Entrevista | Detonautas – “Foi um período muito triste, acabou refletindo nos discos”

A banda Detonautas se apresenta nesta sexta-feira (13), a partir das 22 horas, no Arena Club, em Santos. Ainda há ingressos disponíveis no site Articket. As bandas Caiçara Clã, Animal Urbano e DZ Rock também tocam. Após lançar dois álbuns (Álbum Laranja e Esperança) durante a pandemia, Tico Santa Cruz e companhia retornam a Santos para mostrar um repertório ainda robusto. Aliás, a banda completa 20 anos do álbum de estreia e fará shows comemorativos, no Rio de Janeiro, em fevereiro. Santos é o esquenta para a festa. Em entrevista ao Blog n’ Roll, o vocalista agradeceu o carinho e logo disse o quão especial para ele é poder voltar a Santos para se apresentar depois de algum tempo sem visitar a cidade. O compositor ainda falou como toda a banda dos Detonautas está ligada a Santos pelo fato de terem sido muito influenciados pelo Charlie Brown Jr. “O Detonautas já teve algumas apresentações, embora não seja uma cidade que receba tantos shows assim. Gostaria que tivesse mais, até porque eu gosto de Santos, pela relação que tenho. Com as influências que recebi do Charlie Brown que foi uma banda que me influenciou muito. Acho que as lembranças que tenho daí sempre foram muito positivas, as pessoas sempre muito receptivas”. História do Detonautas por Tico Santa Cruz O fundador da banda também falou como é para ele ter esse mesmo grupo junto há 25 anos e poder junto a eles, ter realizado o sonho de viver da música. E ainda ter tanta relevância até hoje. “O nosso propósito sempre teve em comum chegar numa longevidade, é claro que você vai construindo isso com o tempo, mas a gente sempre quis isso pra nossa vida, foi sempre uma meta. Então acho que a gente tá conseguindo alcançar uma coisa que a gente sonhou naquela época que a gente estava começando”. Homenagem dos 20 anos juntos Tico Santa Cruz também confirmou a produção de um especial de 20 anos do primeiro disco da banda. Um DVD será gravado no Rio de Janeiro, com as músicas de maior sucesso do Detonautas. “A gente tá preparando na verdade um repertório que é difícil. Você tem 20 anos de história para contar, e condensar um repertório para um show de uma hora e meia, muita coisa acaba ficando de fora, porque você tem que escolher de que maneira tu vai contar essa história pro seu público”. A música na pandemia O artista comentou também sobre a pandemia, como isso afetou ele e todo o grupo do Detonautas. Aliás, esse período turbulento fez com que Tico transformasse seus sentimentos em música. “Foi um período muito triste, acabou refletindo nos discos que a gente lançou. Acabei ficando muito tempo dentro de casa, fiquei me embrenhando muito mais com a música, com a literatura e etc. E isso me ajudou de alguma forma a colocar os sentimentos que tinha pra fora naquele período”. Músicas de Tico Santa Cruz sobre política Ao falar sobre política, o cantor não teve medo de se posicionar. E também citou o quão difícil foi para toda a banda passar por esse momento político tão dividido e conturbado. Tico Santa Cruz nunca deixou de dar suas opiniões, em entrevistas e, principalmente, em suas músicas. Em resumo, isso fez com que a banda sofresse muito com fake news e ataques por seu posicionamento político. “O envolvimento que tive em relação a esse tema me custou muito caro. Foi muito caro em relação a tudo, em relação a tudo que me cerca, não só em termos de ameaça, mas em termos de questões que aconteceram no histórico da banda. Então, nós sofremos todos muito ao longo desse período aí, com mentiras, principalmente com mentiras, muitas fake news, muitas ofensas, muitas coisas que acho que foi o clima que foi pintado dentro do país. Mas agora acho que é o momento da gente se desconectar desse assunto”. Serviço: A Arena Club fica na Avenida Senador Pinheiro Machado, 33, no bairro da Vila Mathias.

