Existem artistas que fazem música e existem artistas que constroem mundos. Adrian Younge pertence ao segundo grupo. O compositor, produtor e multi-instrumentista de Los Angeles acaba de lançar sua obra definitiva: o álbum Younge. O disco é uma afirmação instrumental audaciosa que posiciona o artista como o elo perdido entre os grandes compositores de trilhas sonoras dos anos 70 e os produtores de hip hop contemporâneos.
O álbum é uma homenagem consciente a gênios como Ennio Morricone, Lalo Schifrin e David Axelrod, visionários que criaram músicas cinematográficas que seriam, décadas depois, “escavadas” por produtores de rap para criar batidas atemporais. Em Younge, Adrian não apenas utiliza essas influências; ele as reconstrói do zero.
Orquestra para o sample
Diferente de uma orquestra clássica tradicional, as composições em Younge são modulares. Elas foram escritas com a mentalidade de um produtor que entende de sampling. São arranjos construídos sobre textura, tensão e espaço, convidando à reinterpretação.
Tudo no álbum foi gravado de forma 100% analógica, em fita, no Linear Labs (estúdio de Younge em LA). Esse compromisso com o som “sujo” e quente da fita garante que o disco soe, ao mesmo tempo, como uma raridade descoberta em um sebo de 1972 e como algo futurista e inevitável.
Legado Jazz Is Dead
Adrian Younge também é conhecido por ser o cofundador do selo Jazz Is Dead, onde produz álbuns inéditos ao lado de lendas vivas do jazz. Essa experiência de “curadoria viva” transparece em seu novo trabalho solo, onde a sofisticação harmônica se encontra com o peso rítmico do hip hop. Ele é o compositor que pensa como produtor e o produtor que escreve como maestro.