Metallica incendeia Morumbi em noite de nostalgia

Foram dois anos de espera até o Metallica, enfim, se apresentar no estádio do Morumbi, em São Paulo. O atraso causado pela pandemia, no entanto, não tirou o ímpeto da banda, muito menos dos fãs, que lotaram a casa do tricolor paulista em plena terça-feira. Aliás, quem comprou ingresso para ver o Metallica, ganhou dois shows incríveis de abertura: Ego Kill Talent e Greta Van Fleet, que iniciaram os trabalhos ainda no fim da tarde. Ego Kill Talent A primeira banda a subir ao foi o Ego Kill Talent, que recentemente fez um show tributo a Taylor Hawkins, do Foo Fighters, no Lollapalooza. A banda paulistana teve apenas 30 minutos para dar o recado, mas aproveitou muito bem o tempo, emendando um som atrás do outro sem enrolação e conversa fiada. Na bagagem, trouxe o excelente segundo álbum de estúdio, The Dance Between Extremes, lançado no ano passado. O set curto, com sete canções, equilibra bem um pouco de cada um dos dois álbuns de estúdio. E o mais legal foi ver a recepção e o carinho que o público teve com o grupo, que bom alcance internacional. Greta Van Fleet Logo depois, o Greta Van Fleet, a banda mais “ame ou odeie da atualidade”, apareceu. Em sua terceira apresentação em São Paulo (antes tocou no Lollapalooza e Lolla Parties de 2019), o grupo mostrou ainda mais consistência do que na primeira vez. Os irmãos gêmeos Josh Kiszka e Jake Kiszka, vocal e guitarra, respectivamente, estavam mais à vontade no palco. Logo nas duas primeiras canções conquistaram o público carrancudo do Metallica com o potente alcance vocal e solos absurdos de guitarra. The Battle at Garden’s Gate (2021) respondeu por metade do repertório, composto por apenas oito músicas em quase uma hora de apresentação. No entanto, foram duas canções do disco From The Fires que mais se destacaram no show: Black Smoke Rising logo no começo e Highway Tune, que encerrou a festa. Curioso notar que não somente as canções, mas o figurino e o próprio telão, o tempo todo em preto e branco, garantem um tom mais nostálgico para o show. Impossível não lembrar de Led Zeppelin, mas o Greta mostra que já conseguiu moldar essa influência para algo bastante original. Metallica Com 20 minutos de atraso, o Metallica colocou o Morumbi abaixo com uma estrutura absurda: cinco telões gigantes que revezavam imagens dos integrantes com animações incríveis, além de torres de fogo que esquentaram toda a plateia. Whiplash (Kill ‘Em All, de 1983) abriu a apresentação, tal como nos shows de Curitiba e Porto Alegre. O single de estreia da carreira do Metallica, no longínquo 1983, funcionou como um na porta para quem estava se queixando do pequeno atraso. O peso do início da carreira se manteve na sequência com Ride The Lightning, faixa-título do segundo disco do Metallica, de 1984. Aliás, quem teve a proeza de seguir passando frio após esse início absurdamente quente, esquentou com Fuel, do Reload (1997). Durante a execução, torres de fogo foram acesas no meio da pista e nos dois lados do palco. Conversando com pessoas que ficaram em setores diversos no estádio, ficou quente igual para todos. O repertório do Metallica seguiu muito nostálgico com a inclusão de Seek & Destroy, do álbum de estreia, entoada a plenos pulmões pelos fãs mais apaixonados. Nostalgia dá o tom do show do Metallica A trinca seguinte mostrou que o Metallica não estava disposto a tirar o pé do acelerador. Os dois anos de atraso, felizmente, deixaram os músicos ainda mais empolgados em cena. Em sequência vieram Holier Than Thou, One e Sad but True. A primeira e a terceira do campeão de vendas Black Album (1991) e a segunda do clássico …And Justice for All (1988), responsável pela primeira turnê do Metallica no Brasil, em 1989. Dirty Window (St Anger, 1999) e No Leaf Clover (S&M, 2003), em sequência, foram uma forma encontrada pelos músicos de não deixar passar em branco álbuns mais “recentes” da discografia. Porém, o que estava funcionando mesmo