Entrevista | Street Bulldogs – “Eu que acredito que essa volta vai mexer com o Léo”

Após mais de uma década longe dos palcos, o Street Bulldogs volta à ativa para uma série especial de quatro shows em março de 2026. O retorno de uma das bandas mais influentes do punk/hardcore nacional passará por três capitais brasileiras: Curitiba (13/03, Stage Garden), São Paulo (14/03, Carioca Club e 19/03, Hangar 110) e Belo Horizonte (15/03, Galpão 54). As apresentações serão pontuais e marcam o reencontro do grupo com uma base de fãs que se manteve fiel mesmo após o fim das atividades em 2010. Formado em Pindamonhangaba (SP), em 1994, o Street Bulldogs construiu uma trajetória sólida na cena independente, com discos que se tornaram referência do gênero, como Street Bulldogs (1998), Question Your Truth (2001), Unlucky Days (2003) e Tornado Reaction (2004). A sonoridade crua e direta, marcada por letras que equilibravam crítica e autenticidade, consolidou o grupo entre os principais nomes do hardcore brasileiro no final dos anos 1990 e início dos 2000. Agora, com o vocalista original Leo vindo da Irlanda especialmente para a ocasião, o Street Bulldogs promete celebrar sua história em quatro noites intensas. A formação que retorna é a mesma que gravou o DVD no Hangar 110, em 2010: Fabio Sonrisal e Rodrigo Koala nas guitarras, Sanmy Saraiva no baixo, Guilherme Camargo na bateria e Leo Bulldog nos vocais. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Koala fala sobre o retorno aos palcos, as memórias da banda e o impacto duradouro do Street Bulldogs. O que motivou a volta do Street Bulldogs aos palcos depois de tanto tempo? Fui pego de surpresa, pra ser sincero. Acho que o Guilherme, nosso baterista, e o Léo estavam conversando e eu nem sabia. Fui saber quando já estava decidido. Fiquei muito feliz, porque eu sempre quis voltar, mas o Léo era o cara que dizia que não queria mais. A gente até teve proposta no ano passado, mas ele não topou. Quando ele avisou que viria pro Brasil e que queria tocar, foi um choque bom. Acho que foi quando a gente parou de pedir que ele resolveu fazer. Foi tranquilo reunir todo mundo e definir a formação? Sim. A gente tem um grupo no celular e se fala direto, o que facilita muito. O que mora mais longe é o Sonrisal, em Pindamonhangaba, e o Léo, que vem da Irlanda. Então vamos deixar a banda redonda antes dele chegar. Quando ele estiver aqui, faz uns ensaios com voz e pronto. Eu e o Sonrisal estamos tocando direto, então estamos com ritmo. O Guilherme, que é batera, talvez sinta mais, ele está ativo com outros projetos, porém são músicas mais lentas. Já dá pra adiantar algo sobre o setlist? Ainda estamos escolhendo. Tem gente dando ideia de tocar músicas que nunca fizemos ao vivo ou que ficaram muito tempo fora. Vai ter surpresa, com certeza. E também deve ter participações. O plano é fazer algo inesquecível, principalmente no Hangar. Com dois soldouts rápido em São Paulo, existe chance de novas reuniões ou até músicas inéditas? Tudo pode acontecer. Hoje o Léo é muito resistente à ideia de voltar pra valer ou gravar algo novo. Fazer um show já é quase um milagre. Mas a música tem esse poder, né? Às vezes o cara pisa no palco e muda tudo. Se ele se animar, vou ser o primeiro a apoiar. Com a tecnologia, dá pra gravar à distância tranquilamente. Eu acredito que essa volta vai mexer com ele. O punk brasileiro começou em português, com Cólera, Inocentes, Invasores de Cérebro… Mas o hardcore dos anos 90 foi majoritariamente em inglês com o Garage Fuzz, Hateen, Rivets e até mesmo Dead Fish chegou a cantar em inglês. Por quê? A gente não tinha muita referência de como fazer hardcore em português. Parecia que o idioma não encaixava. A influência vinha toda de fora, e cantar em inglês era natural no underground. Bandas como o Sepultura também mostraram que dava pra ser brasileiro e cantar em inglês, e isso inspirou muita gente. A virada pro português veio mais pro final dos anos 90, e o CPM 22 foi essencial pra provar que dava pra soar bem cantando em português. O Street também tem também algumas músicas em português… Sim. Tem Padrão, Tarde Demais, Adolf… e talvez mais alguma. A gente deve tocar algumas delas nessa volta. Qual show marcou mais, tanto positivamente quanto negativamente, na sua carreira? Teve um com o Pulley no Volkana em São Bernardo que foi meio chato por causa do produtor. A banda era legal, mas o cara era mala. A banda era muito legal, os caras super gente fina, mas o produtor tinha um dentinho, a gente aprendeu ele de Tooth. Já experiências ruins com bandas, quase nenhuma. A gente sempre se surpreendeu positivamente. O hardcore tem isso, as pessoas costumam ser acessíveis e gente boa. O que mais dava problema eram contratantes tentando dar calote. A gente tinha fama de bravo, mas era só cara de pedreiro mesmo, nunca batemos em ninguém. Eu sei histórias, por exemplo, eu não estava na banda, mas quando o Agnostic Front veio para o Brasil, eles fizeram uma turnê com o Street, eu não estava no Street ainda. Eles foram fazer a Argentina junto. E o baterista do Street na época era o Gordinho, lá de Pinda. E o Gordinho dormiu no carro. Aí ele deitou a cabeça no ombro do vocalista. Bem do Miret, do Roger Miret. Deitou a cabeça no ombro do Miret, né, cara? E o Léo dirigindo falou que olhou assim, cara, falou, puta, fodeu, né, meu? Cara gigante, boladaço. Esse gordo filha da puta deitou a cabeça no ombro do cara, que ela vai matar a nós. Aí falou o cara, pôs a sua mão nele assim, ele é um bom garoto, deixa ele dormir aqui e tal. Então acho que essas coisas, tipo… Ele me conta isso com muito carinho, assim, né? Você tem falado sobre sua rotina mais saudável. Como enxerga esse novo rock mais “careta”? Pra mim

Entrevistas | Supercombo, Jovem Dionísio e Terno Rei nos bastidores do Aurora Sounds

