Faxes, salada de churrascaria e futebol: a histórica primeira turnê do Millencolin no Brasil, em 1998

Agosto de 1998 marcou a primeira vez que a banda sueca de hardcore Millencolin pisou no Brasil. A turnê histórica incluiu datas em São Paulo, Curitiba, São Bernardo do Campo, Rio de Janeiro, Santos, Belo Horizonte, Porto Alegre e Londrina. Mas o que o público via no palco era apenas a ponta do iceberg de uma operação monumental. Organizada por João Veloso Jr. (baixista do White Frogs, banda de abertura) e Marcelo Bastos (da produtora Anorak), a excursão englobou Santos, São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e até Buenos Aires. A vinda dos suecos representou um salto de profissionalismo para o underground na época, provando que era possível viabilizar uma turnê continental partindo de ideias forjadas em Santos e no Rio de Janeiro. Negociações por fax e o choque de realidade para o Millencolin no Brasil Longe das facilidades da internet e dos e-mails, o acerto para trazer um dos maiores nomes do skate punk mundial foi feito na raça. “A negociação foi tranquila, foi tudo por fax. Era fax pra lá, fax pra cá, ligação pra lá, ligação pra cá”, relembra João Veloso Jr. O produtor revela ainda que, antes do Millencolin, a dupla tentou trazer o Face to Face, mas as negociações esbarraram em detalhes difíceis para a época. Quando os suecos finalmente desembarcaram, trouxeram convidados ilustres: Peter Ahlqvist, dono da lendária gravadora Burning Heart, e Mikael Danielsson, guitarrista do No Fun At All, que atuou cuidando do merchandise. Para João, foi um encontro surreal. “Fui o primeiro na América do Sul a ter alguma coisa do Millencolin e do No Fun At All. Mandei carta escondida e comprei com o Peter, e depois daquele dia ele tá junto. Acabou sendo uma coincidência grande”, conta. Porém, a realidade estrutural do Brasil de 1998 cobrou seu preço. Acostumada a tocar na gigante Warped Tour e em grandes festivais pela Europa, a primeira pergunta da banda ao chegar foi: “Onde é o escritório da Mesa/Boogie?”. A resposta brasileira foi um balde de água fria. “Não tem Mesa/Boogie no Brasil, não tem escritório, não tem nem o amplificador. Não tem nem como a gente alugar porque ninguém tem”, explica João. Sem a estrutura gringa, tudo teve que ser adaptado. Outro choque cultural envolveu a alimentação. Em uma época sem restaurantes vegetarianos ou veganos acessíveis, a solução para alimentar a banda foi curiosa. “Quase na turnê toda eles comeram no buffet de salada de churrascaria, o que foi complicado, mas virou”, diverte-se o produtor. A pirataria na Galeria do Rock, em São Paulo, também deixou a banda e o dono de sua gravadora impressionados com a falta de CDs oficiais no mercado nacional. *Trecho do documentário do Millencolin no Brasil Caos na estrada: amplificadores caídos, brigas e cusparadas A turnê pelo continente entregou o puro suco do caos sul-americano dos anos 1990: Oásis santista com casa cheia na Jump No meio de tanta loucura, o show em Santos, realizado na extinta casa noturna Jump em 12 de agosto de 1998, foi considerado um sucesso absoluto e um porto seguro. “Santos a gente andou pela praia, foi um show legal, mas não teve essas coisas nem de briga, nem de equipamento caindo, nem de decepção. Foi um show bom”, garante João. Para o baixista, a noite santista carregava um peso extra. “Tocar em casa sempre é diferente. A gente (White Frogs) estava numa mudança de formação, então era uma ansiedade muito grande por fazer o show e ver como é que ia ser a reação”, confessa. A apreensão deu lugar ao alívio ao ver a Jump lotada recebendo um show grande. “Punk rock de verdade” e hóquei no gelo: As memórias de Mathias Färm Quase três décadas após essa excursão histórica, as lembranças do caos e da intensidade continuam vivas na memória da banda. Em entrevista recente ao Blog n’ Roll, o guitarrista Mathias Färm confirmou a loucura estrutural relatada pelos produtores brasileiros. “Foi algo muito especial para nós vir ao Brasil. É muito longe da Suécia, mas foi incrível. Tenho muitas boas lembranças e também muito caos”, contou o músico. O episódio da invasão de palco em São Paulo, inclusive, teve um desfecho fatal para o seu instrumento. “Minha guitarra quebrou em dois pedaços durante aquele primeiro show porque um cara a jogou para longe. Foi punk rock de verdade, com muita intensidade”, relembrou, garantindo que o amor pelo Brasil permaneceu intacto. Apesar de Santos ter sido o ponto de calmaria daquela turnê turbulenta, Färm admite, com bom humor, que a rotina insana na estrada ofuscou os detalhes da passagem pela Baixada Santista. “Para ser honesto, eu não me lembro muito de Santos naquela primeira vez, porque isso foi há quase 30 anos. Naquela turnê, eu realmente não sabia em que cidade estava, eu apenas tocava”, confessou o guitarrista. O ritmo alucinante de tocar todos os dias, quase sempre atrasados e sem dias livres, transformou a viagem em um grande borrão de adrenalina. “Mesmo assim, voltamos para Santos outras vezes, isso eu lembro”, pontuou. A paixão pelo esporte, que marcou os dias de folga no Brasil, também foi confirmada por Färm. Ele reforçou que o baixista Nikola é o mais fanático, mas que o amor pelo futebol é unânime na banda, rendendo até uma música em homenagem ao time local deles, o Örebro. E aproveitou para brincar com o choque cultural esportivo entre os dois países: “Na Suécia, futebol e hóquei no gelo são os maiores esportes. Imagino que hóquei não seja tão popular em Santos (risos), mas o futebol é incrível”. ”A moçada foi doida”: o caos em SP e o encontro com Romário Para o vocalista e baixista Nikola Sarcevic, a lembrança daquela primeira vez no Brasil também mistura a insanidade dos palcos com a realização de um sonho de fã. Em entrevista à revista Trip, o frontman do Millencolin endossou o relato do colega de banda sobre a energia caótica do público e o icônico episódio na capital paulista. ”Os shows foram ótimos,
Entrevista | The Dead Daisies – “Fomos mais honestos um com o outro”
Rock Your Babies lança hinos de clubes de futebol para bebês; ouça!

