Crítica | The Wildhearts – 21st Century Love Songs

Com uma capa que remete aos filmes de terror e um videoclipe no melhor estilo “gore” para a faixa Sleepaway, The Wildhearts está de volta. O retorno acontece dois anos após o seu último álbum de estúdio, o aclamado Renaissance Men. No filme Pânico 2, o personagem Randy Meeks (Jamie Kennedy) apresenta uma teoria sobre as três regras das sequências de filmes, onde segundo ele: “a contagem de corpos é sempre maior, as cenas de morte são mais elaboradas e com muito mais sangue. E nunca, nunca, sob quaisquer circunstâncias, presuma que o assassino está morto”. Contudo, se aplicarmos essa teoria ao disco novo dos Wildhearts, dá para se ter uma boa ideia sobre o que os caras aprontaram nesse que é o décimo disco da carreira da banda, 21st Century Love Songs, lançado pela Graphite Records. As músicas nunca soaram tão complexas, com passagens alucinadas que vão do metal ao punk, passando pelo rockabilly e desembocando em refrãos extremamente pop, com uma naturalidade que só mesmo o Wildhearts sabe produzir. Os temas seguem tratando sobre o cotidiano e a eterna batalha pela sanidade mental, ainda mais em um mundo devastado pelo covid. No entanto, algumas músicas trazem uma mensagem um tanto positiva e isso, por si só, já é uma grata surpresa. Surpresas nas mais complexas Por mais que músicas como A Physical Exorcism e You do You sigam uma linha um pouco mais convencional de hits e soam amigáveis aos ouvidos logo na primeira audição, são nas mais complexas que a banda surpreende e nos presenteia com músicas, que são verdadeiros passeios turísticos pela mente criativa do vocalista Ginger. Sleepaway, Directions e Institutional Submission, que começa tão feroz quanto uma música do Discharge, mas mesmo assim ainda consegue encontrar curvas que a levam a um refrão mais power pop. Um disco impecável, indicado para fãs de música rock, sem preconceitos. Guitarras altas, vocais berrados, bateria e baixo pulsantes protegendo belíssimas melodias. Aliás, funcionam como prêmios a todos os bem aventurados dispostos a desbravar esse mar de riffs e refrões até o fim. Seguindo a lógica da teoria do Randy e transportando ela para a discografia da banda, está tudo aí, incluindo a terceira regra. “Nunca presuma que o assassino está morto”. Por fim, a julgar por esse disco, os Wildhearts estão bem longe de estarem mortos. Ainda bem!
Resenha | Punk in Drublic em Hatfield: Nofx, Frank Turner, Anti-Flag, Alkaline Trio e muito mais

Em 2019, quando foi anunciado o line-up para a edição do Slam Dunk foi uma surpresa enorme, pois também incluíram a tour Punk in Drublic dentro da programação. A tour basicamente fez diversos shows pela Europa e entrou no cronograma britânico com duas apresentações, uma no norte e uma no sul do país. Vamos lá, após o sucesso da primeira edição da Punk in Drublic, obviamente, já para o ano seguinte anunciaram novamente. Claro, expectativa lá em cima, diversos nomes de peso…e nem precisa dizer o resto: covid-19, cancelamentos, remarcações, e tudo que já era da nossa rotina nesses últimos 18 meses. Agora falando um pouco do Slam Dunk, o festival acontece em um final de semana, com a primeira perna em Leeds e a segunda em Hatfield, cidadezinha muito próxima a Londres, meia hora de trem praticamente. Desde abril/maio, quando começaram os relaxamentos das restrições, ficou uma incerteza muito grande sobre o retorno da música ao vivo. Aliás, isso afetou grande parte do line-up do festival e, consequentemente, a Punk in Drublic. Punk in Drublic com baixas Em resumo, o Punk in Drublic é um festival dentro de um festival, creio que seja a forma mais fácil de explicar. O line-up infelizmente sofreu diversas alterações nesse tempo. Infelizmente, bandas como Reel Big Fish, Me First and the Gimme Gimmes, The Vandals, Pennywise, Face to Face e Days n’ Daze não se apresentaram, praticamente todo o line-up anunciado no final de 2019. Porém, elas foram sofrendo as baixas durante os anúncios que eram feitos durante o período, tanto que o Pennywise cancelou faltando dez dias para o festival rolar. Enfim, vamos voltar ao começo. Moro no sudeste de Londres, ou seja