Molho Negro lança o álbum Vidamorteconteúdo

Primeiro disco da Molho Negro lançado pela gravadora Deck, Vidamorteconteúdo começou com um desafio diferente para a banda, ao se depararem com um pedido do diretor artístico Rafael Ramos. “Ele sugeriu que a gente compusesse mais músicas para depois escolher as que entrariam no álbum e isso já fez uma super diferença”, comentou o vocalista e guitarrista João Lemos. Assim a banda montou o disco tendo muitas opções e seguiu um fio narrativo ao selecionar as canções e a ordem delas. Vidamorteconteúdo, embora não tenha um tema, traz como pano de fundo a vida que a gente tem levado, muito pautada pela hiperconectividade, excesso de telas e afins, “além do que vem junto com isso, precarização do trabalho e outros problemas do nosso tempo”. A sonoridade desse novo trabalho traz a essência da Molho Negro, mas com alguns experimentos novos como em Bombas e Refrigerantes, que tem elementos eletrônicos e samples e Claustrofobia, com uma massa sonora mais densa do que os álbuns anteriores. Com 13 anos de carreira, a Molho Negro lança seu quarto álbum, Vidamorteconteúdo, que reafirma a identidade da banda, ao mesmo tempo que aponta novos caminhos.

Superalma reinventa a nostalgia e ecoa a leveza poética de Lulu Santos no single Tô Voltando Pra Casa

O tempo funciona como um espelho, que reflete quem fomos, ao mesmo tempo em que nos propõe dar um passeio imagético. Nesse percurso, tem-se a chance de vislumbrar aquilo que ainda poderemos ser. Foi nesse intervalo, entre a lembrança e o desejo, que o trio Superalma encontrou a centelha para criar seu novo single, Tô Voltando Pra Casa. A estreia chega pelo selo Cósmica Records. Inspirada em trechos da composição de Tempos Modernos, clássico absoluto de Lulu Santos, a faixa nasceu em uma tarde tranquila, dessas em que o estúdio também se faz casa e as sutilezas, guiadas pelo acaso, são convertidas em som. Mais do que uma reverência à poesia de Santos, consagrado hitmaker brasileiro, o que se ouve desse encontro entre a vocalista Bella Vox e os produtores Frankstation (baixo e synths) e U.F.O. (guitarra e synths) é um gesto de liberdade. A novidade soa como um reencontro do trio com a vontade de viver, com esse sol que bate no vidro do carro e nos oferece a possibilidade de seguir estrada adentro. A ideia de compor Tô Voltando Pra Casa nasceu de uma percepção coletiva do grupo, que buscava privilegiar sentimentos despretensiosos — um respiro necessário em meio às urgências cotidianas. “Sempre achamos essa letra de Lulu muito foda. Reconhecemos o quanto ele é um cara sinistro como instrumentista. Então, voltando nessa letra e melodia, foi fácil perceber que a canção que estávamos criando poderia funcionar como uma oportunidade de mergulhar nesse momento nostálgico, alinhado a uma estética leve e que fluísse”, explica U.F.O.  Nesta jornada marcada pela pulsação solar, a princípio tão cara à musicalidade da década de 1980, o trio também introduz outros elementos de memória afetiva, como as guitarras que ecoam a banda Charlie Brown Jr. e o potente pop/rock dos anos 2000. A cada acorde, paira a impressão de que sua nova música avança como o desprender natural do peso das horas. O resultado é uma digressão, que reflete sobre a fugacidade da vida, o anseio pela tranquilidade e a beleza de habitar o agora. “A nossa música quer traduzir a ideia de que a vida é um foguete, que tudo passa rápido demais”, prossegue U.F.O. Assim é que Tô Voltando Pra Casa encontra sua força motriz, um sentimento que finca raízes no encontro entre a melancolia e o riso, entre o ontem e o que ainda virá. Nos preparativos para a chegada do álbum Todo Tempo Que Virá Depois Desse Momento – Volume 2, o trio segue explorando territórios onde a imaginação se impõe como palavra de ordem. Cada canção se articula como um sopro de liberdade, um instante suspenso em que passado, presente e futuro se entrelaçam em perfeita harmonia. Entre vocais que dançam com as guitarras, flutuando entre diferentes estados, o trio leva o ouvinte a atravessar essas paisagens sonoras como quem percorre ruas infinitas, lembrando que toda viagem, interna ou externa, é também um retorno para si mesmo. Nesse fluxo, Bella Vox, Frankstation e U.F.O. não apenas criam música: criam atmosferas, despertam sensações e transformam cada nota em um convite poético para sentir e simplesmente estar.

