Novo livro analisa a trajetória de Renato Russo através da astrologia

“Nunca brinque com um Peixes de ascendente em Escorpião”. A frase icônica de Faroeste Caboclo não era apenas uma rima de impacto; revelava o interesse de Renato Russo pelo misticismo e pelos astros. Para mergulhar a fundo nessa conexão, a astróloga e jornalista Mariana Candeias (a Piky) lança o livro Renato Manfredini ‘Júpiter’ – As Revoluções Solares do Líder Legionário. O projeto está em campanha de financiamento coletivo no Catarse desde o último dia 27, data em que o eterno líder da Legião Urbana completaria 66 anos. O lançamento oficial está previsto para outubro, marcando os 30 anos de saudade do cantor. Os ciclos de Júpiter e a Legião Diferente de uma biografia convencional, a obra revisita os 12 anos de existência da Legião Urbana, período que corresponde exatamente a um ciclo completo do planeta Júpiter. Mariana Candeias utiliza o mapa natal e as revoluções solares de Renato para explicar momentos cruciais da banda. O livro mostra que Renato estava no início do seu segundo retorno de Júpiter (um símbolo de renascimento) quando lançou o primeiro álbum da Legião, e iniciava o terceiro ciclo quando entregou o melancólico A Tempestade ou O Livro dos Dias, pouco antes de sua partida em 1996. Além das análises técnicas, o texto explora as referências astrológicas espalhadas por hinos como Eduardo e Mônica (a leonina e o garoto de 16), Vinte e Nove (o retorno de Saturno) e Perdidos no Espaço. “O livro propõe uma interpretação da Revolução Solar que foge do convencional, mostrando a astrologia como uma linguagem simbólica capaz de traduzir a produção artística”, afirma a autora. 💿 Serviço: Campanha “Renato Júpiter” O livro será editado pela Garota FM Books e a campanha oferece recompensas exclusivas para quem apoiar o projeto antecipadamente.

Crítica | Eduardo e Mônica

Engenharia do Cinema Após ficar engavetado por quase dois anos, finalmente nós brasileiros conferimos o aguardado longa Eduardo e Mônica. Inspirado na canção de Renato Russo, o casal é vivido por Alice Braga e Gabriel Leone, a produção tem como embasamento a própria melodia da citada e ainda nos apresenta um divertido enredo que se passa nitidamente durante os anos 80/90 (época que a música estava nas alturas).    Assim como na própria música, vemos a história do casal Eduardo e Mônica, que são totalmente diferentes e mesmo com um estilo totalmente distinto acabam se apaixonando e tendo de saber lidar com estas dificuldades em seus cotidianos.    Imagem: Paris Filmes (Divulgação) Dirigido por René Sampaio (que também comandou a adaptação cinematográfica de “Faroeste Caboclo“), ele conduz a história em seu primeiro arco de uma forma totalmente alegórica, com uma divisão de tela explicando como ambos são diferentes em tudo, nas suas atividades diárias (regada pela melodia de Russo). Só que estamos falando de um roteiro escrito por cinco pessoas (Gabriel Bortolini, Jessica Candal, Michele Frantz, Claudia Souto e Matheus Souza) e isso claramente acaba trazendo problemas no decorrer do enredo. A começar por algumas cenas pelas quais Mônica realiza discursos ativistas e que não fazem sentido algum para o enredo (existem outras formas de explorar que a personagem era liberal e hippie), como a ridícula cena da ceia natalina na casa do Avô de Eduardo (Otávio Augusto), cujos discursos de “militares x esquerdistas” são feitos apenas para renderem memes em redes sociais e acrescentarem falas políticas ao marketing do filme (lembrando que estamos falando sobre uma história de amor, não um filme sobre política). Embora estes deslizes acabam prejudicando uma pequena parcela da produção, o restante acaba sendo bastante alegórico, pois vemos que Leone e Braga possuem química e convencem dentro de seus papéis. A começar que o primeiro já se mostrou ser um verdadeiro camaleão (porque no filme “Minha Fama de Mau” viveu Roberto Carlos, e logo depois virou o bandido Pedro Dom, na série “Dom“), e facilmente convenceu como um adolescente de 16 anos, totalmente desleixado e nerd. Enquanto Braga viveu basicamente ela mesma, ou seja, não necessitou ter mais um baque na sua personalidade. “Eduardo e Mônica” acaba sendo uma simpática produção de romance, que conseguirá divertir os fãs de Renato Russo e do cinema nacional, que estavam carentes deste tipo de filme.