Crítica | Deeds of Ruthless Violence – Deranged

Os suecos do Deranged já estão na ativa desde 1991, passando por um pequeno hiato entre 2008 e 2009. O grupo possui dez álbuns de estúdio, contando com esse novíssimo Deeds of Ruthless Violence, lançado agora em 2020. Vale lembrar que o Deranged possui números importantes na carreira, como os destruidores Struck By a Murderous Siege (2016) e The Redlight Murder Case (2008). Apesar do Deranged ser sueco, seu som se assemelha mais ao lado americano do estilo. Em outras palavras, o brutal death metal praticado pela horda está mais para Cryptopsy e Cannibal Corpse do que para Unleashed ou Entombed, por exemplo. Dito isso, esteja preparado para vocais anormais de tão agressivos, cozinha criativa, guitarras abafadas que abusam de harmônicos e riffs dissonantes e uma onipresente aura de violência. Faixas como Level of Lividity, Necro-Bulimia Interfering The Afterlife, Carried In Pain, Released By Torture e I Send You Half The Kidney I Took desafiam nossa capacidade de análise, de tão doentias que são. Pelos títulos das músicas também é possível perceber que elas não tratam exatamente de contos de fadas ou de casos de amor na hora do intervalo. É pura brutalidade, como convém ao bom e velho death metal. Cansado da mesmice da sua playlist? Ou ela está muito suave? O Deranged é uma excelente pedida. Fuckin killer! Deeds of Ruthless ViolenceAno de Lançamento: 2020Gravadora: Agonia Records Faixas:1-Necro-Bulimia Interfering Afterlife2-Engulfed By Hate I Stab to Kill3-Level of Lividity4-Carnal Provision For The Rotten Masses5-Through Stages of Putrefaction6-Carried in Pain, Released By Torture7-Quarantine Required For Living Entities8-I Send You Half The Kidney I Took

Resenha – Complete Carnage of Coagulating Cacophonous Corpses – Puncture Wound

Puncture Wound

Banda australiana formada em 2016, o Puncture Wound estreou no ano seguinte com o EP Brutal Butchery of Bargain Basement Bodies. Agora, no macabro 2020, o grupo solta seu primeiro full lenght, que atende pelo singelo epíteto Complete Carnage of Coagulating Cacophonous Corpses. Vale lembrar que a banda conta com um santista na formação, o guitarrista Pedro Bueno, ex Vetor, hoje radicado no Austrália. Completam o time Alix Bandiera (bateria), Trigger Finger (guitarra), Beau Beale (baixo) e Gene Waltham (voz). Evidente que até os mais distraídos já sacaram qual a proposta da banda. Claro que é death metal, aqui em seu formato pútrido e old school, carregado de fortes influências, tanto na parte estética quanto musical, de grupos como Cannibal Corpse, Broken Hope, Internal Bleeding, Monstrosity e Carcass. E dá-lhe riffs distorcidos, vocais guturais que parecem ter sido gravados no fundo de uma caverna, o baixo estalando e a bateria cheia de viradas criativas e blastbeats. A arte de capa também merece destaque, pois ficou totalmente condizente com a música do grupo. Os destaques ficam para as matadoras Occasional Butchery, Perverse Sodomy Infatuation, Postmortem Frenzy, Murderquette e Darkened Ways, embora seja um álbum totalmente homogêneo. Brutalidade, sujeira e atitude: conheça o Puncture Wound. Complete Carnage of Coagulating Cacophonous CorpsesAno de Lançamento: 2020Gravadora: CDN Records Faixas:1-Necroinsemination2-Occasional Butchery3-Perverse Sodomy Infatuation4-Murderquette5-Deceptive Mutilation6-Inflicting Horror7-Anthem of Agony8-Postmortem Frenzy9-Devoid Mausoleum10-Darkened Ways

Crítica | Fury – Ektomorf

Não é novidade para ninguém que hoje em dia brotam bandas dos mais variados estilos em qualquer país do mundo. Pois vem da improvável Hungria o quarteto Ektomorf, formado no distante 1994 por Zoltan Farkas, hoje o único integrante da formação original. Fury, lançado em 2018, já é o décimo terceiro álbum de estúdio dos húngaros, que conquistaram seu espaço no mundo da música da forma mais tradicional possível: através de incessantes turnês. Quem conhece o trabalho da banda já está familiarizado com o fato de que o Sepultura fase Max Cavalera é a principal influência aqui. Foi assim em todos os álbuns da banda e em Fury não é diferente. A semelhança da voz de Zoltan com a de Cavalera chega a impressionar, a timbragem das guitarras remete a álbuns como Chaos A.D. e Roots. Isso é ruim? Quando bem usado, não mesmo. Faixas The Prophet of Doom, faixa de abertura, inicia chutando tudo e todos com riffs afiadíssimos e ritmo que remete ao thrash oitentista. Porém, a partir da segunda faixa, Ak 47, volta o feeling Sepultura noventista. Em algumas, como a faixa-título, a coisa também debanda para o Soulfy, projeto de…Max Cavalera. E assim caminha Fury, ora pelos lados do Soulfy, com as insanas Bullet In Your Head e Infernal Warfare, ora do Sepultura, como Blood For Blood. Os brasileiros do Claustrofobia e os americanos do Machine Head também possuem similaridades com esses húngaros. Com uma produção perfeita e fôlego de sobra, o Ektomorf entregou um álbum certeiro, potente, que agrada em cheio ao amante de música extrema, mesmo não sendo a coisa mais original do mundo. Prova de que álbuns bons não são somente aqueles que reinventam a roda. Ouça já e bata muita cabeça. FuryAno de Lançamento: 2018 Faixas:1-The Prophet of Doom2-Ak 473-Fury4-Bullet in Your Head5-Faith And Strenght6-Infernal Warfare7-Tears of Christ8-Blood For Blood9-If You’re Willing To Die10-Skin Them Alive

