Em casa, Terno Rei toca Gêmeos quase na íntegra no Primavera Sound

Segunda atração do Palco Primavera, neste domingo (6), no Distrito Anhembi, em São Paulo, logo após a norte-americana de origem indiana Raveena, a banda paulistana Terno Rei mostrou muita força diante de um espaço cheio.Com um repertório inteiramente dedicado aos dois últimos álbuns, Gêmeos (2022) e Violeta (2019), o Terno Rei mostrou que a escolha foi certeira. Recentemente criticamos o Planet Hemp por lançar o incrível Jardineiros na Virada SP, em Santos, e tocar apenas uma faixa do disco, que havia sido liberado um dia antes. Gêmeos é mais “antigo”, chegou ao streaming em março, mas foi representado com dez canções no Primavera Sound. Para quem já viu o Terno Rei em outros festivais ou abrindo shows internacionais na Capital, a mudança de foco é necessária. E corajosa, claro. As primeiras três canções do show vieram desse álbum: Esperando Você, Difícil e Brutal. Todas muito bem recebidas e cantadas pelo público. Antes de mudar o foco para o antecessor, Violeta, o vocalista e baixista do Terno Rei, Ale Sater, comentou a emoção de estar no palco do Primavera Sound. “A gente sempre quis ter esse festival aqui. Estamos muito felizes de tocar na nossa cidade preferida, no nosso festival preferido”, disse Sater. A reta final do show, que durou uma hora, guardou os maiores sucessos de stream da banda: Solidão de Volta, Dia Lindo, Retrovisor, Yoko, Olha Só e Dias da Juventude. SETLIST Esperando Você Difícil Brutal 93 Medo Sorte Ainda Internet Estava Ali Isabella Luzes de Natal Trailers Solidão de Volta Dia Lindo Retrovisor Yoko Olha Só Dias da Juventude

Arctic Monkeys debuta The Car no Brasil, mas não esquece hits em São Paulo

Com um disco fresquinho na bagagem, o Arctic Monkeys retornou ao Brasil três anos e meio após sua última passagem por aqui, quando foi headliner do Lollapalooza. E, justamente, com uma canção de The Car, Sculptures of Anything Goes, que a banda de Alex Turner abriu o show principal do primeiro dia do Primavera Sound, no Distrito Anhembi. Muito bem recebida pelos fãs, a faixa mostrou que a banda não precisaria de muito esforço para ter o público na mão. Bastava incluir seus principais hits e colocar os singles do novo álbum que o jogo já estaria ganho. Brainstorm, Snap Out of It, Crying Lightning e Don’t Sit Down ‘Cause I’ve Moved Your Chair em sequência, uma música de cada álbum dos ingleses, mostrou que a ideia era justamente contemplar todos os públicos da banda. Dos mais antigos, que beiravam um punk rock moderninho, até os mais introspectivos das fases mais recentes. AM, maior sucesso comercial da banda, segue sendo o carro-chefe do show, mesmo após o lançamento de outros dois álbuns. Mas Alex Turner e companhia não ignoram os outros trabalhos. Pelo contrário, conseguem um equilíbrio muito bom. A diferença para a apresentação no Lollapalooza está justamente na troca do protagonismo de Tranquility Base Hotel + Casino por The Car. O primeiro aparece mais tímido no setlist, com apenas duas canções, enquanto o mais recente surge com quatro faixas no repertório. Alex Turner melhora show do Arctic Monkeys Ademais, Alex Turner parece mais empolgado em cena, diferente do que vimos em 2019, no Lollapalooza, quando lembrou até Julian Casablancas, do The Strokes, mas sem as piadas idiotas. Algumas canções ganharam novos arranjos, como Four Out Five e 505. Novidades? Do Me a Favour voltou a figurar no Brasil pela primeira vez desde 2012, tal como rolou na véspera, no show do Rio de Janeiro. I Bet You Look Good on the Dancefloor e R U Mine? fecharam a apresentação da melhor forma possível. Impossível foi segurar esse povo todo para o restante do festival, que tinha programação estendida até 2h, com nomes relevantes, inclusive.

