Entrevista | Adi Oasis – “Qualquer pessoa com bom gosto musical conhece e respeita a música brasileira”

Adi Oasis inicia um novo capítulo na carreira com o EP Silver Lining, um trabalho que reflete maturidade artística, renovação criativa e um olhar mais consciente sobre o presente. Conhecida pelas linhas de baixo marcantes, vocais potentes e uma fusão elegante entre soul, funk e R&B contemporâneo, a artista franco-caribenha apresenta um projeto que nasce da vivência. Entre novas parcerias, como a colaboração inédita com o produtor Carrtoons, e uma abordagem mais ousada em estúdio, o EP traduz um momento de evolução natural, sem rupturas, mas com claras expansões sonoras e emocionais em relação aos trabalhos anteriores. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Adi Oasis fala sobre esse período de transformação, impulsionado por experiências pessoais, pela maternidade e pela busca por esperança em tempos turbulentos. A artista comenta o processo criativo por trás de Silver Lining, a construção de faixas como “Stuck In My Head”, a importância de manter uma conexão honesta com o público e a relação cada vez mais forte com o Brasil, hoje um dos mercados mais relevantes da sua carreira. Entre reflexões sobre identidade, presença de palco e futuro, Adi reforça sua posição como um dos nomes mais consistentes e expressivos da nova cena soul contemporânea. Falando sobre o seu novo EP, Silver Lining, esse trabalho marca um novo capítulo na sua jornada. Como você descreveria esse momento em comparação aos lançamentos anteriores? Eu não sei se gosto de comparar. Para mim, é mais sobre evolução. Eu sempre falo sobre o que estou vivendo, e agora estou em um novo capítulo da minha vida. Desde o último álbum, me tornei mãe, conheci novas pessoas, vivi experiências diferentes e simplesmente coloquei tudo isso na música. Gosto de pensar em evolução porque é sempre algo muito especial. Já que você mencionou a maternidade e o fato de escrever sobre suas próprias experiências, como isso afetou sua composição? Afetou muito menos do que eu imaginava. Fiz recentemente uma entrevista com a Kadhja Bonet, que é uma das minhas artistas favoritas e também mãe de uma menina. Ela me lembrou que você não é apenas uma mãe, e isso é algo que estou aprendendo. Ser mãe me ensinou a fazer várias coisas ao mesmo tempo, mas também a focar completamente em uma coisa de cada vez. Hoje eu escrevo mais rápido porque tenho menos tempo. Quando estou com meu bebê, sou totalmente mãe. Quando estou no estúdio, sou totalmente artista. No fim das contas, continuo sendo a mesma pessoa que eu era antes. Esse EP marca sua primeira colaboração com o produtor Carrtoons. Como essa parceria começou e de que forma ela mudou seu processo criativo? Eu entrei em contato com ele porque realmente gostava da música que ele fazia e também porque ele é baixista. Tive a sensação de que nós nos entenderíamos. Eu adoro como ele constrói as bases. Nos encontramos em um festival em Londres, eu vi o show dele, ele viu o meu, e sentimos que precisávamos colaborar. Fomos direto para o estúdio. Ele tem um processo muito diferente do meu, e foi exatamente por isso que quis trazer essa parceria para o EP. O resultado é algo bem único em relação ao que eu costumo fazer. Normalmente, eu gravo tudo de forma muito rápida e ao vivo. Faço instrumentação ao vivo nos meus álbuns. Com o Carrtoons, ele trabalha muito mais como um beatmaker. Eu queria experimentar isso nesse projeto e confiei totalmente nele para conduzir esse processo. Stuck In My Head é um dos destaques deste trabalho e traz uma energia muito particular. Qual é a história por trás dessa música e o que ela representa para você hoje? Stuck In My Head foi, na verdade, a primeira música que fiz com o Carrtoons. A ideia veio para mim de forma muito espontânea, como geralmente acontece. Às vezes as músicas surgem quando acordo ou antes de dormir. Eu simplesmente ouvi “Stuck in my Head” na minha cabeça e pensei: e se eu escrevesse uma música assim? Foi um momento muito mágico. Criar arte é se conectar com uma frequência e capturar um momento. Sem que eu precisasse explicar, ele parece ter sentido exatamente o que eu estava ouvindo na minha cabeça. Tudo se encaixou perfeitamente com o que eu imaginava. Eu queria fazer algo mais agitado, algo que pudesse performar de forma intensa no palco. Eu amo cantar alto, amo essas notas grandes, no estilo da Chaka Khan. Essa música, para mim, representa exatamente isso: capturar quem eu sou como cantora em uma gravação. Para encerrar esse bloco, você lançou a série Bathrobe Confessions, mostrando bastidores e conversas mais íntimas. Como essa conexão direta com os fãs se relaciona com a fase atual da sua carreira? Eu estou em um processo constante de aprender sobre mim mesma e sobre como ser uma artista melhor. Acho importante que as pessoas saibam mais sobre quem somos de verdade. Quem escuta nossa música precisa lembrar que somos humanos, que passamos por coisas reais. Quanto mais compartilhamos nossas experiências, mais fácil fica entender que não estamos sozinhos. Eu gosto muito quando um artista diz que quer ser melhor. Para mim, é isso que importa. Falando sobre sua carreira, já faz um tempo que você mudou seu nome artístico para Adi Oasis. Qual é o significado dessa mudança e como ela representa quem você é hoje? Adi Oasis é completamente quem eu sou. Eu encontrei meu som e minha imagem antes, e o nome veio depois. Para algumas pessoas é o contrário, mas para mim foi assim. Quando me encontrei artisticamente, ficou muito claro quem eu queria ser e o que esse projeto significava. Esse nome representa exatamente isso. Sua presença de palco chama muita atenção, assim como sua identidade artística. Como você desenvolveu esse estilo? Foi natural ou teve alguma inspiração? Eu cresci no palco. Comecei a me apresentar quando tinha seis anos de idade. É o que eu sei fazer. Eu me sinto muito mais confortável no palco do que em qualquer outro lugar, mais até

