Resenha | Scalene retorna aos palcos no Sesc Santos

Após quase dois anos sem apresentações ao vivo, acredito que ninguém que foi ao Sesc Santos, na noite do último sábado (6), sabia direito o que esperar do primeiro show de rock no local. E quando falo ninguém, incluo também os membros da banda Scalene. Contudo, todo esse sentimento de viver algo novo acabou tornando o show emocionante. Assim que Danse Macabre deu o pontapé inicial na performance, não pareceu que era a primeira vez que o conjunto se apresentava ao vivo depois de tanto tempo. Muito à vontade no palco, o vocalista Gustavo Bertoni se mostrou com ótima presença de palco. Ainda falando sobre primeiras vezes, esta foi a performance de estreia da Scalene após a saída do baterista Philipe “Makako” Nogueira. Quem assumiu as baquetas foi Alana Ananias, que cumpriu muito bem o papel. O ponto alto da primeira metade da apresentação foi a presença do vocalista santista Rafael Costa, o Bola da Zimbra, na faixa Surreal, uma das canções mais conhecidas pelo público. Aliás, a banda soube mesclar momentos mais explosivos, com músicas presentes no disco Magnetite, além de faixas mais calmas, como foi Furta-Cor. Em síntese, o grupo também trouxe seus novos singles para o show. O destaque ficou para Névoa, que soa ainda melhor quando tocada ao vivo. Já no fim, o guitarrista Tomás Bertoni se emocionou ao falar sobre os momentos difíceis vividos por cada um de nós durante a pandemia. As palavras emocionadas vieram seguidas de phi, que encerrou uma noite carregada de sentimentos no local. Por fim, após diversas apresentações na cidade, Santos ficará guardada nos corações dos membros da Scalene após este fim de semana, no Sesc Santos.

Entrevista | Scalene – “Aprendi a não ter muitas expectativas com nada em relação à pandemia”

A banda brasiliense Scalene está curtindo um momento novo na carreira. Além de seguir explorando possibilidades sonoras, o grupo também está com uma mudança importante em sua formação. O baterista Philipe “Makako” Nogueira deixou a banda e foi substituído por músicos convidados nos primeiros shows pós pandemia. E por falar em apresentações, a banda está com duas bem próximas: sábado (6), às 20h, no Teatro do Sesc Santos. Posteriormente, em 11 de dezembro, no Cine Joia, em São Paulo. Ambas estão com ingressos à venda. Na Capital, o agora trio terá a companhia do Far From Alaska e Disaster Cities. Além de um passeio pela discografia, os shows também contarão com os singles recém lançados. Até o momento, foram três novidades: Névoa, Tantra e Febril. As duas primeiras, aliás, chegaram na última sexta-feira. O mais interessante notar é como a fórmula de transformação da banda segue apurada. Névoa e Tantra mostram uma banda que não se cansa de reinventar, explorar e experimentar. Por fim, vale ressaltar que faz isso com muito bom gosto. O guitarrista Tomás Bertoni conversou com o Blog n’ Roll sobre a nova fase da Scalene e o que os fãs podem esperar sobre o formato trio, junto com Gustavo Bertoni (vocal) e Lucas Furtado (baixo). Confira abaixo. Qual é a construção narrativa buscada por vocês nessa nova fase? Tem sido uma mistura de um grande planejamento prévio com decisões/definições a cada nova etapa. Temos ideias de onde queremos chegar e como, mas deixamos o processo a cada dia ditar o caminho também. Algumas faixas abordam o autoconhecimento e a busca por epifanias. O quão impactante foi o isolamento social nessa obra? Febril tinha mais relação direta com as consequências do isolamento. De qualquer forma, autoconhecimento e a busca por epifanias foram muito afetados também e, às vezes, rola uma sensação de que a única coisa que podemos tentar ter controle nessa vida é do nosso próprio processo interno. E digo “controle” no bom sentido, inclusive abrindo mão dele quando necessário. Muitos artistas optaram por lives, enquanto outros se trancaram em casa ou estúdio para ensaiar e gravar novos sons. Como manter a empolgação sem poder fazer shows neste período de composições em meio a pandemia? Realmente é muito particular de cada artista e banda. Pro Scalene não faltou uma “empolgação” para fazer um novo álbum. Sem dúvida foi muito mais difícil, mas em grande parte porque a vida no Brasil e no mundo está difícil mesmo. O tempo e energia investidos pra se estar na estrada fazendo shows não existiu mais e isso foi revertido pra outras coisas, dependendo de cada projeto. Pra nós, parte dessa energia foi destinada a podermos caprichar em detalhes na criação do disco e de todo conceito que nunca tínhamos tido como fazer ou nos permitido fazer. Névoa e Tantra possuem sonoridades bem distintas. Vocês acreditam que elas resumem bem o que se pode esperar de um novo álbum da Scalene? São singles de um novo álbum, então obviamente gostamos delas, mas o disco vai muito além. Acho que não colocaria que é um bom resumo de todo o resto. O que representa a saída do Makako da banda? Vocês pretendem seguir como trio e chamar um músico convidado para os shows? Ou pretendem efetivar algum músico nessa vaga? O Makako é nosso amigo de infância, acima de tudo. Foi uma separação, naturalmente difícil e é emocionante, às vezes, lembrar de tudo que passamos juntos e das razões do porque esse ciclo se encerrou. Vamos começar com músicos convidados até entender o encaixe, não só musical, com um novo ou uma nova integrante. Como está a expectativa para o retorno dos shows? O que acreditam ser diferente daqui para frente, além das questões lógicas como máscara e álcool em gel? Eu aprendi a não ter muitas expectativas com nada em relação à pandemia. Ainda mais com a crueldade insana que governa o país. Nem felicidade senti direito ainda, com shows voltando e nós mesmos tendo shows sendo marcados. Espero que as pessoas valorizem mais o que a arte traz e proporciona, seja qual for a linguagem.

