios e arenas ao redor do mundo. Sucesso de “Love Is Like” A banda vem de uma sequência com a turnê Love Is Like 2025, que esgotou datas em templos da música como o Madison Square Garden (NY) e o The Forum (LA). Singles como All Night e Priceless já haviam mostrado um Maroon 5 revitalizado, mas Heroine parece ser a peça que faltava para reconectar a banda com sua essência pop-rock mais rústica.

Kacey Musgraves brilha no novo álbum “Middle of Nowhere”

Kacey Musgraves, detentora de oito prêmios Grammy, lançou seu sexto álbum de estúdio, Middle of Nowhere. Com 13 faixas inéditas, o projeto é uma celebração da redescoberta pessoal, embalado por um ritmo que convida à dança: o tradicional two-step texano, repaginado com a elegância moderna de Kacey. Para este trabalho, a artista se reuniu com os produtores Daniel Tashian e Ian Fitchuk, os mesmos nomes por trás do icônico Golden Hour. O resultado é uma coleção de canções que soam familiares, mas trazem um frescor inegável, focando em temas como liberdade, amor e a coragem de recomeçar. Redescoberta e leveza em Middle of Nowhere Middle of Nowhere é descrito como o trabalho mais honesto e bem-humorado da carreira de Musgraves. Após um período de introspecção, a cantora entrega letras que brincam com a própria jornada, mantendo a assinatura lírica que a tornou uma das compositoras mais respeitadas de sua geração. O lançamento foi antecedido por uma aparição surpresa no Coachella 2026, onde Kacey apresentou algumas das novas faixas e anunciou sua próxima turnê pela América do Norte, que deve ser uma das mais disputadas do ano. Edição física e colecionáveis Para os colecionadores de plantão, a UMusic Store já iniciou a pré-venda da versão física do álbum. Com encartes exclusivos e um design que reflete a estética “desértica-chic” do projeto, o disco promete ser um item essencial na estante de qualquer fã de country-pop.

Aléxia lança Garra e resgata a energia da MTV dos anos 2000

A cantora e compositora Aléxia dá um passo decisivo na carreira com o lançamento de Garra, seu primeiro álbum de estúdio. Disponível nas plataformas de streaming, o disco reúne 14 faixas e consolida a identidade que ela define como heavy pop, uma fusão entre o peso do rock e do metal e o apelo melódico do pop. O trabalho ganha ainda mais força com o show de lançamento marcado para este domingo, 3 de maio, no Manifesto Bar, com participações de Debrix, Flor Et, Horney e Mi Vieira. Mais do que uma estreia, Garra funciona como um manifesto pessoal. O álbum mergulha em temas como saúde mental, luto e reconstrução, transformando experiências difíceis em narrativa musical. A metáfora da “garra” que fere, mas também fortalece, sintetiza esse processo. Em entrevista recente ao Blog N’ Roll antes de sair em turnê com o The Calling, a artista reforça essa abordagem íntima ao falar sobre sua composição como um reflexo direto do que vive. “Gosto muito de escrever sobre coisas que eu realmente vivo”, afirma, destacando a música como uma espécie de terapia e ferramenta de expressão emocional. O repertório evidencia essa carga em faixas como “Fevereiro”, que aborda o luto sem simplificações, e “Letra e Música”, onde expõe vulnerabilidades ligadas ao amor. Já o single “Seja Você” antecipa o tom do disco ao discutir identidade e pertencimento. A própria definição de heavy pop também nasce dessa mistura de referências. “Se você gosta de pop, vai curtir; se gosta de rock alternativo, também”, resume a cantora ao explicar sua sonoridade híbrida. A produção do álbum marca um avanço na carreira, com um trabalho mais coeso e alinhado à energia ao vivo da artista. Essa evolução dialoga com o momento atual, em que Aléxia acumula experiência de estrada e amadurecimento artístico. A participação na turnê do The Calling, por exemplo, foi um divisor de águas. “É uma oportunidade que muitas bandas independentes adorariam”, destacou a cantora sobre a experiência de dividir palco e aprender com uma estrutura maior. Com cerca de quatro anos de trajetória e mais de 400 shows realizados, Aléxia chega ao lançamento de Garra respaldada por vivência e construção consistente dentro da cena. A artista já dividiu espaço com nomes como CPM 22, Stone Temple Pilots, Nando Reis e Detonautas, consolidando um percurso que agora ganha forma definitiva no álbum de estreia. Garra sintetiza essa caminhada e aponta para um momento de afirmação, em que dor, identidade e potência sonora se encontram em equilíbrio.

