Entrevista | Pingguim: “Trabalhar com o Rick Bonadio hoje é uma realização”

Aos 18 anos ele montou uma banda e hoje, aos 32, ele trabalha com um dos produtores musicais mais renomados do país. Conheçam o Pingguim! Este ano, o cantor deu um passo importante em sua carreira: lançou seu primeiro EP, Volte a Viver, pela Midas Music. A princípio, a obra contempla quatro faixas inéditas, e marca o pontapé inicial de sua parceria com Rick Bonadio, que é CEO da gravadora. Pingguim escreve e canta sobre recomeços. E, mais do que isso, sobre a coragem de “resetar” e seguir em frente, quando as coisas não estão tão bacanas assim. Aliás, foi exatamente isso o que ele fez. Após passar pela ruptura de sua antiga banda, Lo Ramma, e enfrentar um período difícil entre 2020 e 2025, compor o EP foi o que lhe permitiu voltar a viver. E por falar em vida, as faixas de Volte a Viver são super enérgicas. A obra conta com Me Faz Melhor, em colaboração com Bruna Magalhães, O Tempo e a Distância, Volte a Viver e …Boa Noite Pra Nós. Inclusive, O Tempo e a Distância ganhou um videoclipe em uma pegada urbana, com takes de Pingguim andando de skate pela cidade e, claro, cantando. Vale ressaltar que o cantor mescla rock, hip hop e reggae. Nesse sentido, suas maiores influências são Charlie Brown Jr, O Rappa e Natiruts. Por fim, se é pra falar em recomeço… não dá para deixar os shows de fora. Pingguim e sua banda já estão ensaiando e o artista espera voltar aos palcos ainda em junho, para apresentar seu EP de estreia. Leia a entrevista na íntegra! Esse ano, você começou a produzir com o Rick Bonadio, e o primeiro lançamento dessa colaboração foi o single “O Tempo e a Distância”. Queria saber como aconteceu essa parceria. No ano passado, eu entrei em contato com a Midas Music e conversei com o Matheus. Ele é familiar do Rick e fez essa ponte. Então, em menos de uma semana o Rick Bonadio me respondeu e quis conhecer o meu material. E por falar em “O Tempo e a Distância”, a canção conta com um videoclipe, que foi dirigido e produzido por Leo Placucci. Nele, você aparece compondo músicas, cantando com a banda e andando de skate. É possível dizer que esse clipe resume, de certa forma, a sua vida? É uma parte dela. Digamos que compor, cantar e andar de skate sejam as minhas atividades principais na vida. Mas eu também gosto muito de outras coisas, como praticar musculação, por exemplo. E também gosto de esportes aquáticos, como o wakeboard. Tem uma represa perto da minha casa, então de vez em quando, vou até lá praticar. De forma geral, eu gosto de me cuidar. Também curto a natureza. É praticamente impossível falar em skate e música e não lembrar do Chorão. O Chorão te inspira? Sim, ele é uma das minhas principais inspirações. O Chorão é uma referência importantíssima! Recentemente, você lançou o EP “Volte a Viver”, pela Midas Music. Por que escolheu lançar um EP e não um álbum? Acho que o EP fazia mais sentido para esse momento. Pensar em um álbum, agora, nos faria perder o timing de lançar algo especial, que é o que aconteceu com as quatro músicas do Volte a Viver. Então fomos por esse caminho. Além disso, o último single que divulgamos, Me Faz Melhor, tem repercutido super bem em termos de streaming e aceitação do público. Então não vemos sentido em lançar músicas novas, se essa está indo bem por ora, sabe? Aliás, o EP Volte a Viver fala muito sobre recomeços. O que te inspirou, na sua vida, a compor esse trabalho? Eu passei por algumas situações bastante difíceis, relacionadas a ansiedade e depressão. Fiquei cinco anos com a saúde mental prejudicada, de 2020 para cá. E o que me ajudou a retomar a minha vida, foi justamente compor músicas. Então o EP Volte a Viver nasceu justamente naquele momento. As