para ir ao festival precisaria ao menos de uma hora e quarenta para chegar, porém os trens aos domingos sofrem alterações nos horários e quetais, então isso demandou mais tempo, mas o problema não seria a ida, mas a volta… Chegando ao parque de Hatfield, a primeira missão foi entrar. Em 2019, o credenciamento era bem na entrada, tudo mais fácil, mas esse ano devido às restrições (?) foi um pouco mais burocrático. Porém, nada que meia hora a mais tudo fosse resolvido. Os shows do Punk in Drublic Primeira banda a se apresentar foi The Baboon Show, um quarteto sueco, que faz um rock n’ roll na linha Hellacopters, AC/DC. Uma pedida excelente para abrir o dia e iniciar os shows no palco Punk In Drublic. As bandas iniciam os shows cedo. O The Baboon Show começou a tocar às 11:45, com um set de meia hora. Foi ótimo para ter uma ideia do som da banda. Aliás, deixou uma grande brecha para ir a fundo no trabalho da banda. Pausa rápida, pegar um bebida e voltar para a segunda banda: os ingleses do Buster Shuffle. Uma abordagem totalmente oposta à primeira banda, porém com uma acidez enorme no discurso. Eles fizeram um show dançante e muito divertido, com o piano ditando a levada do som, deixa tudo mais gostoso de ouvir. Contudo, não faltou “elogios” ao primeiro-ministro Boris Johnson. “He is a cunt isn’t“, dizia Jet, do Buster Shuffle. Terceira banda, prata da casa, os ingleses do Snuff. Banda clássica que lá nos anos 1990 foi do cast da Fat Wreck. Dispensa apresentações, jogo ganho, público em peso e só estava na terceira banda… O festival ofereceu uma grande variedade para comer, então isso não foi um problema. Uma coisa que até então estava funcionando muito bem eram as máquinas para pagamento em cartão. Isso foi excelente, pois na edição anterior não foi lá essas coisas. No entanto, o serviço de wi-fi funcionou até um período e o celular, enfim, não funcionou para poder ver os shows e não ficar preso a ele. Velhos conhecidos do Slam Dunk Quarta banda, mais uma inglesa e velha conhecida do Slam Dunk, o Capdown voltou ao palco do festival. Dez anos atrás eles fizeram um show de reunião e foi mais um ótima pedida para as reposições do festival. Dando sequência, outra banda que já passou pelo Slam Dunk algumas vezes, a Zebrahead. Como em todos os shows deles, foi uma festa do início ao fim. Também foram os dois primeiros shows por aqui com o novo integrante, o guitarrista e vocalista Adrian Estrella, que também toca no Mest. Enfim, um excelente show como de costume. Mais uma banda inglesa e outra velha conhecida do festival, o The Skints subiu ao palco e com um clima perfeito foi fácil para eles deixarem o público na mão deles. Eles, definitivamente, foram o divisor de águas no meio dos shows. Poderia dizer que foi meu show favorito do dia facilmente. Porém, só estava na metade e, agora em diante, todos os shows eram jogos ganhos. Daí por diante, Anti-Flag veio com todo o seu discurso. Chris 2 abusando dos pulos, hit atrás de hit e o público em cima. This Is the End (For You My Friend), Hate Conquers All e Brandenburg Gate marcaram presença no set. Deixou o caminho livre para o Alkaline Trio. Os headliners O Alkaline Trio deu um frescor e uma leveza. E nem preciso dizer que o set foi um greatest hits. Público cantando uníssono. Incrível! Com Matt Skiba, também integrante do blink-182, no comando de tudo, o Alkaline Trio desfilou as queridinhas do público Mercy Me, Private Eye, Armageddon e We’ve Had Enough. Penúltimo show, mais uma figurinha carimbada, um dos caras mais boa praça da atualidade: Frank Turner & The Sleeping Souls. No palco, ele fez o serviço da melhor forma possível, jogo ganho obviamente. Set list na medida, com direito à uma versão acústica de Linoleum, do Nofx. Deixou aberta as portas aos donos do festival, para encerrar o dia da melhor forma possível. Nofx no palco, dancinhas, falatório descompensado, uma avalanche sonora, mais falatório, mais música, piadas, palhaçadas e isso tudo que já estamos calejados nos shows deles. Se Dinosaurs Will Die já deu a prévia do que viria pela frente logo
Com dois brasileiros na formação, Popes of Chillitown mostra força em Londres

