Frank Turner transforma espera de anos em celebração de fé no punk rock em São Paulo

Havia uma dívida pendente desde 2020. Quando a pandemia cancelou a primeira turnê sul-americana de Frank Turner, ficou no ar a dúvida de quando o músico inglês finalmente atenderia aos infinitos pedidos de “Come to Brazil”. A resposta de Frank Turner veio na noite desta sexta-feira (30), no Fabrique Club, em São Paulo. Longe das grandes arenas e festivais, Frank Turner escolheu em São Paulo o ambiente que define sua essência: um clube escuro, quente e com o público a centímetros do microfone. Em entrevista exclusiva ao Blog n’ Roll, ele havia adiantado que prefere a “intensidade e entrega” dos latinos à ironia distante das plateias de Londres. E foi exatamente essa troca de energia bruta que se viu em São Paulo. Frank Turner acústico e furioso Quando Frank Turner subiu ao palco, armado apenas com seu violão, a atmosfera de “culto secular” se instalou. Sem banda de apoio, a responsabilidade de preencher o som recaiu sobre o coro da plateia. O setlist, muito próximo do apresentado na Costa Rica, Chile e Argentina dias atrás, foi um passeio equilibrado pela discografia. A abertura com If Ever I Stray já serviu para testar as cordas vocais dos fãs. Músicas como Recovery e The Way I Tend to Be funcionaram perfeitamente no formato desplugado, ganhando contornos de hinos de bar. Um dos momentos mais curiosos da turnê atual é o esforço de Turner com o idioma local. Logo no início do show arriscou algumas frases em português. Depois disse que como todos já haviam visto que ele fala bem português, ele ia passar o resto da noite falando em inglês. Em Do One, faixa que costuma receber uma versão no idioma local nos shows, Frank Turner brincou que havia aprendido em espanhol, mas viu que em São Paulo o esforço seria um pouco maior. Revelou que recebeu a ajuda de um fã brasileiro que mandou o trecho traduzido e chamou Katerina (Katacombs) para segurar o papel com o texto em português. O esforço de Frank Turner arrancou muitos aplausos e gritos dos fãs. >> LEIA ENTREVISTA EXCLUSIVA COM FRANK TURNER Musicalmente, um dos pontos altos para os fãs de punk rock foi a execução de Bob, cover do Nofx. A faixa celebra o split que ele lançou com a lenda do punk californiano, um feito que Turner descreveu ao Blog n’ Roll como “o auge punk da carreira”. Ao vivo, a versão acústica trouxe uma melancolia que a original esconde, mas sem perder o peso da letra. Houve espaço também para novidade, com a execução de Girl From the Record Shop, No Thank You for the Music e Letters, que assim como Do One, são do álbum Undefeated, de 2024, provando que, mesmo após 3 mil shows, a máquina criativa não para. Aliás, ele fez questão de registrar que era o show 3.107 da carreira. Conexão e clímax O terço final do show foi desenhado para a catarse. Photosynthesis (com seu mantra “I won’t sit down, and I won’t shut up”) e I Still Believe não foram apenas cantadas, foram gritadas. É interessante notar como o show solo muda a dinâmica de Four Simple Words. Sem a bateria acelerada, a música se transforma em uma valsa punk onde a interação com o público é tudo. Frank Turner encerrou sua primeira noite no Brasil prometendo voltar, e talvez não sozinho. Na conversa com o blog, ele revelou o desejo de trazer sua banda completa e, quem sabe, até a edição do festival Lost Evenings para cá. Se o show do Fabrique foi um teste, o público passou com louvor. Foi uma noite de suor, honestidade e a prova de que, como ele mesmo canta, o rock and roll ainda salva vidas. Turner segue agora para Brasília (31) e Curitiba (1), levando na bagagem a certeza de que o Brasil é, de fato, intenso como ele imaginava. Edit this setlist | More Frank Turner setlists
Dave Hause entregou muito mais que um show de abertura em SP

Se alguém esperava apenas um “aquecimento” para Frank Turner, Dave Hause tratou de dissipar essa ideia logo nos primeiros acordes. Velho companheiro de estrada do britânico e eterno líder do The Loved Ones, Dave Hause subiu ao palco do Fabrique não como um coadjuvante, mas como um co-protagonista espiritual da noite. A conexão com o público foi testada, e aprovada, instantaneamente. Logo na abertura com Look Alive, uma falha no som deixou o cantor sem microfone por boa parte da canção. Longe de esfriar o ânimo, o incidente transformou o Fabrique em um coro uníssono, com a plateia segurando a melodia enquanto Hause regia o público, provando que o carisma de um frontman veterano supera qualquer falha técnica. Essa energia crua não é acidental. Após uma fase mais voltada ao Americana e gravações polidas em Nashville, Hause vive um momento de epifania rock’n’roll com seu projeto atual, …And the Mermaid (2025). O repertório foi um passeio por essa trajetória, com faixas como Hazard Lights, Cellmates, C’mon Kid, Saboteurs e Damn Personal. Para os fãs das antigas, o ponto alto foi Jane, clássico do The Loved Ones que fez a pista tremer. Hause também não fugiu do posicionamento político, uma marca de sua carreira vinda da escola punk da Filadélfia. Antes de Dirty Fucker, dedicou a música “a dois filhos da puta”: Donald Trump e Jair Bolsonaro, sendo ovacionado pelo público. Em sua primeira vez no Brasil, ele lamentou não poder atender a todos os pedidos da plateia devido ao tempo curto, mas deixou uma promessa: voltaria para tocar o set completo se retornasse como headliner. Se depender da recepção calorosa e da intensidade que entregou, o convite já está feito.
