Paralamas do Sucesso e Nação Zumbi fazem encontro histórico no C6 Fest

No cenário principal do C6 Fest, a Arena Heineken recebeu no domingo (24), no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, um encontro de gigantes da música brasileira. Os cariocas dos Paralamas do Sucesso dividiram o palco com os pernambucanos da Nação Zumbi. De início, os Paralamas apresentaram clássicos incontestáveis de sua discografia, como Lanterna dos Afogados e Uma Brasileira, cantadas espontaneamente por um público que já incorporou essas composições ao inconsciente popular. No palco, Herbert Vianna, João Barone e Bi Ribeiro estavam acompanhados pelos tradicionais instrumentos de sopro, que enriquecem o consagrado rock com ska da banda. União dos ritmos no Ibirapuera O ponto alto da apresentação, porém, foi a entrada da Nação Zumbi. Após uma introdução sólida, Paralamas e Nação se uniram para apresentar versões pesadas e grooveadas de: A combinação funcionou de maneira totalmente natural. As sonoridades das duas bandas convergiram no palco principal, e a plateia respondeu com muito entusiasmo. Depois de mais uma sequência de músicas dos Paralamas sozinhos, a Nação Zumbi retornou ao palco para executar, ao lado da banda carioca, os hits O Calibre e Manguetown, ambas potencializadas pela bateria sempre certeira e marcante de João Barone. Equívoco da produção no encerramento A única mancha da apresentação veio de um equívoco direto da produção do festival, que desligou o microfone de Herbert Vianna antes que ele pudesse se despedir do público e comentar o encontro histórico proporcionado pelo C6 Fest no Parque do Ibirapuera. Herbert Vianna e os demais músicos no palco mereciam, sem dúvida, um encerramento melhor.
Entrevista | Lúcio Maia – “A confiança do Chico Science foi decisiva para que eu continuasse”

Lúcio Maia abre um novo capítulo da carreira solo com o lançamento de seu segundo álbum, disponibilizado nesta quinta-feira (16). O fundador e ex-guitarrista da Nação Zumbi apresenta um trabalho instrumental que mergulha em psicodelia, futurismo e diferentes atmosferas sonoras, ampliando ainda mais a identidade que construiu ao longo de décadas na música brasileira. O disco traz faixas como “Cogumelo de Vidro”, “Qítara”, “Fetish Motel” e “Tábua das Horas”, combinando texturas eletrônicas, riffs densos e uma abordagem cinematográfica. Em alguns momentos, o álbum flerta com o noir sessentista; em outros, aproxima baião, funk e ambiências psicodélicas, reforçando a proposta de um trabalho que se move entre tradição e futuro. Produzido pelo próprio Lúcio Maia, o álbum conta com mixagem de Mario Caldato Jr. e Daniel Ganjaman, além da participação de Arquétipo Rafa, Marco Gerez e Pedro Regada. O resultado é um disco que evidencia não apenas a assinatura de sua guitarra, reconhecível desde os tempos do manguebeat, mas também a inquietação artística de um músico que segue explorando novos territórios sonoros. Na história, o guitarrista foi um dos arquitetos da sonoridade que ajudou a projetar o manguebeat para o mundo. Sua guitarra foi peça central em discos fundamentais como Da Lama ao Caos e Afrociberdelia, obras que redefiniram os limites entre rock, maracatu, dub, funk e música eletrônica nos anos 1990, mesmo que o reconhecimento tenha sido tardio, como ele lembra. Além da trajetória com a banda, o músico também consolidou uma carreira paralela em projetos solo, trilhas sonoras para cinema, teatro e televisão, passando por trabalhos como Baile Perfumado, Amarelo Manga e Linha de Passe. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Lúcio Maia falou sobre o lançamento do novo álbum, a evolução de seu timbre ao longo das décadas, o motivo da saída da Nação Zumbi e a expansão de sua carreira para o cinema e as trilhas sonoras. É a primeira vez que eu falo com um artista que está lançando o álbum no dia. Como são essas primeiras horas e as primeiras impressões? Cara, eu acho que devo ter lançado uns 15, 20 discos na vida. Na real, para mim, o dia do lançamento é mais como um nascimento. A história começa a ser contada dali para frente. Então, falar do disco no dia em que ele já está nascido, com a criança já no mundo, é mais legal porque as pessoas podem ir ouvir imediatamente. Com a internet trazendo informação freneticamente 24 horas por dia, você avisa que vai lançar um disco e, no