com os fãs e o Metallica conhece bem sua base em São Paulo eram os clássicos, a fase mais pesada da banda. For Whom the Bell Tolls e Creeping Death, do Ride Lightning, vieram em dobradinha, sucedidas por Welcome Home (Sanitarium) e Master of Puppets, do disco de 1986. Bis trouxe dois grandes clássicos A saída rápida do palco, antes do bis, não dá tempo nem de comprar uma bebida com os ambulantes. James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo já retornaram antes de qualquer possibilidade de ação por parte dos fãs. E, aqui, vale ressaltar a disposição dos músicos no palco. Os shows já não têm mais três horas de duração (foram quase duas), mas a disposição de todos os integrantes no palco é impressionante. Todos parecem estar se divertindo o tempo todo. No encore, Spit Out the Bone, último single do álbum mais recente, Hardwired… to Self-Destruct, de 2016, foi a primeira, substituindo Battery, do Master of Puppets. Nothing Else Matters e Enter Sandman para encerrar o show nos remetem ao início dos anos 1990, quando em sua segunda turnê pelo Brasil, em 1993, o Metallica divulgava seu maior sucesso comercial, Black Album, e disputava o posto de maior banda de rock do mundo com o Guns n’ Roses. Enter Sandman, aliás, foi concluída com o estádio inteiro cantando junto, pulando em completo descontrole. A queima de fogos encerrou a noite nostálgica que certamente agradou em cheio os fãs mais antigos do Metallica. Que retornem pela décima vez e mais, se possível. Ninguém vai reclamar. Setlist do Metallica Whiplash Ride the Lightning Fuel Seek & Destroy Holier Than Thou One Sad but True Dirty Window No Leaf Clover For Whom the Bell Tolls Creeping Death Welcome Home (Sanitarium) Master of Puppets BIS: Spit Out the Bone Nothing Else Matters Enter Sandman
Kiss se despede de São Paulo com show no Allianz Parque lotado

A história dos grandes shows internacionais no Brasil se confunde com as visitas do Kiss ao País, que frequenta nossas terras desde 1983. Agora, 39 anos depois da estreia no Brasil, o Kiss se despediu dos fãs de São Paulo. E o bota fora foi em grande estilo, no Allianz Parque lotado! Penúltima parada nacional da End of The Road Tour, São Paulo viveu uma noite especial neste sábado (30). Se em 1983 Creatures of the Night foi o material mais recente na bagagem, dessa vez o Kiss fez um verdadeiro tributo para si mesmo. Destacou Destroyer, o álbum homônimo (1974) e o próprio Creatures of the Night, mas sem esquecer de um grande passeio por quase todos os álbuns. Quem tem acompanhado os últimos shows dessa turnê de despedida do Kiss notou que não há espaço para surpresas. Mas elas não são o ponto alto há tempos. Quem vai assistir ao Kiss, quer ver essa incrível máquina divertida e dançante. O início com Detroit Rock City já mostrou que os bons velhinhos não queriam perder tempo para esquentar o público. Aliás, eles são a banda mais quente do mundo, certo? E antes dos efeitos e pirotecnia, mais sucessos foram distribuídos para os fãs: Shout It Out Loud, Deuce, War Machine e Heaven’s on Fire. Logo depois, Gene Simmons cospe fogo para emendar a clássica I Love It Loud, cantada a plenos pulmões pelos fãs. Aliás, essa canção foi uma das mais tocadas nas rádios na época do primeiro show por aqui. Say Yeah e Cold Gin deram um descanso para os fãs que não são tão fervorosos, além de abrirem espaço para o primeiro solo cheio de efeitos da noite, com o guitarrista Tommy Thayer. Lick It Up e Calling Dr. Love, logo na sequência, relembraram o Kiss mais sexy, cheio de caras e bocas para o público. A dobradinha funcionou demais para quem estava se acabando na pista. E um grilo no microfone de Paul acabou roubando a cena rapidamente, arrancando risos dos fãs. Tears Are Falling, da época quase esquecida do Kiss sem máscara, antecedeu Psycho Circus, que ficou marcada por uma das vezes em que a banda esteve no Brasil, nos anos 1990. Posteriormente, mais uma sequência de solos. Agora na bateria e no baixo, ambos