Detonautas abre programação da Arena Club, em Santos, em 2023

2023 começa com tudo com a presença do Detonautas Roque Clube no Arena Club, em Santos. A apresentação será na sexta-feira (13), com abertura dos portões a partir das 22 horas. Os ingressos já estão disponíveis para compra na plataforma Articket. Eles custam a partir de R$ 40,00 (pista/meia). Fundada no final dos anos 1990, a banda Detonautas Roque Clube marcou a juventude dos anos 2000 com hits como Quando o Sol se For, Olhos Certos, Outro Lugar, entre tantos outros que se tornaram hinos do rock brasileiro. No início de 2022, a banda lançou seu mais recente álbum, Esperança. Com oito faixas, a obra conta com a participação de Frejat na canção Medo (um poema de Bráulio Bessa) e ainda uma regravação de Amanhã é 23 (Kid Abelha). Meses mais tarde, ainda em 2022, o Detonautas e o grupo Herança Negra lançaram, em parceria, o single Não Existe Salvador da Pátria. A canção questiona a desunião entre o povo e a polarização política do país, fazendo ainda uma crítica à situação econômica e desigualdade. O Arena Club está localizado na Rua Pinheiro Machado, 33, Vila Mathias, em Santos. Serviço Detonautas Roque Clube na Arena Club, em Santos Data: 13/01 (sexta-feira) Abertura dos portões: 22 horas Local: Arena Club – Rua Pinheiro Machado, 33, Vila Mathias, em Santos

Kamaitachi encerra programação de 2022 da Arena Club, em Santos

Após uma temporada de consolidação como principal casa de shows de Santos, o Arena Club vai receber o cantor carioca Kamaitachi nesta quinta (29). Os ingressos já estão disponíveis para compra na plataforma Articket. Eles custam a partir de R$ 50,00 (pista, meia). Indie, blues, rock alternativo: Kamaitachi não se limita a um só gênero. Nascido Rafael Gonçalves, escolheu o nome artístico em japonês inspirado em uma figura cultural do país responsável pelo corte do vento, seguindo a referência do vento com a melodia. A princípio, Kamaitachi começou a carreira em 2015 com uma banda chamada Sala 31, mas em 2017, seguiu carreira solo. Com inspiração em bandas e cantores como Led Zeppelin e Shawn James, Kamaitachi explora temas como Murder Song, Dark Song e History Song. Aliás, o artista ainda usa a música como crítica em relação à natureza humana e à religiosidade. Em 2022, Kamaitachi lançou uma série de singles, incluindo O Sol e a Lua, Alice, O Treco, O Limbo do Menino Sem Olhos e, mais recentemente, A Sociedade dos Nerds Psicóticos. O Arena Club está localizado na Avenida Pinheiro Machado, 33, na Vila Mathias, em Santos. Por fim, vale destacar que a casa já iniciou a montagem da agenda de 2023. Em resumo, janeiro tem Detonautas, Lagum e Froid + Veigh.

Paulinho Moska faz show gratuito no encerramento d’O Som das Palafitas

O Festival O Som das Palafitas termina na próxima quinta-feira (17), às 14h, no Instituto Arte no Dique. Para concluir a temporada, Paulinho Moska levará ao público o show Paulinho Moska: Os Violões Fênix do Museu Nacional. O músico tocará com seus violões produzidos a partir de restos das madeiras do Museu Nacional, que sofreu incêndio em 2 de setembro de 2018. O projeto do Instituto Arte no Dique celebrou, nesta temporada, os 80 anos de Gilberto Gil e Caetano Veloso. Nomes como Bem Gil e Moreno Veloso, filhos respectivamente de Gil e Caetano, Nossos Baianos (que mantém o legado do lendário grupo Novos Baianos e conta com filhos dos artistas da clássica banda), Davi Moraes, João Suplicy e Supla, entre outros, fizeram apresentações sempre com aberturas de artistas da Baixada Santista, promovendo, assim, o intercâmbio cultural. Milhares de pessoas têm acompanhado os shows.

