Jeza da Pedra e Mexitapi celebram o universo dos Bate-Bolas em novo EP

Quem já passou pelo subúrbio do Rio de Janeiro durante o Carnaval conhece a energia magnética (e o susto provocado pelo barulho das bexigas no chão) dos bate-bolas. Essa estética vibrante e cheia de mistério agora ganha uma narrativa sonora contemporânea no EP Parangolé Bate-Bola, uma colaboração entre o artista Jeza da Pedra e a banda Mexitapi. O trabalho, lançado via LAB 344, reúne cinco faixas que funcionam como um corpo único. O som é um choque entre tradição e reinvenção, misturando as rimas do rap com o balanço do dub, o peso do funk e beats eletrônicos que emulam a energia coletiva dos cortejos suburbanos. Do palco para o fone O projeto nasceu originalmente como um espetáculo que estreou em 2025. Agora no formato fonográfico, Jeza da Pedra e Mexitapi aprofundam a pesquisa sobre os códigos de rua e as memórias afetivas do território. Para isso, contaram com a colaboração da Turma Superação, de Ricardo de Albuquerque, um dos baluartes da tradição bate-bolista. A produção musical, assinada por Bruno Muniz, Diogo Furieri, Marcelo Tapajós e Pedro Tie, equilibra bases eletrônicas com instrumentos orgânicos como guitarra e trombone, criando a atmosfera sensorial perfeita para as letras poéticas e intensas de Jeza. Identidade e periferia no projeto do Jeza da Pedra e Mexitapi Parangolé Bate-Bola reafirma que a cultura periférica não é estática. Ao transformar o excesso visual das fantasias em experimentação sonora, o duo ocupa novos espaços e convida o ouvinte a uma imersão sensorial no imaginário carioca.

Cayarí lança Floresta, primeiro single do EP “Território Vivo”

A artista indígena Cayarí iniciou um novo momento em sua trajetória com o lançamento do EP Território Vivo. A primeira faixa, Floresta, foi lançada nesta quinta-feira (16), dando início a uma série de quatro lançamentos mensais. O projeto independente marca uma transformação estética e sonora em sua carreira. Conhecida por integrar elementos da cultura Pataxó à música contemporânea, a cantora amplia sua identidade artística ao incorporar influências do rock, especialmente do subgênero new metal, sem abrir mão de suas raízes ancestrais. Para Cayarí, o EP Território Vivo se configura como um manifesto artístico e político, indo além de um simples lançamento musical. Nesta nova fase, a artista aposta em uma sonoridade mais intensa e visceral. “Quero construir uma experiência onde o som, a identidade e a narrativa se entrelacem, propondo reflexões sobre pertencimento, reconexão com a terra e consciência coletiva. No single Floresta, canto sobre a proteção dos nossos biomas e da responsabilidade que temos para evitar um colapso climático ainda maior. Porque acredito que quando a floresta cai, caímos juntos”, declarou. A fusão entre reggae, rock e elementos do new metal cria uma atmosfera potente, marcada por guitarras intensas, batidas densas e vocais expressivos que dialogam com espiritualidade, resistência cultural e consciência ambiental. A estética visual do EP acompanha essa transformação, trazendo uma imagem mais dark, introspectiva e ousada, transitando entre o urbano, o ancestral e o contemporâneo. Com Território Vivo, Cayarí se firma como uma das vozes emergentes da cena independente, estabelecendo uma ponte entre tradição e inovação e convidando o público à reflexão sobre a relação entre humanidade e natureza. Conexões internacionais e estética O novo trabalho de Cayarí também é atravessado por conexões relevantes dentro da cena internacional. Durante o processo, a artista trocou experiências com o baterista Iggor Cavalera, referência global no metal, e encontrou Sonny Sandoval, vocalista da banda P.O.D., uma de suas principais influências. Além disso, o encontro com Julian Marley amplia