Depois de passar pelo repertório roqueiro de Legião, Paralamas e Biquini, até Pitty, Skank e Charlie Brown Jr, a série Rock Your Babies parte para fazer um golaço. Pais e mães fanáticos pelos seus clubes de futebol agora poderão embalar seus filhotes ao som dos hinos de seus clubes amados, perpetuando assim a tradição de torcida em família. Todos os hinos sairão no mesmo estilo já consagrado pela Rock Your Babies: melodias suaves e instrumentos com sons lúdicos, porém relaxantes. Um clássico a ser disputado no berço da sua casa e com o sono derrotado em poucos minutos de jogo, garantem. O amor por um time de futebol é inexplicável, talvez comparável ao de um pai, ou de uma mãe, por seus pequenos recém-chegados. Com os hinos dos times de futebol, o Rock Your Babies quer unir estes dois amores num momento único. A ideia partiu de Carol Pozzani, sócia da RYB8, empresa responsável pelo projeto e que conta ainda com seu marido Julio Quattrucci Jr. e o cantor do Biquini Cavadão Bruno Gouveia. No ano passado, durante a final do Brasileirão entre Palmeiras e Flamengo, sugeriu a ideia após ouvir pela enésima vez o hino do Palmeiras (campeão daquele ano) ser tocado por vizinhos e amigos. Bruno Gouveia, flamenguista, agradeceu de coração: “perdemos o campeonato, mas a ideia de Carol foi um gol de placa, um alento e tanto para mim”. Doze times fizeram parte nesta primeira seleção: do Rio de Janeiro, Flamengo, Botafogo, Fluminense e Vasco; de São Paulo, Palmeiras, Santos, Corinthians e São Paulo; de Minas Gerais, Cruzeiro e Atlético Mineiro; e finalmente do Rio Grande do Sul, Grêmio e Internacional. Rock Your Babies no futebol O trabalho gráfico realizado pela Crama Design foi vital para casar com o projeto. “Minha primeira camisa do meu time, foi comprada numa loja mas sem o escudo, que acabou sendo bordado pela minha avó mais tarde. E esta ideia permeia toda nossa identidade visual neste projeto”, diz Bruno Gouveia. É natural que torcedores de outros times não inclusos nesta primeira lista fiquem um pouco enciumados num primeiro momento, mas a Rock Your Babies acredita que o sucesso deste projeto fatalmente a levará a fazer mais uma leva de hinos de clubes de todo país. E desde já, eles lançam a pergunta: qual time tem os pais mais fanáticos? Certamente, as execuções falarão por si. Aguardemos para saber que time é campeão de corujice! Nas plataformas digitais, você consegue escutar os 13 hinos. Mas no Blog n’ Roll você consegue ouvir a versão mais bonita abaixo.
