Entrevista | Roo Panes – “No Rio eu consegui dar uma volta pela orla com meu violão. Foi quase como um sonho”

O cantor e compositor britânico Roo Panes retorna ao Brasil neste final de março para três apresentações que passam por Curitiba, São Paulo e Florianópolis, trazendo na bagagem o recente EP “Of All the Lovely Things That Be”. Os shows acontecem no Basement Cultural, no dia 27, no City Lights, no dia 28, e no Célula Showcase, no dia 29, respectivamente, marcando o reencontro do artista com o público brasileiro após sua única passagem pelo país, em 2019. Conhecido por transformar o folk em uma linguagem íntima e contemplativa, Roo Panes construiu uma carreira marcada por composições evocativas e forte carga poética. Influenciado por nomes como Bob Dylan, o músico britânico explora temas como relacionamentos, fé e crescimento pessoal, sempre com uma abordagem sensível e introspectiva. Desde que despontou no projeto Burberry Acoustic, em 2011, ele consolidou um percurso consistente, com álbuns aclamados e apresentações em palcos relevantes, além de conquistar projeção internacional ao ter a faixa “Lullaby Love” incluída na trilha da novela A Dona do Pedaço, exibida pela TV Globo. Em entrevista ao Blog N’ Roll, Roo Panes fala sobre sua relação com o público brasileiro, o impacto da novela em sua carreira e como paisagens e experiências pessoais moldam seu processo criativo. Como foi sua primeira visita ao Brasil, em 2019? O que permanece mais vivo na sua memória? Foi uma ótima viagem. Eu me lembro de muitas coisas, principalmente da hospitalidade, que foi incrível. Eu me senti muito bem-vindo no Brasil. Em qualquer lugar você faz shows, mas ali eu senti algo imediato, as pessoas realmente te acolhem. O público é muito receptivo e isso ficou muito marcado para mim. Eu também estava um pouco doente quando cheguei, com gripe, e ainda assim todo mundo foi extremamente acolhedor. Quando subi no palco, pensei que precisava corresponder àquilo, e senti que todos estavam ao meu lado. Essa sensação de ser bem recebido ficou muito forte. Você se apresentou no Rio de Janeiro, a chamada cidade maravilhosa. Como foi sua experiência por lá? O show foi muito divertido. Foi em um hotel perto da praia, e lembro que antes disso consegui dar uma volta pela orla com meu violão, o que é algo bem incomum. Nem sempre você tem essa oportunidade. Foi uma experiência quase como um sonho, caminhar pela cidade dessa forma. Eu não tive muito tempo para explorar, mas achei tudo muito bonito. E o local do show era incrível, além de ter sido muito legal conhecer as pessoas depois da apresentação. E falando em Rio de Janeiro, sua música “Lullaby Love” entrou na trilha de uma novela muito popular no Brasil. Como você reagiu quando soube disso? Eu descobri depois que era um programa muito grande no Brasil. Para mim, o mais importante foi a oportunidade de ir ao país por causa disso. É um lugar incrível para tocar e fazer turnê, e nem sempre está na rota comum de artistas do Reino Unido. Na época, achei muito especial poder ir ao Brasil e apresentar minha música. Espero que essa canção tenha sido uma porta de entrada para as pessoas conhecerem meu trabalho. Foi uma sensação de expansão, de poder levar minha música para a América do Sul. Isso foi o mais empolgante. Agora que você retorna ao Brasil, o que espera do público e dessa nova série de shows? Eu não tenho expectativas muito definidas. Espero que seja como um reencontro. Sempre quis voltar, e sete anos é bastante tempo. Sinto que o público brasileiro sempre foi muito presente. Às vezes encontro fãs em shows na Europa e eles perguntam quando vou ao Brasil. Então, acho que será um momento especial. Quero retribuir esse apoio e fazer desses shows uma celebração. Também estou animado para tocar músicas novas, algumas que talvez eles ainda não tenham ouvido ao vivo. Quais lugares ou paisagens inspiraram diretamente suas músicas? Minha forma de escrever é muito ligada ao lugar onde estou, quase como um registro. O ambiente influencia tanto o som quanto as letras. No meu último EP, escrevi músicas quando me mudei para Devon, em uma região chamada Dartmoor, que é um parque nacional. Lembro de estar sentado perto de uma árvore tentando escrever, e aquele lugar acabou me inspirando completamente. No caminho de volta para casa, vieram