dia seguinte, muita gente já esqueceu. Por isso, eu prefiro falar quando ele já está na plataforma. A pessoa ouve e a conversa acontece no mesmo instante. O álbum traz uma fusão que vai de Pink Floyd ao baião. Como foi construir essa mistura e quais são seus objetivos de carreira neste momento? Isso nunca foi planejado. A música sempre flui de forma natural para mim. Eu nasci em Recife, cresci ouvindo a música pernambucana e Luiz Gonzaga. Depois vieram Iron Maiden, Black Sabbath, Led Zeppelin, James Brown, Isaac Hayes, drum and bass, house. Tudo isso vai entrando espontaneamente. Na hora de compor, as coisas se encaixam. Eu nunca sentei para pensar “agora vai virar baião” ou “agora vai soar reggae”. Vai acontecendo. Para mim, inclusive, reggae e baião têm uma sensação muito próxima, quase a mesma pulsação. Sua guitarra tem uma identidade muito marcante. Como você enxerga a evolução do seu timbre desde os anos 1990? Eu vejo isso como a minha digital musical, meu RG. É uma dádiva você ter uma identidade própria. Desde as demos que gravei ainda adolescente em Recife, isso já estava ali. Hoje, claro, com mais recursos e equipamentos, o timbre evoluiu, mas o DNA continua o mesmo. Eu nunca fui um cara preocupado em imitar alguém. Sempre preferi seguir meu instinto e preservar essa assinatura. Você comentou sobre seguir o seu instinto ao longo da carreira. Em algum momento do início você imaginava que se tornaria um dos guitarristas mais premiados da música brasileira? De forma alguma. Quando comecei a tocar, ali com 14, 15, 16 anos, eu nunca me enxerguei como alguém que fosse me profissionalizar. Na verdade, eu nem me achava um grande guitarrista. Sempre me considerei um músico regular, e não alguém tecnicamente impressionante. Quem teve um papel fundamental nisso foi o Chico. Ele sempre me incentivou muito e dizia que eu tinha alguma coisa diferente. Eu respondia que não sabia exatamente o que era, e ele dizia que isso não importava, que eu precisava seguir esse feeling. Essa confiança dele foi decisiva para que eu continuasse. A vida inteira eu fui muito movido por instinto e sensibilidade. Nunca foi sobre virtuosismo ou técnica pela técnica. Foi sempre sobre identidade, sobre ter uma voz própria na guitarra. Acho que, olhando para trás, uma das coisas mais certas que fiz foi confiar nisso. Muitos guitarristas estão abandonando amplificadores e migrando para setups em linha ao vivo. Como está o seu equipamento hoje? Eu sempre fui muito ligado ao analógico e ainda sou um cara do amplificador. Prefiro gravar com ampli. Mas a tecnologia evoluiu demais. Hoje uso bastante impulse response porque consigo levar para o palco praticamente o mesmo som do estúdio, sem depender da estrutura do lugar. Para quem toca no circuito alternativo, isso é uma liberdade enorme. Você comentou que, durante a pandemia, ampliou sua atuação para trilhas, teatro e outros projetos. Em que momento veio a decisão de sair da Nação Zumbi e buscar esse novo formato de carreira? Isso aconteceu muito durante a pandemia. Eu dei uma desencanada de viajar e estava de saco cheio de turnê, de ficar esperando empresário arrumar show, de depender dessa engrenagem toda. Também estava cansado da dinâmica de banda, de precisar conciliar agenda, negociar datas, esperar um ou outro poder viajar. Depois de 30 anos fazendo a mesma coisa, aquilo começou a me tolher criativamente. Chegou um momento em que eu percebi que não queria mais viver nessa dependência. Eu sempre fui
Nação Zumbi Sinfônico: Afrociberdelia ganha orquestra nos 30 anos de lançamento

O mangue vai ocupar a sala de espetáculos mais nobre de São Paulo. Nos dias 2 e 3 de fevereiro (segunda e terça-feira), o Theatro Municipal recebe um encontro inédito: Nação Zumbi Sinfônico – Afrociberdelia 30 Anos. O concerto celebra as três décadas de lançamento de Afrociberdelia (1996), o segundo disco da banda (ainda com Chico Science) e uma das pedras fundamentais da música brasileira moderna. Peso da lama e a leveza da orquestra Para esta celebração, a pesada cozinha da Nação, que mistura rock, funk, maracatu e psicodelia, se une à Orquestra Experimental de Repertório (OER). A regência será do maestro Wagner Polistchuk, com orquestrações criadas especialmente pelo pernambucano Mateus Alves. A ideia é revisitar o álbum na íntegra, dando nova roupagem a faixas icônicas como Manguetown, Etnia, Mateus Enter e Maracatu Atômico. No palco, a formação traz a linha de frente histórica: Jorge Du Peixe (vocal), Dengue (baixo) e Toca Ogan (percussão), acompanhados por Marcos Matias e Da Lua (tambores), Tom Rocha (bateria) e Neilton Carvalho (guitarra). Nação Zumbi Sinfônico é aquecimento para o Carnaval O show no Municipal serve como um “abre-alas” de luxo para fevereiro. Vale lembrar que, no Carnaval 2026, a Nação Zumbi será o tema do desfile da Acadêmicos da Grande Rio, na Marquês da Sapucaí, com o enredo A Nação do Mangue. Serviço Nação Zumbi Sinfônico – Afrociberdelia 30 anos
