Chad Gilbert, guitarrista e fundador do New Found Glory, morre aos 45 anos

Chad Gilbert, membro fundador, principal compositor e guitarrista solo do New Found Glory, morreu aos 45 anos neste domingo (20). A notícia foi confirmada oficialmente pela banda e por sua esposa, Lisa Cimorelli, por meio das redes sociais. O músico enfrentava uma dura batalha contra o câncer cerebral, revelada publicamente há cerca de seis meses, após um longo histórico de superações médicas que começou com o diagnóstico inicial de câncer no fígado em 2021. “Na manhã de 20 de setembro, Chad Everett Gilbert faleceu pacificamente durante o sono”, declarou a banda em comunicado conjunto. “Ele partiu deste mundo cercado por amigos e familiares, dando seu último suspiro ao lado de sua esposa e de sua mãe, exatamente como era seu desejo. Estamos devastados e chocados com a rapidez de sua partida, mas imensamente gratos por ele ter partido em paz. O número de pessoas que lotou o saguão do hospital no momento em que souberam da notícia é uma prova do quanto Chad era amado e querido. Ele foi um músico lendário, mas sua maior realização sempre foi ser marido e pai. Seus maiores sonhos se tornaram realidade.” Chad Gilbert foi o arquiteto sonoro de hinos geracionais do pop-punk Fundado na Flórida em 1997, quando Chad tinha apenas 17 anos, ao lado de Jordan Pundik, Ian Grushka e Stephen Klein, o New Found Glory rapidamente se tornou um dos pilares do pop-punk e do hardcore melódico dos anos 2000. Com sua assinatura característica na guitarra, transições rítmicas inspiradas no hardcore e um ouvido afiado para refrãos antológicos, Gilbert escreveu e coescreveu a espinha dorsal do catálogo da banda, incluindo clássicos atemporais como: “A forma de Chad tocar guitarra, suas composições, seu senso de humor e sua determinação incansável ajudaram a moldar o New Found Glory por quase três décadas”, completaram os integrantes remanescentes. “Ao longo de mais de uma dezena de discos, turnês mundiais intermináveis e mais conquistas do que jamais sonhamos, Chad nos desafiou a evoluir como músicos e seres humanos. Sua influência estará para sempre no DNA da banda e seu espírito será sentido em cada palco em que subirmos e a cada nota que tocarmos.” A batalha contra a doença e a comoção na comunidade do rock Mesmo durante o agressivo tratamento e após sofrer a perda de sensibilidade no lado esquerdo do corpo em razão da pressão tumoral no cérebro, Chad continuou inspirando fãs e amigos com um otimismo inabalável. Em entrevista concedida à revista Rolling Stone em abril deste ano, o guitarrista reforçou sua perspectiva: “Eu tenho meus momentos de choro, como qualquer pessoa, em que preciso desabafar. Mas gosto de pegar isso e transformar em algo positivo… Meu objetivo sempre foi inspirar e construir uma comunidade de pessoas que queiram ir aos nossos shows, sorrir e se divertir juntas.” A morte do guitarrista gerou uma onda instantânea de homenagens de gigantes do rock mundial. Mark Hoppus, vocalista e baixista do Blink-182 (que venceu o linfoma em 2021), manifestou seu luto de forma comovente: “Chad era o melhor amigo de cada pessoa que conhecia. A força mais criativa e positiva em qualquer sala onde entrasse. Nesses últimos anos, ele lutou contra essa doença com a alma de um guerreiro corajoso e alegre. Muitas mais pessoas do que você poderia imaginar sentirão imensamente a sua falta. Nos vemos do outro lado.” Durante a passagem recente da Vans Warped Tour 2026 em Washington, D.C., o New Found Glory havia dedicado seu show no palco principal à bravura de Gilbert, ovacionado por milhares de fãs que agora prestam suas homenagens a um dos arquitetos fundamentais do pop-punk moderno.
Review faixa a faixa: New Found Glory retorna com força em “Listen Up!” e reafirma legado no pop-punk