Ana Cañas e Scalene são as atrações da semana no Sesc Santos

Ana Cañas e Scalene são as atrações da semana no Teatro do Sesc Santos. Os artistas se apresentam na sexta (5) e sábado (6), às 20h, respectivamente. Os ingressos começam a ser vendidos na terça (2), a partir das 14h, no site do Sesc. Eles custam entre R$ 20,00 e R$ 40,00. A retomada dos shows no Sesc tem chamado a atenção pelo alto nível dos artistas. Anteriormente, o Teatro recebeu Chico César, Mariana Aydar e MC Tha, recém anunciada no Lollapalooza. Ana Cañas canta Belchior Sucessos compostos por Belchior (1946-2017) como Alucinação, Na Hora do Almoço, Sujeito de Sorte e Como Nossos Pais estão no setlist do show em homenagem ao compositor cearense que Ana Cañas apresenta no palco do Sesc Santos no projeto batizado Ana Cañas Canta Belchior. Aliás, o trabalho teve início durante a quarentena e nasceu com a ideia de uma live única. Logo, transformou-se em um álbum e uma turnê integralmente dedicados ao compositor cearense. A repercussão de público e o mergulho profundo que a artista fez na obra de Belchior foram fundamentais para que a iniciativa se desdobrasse no novo disco da cantora. Ana Cañas começou a fazer teatro ainda jovem e cursou Artes Cênicas na ECA-USP. Foi nos tablados que ela entrou em contato com a música: ao fazer um teste para um musical, ouviu pela primeira vez um standard de jazz interpretado pela cantora Ella Fitzgerald (1917-1996). Contudo, Ana diz que, ao ouvir a americana cantar, ficou profundamente tocada e que sentiu que aquele era uma espécie de “momento-colisão”. “Tudo se esclareceu no meu coração, na minha alma. Eu sabia que tinha encontrado meu caminho através do profundo amor que senti pela beleza e transcendência do canto de Ella.” Logo depois disso, não teve volta. Ana começou a cantar jazz na noite paulistana. No mercado fonográfico desde 2007, foram lançados cinco discos de estúdio – sendo que o último deles, Todxs, concorreu ao Grammy Latino 2019 na categoria Melhor Álbum de Pop Contemporâneo – e um DVD. Por fim, para o lançamento do sexto álbum, no qual canta as canções de Belchior, Ana Cañas contou com financiamento coletivo. Scalene Composta por Gustavo Bertoni (voz), Tomás Bertoni (guitarra) e Lucas Furtado (baixo), a Scalene mantém a regularidade de lançamentos fonográficos, tendo em sua discografia: Real/Surreal (2013), Éter (2015), magnetite (2017) e o EP +gnetite (2018), Respiro (2019, slap), além do DVD Ao Vivo em Brasília (2016). Os trabalhos possibilitaram turnês nacionais com passagem por importantes festivais, como o Lollapalooza recentemente e o Rock in Rio, e também shows em eventos no exterior, entre eles o SXSW (EUA) e o Indie Week (Canadá). Na última sexta-feira (29), a banda lançou os singles Névoa e Tantra. Na dupla novidade, o grupo versa sobre assuntos como autoconhecimento e a busca desenfreada por epifanias. Os singles apresentam roupagens sonoras diferentes, mostrando mais uma vez que o Scalene escolhe explorar sua versatilidade e não se envereda por caminhos óbvios. Anteriormente, em outubro, foi lançado o explosivo single Febril, que abriu a leva de novidades musicais precedentes ao próximo álbum do grupo. “As canções abrem possibilidades interessantes para a interpretação do público e fazem parte da construção narrativa que estamos desenhando nessa nova era”, resume Tomás.