Megadeth inclui São Paulo na turnê de despedida

Os fãs brasileiros do Megadeth têm um último encontro marcado com a história do heavy metal. A banda liderada por Dave Mustaine anunciou uma única apresentação no Brasil no dia 2 de maio de 2026 (sábado), no Espaço Unimed, em São Paulo. Com produção da Mercury Concerts, a venda de ingressos para o público geral começa no dia 5 de novembro (quarta-feira), às 10h, pelo site Eventim. E no dia 3 de novembro (segunda-feira), no mesmo horário, será aberta a pré-venda exclusiva para os membros do fã-clube da banda, também pelo site Eventim. Esta será a última chance dos fãs brasileiros testemunharem ao vivo a potência, a técnica e a fúria que consagraram o Megadeth como uma das maiores bandas de metal de todos os tempos. Formado em 1983, o Megadeth é considerado um dos Big Four do thrash metal, ao lado de Metallica, Slayer e Anthrax. Com mais de 50 milhões de álbuns vendidos e um Grammy conquistado, a banda deixa sua marca na história da música pesada ao combinar técnica, velocidade e letras afiadas sobre política, guerra e sociedade. Após mais de quatro décadas, Dave Mustaine e seus companheiros — Teemu Mäntysaari (guitarra), James LoMenzo (baixo) e Dirk Verbeuren (bateria) — se despedem dos palcos prometendo uma noite épica, com clássicos que marcaram gerações — como Symphony of Destruction, Hangar 18, Peace Sells e Holy Wars… The Punishment Due — além de faixas do álbum mais recente, The Sick, The Dying… And The Dead!. SERVIÇO Cidade: São Paulo Data: 2 de maio de 2026 (sábado) Local: Espaço Unimed – Rua Tagipuru, 795 Portas: 19h MEGADETH: 21h30 Classificação Etária: 16 (dezesseis) anos desacompanhados. Menores de 16 (dezesseis) anos poderão comparecer ao evento desde que acompanhados dos pais e/ou responsáveis legais. Informação sujeita à alteração, conforme decisão judicial. Preços                       Inteira                      Meia Pista Premium         R$ 750,00                 R$ 375,00 Pista                         R$ 450,00                 R$ 225,00 Mezanino                 R$ 800,00                 R$ 400,00 Camarote A              R$ 900,00                 R$ 450,00 Camarote B              R$ 850,00                 R$ 425,00

The Damned anuncia álbum de covers em homenagem a Brian James

O The Damned agendou o lançamento de Not Like Everybody Else, seu novo álbum de estúdio, para 23 de janeiro de 2026. O material será uma homenagem ao guitarrista e fundador Brian James, falecido em março de 2025, trazendo versões de artistas que influenciaram o músico a tocar, compor e a fundar a lendária banda de punk rock. There’s a Ghost In My House, versão do clássico do cantor canadense R Dean Taylor, foi escolhido como o primeiro single do álbum. O som, lançado nesta quinta-feira (30), traz a energia e o charme sombrio do The Damned, assim como visto desde os primeiros trabalhos do grupo. A faixa também ganhou um clipe com imagens filmadas durante a recente turnê norte-americana do grupo. Gravação em cinco dias e a volta do baterista Rat Scabies Not Like Everybody Else foi gravado em apenas cinco dias no Revolver Studio, em Los Angeles, após a turnê do The Damned pela América do Sul – incluindo shows no Brasil – e EUA. O disco também marca o retorno do baterista Rat Scabies em um disco de estúdio com a banda após 40 anos. Além de There’s A Ghost In My House, o álbum contará com versões de See Emily Play do Pink Floyd, Gimme Danger do The Stooges e When I Was Young do The Animals. Ou seja, teremos várias covers de rock clássico adaptadas ao estilo “gothic punk”. O toque final de Not Like Everybody Else é dado pela faixa de encerramento This Could Be The Last Time dos Rolling Stones. O registro, gravado ao vivo em 29 de outubro de 2022, se tornou a última apresentação de Brian James com o The Damned. Confira a tracklist completa de Not Like Everybody Else do The Damned There’s a Ghost In My HouseSummer In The CityMaking TimeGimme DangerSee Emily PlayI’m Not Like Everybody ElseHeart Full Of SoulYou Must Be A WitchWhen I Was YoungThis Could Be The Last Time