ainda mais o diálogo entre reggae e rock em sua trajetória. Essas conexões evidenciam a construção de uma artista que transita com fluidez entre diferentes vertentes sonoras, incorporando o peso do new metal, a essência do reggae e suas raízes ancestrais, sempre alinhadas a uma mensagem socioambiental consistente. Somando-se à sonoridade, Cayarí também constrói uma identidade visual marcante. Seu estilo é influenciado pela estética rock dos anos 2000, com o uso de correntes, botas e bucket hats, além de referências diretas de artistas como Avril Lavigne, Poppy e Amy Lee. Essa construção estética se integra à sua essência ancestral, criando uma imagem que une atitude, espiritualidade e contemporaneidade. Trajetória de Cayarí Nascida em Vitória da Conquista, Bahia, Cayarí é cantora, compositora, atriz e apresentadora indígena da etnia Pataxó. Sua trajetória musical teve início aos nove anos de idade e, desde então, vem sendo marcada por uma expressiva diversidade artística. Suas composições transitam entre o português, inglês e Patxohã — língua ancestral do povo Pataxó — revelando um profundo compromisso com suas raízes e com a valorização da cultura originária. Em 2018, mudou-se para São Paulo, onde rapidamente se destacou na cena musical alternativa, participando de pocket shows e batalhas de rima. No ano seguinte, iniciou colaborações com nomes relevantes da música paulistana, ampliando sua atuação e consolidando seu espaço na capital cultural do país. Durante a pandemia de 2020, Cayarí encontrou novos caminhos de expressão: realizou lives musicais e criou um programa semanal de entrevistas em seu Instagram, dando visibilidade a representantes da etnia Pataxó e promovendo reflexões sobre identidade e resistência indígena. Entre 2022 e 2023, sua carreira ganhou novos contornos. Suas músicas passaram a integrar trilhas sonoras de filmes e peças de teatro, e ela expandiu sua atuação como atriz. No final de 2023, lançou o EP Afluir, consolidando sua identidade artística plural. Em julho de 2023, Cayarí foi nomeada embaixadora da octaEra, organização que atua na proteção das florestas e no fortalecimento das culturas originárias. Em 2024, aproximou-se do universo reggae, gravando músicas do gênero e participando de shows ao lado de artistas consagrados. Fez história ao se tornar a primeira apresentadora indígena e nordestina de um Festival de Reggae no Brasil. Sua trajetória também a levou a experiências marcantes, como o convite da equipe de Julian Marley (filho de Bob Marley) para acompanhar seu show na Virada Cultural de São Paulo, consolidando a sonoridade que viria a marcar seus próximos trabalhos, em uma fusão autêntica de reggae, rock e rap. Além disso, apresentou-se musicalmente no Pré-Carnaval de Salvador, foi narradora do audiolivro bilíngue “Vamos Passear na Floresta”, na língua indígena Maraguá e em português, realizou um show autoral no Festival Indígena de Osasco e apresentou o espetáculo musical autoral “Afluir” no Teatro Alfredo Mesquita. O ano de 2025 marca um novo ciclo na carreira de Cayarí, quando passa a nomear sua linguagem musical como Reggae’n’Roll nativo, conceito que sintetiza a fusão entre reggae, rock/new metal e ancestralidade indígena. Entre suas participações recentes, destacam-se o show autoral com banda no Festival São Paulo Rocknation, a narração de audiodescrição no projeto Men Am Nim, na Ocupação Ailton Krenak do Itaú Cultural, e o show autoral no FSB – Festival Suíça Bahiana. Em 2026, a artista lança o EP Território Vivo, consolidando sua nova fase estética e sonora. O projeto reúne quatro faixas que aprofundam sua proposta de fusão entre reggae, rock e influências do new metal, enquanto reafirma seu compromisso com a ancestralidade, a preservação ambiental e a valorização das culturas originárias.

