Sem tempo para descanso, Neck Deep faz show incrível 17 horas depois do Tokio Marine

Menos de 17 horas após fazer um show empolgante no Tokio Marine Hall, a banda galesa Neck Deep já estava pronta para o repeteco no I Wanna Be Tour, no Allianz Parque. Terceira banda do festival, o Neck Deep fez pequenas alterações no repertório para se adaptar ao tempo disponível no Wanna Be Tour, mas manteve uma estrutura semelhante: começou com Dumbstruck Dumbf**k e fechou com In Bloom. Sempre com muita energia, o vocalista Ben Barlow demonstrou muita emoção com o carinho do público no maior show da sua banda por aqui. Antes de iniciar In Bloom, por exemplo, pareceu muito emocionado com uma bandeira do Brasil jogada no palco pelos fãs. O set também teve espaço para Take Me With You, a canção sobre alienígenas da banda que tem forte inspiração de Tom DeLonge, do Blink-182, como Ben sempre ressalta nos shows. Para quem não conhece a faixa, ele falou sobre em entrevista para a Rock Sound, em 2023: “Estaria mentindo se dissesse que não foi uma leve referência a Aliens Exist, do Blink-182, mas você pode culpar o Tom por infectar minha mente frágil quando era jovem e depois ir lá e desmascarar o mundo dos OVNIs!”. Em She’s a God, Ben convocou todas as mulheres para o circle pit na frente do palco. O pedido surtiu muito mais efeito do que na noite anterior, garantindo um momento único no Allianz Parque. A apresentação deixou um gostinho de quero mais, principalmente para quem não foi na noite anterior. Que o Neck Deep possa voltar em breve para um show completo. Setlist Dumbstruck Dumbf**k Sort Yourself Out Motion Sickness Gold Steps Kali Ma She’s a God Take Me With You STFU We Need More Bricks December (Again) In Bloom
Nostálgico e emocional, Gloria faz repertório com foco em clássicos

Logo depois do Fake Number, com o Allianz Parque um pouco mais cheio, o Gloria fez uma apresentação bastante emocional e cronológica. O vocalista Mi Vieira falava o ano da canção que iria tocar e o público já vibrava na espera por mais um clássico. O disco homônimo, de 2009, o primeiro por uma grande gravadora, foi a base do set, com cinco das 11 canções do repertório. A participação de Lucas Silveira, da Fresno, deu um tempero especial para o show. O vocalista da banda gaúcha é praticamente um embaixador do evento. Tocou nas duas edições e fez feats marcantes, como com o The Used, no ano passado. Junto com Mi, cantou Horizontes, faixa que gravaram juntos para o disco (Re)Nascido, do Gloria, de 2012. Setlist Bicho do mato A Arte de Fazer Inimigos Um segundo, um nunca mais Vai pagar caro por me conhecer Horizontes (com Lucas Silveira) Tudo outra vez Convencer A cada dia Anemia Asas fracas Minha paz
Fake Number emociona em reunião no Wanna Be Tour

Dez anos após seu término repentino, a banda Fake Number voltou para dois shows de despedida na Wanna Be Tour. Com a vocalista Lívia Elektra morando em Portugal, a continuidade das atividades já foi descartada. E foi nesse clima de nostalgia e despedida que a Fake Number abriu a programação da segunda edição do Wanna Be Tour no Allianz Parque, em São Paulo. Ainda com o estádio pouco ocupado, o Fake Number iniciou o seu show às 11h, debaixo de forte sol, mas isso não impediu uma interação bacana entre plateia e os integrantes. Os momentos mais empolgantes ficaram para os hits Aquela Música e Primeira Lembrança, que encerrou o curto set com 11 faixas. Durante o show, Lívia Elektra destacou a maior participação das mulheres no backstage do festival, mas fez um pedido especial para a montagem do lineup da terceira edição do Wanna Be Tour. “Que no próximo ano tenha mais bandas com vocal feminino aqui”.
Com violinista inspirado, Yellowcard entrega show repleto de hits em SP

