Gilberto Gil e Caetano Veloso são homenageados no Som das Palafitas

Após a etapa regional, o Instituto Arte no Dique abre neste fim de semana a fase nacional do festival O Som das Palafitas. Gilberto Gil e Caetano Veloso serão homenageados pelos seus filhos, Zezé Motta, Paulinho Moska, João Donato, Eduardo Dussek, Margareth Menezes e Armandinho Macedo. A programação completa será online, gratuita e antecipa celebração de 80 anos de vida destes dois grandes nomes da música popular brasileira. Para assistir, fique de olho no YouTube do Arte no Dique. “Essa edição do Festival O Som das Palafitas se estenderá entre 2021 e 2022, ao estilo das temporadas de futebol europeias. E decidimos sair na frente na homenagem a esses gigantes da MPB”, destaca José Virgílio. Programação completa do Som das Palafitas 6 de novembro, 20h – Moreno Veloso 13 de novembro, 20h – Bem Gil 20 de novembro, 20h – Armandinho Macêdo, Marco Lobo & YacoceSimões: Retocando Gil e Caetano 27 de novembro, 20h – Margareth Menezes 4 de dezembro, 20h – Os Gilsons 11 de dezembro, 20h – João Donato 18 de dezembro, 20h – Zezé Motta 8 de janeiro, 20h – Eduardo Dussek 15 de janeiro, 20h – Paulinho Moska

José Gil e Mariá Pinkusfeld são atrações no Som das Palafitas

Um dos maiores nomes da música brasileira de todos os tempos, Gilberto Gil influencia grandes artistas há décadas. Em casa, não é diferente. Filhos e netos também investem na música, com resultados cada vez melhores. José Gil, o caçula de 28 anos, além de integrar o Gilsons com João Gil (filho de Nara Gil) e Francisco Gil (filho de Preta Gil), também tem outro projeto interessante com a esposa, Mariá Pinkusfeld. O duo é a segunda atração nacional do Som das Palafitas, que acontece neste sábado (17), às 20h, no Facebook do Arte no Dique. “A parceria foi consequência do nosso namoro. Costumávamos tocar e escutar música juntos, e vimos que tínhamos em comum um amor pela música nordestina, pela nossa ascendência e influências”, comenta Gil. Para o caçula da família Gil, o projeto é genuinamente caseiro e seguirá como paralelo aos trabalhos pessoais que os dois têm. “É um trabalho muito leve. Essa é a maior vantagem. Gostamos muito de tocar um com o outro, admiramos um ao outro. Temos apenas uma composição juntos, mas é uma música especial que sairá no ano que vem. A gente se acostumou à dinâmica de tirar músicas e interpretar coisas que gostamos”. Repertório Com um repertório que transita pela música nordestina do sertão e litoral, dando continuidade ao legado de seus pais, Gilberto Gil e Xangai (o violeiro e cantor baiano é pai de Mariá), o casal apresentará composições de Dominguinhos, Luiz Gonzaga, Chico César, Paulo César Pinheiro, Djavan, João Silva, entre outros. É uma oportunidade única de acompanhar José Gil e Mariá juntos. Em breve, o casal dará uma pausa no projeto, mas por um bom motivo: serão pais de gêmeos. Antes, no entanto, tem lançamento programado. “Iremos lançar ainda este ano nosso primeiro EP, já está gravado. O nascimento das meninas será um momento de menos trabalho, com certeza”. Interesse pela música O interesse pela música foi natural. José Gil afirma que sempre que possível acompanhava as turnês do pai, além de manter uma relação muito boa, pautada pela música e o futebol. “Cresci nesse universo musical. Gostava de estar no palco desde cedo. Mas profissionalmente comecei tarde. Me formei em Administração e, após a faculdade, tive meu primeiro projeto, onde era baterista na banda Sinara. Desde então a música é a tônica da minha vida”. E o músico acrescenta que carrega muito das “aulas” do pai. “O maior ensinamento que levo dele é a curiosidade por assuntos tão diversos, a visão de mundo, o estilo de vida. É o que levou ele a transitar por tantos gêneros musicais diferentes, tipos de composição tão diversas na carreira”. Programação Nos próximos sábados, o Som das Palafitas receberá Charlie Brown Jr (dia 24), Hamilton de Holanda (dia 31), Moreno Veloso (07/11), Gilmelandia e Luciano Calazans (14/11), Davi Moraes (21/11) e Armandinho Macedo (28/11).