Com a retomada dos shows em Londres, a bola da vez foi o Popes of Chillitown, que fez uma apresentação perfeita para começar o final de semana, na última sexta-feira (20). A venue da vez foi o New Cross Inn, no sudeste de Londres, uma casa muito legal e aconchegante para um show. Som alto e cerveja gelada dão o tom da noite. Em sua formação, o Popes of Chillitown conta com dois brasileiros. Aliás, isso torna ainda mais interessante a química da banda que em sua sonoridade mescla diversos estilos e resulta em um belo mix. O show serviu como aquecimento para o Slamdunk, que vai acontecer em duas semanas. Voltando um pouco a falar sobre os brasileiros, um deles é o Trosso , sax e vocal no Abraskadabra. Recentemente, ele também lançou um álbum solo, ambos com estilos diferentes. No entanto, com uma qualidade impecável, realmente vale muito a pena ir atrás dos dois e conferir. Primeiramente, o show caótico do Popes está mantido. Logo de início, eles deixaram todos boquiabertos com a dobradinha de abertura do álbum Work Hard, Play Hard, See You In the Graveyard, com as músicas Prang e Get Off/Get On. A apresentação seguiu nesse ritmo, com a troca de beat e tempo nas músicas, assim como as trocas de vozes. Aliás, os sopros dão um charme extra na sonoridade, deixando uma massa sonora cheia de texturas e nuances. Passeio pela discografia do Popes of Chillitown O set passeou pelos três discos lançados pela banda. Blame Game, do A Word to the Wise, fechou o primeiro bloco. Posteriormente, com o jogo ganho, o resto do show foi se desenrolando sem muitas pausas. Contudo, posso citar diversos destaques da apresentação. Músicas como Winsdom Teeth, Vamos a La Luna, Opoom, entre outras consolidam o Popes of Chillitown como uma das grandes bandas do seu estilo. Certamente merecem um grande destaque. Aliás, a cena independente de Londres é muito rica. Vale muito a pena falar sobre algumas delas por aqui… Logo mais tem mais.
Em Londres, Yungblud celebra retomada dos shows com público

Creio que antes de falarmos sobre o Yungblud, devo exaltar que os shows estão voltando a acontecer em Londres. Aliás, isso nos dá uma grande motivação e alegria, pois aos poucos estamos conseguindo virar essa página. Bem, foi quase um ano e meio sem atividades musicais por aqui, diversos cancelamentos, alterações de datas, prejuízos, trabalhos perdidos e uma série de coisas nesse tempo. Gradativamente, as coisas estão se encaminhando para a normalidade. Porém, algumas regras são claras e básicas a serem seguidas. A principal delas é a vacina: se foi vacinado, entra no show. Caso contrário, vai ficar de fora. Bem, com quatro noites de sold out no O2 Forum Kentish Town, em Londres, ficou muito fácil de entender todo o buzz em cima do Yungblud. Dominic Richard Harrison, nome de batismo desse britânico de 24 anos, é um artista com uma abordagem muito peculiar. Ele mescla diversas referências e isso o torna muito especial. Em resumo, sua música passeia entre o rock, levadas de ska, pitadas de hip hop, tudo isso somado com um visual forte, além de um carisma único. Com uma produção impecável, fãs levados na palma da mão, além de hit atrás de hit, ficou fácil entender a popularidade e o sucesso por trás da persona Yungblud. Sinergia perfeita de Yungblud com os fãs A interação entre o artista e o público é linda, emocionante. Em diversos momentos fica nítida a felicidade de Yungblud em estar em cima do palco, com os refrões cantados a todo pulmão pela plateia inúmeras vezes. Aliás, os músicos esboçavam sorrisos e olhares felizes entre eles. Com uma fanbase jovem, o discurso é super forte por parte do frontman. Temas como racismo e sexismo são abordados nos intervalos das músicas. Contudo, todos os elementos do show promovem uma linda estética, deixando diversas atmosferas diferentes em um único espaço. Como já falado anteriormente, os hits estavam lá: I Love You, Will You Marry Me, Anarchist, Weird!, além também da inclusão de um single novo, Fleabag. Por fim, um releitura de I Think I’m Okay, de Machine Gun Kelly. Enfim, um grande show de um artista de uma expressão artística enorme, uma cara nova em um período onde é necessário a reciclagem.