Entrevista | Josh Beauchamp – “Um EP é algo que vejo acontecendo em breve”

Josh Beauchamp inicia oficialmente uma nova fase da carreira com o lançamento do single Love You Again, já disponível em todas as plataformas digitais. Inspirada em um relacionamento do passado e no processo de autoconhecimento que veio após o fim, a faixa apresenta um Josh mais íntimo e consciente de si, agora também como compositor. A música foi criada em parceria com os produtores Andy Schmidt e Jonathan Yoni Asperil e simboliza um recomeço artístico após a saída do Now United no final de 2022. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Josh Beauchamp comentou que este novo capítulo representa seus primeiros passos como artista solo, após um período de reconstrução pessoal e criativa. O cantor também destacou a importância do Brasil nesse momento da carreira e a vontade de colaborar com artistas daqui no futuro, como Jão e Anitta. Quando você decidiu que era o momento certo para iniciar oficialmente sua carreira solo? Eu tomei essa decisão em 2022, antes da nossa última turnê com o Now United, a Forever United Tour. Foi ali que entendi que era hora de seguir meu próprio caminho. Depois disso, passei um tempo explorando minha identidade artística e entendendo o que eu realmente queria fazer com a música. Só alguns meses atrás eu decidi que Love You Again seria o primeiro single. Tudo acabou se encaixando naturalmente para esse lançamento. Depois de anos vivendo a intensidade do Now United, qual foi o maior desafio emocional ao seguir sozinho? O maior desafio foi perceber que agora tudo dependia de mim. No grupo, nós aparecíamos, fazíamos nosso trabalho e recebíamos orientações o tempo todo. Quando saí, achei que ainda teria alguém me dizendo o que fazer, mas não foi assim. Eu precisei assumir o papel de capitão do meu próprio navio. Levei bastante tempo para entender isso e me adaptar, mas foi um aprendizado essencial. Love You Again vem de uma experiência pessoal. Como transformar a dor em música ajudou no seu processo de autoconhecimento? Essa música é uma entre muitas que escrevi nos últimos anos. Foram cerca de 50 canções nesse período. Love You Again foi uma das primeiras que escrevi com o Andy Schmidt, produtor com quem trabalho bastante hoje. Ela conta a história de um relacionamento que, na época, eu gostaria de ter tido mais uma chance. É uma música sobre amor, mas também sobre reflexão e amadurecimento. Como o feedback dos fãs brasileiros ao ouvir a música ao vivo influenciou sua confiança nessa nova fase? Foi fundamental. Eu tinha receio de como os fãs reagiriam à minha música solo, se eles continuariam comigo ou se minha base de fãs mudaria completamente. Mas a reação foi incrível. Eles abraçaram a música, demonstraram muito carinho e apoio, organizaram festas de streaming, criaram edições e conteúdos. Isso me lembrou quem eu sou como artista. Depois de sair do grupo, minha confiança tinha diminuído um pouco, mas ver essa resposta ao vivo me fez acreditar novamente que eu posso fazer isso sozinho. Muitos artistas já passaram por transições parecidas, mudando de uma boy band ou girl band para carreira solo. Quais são suas principais influências nesse processo? Uma grande referência para mim é o Justin Timberlake. Vejo muitas semelhanças no caminho, no estilo e na forma como ele construiu a carreira solo. Também me identifico bastante com o Zayn (One Direction), principalmente pela forma como ele lidou com a própria arte e seguiu seu caminho depois de sair de um grupo. Esses dois são influências muito fortes para mim. Qual é a história de viagem mais inesquecível da época do Now United? Há muitas lembranças, mas um momento muito especial foi na última turnê, quando fiz um cover de Night Changes, do One Direction, como uma despedida. Em um trecho da música, eu caminhava para o fundo do palco e via todos os integrantes do Now United, pessoas com quem vivi por cinco anos e que se tornaram minha família. Foi um momento extremamente marcante para mim. Como foi fazer parte de um grupo com pessoas de tantos países diferentes? Isso te mudou como pessoa? Isso moldou completamente quem eu sou hoje. Eu cresci com dois irmãos e nunca tive irmãs. No grupo, passei a conviver com várias garotas que se tornaram como irmãs para mim, o que me ensinou muito. Aprendi com cada integrante, seja sobre música, palco, confiança ou simplesmente sobre a vida. Também aprendi que, apesar das diferenças culturais, a experiência humana é muito parecida em qualquer lugar do mundo. Você planeja lançar um EP ou um álbum completo em breve? Acho que o primeiro passo será um EP. Sempre quis lançar um trabalho completo, mas isso exige um processo maior, tanto criativo quanto logístico. Um EP é algo que vejo acontecendo em breve com mais clareza. O Brasil teve um papel importante nesse novo capítulo, especialmente com sua performance em São Paulo. Quais são seus planos para voltar ao país? Eu sempre vou voltar ao Brasil. Eu amo o país e sinto que esse carinho é recíproco. Quero voltar em fevereiro, inclusive para viver o Carnaval, algo que ainda não fiz. Sinto que já deveria ter feito isso há muito tempo. Você acompanha a música brasileira? Existe vontade de colaborar com artistas daqui? Com certeza. Antes mesmo do Now United, eu já conhecia o funk brasileiro e me apaixonei. Por alguns anos, sempre tinha músicas de funk no meu Spotify Wrapped. Também comecei a explorar a bossa nova, misturada com pop, algo mais moderno. No futuro, adoraria colaborar com artistas brasileiros, desde que faça sentido criativamente. Tem um artista que admiro muito, o Keel. Conheço ele há bastante tempo, desde nosso primeiro show do Now United no Brasil, e hoje ele cresceu muito. Acho que poderíamos criar algo interessante juntos. Também sou muito fã do Jão, acho o trabalho dele fenomenal. E, claro, Anitta, que é a rainha do Brasil. Seria incrível. Se você pudesse reviver um show do Now United agora, em carreira solo, qual seria? É difícil escolher, mas