suas maiores inspirações são Charlie Brown Jr, O Rappa e Natiruts. Como você classifica o seu som, Pingguim? Classifico como rock, hip hop e reggae, uma mistura de tudo [risos]. O próprio Chorão fazia bastante isso, O Rappa também faz. Já o Natiruts nem tanto, porque no caso deles, é só reggae mesmo. Eu acredito que se alguém chegar e perguntar “Ah, o Pingguim toca o que?”, provavelmente a pessoa responda rock. E às vezes, no processo de composição, cada integrante da banda sugere uma referência. Por exemplo, enquanto o baterista está fazendo um pop, o baixista chega com funk. Mas, de forma geral, acaba se tornando rock mesmo, se formos definir em apenas um gênero. Agora, Pingguim… da onde vem o seu nome artístico? Engraçado, eu tenho esse apelido há 25 anos [risos]. Hoje estou com 32. Quando eu era criança, havia um skatista que estava em ascensão na carreira. O nome dele é Ricardo Pinguim. Por coincidência, o meu nome de batismo também é Ricardo [risos]. Então eu chegava, pequenininho, com meu skate gigante, e os caras falavam: “Óh lá, parece um pinguinzinho mesmo”. E aí o apelido pegou! Pra finalizar: você começou a divulgar suas músicas aos 18 anos. Naquela época, imaginava que hoje estaria trabalhando com um dos produtores musicais mais renomados do país? Não imaginava, mas idealizava. É algo que eu sempre quis. Eu cresci escutando produções do Rick Bonadio, como Planta e Raíz e Mamonas Assassinas, por exemplo. Então, trabalhar com ele hoje é uma realização. Eu comecei tocando em uma banda chamada Lo Ramma, que não existe mais. Mas somos todos amigos, até hoje. Inclusive, nesse exato momento, um deles está me mandando mensagem, para me ensinar sobre alguns acordes de violão [risos]. Aos 18 anos, eu comecei a escrever e queria transformar as minhas composições líricas em músicas, de fato. Aí chegou o guitarrista, o baixista… Até formarmos uma banda. Na época. nós conseguimos tocar nossas músicas em rádios conhecidas, como a Guarujá FM. Inclusive, um dos motivos que me deixou
Samiam retorna ao Brasil em setembro para quatro shows e terá Garage Fuzz em duas datas

Uma das bandas mais respeitadas da história do punk melódico e do rock alternativo norte-americano, o Samiam retorna ao Brasil em setembro de 2026 para uma série de quatro apresentações. O grupo da Califórnia passa por Goiânia, São Paulo, Curitiba e Belo Horizonte entre os dias 24 e 27 de setembro, em uma turnê que também inclui shows no Peru, Chile e Argentina. As apresentações em São Paulo e Curitiba terão participação especial do Garage Fuzz, nome fundamental para a consolidação do hardcore melódico brasileiro. A banda paulista divide o palco com os norte-americanos em duas datas que prometem reunir diferentes gerações de fãs de punk rock. Samiam – Pioneiros do EMO e Hardcore Melódico Formado em 1988, o Samiam construiu uma trajetória singular dentro da música independente ao transitar entre punk melódico, post-hardcore, emo e rock alternativo sem se prender a rótulos. Liderado pelo vocalista Jason Beebout, o grupo ficou conhecido pela combinação de guitarras densas, melodias marcantes e letras que abordam temas como desgaste emocional, perda e resistência, sempre com uma abordagem mais madura e introspectiva. A discografia da banda acompanha diferentes momentos da evolução do punk norte-americano nas últimas décadas. Álbuns como Clumsy (1994), You Are Freaking Me Out (1997) e Astray (2000) ajudaram a consolidar o Samiam como referência para diversas bandas que surgiram nos anos seguintes, especialmente dentro das cenas emo e punk melódica. O clássico Astray voltou recentemente aos holofotes ao completar 25 anos. Em 2025, o disco foi apresentado na íntegra durante o Riot Fest, em Chicago, festival