Ricochet: Novo álbum do Rise Against decepciona fãs

Ricochet, o décimo álbum de estúdio do Rise Against, prometia uma nova fase da banda de Chicago sob a batuta da produtora Catherine Marks e do mixer Alan Moulder. Mas, em vez de revitalizar a sonoridade característica do grupo, o disco acabou destoando: vozes envoltas em reverb excessivo, produção polida além da conta, arranjos que preferem o pop radiofônico em vez do punk rápido e agressivo que a banda construiu ao longo da carreira. Enquanto há momentos de força, como o groove urgente da dobradinha “Sink Like a Stone” e “Forty Days” e a potência refinada de “Nod”, executada em show último show no Brasil, a maioria das faixas mergulha em territórios excessivamente lisos, como “Soldier” e “Gold Long Gone”. Soa muito mais como pastiche do que como evolução. Parece tudo, menos Rise Against. A recepção dos fãs nas redes sociais tem sido dura. Relatos no Instagram e no Reddit são claros: “Este é, de longe, o álbum que menos gostei da banda.”“A mixagem é um overload sensorial, meus ouvidos fatigaram.”“Isso não é punk. A produção não é punk.” Ou seja, ao tentar “ser diferente”, como disse Tim McIlrath em entrevista recente, o resultado parece ter afastado fãs históricos, muitos reclamando que Ricochet soa distante da energia visceral e urgência que define o Rise Against desde os primeiros álbuns. Óbvio que os shows vão continuar sendo ótimos, graças a boa discografia da banda. Porém este será um álbum que daqui há alguns anos ninguém irá se lembrar. Nota 2.5 de 5
The Devil Wears Prada surpreende e encerra turnê com música inédita em São Paulo

O The Devil Wears Prada encerrou ontem (17.08) a turnê latino-americana no Carioca Club, em São Paulo, o mesmo palco que recebeu a última passagem da banda pelo Brasil há 13 anos. Não foi uma jornada fácil: além de lidar com a saída recente do baixista Mason Nagy, substituído nos shows por faixas gravadas, o grupo também enfrentou um assalto no aeroporto de Bogotá. Antes do show, conversamos com o vocalista Mike Hranica, que revelou de maneira exclusiva que um novo álbum está a caminho. Além dos singles Ritual e For You, a banda surpreendeu o público paulista com a inédita Where the Flowers Never Grow, apresentada de forma exclusiva e que será lançada em breve. O showA Liberation, organizadora do evento, apoiou a cena colocando como abertura a banda brasileira Emmercia, que aposta no metal moderno e vem se consolidando como um nome promissor do estilo. Na sequência, o The Devil Wears Prada entregou uma apresentação com foco na fase recente: nove das 17 músicas do set foram lançadas nos últimos três anos. O início privilegiou faixas mais pesadas, que incendiaram o público com rodas de mosh intensas. Destaque para Watchtower e Danger: Wildwoman, dedicada ao ex-baterista Daniel Williams, falecido recentemente. A parte intermediária do show trouxe composições mais voltadas ao metal moderno. Os vocais melódicos de Jeremy DePoyster ficaram em evidência, enquanto Mike Hranica se destacou ao inserir uma terceira guitarra em algumas músicas. Ritual foi um dos pontos altos, celebrada em coro pelo público. Na reta final, a banda revisitou a fase metalcore, com exceção da balada For You, cantada a plenos pulmões pelos presentes. Após a execução de Sacrifice, o grupo deixou o palco para o tradicional Encore. Enquanto a plateia aguardava as duas últimas faixas que fecharam toda a turnê, Mike Hranica surpreendeu ao anunciar o lançamento de uma nova música ao vivo. Foi então que apresentaram Where the Flowers Never Grow, seguida das clássicas Dogs Can Grow Beards All Over e Hey John, What’s Your Name Again?, que fecharam a noite em clima de celebração. Com a calorosa recepção em São Paulo, o The Devil Wears Prada prometeu não deixar passar mais 13 anos até a próxima visita ao Brasil. Setlist
Supercombo lança Caranguejo (Parte 1) indo do piseiro ao metal