O festival Aurora Sounds trouxe boa parte dos nomes do cenário indie e alternativo para a cidade de Santos no último sábado, 4 de outubro, no Arena Club. Antes, o evento passou por São José dos Campos, no Palácio Sunset, dia 03 de agosto. O line-up esteve centrado em cinco bandas que já vinham gerando movimento nas redes e nas rádios independentes: Hibalta, banda da casa, O Grilo, Jovem Dionísio, Supercombo e Terno Rei. Cada uma entregou seu repertório com personalidade, e, apesar de ser um festival, o público saiu com a sensação que os shows foram com apresentações bem completas e estruturadas. Em entrevista ao Blog N’ Roll, os headliners do Aurora Sounds Supercombo, Jovem Dionísio e Terno Rei falaram sobre a carreira e os planos para o futuro. Jovem Dionísio Vi que vocês vão lançar um novo álbum e já tem um single rolando. Qual é a expectativa para os fãs com esse trabalho? Bernardo Pasquali – Então, esse último single que a gente lançou ainda não faz parte do disco, na verdade. Ele dá uma ideia do que a gente está fazendo, mas o disco mesmo a gente começou a trabalhar de verdade no mês passado. Então, ele tem um som mais próprio, diferente desse single. Eu acho que são as melhores músicas que a gente já fez até agora. Mesmo nessa fase inicial do processo, já dá pra ver que vai ser muito bom, sabe? Não sei dizer exatamente o que ele remete Bernardo Hey – Acho que gente está curtindo o momento. O que a gente está gostando agora é o que está guiando o som. O tempo vai passando, a gente vai mudando o que ouve, o que quer experimentar. Então, do primeiro pro segundo e agora pro terceiro disco, parece que teve uma mudança maior mesmo. E vocês acabaram estourando nas redes sociais, especialmente com o TikTok. Qual foi o grande desafio de sair desse estigma de “a banda que viralizou com um refrão” para se firmar como um nome de peso em festivais e grandes eventos? Bernardo Pasquali – Cara, acho que a gente simplesmente seguiu fazendo o que sabe fazer, que é música. Todos esses acontecimentos no TikTok e no Instagram foram coisas que aconteceram de forma orgânica. A música que usaram era nossa, mas nenhum movimento foi criado por nós. Então, a gente se manteve focado no nosso trabalho, no ofício de criar música. A banda começou com esse princípio, e quando tudo isso aconteceu, a gente colocou a cabeça no lugar e pensou: “vamos seguir fazendo mais música pra frente”. Supercombo O primeiro show da turnê “Caranguejo” aconteceu aqui. Acabei de ver o show, mas que spoilers vocês podem dar para o público que vai acompanhar o restante da turnê pelo Brasil? Leo Ramos – Olha, primeiro que vai ter mais música do disco novo ao vivo em relação a esse show. Segundo que a gente está montando umas coisas a mais para ter nos outros shows, porque esse foi um show meio que de festival. Então é o show da turnê nova, porém um pouquinho menor. O nosso show mesmo, que são só nossos shows, que não é dentro de festival, é um pouquinho maior. Eu estou falando muita doideira porque estou depois do show. Famoso louco de show. Famoso louco de show, é isso. Mas é isso, não sei se deu pra entender. Vocês tocaram hoje músicas muito pessoais para você, como “Alento” (feito para a filha) e “Testa” (homenagem póstuma à mãe). Como foi a recepção do público e o sentimento de ver a galera cantando essas faixas ao vivo? Leo Ramos – Cara, foi emocionante demais, eu não sei nem como é que eu consegui terminar a música ali. Principalmente Testa, foi bem emocionante sim. Mas cara, foi muito massa e gratificante ver a galera cantando essa música especialmente para mim. Terno Rei São 15 anos de banda, mas os últimos anos de vocês foram intensos: Lollapalooza, abertura para o Smashing Pumpkins, participações com Lô Borges e Samuel Rosa. Qual foi o momento mais marcante desse período pra vocês? Ale Sater – Ah, eu acho que o lance de tocar no Lolla duas vezes foi muito legal, porque os dois shows deram muito certo. Mas eu também diria que, quando a gente fez a session com o Samuel Rosa, naquele momento da pandemia, foi algo muito especial. A gente estava muito restrito, sem fazer nada por um bom tempo, então foi um momento que deu um gás, de conhecer ele, fazer uma entrevista e gravar junto. Foi irado, cara, um dos momentos mais legais da história da banda acho que foi essa session com o Samuel Rosa. Vocês têm uma forte referência anos 80, e o Brasil sempre teve uma cena marcante com bandas como Legião Urbana e Capital Inicial, que exploraram o pós-punk. Como é pra vocês encabeçarem hoje esse cenário de rock alternativo brasileiro? Bruno Paschoal – Pô, eu nunca tinha parado pra pensar nisso, mas agora que você falou, eu senti uma pressão. Mas eu fico feliz de ver o reconhecimento da galera, esse respeito e o reconhecimento do trabalho duro que a gente faz. A gente dá a vida por isso há mais de 15 anos, então é muito satisfatório chegar nesse lugar, saber que as pessoas estão ouvindo, prestando atenção e querendo falar com a gente. Tudo isso é super gratificante. Esperamos continuar por muitos anos ainda, se Deus quiser, nessa toada. E aproveitando a deixa, depois do novo álbum, já tem uma próxima parada? Greg Maya – Próxima parada é minha cama (risos).

Entrevista | Yo La Tengo – “Eu amo a cultura brasileira e quero conhecer coisas novas”