The Bombers relembra a história de Rubin Carter na era dos cancelamentos

Em 1976, Bob Dylan lançava o álbum Desire, o décimo sétimo de sua carreira na época. A faixa de abertura do disco, com oito minutos e meio de duração, traz a história do pugilista Rubin Carter, o furacão, condenado injustamente a prisão perpétua em 1966 pelo crime de triplo homicídio. Rubin era um dos melhores boxeadores peso médio de seu tempo, conhecido popularmente como Hurricane, o mesmo nome da música de Dylan. A prisão tirou a possibilidade de Rubin disputar o título de campeão mundial e o seu caso, até hoje, é uma emblemática demonstração de racismo e de manipulação da justiça americana. O Hurricane ganhou liberdade apenas em 1985, após a anulação do seu julgamento, e quase dez anos depois do lançamento do álbum Desire, considerado um dos melhores de todos os tempos pela revista Rolling Stone, em 2003. A história de Rubin Carter é tão importante que além de livros e música, ele também ganhou uma versão nos cinemas, sendo interpretado pelo ator Denzel Washington no filme The Hurricane, lançado em 1999. Cancelamento No recente EP do grupo santista The Bombers, intitulado Você sabia que Rubin Carter era inocente?, a banda faz menção ao caso e mesmo sem citá-lo diretamente na faixa Mudamento, traz o tema “cancelamento” à tona em clima de ska punk. O estilo, inclusive, é semelhante aos primórdios do grupo com o 7 Songs, primeiro disco da banda e lançado em 1998. No entanto, a faixa também mistura um pouco de Sublime e Goldfinger. Talvez não seja possível comparar musicalmente as canções Hurricane e Mudamento, mas um paralelo histórico diante dos tribunais condenatórios e injustiças faça mais sentido. As redes sociais são vitrines capazes de criar grande comoção, ampliar debates e tornar acertos em exemplos a serem seguidos. Na mesma medida, é muito fácil ser condenado, ter seu nome e trabalho jogado no lixo e considerado um pária diante de uma internet esfomeada por apontar dedos, julgar e condenar tudo aquilo que ela considera errado. Na maioria dos casos, os artistas e personalidades públicas são os principais alvos, à mercê de boicotes e tentativas de apagamento social. É difícil traçar um limite entre os arrojos de uma reação justa e compreensível de outras experiências que buscam apenas o linchamento. A “cultura do cancelamento”, como é nomeada, é um fenômeno alinhado ao pensamento neoliberal em que vivemos, como explica o psicanalista Lucas Liedker, em entrevista ao portal Metrópoles. Segundo o especialista, “pautamos as nossas escolhas pela mentalidade de consumo e da substituição. Assim, as pessoas assumem a posição de objetos, que você pode ir trocando, cancelando, algumas vezes de forma justa e, em outras, implacável”. Desse modo, as consequências do cancelamento são imprevisíveis e os estragos incalculáveis. O cuidado com essa prática define, principalmente, de qual lado da história não queremos fazer parte. Um novo EP com releituras de si mesmo O EP Você sabia que Rubin Carter era inocente? é o quarto lançamento da The Bombers neste ano, divulgado no último dia 7. O trabalho faz parte de uma série de EPs que a banda pretende lançar ao longo de 2021. O intuito do grupo é que o lançamento seja feito na primeira sexta-feira de cada mês, com exclusividade na plataforma do Bandcamp e, dessa forma, comercializar seu trabalho de forma direta com o público. O Bandcamp, desde o ano passado, tem se tornado uma alternativa importante aos músicos, pois a plataforma criou uma política na qual deixa de cobrar sua comissão para ampliar os ganhos dos artistas. Assim, todas as vendas realizadas na plataforma na primeira sexta-feira de cada mês são destinadas de forma integral aos