Entrevista | Lúcio Maia – “A confiança do Chico Science foi decisiva para que eu continuasse”

Lúcio Maia abre um novo capítulo da carreira solo com o lançamento de seu segundo álbum, disponibilizado nesta quinta-feira (16). O fundador e ex-guitarrista da Nação Zumbi apresenta um trabalho instrumental que mergulha em psicodelia, futurismo e diferentes atmosferas sonoras, ampliando ainda mais a identidade que construiu ao longo de décadas na música brasileira. O disco traz faixas como “Cogumelo de Vidro”, “Qítara”, “Fetish Motel” e “Tábua das Horas”, combinando texturas eletrônicas, riffs densos e uma abordagem cinematográfica. Em alguns momentos, o álbum flerta com o noir sessentista; em outros, aproxima baião, funk e ambiências psicodélicas, reforçando a proposta de um trabalho que se move entre tradição e futuro. Produzido pelo próprio Lúcio Maia, o álbum conta com mixagem de Mario Caldato Jr. e Daniel Ganjaman, além da participação de Arquétipo Rafa, Marco Gerez e Pedro Regada. O resultado é um disco que evidencia não apenas a assinatura de sua guitarra, reconhecível desde os tempos do manguebeat, mas também a inquietação artística de um músico que segue explorando novos territórios sonoros. Na história, o guitarrista foi um dos arquitetos da sonoridade que ajudou a projetar o manguebeat para o mundo. Sua guitarra foi peça central em discos fundamentais como Da Lama ao Caos e Afrociberdelia, obras que redefiniram os limites entre rock, maracatu, dub, funk e música eletrônica nos anos 1990, mesmo que o reconhecimento tenha sido tardio, como ele lembra. Além da trajetória com a banda, o músico também consolidou uma carreira paralela em projetos solo, trilhas sonoras para cinema, teatro e televisão, passando por trabalhos como Baile Perfumado, Amarelo Manga e Linha de Passe. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Lúcio Maia falou sobre o lançamento do novo álbum, a evolução de seu timbre ao longo das décadas, o motivo da saída da Nação Zumbi e a expansão de sua carreira para o cinema e as trilhas sonoras. É a primeira vez que eu falo com um artista que está lançando o álbum no dia. Como são essas primeiras horas e as primeiras impressões? Cara, eu acho que devo ter lançado uns 15, 20 discos na vida. Na real, para mim, o dia do lançamento é mais como um nascimento. A história começa a ser contada dali para frente. Então, falar do disco no dia em que ele já está nascido, com a criança já no mundo, é mais legal porque as pessoas podem ir ouvir imediatamente. Com a internet trazendo informação freneticamente 24 horas por dia, você avisa que vai lançar um disco e, no dia seguinte, muita gente já esqueceu. Por isso, eu prefiro falar quando ele já está na plataforma. A pessoa ouve e a conversa acontece no mesmo instante. O álbum traz uma fusão que vai de Pink Floyd ao baião. Como foi construir essa mistura e quais são seus objetivos de carreira neste momento? Isso nunca foi planejado. A música sempre flui de forma natural para mim. Eu nasci em Recife, cresci ouvindo a música pernambucana e Luiz Gonzaga. Depois vieram Iron Maiden, Black Sabbath, Led Zeppelin, James Brown, Isaac Hayes, drum and bass, house. Tudo isso vai entrando espontaneamente. Na hora de compor, as coisas se encaixam. Eu nunca sentei para pensar “agora vai virar baião” ou “agora vai soar reggae”. Vai acontecendo. Para mim, inclusive, reggae e baião têm uma sensação muito próxima, quase a mesma pulsação. Sua guitarra tem uma identidade muito marcante. Como você enxerga a evolução do seu timbre desde os anos 1990? Eu vejo isso como a minha digital musical, meu RG. É uma dádiva você ter uma identidade própria. Desde as demos que gravei ainda adolescente em Recife, isso já estava ali. Hoje, claro, com mais recursos e equipamentos, o timbre evoluiu, mas o DNA continua o mesmo. Eu nunca fui um cara preocupado em imitar alguém. Sempre preferi seguir meu instinto e preservar essa assinatura. Você comentou sobre seguir o seu instinto ao longo da carreira. Em algum momento do início você imaginava que se tornaria um dos guitarristas mais premiados da música brasileira? De forma alguma. Quando comecei a tocar, ali com 14, 15, 16 anos, eu nunca me enxerguei como alguém que fosse me profissionalizar. Na verdade, eu nem me achava um grande guitarrista. Sempre me considerei um músico regular, e não alguém tecnicamente impressionante. Quem teve um papel fundamental nisso foi o Chico. Ele sempre me incentivou muito e dizia que eu tinha alguma coisa diferente. Eu respondia que não sabia exatamente o que era, e ele dizia que isso não importava, que eu precisava seguir esse feeling. Essa confiança dele foi decisiva para que eu continuasse. A vida inteira eu fui muito movido por instinto e sensibilidade. Nunca foi sobre virtuosismo ou técnica pela técnica. Foi sempre sobre identidade, sobre ter uma voz própria na guitarra. Acho que, olhando para trás, uma das coisas mais certas que fiz foi confiar nisso. Muitos guitarristas estão abandonando amplificadores e migrando para setups em linha ao vivo. Como está o seu equipamento hoje? Eu sempre fui muito ligado ao analógico e ainda sou um cara do amplificador. Prefiro gravar com ampli. Mas a tecnologia evoluiu demais. Hoje uso bastante impulse response porque consigo levar para o palco praticamente o mesmo som do estúdio, sem depender da estrutura do lugar. Para quem toca no circuito alternativo, isso é uma liberdade enorme. Você comentou que, durante a pandemia, ampliou sua atuação para trilhas, teatro e outros projetos. Em que momento veio a decisão de sair da Nação Zumbi e buscar esse novo formato de carreira? Isso aconteceu muito durante a pandemia. Eu dei uma desencanada de viajar e estava de saco cheio de turnê, de ficar esperando empresário arrumar show, de depender dessa engrenagem toda. Também estava cansado da dinâmica de banda, de precisar conciliar agenda, negociar datas, esperar um ou outro poder viajar. Depois de 30 anos fazendo a mesma coisa, aquilo começou a me tolher criativamente. Chegou um momento em que eu percebi que não queria mais viver nessa dependência. Eu sempre fui

Entrevista | Chloe Stroll – “O segredo é ter 100% de confiança, mesmo sem saber qual será o resultado”