a melodia, o título e várias ideias. É como se algo entrasse em você a partir do que você vê. Também escrevi “Remember Fall in Montreal” durante uma turnê no Canadá, inspirado diretamente pela cidade. E “Suburban Pines” fala do lugar onde cresci e de como conheci minha esposa. A paisagem influencia tanto as histórias quanto a atmosfera da música. Você compõe na rua e cComo é a experiência de gravar músicas em casa? Eu gravei muitas coisas em casa ao longo da minha carreira. Gosto de trabalhar em lugares que já têm uma atmosfera que conheço. Quando você escreve uma música em determinado ambiente, faz sentido gravá-la ali também, porque mantém aquela sensação original. Em estúdio, às vezes isso se perde. Em casa, tudo flui de forma mais natural, sem tanta pressão. Também é mais acessível, as pessoas podem entrar e sair, e o processo fica mais leve. Especialmente em projetos mais espontâneos, como um EP, gosto dessa liberdade. Meu primeiro álbum foi gravado em casa, e vários trabalhos depois também seguiram esse caminho. E você também é muito fã de poesia, certo? Quais são suas principais referências na poesia? Pode parecer óbvio, mas Shakespeare é uma grande referência para mim. Sempre que leio algo dele, sinto que minha forma de enxergar as coisas muda. Ele tinha uma maneira muito profunda de observar o mundo. Também gosto muito de Walt Whitman, que estou lendo bastante no momento, e de Thomas Hardy, especialmente pela forma como ele conta histórias. Gosto dessa combinação entre narrativa e poesia. E daqui? Você conhece a literatura ou até mesmo a música brasileira ou sul-americana? Ainda não conheço muito, mas tenho curiosidade. Acho que seria interessante receber recomendações de alguém que conhece bem.
Britânico Roo Panes traz seu folk sentimental ao Brasil em 2026

O músico britânico Roo Panes retorna ao Brasil em março de 2026 para divulgar o expressivo Of All the Lovely Things That Be em Curitiba (27, no Basement Cultural), São Paulo (28, no City Lights) e Florianópolis (29, no Célula Showcase). Ingressos já à venda no site da Fastix. A realização é da Sellout Tours, que também já anunciou para 2026 a inédita turnê brasileira do cantor de country/folk norte-americano Dave Fenley. Conhecido por suas composições evocativas e poesia introspectiva, Panes, um fã confesso de Bob Dylan e atualmente com 37 anos, explora o terreno da experiência humana, mergulhando em temas de relacionamento, crescimento pessoal e fé. Roo despontou na música em 2011, como um dos primeiros artistas apresentados pelo Burberry Acoustic, uma iniciativa criada pela grife britânica Burberry (sob a direção criativa de Christopher Bailey) para promover novos talentos da música britânica através de apresentações ao vivo filmadas em cenários minimalistas, geralmente com estética britânica clássica, natural ou urbana. O vídeo gravado em um campo aberto, vestindo um trench coat da marca, ganhou enorme repercussão. Como escritor, ele se esforça para manter um senso de propósito no coração de seu trabalho. Suas canções evocam emoções profundas, transformando sentimentos complexos em melodias que ressoam e letras que agem como uma ponte entre o cotidiano e o eterno, convidando os ouvintes a momentos de contemplação e reflexão. Desde o álbum de estreia de Roo Panes, Little Giant, o artista lançou quatro álbuns aclamados pela crítica e percorreu o mundo, um sold out no Barbican Centre (importante casa de shows em Londres) e apresentações marcantes no Shepherds Bush Empire, Glastonbury, Haldern Pop, Latitude e mais. O lançamento mais recente é Of All the Lovely Things That Be, um EP de quatro músicas gravadas na sala do apartamento do músico, em Londres. Esta será a terceira vinda do músico ao Brasil, que já tocou até mesmo em um hotel da rede Fasano, no Rio de Janeiro. Outro dado curioso é que uma de suas músicas mais famosas, Lullaby Love, fez parte da trilha sonora da novela A Dona do Pedaço (Globo, 2019), tema de fundo do casal protagonista, Maria da Paz (Juliana Paes) e Amadeu (Marcos Palmeira). SERVIÇO Roo Panes em Curitiba Data: 27 de março de 2026 Local: Basement Cultural (R. Des. Benvindo Valente, 260 – São Francisco, Curitiba – PR) Ingresso Valores: Lote promocional de Meia (mediante apresentação de carteira de estudante) e Solidária (para todos, doando 1kg de alimento