músicos. Neste lançamento, seguindo a proposta dos EPs anteriores, a The Bombers traz ao menos uma faixa inédita e releituras de músicas próprias e outros artistas. Entre elas está a versão punk de Baby Can I Hold You, música que foi um dos maiores sucessos da cantora americana Tracy Chapman. Bombers consegue até nos enganar no início da versão, relembrando inicialmente a balada romântica original de Tracy, mas logo ganha contornos mais autênticos e assinatura rock da banda. Emanharado Já na faixa Sonho ou Pesadelo, a história é um pouco diferente. Apesar da letra ser de autoria de Matheus Krempel, vocalista do Bombers, a música faz parte do projeto Emanharado, idealizado pelo jornalista João Pedro Ramos, para o site Crush em Hi-Fi. No álbum, cada participante enviou uma letra inédita, que foi redistribuída pelo site para outra banda ou artista, sem revelar quem a compôs. O desafio de quem recebia a letra era entender a cadência e musicá-la com sua própria personalidade, criando assim uma “parceria oculta”. O resultado deste álbum é bastante interessante. A versão “original” de Sonho ou Pesadelo possui uma carga pós punk bastante introspectiva por parte do duo paulista Antiprisma. Já na versão da The Bombers, a faixa se torna mais emotiva ganhando contornos obscuros e solos de guitarra. Na quarta e ultima faixa do EP, o grupo traz a versão acústica de Jogadas ao Vento, música do disco Democracia Chinesa, de 2007. A nova versão mantém a pegada emotiva, mas ganha nova sonoridade e que sobrepuja em significados, principalmente em tempos de pandemia. O EP é uma produção da própria banda que pretende lançar um álbum com 12 músicas reunindo as faixas preferidas do público, como explica Matheus. “Ao final da publicação dessa série de músicas, realizaremos uma enquete com nossos ouvintes, para decidirmos em conjunto, quais músicas formarão o disco que iremos lançar em formato físico ainda esse ano”, diz. Aliás, para continuar acompanhando as novidades da banda basta seguir o grupo nas redes sociais. Todos os endereços da The Bombers estão disponíveis aqui. Você sabia que Rubin Carter era inocente? by The Bombers
Te Amo Lá Fora: Duda Beat foge da mesmice em novo disco

A artista pernambucana Duda Beat divulgou no fim do mês de abril, seu segundo trabalho em estúdio. A temática de ‘sofrência’ ainda segue muito presente nas músicas da cantora, contudo, o amadurecimento musical de Duda é evidente. O debute da popstar brasileira aconteceu em 2018, com Sinto Muito. Logo após o lançamento, o álbum entrou nas graças do público. Estes três anos em ‘hiato’ fez a artista conseguir experimentar e testar coisas novas em suas canções, e isso é mostrado com maestria no novo disco. Te Amo Lá Fora As raízes nordestinas da cantora está presente logo nos primeiros segundos de Tu e Eu, primeira faixa do disco. E assim o trabalho segue até seu final. Ademais, se engana quem acha que Duda Beat mantém o mesmo estilo durante as 11 canções. A artista faz a transição de forma muito bem elaborada entre o pagode, forró, pop e ritmos nativos… mas claro, sem deixar a sua influência pop apagada. Em resumo, é um trabalho curioso, você nunca sabe o que virá na próxima faixa – a não ser a sofrência nas letras, que também agrada. Destaque fica para Nem um Pouquinho, faixa feita em parceria com o rapper Trevo, que conta com fortes influências baianas. 50 Meninas, com grande inspiração no reggae, também vale ser mencionada. Como já citado, o elo que liga todas as canções são as letras. Em síntese, Duda segue abordando amores não correspondidos e sofrências no seu trabalho, assim como acontece em Sinto Muito. Desde já, A expectativa para um novo trabalho criado pela cantora permanece entre nós.