“Springsteen: Salve-me do Desconhecido” e o ciclo de vida de uma criação

Os discos, assim como os filmes, têm vida própria. Ou pelo menos é nisso que o público, que os consome e, às vezes, os venera, acredita quando tem o contato com a obra final, lapidada e definida. Para o artista, que trabalha incansavelmente em algum projeto, no entanto, o que ocorre é um processo de transferência de ideias que se somam ou se separam durante uma transição de momentos, que podem resultar em uma turnê em larga escala ou um mergulho individual na zona criativa e deprimida que habita o semblante e o interior de um músico deprimido.  O filme Springsteen: Salve-me do Desconhecido, do nem sempre inspirado diretor Scott Cooper, opera nesse universo de indecisões com prazo de validade. Bruce Springsteen precisou de apenas duas semanas enfiado dentro de um quarto que o aproximava de memórias dolorosas e também de notícias de crimes reais, para gravar seu disco mais aclamado pela crítica, mas o preço da libertação máxima das convenções, do manual de como “seguir a fórmula do sucesso” quase foi muito alto para sustentar a profundidade de sua visão. Com 31 anos de idade no início dessa jornada, Bruce viveu o ciclo todo de um ano, e passou a ter 32, quando o álbum finalmente foi lançado.  Partindo desse princípio, de um confinamento de expectativas substituídas pela insistência e teimosia de um cara que sabia exatamente o que queria de sua música, Springsteen: Salve-Me do Desconhecido é muito mais um recorte de uma história com múltiplas narrativas do que uma série de ações sequenciadas para ter cadência de cinema.  O filme de Scott Cooper, acostumado a um certo “refinamento técnico”, que ilude mais do que convence (como pôde ser visto em outro filme com fundo musical, o esforçado Coração Louco), mais uma vez conta muito com a eficiência (e, por vezes, o brilho, mesmo) de seu elenco, tanto de Jeremy Allen White transmitindo o mistério e a rebeldia imponente de Bruce desfilando com seus casacos de couro, cara de poucos amigos e mãos nos bolsos, quanto de Jeremy Strong, no papel de Jon Landau, produtor, empresário e até conselheiro afetivo do cantor. As personagens precisavam umas das outras para se ampararem na indústria e nos caminhos da vida, e os dois atores nasceram para atuar juntos. As soluções para retratar o dilema que Bruce enfrentava, de como transformar gravações caseiras, com voz, gaita, violão e uma sonoridade caseira, lo-fi, com ecos nas vozes estão todas ali, em cena: Bruce vai ao estúdio, e, de repente, Bruce vai ao parque, e Bruce volta ao estúdio (com uma banda, com o empresário, com um violão, com um canal de gravação, com… sua voz, no fim das contas), com um amor de fachada, mas sempre com muitas lembranças que parecem bater na porta, querendo levar a tristeza embora, mas aí você percebe que Nebraska não é um álbum sobre acerto de contas com o pai, com a família ou sobre aquele momento que não aconteceu.  Nebraska representa um limbo, onde assassinos ganham a forma de fantasmas e saem impunes, onde pais amam os filhos sem usufruir do amor, onde fantasias de cinema importam mais do que a realidade concreta do dia-a-dia. Mas nada disso tem cor, e nem é muito claro. O preto e branco da capa é quase negativo. Se não tem vida, não tem julgamento. Essa não é a mesma narrativa de The River, 1980, ou Born in the U.S.A., de 1984, os avassaladores sucessos que antecederam e sucederam, respectivamente, o “patinho feio” de 82. Não há vilões e mocinhos, não há o Romeu que quer impressionar a Julieta e morrer em seus braços, tampouco. Nebraska é apenas um pedacinho de poeira dentro do porta-luvas de um carro onde estão guardadas algumas canções em uma fita-cassete bem velha. Acho que o filme poderia ser um pouco mais errático e menos didático se quisesse traduzir com exatidão o sentimento descrito, mas, além do elenco principal, há um elenco de apoio fantástico, com aparições de Stephen Graham, Gaby Hoffman e Paul Walter Hauser que ajudam bastante um diretor aquém da demanda a trabalhar melhor e fazer o filme funcionar um pouco mais do que eu esperava, mas ainda menos do que deveria. Springsteen: Salve-me do Desconhecido é uma pretensa biografia musical, em um primeiro momento, se mostrando muito mais uma ruminação pessoal de memórias, sobre um artista se recuperando de um período de cansaço físico e emocional, se colocando como protagonista, pela primeira vez em muito tempo, de sua história, ao mesmo tempo que é personagem de tantas outras, de mocinhos e mocinhas procurando seu lugar na América.