Entrevista | Rancore – “Brio representa o que manteve a banda viva por 25 anos”

Após tocar Brio ao vivo ano passado no Bar Alto para fãs selecionados, o novo trabalho do Rancore chega pelo selo Balaclava como um dos lançamentos mais densos e significativos da carreira da banda. Longe de soar como um simples retorno, o disco assume o papel de reinvenção, equilibrando a urgência do hardcore com uma abordagem mais ampla e madura. Há um senso de continuidade, mas também de ruptura. Seria muito fácil a banda se apoiar nos sucessos do passado, mas o novo trabalho se mostra mais focado em redefinir o próprio caminho após anos de hiato, afinal são 15 anos desde Seiva. A sonoridade pós punk dos anos 80 é a grande tônica do alto, que passa também por influências do punk nacional 77 e até música eletrônica e hinos xamânicos. A sonoridade e diversidade acompanha essa transformação. “Brio” expande o alcance do Rancore no mundo do hardcore com camadas melódicas e atmosferas mais elaboradas, criando um álbum que transita entre a agressividade e momentos mais introspectivos. Há um cuidado evidente na construção dos arranjos e na dinâmica das músicas, reforçando a ideia de maturidade artística. Essa nova fase também passa pela produção de Daniel Pampuri, nome que esteve envolvido em trabalhos de peso como o álbum Cowboy Carter, de Beyoncé, o que ajuda a dimensionar o salto técnico e estético presente no disco. Esse direcionamento já vinha sendo sinalizado pela banda em apresentações recentes. A conexão com o público segue como elemento central, mas agora ancorada em um repertório novo que sustenta essa intensidade ao vivo. Não se trata de revisitar o passado, mas de construir um novo capítulo com base em tudo o que a banda representa dentro do hardcore nacional. Em entrevista após participação no festival Arena Hardcore em São Paulo no mês passado, Teco Martins detalhou o processo de construção do disco, começando pela escolha do nome. “Até os 45 do segundo tempo, o álbum ia se chamar ‘Sexo Selvagem’, que é uma música do disco”. Mas havia um incômodo interno, pelo risco de fechar portas ou gerar censura”, contou. A virada veio a partir de uma sugestão próxima ao círculo da banda. “Quando surgiu ‘Brio’, fez sentido na hora. É uma palavra forte, pouco comum, e representa o que a gente mais precisou para manter o Rancore vivo por 25 anos. Nomear tem força, tem peso, e todo mundo comprou a ideia.”, confessa o vocalista” A incerteza sobre o futuro também aparece de forma transparente. “A vida do artista é cheia de altos e baixos. Às vezes dá vontade de largar tudo, é intenso demais. Mas quando a gente faz um show assim, recarrega e faz valer a pena”, afirmou. Sem promessas, o foco está no presente. “A gente voltou, fez um álbum, está construindo essa turnê. Não sabemos até quando vai, então é aproveitar agora.” Ainda assim, a entrega permanece inegociável. “Um show do Rancore não dá para fazer pela metade.” O lançamento de “Brio” está chegando e sei que não foi fácil escolher o nome e ele quase foi nomeado como Sexo Selvagem. Como foi esse processo até chegar ao resultado final? Teco Martins – Até os 45 do segundo tempo, o disco ia se chamar “Sexo Selvagem”, que é uma música do álbum. Mas tinha um integrante que se incomodava com esse nome, achava que poderia fechar portas, gerar censura. Aí o Gabriel, que era fã e hoje é um dos meus melhores amigos e trabalha com a banda, sugeriu “Brio”, que é uma das primeiras palavras da primeira música do disco. Na hora fez sentido. É uma palavra forte, não tão comum, e representa o que a gente mais precisou para manter o Rancore vivo por 25 anos. Nomear algo tem força, tem peso. Quando surgiu, todo mundo concordou e hoje estamos muito felizes. Vocês deixaram uma mensagem enigmática nas redes sociais sobre o futuro da banda. O público ficou preocupado. Como você vê esse momento? Teco Martins – Não dá para saber, cara. Manter uma banda é muito intenso, inconstante, desafiador. Às vezes dá vontade de largar tudo e ir mais para o meio do mato ainda. Mas quando a gente faz um show como o de hoje, é um respiro, vale a pena. A gente recarrega. A vida do artista é cheia de altos e baixos. Então, sinceramente, não sei até quando isso vai durar. Pode durar bastante, mas também pode não durar. Por isso, aproveitem. A banda voltou, fez um álbum, está em turnê. Nosso foco agora é trabalhar esse disco. O que vem depois é um mistério. É possível que dure muito, mas é improvável. Alexandre Nunes – A gente já ouviu que deveria compor mais, então as coisas estão acontecendo. Estamos construindo essa fase desde que voltamos, ainda é recente. O primeiro passo é trabalhar “Brio”, fazer essa turnê acontecer. Depois a gente vê. Estamos abertos, mas sem garantias. Há uma percepção muito forte de conexão com o público, quase como algo espiritual. Você sente isso também? Teco Martins – Eu não iria pela parte espiritual de igreja ou discípulos. A gente não quer isso. Queremos uma troca sincera. No hardcore é tudo muito real, te pega pela alma. Quando subimos no palco, estamos dispostos a tudo, não dá para fazer um show do Rancore pela metade. É muito intenso. Eu acredito sim em uma experiência transcendental. A música é só a ponta do iceberg, tem muita coisa ali que vem do coração.