Crítica | Deformation of The Holy Realm – Sinister

E os mestres holandeses do death metal estão de volta três anos após Syncretism, que deixou os fãs se perguntando se era possível soar mais brutal e maldito do que aquilo. Pois Deformation of The Holy Realm, novo álbum dos caras, a brutalidade atinge patamares inimagináveis. Com o perdão do trocadilho, eles estão sinistros. Isso não é novidade alguma, afinal a banda foi responsável por clássicos do metal da morte, como Cross The Styx (1992), Hate (1995) e Agressive Measures (1995), além do espetacular álbum de covers Dark Memorials (2015). Após a breve intro, a faixa-título entrega a brutalidade que será ouvida durante todo o álbum. Apostles of The Weak entrega blastbeats velocíssimos e Unbounded Sacrilege possui riffs potentes e afiados, além do vocal sombrio e podre de Aad Kloosterwaard, um dos grandes responsáveis pela aura bruta do Sinister. Scourged By Demons possui uma intro cheio de clima, para logo desembocar no estilo Sinister de sempre, inclusive com alguma influência black metal. Mais pedradas de extrema qualidade podemos ouvir em The Ominous Truth e Suffering From Immortal Death, que faz de Deformation um trabalho digno de figurar entre os grandes momentos desses holandeses, que sempre foram fiéis ao death metal, e assim permanecerão pela eternidade obscura. Ave! Deformation of The Holy RealmAno de Lançamento: 2020Gravadora: Massacre Records Faixas:1-The Funeral March2-Deformation of The Holy Realm3-Apostles of The Weak4-Unbounded Sacrilege5-Unique Death Experience6-Scourged By Demons7-Suffering From Immortal Death8-Oasis of Peace – Blood From The Chalice9-The Ominous Truth10-Entering The Underworld

Crítica | Auric Gates of Veles – Hate

O nome da banda pode não ser dos mais originais, tampouco se trata da formação mais famosa de metal extremo do mundo, mas o poloneses do Hate já estão na ativa desde 1991, sendo Auric Gates of Veles seu décimo primeiro álbum de estúdio. Ou seja, estamos falando de músicos que sem dúvida sabem o que estão fazendo. Para quem nunca ouviu, o estilo praticado pelo Hate é um blackened death metal, na linha de seus conterrâneos como Behemoth e Vader. Adam The First Sinner, único integrante original, empresta seu demoníaco gutural que somados aos riffs malévolos e a cozinha assassina, rendeu momentos grandiosos da podreira como as épicas Seventh Manvantara, Path to Arkhen e Salve Ignis, que são sons que nos fazem pensar o motivo desses maníacos poloneses não serem mais reconhecidos. Mas quem se importa? Seguidores do estilo mais maldito do mundo possuem agora onze motivos para conhecer o Hate, sendo Auric Gates of Veles o principal deles. Vai perder essa? Auric Gates of VelesAno de Lançamento: 2019Gravadora: Metal Blade Records Faixas:1-Seventh Manvantara2-Triskhelion3-The Volga´s Veins4-Sovereign Sanctify5-Path to Arkhen6-Auric Gates of Veles7-Salve Ignis8-Generation Sulphur

Resenha – Memoir 414 – Domination Inc.

A velha Grécia possui uma cena metálica muito, muito forte. Rotting Christ, Suicidal Angels, Varathorn, Mass Infection e muitas outras bandas não nos deixam mentir. Pois se você tem simpatia por aquele país europeu de enorme importância para a nossa humanidade, acaba de ganhar mais um nome para a sua playlist. Os thrashers do Domination Inc. não deixam pedra sobre pedra em Memoir 414, seu segundo álbum, destruindo absolutamente tudo que veem pela frente. Peso absurdo é o que encontramos assim que acionamos o play com Cutting Edge, um thrash metal violento e moderno, com toques death metal. Esse tipo de mistura não tem erro, fala a verdade? Assim, conforme o álbum vai avançando, outras pérolas da demência musical saltam como martelos ao fogo, como The Sickening, Dark City, Dehumanized The Eye e o cover para Love Me Forever, do Motorhead, absolutamente insanas. Além das guitarras dispararem riffs pútridos e agressivos, e a bateria cuspir blastbeats, os vocais à lá Phil Anselmo de Theo entregam ao trabalho uma agressividade impressionante. Esse cara é uma revelação do metal atual! Cada sílaba berrada pelo homem transborda ódio, é ouvir para crer. Evidente que o material não traz nenhuma novidade, mas, pelamor, isso não importa nem um pouco quando essa bigorna grega explode em nossos ouvidos. Palavras não são mais suficientes para descrever isso aqui, portanto, corra para escutar. E não se esqueça de proteger os tímpanos. Memoir 414Ano de Lançamento: 2019Gravadora: Steamhammer Faixas:1-Cutting Edge2-Day VIII Deus Ignorance3-The Sickening4-Dark City5-Dehumanized6-Cruz, Nux, Lux7-The Eye8-Culling9-Love Me Forever (Motorhead)