Entrevista | Bayside Kings – “Nada Pra Mim inicia nossa nova fase, mas em uma transição”

O Bayside Kings abriu oficialmente um novo capítulo de sua trajetória ao assinar com a gravadora Deck. A banda de hardcore formada em Santos e ativa desde 2010 vive um momento de transição, entre o legado construído ao longo de mais de uma década e os caminhos que começam a se desenhar para 2026. O primeiro passo dessa etapa é o single Nada Pra Mim, que chegou hoje às plataformas. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista Milton Aguiar explica que a banda atravessa uma mudança significativa depois de uma sequência de lançamentos que funcionaram como um grande “livro aberto” da fase anterior. “Essa nova fase do Bayside Kings é uma fase de transição entre tudo que ocorreu no Livre Para Todos, que foi um álbum fragmentado (em vários EPs) que a gente fez nos quatro anos, e para o que virá em 2026. A gente tem um álbum em vista para ser lançado em 2026, um álbum full, e vai ter alguns singles antes que serão essa transição”, afirma. A entrada na Deck marca esse novo ciclo, mas Milton reforça que ele só existe porque houve um caminho sólido até aqui. “É a continuação de um acerto, uma decisão que nós tomamos depois de 10 anos de banda, que foi passar a cantar em português. A gente sempre se importou muito com a mensagem das músicas. Queríamos que fosse algo que pudesse abrir diálogo e que todos pudessem pertencer”, diz o vocalista, destacando que o apoio das gravadoras anteriores também foi essencial para a jornada até aqui. Nada Pra Mim sintetiza esse momento. A faixa aborda o rompimento definitivo com quem subjugou ou julgou você, transformando ressentimento em força. “Nada Para Mim é uma música que fala muito sobre parar de dar a outra face para bater, sobre revidar, principalmente contra ideias e pessoas que subjugam a gente. Fala sobre colocar um basta, sobre posicionamento”, comenta Milton. Na estética, o single abraça o skate punk com energia direta e crua. “É um skatepunk, então quem gosta de Suicidal Tendencies, Drain, Pennywise, Comeback Kid, Charlie Brown Jr. vai ser simpatizante com esse som”, projeta o vocalista. Ele reforça que a faixa também funciona como um chamado à comunidade ligada ao hardcore e ao skate, reforçando a identidade coletiva da banda. Além disso, o vocalista pontua como essa virada chega cercada de parceiros que ajudaram a manter a banda em movimento. “Essa nova fase é importante pelo lance de ter a Deck entrando nos 45 do segundo tempo, dando suporte. E ela não começou sozinha. Começou com os dois primeiros EPs com a Olga, depois os dois com a Repetente e agora com a Deck. Todo mundo tem sua parcela de parceria e contribuição.” Com o novo single já nos shows da reta final de 2025, o Bayside Kings segue preparando o terreno para o próximo ano. A banda promete uma turnê extensa em 2026, celebrando não apenas os novos lançamentos, mas o aguardado novo álbum que deve ampliar ainda mais a sonoridade e o alcance desse novo ciclo.

Entrevista | Dirty Sound Magnet- “Não tentamos recriar nenhum som, mas as nossas raízes estão nas décadas de 60 e 70”