Havok volta ao Brasil em julho no Dia Mundial do Rock

A banda norte-americana Havok confirmou seu retorno à América Latina em julho, reacendendo a expectativa dos fãs de thrash metal. No Brasil, o show está marcado para 13 de julho, no especial do Dia Mundial do Rock do Manifesto Rock Bar, em São Paulo. A turnê irá passar também por México, El Salvador, Guatemala, Uruguai, Argentina e Chile, consolidando a forte relação do grupo com o público latino-americano. Reconhecido como um dos principais nomes do thrash metal moderno, o Havok construiu sua reputação a partir de uma sonoridade que combina velocidade, agressividade e precisão técnica. Os shows da banda são conhecidos pela alta intensidade, riffs agressivos e pela atmosfera explosiva, com mosh pits que transformam cada apresentação em uma experiência visceral para o público. A nova turnê chega cercada de expectativa justamente por esse histórico de performances energéticas e pela forte recepção que o grupo sempre teve em solo latino-americano. Conheça o Havok Formado em 2004, em Denver, nos Estados Unidos, o grupo é liderado pelo vocalista e guitarrista David Sanchez e se destacou na nova geração do thrash ao lado de nomes que ajudaram a revitalizar o gênero no século 21. Álbuns como Burn, Time Is Up, Unnatural Selection e V consolidaram a identidade da banda, fortemente influenciada pela escola clássica do thrash metal, mas com personalidade própria, marcada por riffs velozes, letras afiadas e uma abordagem contemporânea. A passagem do Havok pelo Brasil reforça a relevância do país no circuito internacional do metal, especialmente dentro do thrash, gênero que segue mobilizando uma base fiel e apaixonada de fãs. A expectativa é de casa cheia em São Paulo, em uma noite que deve reunir clássicos da carreira e faixas mais recentes, mantendo o peso e a adrenalina que transformaram a banda em uma das maiores forças do estilo na atualidade. Serviço Segunda, 13 de Julho de 2026 – Abertura: 20:00 Manifesto Rock Bar – Rua Ramos Batista, 207 – Vila Olímpia – São Paulo, SP Classificação: +16 Ingressos: Clube do Ingresso

Entrevista | Venom – “Temos 13 faixas matadoras das quais estamos muito satisfeitos”