Atmosfera etérea de Katacombs abre a noite de Frank Turner em SP

A responsabilidade de abrir a noite para nomes de peso como Dave Hause e Frank Turner, no Fabrique Club, na Barra Funda, em São Paulo, na noite de sexta-feira (30), ficou a cargo de Katacombs. O projeto é a identidade artística de Katerina Kiranos, cantora norte-americana que traz em sua bagagem uma fusão cultural fascinante: nascida em Miami, ela é filha de mãe espanhola e pai grego. Com um repertório intimista, Katerina transformou o ambiente do clube antes da explosão de energia das atrações principais. Esbanjando carisma e uma qualidade vocal impressionante, ela apresentou faixas que transitam por melodias dramáticas e etéreas. O setlist incluiu Blue Beard, Fruta y Mar, Weeping Willow, Old Fashioned e Pin Pin (com exceção de Blue Beard, todas do álbum de estreia, Fragments of the Underwater), encerrando com a faixa-título de seu primeiro EP, You Will Not. A profundidade de suas canções não é por acaso. Antes de assumir os palcos, Katerina dedicou anos à escultura de móveis em osso e madeira, uma meticulosidade que ela parece ter transferido para a construção de suas melodias. You Will Not, seu trabalho de estreia, funciona como uma montanha-russa emocional, refletindo uma jornada de autodescoberta que atravessa fronteiras geográficas e gêneros musicais, algo natural para alguém que passou a vida navegando entre múltiplas culturas. No palco do Fabrique, Katacombs provou que sua decisão de sair do “quarto escuro”, onde compunha solitariamente, para compartilhar seu mundo sagrado com o público foi, sem dúvida, a escolha certa.
Beck lança álbum de raridades com covers de Caetano Veloso e Daniel Johnston

Talvez você se lembre dele cantando sobre um coração partido na trilha sonora do filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Agora, essa gravação e outras raridades da discografia de Beck estão reunidas em um só lugar. Nesta sexta-feira (30), o músico disponibilizou nas plataformas digitais o álbum Everybody’s Gotta Learn Sometime. O projeto funciona como uma compilação de raridades, faixas lado B e covers que Beck executou ao longo dos anos, especialmente durante sua recente turnê orquestral. De Scott Pilgrim a Caetano Veloso entre as raridades de Beck O repertório é eclético e traz uma surpresa para os brasileiros: uma versão de Michelangelo Antonioni, canção de Caetano Veloso. O disco abre com a faixa-título (cover do The Korgis, de 2004) e segue com interpretações de clássicos de Elvis Presley (Can’t Help Falling in Love), John Lennon (Love) e The Flamingos (I Only Have Eyes for You). O universo indie e alternativo também marca presença com releituras de Hank Williams, Daniel Johnston (True Love Will Find You in the End) e a faixa Ramona, contribuição de Beck para a trilha do filme Scott Pilgrim contra o Mundo. Lançamento físico Enquanto a versão digital já pode ser ouvida, o formato físico chega às lojas em 13 de fevereiro. Aproveitando a proximidade com o Valentine’s Day (Dia dos Namorados nos EUA), o vinil será prensado na cor “vermelho opaco”.