A imagem de uma flor delicada rompendo a dureza de um vidro quebrado não é apenas a capa de um disco, é a síntese da jornada de Chloe Stroll. Em seu álbum de estreia, Bloom in the Break, a cantora e compositora canadense mergulha em um pop confessional que equilibra a elegância das divas clássicas com a crueza das emoções contemporâneas. O trabalho, que chega após um rigoroso processo de seleção entre mais de 70 composições, marca o nascimento oficial de uma voz que não tem medo de expor suas cicatrizes para se conectar com o público. O disco não economiza no peso dos bastidores. Gravado em estúdios icônicos ao redor do mundo, Stroll contou com a mentoria de gigantes como Walter Afanasieff (o nome por trás de sucessos de Mariah Carey) e Swagg R’Celious. Em conversa exclusiva com o Blog n’ Roll, Chloe revelou que a maior lição aprendida com esses mestres não foi técnica, mas sim emocional: a coragem de não se segurar. Para ela, o estúdio deixou de ser um lugar de intimidação para se tornar um espaço de confiança absoluta, onde até os erros podem se transformar em arte. Um dos pontos mais sensíveis da obra é o single Home, uma declaração de amor ao marido e medalhista olímpico, o snowboarder australiano Scotty James. Chloe descreve a faixa como um retrato de sua própria segurança emocional, a ideia de que o “lar” não é um lugar físico, mas sim onde a pessoa amada está. A vulnerabilidade de transformar sentimentos tão íntimos em canções universais é um desafio que a artista encara com resiliência, acreditando que a autenticidade é o único caminho para criar algo atemporal, assim como fizeram suas grandes inspirações, Adele e Whitney Houston. Durante a entrevista, um momento de profunda conexão surgiu quando Chloe relembrou a fase final das gravações em Londres. Grávida de oito meses e impossibilitada de voar para os Estados Unidos, ela se viu em um estúdio carregado de simbolismo, chorando ao perceber que, enquanto finalizava uma música sobre seu lar e família, ela estava, literalmente, gerando o futuro dessa mesma família. Esse ciclo de vida e criação é o que dá o tom de “cura” que ela espera transmitir aos ouvintes brasileiros e do mundo. Além das baladas românticas, o álbum traz a força de faixas como I Stood My Ground, onde Chloe aborda o “muro” mais difícil de sua carreira: a autoconfiança. Para uma artista que coloca 100% de suas experiências, inclusive a perda de entes queridos, em cada verso, a estreia é mais do que um lançamento comercial, é um exorcismo emocional e um posicionamento firme no cenário musical global. Para os fãs brasileiros, a notícia é animadora. Embora ainda sem datas confirmadas, Chloe garantiu ao Blog n’ Roll que levar o show de Bloom in the Break para o Brasil está nos planos da equipe para um futuro próximo. O título do seu álbum de estreia, Bloom in the Break, evoca uma imagem poderosa de crescimento e adversidade. Em que momento da produção você percebeu que uma flor brotando no vidro quebrado era a metáfora perfeita para este disco? Acho que percebi isso mais para o final, o que parece estranho, porque as músicas estavam ganhando forma e eu voltava sempre para essa imagem enquanto tentava encontrar a mensagem e o que realmente queria transmitir. Eu ficava imaginando essa flor através de um vidro quebrado, algo que é tão bonito, mas ao mesmo tempo frágil, cheio de admiração e intriga. Então, diria que foi mais perto do fim do que imaginava. E você escreveu mais de 70 músicas para chegar às 12 faixas finais. Como foi esse processo de desapego? Difícil, foi estranho. Sabe, você passa tanto tempo escrevendo e despejando suas emoções nas coisas… Algumas músicas eram muito óbvias que não pertenciam a este disco. Não que eu não tivesse orgulho delas ou não gostasse, mas simplesmente não se encaixavam no que eu queria dizer. E outras eram tão óbvias que pertenciam ao álbum, e outras ainda precisavam ser escritas. Houve discussões sobre certas faixas, quando chegamos às 20 finais, foi uma boa batalha para ver quem ficaria. Imagino. A música precisava “merecer” estar no álbum de estreia, certo? Com certeza. Foi um trabalho duro. Chloe, trabalhar com nomes como Walter Afanasieff e Swagg R’Celious coloca você ao lado de profissionais que moldaram o som de ícones como Mariah Carey e H.E.R. Qual foi a maior lição que você aprendeu no estúdio com eles? Nossa, aprendi tanto. Mas acho que a coisa mais importante foi: não se segure. Não tenha vergonha. No começo, era fácil ficar intimidada pelo nome e pelo currículo deles, e era uma honra estar ali. Mas foi muito divertido. Quando baixei a guarda e começamos a nos conhecer, era como conversar com grandes amigos. Aprendi que não existem respostas erradas quando você está compondo ou produzindo. Vale a pena tentar tudo. Se você cometer um erro, ele pode acabar virando uma música incrível, isso aconteceu várias vezes comigo. Então, o segredo é ter 100% de confiança, mesmo que você não saiba 100% qual será o resultado. O single Home é uma declaração direta ao seu marido. Você disse que espera que vire trilha de casamentos. Como é para você transformar um sentimento tão íntimo em algo que agora pertence ao mundo? Assustador, porque você nunca sabe como as pessoas vão reagir. Fiquei muito feliz com a recepção, mas foi intimidante ser vulnerável e dizer a verdade sobre o que eu sentia, especialmente porque estávamos em um momento de mudança de vida na nossa família. Assustador, mas valeu 100% a pena. Em I Stood My Ground, ouvimos um lado seu muito resiliente. Qual foi o “muro” mais difícil que você enfrentou para se estabelecer como artista? Uau, ótimas perguntas! O mais difícil? Acho que foi acreditar em mim mesma e acreditar que eu conseguiria. Compor e cantar é algo muito vulnerável. Eu entrego 100% das minhas emoções na música, trago minha família,