O Dirty Sound Magnet incendiou o pub Mucha Breja na última terça, 2 de dezembro, em uma apresentação que levou o público santista por uma viagem completa pela carreira da banda suíça. A abertura da noite ficou por conta da dupla do Guarujá Addictwo que faz um rock alternativo e chama atenção pelo fato de fazer shows sem utilizar uma guitarra. Russo, vocalista, faz uso de pedais e dois amplificadores para fazer os sons de guitarra e baixo simultaneamente. Com um set que mesclou fases distintas, do psicodélico mais viajado aos riffs pesados e modernos, o Dirty Sound Magnet conquistou a plateia desde os primeiros acordes. A resposta do público foi imediata: energia alta, olhos atentos e um entusiasmo que cresceu a cada mudança de clima, criando uma noite em que a conexão entre banda e fãs se manteve intensa do início ao fim. Formado na Suíça, o Dirty Sound Magnet construiu sua identidade ao unir o espírito livre dos anos 60 e 70 com influências contemporâneas, resultando em um som que transita entre o rock psicodélico, o hard rock e a experimentação moderna. A banda passou por turnês extensas pela Europa, chamou atenção em festivais internacionais e expandiu sua base de fãs mundo afora com performances marcantes. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Stavros Dzodzos e Marco Mottolini falaram sobre conexão com o Brasil e o histórico e influências da banda. Para aqueles que não conhecem o som de vocês, como definiriam o Dirty Sound Magnet e quais são as influências da banda? Stavros Dzodzos – Eu diria que temos nossas raízes nos anos 60 e 70, porque naquele período existiam muitas possibilidades na música, especialmente no rock, com muita liberdade. Não copiamos as bandas daquela época, mas mantemos esse espírito. Misturamos influências modernas e não tentamos recriar nenhum som, mas as raízes estão nessa era. As bandas que nos influenciaram muito são Led Zeppelin, Black Sabbath, Pink Floyd e The Doors. Mais modernos, eu diria Red Hot Chili Peppers, Queens of the Stone Age e King Gizzard and the Lizard Wizard. E como tem sido a recepção brasileira até agora na turnê? Vocês têm planos de voltar? Marco Mottolini – A recepção foi ótima. Cada dia descobrimos um pouco mais do país e fomos surpreendidos. Não sabíamos o que esperar, ouvimos muitas coisas diferentes sobre o Brasil. Na Europa às vezes temos a impressão de que é um país de terceiro mundo, um pouco pobre, mas quando chegamos aqui vimos que as pessoas se cuidam, são muito amáveis e se ajudam muito. É um país muito bonito, com muita natureza, e cada dia acontece algo inesperado. Ontem, por exemplo, chegando perto de Santos, vimos um rapaz fazendo truque de fogo no semáforo, algo incomum para nós. Mas o grande diferencial é a comunicação e a forma como as pessoas sorriem o tempo todo. Gostamos muito e esperamos voltar. Estamos conversando sobre isso. Para fechar, um pequeno jogo. Falando sobre Futebol, do qual vocês são fãs: Chapuisat ou Ronaldo? Marco Mottolini – Que Ronaldo? O verdadeiro? O brasileiro? Eu fico com o Ronaldo pela memória da Copa de 98 na França, ele foi impressionante. Stavros Dzodzos – Para mim, nenhum dos dois. Pessoalmente, foi Zidane em 98. Todos os meus amigos torceram para o Brasil, mas eu torci para a França naquele dia. Gosto muito do Zidane pela elegância. Foi uma oposição de estilos incrível, a técnica brasileira e o time francês emergente. Foi um ótimo período para o futebol. E depois veio Ronaldinho alguns anos depois, talvez o meu favorito. Neymar que não é lá essas coisas, eu sei que ele é do Santos, mas é o que penso. Lagos suíços ou nossas praias? Marco Mottolini – Não vimos muitas praias, apenas a do Guarujá, que foi muito legal. Mas os lagos suíços também são incríveis. Não é a mesma categoria, não dá para comparar. Stavros Dzodzos – Eu sou um grande fã de nadar, então sempre escolho a praia. Sou meio grego e lá na Grécia as praias são lindas. Aqui ainda não sei se posso nadar, porque me disseram para não ir muito longe. Nos lagos da Suíça eu posso nadar, aqui não sei. Fique tranquilo, Santos é bem seguro, pouca correnteza. Stavros Dzodzos – Ah, então eu posso nadar. Disseram que o Rio é mais perigoso, o Guarujá também. Vamos tomar cuidado. Absinto, whisky ou cachaça? Marco Mottolini – Nós bebemos cachaça há dois dias. O baterista bebeu muito ontem, então respondo por ele: acho que ele diria cachaça por enquanto. Eu até gosto de absinto, mas me deixa um pouco louco, então não bebo muito. Stavros Dzodzos – Água. Não sei nem o que é cachaça. E para fechar: Chocolate suíço ou chocolate brasileiro? Stavros Dzodzos -Você está brincando? Você está brincando? A entrevista acabou! Isso não é uma pergunta. Isso não é pergunta que se faça (risos).

Entrevista | Nanda Moura – “O que aconteceu para a gente ter encaretado tanto?”