Mariana Aydar e MC Tha são as atrações da semana no Sesc Santos

A semana promete ser quente no Teatro do Sesc Santos. Dois grandes shows foram agendados para o fim de semana: Mariana Aydar e MC Tha. As apresentações acontecem sexta e sábado, às 20h, respectivamente. Os ingressos começam a ser vendidos pelo site nesta terça-feira (26), às 14h. A venda presencial tem início na quarta-feira (27), das 14h às 20h, na bilheteria do Sesc Santos. Os valores variam entre R$ 20,00 e R$ 40,00. Mariana Aydar “Na veia nordestina, eu tenho a minha visão / Carrego emprestada a força dosertão…”, é assim que a cantora e compositora paulistana, Mariana Aydar, resgata sua história com a música nordestina, recomeçando o que nunca teve um fim. Nesse show, Mariana apresenta seu mais recente disco, Veia Nordestina, lançado pelo pelo selo Natura Musical em três EPs de streaming ao longo de 2019 e formando um disco físico no final do ano. O repertório do show é composto por músicas de autoria própria e de compositores contemporâneos que integram o disco, como Isabela Moraes, Duani e Juliana Strassacapa. Nessa volta ao forró, Mariana também relembra os clássicos do repertório de seu mestre e amigo Dominguinhos que fazem parte de suas regravações como Te Faço um Cafuné e Preciso do Teu Sorriso além de outros sucessos do balaio forrozeiro como Feira de Mangaio, Forró do Xenhenhém e Frevo Mulher. “O forró pra mim é um modo de vida. Minha primeira banda profissional (Caruá) foi de forró, meus primeiros vinis, meu primeiro beijo, minha filha é fruto do forró e agora, finalmente, nasce o meu primeiro disco de forró, um forró feito do meu jeito”, diz Mariana. No palco, com cenário e figurino ilustrados pelas artes da capa do disco, assinadas pela recifense Dani Acioli, Mariana é acompanhada por Cosme Vieira na sanfona, Feeh Silva na zabumba, Bruno Marques na MPC e SPD, Rafa Moraes na guitarra, Magno Vito no baixo e synth bass. MC Tha Thais Dayane da Silva, conhecida como MC Tha, nasceu em 1993 em Cidade Tiradentes, extremo leste de SP, onde também foi criada. Lá foi o primeiro bairro da capital a receber o funk vindo do Rio e da Baixada Santista, em meados dos anos 2000. Num universo dominado pela figura masculina, aos 15 anos, por influência de amigos, iniciou a sua jornada como MC, sendo a primeira mulher de seu bairro a compor e cantar nos bailes funk que aconteciam nas comunidades. Os temas de suas letras sempre foram diversos, como são até hoje: questões sociais, políticas, espirituais e emocionais. Em 2011, ao ingressar numa faculdade e passar a trabalhar com projeto social e cultural, MC Tha, com 18 anos na época, deixa a carreira musical em segundo plano e só retoma com força total em 2014, com o single e clipe de “Olha Quem Chegou”, produzido por Jaloo. Posteriormente, em 2015, lança Pra Você, produzido pelo DJ Tide em parceria com o selo Funk na Caixa. Em 2016, o single Bonde da Pantera, produzido por Omulu e King Doudou, sai através do selo alemão Man Recordings. O relançamento da música em 2017, dessa vez com clipe, afirma de vez seu lugar na cena pop alternativa. Em 2018, lança mais um single. Valente, produzido por Pedrowl, se torna um dos seus maiores sucessos, com seu clipe batendo mais de 1 milhão de visualizações no YouTube. No mesmo ano, lançou Céu Azul, faixa composta por Thaque e que faz parte do álbum “ft”, de Jaloo.