Mitski rouba a cena no Palco Primavera e faz um dos melhores shows do festival

A cantora nipo-americana Mitski, de 32 anos, saiu certamente como a artista que mais ganhou público e consolidou fãs no primeiro dia do Primavera Sound São Paulo. No Palco Primavera, logo após o Interpol, que estava no Beck’s, Mitski fez uma apresentação cheia de emoção, sensualidade e repertório consistente. Os dois maiores sucessos comerciais de Mitski, campeões de streams, bury me at makeout creek e Be The Cowboy, dominaram o repertório, com seis e cinco músicas, respectivamente. E foi justamente com os singles desses dois álbuns que a cantora mostrou sua força diante dos fãs. Cantaram juntos o tempo todo.O domínio do palco por parte de Mitski também impressiona. São apenas dez anos de carreira e oito dos primeiros singles com alcance comercial relevante. Mas ela se porta como uma veterana. Repleta de movimentos teatrais e influência nítida da dança contemporânea, a pouco fala com os fãs. Mas diante de um show tão impecável, impossível alguém se queixar dessa “falta de atenção” que o público brasileiro sempre espera dos artistas internacionais.

Primavera: Toda de rosa, Liniker emociona com vocal potente e set forte

Luccas Carlos e a cantora Liniker foram os representantes brasileiros no Palco Primavera, o principal da primeira edição do Primavera Sound, que teve início neste sábado (5). Aliás, Liniker entregou uma das melhores apresentações do dia, logo após o show de Amaia, que aconteceu no Palco Beck’s. Com muita desenvoltura, público na mão e uma banda incrível por trás, a cantora colocou o público para cantar e dançar do início ao fim. E arrancou lágrimas também. Atualmente com 27 anos, Liniker alcançou a fama em 2015, quando despontou nacionalmente e internacionalmente com o grupo Caramelows, lançando o EP Cru. A parceria com o Caramelows rendeu ainda dois ótimos discos, Remonta (2016) e Goela Abaixo (2019), ambos presentes em listas de melhores álbuns do ano. Mas Liniker sabe que é gigante. Hoje brilha em carreira solo, como cantora e atriz. No Palco Primavera, toda de rosa, assim como os integrantes da banda, Liniker cantou, tocou guitarra, dançou, correu de um lado para o outro. Estava muito feliz e à vontade diante de uma plateia muito receptiva. Começou o show com Antes de Tudo, faixa do seu álbum solo de estreia, Indigo Borboleta Anil (2021), que foi a base do repertório.Foi desse álbum que vieram outras canções apresentadas no show, como Mel e Baby 95. “Aplaude e grita porque tem uma travesti no palco”, gritou a artista. Mas nem precisava pedir, o público já estava entregue.

Andrew Tosh emociona público santista com clássicos do pai na Virada SP

Pela primeira vez em Santos, o jamaicano Andrew Tosh emocionou o público com um mix de canções autorais e clássicos do reggae, no domingo (23), durante a Virada SP, na Praça Mauá. Acompanhado de uma banda muito técnica, o filho único do lendário Peter Tosh, um dos fundadores do The Wailers, apresentou um set consistente, com 21 canções, abrindo espaço para participação especial do havaiano Mike Love, que tocou um pouco antes, além de lindas homenagens ao pai. Andrew Tosh, de 55 anos, é um legítimo representante do legado de Peter Tosh. Iniciou a carreira cedo. Aos 13 anos já fazia aulas de piano e compunha as primeiras canções. Aos 18 anos, dois anos antes do pai ser assassinado, vítima de latrocínio (roubo seguido de morte), lançou seus primeiros sons. À época do assassinato, Andrew Tosh emocionou o público cantando Jah Guide e Equal Rights no funeral do pai, em uma arena de Kingston, capital da Jamaica. Desde então, partiu para uma carreira vibrante, intercalando álbuns com canções autorais e outros com canções do pai. Equal Rights, aliás, foi tocada na Praça Mauá, em uma sequência de faixas imortalizadas na voz de Peter Tosh, como African, Coming Hot, Not Gonna Give Up e Downpresser Man, uma música espiritual tradicional afro-americana que foi gravada por vários artistas, incluindo o próprio pai de Andrew. Antes de Legalize It, mais um clássico famoso na voz do pai, já no fim da apresentação, Andrew Tosh defendeu a legalização da maconha em um discurso rápido. “It’s good for the flu / It’s good for asthma / Good for tuberculosis / Even umara composis / Legalize it – don’t criticize it / Legalize it and i will advertise it (algo como É bom para a gripe / Bom para Asma / Bom para Tuberculose / Como também para Trombose de Numara / Legalize-a – Não critique-a / Legalize-a e eu a anunciarei)”, cantou Andrew, sendo ovacionado pelos fãs. E pensar que Legalize It, faixa-título do álbum de estreia de Peter Tosh, foi lançada em 1976. A discussão é velha, mas segue atual em muitos lugares do mundo, inclusive no Brasil. Andrew Tosh ainda guardou três clássicos para o fim: Mystic Man (faixa-título do quarto álbum de estúdio de Peter Tosh), Johnny B Good (versão reggae que o pai gravou para o clássico de Chuck Berry) e Get Up Stand Up (clássico do Wailers, da época que Peter Tosh, Bob Marley e Bunny Wailer, grande mentor de Andrew, se apresentavam juntos).