Quase três décadas depois de surgir como um dos pilares do pop-punk moderno, o New Found Glory retorna com Listen Up!, um álbum que reafirma a identidade da banda ao mesmo tempo em que dialoga com maturidade, resistência e pertencimento. Em Listen Up!, o New Found Glory aposta naquilo que sempre soube fazer melhor: refrões explosivos, guitarras afiadas e letras que transformam conflitos pessoais em combustível emocional. O resultado é um disco que não reinventa o gênero, mas reforça por que o nome da banda ainda segue relevante em 2026. A abertura com Boom Roasted já deixa claro que Listen Up! não pretende ser discreto. O riff inicial é urgente, quase nostálgico, remetendo diretamente à fase clássica do NFG. A letra critica a espetacularização da dor e ironiza a cultura da exposição, enquanto o instrumental mantém a vibração crua que consolidou o grupo no início dos anos 2000. Em seguida, 100% mantém o ritmo acelerado e entrega um dos refrões mais grudentos do álbum. É pop-punk direto ao ponto, com versos rápidos e uma mensagem otimista e que imagino que funciona muito bem ao vivo. Laugh It Off desacelera levemente a tensão para apostar em dinâmica melódica e narrativa relacional. Há um equilíbrio interessante entre leveza e frustração, sustentado por uma estrutura que valoriza o contraste entre versos contidos e refrão expansivo. A Love Song, apesar do título simples, surge com guitarras firmes e energia consistente, reafirmando o compromisso com melodias acessíveis sem abrir mão da intensidade. Um dos momentos mais marcantes de Listen Up! aparece em Beer and Blood Stains. A faixa mergulha na nostalgia dos primeiros anos da banda, evocando memórias de clubes pequenos, turnês caóticas e noites marcadas por excessos. Musicalmente, é uma das composições mais sólidas do álbum, combinando peso e melodia com naturalidade. Medicine introduz um clima mais introspectivo, com linha de baixo destacada e atmosfera levemente mais sombria. A banda explora vulnerabilidade sem abandonar o formato pop-punk que define sua assinatura. Treat Yourself retoma a energia positiva com uma mensagem de autocuidado e resiliência. Ainda que a abordagem soe direta demais em alguns momentos, a música cumpre seu papel dentro da proposta do álbum ao reforçar a conexão emocional com o público. Dream Born Again funciona como um respiro melódico, trazendo um clima mais contemplativo e mostrando que o New Found Glory ainda sabe trabalhar nuances dentro de uma fórmula conhecida. Na reta final, You Got This aposta em um refrão feito sob medida para grandes coros. É simples, quase ingênua em sua mensagem motivacional, mas eficaz na construção de atmosfera coletiva. O encerramento com Frankenstein’s Monster adiciona peso emocional ao conjunto. A faixa aborda batalhas internas e desafios pessoais com intensidade sincera, transformando fragilidade em potência sonora. No panorama geral, Listen Up! reafirma o New Found Glory como um dos nomes mais consistentes do pop-punk. O álbum pode não apresentar rupturas radicais, mas demonstra confiança criativa e domínio da própria linguagem. Para fãs antigos, funciona como reencontro. Para novos ouvintes, é uma porta de entrada acessível para entender por que o NFG permanece como referência do gênero. Em tempos de revisitações constantes ao pop-punk, a banda mostra que não vive apenas de nostalgia, mas de continuidade consciente de seu legado.
New Found Glory lança “Listen Up!”, primeiro álbum em seis anos

O New Found Glory, um dos pilares definitivos do pop-punk mundial, encerrou um hiato de seis anos sem um disco completo de estúdio. O quarteto da Flórida lançou Listen Up!, seu 11º álbum de estúdio e o primeiro lançamento através da gravadora Pure Noise Records. Faltando pouco para completar 30 anos de estrada, Jordan Pundik, Chad Gilbert, Ian Grushka e Cyrus Bolooki provam que ainda têm muita lenha para queimar. Resiliência do New Found Glory e a celebração da vida Listen Up! sucede o EP acústico e reflexivo Make the Most of It (2023) e chega em meio a um período de intensos desafios pessoais para o grupo, em especial, a batalha contínua do guitarrista Chad Gilbert contra um câncer metastático agressivo. Apesar da carga emocional, o disco é, acima de tudo, uma coleção de canções sobre esperança e sobre a sorte de estar vivo. “Queríamos fazer algo que realmente focasse em como somos sortudos”, explicou Gilbert. Esse sentimento transborda em faixas como Beer and Blood Stains, que reflete sobre os primeiros anos da banda e crava, sem meias palavras, o verso: “It’s good to be alive” (É bom estar vivo). O álbum conta com dez faixas. A abertura fica por conta da explosiva Boom Roasted, encerrando com Frankenstein’s Monster. Entre os destaques, estão os singles já conhecidos Treat Yourself e Laugh It Off, além da recém-lançada e grudenta A Love Song. Na estrada: Yellowcard e Warped Tour Com o disco na praça, a banda se prepara para uma verdadeira maratona ao vivo na primavera e no verão do Hemisfério Norte:
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