A quantidade de fãs com a camisa da banda já deixava claro desde cedo quem era o dono da noite no sideshow do Wanna Be Tour, no Tokio Marine Hall, em São Paulo: Yellowcard. Sem exagero, era uma proporção de dois a cada três entre os trajados com “uniformes” das bandas da noite. Banda que veio na esteira do boom do pop punk do fim dos anos 1990, o Yellowcard estourou pra valer no Brasil em 2003, quando lançou o quarto álbum de estúdio, Ocean Avenue. Com o apoio da Capitol (Universal), o alcance foi muito maior. O disco trouxe alguns hits memoráveis, como a faixa-título, Way Away, Only One e Breathing. Esse conjunto de singles com refrões fortes elevou o grupo para outro patamar. No show desta sexta-feira, nada de poupar na hora de gastar os hits: Only One abriu a apresentação, enquanto Breathing veio na terceira posição. Entre elas, Lights and Sounds, single principal e título do álbum seguinte, de 2006. O ritmo do show também agrada. Foi pouco mais de uma hora no palco, com algumas pequenas interações com os fãs e uma sequência absurda de sing along dos fãs do início ao fim. Por mais que os olhares dos fãs fiquem quase todos no vocalista e guitarrista Ryan Key, que parece uma versão punk live action do Tintin, o violinista Sean Mackin rouba muito a cena. É impossível pensar em um violinista tão animado e divertido como ele. Único membro oficial da banda, Mackin venceu um câncer de tireoide no início da década passada após uma forte campanha de apoio dos fãs. E essa relação permanece ainda mais forte. Todos sabem que ele é o maestro da bagunça do Yellowcard. Vale destacar que a banda tocou três canções do álbum Better Days, que ainda nem saiu, mas os singles foram muito bem recebido pelos fãs, com destaque para Bedroom Posters, que teve até coro especial da plateia. Neste sábado (30), o Yellowcard se apresenta a partir das 19h17, no palco It’s Not A Phase, no Allianz Parque. Setlist *Top Gun Anthem*Only OneLights and SoundsBreathinghonestly iBelieveWay AwayLight Up the SkyBedroom Posters*Rocky Theme*FightingRough Landing, HollyEmpty ApartmentKeeperFor You, and Your DenialAwakening Bis:With You AroundBetter DaysOcean Avenue
Neck Deep encanta com pop punk em sideshow em São Paulo

Seis anos antes de Wrexham, em País de Gales, ficar conhecida como a cidade do time de futebol dos atores Ryan Reynolds e Rob McElhenney, a banda de pop punk Neck Deep já atraia a atenção do público. E desde o primeiro álbum, Wishful Thinking, de 2014, o grupo só aumentou sua fanbase no Brasil. Atração da I Wanna Be Tour, a Neck Deep foi quem abriu a noite no sideshow do festival, que rolou na noite desta sexta-feira (29), no Tokio Marine Hall, em São Paulo. Além deles, Story of the Year e Yellowcard também tocaram. Após sete anos da primeira e última vez no Brasil, a banda conseguiu casa cheia desde o primeiro instante. E veio com um repertório repleto de novidades, incluindo seis canções do seu álbum mais recente, homônimo, lançado em 2024. Para os mais saudosistas, a banda também conseguiu agradar durante o set de 1h15 de duração, com quatro canções de Life’s Not out to Get You (2015), disco queridinho dos fãs. A energia do quinteto é contagiante. O Neck Deep não aliviou em nenhum momento, arrancou sing alongs e ainda arrancou aplausos dos fãs com discursos sobre união. Neste sábado, no Allianz Parque, o Neck Deep será a terceira banda do Wanna Be Tour, subindo ao palco It’s a Lifestyle às 12h36, logo após o Glória. Setlist Dumbstruck Dumbf**kSort Yourself OutMotion SicknessGold StepsKali MaCan’t Kick Up the RootsShe’s a GodTake Me With YouHeartbreak of the CenturySTFUWe Need More BricksDecember (Again)A Part of Me (Not on printed setlist)In Bloom
Sabrina Carpenter flerta com country e pop retro em Man’s Best Friend