acompanhados de números divertidos, palco alçado ao topo e repletos de efeitos cenográficos, como o sangue de mentirinha do linguarudo. O solo de baixo, inclusive, é o que abre espaço para Gene Simmons cantar God of Thunder. Hora de inverter os papéis e Paul Stanley assume os vocais. Nesse momento, uma forte chuva desabou sobre o Allianz Parque, mas nada que assustasse esse tiozinho de 70 anos, que mesmo assim voou com a tirolesa até um palco secundário, próximo à pista comum, onde puxou Love Gun. O passeio de Stanley até o meio do gramado também rendeu I Was Made for Lovin’ You, que empolgou demais os fãs. A reta final, antes do bis, ainda teve Black Diamond com Eric Singer fazendo o papel de Peter Criss, cantor original deste clássico. O intervalo do bis foi muito rápido, não deu nem tempo do público gritar pela banda. Enquanto os outros integrantes permaneciam fora de cena, Eric Singer retorna no piano para cantar Beth, com direito a muitos celulares ligados para garantir o clima mais romântico na arena. Do You Love Me, fechando o top 5 de Destroyer, teve a adição de balões pretos e brancos estilizados do Kiss, que caíram em cima do público. O clima festivo teve seu gran finale com o maior hit de todos: Rock and Roll All Nite. Chuva de papéis picados, explosões, cheiro de pólvora e pista queimando de tão quente garantiram uma despedida de encher os olhos. Por fim, vale destacar que os dois líderes da banda, Gene Simmons e Paul Stanley, de 72 e 70 anos, respectivamente, não cantam mais como em outros tempos. Mas a alegria e a emoção de estarem no palco permanecem intactas. RepertórioDetroit Rock CityShout It Out LoudDeuceWar MachineHeaven’s on FireI Love It LoudSay YeahCold GinGuitar SoloLick It UpCalling Dr. LoveTears Are FallingPsycho CircusDrum Solo100,000 YearsBass SoloGod of ThunderLove GunI Was Made for Lovin’ YouBlack Diamond BISBethDo You Love MeRock and Roll All Nite
Resenha de show | Bowling for Soup no O2 Brixton Academy, Londres

Poucos dias antes do show em Brixton, o Bowling for Soup afirmou que o baterista Gary Wiseman havia adoecido e foi levado de volta para os EUA. Jaret Reddick raramente conseguia se lembrar de um show que eles fizeram sem ele em seus 28 anos de banda. Como seria o show? Felizmente, membros das bandas de apoio, The Dollyrots e Lit, entraram (assim como Jaret) na bateria para entregar, como prometido, “um show de rock completo”. As bandas de suporte fizeram exatamente o que era esperado, dois shows curtos, precisos e bem dosados. The Dollyrots com uma pegada mais punk rock, enquanto o Lit mais voltado ao pop punk deram o tom de como seria o desenrolar da noite. Ambas as bandas e o DJ Matt Stocks excursionaram juntos durante os 11 shows pelo Reino Unido, nomeando a tour de Crowd Surf the UK Tour. Antes do Bowling for Soup entrar no palco, Jaret apareceu sozinho e tocou uma versão acústica de Turbulence, do LP Fishin’ for Woos, de 2011. A ausência de Gary foi sentida. A bateria do Bowling for Soup tinha Greatest of All Time escrito nela, a faixa de abertura de seu novo LP: Pop Drunk Snot Bread. No entanto, estar desfalcado não significa que o show estava com falta ou esgotado de energia. A vibe era a mesma (as pessoas já tinham bebido o suficiente) para se entregar e extravasar com a trilha de outrora e dos clássicos My Hometown e High School Never Ends. Com o lançamento de Pop Drunk Snot Bread, algumas músicas deste álbum foram tocadas, incluindo a última faixa revelada, I Wanna Be Brad Pitt, além de Alexa Bliss, sobre a atual lutadora da WWE, que apareceu no vídeo para esta música. Essa música será lembrada na Brixton Academy por vários motivos. A banda parou Alexa Bliss no meio. Não porque houve uma briga (como geralmente é a causa), mas porque a banda sentiu que um membro da plateia estava angustiado!?. A banda explicou que eles haviam parado de tocar no passado, pois sentiram que as pessoas haviam perdido sapatos e óculos e depois os encontraram. A banda