Hayley Williams anuncia show no Qualistage após esgotar datas em SP

Quem avisou, avisou: Hayley Williams é imparável. Depois de ver os ingressos para suas duas noites em São Paulo (12 e 13 de novembro) evaporarem em poucas horas, a vocalista do Paramore confirmou que a The Hayley Williams Show terá uma parada especial no Rio de Janeiro. A apresentação acontece no dia 10 de novembro de 2026, no palco do Qualistage. Realizada pela 30e, a turnê marca uma fase de celebração total da carreira solo de Hayley, reunindo faixas do seu mais recente (e indicado ao Grammy) álbum Ego Death At A Bachelorette Party, além de sucessos dos discos Petals for Armor e FLOWERS for VASES / descansos. Cronograma de vendas Serviço: The Hayley Williams Show no Rio

Born to Kill traz um lado mais melancólico e intenso do Social Distortion

Quinze anos depois de Hard Times and Nursery Rhymes, o Social Distortion lança amanhã (8) Born To Kill, um álbum que soa como reencontro com a própria essência. Tivemos acesso ao álbum em primeira mão e trazemos aqui as primeiras impressões deste novo trabalho. Mike Ness não tenta modernizar a fórmula ou correr atrás de tendências. Pelo contrário. O disco abraça sem medo tudo aquilo que transformou a banda em referência do punk rock americano: guitarras melódicas, influência rockabilly, letras confessionais e aquela sensação constante de estrada, bares vazios e cicatrizes acumuladas pelo tempo. A faixa-título já deixa claro o tom do trabalho. Born To Kill chega agressiva, direta e com cara de clássico instantâneo da banda. No Way Out mantém a intensidade elevada, enquanto Partners In Crime reforça a mistura entre melodia e sujeira que o Social Distortion domina como poucos. O álbum inteiro passa uma sensação de honestidade rara, principalmente porque não tenta soar maior do que realmente é. Tudo funciona de maneira orgânica, sem exageros na produção ou tentativas artificiais de atualizar a sonoridade. O grande coração emocional do disco aparece em The Way Things Were. A música carrega o mesmo espírito de faixas clássicas como Story of My Life, trazendo Mike Ness revisitando o passado de maneira madura e melancólica. Existe um peso sentimental muito forte na composição, principalmente pela forma como ele canta sobre juventude, memória e transformação sem soar piegas. A interpretação vocal transmite desgaste e experiência, enquanto as guitarras criam uma atmosfera agridoce que encaixa perfeitamente na proposta do álbum. É uma música sobre olhar para trás entendendo que muita coisa mudou, mas sem perder a conexão com quem você foi um dia. Outro momento que chama atenção é a releitura de Wicked Game, clássico eternizado por Chris Isaak. É um cover comum e, confesso, quando vi que não era uma coincidência apenas de nome e sim uma versão, cheguei a torcer o nariz. Mas essa sensação acabou em segundos, pois em vez de apenas reproduzir a versão original, o Social Distortion transforma a faixa em algo completamente compatível com sua identidade. A banda deixa a música mais crua, mais soturna e carregada de tensão emocional. A voz rouca de Mike Ness funciona perfeitamente dentro dessa abordagem, trazendo um ar ainda mais decadente e melancólico para a composição. É o tipo de cover que faz sentido existir porque adiciona personalidade própria, não apenas reverência. Crazy Dreamer, Walk Away (Don’t Look Back) e Never Goin’ Back Again ajudam a manter a fluidez do álbum até o final, sempre alternando momentos mais explosivos com outros mais introspectivos. O mérito de Born To Kill está justamente nessa naturalidade. O disco não tenta reinventar o Social Distortion, mas também não soa cansado. Depois de tanto tempo longe dos estúdios, Mike Ness e companhia entregam um trabalho honesto, intenso e carregado de identidade. E no meio disso tudo, The Way Things Were e Wicked Game acabam funcionando como os grandes pilares emocionais desse retorno.