O novo álbum da Supercombo, “Caranguejo” está no ar, ou quase isso. A banda decidiu dividir o novo trabalho em duas partes, disponibilizando a primeira metade no dia de hoje (15/08). O nome nasceu de uma piada interna na pré-produção. Um amigo disse que algumas músicas da banda pareciam o próprio bicho, ou seja, algo estranho, indo para um lado e depois para o outro. A banda abraçou a ideia, transformou o crustáceo em símbolo e deu nome ao disco que marca um retorno às raízes, mas sem medo de se aventurar em novos horizontes. Aqui, o rock e o pop continuam sendo a espinha dorsal, mas ganha tempero com ritmos brasileiros e a diversidade que vai do metal até o piseiro. E falando em piseiro, o primeiro single, “Piseiro Black Sabbath”, é a prova da versatilidade que só a Supercombo sabe entregar. Gravada quase de brincadeira, a faixa mistura peso e brasilidade com um groove irresistível e um refrão chiclete. O clipe já soma quase 150 mil visualizações no YouTube, confirmando que essa mistura inusitada caiu no gosto do público. Mas foi “Alento” que pegou em cheio pra mim. É daquelas músicas feitas para serem trilha da nossa vida, principalmente no meu caso que sou pai. Ano que vem minha filha completa 18 anos e vai para a faculdade, e essa letra sobre amor e cuidado mexeu comigo de um jeito que poucas músicas mexem. Veio na hora certa, no desafio de entregar o filho ao mundo. “Testa” é o single mais radiofônico do disco, com potencial para tocar em qualquer playlist pop/rock, novela e ainda assim fazer muita gente chorar, principalmente aqueles que perderam alguém especial. Já “Hoje Eu Tô Zen” tem um refrão bipolar que gruda e pode muito bem virar trend no TikTok e Instagram. Entre as mais pesadas, “A Transmissão” e “Alfaiate” mostram um lado mais metaleiro da Supercombo, mas sem perder a essência, principalmente nas letras afiadas e sarcásticas, recheadas de metafóras. O vocal de Léo Ramos continua sendo a cola que une tudo, mesmo quando a banda decide sair da zona de conforto. Podemos ouvir um metal ou piseiro e saber na hora que é o Supercombo. Com produção cuidadosa de Victor de Souza, o Jotta, e um planejamento para ser lançado em duas partes, “Caranguejo” é para ser ouvido com atenção e calma. Seu final vai ser agridoce, com aquele gosto de quero mais esperando a continuação em 2026. Próximos Shows 04.OUT – Santos/SP – Aurora Sounds12.OUT – Curitiba/PR – Opera de Arame18.OUT – Rio de Janeiro/RJ – Circo Voador02.NOV – Porto Alegre/RS – Teatro da Amrigs06.NOV – Joinville/SC – Teatro da Liga07.NOV – Blumenau/SC – Ahoy!08.NOV – Florianópolis/SC – John Bull23.NOV – Belo Horizonte/MG – Mister Rock14.DEZ – São Paulo/SP – Audio Ingressos em: www.supercomborock.com
Domingo do C6 Fest tem show impecável de Nile Rodgers e comoção com Wilco

O C6 Fest encerrou, no domingo (25), sua edição de 2025 com mais uma curadoria inspirada, equilibrando com inteligência artistas consagrados e nomes que vêm despontando na cena internacional — seja conquistando público em festivais europeus, seja chamando a atenção da crítica especializada. Teve a estreia energética do English Teacher, a performance vibrante do The Last Dinner Party, o show consagrado do Wilco e a celebração da lenda Nile Rodgers, que fechou a noite em clima de festa. Donos de um dos discos mais comentados de 2024 (This Could Be Texas), o English Teacher estreou em solo brasileiro já consagrado como vencedor do Mercury Prize — um dos prêmios musicais mais prestigiados do Reino Unido, concedido anualmente ao melhor álbum lançado por um artista britânico ou irlandês. Mas mesmo quem não está muito antenado aos acontecimentos do mercado musical pôde testemunhar os motivos que fizeram a banda ser reconhecida com tal honraria. Pontualmente às 14h de um domingo ensolarado, o grupo, conduzido principalmente por sua vocalista Lily Fontaine, mostrou estar pronto para uma carreira de fôlego — mesmo com apenas um álbum lançado. Lily é certamente o destaque, trazendo vocais firmes e fraseados do post-punk contemporâneo, mas intercalando com momentos suaves, sustentando notas agudas e entregando sutileza com controle — criando uma dicotomia entre o selvagem e o belo. Uma pequena amostra desse equilíbrio apareceu em The World’s Biggest Paving Slab, música em que a banda convidou uma fã da plateia para tocar guitarra no palco. Um gesto simples, mas revelador da segurança e da maturidade precoce que os ingleses demonstram em seus shows. Além da técnica e da qualidade na execução ao vivo, o grupo se mostra à vontade para explorar o palco, interagir com o público e se entregar totalmente — como fizeram na música de encerramento da apresentação, Albert Road. Na sequência, o mesmo palco que recebeu o English Teacher foi ocupado por outra banda internacional aclamada pela crítica musical. O The Last Dinner Party já contava com uma jovem base de seguidores apaixonados na plateia — e certamente saiu do festival com ainda mais fãs. Todas as músicas foram entoadas em coro, sinal de que o grupo, formado por cinco mulheres e acompanhado por um baterista de apoio, já conquistou o público brasileiro. O som da banda transita com naturalidade entre o pop barroco e o indie rock, com uma sutileza que encanta. A vocalista Abigail Morris não apenas canta — ela