deu bastante tempo e fez com que os membros da plateia recuassem para que pudessem ser feitas tentativas de encontrar o telefone de uma pessoa da plateia que havia sido perdido. Este ato de empatia do Bowling for Soup aumentou a atmosfera: eles então terminaram de tocar Alexa Bliss, que já virou um clássico instantâneo do Bowling for Soup. Aliás, eles não exageraram no material novo, tocaram apenas duas faixas do Pop Drunk Snot Bread. Embora, a julgar pelo número de camisetas alusivas ao disco, o público teria sido bem receptivo. Inclusive o vocalista citou os números de streaming do álbum em dia, o qual chegou na casa de 4 milhões! No entanto, eles tocaram todos os seus sucessos básicos, incluindo Punk Rock 101 e 1985, além de Girl All the Bad Guys Want. Além de entregar um show honesto devido ao desfalque do baterista e mostrar respeito ao público e um ótimo nível de piadas, eles proporcionaram uma performance única para uma banda onde todos os clichês são respeitados e seguidos a regra, enraizada no status quo pop-punk. Em resumo, isso funcionou desde tocar Last Christmas, do Wham, durante o bis, até mostrar muito humor (aliás isso a banda tem de sobra) através de um Comedy Jam separado, onde os membros do BFS, bem como os integrantes da equipe, faziam piadas ininterruptamente. O guitarrista Chris Burney, que estava de vestido e óculos de Alan Ginsberg, mostrou bom humor ao se virar para mostrar seu traseiro durante 1985, enquanto Jared cantava “ela ia sacudir a bunda no capô do carro do Whitesnake…”. Burney também ocasionalmente liderava a multidão cantando para a banda. A roupa do dia de São Jorge de um membro da equipe foi menos bem recebida; este ainda foi um esforço caloroso de uma banda tentando se conectar mais profunda e intimamente com seus fãs britânicos. Com base na reação quando o BFS anunciou que retornaria ao Reino Unido no final deste ano para um show de Natal, é justo dizer que tudo acabou bem e todo mundo foi embora com o astral lá em cima.
Resenha de show | Dead Can Dance no Eventim Apollo, em Londres

Após 40 anos a banda cult de música gótica neoclássica Dead Can Dance finalmente chegou a Londres, na primeira noite de sua turnê pela Europa, no último domingo (10). Hora de começar, bater um gongo, martelar um dulcimer, dedilhar um bouzouki e emitir declarações sobrenaturais. Este conjunto enigmático é uma referência para o exotismo auditivo em trilhas sonoras de filmes e televisão; pessoalmente, eles entregavam uma mistura inebriante de influências, baseando-se em tradições musicais da Turquia ao Tibete, da Irlanda à Índia. A vocalista Lisa Gerrard é a alta sacerdotisa do gótico global, seu extraordinário contralto ressoando em algum lugar entre a diva da ópera e a cantora sagrada com sua própria linguagem encantatória. Seu parceiro musical Brendan Perry é um vocalista convencionalmente emotivo com um canto de barítono melancólico, para melhor transmitir os sentimentos de The Carnival Is Over e a pompa tribal de Black Sun. A eles se juntaram a cantora/compositora de Shetland Astrid Williamson nos teclados e backing vocals e uma série de cavalheiros barbudos impressionantes em um conjunto orquestral de percussão e sopros. Mesmo com essa formação multi-instrumental, tal era o alcance de suas referências culturais que parte de sua paleta sonora pan-global foi sampleada e tocada por meio de sintetizadores. Com nove álbuns de estúdio em seu catálogo, havia riquezas de sobra. Sua versão de Persian Love Song foi apresentada pela primeira vez em quase 30 anos, enquanto a impressionante interpretação de Gerrard em The Wind That Shakes the Barley e a ressonante Severance de Perry eram mais parecidas com grandes sucessos. O Dead Can Dance o set principal com seu padrão mais catártico e atmosférico, The Host of Seraphim, augurado por doomy drone e tolling toms e elevado a um plano devocional pelos mantras monásticos dos membros da banda e pelo ululado arrepiante e fascinante de Gerrard.