Entrevista | Draconian – “Tínhamos muita coisa escrita pensando na Lisa, mas ela deixou tudo ainda melhor”

O Draconian retorna ao Brasil no próximo dia 16 de maio para apresentação única no Carioca Club, em São Paulo. O show marca a nova passagem da banda sueca pelo país após a apresentação sold out realizada em 2023 no La Iglesia, casa que acabou combinando perfeitamente com a atmosfera sombria e melancólica construída pelo grupo ao longo de mais de três décadas de carreira. Desta vez, o Draconian desembarca em meio à divulgação de In Somnolent Ruin, oitavo álbum de estúdio que será lançado oficialmente amanhã, 8 de maio, via Napalm Records. A noite ainda contará com abertura da norte-americana Emma Ruth Rundle, conhecida pelo trabalho que mistura dark folk, ambient, post-rock e doom. Formado na Suécia em meados dos anos 1990, o Draconian se consolidou como um dos nomes mais respeitados do gothic/doom metal contemporâneo graças à combinação de riffs lentos, clima depressivo e o contraste entre vocais guturais e femininos etéreos. A banda nunca apostou em excesso de técnica ou velocidade. Seu diferencial sempre esteve na construção de ambiente, algo perceptível desde trabalhos clássicos como Arcane Rain Fell até discos mais recentes como A Rose for the Apocalypse, Sovran e Under a Godless Veil. A formação atual também representa uma reconexão com a essência clássica do grupo, especialmente após o retorno da vocalista Lisa Johansson, novamente dividindo os vocais com Anders Jacobsson. In Somnolent Ruin Ouvimos In Somnolent Ruin e te contamos em primeira mão o que esperar do álbum. O novo trabalho praticamente reafirma tudo aquilo que transformou a banda em referência dentro do gothic doom metal. O álbum mergulha em atmosferas densas, melodias arrastadas e estruturas que alternam delicadeza e brutalidade de maneira extremamente natural. Desde a abertura com “I Welcome Thy Arrow”, o disco transmite uma sensação quase cinematográfica, sustentada por teclados soturnos, guitarras pesadas e o contraste vocal que continua sendo a principal assinatura do grupo. O retorno de Lisa Johansson não funciona apenas como elemento nostálgico. Sua presença recoloca o Draconian em um território emocional que remete diretamente aos discos mais celebrados da carreira. O novo álbum também chama atenção pela produção mais orgânica e menos polida em excesso, algo que reforça ainda mais o peso emocional das composições. Faixas como “The Face of God”, “Cold Heavens” e “Misanthrope River” trabalham sentimentos de isolamento, espiritualidade e desesperança sem soar repetitivas ou previsíveis. O Draconian continua operando dentro da mesma identidade construída nos últimos 30 anos, mas consegue evitar a sensação de estagnação justamente pela maneira como desenvolve dinâmica e atmosfera. Existe um equilíbrio muito forte entre o lado contemplativo e os momentos mais pesados, aproximando o álbum de nomes clássicos como My Dying Bride e Paradise Lost, mas sem perder personalidade própria. Mesmo sem reinventar o estilo, In Somnolent Ruin surge como um dos trabalhos mais consistentes da discografia do Draconian. O disco mantém a essência melancólica da banda, mas adiciona sensação de maturidade e coesão raramente alcançada dentro do doom metal contemporâneo. O resultado é um álbum que não busca hits imediatos ou refrões acessíveis. Pelo contrário: funciona quase como uma experiência contínua de imersão emocional. Em uma cena onde muitas bandas do gênero acabaram se tornando previsíveis, o Draconian ainda consegue transformar tristeza, peso e contemplação em algo genuinamente envolvente. E para trazer ainda mais detalhes sobre o novo álbum e o show no Brasil, o Blog N’ Roll conversou com Anders Jacobsson que falou sobre o retorno de Lisa, a expectativa de retorno ao Brasil e qual seria o local perfeito para os humanos habitarem. Como surgiu o processo criativo de In Somnolent Ruin? O ponto de partida foi “Misanthrope River”, que originalmente tinha sido escrita para Under a Godless Veil, mas não se encaixava naquele álbum. O Johan sentiu isso na época, e ele estava certo. Então decidimos guardar a música para o próximo disco. Só que demorou muito até realmente chegarmos ao momento de fazer esse álbum acontecer. O verdadeiro começo veio em 2022, quando a banda começou a encontrar estabilidade novamente. Havia muita incerteza. A pandemia tinha mudado tudo, algumas pessoas tinham prioridades diferentes e nós nunca tivemos a chance de promover Under a Godless Veil adequadamente porque a turnê foi adiada várias vezes. Então foi um período muito turbulento emocionalmente. E como foi a troca de formação com a saída da Heike e o retorno da Lisa? Tudo o que queríamos era manter o Draconian funcionando. Quando sentimos que as coisas começaram a se estabilizar e que o retorno da Lisa Johansson faria sentido, o processo criativo realmente começou. No início ela voltaria apenas para os shows ao vivo, mas acabou acontecendo naturalmente. A própria Heike Langhans sentiu que fazia sentido a Lisa retornar. Ela queria focar mais nos outros projetos dela e apoiou muito esse álbum. É muito difícil escrever músicas quando a banda está emocionalmente instável. Então o processo só avançou quando sentimos que o caos estava diminuindo. Mesmo assim demorou anos. Houve procrastinação, atrasos e várias mudanças até chegarmos ao resultado final. E o que mudou no processo criativo de vocês ao longo desses anos? Hoje o Draconian funciona de maneira muito diferente dos primeiros anos. Antigamente ensaiávamos juntos antes de gravar. Agora trocamos demos e arquivos à distância. O Johan me envia ideias, eu escrevo letras, devolvo para ele e assim seguimos trabalhando. Bem, o Johan tinha ideias para cerca de 20 músicas, então tivemos que sentar e decidir quais realmente fariam sentido dentro do álbum, não apenas musicalmente, mas também conceitualmente. Isso só aconteceu no ano passado. E o processo continuou mudando até os últimos dias. Eu ainda alterava coisas no mesmo dia em que terminei meus vocais. Muitas ideias nasceram já dentro do estúdio. A dinâmica vocal mudou com o retorno da Lisa Johansson ou foi como retornar aos velhos tempos? Sim e não. Acho que algumas partes já foram escritas pensando nela, porque a Lisa possui uma extensão vocal diferente da Heike. Isso naturalmente cria outras possibilidades dentro das músicas. Mas a principal diferença desta vez foi