performa: dança, interpreta, encena suas músicas com intensidade e carisma, cativando quem estava por ali desde os primeiros minutos. Mas a ode teatral do grupo não se resume a Abigail. O próprio palco é cuidadosamente adornado para criar um cenário em que todas as integrantes brilham em suas posições. Outro destaque é a guitarrista Emily Roberts — mais tímida nas interações com o público, mas efusiva em sua técnica, preenchendo as canções do grupo com solos de indie rock notáveis. Visivelmente emocionadas e felizes com a recepção brasileira, o The Last Dinner Party prometeu voltar — e, quem sabe, com um palco maior e mais tempo para explorar suas apresentações. Um dos maiores nomes do festival, o Wilco, entrou para encerrar os trabalhos da Tenda Metlife. Assim como o Pavement, que esteve nesse mesmo palco em 2024, a banda liderada por Jeff Tweedy carrega décadas de fidelidade de um público fã da cena mais alternativa. O grupo norte americano é reconhecidamente um dos maiores nomes de sua geração do rock alternativo, seguindo firme com lançamentos notáveis mesmo após o auge representado pelo elogiado Yankee Hotel Foxtrot. Ainda que tenha passado recentemente pelo pelo Brasil, a vinda do Wilco para o país é sempre valorizada, pois o conjunto preza pela qualidade sonora e por alterar sutilmente seus setlists, proporcionando surpresas para os aficionados pela discografia do sexteto de Chicago. Company in My Back, do disco A Ghost Is Born (que ganhou uma reedição de 20 anos em 2024), foi a escolhida para iniciar os trabalhos em São Paulo. Com a destreza característica, o Wilco passeou por outros álbuns de sua discografia de 13 discos (fora EPs), sem esquecer de seu último trabalho, Cousin, de 2023. O público apaixonado pela banda cantou até mesmo as frases e solos de guitarra do grupo, levando Jeff a dizer que estava emocionado com a participação dos brasileiros. Em Impossible Germany (de Sky Blue Sky – 2007), o guitarrista Nels Cline brilhou com um solo memorável (e longo), amplamente aclamado. Outra canção performada já na noite de domingo, Via Chicago (de Summerteeth, 1999), talvez seja uma música-chave para entender o som do Wilco: uma melodia suave, quase folk, com a voz de Jeff Tweedy bem contida, cantando versos introspectivos, acompanhada por um instrumental leve — até que uma cacofonia de sons, distorção e caos toma conta da música, enquanto Tweedy permanece em sua calma. Essa alternância — entre delicadeza e ruído — sintetiza bem o tipo de tensão emocional e artística que o Wilco cultiva há décadas: músicas que parecem simples à primeira escuta, mas que revelam camadas profundas de construção sonora e sentimento a cada nova audição. Ao fim, a formação americana deixou o palco sob aplausos entusiasmados e gritos de “Wilco! Wilco!”, reafirmando sua relevância como um dos pilares da cena alternativa que moldou. Ficou a cargo de Nile Rodgers promover a festa de encerramento do C6 Fest 2025. Lenda viva da música, o artista é responsável por alguns dos maiores sucessos da história do pop e do funk. Embora seu nome possa não ser imediatamente reconhecido por todos, é difícil encontrar alguém que nunca tenha ouvido uma de suas criações — ou que não tenha sido, direta ou indiretamente, impactado por seu trabalho como hitmaker. Além de ser um exímio guitarrista — um verdadeiro pilar do instrumento no funk americano — Rodgers compôs e produziu para nomes como Diana Ross, David Bowie, Duran Duran, Beyoncé, entre tantos outros. Com um arsenal de sucessos, como Get Lucky (famosa na interpretação do Daft Punk), ficou fácil para o
Pretenders e Air se destacam em sábado com nostalgia e novidades no C6 Fest

Se consolidando como um dos principais festivais do país, o C6 Fest voltou em sua edição de 2025 repetindo a configuração de 2024: dois dias de festival no auditório do Ibirapuera, com apresentações de jazz e shows intimistas (nos dias 22 e 23 de maio), e os shows em palcos ao ar livre no sábado (24) e domingo (25). No sábado (24), que já começou com ingressos esgotados, o C6 Fest mostrou mais uma vez sua versatilidade, sem abrir mão da relevância artística de suas atrações. Trouxe nomes consagrados como Air e The Pretenders, ao lado de artistas em ascensão como Perfume Genius e Beach Weather. Inaugurando a Arena Heineken nesta edição, a banda Beach Weather subiu ao palco diante de uma plateia majoritariamente jovem. Os americanos, que misturam pop-rock com influências do rock alternativo dos anos 2000 (como The Strokes), não pareciam nem um pouco incomodados em tocar nas primeiras horas da tarde de sábado. Liderados