Banda santista Aclive lança EP de estreia; ouça Vendetta

A banda santista Aclive lançou o EP de estreia, Vendetta. Com cinco faixas, o trabalho traz todas as características que definem o grupo: músicas rápidas, pesadas e melódicas que refletem as influências de punk rock, hardcore e metal. Vendetta é mais do que apenas um EP – é um manifesto sobre temas importantes que afetam a sociedade atual. As letras abordam questões como saúde mental, crítica social e política, e a luta das mulheres em uma sociedade ainda dominada pelo machismo. A banda promete não deixar ninguém indiferente com suas letras incisivas e sua energia contagiante. A faixa-título, Vendetta, é um dos destaques do EP, com uma pegada pesada e uma letra que fala sobre a vingança de uma pessoa ferida em um relacionamento desigual. É um hino à libertação e ao empoderamento. A Aclive é composta por amigos de infância que cresceram juntos nos morros de Santos e por esse motivo foi escolhido “Aclive” para o nome do projeto. Com vários anos de experiência combinada, cada membro traz sua singularidade para criar um som único e inconfundível.

Atração do Balaclava Fest, Geordie Greep confirma mais dois shows; veja datas e locais

Faltam duas semanas para o Balaclava Fest, mas uma sequência de eventos promete esquentar o público até lá. Quem abre a maratona musical no dia 5 de novembro é o músico Geordie Greep, que faz apresentação com banda completa em clima total intimista no Bar Alto. Os ingressos estão à venda no Ingresse. Cantor, guitarrista e compositor inglês, Geordie Greep é conhecido por sua trajetória na aclamada banda inglesa Black Midi. O disco foi gravado entre Londres e São Paulo, de setembro de 2023 a abril de 2024, refletindo o esforço do músico em romper com qualquer zona de conforto. As composições partem de onde Greep deixou sua marca com a ex-banda, mas seguem por caminhos ainda mais diversos, estruturalmente imprevisíveis e complexos, transitando do jazz à música brasileira. É um encontro sonoro que dialoga com referências como Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti e Naná Vasconcelos, evocando a riqueza criativa das décadas de 1970 e 1980. Aliás, o músico não escondeu sua admiração pela música brasileira. Em entrevista ao Blog n’ Roll, no ano passado, Geordie Greep falou sobre a paixão por Egberto Gismonti. “Comecei a gostar dele quando tinha 18 anos e pensei que isso era realmente incrível, apenas ser aquele nível virtuoso no piano e violão, mas também ter um som, estilo e abordagem composicional completamente únicos”.  Ao vivo, o músico é acompanhado no palco por um talentoso time de brasileiros, composto por Vitor Cabral (bateria), Fabio Sá (baixo), Chicão Montorfano (teclas), Daniel Conceição (percussão) e Filipe Coimbra (guitarra). Além do show no Bar Alto e no Balaclava Fest, Greep também confirmou um terceiro show no Sesc Jundiaí, com entrada gratuita, no dia 6 de novembro. Aquecimento Balaclava Fest 2025: Geordie Greep Data: 5 de novembro de 2025, quarta-feira Local: Bar Alto R. rua Aspicuelta, 194 Horários: Portas 19h / Show 20h30 Classificação etária: para menores de 16 anos entrada permitida apenas com responsável legal e assinatura de termo. Se o acompanhante for familiar (irmão maior, tio, tia etc.), é *obrigatória a autorização registrada em cartório com assinatura dos pais.* Ingressos online