Após mais de uma década longe dos palcos brasileiros, o Yo La Tengo retorna ao país em novembro de 2025 para dois shows em São Paulo. O trio norte-americano se apresenta no Balaclava Fest no dia 9 de novembro, no Tokio Marine Hall, em sua formação elétrica, e faz no dia seguinte, 10 de novembro, um show acústico especial no Cine Joia. A passagem faz parte da nova fase da banda, que segue divulgando o elogiado álbum This Stupid World (2023). Com mais de 40 anos de carreira, o grupo formado por Ira Kaplan, Georgia Hubley e James McNew é uma das formações mais queridas e respeitadas do indie rock mundial. Sempre transitando entre o barulho experimental e a delicadeza melódica, o Yo La Tengo construiu uma discografia marcada pela liberdade criativa e pela constante reinvenção, mantendo sua essência mesmo após quase quatro décadas de estrada. Em entrevista ao Blog n’ Roll, o baixista James McNew falou sobre o reencontro com o público brasileiro, o processo artesanal do último álbum, a parceria com Jad Fair e a química de tocar ao lado de um casal que forma a base da banda desde 1984. Faz quase uma década desde a última vinda de vocês ao Brasil. O que os fãs podem esperar dos dois shows de novembro? Um deles será em um festival, então será um show elétrico, mais reduzido, com cerca de uma hora ou um pouco mais. O outro será apenas nós, tocando de forma mais calma, mas por muito mais tempo, com muito mais músicas. Eu nem sei exatamente o que esperar desse show, mas acho que os dois serão muito divertidos, cada um à sua maneira. E como você sente a conexão do público brasileiro com a música do Yo La Tengo? Eu me sinto ótimo em relação a isso. Eu amo a música e a cultura brasileira. Faz muito tempo desde que estivemos aí, e é um lugar muito especial para nós. Não conseguimos visitar com frequência, é difícil fazer isso acontecer. Então, quando finalmente conseguimos, ficamos realmente animados. Mal podemos esperar para voltar e reviver as experiências que tivemos, além de descobrir coisas novas também. O álbum This Stupid World recebeu uma ótima recepção da crítica. Como tem sido tocar essas músicas ao vivo? Tem sido muito divertido. Tocamos bastante esse repertório em turnês por vários lugares, mas ainda não na América do Sul. Então, agora é a hora de vir para cá. Esse é um álbum pós-pandemia. O processo de gravação foi diferente dos anteriores? Totalmente. Todos os nossos discos anteriores foram feitos em estúdios, com engenheiros e produtores brilhantes. Desta vez, fizemos tudo em um cômodo onde ensaiamos, só nós três. Cometemos muitos erros, aprendemos a resolver problemas e fomos muito criativos. Trabalhar em casa foi libertador e podíamos testar ideias o tempo que quiséssemos, sem pressão. Foi um processo muito divertido. O disco foi descrito como um dos mais intensos da carreira recente da banda. Vocês buscaram essa energia mais crua de propósito? Acho que foi apenas o que estávamos sentindo. Fizemos o disco sozinhos, sem produtores ou engenheiros externos, apenas nós três. Não tínhamos ninguém para nos dizer se algo era uma boa ideia, então seguimos nossos instintos. Como vocês equilibram faixas longas e atmosféricas com músicas mais curtas e agitadas dentro do mesmo álbum? Isso acontece naturalmente. É como expressar sentimentos. O ritmo de um álbum inteiro tem que fazer sentido emocionalmente. Gostamos muito de fazer as duas coisas. Como surgiu a parceria recente com Jad Fair que entrou recentemente no streaming? Essa não é uma música nova. Gravamos esse disco há uns 30 anos, foi uma das primeiras coisas que fizemos com o Jad. O selo com o qual o Jad trabalha perguntou se gostaríamos de relançar o disco que fizemos juntos em 1996, que estava fora de catálogo há muito tempo. Nós dissemos sim. Éramos grandes fãs dele e da banda dele. Quando ele nos convidou para gravar juntos, tudo foi improvisado. Não sabíamos nem o que ele estava cantando, só seguíamos quando ele dava o sinal. Essa experiência teve uma grande influência sobre nós, especialmente em relação à espontaneidade. Até hoje, quando escrevemos músicas novas, eu penso naquele processo e em como foi divertido. E recentemente foi lançado também o registro Live in New York nas plataformas. Como foi revisitar esse show acústico de 1992? Olha, na verdade, isso foi lançado sem que soubéssemos (risos). Falando em setlists, vocês costumam incluir covers de artistas como Neil Young e The Beach Boys. Como escolhem essas músicas? Nosso setlist muda a cada show. É sempre uma questão de espontaneidade, do que parece certo naquele momento. Tocar covers é divertido. Acho interessante o contexto de incluir uma música de outro artista em meio às nossas. Dá para aprender muito sobre a personalidade de uma banda pela escolha de um cover, tanto quanto pelas músicas próprias. Existe alguma música antiga que os fãs pedem muito, mas que vocês raramente tocam? Sim, há uma música de I Can Hear the Heart Beating as One, chamada The Lie. Nós a gravamos em 1997 e só a tocamos ao vivo pela primeira vez em 2024. E como é fazer parte de um trio em que os outros dois integrantes são casados? É ótimo, eu recomendo totalmente (risos). Você sempre sabe onde os outros dois estão. Isso torna as viagens bem práticas. E o melhor é que eu não preciso dividir o quarto com eles nas turnês. Não tenho do que reclamar. Deixe uma mensagem para os fãs brasileiros que estão ansiosos para o show. Brasil, ficamos muito tempo longe de vocês, e estamos realmente animados para voltar. Não vejo a hora.

Entrevista | Aléxia – “Participar da turnê com o The Calling é uma oportunidade que muitas bandas independentes adorariam”