pelo vocalista Nick Santino, o grupo encontrou no seu público cativo a energia necessária para atrair os curiosos que chegavam ao festival. Donos do hit Sex, Drugs, Etc., o Beach Weather se encaixa bem naquela categoria de bandas que conquistam principalmente as novas gerações de frequentadores de festivais. Apoiado por seus fãs engajados, o grupo abriu bem a tarde para esse público, que ainda teria Stephen Sanchez na sequência. Do outro lado do festival, na Tenda Metlife, Mike Hadreas se apresentava sob a alcunha de Perfume Genius. Dono do elogiado álbum Glory (2025), o cantor mostrou que já tem um público fiel no Brasil — que cantou junto até mesmo as faixas mais recentes de sua discografia. Embora esteja há mais de uma década na estrada, é principalmente nos últimos anos que o trabalho de Hadreas vem ganhando mais reconhecimento, tanto pela qualidade de suas composições quanto por sua relevância na cena queer musical contemporânea. No palco, Perfume Genius apresenta seu pop experimental (talvez o termo mais adequado, diante da dificuldade em rotular seu som), por meio de uma performance física marcante: ele rasteja pelo chão, se envolve nos fios do microfone e usa cadeiras como extensão de seu corpo — como se traduzisse em gestos toda a carga emocional de cada música. Outro ponto alto é sua banda afiada, que sabe ser contida nos momentos de delicadeza, mas explode com técnica admirável quando as canções exigem força. Um destaque especial é a guitarrista Meg Duffy, brilhante na criação de texturas complexas e sofisticadas, que enriquecem ainda mais o som do artista. Com a chegada da noite, foi a vez da consagrada banda The Pretenders subir ao palco da Arena Heineken. Um público mais maduro e nostálgico se reuniu para vê-los, mas a banda deixou claro que não vive apenas de lembranças — sua relevância permanece viva. Enquanto os clássicos soam impecáveis na voz de Chrissie Hynde, faixas mais recentes como Let the Sun Come In e Junkie Walk chamaram a atenção de quem ainda não explorou os últimos álbuns, Hate for Sale (2020) e Relentless (2023). Mesmo que esses discos nem sempre figurem nas (por vezes duvidosas) listas de melhores do ano, fica evidente que os Pretenders continuam entregando música de alta qualidade. É claro que os grandes sucessos não ficaram de fora. I’ll Stand by You e Don’t Get Me Wrong foram executadas com precisão por uma banda segura e entrosada, liderada com carisma por Chrissie. A cantora tem uma aura própria — transmite segurança e vitalidade sem precisar recorrer a excessos. Sua entrega é natural, mas poderosa, e ainda inspira contemporâneos como Dave Grohl, fã declarado que já a convidou para dividir o palco com os Foo Fighters. Além de sua imponência musical, Chrissie ainda demonstrou carinho pelo público brasileiro e elogiou São Paulo. No fim, os veteranos se reconectaram com os clássicos que amam, enquanto os mais jovens testemunharam um raro exemplo de longevidade e relevância artística em ação. Para fechar a noite, a banda francesa Air reanimou o clássico Moon Safari e proporcionou ao público a sensação de uma viagem espacial, por meio de ritmos, batidas e imagens transcendentais — suficientes para que quem se conectou à apresentação experimentasse uma travessia cósmica guiada pelo disco de 1998. Tocado na íntegra e na ordem original, o show trouxe um curioso clima de ficção científica ao cenário natural de árvores e lagos do Parque Ibirapuera. As projeções nos telões e na fachada do auditório complementaram a experiência, tornando-a difícil de descrever — uma rara oportunidade de se conectar, ao mesmo tempo, com a música do disco original e com o ambiente inexplicável que se formou naquela noite de sábado. Após tocar a obra completa, o Air ainda apresentou faixas de outros álbuns, oferecendo mais amostras de seu som eletrônico, atmosférico e sofisticado. O encerramento ficou por conta da épica Don’t Be Light, que soou como um convite para explorar além de Moon Safari. O primeiro dia do fim de semana do C6 Fest confirmou que a curadoria do festival continua afiada. Mesmo competindo com outros eventos consagrados, a organização consegue reunir nomes ecléticos, que dialogam com diferentes públicos, mas que se destacam por sua consistência e relevância nas cenas das quais fazem parte. Há artistas em ascensão, que começam a conquistar espaço no mercado e já acumulam prêmios e elogios da crítica especializada. E há também as atrações clássicas — que talvez não estejam entre as mais populares do momento, mas seguem mantendo a excelência em seus shows e lançamentos.