Casa Natura Musical anuncia o Verão 2026 com programação especial

A Casa Natura Musical abre 2026 com uma programação vibrante que celebra o verão em sua essência mais brasileira. A agenda de shows contempla? desde o samba carioca até o movimento manguebeat, que leva um pouco do maracatu pernambucano ao palco da casa. Janeiro também será marcado por apresentações que aquecem os tambores e os corações para o carnaval, reunindo grandes nomes da música brasileira e blocos que são a alma das ruas de São Paulo. A temporada de verão da Casa Natural em 2026 começa no dia 16 de janeiro, com uma das maiores vozes do samba, Teresa Cristina, no show Jessé: As Canções de Zeca Pagodinho, uma homenagem a um dos maiores nomes da música brasileira com um repertório de composições que mistura sucessos e pérolas não tão conhecidas pelo público. No dia 17, é a vez da emblemática Nação Zumbi levar ao palco sua fusão poderosa de maracatu, rock, hip hop e manguebeat, conectando Recife e São Paulo com um repertório que percorre toda a trajetória da banda. No dia 18 de janeiro, o bloco Ilú Obá de Min, coletivo feminino de promoção à cultura afro-brasileira que abre oficialmente o carnaval de rua paulistano, inicia o esquenta carnavalesco na Casa Natura Musical. Dessa vez o bloco retorna à casa com a apresentação Tambores sempre Tambores – Okan Ópera Negra – Beijo na Alma: Girlei Luiza Miranda. Na sequência, a Casa vira palco para os blocos que arrastam multidões pelas ruas com o tradicional Forrozin, de Mariana Aydar, no dia 23, e o Bloco do Johnny Hooker, dia 24. No aniversário da cidade de São Paulo, 25 de janeiro, o icônico bloco Ritaleena se apresenta na Casa, homenageando um dos grandes nomes paulistano, ícone da música brasileira, Rita Lee, em ritmo carnavalesco. No último final de semana do mês, dia 30, o Bloco Pagu fará sua quinta apresentação na Casa, desta vez, celebrando uma década de existência. O bloco, que homenageia no nome a revolucionária, militante, escritora e ícone modernista, é composto por uma bateria 100% feminina que toca clássicos da música popular brasileira e internacional que se tornaram famosos na voz de mulheres como Carmem Miranda, Elis Regina, Marisa Monte, Gal Costa, Maria Bethânia, Dona Ivone Lara, Rita Lee, Aretha Franklin, Beyoncé, entre outras. Em seguida, para encerrar o mês, a Casa recebe pelo sexto ano o tradicional bloco paulistano Confraria do Pasmado, dia 31. Além dos sambas de autoria própria como Me dá um beijo impresso, Plutão e O mundo não vai acabar, o bloco irá passear por diversos estilos de música brasileira, com releituras de compositores consagrados e de novos nomes, trazendo roupagens contemporâneas à festa carnavalesca. PROGRAMAÇÃO DA CASA NATURAL VERÃO 2026 16/01 – Teresa Cristina em Jessé: as Canções de Zeca Pagodinho 17/01 – Nação Zumbi 18/01 – Ilú Obá de Min 23/01 – Forrozin com Mariana Aydar 24/01 – Bloco do Johnny Hooker 25/01 – Ritaleena 30/01 – Bloco Pagu 31/01 – Confraria do Pasmado
Arvo Festival: Rock, samba, hip hop e muita água rolando em Floripa

Marcela Mattos A previsão era de tempestade, o desafio era enfrentar as adversidades e curtir o Festival Arvo, se precavendo ao máximo para evitar os perrengues que a chuva poderia trazer. Com uma proposta de sustentabilidade e ecologia, a 8º edição do evento reuniu cerca de 8 mil pessoas em Floripa, com um lineup que ia do rock ao funk, transitando pela MPB, samba, rap e outras vertentas da música brasileira. Cheguei ao Festival Arvo por volta das 15h30, mas por conta de toda a logística pra entrar no evento (que incluía uma caminhadinha de meia hora em uma estrada semi-alagada), perdi o show da Tulipa Ruiz, mas não a disposição e nem o bom humor. Felizmente, seguir a recomendação