Dead Fish revela inéditas na versão deluxe de “Labirinto da Memória”

Às vezes, o que fica de fora da tracklist final de um disco é tão urgente quanto o que entra. Quase dois anos após apresentar o álbum Labirinto da Memória (2024), o Dead Fish decidiu abrir os arquivos daquela sessão de gravação. A banda capixaba disponibilizou nas plataformas de streaming a edição deluxe do trabalho, via gravadora Deck. O projeto expandido vai além de uma simples reedição: ele traz duas faixas inéditas, Entre o Fim e o Começo e Orbitando, além de quatro registros captados ao vivo. “Tragicamente atual para 2026” Produzidas por Rafael Ramos e Ricardo Mastria, as canções inéditas mantêm a pegada hardcore melódica que marcou o disco original. Segundo a banda, elas só ficaram de fora em 2024 por questões de fluxo narrativo do álbum. O vocalista Rodrigo Lima comenta que a faixa “Entre o Fim e o Começo” reflete sobre o esgotamento de recursos e a apropriação egoísta do conhecimento: “Entre o Fim e o Começo ficou pronta no fim das gravações e preferimos deixá-la de fora. Eu, pessoalmente, gosto bastante da letra e da música, é uma letra tragicamente atual para 2026”. Já sobre Orbitando, Lima explica que a música “bateu na trave”. “Ficou pronta antes de muitas que entraram. Gosto de tudo nela… mas acabou não encaixando no flow do álbum. É uma música muito forte, que ficou sem lugar”. Registro dos palcos de Labirinto da Memória Para completar o pacote, a edição deluxe inclui a energia da turnê que rodou o Brasil nos últimos dois anos. As faixas escolhidas para as versões ao vivo foram:
Matanza Inc lança o EP “Obscurantista” e consolida nova formação

O Matanza Inc decidiu olhar para frente da única forma que sabe: com volume alto e confronto. Nesta sexta-feira (30), a banda disponibilizou nas plataformas de streaming o EP Obscurantista, lançamento que sai via Monstro Discos. Este é o primeiro registro completo com a formação atual, capitaneada pelo compositor e guitarrista Marco Donida. Ao lado dele, estão Daniel Pacheco (vocais), Marcelo Albuquerque (baixo) e Marcos Willians (bateria). Peso e ironia ácida na Obscurantista O trabalho conta com cinco faixas: Marcha para Asmodeus, Presença Nefasta, Sangue na Festa, A Única Certeza e a faixa-título. Liricamente, o grupo mantém a tradição de Marco Donida: crítica social mordaz, ironia ácida e o retrato de um mundo em colapso. Musicalmente, a banda aprofunda a fusão de riffs agressivos com elementos de country, agora inseridos de forma mais orgânica. “O discurso permanece afiado, sustentado por letras que não buscam conforto, mas confronto… A proposta segue sendo a mesma: fazer barulho, provocar desconforto e refletir, de forma crua, o tempo em que se vive”, diz o material de divulgação. Obscurantista funciona como uma reafirmação de identidade, mostrando um Matanza Inc seguro de sua trajetória e longe de tentar apenas agradar aos nostálgicos. Ouça o EP na íntegra
Aerosmith anuncia “Legendary Edition” do álbum de estreia com mixagens inéditas e box de luxo

Se você acha que já ouviu tudo o que o Aerosmith tinha para oferecer sobre seus primeiros anos, Steven Tyler e Joe Perry têm uma novidade. Nesta sexta-feira (30), a banda anunciou o lançamento do projeto Aerosmith (Legendary Edition), previsto para chegar ao mercado em 20 de março de 2026 pela Capitol Records/UMe. Pela primeira vez, os membros fundadores decidiram apresentar sua visão “sem filtros” do clássico álbum de estreia de 1973 (aquele que tem Dream On e Mama Kin). Para isso, Tyler e Perry remixaram as fitas originais ao lado do produtor Zakk Cervini (blink-182) e Steve Berkowitz. O resultado é a 2024 Album Mix, que promete elevar a energia do material ao máximo. O que vem no pacote do Aerosmith Legendary? A coleção é robusta e feita para colecionadores. A versão mais completa, a Legendary Collector’s Edition (Box Deluxe 5LPs), inclui: “Mama Kin” renovada Para dar um gostinho do que vem por aí, a banda liberou a versão Mama Kin (2024 Mix). A faixa já está disponível nas plataformas digitais e mostra a intenção do projeto: soar mais cru, alto e visceral do que a mixagem original dos anos 70 permitia. Onde começou tudo Lançado originalmente em 5 de janeiro de 1973, o álbum homônimo foi gravado no Intermedia Studios, em Boston. Foi ali que a banda estabeleceu o molde de groove blues e riffs distorcidos que influenciaria o rock pelas cinco décadas seguintes. A pré-venda já está disponível na UMusic Store.