Resenha | Less Than Jake, Millie Manders and the Shutup, The Toasters e Skinny Lister em Londres

Os americanos do Less Than Jake abriram as comemorações dos seus 30 anos de banda com nove shows pelo Reino Unido, sendo que sábado (9) foi o último dessa primeira parte da turnê pela Europa. Posteriormente, a partir de outubro, eles retornam para mais shows na parte continental. Time escolhido a dedo, venue perfeita para a festa, turnê muito bem sucedida até o momento, não tinha como dar errado. Millie Manders and the Shutup Iniciando a festa, Millie Manders and the Shutup foram os primeiros a subir ao palco do Forum Kentish Town. Aliás, um pequeno acidente logo nos primeiros segundos da música inaugural causou um fratura no dedinho da vocalista Millie. No entanto, isso não foi problema em nenhum momento, exceto por impedir ela de tocar seu saxofone em determinados momentos da apresentação. Em resumo, Millie Manders and the Shutup é uma banda maravilhosa ao vivo, na qual a performance vocal se encaixa perfeitamente nos arranjos pesados, com lindas passagens pelo ska, e refrões grudentos fazem tudo funcionar perfeitamente. Não tinha como estar melhor, a banda é fenomenal e a vocalista realmente faz um trabalho excepcional. O vocal dela é a cereja do bolo. The Toasters Logo depois, voltando no tempo e atravessando o oceano, diretamente de Nova York, uma das lenda do ska, The Toasters, entrou em cena. Enfim, o jogo já estava ganho, 40 anos de história, muitos shows, amigos, uma carreira maravilhosa foi construída e um legado incontestável. Infelizmente, um show de 45 minutos deixou um gosto especial no público. Missão cumprida com propriedade! Skinny Lister A penúltima apresentação da noite ficou a cargo dos ingleses da Skinny Lister. A banda entrou em ação como um terremoto. A Skinny mescla folk music com rock, cozinha padrão, porém pontuada com bandolim, violão, sanfona e baixo acústico. As vozes são intercaladas entre os vocalistas. Tudo nesse esquema frenético, como a própria banda no palco. A trinca final da apresentação da Skinny Lister foi o que faltava para deixar o público ainda mais animado para o Less Than Jake. Vieram em sequência, Hamburg Drunk, This Is War e Trouble on Oxford Street. Talvez o mais legal tenha sido que as três bandas deixaram no público uma impressão maravilhosa. Com certeza sets maiores seriam melhores para todos. Afinal, cada uma delas tinha também sua fanbase por lá. Less Than Jake Por fim, chegou a hora dos donos da festa: Less Than Jake! E a receita do bolo é com eles mesmos: muitos hits e piadas entre as músicas, garantindo aquele gran finale em alto nível. A banda toca feliz, JR (trompete) quando não está tocando, está na frente dos monitores dançando com o público. Cris e Roger formam uma dupla perfeita nas vozes, Bobby é o ponto chave nos backings e com um sax afiadíssimo, enquanto Matt é como o coração da banda. O Less Than Jake visitou grande parte da sua discografia, incluiu b-sides, teve como de costume o papel higiênico jogado no público, as bolas gigantes, mascotes inflados ao lado da bateria, piadas das mais diversas possíveis e todos os hits que ainda mostram todo o poder de fogo da banda. Dentre os hits mais festejados, destaques para Automatic, History of a Boring Town e All My Best Friends Are Metalheads. O Less Than Jake já está no célebre hall das bandas dos anos 1990 que estouraram com aquela geração de 1994, e faz jus a isso. Em resumo, a banda faz o show se divertindo, a energia deles é contagiante e talvez isso seja o sucesso. Por fim, podemos destacar que eles estão celebrando 30 anos na melhor forma, desfrutando do reconhecimento trabalho ao longo desses anos e sabem muito bem como fazer e organizar uma bela festa, vide o lineup que colocaram para a gente no último sábado.
