Crítica | Abysmal Decay – Verthebral

Antes de tudo, quando se fala em heavy metal, o Paraguai pode não ser o país mais lembrado. Mas isso não significa nada quando ouvimos o quarteto Verthebral, que em seu álbum de estreia, Regeneration (2017), atordoou os ouvidos dos deathbangers com seu cáustico conteúdo. Do mesmo modo, a história se repete em Abysmal Decay, seu segundo petardo, lançado em 2019. Em resumo, Cristhian Rojas (baixo e voz), Denis Viveros (bateria), Daniel Larroza e Alberto Flores (guitarras) deixam claro qual o estilo do grupo. É death metal tradicional, como se tocava na Flórida em meados dos anos 1990. Aliás, Morbid Angel, Monstrosity, Death e Obituary são as influências mais óbvias no trabalho dos paraguaios, vide o timbre das guitarras e os guturais de Rojas. Contudo, os riffs de guitarra deixariam Chuck Schuldiner orgulhoso. Ademais, o material do Verthebral foca na clássica abordagem da primeira fase do death metal, que consiste em andamento veloz dividindo espaço com passagens lentas e mórbidas, tudo embalado com temáticas obscuras, tão caras ao estilo. Diante desse quadro, é cerrar os dentes e banguear como um louco em números bestiais como Ancient Legion, Isolation Room, Sweet Home Illusion, My Dark Existence e Testimony of Hate, músicas recheadas com todas as características citadas acima e, por isso, cairão como uma bomba atômica na mente dos amantes do metal extremo. Abysmal DecayAno de Lançamento: 2019Gravadora: Transcending Obscurity RecordsGênero: Death Metal Faixas:1-Ancient Legion2-The Art of Perversion3-Abysmal Decay4-Isolation Room5-Coronation of Envy6-Abscence of a God7-Sweet Home Illusion8-Obsidian Tears9-My Dark Existence10-Testimony of Hate
Crítica | Necro Sapiens – Baest

Os dinamarqueses do Baest chegam ao seu terceiro full lenght, Necro Sapiens, lançado agora em 2021 e sucedendo os ótimos Danse Macabre (2018) e Venenum (2019). Em pouco mais de seis anos de carreira, a banda já coleciona diversas aparições em festivais mundo afora, além de possuir vários vídeos de ótima qualidade. Isso, claro, no mundo “normal”. Esperamos que tudo volte aos eixos e bandas como o Baest possam voltar destruindo tudo de novo! Mesmo para quem nunca ouviu a música do Baest não é difícil adivinhar o estilo, afinal, com um nome como esse, passando pelo logotipo do grupo, a arte de capa e os títulos das músicas, há alguma dúvida que o death metal tradicional é o que comanda o barco aqui? Pois death metal com as produções atuais é o elemento principal em Necro Sapiens. Portanto, essa dose de modernidade apenas acentuou o poderio de fogo que sons como Czar, Genesis, Abattoir e Meathook Massacre possuem. O vocalista Simon Olsen é um mestre na arte de vomitar as letras mais bestiais possíveis, sem dúvida um dos melhores cantores de death da nova geração. O material varia à vontade entre velocidade e partes mais cadenciadas, sendo que na citada Czar esse expediente é elevado à potência máxima, sendo responsável pelo invariável clima mórbido do trabalho, ou seja, é o death metal em seu estado puro! Aliás, o fato de ser uma banda apenas em seu terceiro álbum nos faz otimistas quanto ao futuro do estilo. Obrigatório aos amantes do metal extremo. Necro SapiensAno de Lançamento: 2021Gravadora: Century Media RecordsGênero: Death Metal Faixas:1-The Forge2-Genesis3-Necro Sapiens4-Czar5-Abattoir6-Goregasm7-Towers of Suffocation8-Purification Through Mutilation9-Meathook Massacre10-Sea of Vomit
Crítica | Reborn – Ektomorf