Som das Palafitas começa nesta sexta-feira; Confira programação

O Instituto Arte no Dique vai apresentar mais uma edição do Som das Palafitas, um de seus projetos na comunidade do Dique da Vila Gilda. Ademais, o Som das Palafitas faz parte do calendário oficial da cidade de Santos e promove o fácil acesso à cultura, além de contribuir com a economia local. Além disso, a edição deste ano prestará homenagem ao cantor e compositor baiano Moraes Moreira, falecido no início do ano, que era um dos patronos do Arte no Dique. Moraes Moreira é considerado figura importante para o projeto, como conta o presidente da ONG, José Virgílio Leal de Figueiredo. “Foi alguém fundamental na história do Arte no Dique, que nos ajudou a abrir portas, trouxe credibilidade para a ONG e levou o nosso nome Brasil afora”. Como resultado desta importante iniciativa, o evento terá início nesta sexta-feira (4) e contará com diversas atrações musicais. Porém, devido a pandemia do coronavírus, o evento deste ano será totalmente online e transmitido nas redes sociais do instituto. Entretanto, nas edições anteriores, além das apresentações culturais, as pessoas comercializavam seus produtos como forma de divulgar seus trabalhos e aumentar a renda. Isso não acontecerá esse ano devido a pandemia. Portanto, haverá um QR Code para a arrecadação das doações nos dias do evento, assim como aconteceu no mais recente promovido pelo Blog n Roll, o #JuntospelaVilaGilda e pode ser conferido no canal oficial do blog no Youtube. Em suma, toda arrecadação será para a compra de equipamentos utilizados pela entidade e instrumentos para as oficinas musicais. O evento O Som das Palafitas terá duas fases. Sua abertura será na sexta-feira (4), às 20h, com o cantor e compositor Danilo Nunes, cantando grandes sucessos de Morares Moreira, como Pombo Correio, Preta Pretinha, Acabou Chorare, entres outros. Em suma, todas as atrações presentes prestarão homenagem cantando uma canção do artista. 1° Fase O Instituto Arte do Dique, valoriza muito a cultura local e não seria diferente neste evento tão importante para a comunidade, como destaca o presidente da ONG José Virgílio. “São dez apresentações e 11 artistas da região. É nossa forma de valorizarmos a produção artística local, principalmente nesse cenário bastante difícil para a classe cultural com a pandemia. Muitos deixaram de ganhar o seu sustento do dia a dia com o fechamento de bares, casas noturnas e cancelamento de shows e festivais presenciais, e dependem de iniciativas assim para se manterem”. Com isso, a primeira fase contará apenas com artistas da região da Baixada Santista. No sábado (5) contará com a apresentação do DJ Cuco. Ademais, as apresentações serão sempre às sextas e aos sábados, às 20h, e terá como atrações Matheus Vasconcelos (11 de setembro), Simone Ancelmo (12 de setembro), Monna (18 de setembro), Gabriel Prado e Edison Cabeça (19 de setembro), Diego Alencikas (25 de setembro), Conrado Pouza (26 de setembro), Julinho Bittencourt (2 de outubro) e Jotta R (3 de outubro). 2° Fase Considerada como fase nacional, esta segunda leva de shows, contará com a presença de artistas locais e músicos consagrados no cenário brasileiro como: José Gil e Maria, Charlie Brown Jr., Moreno Veloso, Sandra de Sá, Hamilton de Holanda, Gilmelandia e Luciano Calazans, Davi Moraes e Armandinho Macedo, que será o mestre de cerimônias das apresentações. Programação completa 04/09 – Danilo Nunes05/09 – Dj Cuco11/09 – Matheus Vasconcelos12/09 – Simone Ancelmo 18/09 – Monna19/09 – Gabriel Prado e Edison Kbça25/09 – Diego Alencikas26/09 – Conrado Pouza02/10 – Julinho Bittencourt03/10 – Jotta R10/10 – Sandra de Sá17/10 – José Gil e Maria24/10 – Charlie Brown Jr31/10 – Moreno Veloso07/11 – Hamilton de Holanda14/11 – Gilmelandia e Luciano Calazans21/11 – Davi Moraes28/11 – Armandinho

Entrevista | A Cor do Som – “Sem dúvida existe uma renovação”