A cantora e compositora Aléxia vive um dos momentos mais importantes de sua carreira. Em outubro, ela será a atração convidada em quatro shows da turnê da banda norte-americana The Calling no Brasil, passando por Curitiba, Santo André, Belo Horizonte e Brasília. Além disso, a artista mantém uma agenda intensa como atração principal em cidades do interior e litoral paulista, como Sorocaba, Santos e Tatuí. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Aléxia contou sobre a expectativa de dividir o palco com um grupo que marcou gerações, falou do novo single Monstro e revelou os próximos passos da carreira, incluindo a preparação de seu primeiro álbum. Imagino que para a geração 2000 é sempre uma vitória estar abrindo shows como esse, né? Como você recebeu esse convite? Nossa, eu fiquei extremamente feliz, emocionada e honrada. Porque uma banda como o The Calling marcou a geração 2000 e influenciou muita gente que veio depois, inclusive nós. Então eu fiquei realmente honrada. Parece que ainda não caiu a ficha, acho que só quando estiver acontecendo vai cair de verdade. No Brasil é sempre uma missão difícil abrir shows. O que você está preparando para essa apresentação? Vai focar mais no lado autoral ou nas versões? O que o público pode esperar do repertório? Quero dar bastante ênfase para o autoral nesse show. Acredito que o principal objetivo é realmente poder mostrar o meu trabalho para as pessoas. Participar dessa turnê é uma oportunidade que muitas bandas independentes adorariam. Então quero aproveitar ao máximo para apresentar minhas músicas. Vou incluir duas ou três versões, dependendo da cidade, mas o set será formado principalmente pelas minhas autorais. Também penso em colocar alguma música nova que ainda não lancei, como uma surpresa. E se por algum motivo fluísse bem o relacionamento de vocês na turnê, existe alguma música do The Calling que você gostaria de dividir o palco com o Alex Band? Com certeza. A “Stigmatized”. É uma música que eu gosto muito e adoraria se ele me chamasse para cantar. Seria incrível. Você foi recentemente ao ensaio aberto da Pitty para o The Town na Audio. A Pitty é da Bahia, você é de Apiaí, interior de São Paulo. Quais os desafios de ser mulher e fora das principais cidades no rock? Como você enxerga esse cenário no Brasil? Aqui no interior a gente tem uma grande predominância do sertanejo, e o público não consome tanto rock. Existe essa dificuldade de levar as pessoas para os shows. Em São Paulo capital já acontece muito mais coisa, mas nós mulheres ainda precisamos ultrapassar grandes barreiras. Acho que já melhorou bastante, hoje vemos muitas bandas e artistas femininas como a Eskrota, The Mönic, Giovanna Moraes e Crypta, todas fazendo um baita trabalho. Mas ainda sinto falta do protagonismo, de ver festivais e eventos realmente liderados por mulheres. Também é importante o apoio da cena, de artistas que já estão consolidados. Existe muita artista feminina no underground, mas ainda há uma barreira grande. Torço para que uma dessas mulheres consiga estourar essa bolha. Hoje temos a Pitty no mainstream, mas seria incrível se tivéssemos muitas outras. Temos inclusive aqui em Santos um evento chamado Chiquinha Gonzaga, organizado pela Carla Mariani, que dá visibilidade apenas para atrações femininas. Sempre é bom ver esse caminho sendo construído. Você mesmo começou cedo na música e só profissionalizou recentemente. Qual foi o momento em que decidiu investir de vez na carreira? Eu cheguei a fazer faculdade de veterinária e trabalhei na área, mas a música sempre foi um sonho. Há quatro anos surgiu a oportunidade de cantar numa banda chamada Cherry Bomb. Eu agarrei esse convite, mesmo sendo uma banda cover de bar, porque era o que eu queria fazer. Depois começamos a compor autorais e o trabalho foi crescendo. Quando percebi que a música já estava me trazendo frutos, inclusive financeiros, maiores do que a veterinária, larguei a outra carreira para seguir só com a música. Não é fácil, mas fazer o que a gente ama é muito mais tranquilo do que quando eu trabalhava como veterinária, algo que eu não gostava. É difícil definir seu som em um rótulo só. Tem rock, hard rock, emo, pop punk e até elementos eletrônicos. Como você se apresentaria para quem ainda não conhece seu trabalho? Eu costumo dizer que se você gosta de rock vai gostar, se gosta de pop também vai gostar. Meu som transita pelo alternativo, pelo rock e pelo pop. Muitas pessoas que não eram fãs de rock ou tinham preconceito acabam curtindo o meu show. Tenho fãs que são ligados às divas pop, outros ao emo, outros ao rock mais tradicional. Eu gosto de misturar várias coisas e depois fica até difícil me nichar, mas é isso que me define. Aproveitando que estamos chegando em outubro, mês do Halloween, e que você lançou o single “Monstro”. Vai aproveitar a turnê ou a data para criar algo temático? Com certeza. Teremos shows depois da turnê em que quero manter esse clima, porque é um show que estou preparando com uma vibe mais dark e gótica. Estou planejando telão, figurino e elementos de palco que tragam essa atmosfera mais monstruosa. Também quero levar essa proposta para outros shows fora da turnê. Gosto muito de Halloween e, se puder, farei até festa à fantasia. A letra de “Monstro” fala bastante sobre conflitos pessoais. Como é seu processo de composição? São histórias pessoais ou você se baseia em ficção? Normalmente escrevo sobre experiências e vivências minhas. Desde nova tenho o hábito de escrever, então costumo criar a letra primeiro, depois penso na melodia e os meninos me ajudam com os arranjos. “Monstro” fala sobre sermos colocados como vilões na história dos outros, mas também sobre reconhecermos que somos vilões das nossas próprias histórias. Muitas vezes eu mesma fui o meu próprio monstro. Quis trazer essa reflexão para a letra, com uma inspiração também na Lady Gaga, que é uma artista que admiro muito. Você já tocou em festivais importantes ao lado de

Entrevista | Hugo Mariutti – “Muita gente acha que é um disco de guitarrista, mas é um projeto diferente”