E o Ektmorf chega ao seu décimo quinto trabalho de estúdio, Reborn, lançado em janeiro de 2021. Conhecido entre os brasileiros como o “Soulfly húngaro”, o quarteto liderado pelo incansável Zoltan Farkas nunca se preocupou muito com opiniões alheias ou em inventar um estilo novo, apenas tocar o thrash metal recheado de groove que sempre tocaram. Se funciona, para que mexer? Reborn não apresenta muitas surpresas – boas ou más. O timbre de voz de Zoltan de fato remete ao de Max Cavalera, e o groove no geral lembra bastante o do Soufly e do Sepultura fase Chaos AD. Mas em Reborn podemos notar outras influências, como Metallica, Machine Head e Pantera, sendo facilmente detectadas em faixas como And The Dead Will Walk. Já em Smashing The Past, baixa o espírito do Pantera, inclusive com algumas passagens remetendo a Fucking Hostile, clássico eterno dos cowboys do inferno. No entanto, é claro que o Ektomorf acaba mostrando sua real face em sons como Fear Me, The Worst is Yet To Come e Forsaken, que sem cerimônia alguma despejam ao ouvinte vocais agressivos, muito groove e vocais que soam como vocês sabem de quem. E os húngaros entregam mais um ótimo álbum que irá satisfazer sem dificuldade os seguidores. Indicado para quem não se importa com originalidade. RebornAno de Lançamento: 2021Gravadora: Napalm RecordsGênero: Thrash Metal/Groove Metal Faixas:1-Ebullition2-Reborn3-And The Dead Will Walk4-Fear Me5-Where The Hate Conceives6-The Worst is Yet To Come7-Forsaken8-Smashing The Past
Crítica | Blood of The Black God – Wishdoomdark

Já não é a primeira vez que uma banda da Rússia figura na Mundo Extremo. Inegável que o gigantesco país possui um jeito todo peculiar de exercer o estilo, e o resultado disso é uma série de bandas altamente recomendáveis vindo de lá, que todo banger devia ficar de olhos e ouvidos bem abertos. E o Wishdoomdark, como é de se supor, está entre elas. Trata-se de um quarteto formado por Alex Ezeptrone (guitarra, voz), Paganist (bateria) , Druid (baixo) e Moran (teclados). Blood Of The Black God é o terceiro álbum da tropa. Como o nome da banda sugere, o estilo praticado pelo Wishdoomdark é um doloroso e soturno doom metal. Andamento lento e arrastado, guitarras pesadas, belíssimos teclados e um vocal extremamente gutural. Paradise Lost da fase Gothic e Anathema dos tempos de The Silent Enigma são os exemplos mais claros para situar o ouvinte, mas o Wishdoomdark possui uma certa identidade própria, como toda banda russa. Os fraseados e solos de Alex são outro ponto de destaque, pois carregam feeling e densidade, que somados aos teclados, fazem o pesadelo doom funcionar perfeitamente nesse álbum. As faixas também não exageram na duração, indo direto ao ponto. Diante de tantos pontos positivos, podemos dizer que sons como I Want To Die, I Hate Humans, Infernal Fires e a faixa-título são uma explosão de agonia, dor e escuridão. Deixe o Wishdoomdark se apossar de sua alma. Você não se arrependerá. Blood Of The Black GodAno de Lançamento: 2019Gravadora: Dark East ProductionsGênero: Doom Metal Faixas:1-Blood of The Black God2-Infernal Fires3-I Want to Die4-Song From The Black God5-Storm6-I Hate Humans7-Pagan Doom
Crítica | Necroceros – Asphyx