Porão do Rock 2025 mostra que Brasília ainda é a capital do Rock

O Porão do Rock de 2025 está oficialmente encerrado. O evento mesclou dezenas de artistas locais, nacionais e internacionais nesta sexta e sábado (23 e 24 de maio) no estacionamento da Arena BRB Mané Garrincha. Mantendo Gustavo Sá, idealizador do Porão, o festival ganhou Ivan Hauer e Bruno Barra, da agência Flap, como novos sócios. “Foram dois dias circulando esse festival inteiro. Apesar de já ter passado dos 50 anos, a sensação é de dever cumprido”, confessa Sá nos bastidores. Assim que o Porão do Rock foi anunciado, a expectativa principal ficava na conta dos shows de Stone Temple Pilots, pela primeira vez em Brasília, e do Sepultura em seu último festival agendado no Brasil. A banda se apresentou pela primeira vez no evento em 2002, justamente no dia que ganhamos o pentacampeonato com Ronaldo e companhia. Três Palcos e apoio ao underground A logística do Festival colocou os dois palcos principais (BB Seguros e Eisenbahn) muito próximos, facilitando o deslocamento para não perder nenhum acorde. A área ainda contava com uma pista de skate que resgatou a união do esporte com o rock e ainda permitiu que os praticantes tivessem direito a meia entrada. Do Palco Eisenbahn a curadoria do Festival teve grandes acertos. Começando pelas argentinas do Fin Del Mundo, primeira banda a subir neste palco, com seu indie rock melancólico. Desta tônica saíram também Terno Rei, lançando seu novo álbum “Nenhuma Estrela”. Inclusive, a banda abriu o show com “Próxima Parada”, um dos singles deste trabalho. Outro destaque ficou por conta do Menores Atos, a primeira banda do sábado e que foi a responsável por trazer as pessoas mais cedo ao festival. Já a Trampa foi a maior surpresa. Com um som marcado por influências do Rage Against The Machine e muito protesto político, o show teve uma super produção nos telões, algo que não foi visto nem pelas bandas internacionais. Agora nem Sepultura e Dead Fish superaram a dobradinha de palco de Raimundos e Little Quail and The Mad Birdies. As duas bandas de Brasília levaram os mais velhos de volta aos anos 90. Liderada por Gabriel Thomaz, a banda tocou o hit “Aquela” logo no início. A canção foi regravada justamente pelos Raimundos em seu último álbum com Rodolfo (Só no Forevis – 1999). O setlist também contou com o hardcore “1,2,3,4” e o blues bem humorado “Essa Menina” que liderou o Disk Mtv. Mais atrás, o palco Sesc reuniu bandas do underground e os vencedores das seletivas com bandas de todas as regiões do Brasil. Destaques para o hardcore do DFC e Pense, além da estreia da nova banda da Deck Disk, a Swave que reúne membros de bandas como Sugar Kane, Supercombo, Ego Kill Talent e Far From Alaska. O local ainda contava com um camarote que funcionava também como uma pista premium ao lado esquerdo do palco principal. Os 10 melhores momentos do Porão do Rock Escolher o melhor show sempre acaba sendo polêmico e uma opinião muito pessoal. Uma banda do underground como a Trampa, por exemplo, fez um show impecável e com produção de telão digna de headliner. Ainda tivemos grandes shows como Menores Atos, Terno Rei, Swave e as argentinas do Fin Del Mundo. Por isso, preferi focar nos melhores momentos do festival, que relato abaixo: 10. Bayside Kings e o Caos de Moshes e Stage Dives (Palco Sesc) Pela primeira vez no line up do festival, o Bayside Kings causou uma boa impressão e mostrou que pode ganhar mais vagas nos principais festivais do país. Milton Aguiar, vocalista, é um frontman que sabe comandar o público regendo moshes e stage dives como se fosse um maestro. A partir do momento que o primeiro espectador pula do palco, o caos está instalado. Banda e público viram um organismo só funcionando em plena sinergia. 09. CPM22 e a Nostalgia do coral em Não Sei Viver Sem Ter Você (Palco BB Seguros) Desde o ano passado rodando com a turnê do novo álbum Enfrente, o CPM22 mostra que marcou toda uma geração com seus principais hits sendo cantados em coro. A parada programada de “Não sei viver sem ter você” transformou o festival em um verdadeiro coral cantando o principal hit do álbum Chegou a Hora de Recomeçar (2002). 08. Velvet Chains com Presença de Palco e Cover de Elvis Presley (Palco BB Seguros) O Velvet Chains, de Las Vegas (EUA), foi o responsável por fechar o primeiro dia de festival no palco principal. Misturando Hard Rock, Post Grunge e Metal, a banda funciona como uma divertida fusão de Avenged Sevenfold com Creed. A presença de palco de todos os integrantes é um show à parte, com todos eles utilizando todo o espaço do palco, bem como a passarela frontal. Logo de cara, o guitarrista Von Boldt já desceu do palco e tocou a primeira música inteira nas grades que separam o palco da platéia. O cover de Suspicious Minds de Elvis Presley, presente no último EP da banda “Last Rites”, lançado em abril, foi um deleite a todos que ficaram para prestigiar. 07. O Último Festival do Sepultura no Brasil (Palco BB Seguros) São 23 anos de relação e sinergia do Porão do Rock com o Sepultura então, nada mais natural do que ser o último festival agendado pela banda no Brasil em sua turnê de despedida. E o maior representante do metal brasileiro não decepcionou, provando que boa parte do público foi para assisti-los. A reta final com hits como Chaos A.D., Ratamahata e Roots Bloody Roots, com a bandeira brasileira no telão, já deixou um gosto de saudade no ar. 06. Raimundos jogando em casa com Mosh Verde (Palco BB Seguros) Celebrando seus 30 anos de carreira, o Raimundos fez seu primeiro show após o lançamento do álbum “XXX”. A banda foi a primeira a se apresentar no palco principal e responsável por trazer o público mais cedo ao festival. Havia uma expectativa pelo encontro de diferentes ideologias diferentes, com públicos de Black Pantera e Dead Fish