Entrevista | Daniel Gnatali – “Separei o álbum em 2 EPs para explorar os conceitos de cada um”

Daniel Gnatali lançou nesta sexta-feira (17) o EP “Antes do sol”, primeiro capítulo de um projeto dividido em duas partes que será concluído ainda este ano com “Manhã de festa”. O novo trabalho apresenta seu lado mais introspectivo, reunindo canções que transitam entre o folk-pop, o rock sessentista e a MPB, em uma atmosfera marcada por delicadeza e mistério. Descrito pelo artista como uma espécie de sonho envolto em névoa, o EP funciona como uma “pré-revelação” de um percurso maior. Faixas como “Ventre a luz do mundo”, que conta com participação especial de Nina Becker, e “Estação”, com sua leveza country-rock, ajudam a construir essa sensação de suspensão. Já “Dear to Me” e “Lady Lo” resgatam composições iniciadas ainda no começo dos anos 2010 e finalizadas agora em estúdio, reforçando a conexão do repertório com referências como The Beatles e The Beach Boys. O encerramento fica por conta de “Quando me mudei”, faixa que funciona como ponte entre os dois EPs. Ancorada no rock brasileiro dos anos 1970, a música aborda a mudança de Gnatali para Visconde de Mauá como metáfora de autoconhecimento e transformação. O artista aponta a canção como elo entre o universo rarefeito de “Antes do sol” e a concretude luminosa que será explorada em “Manhã de festa”, descrito por ele como a “descida da cachoeira para o mar”. Produzido por Antonio Guerra, amigo de infância do compositor, o projeto evidencia a assinatura autoral de Gnatali ao unir folk, samba, forró, rock e balada pop sob uma mesma perspectiva poética. Com influências familiares que passam pela Jovem Guarda, pelos Beatles e pela herança musical do maestro Radamés Gnattali, o músico assume a dualidade como essência criativa. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o músico detalhou o lançamento e o futuro da carreira. Como surgiu a ideia de transformar esse repertório em dois EPs, começando por “Antes do sol”? Foi uma ideia do Kassin. Um pouco antes da mix eu mostrei o disco pra ele e trocamos uma ideia. Eu queria muito lançar em um disco inteiro, só pela sensação de dizer “lancei um disco”. Mas fui conversar com ele justamente pra ter um parecer de quem tem experiência. E a sugestão de dividir o repertório fez muito sentido, pois já mostrava duas estéticas muito marcantes, com boas composições, mas cada uma à sua maneira. Daí entre lançar um disco “duplo” nas plataformas, preferi separar em 2 EPs para explorar os universos e trabalhar melhor os conceitos de cada um. E a dualidade é um conceito que permeia tudo na vida. O que diferencia emocional e musicalmente os dois trabalhos e o que o público pode esperar em “Manhã de festa”? ANTES DO SOL é um início. Ele representa o que ainda não foi revelado, que está em desvelo. As atmosferas das canções são oníricas, sugerindo esse lugar onde o sonho e a realidade se confundem, entre memórias e projeções. Nesse preambulo do despertar, as letras falam de nascimento e pulsão de vida, mas também de nostalgia e resignação, sentimentos que são opostos complementares, como saudade e esperança – por vezes sentidos ao mesmo tempo. Mas entre a dúvida e a sublimação do mistério, os contornos são otimistas, dando ao EP um caráter contemplativo, onde a dor e a alegria convivem em paz. Em MANHÃ DE FESTA o volátil dá lugar à matéria, deixando o campo do sonho e indo para o corpo, a expressão terrena. Enquanto a primeira parte é marcada por uma identidade folk, sessenta e setentista, a segunda parte aterra na MPB com sambas, groove e forró. Como foi o trabalho de produção ao lado de um amigo de infância? Foi mais fácil trabalhar dessa maneira? Foi muito mais fácil e prazeroso. O campo da intimidade pode ajudar ou atrapalhar, mas temos muito respeito um pelo outro e carinho por essa amizade. A arte de estabelecer e aceitar limites sem stress é uma que conseguimos dominar rs. O Antonio é um excelente profissional e um grande amigo. Além dos arranjos fantásticos que ele escreveu, nosso bate-bola (que já era bom desde a escolinha de futebol) deu muito certo. E esses encontros enveredavam também por conversas filosóficas. Eu estava voltando pro Rio depois de morar 4 anos em Visconde de Mauá (onde escrevi “Quando me mudei”) e foi ótimo pra mim ter essa amizade nesse processo. E também, como estreante na música, poder ouvir conselhos de um amigo experiente. Show em Maio Daniel Gnatali sobe ao palco do Fino da Bossa dia 06 de maio com o show “Pássaro Noturno”, proposta que aposta na conexão direta com o público por meio da voz e do violão. O repertório percorre diferentes tradições musicais, do samba e do forró à música anglo-americana, reforçando o diálogo entre o popular brasileiro e a linguagem folk. A apresentação ainda ganha peso com as participações especiais de Lucinha Turnbull, pioneira do rock nacional, e da artista multidisciplinar Anna Sartori, parceira de composição de Gnatali. O espetáculo acontece com início pontual às 20h30, mas a casa abre às 19h, permitindo ao público acompanhar parte da passagem de som e aproveitar o cardápio de comidas e drinks. Os ingressos dão acesso tanto às mesas quanto aos lugares no balcão, no sistema por ordem de chegada, e a casa funciona até as 23h, com consumação mínima por pessoa. O Fina Bossa fica na Av. Brigadeiro Faria Lima, 473 em Pinheiros – São Paulo.