Entrevista | Psychic Fever – “Criamos nossa música hoje pensando em um público verdadeiramente global”

Após o sucesso do EP PSYCHIC FILE III, que apresentou os singles “Gelato” e “Reflection”, o boygroup japonês PSYCHIC FEVER inicia um novo capítulo de sua trajetória com o lançamento de “SWISH DAT.”. A faixa marca uma fase ainda mais ambiciosa do grupo, que vem consolidando sua presença fora do Japão ao unir performance, identidade visual forte e uma sonoridade que dialoga com o pop global. Formado por KOKORO, WEESA, TSURUGI, RYOGA, REN, JIMMY e RYUSHIN, o grupo integra o coletivo EXILE TRIBE, sob a gestão da LDH JAPAN. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o PSYCHIC FEVER falou sobre o conceito por trás do novo single “SWISH DAT.”, o impacto do EP PSYCHIC FILE III na maturidade artística do grupo e os efeitos da primeira turnê pelos Estados Unidos na construção de uma carreira cada vez mais global, além da forte conexão que vem sendo criada com o público brasileiro por meio das redes sociais. “SWISH DAT.” vem após o lançamento de PSYCHIC FILE III. O que vocês queriam expressar artisticamente com esse single em relação aos lançamentos anteriores? TSURUGI:Nós focamos em expressar um senso de Japão. Essa música incorpora os pontos fortes do J-pop, e acreditamos que expressar a identidade japonesa pode se tornar uma ponte que conecta o Japão ao resto do mundo. KOKORO:Como a música também é o tema de abertura do drama Masked NINJA Akakage, gravamos imaginando o mundo e a atmosfera da série. Espero que as pessoas consigam sentir a química entre o drama e o estilo único do PSYCHIC FEVER. A música também é tema da série Masked NINJA Akakage. Como foi adaptar a identidade do grupo a uma narrativa ligada ao universo ninja? RYOGA:Senti que os conceitos associados aos ninjas, como velocidade, precisão e foco, combinam muito com o estilo de performance do PSYCHIC FEVER. Ao respeitar essa visão de mundo e combiná-la com um som moderno e nossa própria energia, acredito que conseguimos unir naturalmente o universo do drama com a identidade do grupo. JIMMY:Por ser uma música tema, foi empolgante nos desafiarmos em um gênero um pouco diferente do que costumamos fazer. Ao cantar, tentei entrar totalmente no personagem e criar uma atmosfera que combinasse com o drama, mas ainda expressando isso de uma forma que fosse fiel ao PSYCHIC FEVER. PSYCHIC FILE III, com “Gelato” e “Reflection”, teve uma forte repercussão internacional. O que esse EP representou em termos de maturidade do grupo? REN:Com PSYCHIC FILE III, buscamos novamente um novo som para o PSYCHIC FEVER. Durante o processo de gravação, aprendemos novas formas de transmitir emoções e de nos expressar, e isso acabou se tornando uma experiência muito significativa para nós. WEESA:Se não continuarmos crescendo a cada lançamento, até mesmo nossos fãs mais dedicados podem acabar se cansando. Em vez de pensar em “maturidade”, encaramos cada projeto com a mentalidade de evoluir constantemente e seguir avançando. A primeira turnê pelos Estados Unidos foi um marco importante? O que mais surpreendeu vocês na reação do público americano? TSURUGI:Quando fomos a Dallas, no Texas, muitas pessoas apareceram no show usando chapéus de cowboy. Isso me deixou muito feliz. RYUSHIN:Visitamos muitos lugares pela primeira vez, então estávamos sinceramente preocupados com o público. Mas muitos fãs locais compareceram e cantaram quase todas as nossas músicas. Cada show se tornou uma memória inesquecível. Depois de se apresentarem pela Europa, América do Norte e Ásia, vocês sentem que o PSYCHIC FEVER já atua como um grupo verdadeiramente global? KOKORO:Não quero me dar por satisfeito com onde estamos agora. Sinto fortemente que queremos conhecer ainda mais pessoas em ainda mais lugares. Vamos continuar buscando o que nos define e estou muito motivado a levar nossa música e nossos shows para o mundo inteiro. WEESA:Tivemos a sorte de visitar muitos países, mas queremos que nossa música alcance ainda mais pessoas. Quero continuar trabalhando duro para que mais ouvintes ao redor do mundo descubram e se