Hugo Mariutti acaba de lançar This Must Be Wrong, seu quarto álbum solo, produzido inteiramente pelo guitarrista. O trabalho sucede The Last Dance (2023), seu primeiro após o fim do Shaman, e marca uma fase em que o músico busca novas sonoridades. O primeiro show foi realizado no Sesc Santo Amaro com casa cheia e boa repercussão “ Agora é seguir divulgando, porque muita gente ainda acha que é um disco de guitarrista. É importante mostrar que é um projeto diferente.”, afirma Hugo, que encara o disco como o mais completo de sua carreira, tanto no aspecto vocal quanto nas composições. Distante do heavy metal pelo qual é amplamente reconhecido, Mariutti mergulha em influências que transitam pelo post-punk, rock britânico e elementos alternativos, sem abrir mão da bagagem construída ao longo de décadas de estrada. A faixa-título e a capa, por exemplo, reflete sobre a exaustão física e mental imposta pela sociedade atual e pela autocobrança constante, traduzindo inquietações pessoais e coletivas em forma de música. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Mariutti falou sobre os desafios de gravar em tons mais altos sem perder a força das composições, a importância de saber equilibrar perfeccionismo e maturidade durante a produção e como influências de bandas como The Cure e New Order ajudaram a moldar esse novo momento em sua trajetória. Esse disco sucede The Last Dance e você o define como seu trabalho mais completo. Quais foram os maiores desafios, tanto na produção quanto na composição? Meu maior desafio nesse disco foi cantar as músicas no tom que eu escrevi. Algumas estão em tons mais altos e eu não quis baixar, porque poderia tirar um pouco da essência. Então tive que treinar bastante para cantar bem. Na produção eu sempre tomo muito cuidado com a gravação de voz, porque é a primeira coisa que salta para quem está escutando. Nas letras também tive muito cuidado. Reescrevi várias vezes frases que não estavam boas, voltava, refazia, regravava. O legal de estar produzindo, e com a tecnologia que temos hoje, é que isso fica mais fácil e rápido. Mas também chega uma hora em que você precisa ter maturidade para falar: é isso, está pronto. Pra quem está te conhecendo agora com esse novo trabalho, como é a sua relação com o post-punk e o rock britânico? Era algo que você já ouvia na infância? Ao longo da vida a gente passa por fases musicais. Comecei a ouvir música muito cedo por influência dos meus irmãos mais velhos. Tinha Queen, Supertramp, e depois fui para o metal, tive banda de thrash metal no começo dos anos 90, depois uma que misturava rock progressivo e jazz, ouvindo Rush, Marillion. O post-punk também esteve presente. O The Cure e o New Order tocavam muito no rádio quando eu era pré-adolescente. Eu gostava, mas como era ligado ao thrash metal, não podia assumir muito. Mais velho, você entende que tudo isso se mistura. No disco realmente dá pra perceber essas influências. E como foi o primeiro contato deste trabalho com o público no show do Sesc Santo Amaro? Foi muito legal. Bastante gente no teatro, conseguimos tocar quatro músicas do disco novo e mesclar com os quatro álbuns. A recepção foi ótima, muitas mensagens positivas. A banda é muito boa, isso ajuda muito. Agora é seguir divulgando, porque muita gente ainda acha que é um disco de guitarrista. É importante mostrar que é um projeto diferente. A faixa-título fala de exaustão física e mental. Isso tem relação com a sua vida pessoal ou foi apenas uma ideia para a letra? Tem relação comigo, mas também com muita gente. Várias vezes me peguei em casa, em dias sem compromisso, deitado, olhando pro teto, e me cobrando por não estar fazendo nada. Esse modo de vida gera exaustão mental e física. A capa reflete isso: uma pessoa sentada na praia, em paz, enquanto as pegadas mostram todo mundo indo embora, como se o certo fosse estar sempre produzindo. É uma reflexão sobre essa cobrança. Você falou sobre essa cobrança e tem a questão também sobre o ego do artista. Como foi sair da zona confortável da guitarra e focar mais na composição e produção? Eu nunca me considerei um guitar hero. Pra mim, a composição sempre foi mais importante. É claro que ganhar prêmios é legal, mas meu objetivo sempre foi ouvir as pessoas dizerem que as músicas são boas. Desde os 15 anos eu já tocava música autoral, e isso sempre foi o que me movia. Alguns podem pensar que é um disco de guitarra, mas eu gostaria que escutassem para perceber esse outro lado. Eu gosto do desafio. Nesse disco gravei quase todos os instrumentos, menos a bateria. É sempre uma evolução pessoal, quase uma terapia. Seus trabalhos mais famosos foram com Shaman, Viper e André Matos e são bem diferentes. O que dessas bandas reverbera agora na sua carreira solo? É muito diferente do que eu fazia nas outras bandas. Não tem como soar igual, e eu também não quis. Se fosse para fazer algo parecido com Shaman, André ou Viper, não teria sentido. O trabalho solo é para ser diferente. Mas como sou eu escrevendo, alguma coisa acaba aparecendo. Escrevi muita coisa no Shaman e na carreira solo do André. Já ouvi gente dizer que certa linha de voz poderia ser cantada pelo André, por exemplo. Pode ser inconsciente, porque essas pessoas me influenciaram muito. Falando da sua carreira, não dá pra fugir da pergunta: qual a sua história com a Flying V? Essa é legal. A segunda guitarra que tive na vida foi uma Flying V. Na época era muito difícil ter instrumentos importados no Brasil. Gravei o primeiro disco do Shaman com uma Gibson do produtor, Sasha, mas logo depois um amigo me ligou de uma loja em São Paulo e disse que tinha uma Flying V com ótimo preço. Testei e comprei. Foi a guitarra que usei na fase de maior sucesso do Shaman, então ficou marcada. Tenho ela

Entrevista | Nation of Language – “A pandemia nos mostrou o quanto o ao vivo é importante”

A banda novaiorquina Nation of Language lançou seu quarto álbum de estúdio, Dance Called Memory. Diferente dos trabalhos anteriores, o disco nasceu a partir de acordes no violão, uma escolha incomum para um grupo que construiu sua identidade nos sintetizadores. Essa abordagem mais “orgânica” serviu como ponto de partida para explorar novas sonoridades e, sobretudo, para humanizar ainda mais o universo eletrônico da banda. “Qualquer coisa que seja diferente, empolgante e desperte curiosidade é extremamente valiosa em estúdio”, explicou o vocalista do Nation of Language, Ian Richard Devaney. Em entrevista exclusiva ao Blog n’ Roll, Ian e Aidan Noell falaram sobre as referências que atravessam o novo trabalho do Nation of Language, de My Bloody Valentine a Cocteau Twins, o desejo de borrar as linhas entre o sintético e o humano, a relação do disco com memórias pessoais e o impacto emocional de voltar a se conectar com o público após o isolamento da pandemia. Confira a entrevista completa abaixo Dance Called Memory foi composto a partir de acordes no violão, uma escolha incomum para um álbum dominado por sintetizadores. Como esse processo mais “orgânico” influenciou o resultado final? Ian: Acho que o fato de a guitarra ter sido a base de tantas músicas realmente nos lembrou, ao longo do processo, que não precisamos fazer tudo sempre do mesmo jeito que fizemos antes. Aidan: É, acho que isso nos lembrou que é bom mudar, evoluir e expandir o que acreditamos ser capazes de fazer. Ian: E, sabe, acho que quando você está no estúdio, qualquer coisa que seja diferente, empolgante e desperte curiosidade é extremamente valiosa. Você menciona, no material para a imprensa, que quis se afastar da escola Kraftwerk e se aproximar da filosofia de Brian Eno. Quais momentos do álbum você acha que mais representam essa “humanização dos sintetizadores”? Ian: Essa é uma ótima pergunta. Acho que uma parte… é que, na primeira música do álbum, há algo que soa como um sintetizador, mas na verdade é uma gaita bastante processada com efeitos. E acho que esse engano, um instrumento humano sendo tratado como um sintetizador, é uma forma de ilustrar esse borramento de fronteiras. Aidan: Sim, borrando a linha entre o sintético e o humano. A faixa I’m Not Ready for the Change traz referências ao Loveless do My Bloody Valentine. Como vocês equilibram essas influências do shoegaze e da eletrônica dos anos 2000 com a identidade própria da banda? Ian: Essa é uma banda que sempre amei. E acho que, sabe, muita da nossa identidade está ligada a influências fundadoras do new wave e synth pop dos anos 80. E, pra mim, existe um fio condutor natural que passa, talvez, pelo Cocteau Twins, que meio que faz uma ponte entre os anos 80 e 90, algo muito interessante de explorar. Nosso produtor, Nick Millhiser, é fã do Cocteau Twins. Então, no estúdio, nenhum de nós tinha muita experiência com esse tipo de sonoridade, guitarras com aquele timbre metálico, reluzente, então foi algo empolgante. E toda vez que a gente se perguntava: “Podemos fazer isso? Isso soa como Nation of Language?” E decidimos tornar isso parte do som da banda, foi muito legal. O novo álbum parece ser menos sobre nostalgia e mais sobre memória e humanidade. Que tipo de memórias ou sentimentos pessoais foram canalizados na composição? Ian: Acho que muitas coisas… amigos ou familiares que faleceram, por exemplo. O Aidan e eu moramos no nosso primeiro apartamento juntos por dez anos. E, enquanto fazíamos este disco, nos mudamos de lá. Mudar de casa pode parecer algo pequeno, especialmente em comparação com a morte, mas quando você tem tantas memórias compartilhadas em um espaço, e tanto da sua vida aconteceu ali, especialmente por ter sido o lugar onde passamos a pandemia, confinados, foi uma perda especial. Aidan: É um tipo diferente de perda, interessante de se explorar emocionalmente. E também crescemos muito nos últimos anos, mudamos de caminho, perdemos amizades ou a noção de quem achávamos que éramos.Todos esses tipos de perda, mudança e crescimento, que você lamenta ou celebra, estão todos canalizados neste disco. Talvez de uma forma mais madura, eu espero. Seus três primeiros discos viraram trilhas sonoras não-oficiais do isolamento pandêmico. O novo álbum marca uma virada? Podemos dizer que ele aponta para um futuro mais esperançoso? Ian: Não sei se aponta para um futuro mais esperançoso, mas… Acho que, com este álbum e o anterior, Strange Disciple, há uma celebração do fato de que não estamos mais presos. Poder sair em turnê, construir comunidade com as pessoas, isso é algo muito inspirador para nós, e central ao motivo pelo qual estamos em uma banda. A pandemia nos mostrou o quanto a performance ao vivo é importante. Era algo que eu costumava dar como certo. Mas poder cantar junto com o público, compartilhar esses momentos emocionais, isso é essencial para nós. A turnê internacional inclui locais maiores e múltiplas datas em cidades como Nova York e Londres. Como vocês estão se preparando para esse novo patamar nos palcos? Ian: Nos últimos meses, temos pensado em como expandir o show ao vivo sem perder o essencial do que significa, pra nós, ser uma banda DIY por tanto tempo. Como aumentar o valor de produção sem abrir mão da liberdade de mudar o setlist a cada noite, ou de fazer alterações no meio do show, algo que muita produção musical pré-planejada não permite. Estamos pensando muito nisso ultimamente. Queremos expandir a parte visual. Começamos a ver o design de palco como uma forma de arte visual, algo que ainda não havíamos explorado. Aidan: Ser parte de uma banda envolve muito mais aspectos artísticos do que se imagina no começo, você tem que fazer os flyers, as capas dos álbuns, tirar fotos… Então, agora o design de palco é a nova área criativa em que estamos mergulhando. Sempre trocamos ideias por mensagem, e quando vamos a shows, observamos o que outras bandas fazem que podemos adaptar. Estou animado para investir cada vez mais nisso. Parece