Madonna anuncia “Confessions II” e retoma uma de suas eras mais icônicas

Madonna está oficialmente de volta às pistas de dança. A artista anunciou, nesta quinta-feira (16), o lançamento de seu novo álbum de estúdio, Confessions II, previsto para chegar às plataformas no dia 3 de julho pela Warner Records. O disco marca a continuação direta do celebrado Confessions on a Dance Floor, lançado em 2005 e considerado um dos trabalhos mais emblemáticos da fase dance-pop da cantora. Antes mesmo da chegada do single principal, Madonna já ofereceu aos fãs a primeira amostra do projeto por meio de um teaser visual de atmosfera hipnótica, reforçando a proposta estética e sonora do novo trabalho. O anúncio também veio acompanhado da abertura do pré-save do álbum e de uma curadoria especial com versões em vinil, CD e cassete, evidenciando a aposta em uma experiência que dialoga tanto com o streaming quanto com o público colecionador. Ao apresentar o conceito do disco, a cantora destacou os versos iniciais da faixa “One Step Away”, defendendo a profundidade da música eletrônica e da cultura de pista. Segundo ela, a dance music vai muito além do entretenimento superficial. “A pista de dança não é apenas um lugar, é um limiar: um espaço ritualístico onde o movimento substitui a linguagem”, afirmou. A declaração reforça a proposta conceitual do álbum, que trata a dança como uma forma de transcendência, comunhão e expressão emocional. Madonna também revelou que o disco nasceu a partir de um manifesto criativo desenvolvido ao lado do produtor Stuart Price, parceiro do álbum original. Para a artista, dançar, celebrar e “rezar com o corpo” são práticas espirituais milenares, e o ato de “ravear” representa uma arte ligada à superação de limites e à conexão coletiva. A expectativa em torno de Confessions II é alta, especialmente por retomar uma das eras mais icônicas de sua discografia e por recolocar a Rainha do Pop no centro do universo clubber contemporâneo.

Entrevista | Bayside Kings – “A gente quer ocupar espaço em todos os eventos para mostrar nosso som”