que reuniu nomes como Green Day, Blink-182, Weezer, Jawbreaker, Bad Religion, Alkaline Trio e Touché Amoré. A fase mais recente da banda é representada por Stowaway, lançado em 2023 pela Pure Noise Records. O trabalho encerrou um intervalo de 12 anos sem discos inéditos e reafirmou a capacidade do Samiam de manter sua identidade intacta, equilibrando peso, melodia e intensidade emocional. Atualmente, a banda conta com Jason Beebout (vocais), Sergie Loobkoff e Sean Kennerly (guitarras), Chad Darby (baixo) e Colin Brooks (bateria). Loobkoff, conhecido também por trabalhos com Knapsack, Solea e Racquet Club, segue como uma das peças centrais da sonoridade do grupo, responsável por uma abordagem melódica que ajudou a definir a identidade do Samiam desde o início da carreira. Serviço Samiam South America 2026 24 de setembro (quinta-feira)Goiânia (GO)Local: De Leon Music PubIngresso: fastix.com.br/events/samiam-eua-em-goiania 25 de setembro (sexta-feira)São Paulo (SP)Local: Hangar 110Participação: Garage FuzzIngresso: fastix.com.br/events/samiam-eua-garage-fuzz-em-sao-paulo 26 de setembro (sábado)Curitiba (PR)Local: BelvedereParticipação: Garage Fuzz, Deb and The Mentals e SimplesmentesIngresso: meaple.com.br/belvedere/time-bomb-fest-samiam-garage-fuzz 27 de setembro (domingo)Belo Horizonte (MG)Punk no Park – local a confirmarIngresso: fastix.com.br/events/primavera-fun-fest-belo-horizonte
Dimmu Borgir é a primeira atração confirmada do Liberation Festival 2026 em São Paulo

O retorno do Liberation Festival já tem seu primeiro grande nome confirmado. Uma das bandas mais influentes da história do metal extremo, o Dimmu Borgir será a atração principal do evento no dia 12 de dezembro de 2026, no Vibra São Paulo. A apresentação será exclusiva no Brasil e marca a volta do festival após oito anos de hiato. A confirmação dos noruegueses abre oficialmente a programação da nova edição do Liberation Festival, que também terá uma segunda data, em 13 de dezembro, ainda com atrações a serem anunciadas pela organização. Os ingressos já estão à venda. Dimmu Borgir – Headliner de peso Formado em 1993, o Dimmu Borgir ajudou a transformar o black metal em um fenômeno global ao incorporar elementos sinfônicos à sonoridade extrema. Ao longo de mais de três décadas, a banda liderada por Shagrath e Silenoz construiu uma identidade própria ao unir peso, atmosferas sombrias, arranjos orquestrais e uma estética grandiosa que influenciou diferentes gerações do metal. O anúncio também coincide com um momento especial na carreira do grupo. Em maio deste ano, o Dimmu Borgir lançou Grand Serpent Rising, seu primeiro álbum de estúdio em oito anos. Sucessor de Eonian (2018), o trabalho apresenta 13 faixas e resgata diferentes fases da trajetória da banda, apostando em riffs mais orgânicos e em um uso mais equilibrado das tradicionais orquestrações. “Eu realmente sinto que nos superamos musicalmente neste álbum. Foi um processo longo e exigente, mas ver como tudo se encaixou torna isso extremamente recompensador. Grand Serpent Rising carrega ecos de cada capítulo do legado do Dimmu Borgir”, afirmou o vocalista Shagrath em material de divulgação. Gravado em Gotemburgo, na Suécia, o disco marca o reencontro da banda com o produtor Fredrik Nordström, responsável por alguns dos trabalhos mais celebrados de sua discografia, incluindo Puritanical Euphoric Misanthropia e Death Cult Armageddon. O retorno do Liberation Festival acontece após sua última edição, realizada em 2018, que contou com Kreator e Arch Enemy como destaques. Um ano antes, o evento reuniu nomes como King Diamond, Lamb of God, Carcass e Heaven Shall Burn, consolidando sua posição entre os principais festivais dedicados ao metal no Brasil. Com o Dimmu Borgir confirmado e novas atrações previstas para os próximos meses, a edição de 2026 começa a ganhar forma e promete recolocar o Liberation Festival no centro das atenções dos fãs de música pesada. Serviço Liberation Festival 2026 Data: 12 de dezembro de 2026 Local: Vibra São Paulo Endereço: Av. das Nações Unidas, 17.955 – São Paulo/SP Ingressos: clubedoingresso.com/evento/liberationfest2026