Entrevista | Stars Go Dim – “Se consigo ser honesto nas canções, outras pessoas podem se identificar”

O projeto musical Stars Go Dim, liderado pelo cantor e compositor Chris Cleveland, acaba de lançar Roses, descrito pelo próprio artista como seu trabalho mais pessoal até agora. Com influências de soul e R&B dos anos 1970, o álbum busca transmitir esperança e beleza nas pequenas coisas do cotidiano, trazendo canções que equilibram emoção, espiritualidade e pop contemporâneo. Em entrevista ao Blog n’ Roll, Cleveland falou sobre o processo criativo, suas colaborações com grandes nomes da música e a possibilidade de visitar o Brasil em breve. Seu novo álbum, Roses, foi descrito como o mais pessoal da sua carreira. O que o torna diferente dos anteriores? A principal razão é que produzi o álbum inteiro sozinho. Sempre escrevi ou co-escrevi minhas músicas com outras pessoas, mas, desta vez, assumi o projeto de forma completa, da criação à produção. Claro, colaborei com amigos, músicos e compositores, mas toda a essência veio de mim. Isso tornou o resultado mais autêntico e verdadeiro ao que sou, tanto como pessoa quanto como artista. Sinto que é a música mais genuína que já fiz em 30 anos de carreira. Você disse que Roses representam o sagrado em lugares inesperados. Como essa metáfora se conecta à sua vida pessoal e espiritualidade? Acredito que Deus se manifesta em momentos pequenos e cotidianos. Muitas vezes, as pessoas imaginam a fé como algo distante, ligado apenas a grandes acontecimentos. Para mim, as experiências mais marcantes foram simples: conversas com minha esposa, brincar com meus filhos, momentos comuns do dia a dia. Ao compor, perguntei a outras pessoas como elas percebiam essa presença, e as respostas foram semelhantes: é nos detalhes, nas situações corriqueiras, que podemos enxergar fragmentos do divino. Esse conceito inspirou várias canções do disco. O álbum traz fortes influências do soul e do R&B dos anos 1970. Como foi incorporar essa sonoridade vintage ao pop contemporâneo do Stars Go Dim? Foi extremamente divertido. Sempre gostei de pop e soul, além de ser pianista, e buscava, acima de tudo, uma sensação. Quando chegamos a esse clima mais funky e soulful, percebi que a música transmitia alegria e leveza. Pensei: “Se isso me faz feliz, talvez também desperte o mesmo sentimento em outras pessoas”. Você já colaborou com grandes nomes como Elton John, Justin Bieber e John Mayer. O que aprendeu nessas experiências que ainda carrega consigo? Esses artistas, e tantos outros com quem já toquei, sempre se apresentaram da forma mais autêntica possível. Elton, Justin, John… cada um deles soube se reinventar sem perder a essência. Acho que a grande lição é não ter medo de seguir o coração e a intuição ao fazer música. Em Roses, procurei exatamente isso. Seu single You Are Loved foi um marco e até tocou nas rádios dos Estados Unidos. Como você enxerga esse período hoje? Com muito carinho. Essa música me conectou a inúmeras pessoas. Apesar da simplicidade da mensagem, ela toca em algo essencial: todos queremos ser vistos, valorizados e amados. Dez anos depois do lançamento, continuo gostando de tocá-la e de compartilhar esse sentimento com o público. A espiritualidade aparece de forma sutil, mas constante nas suas composições. Isso é intencional ou algo natural no processo criativo? Um pouco dos dois. Escrevo para mim e também para outros artistas, de estilos variados, já fiz country, dance music, músicas para igreja. Em qualquer gênero, tento ser autêntico. Vivo uma jornada de fé, mas também escrevo sobre amor, família e vida. Se consigo ser honesto nas canções, outras pessoas podem se identificar e pensar: “eu também sinto isso”. Roses transmite mensagens de esperança e beleza na vida cotidiana. Como você gostaria que o público se sentisse ao ouvir o álbum? Nossa intenção foi clara: que cada música provoque uma emoção imediata, seja vontade de dançar ou de refletir. Se o ouvinte dedicar 36 minutos para escutar o disco de ponta a ponta, espero que termine a experiência se sentindo melhor, mais esperançoso e capaz de enxergar o lado positivo da vida. O que os fãs podem esperar do Stars Go Dim nos próximos meses? Estamos preparando turnês nos Estados Unidos e, quem sabe, em outros países. Também sigo compondo para outros artistas, mas a prioridade no momento é apresentar Roses ao maior número de pessoas possível. Existe a possibilidade de vir ao Brasil para divulgar o novo álbum? Sim, adoraria. Inclusive já comecei a pesquisar artistas e a me preparar para conhecer melhor a cena local. Também quero experimentar a culinária daí. Seria incrível poder levar o Roses ao público brasileiro.

