Adrian Younge redefine o encontro entre Orquestra e Hip Hop em novo álbum

Existem artistas que fazem música e existem artistas que constroem mundos. Adrian Younge pertence ao segundo grupo. O compositor, produtor e multi-instrumentista de Los Angeles acaba de lançar sua obra definitiva: o álbum Younge. O disco é uma afirmação instrumental audaciosa que posiciona o artista como o elo perdido entre os grandes compositores de trilhas sonoras dos anos 70 e os produtores de hip hop contemporâneos. O álbum é uma homenagem consciente a gênios como Ennio Morricone, Lalo Schifrin e David Axelrod, visionários que criaram músicas cinematográficas que seriam, décadas depois, “escavadas” por produtores de rap para criar batidas atemporais. Em Younge, Adrian não apenas utiliza essas influências; ele as reconstrói do zero. Orquestra para o sample Diferente de uma orquestra clássica tradicional, as composições em Younge são modulares. Elas foram escritas com a mentalidade de um produtor que entende de sampling. São arranjos construídos sobre textura, tensão e espaço, convidando à reinterpretação. Tudo no álbum foi gravado de forma 100% analógica, em fita, no Linear Labs (estúdio de Younge em LA). Esse compromisso com o som “sujo” e quente da fita garante que o disco soe, ao mesmo tempo, como uma raridade descoberta em um sebo de 1972 e como algo futurista e inevitável. Legado Jazz Is Dead Adrian Younge também é conhecido por ser o cofundador do selo Jazz Is Dead, onde produz álbuns inéditos ao lado de lendas vivas do jazz. Essa experiência de “curadoria viva” transparece em seu novo trabalho solo, onde a sofisticação harmônica se encontra com o peso rítmico do hip hop. Ele é o compositor que pensa como produtor e o produtor que escreve como maestro.
30e assina exclusividade para shows no Maracanã

A 30e anunciou a assinatura de um contrato de exclusividade com o Maracanã. A partir de 1º de janeiro de 2027, a empresa será a responsável por gerir a agenda de espetáculos do estádio mais icônico do mundo, em uma parceria de cinco anos com o Consórcio Fla-Flu. Com este movimento, a 30e consolida uma “trindade” estratégica de venues no país, já que também opera a agenda de shows do Allianz Parque (São Paulo) e da Arena da Baixada (Curitiba). Na prática, isso cria uma rota integrada de alta performance para artistas nacionais e globais, facilitando a logística de grandes turnês em estádios no Brasil. Futebol e música em harmonia com parceria entre 30e e Maracanã Um dos pilares do acordo é a otimização do calendário. A 30e trabalhará junto à administração do Maracanã para garantir que os megashows não interfiram no calendário esportivo. “O Maracanã é um símbolo do entretenimento brasileiro. Esta parceria nos permite um planejamento de longo prazo inédito”, afirma Pepeu Correa, CEO da 30e. O que vem por aí em 2026? Embora o contrato de exclusividade comece em 2027, a 30e já tem dois eventos históricos confirmados no “Maraca” para o segundo semestre de 2026:
O Boto apresenta o single solar “Jah Eu (Um Pouco de Sol)”

A banda paulistana O Boto deu mais um passo importante em direção ao seu primeiro álbum de estúdio, intitulado Diferente de Ninguém. O grupo lançou na última sexta-feira (17) o single Jah Eu (Um Pouco de Sol), uma faixa que funde com precisão o rock alternativo ao groove do reggae, completa com arranjos de metais que dão um brilho especial à composição. A letra, escrita pelo vocalista João Pedro Rydlewski, mergulha nas complexidades das relações contemporâneas, usando a natureza como metáfora para a instabilidade e os ciclos de entrega entre duas pessoas. “A música vem desse lugar de se dar por inteiro enquanto o outro muda o tempo todo”, revela o cantor. Simplicidade e pequenos gestos no trabalho de O Boto Um dos destaques da canção é a sua capacidade de encontrar poesia no cotidiano. Versos como “Eu só preciso te lembrar de beber água, porque flor que nem você não precisa de mais nada” traduzem o cuidado nos pequenos detalhes, enquanto o refrão aponta para o essencial: o sol e o afeto. O quarteto, formado por João Pedro (voz), Lucas Benez (guitarra), Felipe Troccoli (baixo) e Gabriel Brantes (bateria), consolida uma identidade que bebe de fontes sagradas da música brasileira e internacional, como Jorge Ben Jor, Red Hot Chili Peppers e Lagum.
Mari Romano explora a zamba argentina no single “Sentimento e Nada”