Death Cab for Cutie reencontra sua essência indie em I Built You a Tower

Há bandas que envelhecem tentando desesperadamente reviver o passado. Outras seguem em frente e acabam se afastando demais daquilo que as tornou especiais. O Death Cab for Cutie passou anos caminhando nessa linha tênue, alternando momentos inspirados e discos que pareciam funcionar mais pela competência técnica do que pela emoção. Em I Built You a Tower, porém, Ben Gibbard e companhia encontram um ponto de equilíbrio raro: olhar para trás sem parecer nostálgico e seguir adiante sem perder a própria identidade. Primeiro álbum da banda em quatro anos, I Built You a Tower nasce de um período turbulento na vida de Gibbard. O fim de um casamento e reflexões sobre perda, aceitação e desgaste emocional aparecem em praticamente todas as faixas. A diferença é que o vocalista abandona qualquer traço de autopiedade. Em vez disso, escreve sobre a dor com a maturidade de quem entende que algumas feridas não desaparecem, apenas passam a fazer parte da paisagem. Musicalmente, o disco soa como o trabalho mais inspirado do Death Cab desde os tempos em que álbuns como Transatlanticism e Plans ajudaram a definir uma geração inteira de fãs de indie rock. Não porque tente copiá-los, mas porque recupera características que pareciam adormecidas há anos. As guitarras voltam a ter protagonismo, o baixo ganha presença marcante e os arranjos apostam mais na emoção do que em camadas desnecessárias de produção. O resultado é um álbum que conversa diretamente com o passado da banda, mas sem parecer uma tentativa de recriação artificial. Faixas como “Punching the Flowers” carregam uma tensão quase juvenil, enquanto “Stone Over Water” mergulha em uma vulnerabilidade que remete aos primeiros anos da carreira. Já “The Flavor of Metal” apresenta um dos momentos líricos mais fortes do disco, mostrando que Gibbard continua sendo um observador excepcional das pequenas tragédias cotidianas. Em um repertório tão marcado pela melancolia, chama atenção a forma como a banda evita transformar tristeza em monotonia. Há dinâmica, contrastes e uma sensação constante de movimento. Os dois capítulos finais, “I Built You a Tower (A)” e “I Built You a Tower (B)”, funcionam como o coração conceitual do álbum. A primeira expõe arrependimentos e fragilidades. A segunda fecha a jornada com um sentimento agridoce de exaustão e aceitação. É um encerramento que sintetiza perfeitamente a proposta do disco: não oferecer respostas fáceis, mas aprender a conviver com as perguntas. Nem tudo funciona com a mesma intensidade. Algumas passagens de “Full of Stars” e “Pep Talk” soam excessivamente delicadas, quase açucaradas, reduzindo parte do impacto emocional que o álbum busca transmitir. Ainda assim, são pequenos tropeços em uma obra que acerta muito mais do que erra. No fim das contas, I Built You a Tower não é apenas o melhor disco do Death Cab for Cutie em muitos anos. É também um lembrete de por que a banda se tornou tão importante para o indie rock dos anos 2000. Sem recorrer a fórmulas prontas ou exercícios de nostalgia, Ben Gibbard transforma dor, desgaste e aceitação em canções que soam honestas, humanas e surpreendentemente revitalizadas. Quando uma banda com quase três décadas de carreira consegue soar relevante dessa forma, vale a pena prestar atenção.