Beck evoca o brilho melancólico de “Morning Phase” no single “Ride Lonesome”

Para quem sentia falta do Beck introspectivo, mestre das paisagens sonoras acústicas e orquestrais, a espera acabou. O músico soltou Ride Lonesome, uma faixa que funciona como um “sucessor espiritual” de seus trabalhos mais aclamados pela crítica: o clássico Sea Change (2002) e o vencedor de Álbum de Rock do Ano no Grammy, Morning Phase (2015). A música é uma produção do próprio Beck, mas traz um selo de qualidade que faz toda a diferença para os audiófilos: a mixagem de Nigel Godrich. A parceria entre os dois sempre resultou nos momentos mais sublimes da carreira do cantor, e em Ride Lonesome isso se repete através de acordes de violão hipnóticos e um refrão carregado de emoção. Paisagens sonoras e nostalgia em Ride Lonesome Desde os primeiros segundos, a faixa estabelece uma atmosfera cinematográfica. O videoclipe, que já está disponível no YouTube, complementa essa estética de isolamento e beleza crua. Embora Beck tenha passado os últimos anos explorando o funk, o pop e o psicodelismo dançante, este novo lançamento aponta para uma direção que, embora familiar, parece revigorada para 2026. Turnê norte-americana Acompanhando o lançamento, o artista anunciou a Ride Lonesome Tour, que contará com 25 datas em alguns dos teatros e anfiteatros mais renomados da América do Norte. Nada do Brasil por enquanto. A última vez por aqui foi em 2023, no Primavera Sound, em São Paulo.

Bad Luv lança “Sonho Bom” em homenagem à filha de Gee Rocha

Acostumados com arranjos enérgicos e densos, os integrantes da Bad Luv decidiram baixar o volume e abrir o coração em seu novo single, Sonho Bom, disponível agora em todas as plataformas digitais. A faixa é uma homenagem emocionante ao nascimento de Nara, filha do guitarrista Gee Rocha (conhecido nacionalmente por sua trajetória no NX Zero). O que torna a canção ainda mais especial é a sua origem: ela nasceu como um presente surpresa do vocalista Caio Weber para o parceiro de banda e amigo de longa data. De uma demo caseira a um hino de paternidade A inspiração para a letra surgiu quando Caio ouviu uma gravação caseira antiga feita por Gee. Em apenas uma tarde, o vocalista escreveu os versos que narram a expectativa e o amor incondicional por alguém que acaba de chegar ao mundo. “Foi muito fácil imaginar como é esperar alguém que você nem sabe quem é de fato, mas que já ama mais do que tudo. Fiz a letra, gravei e mandei pro Gee, que ficou muito emocionado”, relembra Caio Weber. Colaboração familiar A atmosfera sensível de Sonho Bom ganhou um toque de autenticidade com a participação de Camila Cat, esposa de Gee e mãe de Nara. Ela divide os backing vocals com o marido no trecho mais emblemático da música: “Agora já sei o seu nome, você é meu norte”. Musicalmente, a faixa rompe com o perfil pesado do álbum anterior da Bad Luv, apostando em violões e uma entrega vocal mais contida. Esse respiro acústico funciona como um “abre-alas” para o segundo álbum de estúdio do grupo, previsto para ser lançado ainda em 2026. Sentimento de um recomeço no Bad Luv com Sonho Bom Para Gee Rocha, a música sintetiza a mudança de chave que a paternidade trouxe para sua vida. “Eu descobri que minha mulher estava grávida e parece que a nossa vida já começou a mudar ali. Estou muito feliz que fizemos esse som juntos, porque é uma música muito especial para a minha filha”, finaliza o guitarrista.

Jambu mergulha na melancolia pesada com o single “Desculpa”