Andrew Tosh emociona público santista com clássicos do pai na Virada SP

Pela primeira vez em Santos, o jamaicano Andrew Tosh emocionou o público com um mix de canções autorais e clássicos do reggae, no domingo (23), durante a Virada SP, na Praça Mauá. Acompanhado de uma banda muito técnica, o filho único do lendário Peter Tosh, um dos fundadores do The Wailers, apresentou um set consistente, com 21 canções, abrindo espaço para participação especial do havaiano Mike Love, que tocou um pouco antes, além de lindas homenagens ao pai. Andrew Tosh, de 55 anos, é um legítimo representante do legado de Peter Tosh. Iniciou a carreira cedo. Aos 13 anos já fazia aulas de piano e compunha as primeiras canções. Aos 18 anos, dois anos antes do pai ser assassinado, vítima de latrocínio (roubo seguido de morte), lançou seus primeiros sons. À época do assassinato, Andrew Tosh emocionou o público cantando Jah Guide e Equal Rights no funeral do pai, em uma arena de Kingston, capital da Jamaica. Desde então, partiu para uma carreira vibrante, intercalando álbuns com canções autorais e outros com canções do pai. Equal Rights, aliás, foi tocada na Praça Mauá, em uma sequência de faixas imortalizadas na voz de Peter Tosh, como African, Coming Hot, Not Gonna Give Up e Downpresser Man, uma música espiritual tradicional afro-americana que foi gravada por vários artistas, incluindo o próprio pai de Andrew. Antes de Legalize It, mais um clássico famoso na voz do pai, já no fim da apresentação, Andrew Tosh defendeu a legalização da maconha em um discurso rápido. “It’s good for the flu / It’s good for asthma / Good for tuberculosis / Even umara composis / Legalize it – don’t criticize it / Legalize it and i will advertise it (algo como É bom para a gripe / Bom para Asma / Bom para Tuberculose / Como também para Trombose de Numara / Legalize-a – Não critique-a / Legalize-a e eu a anunciarei)”, cantou Andrew, sendo ovacionado pelos fãs. E pensar que Legalize It, faixa-título do álbum de estreia de Peter Tosh, foi lançada em 1976. A discussão é velha, mas segue atual em muitos lugares do mundo, inclusive no Brasil. Andrew Tosh ainda guardou três clássicos para o fim: Mystic Man (faixa-título do quarto álbum de estúdio de Peter Tosh), Johnny B Good (versão reggae que o pai gravou para o clássico de Chuck Berry) e Get Up Stand Up (clássico do Wailers, da época que Peter Tosh, Bob Marley e Bunny Wailer, grande mentor de Andrew, se apresentavam juntos).

Em Santos, Supla mostra que tem mais lenha a queimar que Billy Idol

Recentemente, Billy Idol e Supla voltaram aos holofotes por conta de um encontro dos dois no Brasil, durante a passagem do autor de Dancing With Myself pelo Rock in Rio. Enquanto o britânico fez duas apresentações repletas de erros e esquecimento de letras, o Papito segue mostrando que não envelhece jamais. Ok, existe uma diferença de dez anos entre eles (56 e 66 anos, respectivamente), mas a qualidade sonora destoa demais. Divertido e caricato, Supla retornou a Santos e foi o segundo artista a subir no palco da Virada SP, no sábado (22), na Praça Mauá, logo após o Planet Hemp. O repertório foi muito bem equilibrado, passando pelos tempos de Tokyo, banda que Supla teve nos anos 1980, rendendo os hits Humanos e Garota de Berlim, avançando na fase pós Casa dos Artistas (O Charada Brasileiro, 2001) e alcançando os singles mais recentes como Motocicleta Endiabrada e As It Was, versão do hit de Harry Styles. Supla se porta como um grande showman do início ao fim. Sabe como levantar o público, coloca todo mundo para cantar junto e é praticamente um local na Cidade. E, por falar em Billy Idol, o show abriu com Suplaego, divertida faixa com o seguinte trecho: Eu ainda não consegui / Parar de ser eterno / De Beatles a Billy Idol / sempre me disseram / Eu sou muito belo / Que Narciso acha feio / O que não é espelho /De David Bowie a Mick Jagger, me tira daqui. Diante das atuais circunstâncias, Supla está muito mais eterno que Billy Idol, pelo menos para o público brasileiro, levando em consideração os shows recentes.