Ziggy Alberts libera single vibrante e ensolarado; ouça Cyclones

2025 tem sido um ano marcante para Ziggy Alberts. Ele começou o ano com o lançamento de seu sétimo álbum de estúdio, New Love, que já ultrapassou 30 milhões de streams em apenas seis meses. Em seguida, embarcou em uma turnê mundial com 105 datas, esgotando ingressos em prestigiados locais pela Europa e América do Norte. Além disso, teve uma breve passagem pelo Brasil. Para encerrar o ano, ele retorna à Austrália para uma série final de shows nas capitais. Agora, Ziggy Alberts apresenta Cyclones, um single vibrante e ensolarado, feito para embalar o verão. Misturando sua característica vulnerabilidade lírica com um som folk-pop mais atmosférico, Cyclones é ao mesmo tempo um refrão irresistível e um passo adiante em sua sonoridade, marcando a evolução de um contador de histórias acústico para um artesão que mistura gêneros. “Essa música surgiu em uma viagem de surfe a Fiji, em 2024. Eu corri de volta depois do café e consegui capturar a ideia ali mesmo. É tão fácil culpar o tempo pelos nossos próprios dias tempestuosos — e eu faço isso o tempo todo. É olhar para trás e perceber velhos hábitos ainda presentes. Pensar que, mesmo que algo não fosse durar para sempre, eu me pergunto: será que eu realmente fiz o suficiente? Ou só fui embora como sempre faço? É sobre ser atraído pelo caos, como uma mariposa pela chama: você sabe que vai dar errado, mas às vezes não consegue evitar”, comenta Ziggy sobre o processo de composição.

Entrevista | The Lemonheads – “Parei com a heroína, e minha cabeça se abriu”