Consolidada como um dos nomes mais relevantes do indie rock contemporâneo, a banda amazonense Jambu está de volta com material inédito. O trio, formado por Gabriel Mar (voz e guitarra), Roberto “Bob” Freire (guitarra) e Yasmin “ysmn” Moura (bateria e voz), lançou o single Desculpa, via Deck. A faixa serve como o “abre-alas” do novo EP Cartas que escrevi enquanto sonhava, com lançamento previsto para maio. Se em Manauero (Deluxe) a banda explorava cores vibrantes do indie, em Desculpa o caminho é mais profundo e sombrio. A música abraça uma vertente mais densa, com guitarras de timbre pesado, cordas em afinação drop e uma atmosfera que explode em um pós-refrão visceral. Evolução e maturidade da Jambu A produção da faixa é assinada em parceria com Fepa, conhecido como guitarrista da banda O Grilo. Essa colaboração ajudou a lapidar o novo som da Jambu, que busca equilibrar a pegada do rock clássico com a sensibilidade melancólica do indie moderno. “A Jambu é uma banda de rock, tem músicas pesadas, mas dentro do rock tem níveis”, explica o vocalista Gabriel Mar. “A gente abraçou muito essa melancolia, botando peso nas guitarras. É um processo constante de evolução da nossa maturidade, do nosso timbre, com uma bateria mais pegada e um som mais profundo.” Novo EP Cartas que escrevi enquanto sonhava promete ser um registro de transição e afirmação. Com Desculpa, a banda prova que é possível manter a essência melódica que os tornou populares enquanto exploram texturas sonoras mais rústicas e emocionais.

Papangu antecipa álbum “Celestial” com o single “Colosso”

A banda paraibana Papangu acaba de liberar mais uma peça fundamental de seu próximo quebra-cabeça sonoro. Já está disponível em todas as plataformas digitais o single Colosso, a segunda amostra do álbum Celestial, que chega em agosto pela gravadora Deck. A faixa é uma construção ambiciosa que revela a pluralidade do grupo. Segundo o integrante Pedro Francisco, as primeiras partes surgiram ao piano com uma sonoridade que remetia diretamente ao Clube da Esquina e às montanhas de Minas Gerais. O desfecho, porém, foi capturado em um santuário ecológico no Rio Grande do Norte, onde a melodia final “invadiu” o músico em meio à mata. Uma sonata em três atos Diferente da estrutura pop convencional, Colosso organiza-se como uma sonata dividida em três partes: A música não tem pressa. Ela se beneficia de um certo estatismo para desenvolver suas ideias, empilhando camadas sonoras que culminam em um final denso, onde tudo parece desmoronar sob o próprio peso. Húbris, redes sociais e Ozymandias Liricamente, a canção utiliza o Colosso de Rodes (uma das sete maravilhas do mundo antigo) como alegoria para a “húbris”, o orgulho excessivo. A banda traça um paralelo entre os invasores da antiguidade e a performance insustentável do sucesso nas redes sociais e a fragilidade do ego masculino contemporâneo. A letra ecoa o famoso soneto Ozymandias, de Percy Shelley, desenhando a contradição entre o sonho humano de perfeição eterna e o passo implacável e corrosivo do tempo. Cinema em Super 8 O videoclipe de Colosso é, na verdade, um curta-metragem de quase sete minutos. Gravado em filme analógico com câmera Super 8, o visual ressalta a luta entre o pequeno e o grande. Enquanto a letra fala de estátuas antigas, a tela mostra a realidade da especulação imobiliária e a busca por lugares reais em um mundo de reproduções ocas. A direção é do cineasta paraibano Helder Bruno, com fotografia do pernambucano Ivan Cordeiro, e conta com a participação do pescador José Antônio Gomes da Silva, unindo a banda a figuras que representam a resistência do cotidiano real.

Colomy mergulha no Yacht Rock com o novo single “Causas Naturais”

O trio Colomy disponibilizou em todas as plataformas de streaming o single Causas Naturais, o primeiro cartão de visitas do álbum Pra Quem Andou Perdido, que será lançado em julho pela Universal Music. Acompanhada de um videoclipe vibrante, a faixa revela um amadurecimento que troca as baladas contemplativas do disco anterior, Jaú (2023), por um som mais colorido, acelerado e dançante. Composta por Sebastião Reis, Pedro Lipa e Magno Britto, a música é um mergulho inédito do grupo no yacht rock, subgênero que dominou as rádios entre o final dos anos 70 e início dos 80, conhecido pela produção impecável e vibe sofisticada. Conexões internacionais e locais O que chama a atenção em Causas Naturais é o peso dos nomes envolvidos. A percussão é assinada por Barrett Martin (conhecido por seu trabalho com Screaming Trees e Mad Season). Mas as surpresas do álbum não param por aí: o disco completo contará com a guitarra de Peter Buck (cofundador do R.E.M.) e a participação do mestre brasileiro Guilherme Arantes. “Essa música traz um frescor dançante e pop ao mesmo tempo. É um lado diferente nosso que sempre esteve lá, mas que ainda não tínhamos gravado”, explica Sebastião Reis. A letra reflete sobre dilemas e recomeços de ciclos, com versos marcantes como: “Eu não tenho medo de morrer de amor, só de saudade e de outras causas naturais”. Show de lançamento no Blue Note Para os fãs que querem conferir essa nova sonoridade ao vivo, a Colomy se apresenta no dia 20 de maio no Blue Note São Paulo. O show será uma oportunidade exclusiva de ouvir, em primeira mão, as canções do novo álbum que promete ser o guia de reencontro para “quem andou perdido” nos últimos tempos.