Na abertura da Virada SP, Planet Hemp esquece “Jardineiros” e foca em clássicos

Foram 22 anos de espera até um novo álbum de estúdio do Planet Hemp. Jardineiros chegou na última sexta-feira (21). Uma visita a Santos também demorou bastante, tendo em vista que as últimas tentativas do Planet Hemp foram canceladas de última hora. No fim da tarde deste sábado (22), Marcelo D2, B-Negão e companhia abriram a programação da Virada SP, na Praça Mauá, em Santos. No entanto, o álbum novo foi praticamente ignorado. A única exceção foi Distopia, single que tem a participação de Criolo. Para os fãs mais antigos, porém, o show foi um prato cheio. Usuário, disco de estreia da banda, lançado em 1995, teve nove faixas lembradas pelo Planet Hemp: Não Compre, Plante!, Legalize Já, Dig Dig Dig (Hempa), Mary Jane, Planet Hemp, Fazendo a Cabeça, A Culpa é de Quem, Deisdazseis e Phunky Buddha. O mais chocante notar é que 27 anos depois do lançamento de Usuário, todas as músicas parecem atuais. Ou pior, ainda mais atuais. Pior porque as denúncias não envelheceram. Tudo que o Planet protestava em 1995, segue sendo motivo de manifestação até hoje. Aliás, o show do Planet Hemp foi palco de muitas manifestações. Entre uma música e outra, gritos de apoio a Lula (PT), candidato à presidência, gritos hostis contra o atual presidente, Bolsonaro (PL), além de discursos inflamados de Marcelo D2 e B-Negão. “Trabalhador vota em trabalhador. Patrão nunca. Patrão nunca!”, gritou D2. “Dia 30 temos uma eleição importante pela frente. Se ganharmos, será uma guerra a partir do dia seguinte. Se perdermos também será uma guerra. Mas se ganhar, sem salto alto. Vamos ficar atentos”, discursou B-Negão. A sessão de nostalgia do Planet Hemp também passou pelo disco Os Cães Ladram Mas a Caravana Não Pára (1997): Zerovinteum, Seus Amigos, Queimando Tudo e 100% Hardcore foram as lembradas. A apresentação também teve espaço para uma homenagem ao Ratos de Porão, que ganhou uma versão de Crise Geral, faixa do disco Cada dia mais sujo e agressivo (1987), dos paulistanos. O último álbum antes do longo hiato, A Invasão do Sagaz Homem Fumaça (2000), foi lembrado por faixas como Stab, Contexto e Quem Tem Seda? D2, que disse ter comido uma feijoada mais cedo e estava se sentindo pesado, voltou a fazer mais discursos inflamados durante a apresentação. “Preta, mulher, gay e favelada. Quando eu disser Marielle, vocês respondem ‘presente’”, pediu, sendo atendido de forma imediata na homenagem à ex-vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco (PSOL), assassinada em março de 2018. A trinca final do show, em uma Praça Mauá bem cheia, contou com Samba Makossa (Chico Science & Nação Zumbi), A Culpa é de Quem e Mantenha o Respeito. Positivo para os nostálgicos, negativo para quem está com o álbum novo fresquinho na mente e só pode ouvir Distopia ao vivo. A pesada Taca Fogo, também de Jardineiros, foi lembrada apenas de forma falada por D2.

Entrevista | Larry McDonald (Skatalites) – “Para outras pessoas é fácil pegar o ska e colocá-lo em uma música ‘pesada'”

Neste domingo, a partir das 15 horas, quando o Skatalites estiver no palco da Virada SP, na Praça Mauá, em Santos, o público estará diante de um dos pais do ska. Além disso, na percussão, uma lenda viva da música jamaicana também estará presente, Larry McDonald. Aos 85 anos, Larry McDonald simplesmente gravou com todos os grandes nomes possíveis: de Slackers a Mick Jagger, de Taj Mahal a Lee Scratch Perry, de Peter Tosh a Toots & The Maytals, passando por outros mais variados, como Cat Power e Soulfly.E, mesmo com esse currículo pesado, Larry McDonald não perde a simplicidade. Em conversa com o Blog n’ Roll, o músico demonstrou muita alegria em estar no Brasil. Além de Santos, ele ainda passará por várias cidades, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro. “É minha primeira vez no Brasil. Em 60 anos de carreira, nunca estive no Brasil. Acho que vocês não me queriam aqui”, disse aos risos. Falando sobre o pioneirismo do Skatalites, Larry tirou o peso de “pioneiro do gênero”. “Veio com o começo da indústria fonográfica… Vou ter que dizer, teve uma greve nas gravadoras nos Estados Unidos e nenhum disco estava sendo feito. Acredito que foi por volta desta época que as pessoas iam para os Estados Unidos, mas não conseguiam comprar discos por causa disso. Então, as gravadoras começaram a gravar artistas locais… e o resto como dizem é história”. Admiração de Larry McDonald pela música brasileira Admirador de bossa nova, Gilberto Gil e Gal Costa, Larry relembrou o dia em que gravou com Max Cavalera, em um álbum do Soulfly. “Fiz um álbum de metal com o Max Cavalera, do Soulfly. Eu o conheci em um festival de reggae. Ele disse que quando voltássemos aos Estados Unidos, ele queria fazer alguma coisa comigo. E ficamos uma semana para gravar isso”. Para Larry, os movimentos subsequentes ao ska raiz, dos anos 1960, na Jamaica, são muito bons, tais como as bandas da 2Tone ou a terceira onda do ska. E não trata a situação com purismo quando vê bandas misturarem o gênero com punk e hardcore, por exemplo. “Para outras pessoas é fácil pegar o ska e colocá-lo em uma música “pesada”. É bem natural, como se sentisse em casa, porque nós sempre fazemos nossas coisas e distorcemos um pouco das nossas inspirações”. Confira a programação musical completa da Virada SP, em Santos Palco Mauá – Praça Mauá s/nº, Centro Sábado (22) 18h – Planet Hemp 20h30 – Supla 23h – Zimbra 1h30 – Ana Cañas canta Belchior Domingo (23) 12h – Mike Love 13h – Andrew Tosh 15h30 – Skatalites 18h – Baile do Simonal + Paula Lima