ARVO: Diversidade, representatividade e muita música em Floripa

O número de festivais de música no Brasil vem crescendo, ano passado foram mais de 300 e esse ano deve seguir a mesma linha. Até o momento já são mais de 100 confirmados e um deles é o ARVO, que rolou no último fim de semana em Florianópolis. Música, arte, feirinha de variedades, muita gente de idades diversas, lookinhos mega produzidos e várias atividades rolando ao mesmo tempo. Tudo isso é comum em festivais, mas o ARVO tem uma proposta diferenciada. O festival nasceu com o intuito de questionar o consumo de arte, entretenimento e sustentabilidade no Sul do Brasil e, desde a primeira edição, em 2018, tem a proposta de reduzir os resíduos gerados e garantir a representatividade de gêneros, etnias, regionalidades, etc. Fechar a primeira noite com a apresentação de uma mulher preta e travesti é uma delas! Super aguardado no primeiro dia de festival, o show da Liniker foi impecável, superando até mesmo a apresentação da própria cantora na edição do ano passado. A sintonia entre todos os músicos no palco é contagiante e demonstra a maturidade artística da nossa vencedora do Grammy. O show faz parte da turnê do álbum Caju, lançado em agosto de 2024. Ainda no início da tarde de quinta-feira (1), o público se emocionou com a rainha do samba. Diva absoluta, Alcione marcou presença e mostrou porque é uma das maiores vozes da música brasileira. Em seguida, a galera mais indie curtiu a apresentação da Ana Frango Elétrico. Com seu estilo único, misturando pop, rock e eletrônico, encantou os fãs presentes. Além dos dois palcos principais, armados um ao lado do outro, facilitando a dinâmica das apresentações, o Festival também contou com duas tendas. Na de samba o som começava mais cedo, e na de música eletrônica, o rolê ia até mais tarde, pra quem curte estender a noite. Para as crianças, uma área kids prometia diversão com brinquedos e até uma mini Kombi estilo trenzinho circulava pelo local com os pequenos. Entre os pontos diferenciais do Fest, vale citar a praça de alimentação com 70% das opções vegetarianas, além de uma feirinha sustentável, com venda de cosméticos naturais, tecidos reciclados e até frutas orgânicas a preços acessíveis como opção. A água também foi distribuída gratuitamente, como nas edições anteriores. Diretamente de Pernambuco, a banda Os Garotin animou bastante o público, que cantou junto várias de suas músicas, que misturam forró, samba, pop, rock e outros ritmos nordestinos. Destaque também pra Fat Family, que trouxe nostalgia cantando Tim Maia, fazendo geral lembrar das dancinhas dos velhos tempos. Sem dúvida a diversidade é um dos pontos altos do Arvo. O festival reune diversos estilos e gêneros musicais, permitindo ao público se surpreender com novidades ao mesmo tempo em que desfruta daquilo que já gosta. Assim, BK fez um showzão pra uma platéia atenta! Um dos principais nomes do rap brasileiro atualmente, mandou nas letras afiadas e no visual pesadão! Depois, aquela reggaera clássica do Ponto de Equilíbrio também foi um dos momentos marcantes. Exaltando a erva santa e a mãe natureza, a banda contou com a participação da Nega no vocal, ao lado de Hélio Bentes, jogando a energia lá pra cima. Segundo dia do ARVO manteve pegada forte Já no sábado, antes do sol se pôr, um dos shows mais aguardados: o “maioral”, eterno rei do samba, Zeca Pagodinho revelou todo seu carisma, cantando, brincando, conversando bastante com o público, bebendo sua cervejinha de sempre e até umas tacinhas de vinho durante a apresentação. Falando em drinks, Sandra Sá entrou no palco com uma taça de champagne e apresentou vários clássicos de sua carreira, como Retratos e Canções e Bye Bye Tristeza. Entre os discursos que fez, lembrou sua luta antiracista e as vezes que foi criticada por exaltar a música negra: “MPB, Música PRETA Brasileira”, gritou. Reforçando a representatividade regional, Tião Carvalho, do Maranhão, foi uma linda surpresa para o público, trazendo um pouco da rica cultura musical do Nordeste para o palco. Uma apresentação potente, com destaque pra música Nós, uma de suas composições mais famosas, imortalizada na voz de Cássia Eller. Vale ressaltar que o evento leva o selo Woman Music Event, com 53% de artistas femininas nos palcos, além da representatividade LGBTQIAP+ e da postura contra o assédio, por meio de informes constantes nos palcos e de espaço de acolhimento disponível para quem sentisse algum desconforto ou situação desse tipo. #nãoénão Entre as cantoras, Joyce Alane, Iara Ferreira, Ju Linhares, Juliana D Passos e a maravilhosa Marina Sena, encantando a todos com sua voz doce e letras sinceras. Exclusive e os Cabides, Dazaranha, Yago Opropio, O Rosa e Mano Brown completam o line. Esse último, fechando a noite em grande estilo, mandando aquele papo reto que só ele pode sobre temas importantes da vida urbana. Mais uma vez, o ARVO foi uma experiência incrível, ainda mais com o sol que brilhou na Ilha da Magia durante todo o fim de semana. Uma verdadeira celebração da música brasileira!