Em Santos, Supla mostra que tem mais lenha a queimar que Billy Idol

Recentemente, Billy Idol e Supla voltaram aos holofotes por conta de um encontro dos dois no Brasil, durante a passagem do autor de Dancing With Myself pelo Rock in Rio. Enquanto o britânico fez duas apresentações repletas de erros e esquecimento de letras, o Papito segue mostrando que não envelhece jamais. Ok, existe uma diferença de dez anos entre eles (56 e 66 anos, respectivamente), mas a qualidade sonora destoa demais. Divertido e caricato, Supla retornou a Santos e foi o segundo artista a subir no palco da Virada SP, no sábado (22), na Praça Mauá, logo após o Planet Hemp. O repertório foi muito bem equilibrado, passando pelos tempos de Tokyo, banda que Supla teve nos anos 1980, rendendo os hits Humanos e Garota de Berlim, avançando na fase pós Casa dos Artistas (O Charada Brasileiro, 2001) e alcançando os singles mais recentes como Motocicleta Endiabrada e As It Was, versão do hit de Harry Styles. Supla se porta como um grande showman do início ao fim. Sabe como levantar o público, coloca todo mundo para cantar junto e é praticamente um local na Cidade. E, por falar em Billy Idol, o show abriu com Suplaego, divertida faixa com o seguinte trecho: Eu ainda não consegui / Parar de ser eterno / De Beatles a Billy Idol / sempre me disseram / Eu sou muito belo / Que Narciso acha feio / O que não é espelho /De David Bowie a Mick Jagger, me tira daqui. Diante das atuais circunstâncias, Supla está muito mais eterno que Billy Idol, pelo menos para o público brasileiro, levando em consideração os shows recentes.

Na abertura da Virada SP, Planet Hemp esquece “Jardineiros” e foca em clássicos

Foram 22 anos de espera até um novo álbum de estúdio do Planet Hemp. Jardineiros chegou na última sexta-feira (21). Uma visita a Santos também demorou bastante, tendo em vista que as últimas tentativas do Planet Hemp foram canceladas de última hora. No fim da tarde deste sábado (22), Marcelo D2, B-Negão e companhia abriram a programação da Virada SP, na Praça Mauá, em Santos. No entanto, o álbum novo foi praticamente ignorado. A única exceção foi Distopia, single que tem a participação de Criolo. Para os fãs mais antigos, porém, o show foi um prato cheio. Usuário, disco de estreia da banda, lançado em 1995, teve nove faixas lembradas pelo Planet Hemp: Não Compre, Plante!, Legalize Já, Dig Dig Dig (Hempa), Mary Jane, Planet Hemp, Fazendo a Cabeça, A Culpa é de Quem, Deisdazseis e Phunky Buddha. O mais chocante notar é que 27 anos depois do lançamento de Usuário, todas as músicas parecem atuais. Ou pior, ainda mais atuais. Pior porque as denúncias não envelheceram. Tudo que o Planet protestava em 1995, segue sendo motivo de manifestação até hoje. Aliás, o show do Planet Hemp foi palco de muitas manifestações. Entre uma música e outra, gritos de apoio a Lula (PT), candidato à presidência, gritos hostis contra o atual presidente, Bolsonaro (PL), além de discursos inflamados de Marcelo D2 e B-Negão. “Trabalhador vota em trabalhador. Patrão nunca. Patrão nunca!”, gritou D2. “Dia 30 temos uma eleição importante pela frente. Se ganharmos, será uma guerra a partir do dia seguinte. Se perdermos também será uma guerra. Mas se ganhar, sem salto alto. Vamos ficar atentos”, discursou B-Negão. A sessão de nostalgia do Planet Hemp também passou pelo disco Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Pára (1997): Zerovinteum, Seus Amigos, Queimando Tudo e 100% Hardcore foram as lembradas. A apresentação também teve espaço para uma homenagem ao Ratos de Porão, que ganhou uma versão de Crise Geral, faixa do disco Cada dia mais sujo e agressivo (1987), dos paulistanos. O último álbum antes do longo hiato, A Invasão do Sagaz Homem Fumaça (2000), foi lembrado por faixas como Stab, Contexto e Quem Tem Seda? D2, que disse ter comido uma feijoada mais cedo e estava se sentindo pesado, voltou a fazer mais discursos inflamados durante a apresentação. “Preta, mulher, gay e favelada. Quando eu disser Marielle, vocês respondem ‘presente’”, pediu, sendo atendido de forma imediata na homenagem à ex-vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL), assassinada em março de 2018. A trinca final do show, em uma Praça Mauá bem cheia, contou com Samba Makossa (Chico Science & Nação Zumbi), A Culpa é de Quem e Mantenha o Respeito. Positivo para os nostálgicos, negativo para quem está com o álbum novo fresquinho na mente e só pode ouvir Distopia ao vivo. A pesada Taca Fogo, também de Jardineiros, foi lembrada apenas de forma falada por D2.