País com enorme tradição no metal extremo, a Holanda já nos brindou com nomes como God Dethroned, Sinister, Pestilence e inúmeros outros. Desde 1987 na ativa, os carniceiros do Asphyx chegam ao seu décimo trabalho de estúdio, Necroceros, mantendo sua fórmula de músicas pesadas, doom, mórbidas e velozes quando necessário. Em resumo, Necroceros é um álbum sombrio, sendo os riffs de Paul Bayeens e Martin Van Drunen os responsáveis pela aura maligna de sons como The Solo Cure is Death, Mount Skull, Botox Implosion e In Blazing Oceans. Claro que o baixo e a bateria também são fundamentais no material dos holandeses, então ouça as batidas certeiras de Stefan Huskens e veja como elas carregam perfeitamente o peso e velocidade dos riffs de guitarra. É puro death metal holandês! Em um álbum tão homogêneo, o destaque acaba ficando para o final, com a faixa-título, que ao longo de seus 7 minutos cospe para fora todo o arsenal do Asphyx. Portanto, peso, velocidade, clima mórbido e dolorosos andamentos doom metal. Aliás, um verdadeiro pesadelo sonoro que colocará os Asphyx no topo das playlists extremas mundo afora. NecrocerosAno de Lançamento: 2021Gravadora: Century Media RecordsGênero: Death/Doom Metal Faixas:1-The Sole Cure is Death2-Molten Black Earth3-Mount Skull4-Knights Templar Stands5-Three Years of Famine6-Botox Implosion7-In Blazing Oceans8-The Nameless Elite9-Yield or Die10-Necroceros
Crítica | Dawn of The Damned – Necrophobic

O tempo voa. Já se passaram dois anos desde que os suecos do Necrophobic editaram Mark of The Necrogram e ainda baixaram em terras brasileiras para o festival Setembro Negro. Inesquecível! E cá estamos nós esperando pacientemente o mundo voltar ao normal (?) pois assim teremos a chance de ver esses malditos destilando Dawn of The Damned, seu novo álbum, em nosso querido país. Sonhar não custa nada, não é mesmo? Voltando ao som, Dawn of The Damned é o nono álbum da banda que tem nome de música do Slayer, e assim como todos os anteriores, é uma destruição black/death metal. Estamos falando da Suécia, país que exporta a todo instante bandas extremas de primeira qualidade. Aqui não seria diferente. A música do Necrophobic é sombria, pesada, melódica e rápida, em um caldeirão que junta black, death e thrash metal oitentista. É tiro certo para qualquer banger. Músicas como Aphelion, Darkness Be My Guider, Tartarian Winds, The Shadows e As The Fire Burns explodem com todas as nuanças do Necrophobic, posicionando Dawn of The Damned em um ótimo lugar em sua discografia que, diga-se, prima por trabalhos fortíssimos. Matador! Dawn of The DamnedAno de Lançamento: 2020Gravadora: Century Media RecordsGênero: Black/Death Metal Faixas:1-Aphelion2-Darkness Be My Guide3-Mirror Black4-Tartarian Winds5-The Infernal Dephts of Eternity6-Dawn of The Damned7-The Shadows8-As The Fire Burns9-The Return of a Long Lost Soul10-Devil´s Spawn Attack
Crítica | Empire of The Blind – Heathen

O Heathen pode não ter obtido a mesma fama que seus conterrâneos da Bay Area (Metallica, Exodus, Testament) tiveram, porém seu thrash metal melódico e técnico era de extrema qualidade, além de contar em suas fileiras com Lee Altus, guitarrista que há anos também atua ao lado de Gary Holt no Exodus. Ao lado do vocalista David White, são os únicos remanescentes da formação original, que deu ao mundo clássicos como Breaking The Silence (1987) e o seminal Victims of Deception (1991), álbum em que a mistura de thrash com power metal chegou ao seu ápice. Em Empire of The Blind, lançado em 2020, a banda não mudou seu estilo. O que ouvimos nas 12 faixas do álbum é uma tempestade de riffs técnicos, solos melódicos e vocais heavy metal. The Blight e A Fine Red Mist respondem pelo thrash mais direto, enquanto a faixa-título, Dead An Gone e Sun In My Hand mostram que o Heathen domina como poucos a arte de fazer músicas técnicas e pesadas, sem deixar a energia cair. The Gods Divine traz de volta o thrash ríspido, enquanto Monument to Ruin encerra Empire of The Blind com um criativo dedilhado acústico. Um presente para os antigos fãs, e uma ótima oportunidade para os recém chegados de conhecer uma banda oriunda de uma região que virou sinônimo de thrash metal. Empire of The BlindAno de Lançamento: 2020Gravadora: Nuclear BlastGênero: Thrash Metal Técnico Faixas:1-This Rotting Sphere2-The Blight3-Empire of The Blind4-Dead And Gone5-Sun In My Hand6-Blood To Be Let7-In Black8-Shrine of Apathy9-Devour10-A Fine Red Mist11-The Gods Divide12-Monument to Ruin
Crítica | Moment – Dark Tranquility