Durante sua vivência na Argentina, a artista Mari Romano descobriu que o samba deles não é como o nosso, nem se escreve igual. A zamba, ritmo do folclore rural argentino popularizado por ícones como Mercedes Sosa, tornou-se o alicerce para Sentimento e Nada, o novo single da cantora e produtora que antecipa o álbum Além da Pele. Diferente do balanço do samba brasileiro, a zamba traz uma percussão mais terrosa e cadenciada. Mari utilizou essa base para refletir sobre a modernidade, inspirada pelos documentários de Adam Curtis, criando uma faixa que equilibra o orgânico e o sofisticado. Poder dos sopros e o “Sway” instrumental O grande destaque de Sentimento e Nada é o seu desfecho. A música se expande em um longo trecho instrumental, construído em camadas progressivas de sax tenor, trompete, trombone, clarinete e flauta transversa. Mari Romano assina todos os arranjos de sopro, que foram interpretados pelo experiente trio Copacabana Horns (Marlon Sette, Diogo Gomes e Jorge Continentino) e pela flautista Aline Gonçalves. “Eu sempre imaginei esse final como um ‘sway’, um balanço que vai de um lado para o outro. Quando você entra nessa sensação, dá vontade de ficar ali, nesse fluxo, sem pressa de terminar”, revela Mari. Mosaico de experiências O novo single dá continuidade à narrativa aberta por lançamentos anteriores como Mosquito, Maluco da Retronoia e Tudo Errado. O álbum Além da Pele se desenha como um mosaico emocional e polirrítmico, contando com um time de músicos de elite, incluindo Jeremy Gustin (bateria), Guilherme Lirio (baixo) e Thomas Jagoda (sintetizadores).
Jeza da Pedra e Mexitapi celebram o universo dos Bate-Bolas em novo EP

Quem já passou pelo subúrbio do Rio de Janeiro durante o Carnaval conhece a energia magnética (e o susto provocado pelo barulho das bexigas no chão) dos bate-bolas. Essa estética vibrante e cheia de mistério agora ganha uma narrativa sonora contemporânea no EP Parangolé Bate-Bola, uma colaboração entre o artista Jeza da Pedra e a banda Mexitapi. O trabalho, lançado via LAB 344, reúne cinco faixas que funcionam como um corpo único. O som é um choque entre tradição e reinvenção, misturando as rimas do rap com o balanço do dub, o peso do funk e beats eletrônicos que emulam a energia coletiva dos cortejos suburbanos. Do palco para o fone O projeto nasceu originalmente como um espetáculo que estreou em 2025. Agora no formato fonográfico, Jeza da Pedra e Mexitapi aprofundam a pesquisa sobre os códigos de rua e as memórias afetivas do território. Para isso, contaram com a colaboração da Turma Superação, de Ricardo de Albuquerque, um dos baluartes da tradição bate-bolista. A produção musical, assinada por Bruno Muniz, Diogo Furieri, Marcelo Tapajós e Pedro Tie, equilibra bases eletrônicas com instrumentos orgânicos como guitarra e trombone, criando a atmosfera sensorial perfeita para as letras poéticas e intensas de Jeza. Identidade e periferia no projeto do Jeza da Pedra e Mexitapi Parangolé Bate-Bola reafirma que a cultura periférica não é estática. Ao transformar o excesso visual das fantasias em experimentação sonora, o duo ocupa novos espaços e convida o ouvinte a uma imersão sensorial no imaginário carioca.
Cayarí lança Floresta, primeiro single do EP “Território Vivo”

