Quem já passou pelo subúrbio do Rio de Janeiro durante o Carnaval conhece a energia magnética (e o susto provocado pelo barulho das bexigas no chão) dos bate-bolas. Essa estética vibrante e cheia de mistério agora ganha uma narrativa sonora contemporânea no EP Parangolé Bate-Bola, uma colaboração entre o artista Jeza da Pedra e a banda Mexitapi.
O trabalho, lançado via LAB 344, reúne cinco faixas que funcionam como um corpo único. O som é um choque entre tradição e reinvenção, misturando as rimas do rap com o balanço do dub, o peso do funk e beats eletrônicos que emulam a energia coletiva dos cortejos suburbanos.
Do palco para o fone
O projeto nasceu originalmente como um espetáculo que estreou em 2025. Agora no formato fonográfico, Jeza da Pedra e Mexitapi aprofundam a pesquisa sobre os códigos de rua e as memórias afetivas do território. Para isso, contaram com a colaboração da Turma Superação, de Ricardo de Albuquerque, um dos baluartes da tradição bate-bolista.
A produção musical, assinada por Bruno Muniz, Diogo Furieri, Marcelo Tapajós e Pedro Tie, equilibra bases eletrônicas com instrumentos orgânicos como guitarra e trombone, criando a atmosfera sensorial perfeita para as letras poéticas e intensas de Jeza.
Identidade e periferia no projeto do Jeza da Pedra e Mexitapi
Parangolé Bate-Bola reafirma que a cultura periférica não é estática. Ao transformar o excesso visual das fantasias em experimentação sonora, o duo ocupa novos espaços e convida o ouvinte a uma imersão sensorial no imaginário carioca.