Sabrina Carpenter já tinha o mundo nas mãos com Short n’ Sweet, mas decidiu não se acomodar e acelerar ainda mais o jogo com Man’s Best Friend. O novo álbum é pop de alto nível, cheio de malícia, humor e vulnerabilidade, equilibrando leveza e profundidade com a naturalidade de quem domina a própria narrativa. Sabrina está espirituosa, sarcástica e, ao mesmo tempo, entrega um disco carregado de emoção, provando que não tem medo de rir das próprias dores. As faixas transitam entre o flerte descarado e o desabafo pós-término, sempre com refrões que grudam na cabeça. Manchild é o grande hino aqui, explosivo, irônico e irresistível, daqueles que nascem para o topo das paradas. Já Tears mostra um lado mais sensual e sofisticado, com clima disco que abre espaço para uma Sabrina ainda mais confiante. Canções como Nobody’s Son, We Almost Broke Up Again Last Night e House Tour reforçam esse equilíbrio entre a piada ácida e a confissão sincera, criando uma atmosfera em que o ouvinte se diverte e, ao mesmo tempo, se reconhece. A produção é pop retro e regado a influências de country e sintetizadores que evocam os anos 80, mas nada soa datado. Pelo contrário: Sabrina está com o som mais atual da música pop, com arranjos bem construídos e um vocal cheio de atitude. O resultado é um álbum que pode ser ouvido de ponta a ponta sem perder fôlego, sempre surpreendendo na forma como mescla ironia e emoção. Claro que a capa levantou discussões. De quatro, cabelo puxado, Sabrina brinca com os limites entre empoderamento e provocação. Para alguns, é sátira; para outros, excesso. Há, inclusive, pais proibindo os filhos menores de irem nos shows. Mas, a verdade é que a imagem resume bem o espírito do álbum: um pop que cutuca, provoca e não pede licença. Man’s Best Friend é mais do que uma coleção de hits. É a consagração de Sabrina Carpenter como estrela global. E se alguém ainda duvida disso, a resposta vem em 2026, quando ela sobe ao palco do Lollapalooza Brasil como principal atração do festival. Um disco desses pede um show à altura e, após ser coadjuvante no MITA e na abertura de Taylor Swift, ela está pronta para ser protagonista.
The Hives Forever, Forever The Hives: Caos, diversão e três acordes

Não é presunção em afirmar que o The Hives is Forever. A banda, que está contando os dias para voltar ao Brasil, na abertura para o My Chemical Romance, lançou hoje um dos melhores álbuns de rock do ano. Enough Is Enough já tinha deixado claro: o The Hives não perdeu a mão. O single apresentava três minutos de raiva punk cuspida em refrões curtos e versos ácidos abriram caminho para um álbum que é, basicamente, uma celebração da própria essência da banda. The Hives Forever Forever The Hives é frenético do começo ao fim. As guitarras cortam com riffs simples e certeiros, a bateria empurra cada faixa para frente sem fôlego e Pelle Almqvist continua sendo um dos frontmen mais divertidos e incendiários do rock. Roll Out The Red Carpet e Born A Rebel são exemplos perfeitos de músicas feitas para estádios, como o Allianz, cheias de refrões grudentos e energia explosiva. O disco também encontra espaço para brincar com outros terrenos. Bad Call traz um flerte glam rock, enquanto Path Of Most Resistance aposta em sintetizadores inesperados, acrescentando uma camada pop sem perder a irreverência. Já a faixa O.C.D.O.D. me transportou para um Mosh sem sair da cadeira enquanto escrevia esse review. Menção honrosa também para Legalize Living que mescla surf music com a atmosfera de bandas 80, como Billy Idol e, por que não, nossos tupiniquins Tokyo. É impressionante como, mais de 25 anos depois, o The Hives soa tão afiado quanto no início. O álbum não reinventa nada, mas também não precisa. Sabe aquele dia que você só quer sentar e dar umas boas risadas com um filme de comédia na TV? É exatamente assim: barulhento, debochado e irresistível. No fim das contas, é isso que o The Hives sempre foi: uma banda feita para o ao vivo, para a catarse, para transformar o caos em diversão. E aqui, eles provam de novo que, após os Ramones, só eles sabem como transformar três acordes em pura dinamite. Review: 4.5/5
Three Days Grace Alienation marca renascimento da banda