A artista indígena Cayarí iniciou um novo momento em sua trajetória com o lançamento do EP Território Vivo. A primeira faixa, Floresta, foi lançada nesta quinta-feira (16), dando início a uma série de quatro lançamentos mensais. O projeto independente marca uma transformação estética e sonora em sua carreira. Conhecida por integrar elementos da cultura Pataxó à música contemporânea, a cantora amplia sua identidade artística ao incorporar influências do rock, especialmente do subgênero new metal, sem abrir mão de suas raízes ancestrais. Para Cayarí, o EP Território Vivo se configura como um manifesto artístico e político, indo além de um simples lançamento musical. Nesta nova fase, a artista aposta em uma sonoridade mais intensa e visceral. “Quero construir uma experiência onde o som, a identidade e a narrativa se entrelacem, propondo reflexões sobre pertencimento, reconexão com a terra e consciência coletiva. No single Floresta, canto sobre a proteção dos nossos biomas e da responsabilidade que temos para evitar um colapso climático ainda maior. Porque acredito que quando a floresta cai, caímos juntos”, declarou. A fusão entre reggae, rock e elementos do new metal cria uma atmosfera potente, marcada por guitarras intensas, batidas densas e vocais expressivos que dialogam com espiritualidade, resistência cultural e consciência ambiental. A estética visual do EP acompanha essa transformação, trazendo uma imagem mais dark, introspectiva e ousada, transitando entre o urbano, o ancestral e o contemporâneo. Com Território Vivo, Cayarí se firma como uma das vozes emergentes da cena independente, estabelecendo uma ponte entre tradição e inovação e convidando o público à reflexão sobre a relação entre humanidade e natureza. Conexões internacionais e estética O novo trabalho de Cayarí também é atravessado por conexões relevantes dentro da cena internacional. Durante o processo, a artista trocou experiências com o baterista Iggor Cavalera, referência global no metal, e encontrou Sonny Sandoval, vocalista da banda P.O.D., uma de suas principais influências. Além disso, o encontro com Julian Marley amplia ainda mais o diálogo entre reggae e rock em sua trajetória. Essas conexões evidenciam a construção de uma artista que transita com fluidez entre diferentes vertentes sonoras, incorporando o peso do new metal, a essência do reggae e suas raízes ancestrais, sempre alinhadas a uma mensagem socioambiental consistente. Somando-se à sonoridade, Cayarí também constrói uma identidade visual marcante. Seu estilo é influenciado pela estética rock dos anos 2000, com o uso de correntes, botas e bucket hats, além de referências diretas de artistas como Avril Lavigne, Poppy e Amy Lee. Essa construção estética se integra à sua essência ancestral, criando uma imagem que une atitude, espiritualidade e contemporaneidade. Trajetória de Cayarí Nascida em Vitória da Conquista, Bahia, Cayarí é cantora, compositora, atriz e apresentadora indígena da etnia Pataxó. Sua trajetória musical teve início aos nove anos de idade e, desde então, vem sendo marcada por uma expressiva diversidade artística. Suas composições transitam entre o português, inglês e Patxohã — língua ancestral do povo Pataxó — revelando um profundo compromisso com suas raízes e com a valorização da cultura originária. Em 2018, mudou-se para São Paulo, onde rapidamente se destacou na cena musical alternativa, participando de pocket shows e batalhas de rima. No ano seguinte, iniciou colaborações com nomes relevantes da música paulistana, ampliando sua atuação e consolidando seu espaço na capital cultural do país. Durante a pandemia de 2020, Cayarí encontrou novos caminhos de expressão: realizou lives musicais e criou um programa semanal de entrevistas em seu Instagram, dando visibilidade a representantes da etnia Pataxó e promovendo reflexões sobre identidade e resistência indígena. Entre 2022 e 2023, sua carreira ganhou novos contornos. Suas músicas passaram a integrar trilhas sonoras de filmes e peças de teatro, e ela expandiu sua atuação como atriz. No final de 2023, lançou o EP Afluir, consolidando sua identidade artística plural. Em julho de 2023, Cayarí foi nomeada embaixadora da octaEra, organização que atua na proteção das florestas e no fortalecimento das culturas originárias. Em 2024, aproximou-se do universo reggae, gravando músicas do gênero e participando de shows ao lado de artistas consagrados. Fez história ao se tornar a primeira apresentadora indígena e nordestina de um Festival de Reggae no Brasil. Sua trajetória também a levou a experiências marcantes, como o convite da equipe de Julian Marley (filho de Bob Marley) para acompanhar seu show na Virada Cultural de São Paulo, consolidando a sonoridade que viria a marcar seus próximos trabalhos, em uma fusão autêntica de reggae, rock e rap. Além disso, apresentou-se musicalmente no Pré-Carnaval de Salvador, foi narradora do audiolivro bilíngue “Vamos Passear na Floresta”, na língua indígena Maraguá e em português, realizou um show autoral no Festival Indígena de Osasco e apresentou o espetáculo musical autoral “Afluir” no Teatro Alfredo Mesquita. O ano de 2025 marca um novo ciclo na carreira de Cayarí, quando passa a nomear sua linguagem musical como Reggae’n’Roll nativo, conceito que sintetiza a fusão entre reggae, rock/new metal e ancestralidade indígena. Entre suas participações recentes, destacam-se o show autoral com banda no Festival São Paulo Rocknation, a narração de audiodescrição no projeto Men Am Nim, na Ocupação Ailton Krenak do Itaú Cultural, e o show autoral no FSB – Festival Suíça Bahiana. Em 2026, a artista lança o EP Território Vivo, consolidando sua nova fase estética e sonora. O projeto reúne quatro faixas que aprofundam sua proposta de fusão entre reggae, rock e influências do new metal, enquanto reafirma seu compromisso com a ancestralidade, a preservação ambiental e a valorização das culturas originárias.