O Arena HC confirmou mais uma vez sua força como principal vitrine do hardcore nacional na atualidade durante a edição realizada no último sábado, 11 de abril, no Studio Stage, em São Paulo. Entre os grandes destaques do line-up, o Bayside Kings foi um dos nomes que mais mobilizaram o público logo nas primeiras horas do festival, ajudando a transformar o evento em um verdadeiro ponto de encontro da cena. Com uma apresentação visceral, a banda santista entregou um show intenso do início ao fim, reafirmando a conexão construída ao longo dos anos com os fãs do hardcore brasileiro. O público respondeu à altura, com muitos stage dives, rodas de mosh pit e a energia caótica que já se tornou marca registrada dos shows do grupo. No repertório, um dos momentos mais aguardados foi a execução do single “Nada Para Mim”, faixa recente que já vem ganhando força entre os seguidores da banda. Como de costume, o palco também se transformou em uma grande festa, com os tradicionais artefatos de praia que acompanham a identidade do grupo, incluindo os clássicos macarrões de isopor, que deram ainda mais personalidade à apresentação. Vivendo uma nova fase, o Bayside Kings também se prepara para um passo importante na carreira: o lançamento de um novo álbum, o primeiro pela Deckdisc. Em entrevista durante o festival, a banda falou ao Blog N’ Roll sobre a importância de estar presente em festivais de diferentes perfis e sobre a expansão do seu alcance dentro do mercado. Esta entrevista faz parte de uma série de 11 entrevistas sobre a cena punk e hardcore do Brasil. O novo single Nada para Mim já está sendo cantado pelo público nos shows. Qual o próximo passo? Teremos um novo single ou um novo Milton – O próximo single sai pela Deck Disk no próximo dia 15 de maio, antes da gente ir para o Porão do Rock. A música se chama “A Lei do Retorno” e acredito que no meio do ano a gente já lance o álbum cheio. Você citou o Porão do Rock, o Bayside Kings está tocando além de festivais de hardcore e indo para festivais que não tocam só Rock. Como vocês enxergam essas participações em festivais para o crescimento da banda? Teteu – Eu acho legal porque a gente consegue abrir a porta para um tipo de som que não é muito comum de estar nesses festivais. A gente sempre quis ocupar esses espaços porque são sempre poucas bandas que vão e às vezes são bandas secundárias, mais longe da proposta do festival. Mas a gente quer ocupar espaço em todos os eventos, não importa se é de música X ou música Y. Queremos estar lá para mostrar nosso som, nossa comunidade e como tudo funciona. O próximo Arena HC será realizado no dia 26 de abril em Belo Horizonte e, além do Bayside Kings, terá as bandas Dead Fish, Hateen, Rancore, Pense, Garage Fuzz e Aurora Rules. Ingressos à venda na articket.

Landmvrks estreia no Brasil com show no Carioca Club em setembro

A banda francesa Landmvrks, um dos principais nomes do metalcore contemporâneo, fará sua aguardada estreia no Brasil no dia 20 de setembro, no Carioca Club, em São Paulo. A apresentação integra a primeira turnê latino-americana do grupo, com cinco datas inéditas pela região, e acontece em um momento especial da carreira do quinteto, impulsionado pelo álbum The Darkest Place I’ve Ever Been, lançado em abril de 2025. A realização é da Liberation Music Company, com ingressos disponíveis a partir de amanhã, 17 de abril, pelo Clube do Ingresso. A passagem pela capital paulista faz parte de uma rota que começa na Cidade do México, no dia 16 de setembro, segue por Bogotá no dia 18 e depois desembarca no Brasil antes de passar por Buenos Aires e Santiago. A turnê reforça a expansão internacional da banda, que nos últimos anos consolidou seu nome entre os destaques do metalcore europeu e global, especialmente após uma sequência de shows lotados e a repercussão positiva do trabalho mais recente. Formado em 2014, em Marselha, o Landmvrks construiu sua trajetória de forma ascendente. O primeiro álbum, Hollow, chegou em 2016, seguido por Fantasy, em 2018, disco que ajudou a consolidar a identidade sonora do grupo. O salto maior veio com Lost In The Waves, de 2021, trabalho que ampliou a presença da banda na imprensa especializada, no circuito de turnês e entre o público do gênero. Desde então, o quinteto passou a figurar entre os nomes mais comentados da nova geração do metalcore. O novo álbum, The Darkest Place I’ve Ever Been, é apontado como o trabalho mais ambicioso do grupo até aqui. Com faixas como “Creature”, “Sulfur”, “Sombre 16” e “A Line In The Dust”, a banda aprofunda a mistura entre peso, melodias marcantes, tensão hardcore e influências de nu metal e hip-hop, características que se tornaram assinatura do grupo. A formação atual reúne Florent Salfati nos vocais, Nicolas Exposito e Paul Cordebard nas guitarras, Rudy Purkart no baixo e Kévin D’Agostino na bateria. Os resultados desse ciclo recente também apareceram nos palcos. Em janeiro deste ano, a banda lotou o Zénith Paris, um dos espaços mais simbólicos da cena francesa, reforçando o momento de alta e a expectativa para a estreia no Brasil. ServiçoLANDMVRKS em São PauloData: 20 de setembroLocal: Carioca ClubIngressos: Clube do Ingresso a partir das 10h de 17.04

Entrevista | Cachorro Grande – “A banda volta em definitivo, vamos gravar um disco em junho”