HBO Max anuncia Romário, o Cara, série documental sobre o jogador brasileiro

A HBO Max anunciou a produção de Romário, o Cara, sobre um dos maiores jogadores e um dos personagens mais polêmicos da história do futebol brasileiro. Com seis episódios, a série documental guia o espectador pela jornada deste grande herói em busca do tetracampeonato na Copa do Mundo de 1994 e apresenta ao público a maior série sobre um jogador de futebol já produzida até hoje, com gravações realizadas em nove países. Mais do que futebol, a produção – que já está sendo gravada – vai focar no arco dramático humano de Romário durante esse período. Para isso, serão utilizadas entrevistas com personalidades do esporte que permeiam os episódios. Entre os entrevistados: Carlos Alberto Parreira, Bebeto, Roberto Baggio, Pep Guardiola, Neymar, além de outras personalidades que marcaram a história do futebol, e Mônica Santoro, a ex-esposa de Romário. Com muitas emoções e dramas, a história principal de Romário, o Cara começa em 1992, quando o jogador entra em conflito com a comissão técnica da Seleção Brasileira, por não aceitar ficar na reserva, e fica relegado de convocações importantes seguintes. E segue até julho de 1994, indo desde o seu retorno épico à Seleção nas Eliminatórias, até o Olimpo com a conquista da Copa do Mundo e a eleição como melhor jogador do mundo. A partir da trama principal, vários momentos, segredos, polêmicas e parcerias da carreira do artilheiro dos 1000 gols vão sendo reveladas. Além disso, a série vai mostrar imagens inéditas das passagens pelo PSV e Barcelona e, também, os bastidores de conflitos e dramas pessoais como o sequestro de seu pai, às vésperas do Mundial de 1994. “Romário é um jogador reconhecido internacionalmente por suas habilidades e especificamente no Brasil é tido como o herói da Copa do Mundo de 1994, garantindo ao Brasil uma conquista inédita. A HBO Max é a casa dos conteúdos icônicos, então nada mais natural para nós do que contar a história desse personagem icônico e histórico para o esporte brasileiro e mundial”, comenta Tomás Yankelevich, Chief Content Officer, GE, da WarnerMedia Latin America. A produção pretende entregar ao espectador um aprofundamento em assuntos importantes sobre a vida de Romário em um nível de acesso que o jogador jamais consentiu. A série tem lançamento previsto para o primeiro semestre de 2022, exclusivamente na HBO Max.
The English Game: a ascensão da classe operária e o futebol

Os fãs de esporte e história ganharam um novo atrativo na Netflix. No mês passado, a gigante do streaming lançou uma nova produção original, chamada The English Game. O longa mostra a ascensão da classe operária no futebol, que ainda era um esporte prematuro e dominado pela elite no final do século XIX. O ponto de partida é a chegada dos escoceses Fergus Suter (Kevin Guthrie) e Jimmy Love (James harkness) ao Darwen FC. O modesto clube do norte da Inglaterra chegava pela primeira vez às quartas de final da FA Cup, a copa da liga inglesa. Porém, como o futebol era considerado um esporte amador, jogadores não poderiam ser pagos, muito menos contratados por uma equipe. Por isso, James Walsh (Craig Parkinson), dono da equipe, contratou a dupla para trabalhar em sua usina de algodão como fachada para que pudessem jogar. A partir daí, a série mostra como Suter e Love implementam a técnica do futebol escocês e fazem o Darwen FC dar um “baile” no Old Etonians, time da elite. Eles quase se tornam a primeira equipe de operários a chegar na semifinal da copa. A série reforça como o futebol era – e ainda é – um dos poucos motivos de alegria dos mais pobres, que batalham todos os dias na luta contra a desigualdade e o preconceito. Assim, é possível observar os primórdios do que hoje conhecemos como sócio-torcedores, além de como o esporte pode mexer com os nervos de quem ama de verdade um clube. Outro ponto que a série retrata é o início das grandes rivalidades futebolísticas. Quando Suter troca o Darwen pelo rival Blackburn, por motivos financeiros, a mudança causa revolta em toda a cidade. Com isso, intensifica ainda mais o clima de tensão entre os clubes. Ainda que o futebol seja o tema central da história, a série peca e mostra pouco a bola rolando. Os takes de partidas são curtos e vagos, portanto, colocam em cheque temas importantes, como as próprias mudanças táticas trazidas por Fergus Suter e Jimmy Love. Desigualdade Apesar de falar sobre futebol, a trama da série vai muito além do esporte. A produção retrata com afinco a desigualdade social na Inglaterra. Além disso, mostra como o machismo interferia fortemente na vida das mulheres pobres e solteiras da época. Enquanto os times bancados pela elite conquistavam títulos todos os anos, as equipes de trabalhadores não tinham bons desempenhos. Isso não acontecia pela capacidade técnica inferior, mas sim pelas rotinas diferentes. Os operários faziam trabalhos braçais de segunda a sábado e tinham que jogar aos domingos, sem ao menos treinar. Entre confrontos de elite x nobreza, Suter e Love contam com ajuda de Arthur Kinnaird (Edward Holcroft). Juntos, transformam um pouco da sociedade e muito do futebol. Machismo Em uma história paralela, Alma Kinnaird (Charlotte Hope), esposa de Athur, sofre com a perda de seu filho. Entretanto, como forma de recuperação ao trauma, ela decide ajudar jovens mães solteiras a conseguirem um lugar na sociedade. Neste ponto, a série escancara como mães solteiras eram marginalizadas pela elite e mal conseguiam empregos por puro preconceito. A minissérie conta com apenas seis episódios, portanto é uma ótima pedida para maratonar. Confira o trailer de The English Game:
O rock nas quatro linhas
Música Popular Futebolense
Blog n’ Roll na A Tribuna #10 – Santos também tem um Pepe no rock