Simple Minds encanta com nostalgia em show mergulhado nos anos 1980

Redescoberta pelas novas gerações com os superhits oitentistas Don’t You (Forget About Me) e Alive and Kicking, a banda escocesa Simple Minds voltou ao Brasil após 12 anos para um show único no Espaço Unimed, em São Paulo, no último domingo (4). Com a casa cheia, mas não lotada, Jim Kerr, Charlie Burchill e companhia brindaram o público com um set de 1h40 de duração, 17 músicas e com um foco maior no auge do grupo (1982 – 1995). Apenas duas faixas foram da fase seguinte, mas sem nenhuma inclusão do álbum mais recente, Direction of the Heart (2022). Estranhamente a primeira parte do show teve uma recepção morna do público, contrastando com a imagem que os artistas têm dos fãs brasileiros. Nas primeiras seis músicas, nada de muita euforia. Aos 65 anos, Jim Kerr não reduziu sua intensidade no palco. Dança, anda de um lado para o outro, mexe com o público o tempo todo. É o grande líder, apesar do guitarrista original, Charlie Burchill, também arrancar muitos aplausos. Mas a virada de chave do público começou com She’s a River, com a backing vocal Sarah Brown soltando o vozeirão, enquanto a baterista Cherisse Osei emendou um solo de bateria que arrancou aplausos e gritos dos fãs. Com o palco pavimentado, as coisas ficaram mais fáceis para Jim Kerr brilhar ainda mais. See the Lights e Once Upon a Time vieram em sequência, garantindo um retorno mais efusivo dos fãs. Mergulhando de cabeça no maior sucesso da carreira, o álbum Once Upon a Time (o único a alcançar um top 10 fora do Reino Unido), de 1985, o Simple Minds não tirou mais o pé do acelerador. Acabava uma música e engatava outra: I Wish You Were Here, All the Things She Said, Don’t You (Forget About Me) e Ghost Dancing. Dessa sequência arrebatadora, a única que não pertence ao discão dos escoceses é o super hit Don’t You (Forget About Me), que tem uma história curiosa na trajetória da banda. Composta pelo produtor musical Keith Forsey e o guitarrista Steve Schiff para o filme Clube dos Cinco (1985), a música foi oferecida para diversos artistas, mas todos recusaram. Os artistas a consideraram bobinha demais ou não tinham tempo para investir nela, caso de Bryan Ferry, do Roxy Music. O próprio Jim Kerr chegou a declarar que não estava interessado em uma composição sobre adolescentes norte-americanos. Felizmente, sua esposa na época, Chrissie Hynde, vocalista do The Pretenders, o convenceu de gravar a canção. O sucesso foi imediato! Don’t You (Forget About Me) entrou no início e fim do filme de John Hughes. O Simple Minds deixou de ser uma banda queridinha apenas no Reino Unido e se tornou um fenômeno mundial, incluindo anos depois o Brasil em sua rota pela primeira vez, quando se apresentou no Hollywood Rock 1988. A banda conseguiu aproveitar o hype até meados dos anos 1990, quando passou a perder força em meio ao surgimento de uma nova era do britpop, com nomes como Oasis, Blur, Pulp, entre outros. Mas a curiosidade é que a banda nunca encerrou as atividades. Fez algumas pausas curtas sem turnês, mas se manteve ativa. O sumiço não foi algo notado apenas por brasileiros. Em entrevista ao The Independent, em 2023, Jim Kerr falou sobre esse “isolamento não forçado”. “As pessoas me perguntavam: ‘a banda ainda está na ativa? Você ainda está na banda?’”. No entanto, as coisas mudaram após a pandemia. No ano passado, eles deram início à maior turnê desde os anos 1980, com shows esgotados na Inglaterra, Escócia, Estados Unidos, Canadá, além da participação em festivais até chegar à América do Sul. Voltando para o show em São Paulo, mais nostalgia na reta final. O Simple Minds incluiu mais três canções de Once Upon a Time: Ghost Dancing, que foi a deixa para o público pedir bis, o outro superhit Alive and Kicking, além de Sanctify Yourself, fechando o show. Confira setlist Waterfront The Signal and the Noise Speed Your Love to Me Big Sleep Hypnotised This Fear of Gods She’s a River (Drum solo) See the Lights Once Upon a Time I Wish You Were Here All the Things She Said Don’t You (Forget About Me) Ghost Dancing BIS Dolphins Someone Somewhere in Summertime Alive and Kicking Sanctify Yourself
Último show de Gilberto Gil em São Paulo tem encontro emocionante com a filha