Typhoons, terceiro álbum de estúdio do Royal Blood, chega ao streaming

O Royal Blood lançou, nesta sexta-feira (30), o terceiro álbum da carreira, Typhoons. Os quatro singles do projeto, Trouble’s Coming, Typhoons, Limbo e Boilermarker, apresentados anteriormente dão a sustentação para essa produção de alto nível. Quando Mike Kerr e Ben Thatcher se sentaram para conversar sobre como fazer um novo álbum, eles sabiam o que queriam alcançar. Em resumo, envolveu um retorno consciente às raízes deles, para quando fizeram música influenciada por Daft Punk, Justice e Philippe Zdar of Cassius. Ademais, também exigia uma abordagem de volta ao básico, semelhante ao que havia tornado o álbum da estreia auto-intitulado tão emocionante, visceral e original. Fora dos singles, o álbum explode em um estilo de tirar o fôlego e não os deixa prisioneiros quando as fortes batidas metálicas de Who Needs Friends atingem um pico visceral de maneira precoce. O Royal Blood ainda faz referência à nova gama de influências ao implantar vocais ferozes em Million & One e evocando o som de um hiperagressivo Prince em Mad Visions. >> Confira entrevista exclusiva com Mike Kerr Posteriormente, termina com um surpresa final na forma de uma balada austera de piano All We Have Is Now, um lembrete vulnerável e revelador de viver o momento. Aliás, os sentimentos desprotegidos dessa música dão ao álbum um final redentor. Seja direta ou alusivamente, o projeto se concentra em explorar o outro lado do sucesso que eles experimentaram. Vem da compreensão de que o sucesso é muito mais complicado do que parece e de que ter tempo para recuperar a perspectiva de vida é uma mercadoria preciosa que se torna cada vez mais difícil. Mudanças na vida pessoal A situação exigia reflexão e mudança, que Kerr encontrou em Las Vegas. Ele engoliou um espresso martini e declarou ser o último drink. Logo depois, descobriu que a recém-descoberta sobriedade teria um impacto positivo na própria criatividade e na vida como um todo. Contudo, essa nova abordagem se manifestou na decisão da dupla de produzir a maior parte de Typhoons por conta própria. Posteriormente, já estabelecido como favorito dos fãs durante os shows de 2019, a versão de Boilermaker foi produzida pelo vocalista do QOTSA, Josh Homme. Logo depois das duas bandas terem se conectado pela primeira vez quando Royal Blood os apoiou em uma grande turnê norte-americana. Enquanto isso, o vencedor de vários prêmios Grammy, Paul Epworth, produziu Whoo Needs Friends e contribuiu com a produção adicional de Trouble’s Coming.
Entrevista | Silva: “Eu e Anitta amamos ska e reggae”

Os primeiros acordes de Passou Passou, faixa de abertura do novo álbum do capixaba Silva, Cinco, já passam uma mensagem bem legal: o músico inova como poucos. O ska, com uma batidinha bem característica do som jamaicano dos anos 1960, mostra o artista totalmente fora da zona de conforto. E faz isso com muita qualidade. Para alguns pode lembrar até o Los Hermanos. Talvez pela brasilidade colocada na faixa. “Gosto muito de ska e rocksteady, adoro os sopros que eles usam. Eu nunca tinha usado isso no meu trabalho. Pra mim era algo muito distante, gostava só de ouvir. Aí quando comecei a experimentar isso nos shows, deu certo. Fica Tudo Bem estava diferente do disco, coloquei uma bateria na entrada com contratempo de ska. Mas as pessoas não associavam isso. Mas pensei que poderia fazer coisas nessa linha. Entraram dois skas nesse disco”. Silva conta que chegar na sonoridade foi um desafio. “Geralmente as coisas que gosto são muito anos 1960 e 1970. Estava acostumado a ouvir, mas como fazer soar parecido era um desafio. Igual não tem como ficar, eles usavam equipamentos diferentes. Levei dois ou três dias para chegar na bateria de Passou Passou. A pandemia me possibilitou ser bem minucioso nessa gravação”. Passou Passou não é o único ska do álbum. Facinho, com a participação de Anitta, é a outra surpresa para os fãs do gênero jamaicano. “Eu tava fazendo Facinho já pensando na Anitta. Ela gosta muito de reggae e ska. Aí eu falei: patroa, vamos fazer um hit? Bem a cara dela isso. Mandei, ela adorou e já topou”. João Donato Mas o álbum de Silva traz muitas outras sonoridades. Vai da MPB ao jazz, mas passa pelo ska e samba. Isso sem falar nas participações especiais de João Donato e Criolo. Quem Disse, a canção que ele gravou com Donato, é jazz puro. “A música também já foi pensada no Donato, mas foi engraçado porque ele acabou mudando a música toda. Era para ser um samba mais acelerado, mas ele entrou no estúdio, com o conhecimento dele que é muito avançado, coisa de gênio, jazzística, e deixou tudo simples. Ele parou e disse: essa música tá acelerada, né? E deixou completamente diferente, mas muito com a cara do Donato. Foi uma honra muito grande”. Criolo Sobre a parceria com Criolo, Silva conta que sempre admirou o artista. “Adoro o jeito como ele fala as coisas, a música dele é muito boa”. “A gente só se conhecia de oi, tudo bem. Mas no réveillon passado, estávamos na mesma festa em Salvador, e tive a oportunidade de trocar uma ideia com ele. E rolou essa vontade de fazer algo junto. Ele criou uma parte para a segunda parte da letra, fez até uma dancinha, deu umas ideias de palco”. O resultado de Soprou, canção gravada com Criolo, é um samba que remete à origem no Recôncavo Baiano, como se composto por Caetano Veloso e vocalizado por Clara Nunes, mas em roupagem apropriada para o dueto de Silva com Criolo. A segunda parte, escrita por Criolo, surpreende e traz o ouvinte do passado para o presente-futuro que a gente gostaria de ver e ouvir.
