Wassup: a ascensão emo, o QG na Praça da Independência e o estouro no PureVolume

Se você foi adolescente em Santos no início dos anos 2000, muito provavelmente esbarrou na Wassup. A banda nasceu em 2002, dentro dos muros do Liceu Santista, tocando Blink-182 e hardcore melódico. “Queríamos tocar, então nós mesmos organizamos um festival na escola”, conta o baixista e fundador Renato Melo (hoje conhecido pelo perfil O Cara dos Discos e pelo bar Mucha Breja). Mas a verdadeira revolução da Wassup foi geográfica. Naquela época, a famosa Ilha de Conveniência (na praia) havia se tornado um local perigoso, com tráfico e tiroteios. A juventude precisava de um novo refúgio. “Começamos a ocupar uma galeria aberta na Avenida Ana Costa, em frente ao antigo Cine São José. Ficávamos tocando violão noite adentro. Os vizinhos começaram a chamar a polícia, então passamos a tocar na escadaria da Praça da Independência“, relembra Renato. O boca a boca digital fez o resto: “Encontros foram criados no mIRC e a Praça se tornou o grande ponto da cena”. “Patrick Stump” santista e a era de ouro O primeiro show fora da escola foi no Saloon Beer, abrindo caminho para o circuito clássico: Armazém 7, Bar do 3, People e, principalmente, o Praia Sport Bar. A formação passou por várias mudanças. O núcleo original tinha Renato (baixo/vocal), Renatinho e Felipe (guitarras) e Yugo (bateria). Após passagens de Markinhos, Marcio e Anderson, a banda encontrou sua formação clássica para gravar: Renato, Yugo, Mauro e Thiago (guitarras) e Tigo (vocal). A entrada de Tigo mudou o patamar da Wassup. “A voz dele lembrava muito a do Patrick Stump (Fall Out Boy). Além disso, a aparência ajudou a ganharmos um grande público feminino e aumentar nossa base”, confessa o baixista. Com influências que iam do pop punk da Califórnia ao emo e post-hardcore da Vans Warped Tour, a banda lançou o EP Mais Forte Que Nós. O sucesso foi estrondoso para os padrões independentes: duas tiragens esgotadas, destaque na plataforma PureVolume e prêmio de top 3 no portal Zona Punk, com direito a show no lendário Hangar 110 (SP). Shows de arena e o fim silencioso da Wassup A Wassup viveu o auge comercial do rock nacional dos anos 2000. Eles tocaram no lançamento do álbum Valsa das Águas Vivas, do Dance of Days, e lotaram a Associação Atlética dos Portuários tocando com Pitty, Fresno, Glória e Scracho para mais de mil pessoas. O currículo inclui ainda aberturas para Strike, NX Zero e o argentino Boom Boom Kid. Apesar do sucesso, a banda sofreu com o desgaste da época. “A falta de espaço e o bullying que o Emo começou a enfrentar atrapalharam. Nossas composições novas atiravam para todo lado, de Strike a Hawthorne Heights”, explica Renato. Além disso, ele se tornou pai aos 23 anos. Como era o “faz-tudo” (marcava ensaios, shows), o motor parou. “Em nenhum momento falamos ‘acabou’. Simplesmente não marcamos mais ensaios e aconteceu”. Hoje, uma reunião não é descartada. Com o baterista Yugo de volta ao Brasil, a vontade de fazer um barulho no estúdio renasceu. “Quem sabe no futuro os cinco não se reencontrem?”, deixa no ar.
Tosco: o luto que virou thrashcore e a trilogia da indignação