Molchat Doma faz post-punk tomar conta da Audio em sua estreia no Brasil

A banda bielorrussa Molchat Doma, fenômeno das redes sociais, enfim debutou no Brasil. A apresentação única ocorreu na noite da última segunda-feira (11), na Audio, em São Paulo. Seguido por uma legião de fãs, o trio não se intimidou e fez grande apresentação. Aliás, a noite não foi iniciada pelos estrangeiros. Responsável por dar início aos trabalhos, a banda paulistana de post-punk Jenni Sex agradou muito o público. Vale destacar a seleção para a escolha do grupo, com um som na mesma temática dos bielorrussos, o grupo brasileiro trouxe canções do EP Songs Through Your Tongue (2018). Molchat Doma Pontuais, o trio de dark wave começou sua apresentação com клетка (Kletka), uma das faixas mais lembradas do álbum Этажи (Etazhi). A música foi o bastante para os fãs entrarem em êxtase absoluto. Nem mesmo a barreira linguística pareceu um problema na noite. Com 20 músicas no setlist, o Molchat Doma conseguiu trazer o melhor dos seus três discos. Em todos os momentos, o público presente na casa de shows não parava de cantar durante um minuto, o que chegou a surpreender o vocalista Egor Shkutko, obrigado a dar o refrão de танцевать (Tancevat) para os fãs cantarem. Junto de Egor, Roman Komogortsev e Pavel Kozlov foram impecáveis durante todo o show. O primeiro faz mágica com sua guitarra e sintetizadores, enquanto o segundo tem um dos baixos mais afiados desta nova geração. No entanto, o melhor ficou para o final, quando o trio trouxe hе cмешно (Ne Smeshno), seguida de Дискотека (Discoteque) e на дне (Na Dne). Após a trinca, a banda se retirou do palco, deixando um gostinho de quero mais. Não demorou muito para eles voltarem para proporcionar uma última dança aos fãs, dessa vez ao som da incrível судно (Sudno), canção que viralizou no TikTok nos últimos meses. Este foi o último de uma série de shows do grupo na América Latina. Anteriormente, eles já haviam passado por Colômbia, Argentina e Chile. Muito bem recebidos na região, é esperado que o Molchat Doma volte para o Brasil o quanto antes.
Resenha de show | Pop chicleteiro do Maroon 5 empolga no Allianz Parque

Dois anos e uma pandemia depois, o Maroon 5 entregou tudo que o público esperava na abertura da mini turnê no Brasil, na noite de terça-feira (5), no Allianz Parque, em São Paulo: hits, carisma e baladas para os apaixonados. Com a arena completamente lotada, Adam Levine e companhia não pouparam para as fãs que mostraram um conjunto vocal poderoso, não aliviando a garganta em nenhum momento. Durante 1h30 de show, o Maroon 5 fez um greatest hits do início ao fim. Mantendo o que apresentou no México, na semana passada, a banda iniciou com os superhits Moves Like Jagger e This Love. Na sequência, Stereo Hearts, do grupo britânico Gym Class Heroes, que gravou a faixa com Adam Levine, aparece no repertório para dar um refresco para quem gritou sem parar nas duas primeiras canções. Muito mais à vontade do que na última turnê, Adam Levine conversou com os fãs, fez juras de amor e pediu desculpas por não falar palavras em português. Após oito turnês no País, o vocalista já se sente até um pouco brasileiro. Mas a Adam Levine sabe que sua principal arma são os hits. E não diminui o ritmo. One More Night, Animals, What Lovers Do e Makes Me Wonder, que surgem na sequência, colocam mais pilha nos fãs. As quatro canções somam mais de 3 bilhões de plays somente no YouTube. Outro momento muito assertivo no repertório foi a dobradinha com Harder to Breathe e Payphone, que caíram como videokê para o público. Ouvir Adam Levine foi um desafio e tanto. Payphone, aliás, foi cantada em versão acústica, bem próxima do público da pista comum, algo possível por conta da passarela que ligava ao palco. Lost e Beautiful Mistake vieram na sequência. Foi a estreia das duas canções, que foram lançadas em 2021, no álbum Jordi, um disco em homenagem