Nome consolidado no cenário do blues contemporâneo, a cantora e guitarrista Nanda Moura atravessa uma fase de profunda inquietação artística. Após levar seu talento para palcos europeus e marcar presença em grandes festivais como o Best of Blues and Rock, a artista mergulha em uma sonoridade mais visceral e provocativa com seus lançamentos mais recentes, os singles Chega e Louca. Nesta nova etapa, Nanda Moura deixa de lado as fórmulas prontas para confrontar o que chama de “caretice” dos tempos atuais, um estado de anestesia emocional alimentado pela obrigação das redes sociais e pelo domínio dos algoritmos. Com referências que vão do surrealismo de Salvador Dalí à crueza do blues de Muddy Waters, Nanda Moura propõe um retorno à autenticidade e ao erro como marcas da verdadeira humanidade. Acompanhada por nomes de peso como Nasi (Ira!) e o produtor Apollo 9, a artista prepara o caminho para seu próximo álbum, apropriadamente intitulado Deglutir, Digerir e Devolver. Em um bate-papo exclusivo para o Blog n’ Roll, Nanda Moura falou sobre o impulso criativo por trás de suas novas composições, a parceria com ícones do rock e do rap, e por que a arte continua sendo nossa maior ferramenta de resistência. Seus últimos lançamentos, Louca e Chega, trazem uma sonoridade e letras muito fortes. Louca soa quase como um grito de libertação. De onde veio o impulso para compor essa música que confronta tão diretamente a anestesia emocional dos nossos tempos? Louca nasceu de uma inquietação que começou a me incomodar muito. Essa coisa da rede social, sabe? No início, a gente fica empolgado, mas depois de um tempo ela acaba sufocando. Me sinto assim hoje: sufocada pela obrigação da rede social. O estalo final veio após visitar uma exposição sobre os 100 anos do Surrealismo. Fiquei de frente para obras de artistas como Salvador Dalí e Remedios Varo, que pintavam coisas exageradas, exuberantes e “descaralhadas” há um século. Pensei: “Caramba, os caras já eram tão loucos há 100 anos. O que aconteceu para a gente ter encaretado tanto?”. Parece que andamos em círculos; evoluímos em alguns pontos, mas retrocedemos na liberdade. Vivemos com medo do julgamento, nos mascarando na arte e nas relações. Louca é uma provocação contra esse retrocesso. Você diz que Louca é também uma declaração de princípios. O que representa pessoalmente essa busca por autenticidade que você canta na letra? É o meu momento de prezar por ser verdadeira, mais do que nunca, com o tipo de som que faço e como quero soar. Sendo bem aberta, não tem outra forma de fazer Louca se não for sendo sincera. É um grito para as pessoas, mas principalmente para mim mesma, dizendo: “Não seja medíocre, não seja careta, não se deixe misturar na multidão”. Quero que as minhas marcas de “loucura” apareçam sem eu ligar para os apontamentos alheios. É uma provocação de mim para mim mesma que acaba atingindo todo mundo. Esse single teve a produção de Apollo 9 e a coprodução de Nasi. Como foi trabalhar com eles e como essa parceria influenciou o resultado final? O Apollo é um cara muito antenado, experiente, já trabalhou com Seu Jorge, Rita Lee, Paralamas… Ele tem uma visão muito ampla e sensibilidade para entender o que queremos colocar na música. Já o Nasi tem aquela coisa visceral e crua do rock que eu adoro e que busco muito no blues. Fiz o arranjo com músicos incríveis: o Otávio Rocha (guitarra) e o César do Baixo, ambos do Blues Etílicos, e o Gil Eduardo (primeiro baterista do Blues Etílicos e ex-Erasmo Carlos). Quando o Apollo e o Nasi entraram, eles trouxeram “pitacos” que deram uma certa estranheza à música, um clima mais incômodo, pesado e provocador. Eu sou muito instintiva; quando ouvi, senti que aquele incômodo era exatamente o que a música pedia. No single anterior, Chega, você também teve o Nasi e ainda contou com a participação do Thaíde, gerando uma mistura interessante de blues, rock e rap. Como surgiu esse encontro? Eu e o Nasi já temos uma parceria estabelecida. Nos conhecemos no Best of Blues and Rock, quando ele estava gravando o projeto solo Rock Soul Blues. Ele buscava uma cantora para um dueto em Coração de Caveira (versão de Martinho da Vila) e o santo bateu na hora. Sobre Chega, queríamos fazer uma versão de I’m Be Satisfied, do Muddy Waters. Como o Nasi foi o primeiro produtor de rap no Brasil, surgiu a ideia de colocar uma inserção do gênero. Ele chamou o Thaíde, que topou na hora. Casou perfeitamente: blues, rock e rap são música negra, não tem erro. Em Chega, você fala sobre retomar o controle da própria atenção. Você acredita que a arte é uma das poucas formas de resistência contra a automatização da vida? Com certeza. E se não nos atentarmos, pode piorar. As pessoas estão muito automatizadas. Hoje nos entregamos ao algoritmo: ouvimos o que nos é sugerido e oferecido, e isso nos torna medíocres. Cadê a curiosidade de ir atrás de um assunto, de buscar conhecimento? Temos acesso a tudo, mas estamos acomodados. Procuro usar a minha linguagem, que é a música, para “cutucar” e fazer as pessoas refletirem, saindo um pouco do automático. Você é um nome consolidado no cenário do blues contemporâneo. O que você acha que falta no Brasil para o gênero ter um alcance maior ou mais comercial? Historicamente, o blues nunca foi mainstream; ele sempre esteve à margem, em um nicho. Ao mesmo tempo, é a origem de tudo: do rock, rap, soul, country, pop e jazz. Acho que falta conhecimento das pessoas sobre isso. Existe a barreira da língua, já que a língua-mãe do blues é o inglês, mas ele é um estilo universal porque comunica emoções puras, do improviso à melancolia. O caminho é ocupar espaços e mostrar como o blues conversa com os nossos elementos culturais. Para encerrar, o que vem por aí? Quais são os planos após Chega e Louca? Estou trabalhando no meu próximo álbum, que está sendo

Entrevista | Digo Amazonas e a Multidão – “Fazemos rock com música brasileira”