Quarenta anos se passaram, mas nada fez a banda A Cor do Som cair no esquecimento. Reverenciado por músicos habilidosos como Yamandu Costa e Hamilton de Holanda, o grupo baiano segue como uma referência. E mais do que isso, mostra que a combinação de rock com ritmos regionais sempre é uma aposta certa. No domingo, a partir das 18h, o público santista terá a oportunidade de ver a formação original em cena no projeto Som das Palafitas, do Instituto Arte no Dique. Armandinho, Dadi, Mú Carvalho, Gustavo Schroeter e Ary Dias terão uma plateia formada por várias faixas-etárias. Algo que é recorrente nos shows da banda. “Sem dúvida existe uma renovação. A internet tem ajudado muito nisso. A garotada que se interessa por música procura por tudo, bandas dos anos 1970, 1980 e assim por diante. Sou suspeito para falar isso, mas acho que os anos 1970 foi uma das melhores décadas da música no Brasil. Novos Baianos, Mutantes, A Cor do Som, o Terço, o nível muito alto, melodias principalmente, e também a performance dos instrumentistas. Guitarristas como Pepeu, Armandinho, Sérgio Dias, tecladistas como Tulio Mourão, Flavio Venturini, isso estava rolando lá, e a garotada vemse ligando nisso”, comenta o pianista e tecladista, Mú Carvalho, irmão caçula de Dadi. 40 anos de A Cor do Som E a apresentação de domingo não será destinada apenas para os mais nostálgicos. A banda vem renovada, com um disco recém-lançado, 40 Anos, que, como diz o próprio nome, celebra a trajetória dos músicos. Diversos artistas participaram da gravação, como Samuel Rosa (Skank), Lulu Santos, Natiruts, Roupa Nova e Gilberto Gil. E cada um com uma ligação particular. “Foi muito por cada música. O Roupa Nova, por exemplo, foi muito fácil. Alto Astral é uma canção com um caminho melódico e harmônico muito na onda de Sapato Velho. Compasso 6/8, harmonia com uma riqueza do nível de SV, e eu como compositor de ambas sempre imaginei o Roupa Nova interpretando Alto Astral. O Gil, nosso padrinho desde sempre, convidamos e ele escolheu regravar Abri a Porta. O Natiruts veio por conta de Semente do Amor, um reggae/xote que tem tudo a ver com eles”, esmiuça Mú, sobre as colaborações do disco. “O Lulu, quando convidei me perguntou se Swingue Menina estava disponível e o Samuel Rosa também escolheu a Zanzibar. Foi assim, músicas e intérpretes que se identificavam”. Imprevistos na gravação A gravação do disco, por sinal, demorou mais do que o previsto, segundo o tecladista. Mú conta que a situação só avançou com a entrada do produtor Ricardo Feghali. “Começamos a gravar há três anos, mas estava virando obra de igreja. No ano passado a gente viu que precisaríamos de alguém de fora para conduzir essa produção ou nunca acabaríamos. Feghali é um produtor maravilhoso, conduz a coisa muito bem, firme e profissional, tudo que precisava”. No final da décadade 1970, o rock brasileiro vivia o esgotamento do progressivo e se enveredava a outras ramificações tipicamente nacionais, como o movimento black (a soul music tupiniquim), aproximação com a MPB e ecos tardios do Tropicalismo e Clube da Esquina. Gravadoras como a Som Livre e Continental apostavam suas fichas no cenário ainda incerto que era o Rock in Brazil. Eram as sementes para a segunda dentição do BRock, que explodiria nos anos 1980como um produto de massa. Expectativa pelo Vímana Nesse hiato, contudo, formaram-se novas linguagens para a música jovem, surgindo bandas que ajudariam a ditar a sonoridade, como a Cor do Som, 14 Bis e Roupa Nova. Para Mú, a sonoridade original foi o grande acerto. “Essa mistura de choro, baião, com o rock progressivo foi determinante por ser original. Sempre acreditei que o mais importante na música, mais ainda do que ser um virtuose, é você ter uma identidade, uma cara sua, e isso A Cor do Som sempre teve. Se você ouvir a gravação de Hino de Duran, com o Chico Buarque e A Cor do Som, está tudo ali, qualquer um vai sacar que somos nós tocando”. Mú, inclusive, afirma que adoraria ver uma reunião de uma contemporânea. “O Vímana, mas acho que isso vai ser complicado porque o Lulu Santos tem falado que não se identifica mais com aquela onda. Mas o Terço voltou e os Mutantes estão na ativa novamente”.