Em 2017, um grupo de veteranos da cena santista se reuniu sem grandes pretensões, inicialmente para tocar covers de KISS. O projeto ganhou corpo, mas ainda faltava um nome. A escolha veio de forma dolorosa e honrosa. “Tínhamos um amigo em comum, o Manoel Neto, que volta e meia dava aquele esculacho na gente: ‘Pô, cara, isso tá meio tosco’. Ele agia como um ombudsman nosso”, relembra o guitarrista Ricardo Lima. Com a morte inesperada desse amigo, a banda decidiu adotar o adjetivo crítico como batismo. Assim nasceu o Tosco: uma homenagem póstuma transformada em metal furioso. Trilogia da indignação do Tosco Musicalmente, o Tosco se define como thrashcore, mas o rótulo é pequeno para a mistura de Black Sabbath, Slayer e hardcore que eles produzem. O diferencial está nas letras em português, que funcionam como crônicas da degradação social brasileira. A discografia é uma escalada de brutalidade: Conexões internacionais e locais O prestígio dos integrantes abriu portas inimagináveis. O álbum Agora É A Sua Vez conta com Dave Austin (da lenda americana Nasty Savage) solando na faixa Hellvetia, que denuncia a epidemia de crack no centro de São Paulo. Outra participação de peso é Silvio Golfetti (Korzus) no cover de Guerreiros do Metal. “Justiça foi feita. Essa música com o Dave Austin era para ter saído no primeiro álbum, mas acabou esquecida. Ficou uma cacetada”, celebra o vocalista Osvaldo Fernandez. A formação atual é um “quem é quem” do metal santista: Do estúdio para o palco ao vivo A banda gravou boa parte de seu material recente no Play Rec, em Santos, e lançou em 2025 o álbum ao vivo Facão Afiado, gravado no RedStar Studios (SP). Em Santos, o Tosco é presença constante em casas que mantêm a chama do som pesado acesa, como Boteco Valongo, Studio Rock e o Bar do Gabiru (São Vicente), provando que a experiência, quando somada à indignação, produz o metal mais vital possível.
Thirteen Brotherhood: influenciado por Social Distortion e com dois ótimos álbuns

Se muitas bandas buscam reinventar a roda, a Thirteen Brotherhood prefere acelerar sobre ela. Formada com a proposta de fazer um punk rock direto, pesado e sem frescuras, a banda santista construiu sua reputação baseada na química entre seus integrantes, uma verdadeira irmandade musical. A liderança fica a cargo de Fabiano Rodriguez (vocal e guitarra, ex-Riot 99), figura carimbada do underground local, acompanhado pela bateria precisa de Lucas Buruaem, a guitarra de Amauri Meireles e o baixo de Denys Martins, ambos ex-integrantes do The Bombers. A sonoridade bebe na fonte de clássicos como Social Distortion e Rolling Stones e o rock estradeiro norte-americano, criando uma trilha sonora perfeita para pegar a estrada. A estreia do Thirteen Brotherhood com “End of the Highway” (2016) O primeiro grande marco da banda foi o álbum de estreia, End of the Highway, lançado em 2016. O trabalho foi o cartão de visitas que mostrou a que vieram: riffs gordos, vocais rasgados e uma produção que capturou a energia crua dos ensaios. Faixas como a própria faixa-título e Bad Luck Gambler se tornaram obrigatórias no repertório, consolidando o nome do grupo em casas de show como o Boteco Valongo e festivais da região. Evolução com “Walk the Walk” (2020) Quatro anos depois, a banda provou que não era fogo de palha. O segundo álbum, Walk the Walk (2020), mostrou uma evolução natural. O som ganhou mais corpo e as composições ficaram mais maduras, sem perder a pegada agressiva. O lançamento reafirmou a Thirteen Brotherhood como uma das poucas bandas da região a manter a chama do punk rock tradicional acesa com material autoral consistente. O trabalho mais recente da banda é o EP Worldwide Unknown, de 2023, que conta com quatro faixas autorais e inéditas. Projetos paralelos A inquietude de Fabiano Rodriguez não se resume à banda. Em 2017, quando o baterista Lucas foi morar um ano na Califórnia, Fabiano aproveitou o hiato para lançar seu projeto solo, Riot Rodriguez, focado em uma sonoridade folk punk/country inspirada em Social Distortion e Johnny Cash. Hoje, com dois discos na bagagem e uma estrada sólida, a Thirteen Brotherhood segue como uma referência para quem gosta de rock alto, cerveja gelada e lealdade aos amigos.
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Shuffle: do show com Madball ao nu metal com sete integrantes e DJ
Conhecendo o Blues #4 – Little Walter