Entrevista | The Dead South “Estamos muito animados para ir ao Brasil e conhecer sua cultura”

O The Dead South finalmente chega ao Brasil. O quarteto canadense, conhecido pela mistura de bluegrass, folk e rock alternativo, estreia nos palcos brasileiros em outubro com shows em Belo Horizonte (15), São Paulo (17), Curitiba (18) e Porto Alegre (19). A turnê inédita é realizada pela Powerline Music & Books, Sellout Tours e Áldeia Produções e promete apresentar ao público toda a estética peculiar da banda, marcada por suspensórios, chapéus, camisas brancas e um repertório que passeia entre histórias sombrias e bem-humoradas. Formado em 2012, o The Dead South ganhou projeção mundial com “In Hell I’ll Be In Good Company”, faixa que alcançou certificação de platina nos Estados Unidos. Desde então, o grupo consolidou uma identidade sonora única, sem se preocupar em se reinventar a cada disco, mas sim em lapidar seu estilo próprio. O mais recente capítulo dessa trajetória é Chains & Stakes (2024), gravado no Panoram Studios, na Cidade do México, e co-produzido pelo vencedor do Grammy Jimmy Nutt. O trabalho reúne 13 músicas que abordam vinganças, intrigas familiares e narrativas sobrenaturais. Diferente das formações tradicionais de bluegrass, o The Dead South dispensa bateria e violino para apostar em banjo, violoncelo, violão e bandolim. Esse formato acústico, aliado às harmonias vocais de três vozes, cria uma sonoridade distinta, capaz de ir de baladas sombrias a temas acelerados. Nate Hilts, vocalista e responsável pelos violões e bandolim conversou com o Blog N’ Roll sobre a expectativa de conhecer o Brasil, um novo álbum que está a caminho e até mesmo em qual filme ele sonha em emplacar uma trilha sonora. Você tem ouvido muito “Come to Brazil” nas suas redes sociais? Quais as expectativas para conhecer o público daqui? Sim, há muito “Come to Brazil” nas nossas redes e é ótimo. Nunca estivemos no Brasil, então estamos muito animados. Sempre quisemos vir e saber que as pessoas realmente querem que toquemos aqui é incrível. A expectativa é que o público goste e que possamos voltar mais vezes. E o que você sabe sobre os fãs brasileiros e a música brasileira? Ouvi dizer que os fãs são intensos, apaixonados e realmente dedicados quando gostam de algo. É exatamente isso que procuramos. Conheço um pouco do folk brasileiro. Quando eu estava na escola, uma banda do Brasil foi tocar em uma das minhas aulas e foi incrível. Além disso, só algumas coisas que ouvi no rádio ou através de amigos. Não conheço muito, mas admiro as músicas que já chegaram até mim. Vocês lançaram um álbum no ano passado e uma nova música já este ano. Quais são os planos para um novo disco? Assim que terminarmos essa turnê no Brasil, vamos voltar para o Canadá e fazer algumas pré-produções para nos prepararmos para janeiro, quando vamos gravar o novo álbum. Estamos muito animados. Falando ainda sobre o último álbum, qual foi o processo criativo e a experiência de gravar Changes and Stakes no México? Foi incrível. Estando na Cidade do México, no bairro Condesa, sentimos uma atmosfera muito relaxante. Acordávamos no nosso AirBnB, fazíamos uma caminhada, tomávamos um café e íamos para o estúdio. O Panoram Studios tinha um balcão externo onde podíamos sentar, trocar ideias e depois entrar naquele espaço lindo para simplesmente colocar em prática o que estávamos sentindo. Foi muito libertador. E por que vocês escolheram o México para gravar o álbum? Estávamos procurando um lugar diferente. O álbum anterior foi gravado em Muscle Shoals, Alabama. Quando falamos sobre um novo estúdio, nosso selo sugeriu o México, e ficamos muito empolgados. Muitas bandas incríveis já gravaram lá antes também. Que músicas de Chains & Stakes você acha que funcionaram bem ao vivo? Provavelmente Completely, Sweetly, 4Yours to Keep, Tiny Wooden Box e, ultimamente, Father John também tem sido bem recebida pelo público. O álbum explora temas como vingança e intrigas familiares. Como essas histórias surgiram? Acho que é algo que vem naturalmente quando escrevo. Às vezes me inspiro em experiências pessoais ou de pessoas que conheço e elaboro em torno disso, embelezando um pouco para que pareça quase fictício. Como você equilibra humor e temas sombrios nas músicas? Acho que é natural. Sempre vi a tragédia como algo pesado, mas colocar um pouco de humor ajuda a tornar mais leve. Infelizmente essas coisas acontecem, mas uma abordagem menos densa ajuda as pessoas a lidar melhor com isso. A música In Hell I’ll Be in Good Company ganhou destaque anos depois do lançamento. Você já imaginava que essa música se tornaria um marco na carreira da banda? Como foi testemunhar esse sucesso tardio? Nem de longe, mas estamos felizes que sim. O reconhecimento veio depois que lançamos o clipe, mesmo que de forma tardia. Essa música acabou ofuscando até o álbum seguinte, mas foi ótimo, porque a canção continuou crescendo com o tempo. Nós éramos apenas garotos quando a escrevemos. Vocês têm planos de lançar outro álbum ao vivo depois de Served Live? Sim, falamos sobre isso. Não há uma data definida, mas estamos gravando todos os nossos shows e depois vamos revisá-los. Certamente vamos lançar outro disco ao vivo. O álbum de covers Easily Listening for Jerks 2 traz uma homenagem ao “…and out come the wolves”. Como a cena punk te inspira? E vejo também um casaco do Pennywise atrás de você. Sim, cresci ouvindo rock clássico, mas depois mergulhei no punk. Isso foi muito importante para me motivar a ir a shows e querer tocar música. Ainda é uma grande parte da minha vida e influencia minhas composições. Você gravou The Doors, System of a Down, CKY… Já pensou em gravar algum cover punk? Sim. A ideia do Easy Listening For Jerks é justamente ser um projeto paralelo em que podemos fazer o que quisermos. Com certeza pensamos em mais covers, incluindo Pennywise. Na hora que vi a capa já imaginei vocês gravando Ruby Soho… Sim. Seria incrível. Você são chamados dos gêmeos do mal do Mumford & Sons. Como vê essa comparação? Entendo, já que temos banjo, guitarra acústica e elementos semelhantes.