A Cachorro Grande desembarca em São Paulo para um dos shows mais simbólicos dessa nova fase nesta sexta (17). A apresentação no Cine Joia acontece em clima de reta final, com últimos ingressos disponíveis e expectativa de casa cheia. O show faz parte da turnê que celebra os 26 anos da banda, um marco que reforça o peso histórico do grupo dentro do rock nacional e a força do reencontro com o público. Formada em Porto Alegre no fim dos anos 1990, a Cachorro Grande construiu sua trajetória com base em riffs diretos, referências clássicas e uma energia de palco que virou marca registrada. Ao longo dos anos 2000, a banda se consolidou como um dos principais nomes do rock brasileiro, transitando entre garage rock e psicodelia, acumulando hits e presença constante em festivais e na programação da MTV Brasil. Após o hiato iniciado em 2019, o retorno reposiciona o grupo em um momento de reconexão com sua própria história. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista Beto Bruno falou sobre três pontos centrais desse novo momento: o impacto emocional do reencontro com a banda após anos separados, a construção da atual turnê a partir da resposta do público e o desejo de transformar a reunião em um retorno definitivo. Segundo ele, a retomada deixou de ser pontual quando os primeiros shows mostraram que ainda havia algo forte acontecendo no palco, tanto musicalmente quanto na relação entre os integrantes. O discurso também aponta para o futuro. A banda está prestes a oficializar esse retorno com material inédito e já tem planos concretos: entra em estúdio em junho para gravar um novo álbum, com repertório praticamente fechado. A ideia é lançar o disco ainda este ano e, a partir dele, estruturar uma nova turnê, deixando para trás o formato comemorativo. A proposta é clara: voltar a ser uma banda em atividade contínua, com produção autoral e não apenas sustentada pela nostalgia. Como está funcionando a turnê de vocês, além do show no Cine Joia? Já existem outras cidades confirmadas? A gente começou isso tudo de uma forma muito natural. Há uns três anos, depois de cinco anos separados, rolou um convite para tocar em Porto Alegre, no aniversário da cidade. E foi muito forte, sabe? Não só pelo reencontro pessoal, mas principalmente pelo som que saiu no palco. Aquilo ali me mostrou o quanto eu estava com saudade dos caras. E acho que isso foi recíproco. A partir dali, começaram a surgir convites, o público pedindo show em São Paulo, e a gente também queria muito tocar aqui. Fizemos São Paulo, depois vieram outras datas e, quando vimos, já estávamos estruturando uma turnê. Era para ser de 25 anos, mas o tempo passou e virou 26. Agora estamos nessa estrada, com mais datas sendo organizadas. Qual o peso de um show em São Paulo para o Cachorro Grande hoje? São Paulo sempre teve um peso diferente. Tudo o que acontece aqui repercute no resto do país. Então dá um nervosismo maior, sim. É uma responsabilidade grande, mas também é muito importante. É um termômetro para a banda. Em que momento vocês perceberam que não seria apenas um reencontro pontual? Isso foi acontecendo. Depois daquele primeiro show, bateu uma sensação muito forte. Quando eu subi no palco com eles, aconteceu uma coisa absurda, aquela química voltou na hora. E eu só fui entender o tamanho da saudade naquele momento. Não era só da amizade, era do que acontece ali em cima do palco, que é muito único. A gente tentou fazer mais um show, depois outro, e quando viu já não fazia mais sentido ser algo pontual. A gente queria continuar, e o público também. E já que vão continuar, eu já vi vocês falando sobre músicas novas. Quais os planos do Cachorro Grande? Voltaram em definitivo, tem álbum em vista? Então, bicho, nosso pensamento futuro é realmente a banda voltar definitivo. Não com turnê de reunião. É gravar um disco agora em junho que a gente já tem o repertório pronto. O plano é lançar esse disco antes do fim do ano e aí sim, voltar definitivamente com uma turnê, com disco. Que eu acho que é muito mais valioso. Então a maneira da gente respeitar o nosso público e a melhor maneira da gente seguir tocando seria com um disco novo. E é isso que vai acontecer. Falando sobre o álbum novo, você pode adiantar alguma coisa da sonoridade? Vocês vão mais para o som antigo ou algo novo? A gente já passou por várias fases, inclusive aquela mais eletrônica, que ficou para trás. O que tinha para fazer ali, a gente já fez. A banda que se encontra hoje pra gravar um disco daqui três meses tá fazendo sim um disco diferente de tudo que a gente já fez. Mas não quer dizer que tenha alguma novidade com relação ao mercado. São novidades com relação à nossa própria história, à nossa própria evolução. Vai ser um disco diferente dentro da nossa própria história, da nossa evolução. Não é uma coisa pensada para seguir tendência ou surpreender o mercado. O mais importante é não deixar de fazer o que a gente gosta. Porque quando você tenta forçar algo novo só para impressionar, você deixa de ser verdadeiro. E aí não funciona nem para a gente, nem para o público. A única forma de seguir no rock é sendo verdadeiro. Então o disco vai ser isso. Vocês chegaram brigar e isso levou ao fim da banda. Agora que a volta é definitiva, vocês chegaram a conversar sobre o que não repetir do passado ou foi algo mais natural? Teve uma conversa, sim. Antes mesmo do primeiro ensaio, a gente sentou e falou sério sobre tudo. Sobre como deveria ser dali para frente, para não repetir os erros que levaram ao fim da banda. Mas muita coisa também veio naturalmente. Esses cinco anos separados, fazendo projetos solos, e a pandemia fizeram a gente refletir muito. Quando você está no meio