O primeiro álbum de Digo Amazonas e a Multidão “Qual Brasil?” chega como um manifesto contemporâneo sobre o Brasil, atravessando camadas de história, política, identidade e pertencimento. O artista mistura rock, ritmos brasileiros e influências que vão do punk à Chico Science a Nação Zumbi, criando uma estética que abraça o passado para reinterpretar o presente. O disco nasce como uma viagem pelas contradições brasileiras, um mosaico que revisita 100 anos de cultura, dos ecos modernistas ao caos polarizado dos dias de hoje. No centro do trabalho, aparecem reflexões sobre patriotismo, meio ambiente, tecnologia e o impacto das redes sociais na vida cotidiana. A narrativa costura crítica social, memória histórica e um olhar atento para os movimentos ambientais, políticos e culturais que moldam o país. A intenção de Digo não é oferecer respostas prontas, mas provocar perguntas sobre o que significa ser brasileiro em 2025. E já que é para falar sobre o Brasil, a banda escolheu o Dia da Bandeira (19/11) para lançar o primeiro videoclipe “Qual Brasil”. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Digo Amazonas detalha suas influências, o processo de pesquisa, a presença da inteligência artificial no álbum, o impacto de sua convivência com povos indígenas e como a história continua sendo um fio condutor essencial em sua criação artística. Como você se apresenta para o público que está te descobrindo agora? Onde você se encaixa e quais são suas influências? Cara, eu acho que essa pergunta é boa do jeito que você colocou, porque é sempre difícil ter que se encaixar numa caixinha tão fechada. Eu acho que eu fazemos rock, não tem dúvidas. Nós fazemos rock com música brasileira, rock com ritmos brasileiros, e influências tenho muitas. Sou bem eclético, a rapaziada da banda também, mas a gente fez uma opção nesse álbum de fazer uma fusão de música brasileira, ritmos brasileiros, com punk rock. A gente tem influências muito evidentes, como Nação Zumbi, mas eu diria que fazemos isso de uma forma caindo mais para o punk. Foi o jeito que a gente tentou estruturar o conceito do álbum. Quando ouvi o álbum, senti uma mistura entre Dead Fish e Chico Science. Pô, que honra! No álbum você lida com patriotismo, símbolos nacionais e também faz uma viagem histórica que abrange duas décadas de experiência pessoal. Como você moldou essa visão de Brasil para retratar no disco? Eu tentei fazer uma viagem do Brasil de agora até o Brasil de 100 ou até 500 anos atrás. A inspiração veio no meio do processo, que foi o Manifesto Pau Brasil, que tem exatamente 100 anos. Sempre gostei muito do modernismo e da obra do Oswald de Andrade. Fui percebendo que a polarização daquela época para disputar uma ideia de identidade brasileira tinha muita similaridade com a polarização atual. Claro que não é igual, mas achei esses paralelos muito interessantes. No manifesto, quando ele lançou, surgiu na sequência o verde-amarelismo, que se contrapôs a ele e depois virou um movimento que desembocou num fascismo tupiniquim. Isso me ajudou a entender como fazer essas relações. No álbum, eu vejo que falo muito do Brasil contemporâneo, mas para falar dele, a gente precisa falar da história. Então tem muita pesquisa histórica e também uma parte de sonho. É o Brasil de hoje, de ontem e de amanhã. E o álbum lança essa pergunta: qual é o Brasil que a gente quer? Quando falamos de protesto, muitos pensam só em política. Mas você vai além e traz temas como natureza, meio ambiente e tecnologia. Como esses assuntos entraram no álbum? Falando primeiro de natureza e meio ambiente, isso sempre foi uma coisa que me moveu desde muito jovem. Sempre fui engajado e me envolvi com movimentos ambientais e socioambientais. Acabei de voltar da COP30, em Belém, onde acompanhei ativistas e participei de protestos. Hoje, falar de meio ambiente não é só falar de natureza. Acho que tudo está misturado. Então isso entrou de forma natural e virou quase um tema central do álbum. Os outros temas vieram dessa vivência de todo mundo hoje: a gente é muito grudado nas redes sociais. A questão da inteligência artificial entrou no final das composições, quase durante a gravação, porque é um assunto que está em tudo. Eu trago críticas ao uso excessivo da tecnologia, mas não é uma crítica utópica, como se isso tivesse que acabar. Tanto que fiz uma música com participação de uma inteligência artificial. O desafio foi misturar tudo isso. Teve um momento em que pensei em dividir o álbum em dois EPs, um sobre meio ambiente e outro sobre tecnologia, mas quando fomos fechar o repertório, percebi que cabia tudo na mesma história. Você cita personagens como Brás Cubas, Chico Mendes e autores na construção das letras. Como foi trazer esses elementos históricos, e como enxerga o papel da música nesse sentido hoje? Para mim veio naturalmente porque sou muito apaixonado por história. Eu até queria ter feito faculdade de história. Pesquisa histórica me ajuda a entender o presente. Sempre gostei de citações nas músicas, de trazer camadas que não estão no óbvio. O rap faz isso muito bem. Gosto dessa dinâmica. O próprio Chico Science fazia isso de forma incrível. Ele citava Josué de Castro e falava de fome. Se você vai pesquisar, descobre que ele denunciou a fome no Brasil. A obra tem profundidade. E isso provoca a pessoa a querer saber mais. Na música sobre Chico Mendes, conto literalmente o que aconteceu. A primeira parte é uma entrevista que ele deu antes de morrer, porque sabia que estava sendo perseguido. Eu falo exatamente o que ele fala ali e com o consentimento da família. Depois coloco o áudio de rádio anunciando a morte dele. Gosto de contar essa história. Sobre Brás Cubas, foi uma cereja do bolo no final. O álbum estava pronto e um amigo meu compartilhou a primeira frase do livro. Li de novo e vi que tinha tudo a ver com a música, porque é um eu lírico defunto. Busquei o

Entrevista | Lagum – “Foi a nossa maior estreia da história”