Um reencontro nostálgico do punk rock santista com Old Crabs, New Grabs e The Bombers

Um reencontro do punk rock nostálgico santista, mas revigorado com novidades que mostram a força do gênero na Baixada Santista. No último domingo (9), as bandas The Bombers e Old Crabs, New Grabs ocuparam o Started Hookah Lounge and Food, em Santos, com repertórios interessantes e novidades na bagagem. O Old Crabs, New Grabs subiu ao palco primeiro. Versão 2.0 do Dead Crab, banda de hardcore que surgiu no início dos anos 1990, o grupo apresentou um set com canções do início da carreira e algumas novidades. O Dead Crab foi uma das primeiras bandas de Wagner Reis, o Bola, do Garage Fuzz. Atualmente traz em sua formação nomes de várias formações do Dead Crab: Paulo Athayde, vocal (ex-Dead Crab), Tarcisio Barja (guitarra, ex-Dead Crab, ex-Blind), Daniel Adriao (baixo, ex-Zero Dollar, ex-Agentes) e Adriano Molas (bateria, ex-Dead Crab, ex-Figment). O Old Crabs, New Grabs ressurgiu no fim de 2019 com a ideia de tocar covers e relembrar o Dead Crab. No entanto, o retorno foi ganhando consistência e músicas novas surgiram. Algumas delas foram tocadas no último domingo, como Lockdown, feita durante a pandemia. O mesmo vale para Until My Last Breath e Shelter. Outras soaram como nostalgia para o público, como Trapped in Myself, que fechou o show. Essa foi uma das primeiras faixas do Dead Crab. Em breve, o Old Crabs, New Grabs deve lançar nas plataformas de streaming um “ensaião”, gravado com todos os integrantes dentro do estúdio. Um álbum cheio não está descartado. The Bombers Como um bom vinho, quanto mais velho, melhor! Esse é o caso do The Bombers. Com um set enxuto e repleto de novidades, a banda testou o seu mais recente álbum, Alma em Desmanche, totalmente em português. Foram sete canções do disco no repertório. Aliás, cabe uma explicação do vocalista, Matheus Krempel, sobre o álbum. “Estamos divulgando esse álbum para quem vai nos shows. Por enquanto só estamos com a versão física, que é vendida nos shows. A versão digital só chegará no fim de novembro”. A ideia dos integrantes é priorizar a audição para quem vai aos shows e compra o CD. Alma em Desmanche traz canções lançadas em EPs exclusivos no Bandcamp, além do EP Bumerangue (2020). Ardendo em Chamas, a primeira apresentada do novo álbum, parece muito bem integrada ao repertório. Veio para ficar nos sets do Bombers. Deixa Ser, Não Vencer Não é Perder, A Morte e Mudamento empolgam também. Mostram uma banda em completa evolução e sempre disposta a sair da zona de conforto. Faz isso como poucos. O set também guarda espaço para os fãs mais nostálgicos. Nesse caso, My Way, My Strenght, Designated Driver, Mestre Jonas, Não Sei Nada e All About Love foram mantidas. As canções representam várias fases do Bombers. A etapa final foi caprichada: O Fantasma, single mais recente que ganhou videoclipe, a clássica Smiling e Come Back Home, que não estava prevista no repertório.