O Venom retorna com força total em seu novo álbum, “Into Oblivion”, que será lançado nesta sexta (01/05). O trabalho amplia os limites da fase recente da banda sem abrir mão da essência que a transformou em referência do metal extremo. Em entrevista ao Blog n’ Roll, o baterista Dante destacou que o disco apresenta uma sonoridade mais diversa, com experimentações que passam por atmosferas densas, elementos próximos do progressivo e momentos de forte identidade clássica. Mantendo o som cru e sombrio que consolidou sua trajetória, a banda liderada por Cronos aposta agora em uma produção mais refinada, sem perder a “sujeira” característica do Venom. Dante também relembrou sua entrada em 2009, quando fez sua primeira turnê justamente pela América do Sul, encerrando a passagem em São Paulo, experiência que ele definiu como decisiva para entender a dimensão histórica do grupo e a paixão do público brasileiro. Into Oblivion | Expansão sem perder a essência Segundo Dante, o novo trabalho mostra uma banda disposta a experimentar mais do que nos discos anteriores. O baterista destacou que houve maior liberdade para explorar texturas, ambiências e diferentes estilos dentro do próprio universo do Venom, sem romper com a identidade clássica que os fãs reconhecem imediatamente. Faixas como “As Above So Below” e “Unholy Mother” foram citadas como exemplos desse novo momento, enquanto músicas como “Kicked Out of Hell”, “Death the Leveler” e “Lay Down Your Souls” carregam o DNA mais direto e agressivo do grupo. O impacto da estreia na turnê América do Sul Ao lembrar de sua chegada ao Venom, Dante apontou a primeira turnê sul-americana em 2009 como um divisor de águas. Foi nesse momento, ao testemunhar a reação intensa do público brasileiro, que ele percebeu a dimensão histórica da banda e o tamanho de sua responsabilidade dentro do grupo. Como você compara o novo álbum com os trabalhos mais recentes do Venom? Acho que, falando dos álbuns em que eu toquei, este é o quarto agora, obviamente, para mim é o melhor. E não estou dizendo isso só porque é o nosso disco novo, porque todo mundo costuma falar isso quando está lançando um álbum, mas eu realmente amo esse trabalho. Sinto que todos nós expandimos um pouco os limites, tanto na forma de tocar quanto na composição. Acho que estamos tocando em outros estilos também, há um pouco de progressivo em algumas músicas, especialmente em faixas como “As Above So Below”, que é muito diferente e bastante atmosférica. Em “Unholy Mother”, por exemplo, o início parece um teclado, mas não é, são vozes com reverbs e delays. Experimentamos muito mais neste álbum do que nos anteriores. No fim, temos 13 faixas matadoras das quais estamos muito, muito satisfeitos. Você citou experimentação, né? Existe alguma música em que você sente que conseguiu expandir mais seus limites? Existem algumas, porque o álbum é muito diverso. Há faixas com uma pegada mais tribal, outras com um clima galopante, e também aquelas músicas mais clássicas do Venom, bem na cara, como “Death the Leveler”, “Kicked Out of Hell” e “Lay Down Your Souls”. Mas, para mim, a minha favorita é “As Above So Below”, justamente porque ela é muito diversa. Além disso, neste álbum foi a primeira vez que eu e Rage cantamos em músicas do Venom. Estamos fazendo backing vocals e até alguns gang chants. Nessa faixa em específico, estamos cantando em latim, então há muita coisa diferente acontecendo. Sabemos que os fãs de metal são muito exigentes e apaixonados. Como vocês trabalharam o equilíbrio entre manter a essência clássica do Venom e trabalhar as experimentações? Ah, ainda tem muito daquela vibe old school, sem dúvida. Acho que o lado atual vem mais pela produção, que hoje é um pouco mais refinada, mas sem perder aquela sujeira. Se você voltar aos primeiros álbuns, a produção era muito primitiva, porque era o que se tinha na época. Hoje temos recursos como Pro Tools e trabalhamos bastante para acertar o som. Mesmo assim, não superproduzimos nada, porque queremos manter esse som cru e sujo, que é a marca do Venom. E tem outra coisa: quando o Cronos abre a boca, você sabe imediatamente que é Venom. Como foi entrar em uma banda com um legado tão forte? Foi incrível. Aquilo foi em 2009, mais ou menos nessa época do ano, em maio. Fui chamado para uma audição, passei, começamos a ensaiar e eu tive que aprender o repertório rapidamente porque já havia uma turnê pela América do Sul marcada para o fim daquele ano. Meus primeiros shows foram justamente aí, perto de você. Fizemos México, Colômbia, Chile, Argentina e terminamos em São Paulo, o que foi imenso. Claro que eu já conhecia o nome Venom, quem não conhece? Mas acho que eu ainda não tinha entendido a magnitude colossal do status da banda, especialmente na América do Sul. Os fãs daí são os mais apaixonados do mundo, sem dúvida. Nota da Redação: O show do Venom foi, na verdade, no Victoria Hall em São Caetano no dia 12 de dezembro de 2009. A apresentação de Dante em São Paulo foi como baterista da banda de Tony Martin no dia 06 de setembro na casa Blackmore Rock Bar. Há alguma lembrança que tenha te marcado especialmente? Acho que toda vez que vamos ao Brasil é uma experiência incrível. Os fãs são sempre muito barulhentos, muito apaixonados, é algo realmente especial. Já toquei no Brasil antes mesmo de entrar no Venom, em lugares como Rio e Brasília, mas vir com o Venom foi algo imenso. Em que momento você sentiu que se tornou parte da história do Venom? Acho que foi já nessa primeira turnê. Ver a reação dos fãs e perceber o quanto a banda significa para as pessoas foi algo muito marcante. Lembro de um show em que o promotor organizou concursos em revistas de rock para que alguns fãs ganhassem equipamentos assinados, álbuns e camisetas. Encontrar essas pessoas e ver algumas delas quase em lágrimas por estarem na mesma sala com