conectem com nossas músicas. Como a assinatura de um contrato global com a Warner Music Group e a 10K Projects muda a estratégia internacional de vocês? RYOGA:Esse contrato global ampliou muito nossa perspectiva e as formas de entregar nossa música. Tanto na produção quanto na divulgação, estamos tomando decisões pensando em um público global. Parece que agora estamos em um ambiente onde podemos realmente testar até onde o PSYCHIC FEVER pode chegar. JIMMY:Definitivamente passamos a criar nossa música com uma mentalidade muito mais global. Temos recebido muitas oportunidades de nos apresentar em eventos internacionais e turnês mundiais, e estamos colocando muita energia na produção do próximo álbum para continuar expandindo nossa base de fãs. O grupo mistura vocais, rap e dança com forte influência do pop dos anos 2000. Como vocês equilibram essas referências com uma identidade atual? RYOGA:As melodias marcantes e os grooves do pop dos anos 2000 fazem parte das nossas raízes. Em vez de simplesmente recriá-los, buscamos mesclar essas influências com uma sensibilidade moderna. Acreditamos que sentir nostalgia e frescor ao mesmo tempo é o que torna o PSYCHIC FEVER único. JIMMY:Somos muito cuidadosos para não apenas copiar o passado. Queremos que o som carregue claramente a cor do PSYCHIC FEVER. Também nos preocupamos em preservar a individualidade dos sete membros, trabalhando de perto com a equipe em tudo, das letras aos detalhes da performance. “Just Like Dat feat. JP THE WAVY” teve números expressivos em streaming e no TikTok. Como vocês veem o papel das redes sociais no crescimento do grupo? TSURUGI:Por meio das plataformas de streaming e do TikTok, conseguimos nos conectar com pessoas do mundo todo. Acima de tudo, poder nos conectar com fãs do Brasil nos deixa muito felizes. Essas plataformas são extremamente importantes na cena musical atual e ajudam muitas pessoas a descobrirem nossa música. RYUSHIN:As redes sociais são essenciais porque permitem que nossa música alcance pessoas que talvez nunca tivessem nos conhecido. Mesmo em lugares onde ainda não conseguimos ir fisicamente, conseguimos nos comunicar com fãs do mundo todo. O Brasil tem um público muito engajado com o pop e a
Entrevista | Sensor Noise – Atriz que fez sobrinha de Phoebe em Friends lança banda de rock com estrela da Disney

Quem assistiu a Friends provavelmente se lembra da família excêntrica de Phoebe Buffay. O que muita gente talvez não saiba é que uma de suas sobrinhas, Leslie, vivida por Allisyn Snyder, cresceu, seguiu carreira artística e hoje está à frente de uma banda que começa a dar seus primeiros passos. Allisyn é casada com Dylan Snyder, também ator mirim na infância, conhecido por trabalhos na Disney e por ter interpretado o jovem Tarzan na Broadway. Juntos, eles comandam a Sensor Noise junto Steve Arm, pai da atriz. Em família, a banda mistura rock alternativo, eletrônica e forte identidade visual. O grupo já soma sete músicas lançadas no Spotify e constrói um projeto que une música, cinema e narrativa estética como um único universo criativo. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Allisyn e Dylan Snyder falam sobre a origem da Sensor Noise, a influência da atuação na música e os planos para o primeiro álbum, que deve ser lançado junto a um projeto audiovisual ambicioso. Começando por Friends, como foi para você fazer parte de uma série que teve um impacto tão grande no Brasil e segue sendo descoberta por novas gerações? Estar em Friends é como fazer parte de algo que vai existir para sempre. É uma cápsula do tempo de como era a vida e a amizade naquela época. Interpretar a Leslie Buffay e ser a criança que jogava coisas no Matthew Perry foi incrível. Na época, eu era muito nova e não entendia totalmente a dimensão daquilo. Para mim, era tipo: eu posso jogar comida em adultos? Posso faltar à escola e correr dentro de uma cafeteria? Só anos depois caiu a ficha do quão especial aquilo era. Quando voltei a assistir à série completa, já mais velha, foi emocionante chegar ao meu episódio. Pequenas memórias começaram a voltar, detalhes