A banda australiana Men At Work é, sem dúvida, um dos nomes mais emblemáticos dos anos 1980, tendo construído um legado inabalável de hits em um curto intervalo de tempo. No entanto, a falta de química e uma guerra de egos fizeram com que o núcleo formado por Colin Hay, Ron Strykert e Greg Ham se dissolvesse com a mesma velocidade com que alcançou o estrelato.
Dos três, Colin Hay é o único que segue na ativa, preservando o legado do grupo através de suas composições. Hoje, ele se apresenta acompanhado por uma competente banda multinacional, que inclui músicos peruanos, cubanos e norte-americanos. Greg Ham faleceu em 2012, enquanto Ron Strykert, afastado dos holofotes, chegou a ser brevemente detido em 2009 por supostas ameaças contra Hay.
Mesmo com um histórico conturbado, Colin Hay, aos 72 anos, demonstra vigor e felicidade no palco. Na última quarta-feira (6), no Vibra SP, o músico chegou a arriscar passos de samba durante a execução de Down Under, encerrando a noite em clima de celebração.
O despertar do público
Com a casa cheia, o Men At Work demorou a engrenar. A escolha de abrir com Touching the Untouchables e No Restrictions — faixas menos comerciais dos principais álbuns — resultou em uma recepção fria. O público apenas observava, sem a conexão imediata que se espera de um show repleto de clássicos.
O jogo começou a virar em Broken Love, a primeira incursão pela carreira solo de Hay. Cecilia Noël, a carismática backing vocal peruana, assumiu o papel de tradutora e convocou a plateia para o coro do refrão. Foi o estopim necessário para conectar a banda ao público pelo restante da apresentação.
Intercalando lados B e faixas solo, Hay ficou visivelmente mais à vontade. Down by The Sea e Into My Life vieram em sequência, criando as primeiras “ilhas” de smartphones erguidos para registrar momentos icônicos.
Nota de etiqueta: Não se trata de ser o “chato do celular”, até porque também registro canções para o Blog n’ Roll, mas o bom senso é fundamental. Um espectador de estatura média não precisa esticar os braços ao limite para filmar, muito menos realizar giros de 360 graus que resultam em registros de péssima qualidade e atrapalham a visão alheia.
Virtuosismo e hits
Voltando ao espetáculo, Colin Hay deu espaço para que seus músicos brilhassem. Os destaques ficaram para a saxofonista norte-americana Rachel Mazer e o baixista cubano Yosmel Montejo, ambos com sólida bagagem no jazz, que elevaram o nível técnico das canções.
A reta final foi arrebatadora. O setlist foi estrategicamente montado para guardar os hinos do Men At Work para o desfecho: Dr. Heckyll & Mr. Jive, Overkill, It’s a Mistake, Who Can It Be Now?, Down Under e Be Good Johnny.
Nesse momento, as barreiras geracionais sumiram. Pais, filhos e amigos cantaram em uníssono. Eram memórias de uma década memorável, mas também um deleite para os fãs da série Scrubs, que utilizou exaustivamente a trilha da banda e teve em Colin Hay quase um personagem recorrente.