Men At Work entrega noite de nostalgia e conexão em São Paulo

​A banda australiana Men At Work é, sem dúvida, um dos nomes mais emblemáticos dos anos 1980, tendo construído um legado inabalável de hits em um curto intervalo de tempo. No entanto, a falta de química e uma guerra de egos fizeram com que o núcleo formado por Colin Hay, Ron Strykert e Greg Ham se dissolvesse com a mesma velocidade com que alcançou o estrelato. ​Dos três, Colin Hay é o único que segue na ativa, preservando o legado do grupo através de suas composições. Hoje, ele se apresenta acompanhado por uma competente banda multinacional, que inclui músicos peruanos, cubanos e norte-americanos. Greg Ham faleceu em 2012, enquanto Ron Strykert, afastado dos holofotes, chegou a ser brevemente detido em 2009 por supostas ameaças contra Hay. ​Mesmo com um histórico conturbado, Colin Hay, aos 72 anos, demonstra vigor e felicidade no palco. Na última quarta-feira (6), no Vibra SP, o músico chegou a arriscar passos de samba durante a execução de Down Under, encerrando a noite em clima de celebração. ​O despertar do público ​Com a casa cheia, o Men At Work demorou a engrenar. A escolha de abrir com Touching the Untouchables e No Restrictions — faixas menos comerciais dos principais álbuns — resultou em uma recepção fria. O público apenas observava, sem a conexão imediata que se espera de um show repleto de clássicos. ​O jogo começou a virar em Broken Love, a primeira incursão pela carreira solo de Hay. Cecilia Noël, a carismática backing vocal peruana, assumiu o papel de tradutora e convocou a plateia para o coro do refrão. Foi o estopim necessário para conectar a banda ao público pelo restante da apresentação. ​Intercalando lados B e faixas solo, Hay ficou visivelmente mais à vontade. Down by The Sea e Into My Life vieram em sequência, criando as primeiras “ilhas” de smartphones erguidos para registrar momentos icônicos. ​Nota de etiqueta: Não se trata de ser o “chato do celular”, até porque também registro canções para o Blog n’ Roll, mas o bom senso é fundamental. Um espectador de estatura média não precisa esticar os braços ao limite para filmar, muito menos realizar giros de 360 graus que resultam em registros de péssima qualidade e atrapalham a visão alheia. ​Virtuosismo e hits ​Voltando ao espetáculo, Colin Hay deu espaço para que seus músicos brilhassem. Os destaques ficaram para a saxofonista norte-americana Rachel Mazer e o baixista cubano Yosmel Montejo, ambos com sólida bagagem no jazz, que elevaram o nível técnico das canções. ​A reta final foi arrebatadora. O setlist foi estrategicamente montado para guardar os hinos do Men At Work para o desfecho: Dr. Heckyll & Mr. Jive, Overkill, It’s a Mistake, Who Can It Be Now?, Down Under e Be Good Johnny. ​Nesse momento, as barreiras geracionais sumiram. Pais, filhos e amigos cantaram em uníssono. Eram memórias de uma década memorável, mas também um deleite para os fãs da série Scrubs, que utilizou exaustivamente a trilha da banda e teve em Colin Hay quase um personagem recorrente.