Considerado o mais importante gaitista da história do Blues, Little Walter mudou o curso da harmônica e foi um artista revolucionário. Marion Walter Jacobs nasceu no estado da Louisiana em 1930. Aos 13 anos de idade já se apresentava pelas ruas de New Orleans e seu grande ídolo foi o pioneiro da gaita John Lee “Sonny Boy” Williamson. 1945 foi um ano importante em sua vida. Ele chegou a Chicago e um novo mundo se abriu para o jovem músico, então com 15 anos de idade. Ele realizou suas primeiras gravações em 1947 ao lado do cantor e guitarrista Jimmy Rogers, para o pequeno selo Ora Nelle. “Eu conheci um garoto que realmente sabe tocar!”, foi o que Rogers disse a Muddy Waters se referindo a Little Walter. O trio virou um fenômeno em Chicago e logo seriam conhecidos como The Headhunters. Em 1950, iniciam-se uma série de gravações históricas e uma parceria com Muddy Waters que é sem dúvidas uma das mais impactantes da história do blues. Dois anos depois, a carreira de Little Walter decola quando ele lança a música Juke, um instrumental incendiário, que levou o blues e a harmônica para novos caminhos. Walter era um improvisador sem igual, criava temas imbatíveis e cantava de forma vibrante e visceral. Talvez ele não tenha sido o primeiro a tocar com a gaita em um microfone plugado no amplificador, mas criou sons incríveis que ecoam até os dias de hoje. Ele gravou diversos hits como líder para o selo Checker (subsidiário da Chess Records) entre 1952 e 1967. Aliás, não posso deixar de citar três verdadeiros clássicos: My Babe, Nobody But You e Just Your Fool. Triste fim Walter tinha sérios problemas com drogas e com o álcool, além de ser uma pessoa que se metia em muitas encrencas. No dia 14 de fevereiro de 1968, ele se envolveu numa grande briga depois de um show e foi pra casa com fortes dores de cabeça. Foi dormir naquela noite com graves ferimentos pelo corpo e nunca mais acordou. 10 músicas para conhecer um pouco da obra de Little Walter Just Keep Loving Her (1950) – Little Walter Trio Going Away Baby (1950) – Jimmy Rogers Off The Wall (1953) – Little Walter and his Jukes Mellow Down Easy (1954) – Little Walter and his Jukes Hoochie Coochie Man (1954) – Muddy Waters Sugar Sweet (1955) – Muddy Waters It Ain´t Right (1956) – Little Walter and his Jukes Temperature (1957) – Little Walter Crazy Mixed Up World (1959) – Little Walter Crazy Legs (1961) – Little Walter
Conhecendo o Blues #01 – Howlin’ Wolf (1910-1976)
Radiohead lança biblioteca pública online com EPs raros

Alguém falou em raridades? O Radiohead resolveu liberar EPs inéditos em uma “biblioteca pública” online, que manterá um acervo exclusivo da banda. A partir desta segunda-feira (20), os fãs podem se registrar e criar seu próprio cartão da biblioteca. Com o cadastro como membros, eles poderão acessar na íntegra um acervo organizado e curado pela banda de canções inéditas. A seleção associa canções nunca divulgadas a cada álbum da discografia do Radiohead. Pela primeira vez na história, os fãs poderão ouvir várias raridades. Entre elas, estão inclusos o EP de estreia da banda, Drill, de 1992. Outros materiais como os EPs I Want None of This (2005) e TROL RMX 8′ (2011) também estão disponíveis. Merchandise personalizado, artes de capa inéditas e performances ao vivo sem anúncios completam o catálogo. Você pode acessar a biblioteca pública do Radiohead no site oficial da banda, fazendo seu registro gratuitamente. Isso que é presente para os fãs!
Radiohead solta sua discografia completa no YouTube

A história do Radiohead no streaming não é das melhores. Em síntese, Thom Yorke e companhia sempre mantiveram um pé atrás com o serviço. Mas tudo indica que essa confusão se encaminha para um final feliz. Embora sempre relutante, a banda já havia liberado sua discografia completa no Spotify e em outros aplicativos. Agora, foi a vez do YouTube ser agraciado com conteúdos do grupo. Anteriormente, o site de vídeos só continha alguns clipes e sessões do Radiohead. Começando a considerar o número de transmissões via internet, o conjunto liberou todos os seus álbuns também na plataforma. Ainda que tenha divulgado seus antigos trabalhos no streaming, não saberemos quando e se será lançado um sucessor do álbum A Moon Shaped Pool (2016), último lançamento por parte dos ingleses.