E os suecos do Dark Tranquility chegam aos 30 anos de carreira, tendo conquistado inúmeros fãs ao redor do mundo com seu misto de death metal com melodias. Sem dúvidas, um estilo que sempre funcionou bem, garantindo que álbuns como The Gallery (1995) e Haven (2000) se tornassem onipresentes nas playlists dos bangers. E a lição chega ao décimo segundo capítulo, com Moment, lançado no segundo semestre de 2020. Não é novidade para ninguém que a banda vinha mais melódica do que nunca, e Moment é reflexo dessa atual fase. O álbum traz todas aquelas melodias típicas do death metal sueco, produção não tão suja e inúmeras partes cantadas com voz limpa, que funcionaram perfeitamente. Faixas como Phantom Days e Ego Deception demonstram bem essa faceta da banda. Em The Truth Divided, uma espécie de balada death metal, o Dark Tranquility consegue atingir a alma do ouvinte, que irá cantarolar o refrão por semanas a fio. Outros momentos dignos de nota são as faixas Eyes of The World e The Dark Umbroken. Fãs mais antigos podem dizer que a banda está muito mais “melodic” do que “death metal”, mas a qualidade que o álbum emana está acima de tudo, bem como a habilidade dos músicos. MomentAno de Lançamento: 2020Gravadora: Century Media RecordsGênero: Death Metal Melódico Faixas:1-Phantom Days2-Transient3-Identical to None4-The Dark Umbroken5-Remain in The Unknown6-Standstill7-Ego Deception8-A Drawn of Exit9-Eyes of The World10-Failstate11-Empires Lost to Time12-In Truth Divided
Crítica | Nucleos – Deeds of Flesh

Veteranos do death metal americano, os californianos do Deeds of Flesh chegam ao seu nono álbum de estúdio, Nucleos, sete anos após seu último esforço, Portals to Cannan. Vale lembrar que seus integrantes fundaram e comandam a Unique Leader Records, uma das maiores “labels” de metal extremo atualmente. Sobre Nucleos, o álbum mostra os integrantes do Deeds of Flesh no auge da maturidade técnica, esbanjando bom gosto e criatividade em mudanças de tempo complicadíssimas, batidas que desafiam qualquer metrônomo e riffs afiados de guitarra, assim como fazem bandas como Cryptopsy e Decrepit Birth. Faixas como Odyssey, Ethereal Ancestors (que conta com a participação especialíssima de George Corpsgrinder, do Cannibal), Races Conjoined (quem dá as caras nessa é Frank Mullen, ex-Suffocation) e Alyen Scourge refletem esse lado extremamente técnico do Deeds of Flesh. Mas isso não torna o trabalho menos pesado, se é isso que você está pensando. O peso abunda em cada segundo do álbum, portanto, vá preparado. Aliás, o Deeds of Flesh pegou todas as nuanças de sua carreira e as espremeu em Nucleos, gerando o álbum mais maduro e bem composto de sua discografia. Belo retorno! NucleosAno de Lançamento: 2020Gravadora: Unique Leader RecordsGênero: Technical/Brutal Death Metal Faixas:1-Odyssey2-Alyen Scourge3-Ascension Vortex 4-Catacombs of The Monolith5-Ethereal Ancestors6-Nucleos7-Races Conjoined8-Terror9-Onward