da organização, de ir de galochas, contribuiu muito para o meu bem-estar durante todo o rolê! Logo que entrei fui impactada pelo Coral Tape Mirim, junto com a cacica Eliara Antunes, já anunciando a potência e a presença da música ancestral. Em seguida, Anelis Assumpção veio com sua energia super positiva, onde o clima de entrosamento da banda se estendeu ao público, entregando um fim de tarde digno da ilha da magia, onde a chuva abrilhantou o cenário, sem chegar a incomodar. Destaque para nossa conterrânea santista Tulipa Ruiz, curtindo o show da amiga. Em seguida, já no cair da noite, Rubel subiu ao palco com suas canções românticas, talvez o momento mais melódico do festival. O carioca apostou na conexão com o público, conversando e fazendo comentários entre uma música e outra. Como em todo festival, fica difícil conseguir acompanhar tudo o que está rolando, mas deu tempo de conferir a Tenda Discoteca, com destaque para a participação do Projeto de Raiz, que trouxe seu hip-hop de responsa, apresentando a MC Yasmim Limas, que mandou a braba no mic, envolvendo geral no seu som recheado de papo-reto e vivências reais nas letras. Saí da tenda e fui surpreendida pelo samba de Jorge Aragão, que já abriu o show com Eu e Você Sempre. Momento nostalgia total, geral cantando junto os clássicos dos anos 90, daquele jeito de não deixar nem mesmo o mais roqueiro ileso: impossível não dançar e cantarolar com aquele repertório emocionante, executado de forma impecável. Parabéns pros músicos! Nessa hora a chuva deu uma trégua e o público chegou em peso, confirmando o FBC como uma das atrações mais esperadas do festival. O padrin abriu sua apresentação agradecendo seu reconhecimento na cena musical brasileira e apresentou as músicas de seu disco novo, O Amor, o Perdão e a Tecnologia Irão nos Levar Para Outro Planeta, que agradou geral pela produção competente de sempre, recheada de referências orgânicas. Pra não decepcionar o público, encerrou o show com um pot-pourri dos hits de seu disco anterior, Baile. Na hora da chuva mais pesada do dia todo foi a vez de Liniker entrar no palco. Mas água, nem lama nenhuma, foi capaz de desanimar o público, que foi presenteado com uma baita sintonia musical. A cantora não só mostrou total entrosamento com a banda, como se divertiu regendo seus músicos e até botando todos pra dançar no fim do show. Nação Zumbi chegou com toda potência de uma banda que se mantém atual nas críticas contundentes de suas letras e na sonoridade de suas levadas, com mais de 30 anos de carreira. Infelizmente o show foi interrompido algumas vezes por problemas técnicos, mas tanta “energia boa circulando”, como comentou Du Peixe, também acabou por dar outra trégua na chuva. O vocalista conduziu a apresentação com tranquilidade, trocando ideias com o público, puxando algumas canções a capela, acompanhado de riffs clássicos que Dengue tocava no baixo, fazendo geral cantar junto. Importante destacar o open água, iniciativa importantíssima de redução de danos pra qualquer rolê. Porém, um pouquinho mais de investimento na infraestrutura poderia garantia melhor a permanência no local. Fez falta um espaço onde fosse possível sentar sem estar com os pés na lama, pra descansar um pouco. Mas, sem dúvida, os sapatos sujos não serão a principal lembrança que Arvo2023 deixou. Impacto positivo no público presente, impacto reduzido no lixo gerado pelo evento. Parabéns, Arvo! Que na próxima edição continue exalando seu brilho, faça chuva ou faça sol.
Gustavo da Lua, do Nação Zumbi, lança o single Vem pra Ficar

O percussionista Gustavo da Lua, divulgou o single Vem pra Ficar nesta sexta-feira (4). Gravada pelo selo Índio Rock, a canção foi escrita junto do amigo e parceiro de percussão Marcos Matias. Ademais, ambos trabalham com a banda Nação Zumbi. Em resumo, Vem pra Ficar marca a busca de Da Lua por novos caminhos para suas composições. A música tem como principal influência os sons afro-cubanos. Além do Nação Zumbi, Da Lua também é membro da banda Los Sebosos Postizos e fundou a Sheik Tosado, lançou em 2013 seu primeiro trabalho solo, o álbum Radiante Suinga Bruto Amor.
Nação Zumbi revela Melhor nem, música que faz parte da trilha sonora da série Carcereiros
Marcelo D2, Nação Zumbi, Maneva e Hungria se unem para regravar Zóio de Lula
BaianaSystem e Nação Zumbi apresentam single Alfazema