O caldeirão que empolgou o mundo nos anos 2000 com a mistura de nu metal e post grunge está de volta. Com Alienation, o Three Days Grace não apenas entrega riffs esmagadores e refrões que grudam, mas celebra um verdadeiro renascimento. O álbum marca o retorno do vocalista original Adam Gontier que, agora, divide os vocais com Matt Walst. O resultado é um som mais denso, multifacetado e cheio de novas possibilidades. A dinâmica vocal é o grande trunfo da obra, afinal, Walst nunca emulou Gontier quando o substituiu. Alternando entre sutilezas melódicas e explosões brutais, as vozes constroem uma narrativa visceral, quase como se a banda conversasse consigo mesma a cada faixa. Esse diálogo dá ao álbum uma força emocional rara, equilibrando introspecção e catarse. A base instrumental acompanha a mudança de forma poderosa: riffs sujos, grooves arrastados e linhas eletrônicas discretas mostram a atualização da banda ao atual mercado dominante de metal moderno. Apesar de experimentar com texturas eletrônicas e momentos acústicos, o álbum mantém a pegada direta e crua que sempre definiu o grupo. O formato é coeso e eficiente: introdução climática, build-up, refrão explosivo e repetição. Essa fórmula é uma bola de segurança, mas em alguns momentos passa a sensação de loop, como se a banda tivesse dificuldade em escapar de seu próprio passado. Ainda assim, quando funciona, é avassalador. Entre os destaques estão a abertura Dominate, um nu metal cru que parece ter saído do álbum Hybrid Theory do Linkin Park. Ela chega como um soco no estômago, com bateria marcial, baixo pulsante e um refrão radiofônico carregado de emoção. Apesar das quatro primeiras músicas já terem sido lançadas, a transição de Dominate para Apologies não funcionou e pode relevar torcidas de nariz para os fãs mais exigentes. A sensação é que você saiu do nu metal e, acidentalmente, trocou para uma música teen da boy band do momento. O caminho de Apologies até a pesada sexta faixa, Alienation, é pavimentado com a mesma fórmula de refrões radiofônicos e músicas mais cadenciadas. Depois, destaque para In Cold Blood, décima faixa, que resgata o auge da banda. Há também faixas que exploram riffs mais sombrios e até solos com influências orientais, pequenas surpresas que enriquecem a experiência. No fim, Alienation mostra um Three Days Grace que não apenas sobrevive às mudanças, mas encontra nova vida nelas criando holofotes para os dois vocalistas. É um disco que não será esquecido para futuras turnês, com canções com energia suficiente para incendiar arenas e nuances que dialogam com o público em momentos mais íntimos. A previsibilidade da fórmula peso + refrão pop de algumas estruturas não apaga o impacto de um álbum que soa como um verdadeiro recomeço. Nota: 3.5/5
Private Music, novo álbum do Deftones, soa como um convite à nostalgia

Chega ao mundo o aguardado décimo álbum do Deftones, Private Music. Foram longos cinco anos desde o último lançamento e, nesse meio tempo, a banda experimentou um crescimento inédito, impulsionado pelo TikTok, que apresentou seus clássicos a uma nova geração de adolescentes. Hoje, o grupo também é apontado como influência direta de nomes como Sleep Token e Bad Omens, considerados herdeiros do metal moderno. O Brasil teve a honra de sediar uma listening party na última quinta-feira (21) no The Cave, espaço da lendária Galeria do Rock, onde Private Music foi apresentado em primeira mão para fãs e foi muito bem recebido. O Blog N’ Roll foi representado pela Lya Hemmel que colheu as opiniões e expectativas dos presentes. Criar esse disco era um desafio enorme. Afinal, a banda precisava lidar com a pressão de seu inesperado auge, somado ao revival do Nu Metal e os fantasmas dos dois trabalhos anteriores: Gore foi incompreendido, enquanto Ohms soou como uma tentativa sufocada de agradar os fãs. Não à toa, em 2025 apenas uma música de cada álbum sobreviveu aos palcos: Prayers/Triangle e Genesis, deixando clara a urgência de uma resposta à altura neste décimo capítulo da carreira. Em Private Music, o Deftones não faz rodeios. A nostalgia aqui não é mero maneirismo ou bola de segurança, mas um portal direto ao passado da banda: a tensão entre a brutalidade das guitarras de Stephen Carpenter e a sensibilidade atmosférica de Chino Moreno continua sendo o coração criativo do grupo. O álbum abre com o single My Mind is Mountain e sua introdução thrash que lembra muito o Metallica. A canção já soma 16 milhões de plays no Spotify, é pesada, impactante e foi recebida com entusiasmo por fãs e crítica. O outro destaque, Milk of Madonna, disputa o topo da parada de Rock da Billboard, logo atrás de seus discípulos do Bad Omens. Entre as inéditas, Infinite Source traz o Deftones em essência: psicodelia, riffs monumentais, bateria grandiosa e os vocais de Chino, que abraçam ao mesmo tempo a calmaria e o caos. Já Cut Hands resgata com força as raízes do nu metal, soando como uma faixa perdida em algum disco dos anos 2000. Há espaço para experimentações, como na balada I Think About You All The Time, que poderia figurar facilmente no clássico Mellon Collie and The Infinite Sadness, do Smashing Pumpkins. O encerramento vem com a grandiosa Departing the Body, uma síntese de toda a trajetória da banda. O início grave, quase no estilo Roger Waters, explode em uma catarse que soa como um encontro entre Smashing Pumpkins, Pink Floyd e The Cure. A produção reflete com precisão o estágio atual do Deftones: monumental. Os riffs de Carpenter aparecem ainda mais robustos sem abrir mão da distorção, e o estúdio soube potencializar a força do grupo sem diluir sua essência. O retorno ao Brasil está previsto para 2026, com grandes chances do Deftones ser o nome principal do rock no Lollapalooza. Infelizmente, Stephen Carpenter não deve acompanhar a turnê, já que mantém restrições de viagem desde a pandemia. Nota: 4/5