Quase duas décadas após o último trabalho de estúdio, Evan Dando ressurge com o The Lemonheads em Love Chant, um álbum que marca não apenas o retorno de uma das vozes mais singulares do indie rock dos anos 1990, mas também uma nova fase pessoal e criativa do músico.  Gravado majoritariamente no Brasil, o disco reflete a imersão de Dando na cena local e a parceria com o produtor Apollo Nove, nome conhecido por seu trabalho com artistas como Nação Zumbi e Otto. Morando em São Paulo e casado com uma brasileira, Dando parece ter encontrado um novo ponto de equilíbrio entre a leveza e a introspecção que sempre caracterizaram suas composições no Lemonheads.  Em Love Chant, há espaço tanto para o lirismo nostálgico quanto para uma energia renovada, resultando em um som que flutua entre o passado e o presente, sem perder a essência do The Lemonheads. O álbum ainda reúne velhos companheiros de estrada, como J Mascis, Juliana Hatfield e Tom Morgan, em participações que reforçam o vínculo afetivo e musical que Dando construiu ao longo das décadas. Entre histórias curiosas de estúdio e reflexões sobre sobriedade e recomeços, o cantor mostra que está mais conectado do que nunca com sua arte. Além do novo disco, Dando prepara também o lançamento de sua autobiografia, Rumours of My Demise, que será acompanhada por um audiolivro gravado em São Paulo. E os fãs brasileiros do Lemonheads podem comemorar: o músico garante que há planos de levar o Love Chant aos palcos do país em breve. Confira abaixo a entrevista que Dando concedeu ao Blog n’ Roll, via Zoom, após a conclusão das gravações de Love Chant. O álbum foi gravado majoritariamente no Brasil. Como essa mudança de cenário influenciou o processo criativo e sonoro do disco? Diria que o estúdio é incrível. Ele foi construído pelo Roy Cicala, que trabalhou como engenheiro de som nos discos do John Lennon. Roy esteve envolvido em tudo. Temos muito equipamento aqui, o compressor de voz usado em Imagine, do Lennon, está lá embaixo. Temos umas paradas malucas. Ele faleceu em 2014, e agora o Apollo cuida do estúdio. Estamos reativando tudo. Conheci o Apollo do outro lado da rua, meio sem querer. Ele disse: “você tem que conhecer esse cara”. A gente estava no lançamento do filme do tio da minha esposa, que foi empresário da Elis Regina e do Tom Jobim. A faixa In the Margin tem uma composição conjunta com Marciana Jones e riffs por toda parte. Pode falar mais sobre essa parceria e o conceito da música? In the Margin é sobre o que quer que aconteça. É bem adolescente, tipo Edgar Allan Poe, muito romântica. Algo como: “vou sair dessa merda, vou lembrar de você um pouco, mas agora sou eu por mim mesmo”. É uma música jovem, rebelde, algo do tipo “não dou a mínima”. Prefiro morrer a deixar seus pensamentos me limitarem. É uma declaração. Você contou com vários colaboradores de longa data, como J Mascis, Juliana Hatfield e Tom Morgan. Como foi reunir esse “time” depois de tanto tempo? É tudo gente que conheço há muito tempo, então por que não? Se você conhece e está fazendo um disco… Sempre vejo o J e a Juliana. Ela fez turnê com a gente no ano passado. Falo com o J o tempo todo, fui eu quem apresentei a esposa dele para ele. Somos grandes amigos. J não faz alarde. Ele diz: “beleza, faço uma música”. E nem cobrou. Da última vez, eu disse: “J, faz um solo por US$ 4 mil?” E ele mandou quatro solos. Provavelmente estava com dois amigos e falou: “assiste isso, vou ganhar mil dólares tocando uns solos aqui”. (risos) A produção é assinada por Apollo Nove, um nome conhecido da música brasileira. Como foi trabalhar com ele e o que ele trouxe de especial para o disco? Começamos a fazer demos há um ano. Eu tocava bateria, fazia tudo. E já lançamos um single logo de cara, Fear of Living. A gente pensou: “é isso, é aqui que quero estar. Essa é minha vida”. Ele é ótimo. Cobra de você, mas do jeito certo: “Evan, dá pra fazer melhor”. Sempre precisei de alguém assim. Agora nós nos conhecemos bem. Ele me lembra um grupo de amigos que tenho, fãs do Velvet Underground, gente que realmente conhece música. Ele ama Brian Jones, dos Rolling Stones. Brian tocava as partes que ninguém ouvia. É isso. Está lá, mas escondido. O disco soa ao mesmo tempo nostálgico e atual. Como você equilibrou os elementos clássicos dos Lemonheads com novas influências e experiências de vida? Foi como um experimento científico. Mas, na real, só fui lá e fiz com o coração. Parei com a heroína, e minha cabeça se abriu. Agora meu coração e minha mente conversam. Só faço do jeito que consigo, aprendi a relaxar, e fazer música é sobre relaxar. Muitos artistas da nova geração, como Courtney Barnett e Waxahatchee, citam o The Lemonheads como influência. Como você vê essa repercussão entre novos músicos? A gente sempre quis ser esse tipo de banda, como The Replacements ou Ramones. Acho que consigo fazer isso, parece divertido. Somos esse tipo de banda. O lançamento do álbum será seguido por sua autobiografia, Rumours of My Demise. Existe um diálogo entre o disco e o livro? A conexão é que ambos têm a ver comigo. Lançamos os dois juntos como parte da campanha: “olha lá, o cara tem dois lançamentos”. Não é uma ligação temática, mas de momento. A gente correu pra lançar um junto com o outro. É uma campanha para voltar a ser bem-sucedido. Se já aconteceu uma vez, pode acontecer de novo. Aliás, estou aqui no estúdio porque vou gravar o audiolivro. Começa assim: “Deixei minha carteira nos arbustos da Walgreens”. Você pretende fazer shows de divulgação do Love Chant, inclusive no Brasil? O que os fãs podem esperar dessa nova fase ao vivo? Mais do mesmo, só que melhor. Agora tenho uma mulher