Bad Religion entrega aula de punk rock para pais e filhos em São Paulo

Bad Religion 2026

Já se passaram quase 30 anos desde a primeira vez que assisti ao Bad Religion no Brasil. De lá para cá, houve mudanças na formação (principalmente na bateria), muitos cabelos brancos e diferentes formatos de show (de festivais a casas de diversos tamanhos). O que impressiona, no entanto, é como a banda jamais perde o gás. Seja na primeira ou na décima vez, o show continua sendo parada obrigatória para quem ama punk, hardcore e suas vertentes. Setlist atemporal do Bad Religion O aspecto mais interessante da apresentação é notar como o repertório soa atual. Das 1h20 de show, o arco temporal foi de Recipe For Hate, que abriu a noite, até o hino American Jesus, responsável pelo encerramento. Aula de história (com distorção) Essa atualidade explica a comoção de muitos pais na pista premium do Espaço Unimed. Era visível a presença de crianças e adolescentes acompanhando seus responsáveis para assistir a uma verdadeira aula de história ministrada por um PhD em Zoologia (Greg Graffin). Graffin conduz o espetáculo amparado pelo peso das guitarras de Brian Baker e Mike Dimkich, além dos backing vocals viscerais do baixista Jay Bentley. O baterista Jamie Miller, no grupo desde 2016, completa a cozinha com precisão absoluta. Estatísticas e ausências no set do Bad Religion Dos 17 álbuns de estúdio, a banda visitou 12 deles. The Gray Race foi o grande protagonista da noite, com cinco faixas. American Jesus para fechar o arco Para selar a atemporalidade, American Jesus (1993) fechou o set. A música, que nasceu como resposta à Guerra do Golfo (sob o comando de Bush pai), permanece dolorosamente precisa ao descrever o imperialismo norte-americano, independentemente de quem ocupe a Casa Branca. Como citado na biografia Do What You Want, o Bad Religion vive uma espécie de déjà vu constante. A obra relata que figuras como fundamentalistas e negacionistas climáticos sempre encontram eco no poder, tornando as letras de 30 anos atrás tão urgentes quanto as de hoje. O Bad Religion não suporta a ideia de que uma única nação possa determinar o futuro do mundo. Enquanto os integrantes deixavam o palco, Jay Bentley resumiu o espírito da noite com um discurso direto: “A mudança depende de vocês. Só vocês podem mudar o mundo.”