O Lagum voltou a Santos nesta sexta (21) para o lançamento do último álbum As cores, as curvas e as dores do mundo em grande estilo no Arena Club. Soldout de ingressos e muitos fãs ansiosos para conferir de perto a mistura de reggae e pop rock promovida pela banda. Com o “jogo ganho”, eles subiram ao palco e recebeu uma plateia jovem e animada que cantou todas as músicas, do início ao fim. Eles abriram a noite com “Eterno Agora” e dividiram o show em quatro blocos. Entre eles, o vocalista Pedro Calais fez declarações de amor à Santos, elogiando o por do sol, falando sobre a praia e até mesmo pedindo indicações de onde alugar uma prancha às 7 de manhã no dia seguinte. Em entrevista ao Blog N’ Roll antes do show, o Lagum falou como foi voltar a tocar em estádio e a repercussão do álbum “As cores, as curvas e as dores do mundo”, feito sem gravadora e totalmente independente. Seis meses após o lançamento do álbum novo, que foi uma produção independente, já dá para ver os resultados? Vocês atingiram os objetivos desejados? Pedro Calais – Com certeza. Acho que foi até um pouco acima da expectativa. A gente vinha trabalhando com gravadora há muitos anos e não sabia o que esperar fazendo algo independente. Para nossa surpresa, foi a nossa maior estreia da história. Conseguimos fazer um trabalho muito legal de divulgação que fugia do óbvio. Por exemplo, espalhamos dez fitas das dez músicas inéditas por dez cidades diferentes. Fizemos visuais muito legais e do jeito que a gente gosta, botando a mão na massa, quebrando a cabeça de maneira criativa. Tivemos os melhores resultados de estreia da nossa história e isso foi muito surpreendente. Algumas músicas viralizaram no TikTok, algo que a gente não esperava. Até aqui, tem sido uma experiência muito legal. Esses seis meses também culminaram com a abertura do show internacional do Imagine Dragons. Como foi para vocês tocar no Morumbis? Pedro Calais – Para mim foi uma experiência muito diferente tocar em um estádio. A gente já tinha tocado em 2019 abrindo para o Shawn Mendes, mas dessa vez foi muito louco, porque eu já tinha esquecido qual era a sensação. Quando você toca em estádio, você não tem side, não tem resposta imediata do público. O público está a muitos metros de distância. Hoje vocês vão ver nosso show com o público coladinho, gritando, com aquela sonzeira em cima do palco. Entregar um show de estádio é muito diferente. Me vi conectando com as músicas de outra maneira, ouvindo mais as letras que eu estava cantando, tentando entrosar com a banda mais pelo olhar e pelo som técnico. Foi uma entrega muito diferente, mas ao mesmo tempo muito emocionante visualmente. Chegar na frente de 60 mil pessoas, como no primeiro dia em São Paulo, e pedir para a galera acender a luz, e todo mundo acender, faz você se sentir poderoso e ao mesmo tempo dá um impulso no sonho. Você pensa: eu posso chegar aqui, bandas chegam aqui. E como o Jorge diz, lugar de banda é no estádio. Isso alimenta a nossa vontade.

Entrevista | Black Pantera – “O Circo Voador tem uma aura diferente”

O Black Pantera fez sua estreia em Santos e só este fato já seria histórico. Porém, quis o destino que a data coincidisse com o feriado do Dia da Consciência Negra (20) e eles fechariam a noite do Santos Festival Geek, no palco principal, logo após um bate papo com o Zack Taylor, eterno Power Ranger Preto. A banda teve problemas no aeroporto, vindo do Rio de Janeiro depois da histórica gravação do show no Circo Voador. Mesmo chegando em Santos com atraso, o power trio subiu ao palco, sem roadies, e passou o som. Ao vê-los, o público puxou o coro de Fogo nos Racistas, dando um spoiler do que seria a noite. “Nem começamos ainda”, Chaene (baixista) falou incrédulo. O show foi explosivo com as interações que a banda promove nos últimos anos, como a “roda das minas” e um momento em que o público todo se agacha e pula para puxar o refrão Fogo nos Racistas. Além das canções da banda, um cover de Carne Negra, de Elza Soares, emocionou o público. Coube ainda um improvisado trecho de Negro Drama dos Racionais MC’s. O Blog N’ Roll conversou com a banda após o show para saber sobre a sensação do show histórico e da gravação do show no Circo Voador na noite anterior. Hoje foi um dia histórico, com passagem de som e a galera toda gritando “fogo nos racistas”. Como é pra vocês tocar na Consciência Negra, ver esse movimento e perceber que a mensagem da banda está fazendo sentido para o público? Chane – Cara, foi doido porque a gente estava passando som e a galera já tava pilhada ali. Hoje teve uns atrasos por conta de aeroporto, por causa de voo que teve que descer em outro lugar. Mas a gente tinha noção de que seria legal. Você pode ver que tinha uma molecada nova aqui. Isso é foda, porque é transformador. Você vê que a banda tá atingindo um público de renovação. Então, é uma honra pra gente. A gente fica realmente impactado e muito feliz, com certeza. Para quem não estava no Rio de Janeiro, no Circo Voador, como foi a gravação do trabalho audiovisual? Pancho – Cara, foi simplesmente surreal, de verdade. Em 11 anos de Black Pantera, aquele público do Rio de Janeiro estava extremamente conectado com a banda. Cantando todas as músicas da primeira à última. Teve mosh, apareceu até o Pikachu lá no meio do rolê. Foi a realização de um sonho. Desde moleque, a gente vê várias gravações icônicas no Circo Voador. É uma casa histórica, não só pro Rio de Janeiro, mas pro Brasil. Por isso que a gente escolheu lá. Tem uma aura diferente. Foi o nosso quarto show lá, mas o primeiro que a gente não teve que abrir o show de alguém. É o primeiro show do Black Pantera. Foi a realização de um sonho. Estamos de almas lavadas, de verdade. Já sabem qual é o prazo para o lançamento? Chane – A gente ainda não tem ao certo. Acho que daqui uma semana a gente deve divulgar mais ou menos. Vamos fazer uma reunião com o pessoal da gravadora. Será que sai este ano? Pancho – Acho que é ano que vem. Chane – Eu queria que fosse especial de fim de ano, réveillon, mas deve ser ano que vem. Mas vai valer a pena. Foram 18 câmeras, uma equipe gigantesca gravando. Vai ficar lindo. Imagina a edição disso. Foi uma hora e vinte de catarse, foi histórico. Vocês vão ver quando sair. Esses foram os melhores shows da nossa vida, de verdade.