Me First and the Gimme Gimmes diverte e empolga em show de fim de ano

Desde 1974, Roberto Carlos invade nossas TVs com o seu show de fim de ano. Somente em dois anos não foi ao ar (1999 e 2020). The Brian Setzer & Orchestra trouxe frescor para esse período com o incrível Christmas Extravaganza! A boa notícia, no entanto, é que o Me First and the Gimme Gimmes trouxe mais uma ótima opção para celebrarmos o Natal. Sim, o supergrupo formado por integrantes de bandas de punk e hardcore debutou no formato online com uma apresentação sensacional, no último fim de semana. Direto do UC Theatre, em Berkeley, na Califórnia, apresentou um set com 12 canções. Com uma produção cuidadosa de Audra Angeli-Morse, a manager da banda, o Me First and the Gimme Gimmes entregou uma ótima sátira dos shows antigos de fim de ano, tal como Frank Sinatra e tantos outros apresentavam nos Estados Unidos. Intercalando com as canções, alguns números de humor bem nonsense do Western Cuck Exchange. O humor negro do grupo lembra um pouco as trapalhadas do It’s Always Sunny in Philadelphia, uma das séries prediletas da casa. O show Mas voltando ao show, o carismático e talentoso Spike Slawson (Los Nuevos Bajos) contou com uma formação completamente diferente da que visitou o Brasil em 2018: Scott Shiflett (Face to Face) e Stacy Dee (Bad Cop/Bad Cop) nas guitarras, CJ Ramone (Ramones) no baixo e Pinch (ex-The Damned) na bateria. Abriu o set com a dançante Santa Baby, famosa na voz da cantora Eartha Kitt. Spike iniciou a canção na voz e ukulelê para logo depois entrar todo o peso do grupo. Inicialmente, todos com roupas douradas em um cenário repleto de balões e referências ao período de fim de ano. Belly Reynolds, do Western Cuck Exchange, sobe ao palco para fazer algumas perguntas divertidas a Spike. É a deixa para Rainbow Connection, do Muppets. E sem deixar o clima esfriar, o grupo emenda Me and Julio Down by the Schoolyard (Paul Simon), Take Me Home, Country Roads (John Denver) e Sloop John B (clássico folk do início da década passada, mas famosa com o Beach Boys). Antes do primeiro dueto da noite, o Western Cuck Exchange retorna para mais um número maluco, no qual uma pessoa esfaqueia seu presente, na noite de Natal. O tom mais denso dá espaço para Spike fazer um dueto incrível com Karina Deniké, do Dance Hall Crashers, uma das melhores bandas da safra californiana dos anos 1990. Juntos, eles cantaram Something Stupid, de Frank Sinatra, num cenário com cara de homenagem ao The Voice dos olhos azuis. Logo depois, a banda troca o figurino dourado pelo branco, já mandando The Man with All the Toys (Beach Boys), Over the Rainbow (eterna trilha de O Mágico de Oz) e a balada Mandy (Barry Manilow). Clima natalino na reta final Posteriormente, após recuperar o fôlego dessa sequência, Spike apresentou os integrantes, sempre soltando alguma gracinha. E cravou o que nós já sabemos: “somos a maior banda de covers de todos os tempos”. Who Put the Bomp (Barry Mann) foi a penúltima com a banda completa no palco. Anúncios e mais uma intervenção do Western Cuck Exchange precederam o segundo dueto da noite, Deep Purple (Ella Fitzgerald) com Shannon Shaw (Shannon and the Clams). Um medley de Feliz Navidad e I Wish You A Merry Christmas deu números finais ao concerto. No fim, todos os integrantes ensaiaram uma coreografia reforçando o tom de sátira do especial. Que o Gimme Gimmes transforme isso em uma tradição, transmitindo anualmente esse concerto para o mundo todo. Enquanto isso seguimos na torcida pelo sucessor de Are We Not Men? We Are Diva! (2014).