do set, do clima, das pessoas. Foi realmente especial. Nota: Allisyn tinha apenas 6 anos na época e o episódio foi gravado em 2003. Você guarda alguma lembrança ou curiosidade dos bastidores? Meus pais passaram a prestar muita atenção na série depois que eu participei. Eles não assistiam antes. Como é uma sitcom gravada com plateia, o processo dura uma semana inteira até a gravação final. Meu pai conseguiu acompanhar tudo, ver as reações do público. O episódio é “The One Where Ross Is Fine”, que o Ross descobre que Joey e Rachel estão juntos. É aquele das fajitas? Sim, é aquele das fajitas. Antes mesmo de o episódio ir ao ar, meus pais já estavam citando as falas o tempo todo. Isso ficou muito marcado para mim. Quando e como a Sensor Noise se uniu como banda? A Sensor Noise começou de forma muito orgânica. O pai da Allisyn é guitarrista e uma espécie de guru do rock indie. Ele tem uma banda chamada Pistol For Ringo, e nós sempre adoramos assistir aos shows e acompanhar as sessões de estúdio. A Allisyn praticamente cresceu dentro de estúdios, desde criança.Alguns anos atrás, no Ano Novo, fizemos uma viagem para o deserto e ficamos em um Airbnb com a ideia de levar equipamentos para gravar algumas demos, só para nos divertir. A ideia era tocar música sem pressão nenhuma. E isso favoreceu o processo criativo de vocês? Isso acabou virando um hábito. Sempre que tínhamos um aniversário ou alguma ocasião especial, usávamos como desculpa para viajar e gravar. Fomos para Lake Arrowhead, alugamos uma cabana e estabelecemos essa regra de uma demo por dia. Você acorda, faz uma caminhada nas montanhas com um café e cria algo novo. Muitas dessas sessões envolveram o pai da Allisyn, o Steve Arm, e também o Shane Smith, que é outro integrante do Pistol For Ringo. O Shane é um engenheiro incrível e uma das maiores influências da Allisyn desde a infância. Ele organizava festas de Natal chamadas Camp Shane, em que músicos se reuniam para tocar músicas natalinas a noite inteira. Crescer nesse ambiente tornou tudo meio inevitável. O Dylan sempre tocou música a vida toda também. Ele esteve na Broadway ainda criança, interpretando o jovem Tarzan, então tudo isso acabou convergindo naturalmente. A experiência de vocês como ator e atriz influencia a forma como vocês escreves e se posicionam musicalmente hoje? Com certeza. Cada parte da nossa vida influencia a banda. Até o nome Sensor Noise vem de um termo de câmera, porque somos cineastas. A Allisyn e eu fazemos filmes juntos há quase dez anos. Tivemos uma série semanal na internet, postando conteúdo toda sexta-feira, sem falhar. A filmagem sempre fez parte da nossa rotina, e isso entra direto na música. Os clipes são uma extensão natural desse processo criativo. O visual parece mesmo ter um papel central no projeto. Isso é intencional? Totalmente. Pensamos nos visuais enquanto criamos as músicas. Tudo está interligado. A banda acaba sendo um espaço onde performance, imagem, figurino, maquiagem e narrativa se encontram.Quando estamos compondo, já estamos imaginando o vídeo, os personagens, o clima. Isso vem muito da nossa vivência no cinema. Inclusive vi que você está com uma maquiagem bem diferente, já faz parte da caracterização? Sim, faz parte do estilo. Um dos meus artistas favoritos é o David Bowie, alguém que sempre abraçou a ideia de se vestir de forma única, sem seguir padrões. A maquiagem brilhante vem muito dessa referência.Além disso, é algo prático. Para mim, é mais rápido do que fazer uma maquiagem tradicional. Não importa se borrar, se chover ou se eu passar o dia todo com ela. Teve um momento em que pensei “preciso tomar cuidado para não borrar a maquiagem”, mas logo percebi que borrar também faz parte do visual. No Ano Novo, choveu em Los Angeles e eu continuei com o mesmo visual o dia inteiro. É libertador. O lado visual dos nossos clipes é essencial, e a estética faz parte do projeto tanto quanto a música. Como vocês definem o som da Sensor Noise e quais são as principais influências? Nossas referências vêm de muitos lugares. Crescemos ouvindo muito rock clássico. Pink Floyd, Bowie,