ao empresário da banda, Jordan Feldstein, que faleceu aos 40 anos devido a complicações com um coágulo sanguíneo. Sunday Morning e Girls Like You vieram no fim, garantindo aquele ar de despedida em alto nível: público cantando junto, vários gritos histéricos para o vocalista com uma energia lá em cima. Contudo, o Maroon 5 sabia que o público ainda esperava por mais hits. Memories, também do novo álbum, foi a transição para outros dois sucessos avassaladores: She Will Be Loved, que inicia com uma versão acústica, além de Sugar, o gran finale dos norte-americanos. Nesta quarta-feira (6), o Maroon 5 conclui sua rápida passagem pelo Brasil com um show em Porto Alegre. Restam poucos ingressos para a apresentação. Mas se puder dar uma dica, vá! Abertura marcante de Jão para o Maroon 5 Responsável pela abertura da noite, o cantor Jão mostrou seu valor mais uma vez para um grande público. Em 30 minutos conseguiu passar seu recado por meio de um show enérgico e com muito apoio do público do Maroon 5. Acompanhado de duas excelentes backing vocals, uma dupla de metais, além de guitarra, baixo e bateria, Jão pouco falou. Quis aproveitar ao máximo o tempo disponível. O repertório, com nove canções, priorizou o primeiro (Lobos) e o terceiro disco (Pirata), com quatro canções de cada. Uma linda homenagem a Cazuza, aniversariante da semana, completou o set. Tal como fez no Lollapalooza, Jão mostrou personalidade para dar uma nova cara ao clássico O Tempo Não Para. Logo depois, as backing vocals de Jão mostraram muito talento para cantar um trecho à capela de Say My Name, da Destiny’s Child. Vou Morrer Sozinho, A Rua e Idiota, todas autorais de Jão, foram cantadas a plenos pulmões pela plateia, o que só comprova que o momento é dele.
Resenha de show | Rick Wakeman no O2 Shepherd’s Bush Empire, Londres

O icônico musicista britânico Rick Wakeman tocou no O2 Shepherd’s Bush Empire, em Londres, na última quarta-feira (30), com a sua banda. Em resumo, uma apresentação memorável com um compilado de grandes momentos da sua carreira. Quase vinte anos desde a última turnê pelo Reino Unido, o mago dos teclados Rick Wakeman restaurou o English Rock Ensemble para shows em março e abril. Após a apresentação que rolou na última quarta-feira (30), no O2 Shepherd’s Bush Empire, Wakeman ainda passou por Birmingham, Glasgow e Newcastle, além de ter sido a atração principal do HRH Prog XI em Sheffield. O English Rock Ensemble, que acompanha Wakeman, foi originalmente fundado em 1975 como um projeto solo do músico depois de deixar o YES e continuou a tocar juntos de forma intermitente ao longo dos anos com uma formação fluida. Antes do show, Rick Wakeman falou sobre essa conexão e as apresentações. “Nas raras ocasiões em que consigo reunir o English Rock Ensemble, é sempre muito emocionante para mim, pois o setlist determina o line-up. Este show em particular incluirá algumas músicas que várias cantoras cantaram comigo ao longo dos anos e porque estaremos tocando algumas faixas do The Red Planet, também haverá músicos adicionais para fazer justiça à música”. Para o início do show, Rick Wakeman reservou uma belíssima passagem por diversos momentos do icônico álbum Journey to The Centre of The World. Por fim, explicou o quanto era prazeroso revistar essa obra com membros novos na formação da banda que nunca tinha tocado essa música. Com um show de tom intimista, um setlist definitivamente escolhido a dedo, os ingleses apresentaram mais cinco números, todos com uma duração média de 12 minutos: 1984 com um mix dos melhores momentos, Catherine Parr, Merlin the Magician e The Rest of Arthur. Em resumo, essas canções formaram o set nostálgico de Rick, que ainda guardou para o fim uma revisitada no clássico do rock progressivo Starship Trooper, do YES. Definitivamente, uma experiência única no universo do rock, executada com excelência por um dos maiores músicos da história.