Entrevista | T.S.O.L. – “Eu praticamente garanto que será o último show no Brasil”

São Paulo recebe no dia 29 de novembro a força de duas lendas do punk californiano. T.S.O.L. e Adolescents dividem o palco do Cine Joia na primeira edição paulista do Rockside, festival que nasce com a proposta de celebrar o rock em suas vertentes mais pesadas. A noite marca o retorno de dois nomes essenciais da cena mundial, ambos influentes há mais de quatro décadas. Porém, para tristeza de muitos, será o último show do T.S.O.L. no Brasil. Formado no início dos anos 1980, em Long Beach, a banda, cujo nome são as iniciais de True Sounds of Liberty, se tornou uma referência singular por unir punk, death rock e hardcore. Liderada pelo vocalista Jack Grisham, a banda atravessou diferentes fases, mudanças de formação e crises internas, mas manteve sua relevância artística. Em 2024, o grupo lançou o álbum A-Side Graffiti, reafirmando sua vitalidade e a capacidade de transitar entre novas composições e releituras de clássicos. Em entrevista ao Blog N’ Roll, o vocalista do T.S.O.L., Jack Grisham, relembrou a última passagem pelo Brasil, falou sobre a energia do público brasileiro, comentou o processo criativo do álbum A-Side Graffiti, abordou o legado da banda e revelou que a turnê atual pode ser a última visita ao país. Você está feliz em voltar ao Brasil? A última vez que você esteve aqui foi em 2013… Certo. Durante as revoltas perto da Copa. Você lembra? Eles levavam o dinheiro no ônibus, haviam protestos em todo o país porque todos os senadores recebiam pagamentos, mas as pessoas tinham que arcar com isso. Ninguém estava feliz com aquilo. Sim, foi ano da Copa das Conferações. Depois a Dilma foi reeleita e, logo depois, aconteceu o impeachment. Mas, vamos falar de coisas boas, que lembranças dessa passagem você guarda? Acho que não foi tanto o show, mas sim as pessoas. Havia um sentimento diferente. Acho que a América (do Norte) é muito tensa. As pessoas são muito tensas com as emoções. São reservadas, exceto pela raiva. No Brasil, tudo era mais leve, mais emocional. Eu gosto de emoções. Minhas melhores lembranças foram a gentileza, o amor e a emoção das pessoas. Havia um coração genuíno, algo que você não vê tanto na América. É, a nossa América do Sul tem algo especial mesmo… Sim. E é real. As emoções estão expostas e não escondidas. Se gostam de você, dizem. É caloroso, gentil. Eu realmente gostei da última vez. O Brasil sempre teve uma cena punk ativa. Algum momento específico ou encontro te marcou? Eu conheço muitos brasileiros porque surfo há muito tempo. Sou fã de surfe. O Yago Dora, que ganhou o campeonato, estava parado perto de onde eu estava hospedado. Eu o vi, gritei da janela do carro. Foi divertido. E, claro, às vezes você sai do show e tem um ônibus queimando na rua (risos). Mas nada que tenha sido ruim. Na verdade, quando não lembro de nada negativo, significa que foi bom. Que praia você conheceu aqui? Florianópolis. Eu amei. Moro perto do oceano aqui na Califórnia, então estar lá foi ótimo. Em São Paulo a praia é longe, mas há várias famosas no litoral. Foi aqui que foi revelado o Medina, por exemplo. Sim, eu sabia que não estava perto, infelizmente. Já fazem 12 anos desde sua última vinda. Quais mudanças no setlist o público brasileiro pode esperar? Fizemos outros discos desde então. O Trigger Complex e o A-Side Graffiti. Tocamos músicas desses trabalhos. Nosso set cobre toda nossa trajetória. Às vezes as pessoas ficam chateadas porque não tocamos músicas da época em que o Joe Wood cantava, mas naquela fase não havia nenhum membro original na banda. Você viu o filme Ignore Heroes? Havia dois T.S.O.L. ao mesmo tempo: o nosso, com os membros originais, e outro sem nenhum integrante original. No álbum A-Side Graffiti há músicas novas, interpretações e covers. Como surgiu essa ideia? Para mim, um álbum deve ser ouvido do começo ao fim, como um livro. Trigger Complex foi assim. Mas A-Side Graffiti é diferente, é como um mural de grafite. Uma coleção de ideias. Fizemos covers do Rocky Horror Picture Show, de Bowie, experimentamos coisas. Estávamos apenas vendo até onde poderíamos ir. Foi interessante. Como foi a experiência da colaboração com o Keith Morris no álbum? Bem, o Keith me pagou (risos). Eu o conheço desde o Black Flag original, quando ele cantava. É o meu favorito. Depois ele foi para o Circle Jerks. Somos amigos há muito tempo. Já participei de vídeos da banda dele, o Off!. Quando fizemos Sweet Transvestite, pensei que ele seria perfeito. Liguei para ele e disse que precisava dele. Ele veio na hora. Foi ótimo. Como você equilibra respeitar as versões antigas e tocar com a identidade atual? Nós soamos praticamente como antes. Já vi bandas mudarem suas músicas a ponto de você nem reconhecê-las. Eu não acredito nisso. Quero preservar o sentimento original. Não posso ouvir a bateria sem pensar no nosso baterista que morreu. Quando tocamos, penso muito nisso. Estou fazendo isso há 46 anos. Já toquei para gerações diferentes. Hoje há jovens que me viram na rua e não sabiam que eu era o mesmo Jack do palco. É engraçado. Você falou em gerações, como você vê a importância do seu legado? Seria muito orgulhoso dizer que sou importante ou influente. Se deixei alguma influência, espero que tenha sido pela amizade e bondade, por ser acessível às bandas jovens, por ajudar. Essa seria a influência que eu gostaria de ter. Você vê seu legado mais forte no punk rock, death rock ou hardcore? Acho que no fato de termos feito tudo. Nunca escolhemos um som só. Sempre mudamos, experimentamos. Nosso primeiro disco é considerado o primeiro registro de death rock dos EUA, antes dos Misfits. Sempre tentamos coisas novas, e esse seria um bom legado. Sua banda sempre teve engajamento político e social. Você costuma estudar o cenário político dos países que visita? Eu estudava mais. Hoje é difícil saber de onde vem a informação. É