Paulo Miklos anuncia álbum de memórias; ouça o single “O Sal da Terra”

Paulo Miklos está de volta com um projeto que promete tocar o coração de diferentes gerações. O cantor e compositor lançou nas plataformas digitais o single O Sal da Terra (clássico de Beto Guedes e Ronaldo Bastos), a primeira amostra de seu aguardado novo álbum pela gravadora Deck. O projeto não é apenas um disco de intérprete; é um mapa afetivo da trajetória de Miklos. O repertório foi construído a partir das canções que moldaram sua identidade e marcaram momentos decisivos de sua vida, desde as paixões da juventude até os acontecimentos que definiram sua carreira. Mensagem atual em O Sal da Terra A produção do single (e do álbum) é assinada por Rafael Ramos e Otávio de Moraes. Este último também é o responsável pelos luxuosos arranjos e pela regência do naipe de cordas e metais que acompanham a banda completa na gravação. O resultado é uma versão que respeita a essência solar da original, mas ganha uma densidade e elegância típicas da maturidade vocal de Paulo. “São canções que carregam o grande poder de me trazer de volta as sensações e paixões de anos marcantes”, comentou o artista. O Sal da Terra, especificamente, foi escolhida para abrir os trabalhos por sua mensagem de união e generosidade, algo que Miklos considera fundamental para o momento atual do mundo. Jornada de reconexão Diferente de seus trabalhos autorais anteriores, onde explorou o rock e o pop contemporâneo, este novo disco coloca Miklos como um curador de sua própria história. Ao revisitar clássicos da MPB com essa roupagem orquestral e moderna, ele reafirma sua versatilidade como um dos maiores intérpretes do país.

Black Pantera solta “Cola”, segunda amostra do Ao Vivo no Circo Voador

O trio mineiro Black Pantera deu mais um passo rumo ao lançamento de seu primeiro álbum audiovisual. A banda soltou hoje o single Cola (Ao Vivo no Circo Voador), segunda amostra do projeto Resistência! Ao Vivo no Circo Voador, que será lançado na íntegra pela Deck no dia 8 de maio. Gravada em uma noite histórica em 19 de novembro, véspera do Dia da Consciência Negra, a faixa captura a energia visceral da celebração de 11 anos da banda. Mas Cola carrega um significado que vai além dos riffs pesados: a música se tornou a trilha oficial do “mosh das meninas”, a roda-punk exclusivamente feminina que virou marca registrada das apresentações do grupo. Mosh como ferramenta de luta Para o baixista e vocalista Chaene da Gama, registrar esse momento em audiovisual era fundamental. “O mosh das meninas é muito importante para a dinâmica do show. É uma música que dá pra gente trazer elas para o protagonismo, deixar elas no centro, e falar sobre o combate à misoginia e ao feminicídio”, explica. A versão ao vivo potencializa a letra, que já era um soco no estômago em sua versão de estúdio. O clipe que acompanha o single foca justamente na força das mulheres que ocupam o espaço da plateia com segurança e liberdade, transformando a agressividade sonora do hardcore em um ato de união e proteção. Exibição no Bis O álbum completo e o audiovisual Resistência! chegam em 8 de maio. Para quem não quer perder nenhum detalhe, o show será transmitido pelo Canal Bis na mesma data. Até lá, o público pode conferir Cola e o single anterior, Fogo nos Racistas, que já dão o tom do que foi essa noite incendiária no Rio de Janeiro.