Deep Purple confirma show único em São Paulo para dezembro

O Deep Purple anunciou seu retorno ao Brasil para uma apresentação única em São Paulo. O show acontece no dia 5 de dezembro (sábado), no Suhai Music Hall. As vendas começam no dia 7 de maio (quinta-feira), às 10h online e 11h na bilheteria física. O espetáculo é tratado como o “último grande show do ano” e faz parte da turnê mundial que promove o aclamado álbum =1. O trabalho prova que, mesmo após décadas de estrada e mais de 100 milhões de discos vendidos, o grupo mantém a vitalidade e a criatividade em alta. Formação O público brasileiro terá a chance de ver um time de virtuosos no palco. A formação atual conta com os membros históricos Ian Gillan (vocais), Roger Glover (baixo) e Ian Paice (bateria), acompanhados pelo mestre dos teclados Don Airey e pelo guitarrista Simon McBride, que trouxe um novo fôlego e técnica impecável às performances ao vivo. No repertório, a promessa é de uma chuva de clássicos. Hinos como Smoke on the Water, Highway Star, Burn e Perfect Strangers são presenças obrigatórias, dividindo espaço com as novas composições que já caíram no gosto dos fãs. Setor Inteira Meia-Entrada Camarote A R$ 900,00 R$ 450,00 Camarote B R$ 860,00 R$ 430,00 Camarote C R$ 820,00 R$ 410,00 Pista Premium R$ 800,00 R$ 400,00 Mezanino Lateral (Dir/Esq) R$ 640,00 R$ 320,00 Pista / Mezanino Central R$ 460,00 R$ 230,00

Dinamite Club quebra hiato de 9 anos com o visceral “Cortisol”

Manter uma banda de rock no Brasil é um exercício de resiliência. Para o Dinamite Club, essa jornada de 16 anos acaba de ganhar seu capítulo mais denso e honesto. O grupo lançou o álbum Cortisol, via Crocante Records, quebrando um jejum de nove anos sem um disco cheio. O trabalho é o primeiro registro da banda como trio, com Bruno Peras (voz/baixo), Márcio Rodrigues (guitarra/voz) e Jaime Xavier (bateria), e funciona como um expurgo sonoro de quase uma década marcada por perdas irreparáveis, burnout, ansiedade e o isolamento da pandemia. Do ensolarado ao confessional Se nos álbuns anteriores, como Nós Somos Tudo o Que Temos (2017), o Dinamite Club flertava com um pop-punk enérgico e por vezes ensolarado, Cortisol segue o caminho oposto. O título não é por acaso: o disco trata do hormônio do estresse e da tentativa de sobreviver a um cotidiano que “acelera e massacra a gente”, como define o guitarrista Márcio Rodrigues. O disco nasceu sob a sombra do luto pela perda de Leon, integrante fundador falecido em 2018, e das profundas transformações psíquicas dos membros. “A gente nunca ia conseguir negligenciar tudo o que passou para continuar falando só sobre coisa boa. Seria desonesto”, explica Márcio. O resultado é um instrumental mais pesado, cadenciado e letras que não escondem o desgaste da vida adulta. Arte e estratégia do Dinamite Club A capa do disco, desenhada à mão pelo baterista Jaime Xavier, ilustra uma cabeça formada por comprimidos — uma referência direta aos tratamentos terapêuticos e medicamentosos que atravessaram o processo criativo. Musicalmente, o álbum foi gravado e mixado por Ali Zaher Jr. (baixista do CPM 22) no Sunrise Studios. A faixa Invisível foi escolhida como foco inicial por servir de ponte entre o passado melódico da banda e o presente mais denso. O disco ainda conta com a participação de Renan Sales (Metade de Mim) na música Hoje, Só Amanhã. Vitória da catarse Para Bruno Peras, o nascimento de Cortisol é uma vitória contra o acúmulo de dificuldades que quase paralisaram o grupo. “Esse disco é fruto de um sentimento contra tudo e contra todos”, resume. Em vez de focar em singles prévios, a banda optou por lançar a obra completa, permitindo que o público mergulhe na narrativa sem interrupções.