Alexisonfire e A Day To Remember promovem noite histórica na Audio

As vertentes do punk e hardcore estão em alta no Lollapalooza Brasil. Se no primeiro dia, Turnstile, Jxdn e Machine Gun Kelly deram as caras, o segundo será dominado por Alexisonfire e A Day To Remember. Aliás, essa dobradinha já passou pelo Rio de Janeiro e por São Paulo durante a semana. Na noite de quinta-feira (24), com a Audio, na Barra Funda, completamente lotada, as bandas mostraram muita disposição e peso no palco. A noite teve início com os canadenses do Alexisonfire. A banda de post hardcore, aliás, não se apresentava no Brasil há dez anos, fato lembrado pelo vocalista, George Pettit, durante o show na Audio. O Alexisonfire veio ao Brasil em 2012, numa turnê de despedida. Felizmente, a situação foi revertida e, em 2015, eles já estavam juntos novamente. Desde aquela apresentação de estreia no Brasil, o grupo não lançou nenhum álbum. Mas a situação mudará em junho, quando vão estrear Otherness, primeiro disco de estúdio em 13 anos. No show na Audio, a banda testou uma das canções do novo álbum com o público. A escolhida foi Sweet Dreams of Otherness, que veio após um início avassalador, que teve três canções de Crisis, álbum de 2006. Sweet Dreams of Otherness não teve um retorno tão empolgante quanto as faixas de abertura do show, mas também não chegou a ser um ponto fraco. Aliás, ponto fraco é algo que não existe em um show do Alexisonfire. Com uma presença muito empolgante de todos os integrantes, ficou difícil os fãs não acompanharem e cantarem juntos, além de atender os pedidos do vocalista por circle pit. Com foco maior em Crisis, o Alexisonfire tentou não deixar nenhum fã insatisfeito com o setlist. Para isso fez passagens por todos os álbuns. O repertório apresentado em 1h20 agradou em cheio. Após o show no Lolla neste sábado (26), o Alexisonfire retorna aos shows no hemisfério norte, com destaque para a participação no Slam Dunk, em junho, na Inglaterra, quando será o headliner do festival junto com Sum 41, Neck Deep, Dropkick Murphys e The Interrupters. Confira abaixo um pouco do show do Alexisonfire A Day To Remember Contemporâneo do Alexisonfire, o A Day To Remember surgiu em Miami, nos Estados Unidos. A sonoridade é um pouco diferente, mas puxada para o metalcore com umas pitadas de pop punk. E se o Alexisonfire será headliner do Slam Dunk, o A Day To Remember será co-headliner do Download Festival, na Inglaterra, em junho, tocando antes do Kiss apenas. Na Audio, a banda mostrou o motivo de estar tão badalada. Conseguiu empolgar ainda mais que o Alexisonfire. A trinca inicial veio carregada de peso e nostalgia, com The Downfall of Us All, All I Want e Paranoia. Fiquei impressionado como o ADTR, tal como Alexisonfire, teve o cuidado de equilibrar bem o setlist. Afinal, foram oito anos sem se apresentar para o público brasileiro. Então nada de blocão com canções do último álbum, You’re Welcome (2021). Foi tudo muito bem espalhado e misturado com o restante da discografia. Tal ação faz com que canções mais recentes tenham desempenho tão forte como os clássicos da banda. Last Chance to Dance (Bad Friend), por exemplo, esquentou ainda mais a pista da Audio. Ótimo feedback dos fãs. You’re Welcome, lançado durante a pandemia, foi o segundo álbum mais lembrado pelos integrantes. Foram quatro canções no show da Audio, sendo superado apenas por Homesick (2009), terceiro trabalho de estúdio do ADTR, que teve cinco faixas executadas. Bad Vibrations (2016), lançado após o último show no Brasil e maior sucesso da banda nas paradas internacionais, foi lembrado com duas músicas: Paranoia, no início da apresentação, além de Reassemble, também muito bem recebida pelo público. Por fim, quem ainda tinha voz e disposição, gastou o que sobrou na trinca final: If It Means a Lot to You, Sometimes You’re the Hammer, Sometimes You’re the Nail e The Plot to Bomb the Panhandle. Impecável! A Day To Remember, Alexisonfire e Turnstile no lineup do Lollapalooza e Lolla Parties foi uma das decisões mais acertadas do festival. Confira abaixo um pouco do show do A Day To Remember