Butthole Surfers lançam “Imbuya” e resgatam álbum perdido

Se existe uma banda que define o termo “cult” no rock alternativo, essa banda é o Butthole Surfers. Conhecidos por sua mistura caótica de psicodelia, punk, industrial e letras absurdistas, o grupo lançou o single Imbuya. A faixa é o segundo gostinho do álbum After The Astronaut, que chega oficialmente em 26 de junho de 2026 via Sunset Blvd. O lançamento de Imbuya carrega o DNA clássico do grupo. O guitarrista Paul Leary descreveu a faixa de forma, digamos, peculiar: “Concebida e produzida como um flatu após comer feijão”. Com vocais de Gibby Haynes que lembram um sermão evangélico distorcido e a bateria hipnótica de King Coffey, a canção é um mergulho no psych-sludge transgressivo. Saga do álbum “perdido” Para os fãs, o anúncio de After The Astronaut é histórico. Originalmente agendado para 7 de abril de 1998, o disco foi engavetado pela Capitol Records na época por ser considerado “abrasivo demais” e “pouco comercial”. A gravadora esperava um sucessor pop para o hit “Pepper” (que chegou ao #1 das paradas alternativas), mas recebeu uma obra experimental e densa. O material chegou a ser retrabalhado no álbum“Weird Revolution (2001), mas a banda nunca ficou satisfeita com o resultado final imposto pelas gravadoras. “Agora temos o direito de lançar a gravação original da forma que pretendíamos”, celebra Leary. Influência Emergindo da cena hardcore dos anos 80, o Butthole Surfers influenciou gigantes como Nirvana, Flaming Lips, Jane’s Addiction e White Zombie. O novo álbum, masterizado por Howie Weinberg (o mesmo de Nevermind e Beastie Boys), promete resgatar essa aura de “anarquia orquestrada” que os tornou lendas do underground.

Julio Meloni transforma São Paulo em protagonista no novo single “Nome de Santo”

Julio Meloni apresenta um novo capítulo de sua trajetória artística com o lançamento de “Nome de Santo”, single que transforma São Paulo em personagem central de uma narrativa sonora marcada por contrastes, simbolismo e atmosfera urbana. Na faixa, o cantor e compositor parte da experiência cotidiana na capital paulista para construir uma leitura que vai além do concreto, convertendo a cidade em uma paisagem ao mesmo tempo real e imaginária. O resultado é uma canção que oscila entre pertencimento e estranhamento, refletindo a complexidade de uma metrópole em constante movimento. A nova música reforça a identidade de Meloni dentro do pop psicodélico, agora com um olhar ainda mais voltado para a vida urbana. Guitarras eletrizadas e sintetizadores expansivos conduzem a sonoridade de “Nome de Santo”, criando uma atmosfera que alterna tensão e contemplação. A proposta é acompanhar, no plano musical, os extremos sugeridos pela letra, que apresenta São Paulo como um organismo vivo, capaz de ser acolhedor e ameaçador ao mesmo tempo. “São Paulo é minha casa faz 25 anos. Me sinto parte dela, mesmo que uma milésima parte. O que me atrai são os seus extremos: uma doce menina ou um poderoso dragão? Foi para entender a cidade onde eu vivo que eu decidi cantá-la”, afirma o artista. Produzida em parceria com Iran Ribas e Kaneo Ramos, a faixa dá sequência a uma colaboração já consolidada na carreira do músico, equilibrando densidade sensorial, textura e impacto melódico em uma produção que dialoga com o indie contemporâneo e o pop experimental. Inserido na cena independente desde 2022, Julio Meloni vem construindo uma obra que cruza referências da música brasileira com elementos do pop internacional e do universo dos sintetizadores. Após o álbum de estreia “Herdeiro da Lua”, lançado em 2023 e revisitado em versão deluxe em 2025, o artista avança agora para uma fase mais provocativa, em que a cidade assume papel central em sua construção estética e conceitual. Com mais de 200 composições autorais e ouvintes em mais de 30 países, Julio Meloni chega a este lançamento em um momento de consolidação. Indicado ao Prêmio Profissionais da Música em 2024, na categoria Pop-Sudeste, e presente na programação da 36ª Bienal de São Paulo em 2025, dentro do projeto Varanda Bienal, o cantor prepara novos lançamentos e o desenvolvimento de seu próximo show. “Nome de Santo” surge, assim, como a abertura de uma nova fase, em que São Paulo deixa de ser pano de fundo e passa a ocupar o centro da narrativa.