não perecível): R$ 150,00; Inteira: R$ 300,00 * Roo Panes em São Paulo Data: 28 de março de 2026 Local: City Lights (R. Padre Garcia Velho, 61 – Pinheiros, São Paulo – SP) Ingresso Valores: Lote promocional de Meia (mediante apresentação de carteira de estudante) e Solidária (para todos, doando 1kg de alimento não perecível): R$ 160,00; Inteira: R$ 320,00 * Roo Panes em Florianópolis Data: 29 de março de 2026 Local: Célula Showcase (Rodovia João Paulo, 75 – João Paulo, Florianópolis – SC) Ingresso Valores: Lote promocional de Meia (mediante apresentação de carteira de estudante) e Solidária (para todos, doando 1kg de alimento não perecível): R$ 150,00; Inteira: R$ 300,00
Roo Panes faz show intimista em repertório de boas histórias

O show de Roo Panes é como um café quentinho numa tarde de outono. Em apresentação no Fabrique Club, em São Paulo, pelo Popload Gig, o cantor britânico apresentou a essência do folk. Com pouco mais de uma hora de show, entregou um repertório acústico cheio de significados, sozinho, para um público encantado por suas histórias. Com sorriso tímido, o cantor sobe ao palco só na voz e violão. Começa o show com Indigo Home, seguido de duas novas canções: Thinking of Japan e There’s A Place. Mesmo com alguns problemas de som, o cantor mantém a tranquilidade e brinca com tudo. À primeira vista, parece introvertido, mas vai se soltando. “Estou sozinho hoje, então vou conversar bastante com vocês”. Uma música, mil sentimentos O papo com o público tornou o show leve como tocar violão em uma roda de amigos. “Adoro como vocês vibram com músicas tristes. Essa é uma canção séria”, brinca Panes, afinando seu violão para embalar There’s A Place. A platéia, imersa em suas músicas, brindou o britânico com um silêncio respeitoso. Mesmo gripado, Roo Panes não deixou barato nos vocais. “Não sei se vocês perceberam, mas estou um pouco doente. Não posso ouvir muito, inclusive, não posso cantar muito”. Com Tiger Striped Sky, fala de escapismo e recomeços. Intercalando o set com músicas mais antigas, então partindo para Home From Home. Conta que a história veio da partida de Londres, em sua primeira turnê pela Escócia. Sempre baseado nos detalhes da vida, Roo Panes descreve suas canções com histórias extremamente identificáveis. Seguiu comentando sua infância com Ran Before The Storm. “Quando era pequeno, eu costumava sair de casa quando ficava irritado para esfriar a cabeça. Teve essa vez em que eu saí e uma tempestade me pegou, próximo à floresta, e eu fiquei muito irritado. É interessante, porque isso me fez pensar sobre perspectiva, sobre como uma coisa simples como uma chuva me deixou tão irritado. Então eu desci a colina de volta e pensei nessa música”. Conexão e entrega com o público Em Little Giant, o público cantou emocionado cada verso da canção. Roo agradece cada salva de palmas com um “obrigado” tímido. “Essa música é sobre paz, na verdade. Tentar uma vida simples”, enuncia para Quiet Man. Em seguida, embala seu maior sucesso no Brasil, Lullaby Love, que ficou popular após integrar a trilha da novela A Dona do Pedaço. Quando soltam a máquina de fumaça, brinca que poderia dizer qualquer coisa que seria “uau, muito dramático”. Retorna no bis com Ophelia, e logo após se despedir do palco, retorna mais uma vez a pedido dos fãs. Encerra a noite com Open Road, uma canção mais otimista. Novamente, o público canta junto, estalando os dedos para marcar o ritmo. Juntos, embalam “let me out of this cage, before I swell up with rage / let me sing to old age before I’m done / let me shout to the skies that I’m too young to die / and that fate will never stop me from trying“. A estrofe, que proclama liberdade e oportunidade de tentar ser quem é, deixa os ânimos lá no alto. Roo Panes então se despede de vez, deixando o palco do Fabrique Club com um gosto de quero mais. De charme acolhedor, sotaque carregado e entrega de alma, Roo Panes oferece aos fãs uma apresentação encantadora. Sua voz e violão silenciaram o Fabrique, que ouvia atento a cada verso de suas canções. Ao fechar os olhos, seu acústico se torna uma experiência profunda. E é dessa simplicidade e verdade que a arte se trata, afinal.
Entrevista | Roo Panes – “Quando escrevo, canto e performo, me sinto completamente confortável”
Popload Gig: Roo Panes anuncia três shows no Brasil