Em tempos de setlists decorados e repetitivos, o fator surpresa sempre garante um momento único e especial para artistas e público. Se a surpresa emociona, o resultado é ainda maior. Dificilmente choro durante um show, mas o encontro de Gilberto Gil com a filha, Preta Gil, no Allianz Parque, na noite do último sábado (26), foi memorável, genuíno e, imediatamente, a emoção tomou conta de mim e boa parte do público. A escolha da música também não poderia ser mais acertada, Drão, que foi feita para a mãe de Preta, Sandra Gadelha, logo após a separação dos dois. Preta entrou amparada por uma das irmãs, Nara Gil, que também é backing vocal do pai. Visivelmente emocionada, logo foi aclamada pelo público, que bradou forte: “Preta! Preta! Preta!”. A demonstração de carinho também mexeu bastante com Gilberto Gil. O icônico artista, de 82 anos, precisou secar as lágrimas após a saída da filha. Preta Gil estava internada desde o dia 1º de abril no Hospital Copa Star, no Rio de Janeiro, e foi transferida para o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, onde recebeu alta no último dia 16. Recentemente, Gilberto Gil disse que a ida de Preta para os EUA para fazer o tratamento experimental não está definida. Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por Gilberto Gil – Última Turnê (@giltemporei) Além de Preta, Gil também recebeu Nando Reis, que cantou A Gente Precisa Ver o Luar. As participações especiais na turnê Tempo Rei são frequentes. Até o momento, Arnaldo Antunes, Flor Gil, Sandy, MC Hariel, Liniker, Anitta, Russo Passapusso, Margareth Menezes, entre outros. Mas, além do momento emocionante com Preta e a participação de Nando Reis, Gil encanta com a disposição. Não dá sinais algum de sentir o tal “peso da idade”. Longe disso! Ele dança, canta, emociona, brinca com o público. Tem disposição que muito artista novo não tem. Felizmente, nos últimos 30 anos, consegui acompanhar muito da carreira de Gil. Dos shows no ginásio do Sesc Santos à visita na casa dele, em pleno o Carnaval de Salvador, quando ele recebeu uma comitiva com jovens do Instituto Arte no Dique, de Santos, da qual fiz parte. Gil também veio ao instituto, que desenvolve um trabalho impecável em uma das maiores favelas sobre palafitas do Brasil, além de ter participado da maior ação social do Blog n’ Roll, o Juntos Pela Vila Gilda, quando gravou dois sons durante a pandemia da covid. Diante disso, assistir Gil em cena, tão motivado e enérgico, traz lembranças afetivas. Aprender sobre Gil começou em casa, com meus pais, mas tive uma “pós-graduação” com José Virgílio, presidente do Arte no Dique e amigo desse gigante artista e melhor ministro da Cultura que o Brasil já teve. O cancioneiro imenso dele está quase todo presente na apresentação. Durante 2h30 de show, Gil passeou por quase todos os álbuns do período 1965 até 1984. E a apresentação não perde força em nenhum momento. Começa com Palco, Banda Um e Tempo Rei, tem um recheio com Refazenda e Refavela, finalizando com Aquele Abraço, Esperando na Janela e Toda Menina Baiana. Dentre os momentos de destaque da apresentação também estão Cálice, clássico anticensura de Gil e Chico Buarque, que veio acompanhado de um vídeo explicativo (necessário nos dias atuais) do coautor da canção. Durante a exibição do vídeo, o público bradou: “sem anistia!”. Hinos como Esotérico, Expresso 2222, Se Eu Quiser Falar com Deus e Punk da Periferia também mexeram bastante com os fãs, que cantaram a plenos pulmões cada estrofe dessas faixas. Se é uma despedida de fato, como foi anunciado antes da tour começar, só o tempo dirá. Mas o tempo caminha junto com Gil e isso fica evidente do início ao fim. Não será estranho se uma continuação nos palcos for confirmada. Gil ainda está muito firme, forte e atual. Mas enquanto não temos essa confirmação, vale se programar. A turnê Tempo Rei tem mais 11 datas até o fim do ano, passando por Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba, Belém, Porto Alegre, Fortaleza e Recife. Confira as datas e compre os ingressos aqui. Reparação histórica Sei que pode soar repetitivo isso, mas o trabalho que a 30e vem desenvolvendo com os artistas nacionais é de tirar o chapéu. A produtora simplesmente está por trás de quase todas as grandes turnês nacionais por estádios. Dessa forma, ForFun, Natiruts, NX Zero, Ney Matogrosso, Jão, Gilberto Gil e Titãs puderam se apresentar nos principais palcos do Brasil, algo que parecia restrito aos artistas internacionais nas últimas décadas. Quando poderíamos imaginar assistir QUATRO shows esgotados de Gil no Allianz Parque, o melhor palco do Brasil? São praticamente 200 mil pessoas somente na Capital. Titãs e Natiruts também com sequências grandes. Esperamos poder ter mais turnês incríveis com essa estrutura de show internacional por aqui. Artistas em potencial temos de sobra: Chico Buarque, Jorge Ben Jor, Skank (retorno?), Barão Vermelho (com Frejat?), Los Hermanos, entre muitos outros.