Entrevista | The Calling – “Muitas músicas que escrevi foram influenciadas pelas turnês no Brasil”

A nova turnê brasileira da banda norte-americana The Calling, fenômeno do pop rock com hits atemporais que encantam diversas gerações, acaba de ter uma atualização: terá músicas novas que farão parte do novo álbum a ser lançado no início de 2026. Existe um forte vínculo emocional entre The Calling e Brasil. A banda, que nos anos 2000 cativou o mundo todo com os hits do álbum Camino Palmero (com o sucesso Wherever You Will Go), tem carisma e energia inabaláveis ao vivo, vide a extensa turnê de mais de 20 datas pelo país em 2024, com casas lotadas e público participativo. O inevitável reencontro da banda com os fãs brasileiros acontece no próximo mês de outubro, entre os dias 4 e 17, com oito shows pelo Sul, Sudeste e Distrito Federal. Assim como as últimas passagens do The Calling pelo Brasil e outros países da América Latina, a turnê é uma realização da Vênus Concerts. A seguir, você confere a entrevista com Alex Band, vocalista e fundador da The Calling, que fala sobre o carinho pelo Brasil e os planos para o álbum novo. Teremos novidades no setlist entre os últimos shows no Brasil e a turnê atual? Sim, absolutamente. Nós anotamos sugestões dos fãs e as músicas que eles querem ouvir. Então vamos tocar músicas mais antigas que normalmente não tocamos, coisas que os fãs pedem, além de mudar algumas coisas. É definitivamente um novo set e uma nova seleção de músicas. Também algumas novas faixas do novo disco que finalmente vai sair. Ótimas notícias. Ele será lançado no primeiro trimestre do próximo ano. Nós acabamos de assinar com a Virgin, então finalmente vamos lançar este álbum. O Brasil sempre recebe o The Calling com grande entusiasmo. Em que o público brasileiro mais te surpreendeu? Eu acho que a dedicação deles é incrível. Há 25 anos eu vou ao Brasil e vejo as mesmas pessoas que lembro quando eram crianças. Agora são adultos, têm seus próprios filhos, e os filhos também estão nos shows. É louco. Os brasileiros são tão entusiastas, tão emocionados. Eles são o melhor público para se apresentar. Você falou de novas músicas, mas Stand Up Now não é tão novo… Mas quando lançamos essa música, eu pensei que o álbum já estaria pronto. Só que demorou mais. Stand Up Now estará na lista de faixas do novo álbum ou foi apenas um single? Sim, sim. Definitivamente não é o primeiro single, mas está no disco. O primeiro single desse novo álbum é fenomenal. Estou muito animado para que as pessoas possam ouvir. O verso “The crowd is screaming out for a little more but I’ve had enough” foi inspirado em fatos reais? Um pouco. Essa música eu escrevi, na verdade, há 10 anos, quando fui diagnosticado com Parkinson. Eu estava no chão e não conseguia me levantar. Era um período em que havia muitas coisas acontecendo no mundo, guerras e situações que me afetaram. É uma música pessoal, claro, mas também tem aspectos políticos. Na época, achei que fosse Parkinson, mas depois descobri que era uma síndrome, não a doença. Graças a Deus. O vídeo de Stand Up Now abre com imagens do Rio de Janeiro. Quanto o Brasil influencia você como artista? Enormemente. Em muitos desses anos tentamos conseguir o melhor negócio para lançar o álbum. O único lugar em que podíamos nos apresentar todos os anos, onde sabíamos que as pessoas realmente queriam nos ver, era o Brasil. Acho que essa é a minha 12ª ou 13ª turnê no país. Toda vez que volto, é sempre uma recepção calorosa. Todo mundo é tão querido. Muitas das músicas que escrevi nos últimos anos foram diretamente influenciadas pelas turnês no Brasil. Como foi o processo de gravação do novo álbum até agora? Ótimo. Está terminado há anos. Gravamos as primeiras seis músicas em dezembro de 2023, e as últimas em dezembro de 2024. O disco já está pronto. Mas eu não queria lançá-lo de forma independente. Queria a equipe certa para fazer tudo grande e apoiar o lançamento mundial. Temos um público internacional muito forte, até mais que nos EUA. Recentemente tudo se alinhou com a Virgin. Foi uma longa espera, mas agora está pronto. Eu vi você cantando U2, Smashing Pumpkins, covers. Também percebo influência do U2 em Stand Up Now. Essas bandas influenciam sua música? Sim, claro. O U2, com certeza. Quando eu era pequeno eu ouvia muito Beatles, Led Zeppelin, mas também U2. Hits dos anos 80 como Sunday Bloody Sunday e Pride eram músicas que eu ouvia bastante. O U2 continuou lançando boas músicas, então eles definitivamente são uma grande influência. Devemos esperar algo mais próximo ao clássico Camino Palmero? Um som nostálgico ou uma direção renovada neste álbum? Ótima pergunta. Eu queria manter o som que o Calling sempre teve: Pop e Rock. Simples! Não queria que o novo álbum fosse muito diferente ou cheio de elementos eletrônicos estranhos que nos tirassem da nossa essência. Isso foi um problema por muitos anos, com produtores tentando nos puxar para outros lados. Mas eu queria ficar com o que sabemos fazer. Esse álbum é muito parecido com Camino Palmero, tem a mesma vibração. Cada faixa é sólida, não há músicas esquecíveis. É um álbum fantástico. Quanto sua experiência recente influencia as letras das novas músicas? Tremendamente. Mesmo quando uma música não é sobre mim, mas sobre amigos ou familiares, essas experiências entram nas composições. Tudo é pessoal. Stand Up Now é um exemplo perfeito de algo super pessoal. Mas gosto de escrever de forma que todos possam encontrar seus próprios significados. Como você está agora? Se sente pressionado para lançar algo novo? Claro que sim. Já se passaram 20 anos desde que o Calling lançou seu último álbum. Eu mesmo venho tentando lançar algo novo há mais de 10 anos. Tem sido uma batalha constante, uma longa luta com muitos obstáculos. Estou animado para que finalmente saia. Só quero que as pessoas possam ouvir. Você imaginou que Wherever You Will Go