Linkin Park transforma shows em São Paulo em novo álbum ao vivo

O Linkin Park lançou nesta sexta-feira (25) “Unshatter Film Soundtrack (Live in São Paulo)”, álbum ao vivo gravado durante as duas apresentações realizadas no Allianz Parque, em novembro de 2024. Com 20 faixas, o registro documenta um dos momentos mais importantes da nova fase do grupo, justamente quando a banda retornava aos palcos e apresentava “From Zero”, primeiro disco dessa etapa da carreira. Os shows aconteceram nos dias 15 e 16 de novembro de 2024, sendo que a primeira apresentação coincidiu com o lançamento de “From Zero”. O repertório atravessou diferentes períodos da discografia e colocou Emily Armstrong e Colin Brittain diante do público brasileiro poucos meses depois de serem apresentados como novos integrantes. O álbum traz, assim, alguns dos primeiros registros oficiais de clássicos com a nova formação, além das primeiras versões ao vivo de músicas recentes. Entre as faixas estão “Somewhere I Belong” e “Faint”, de “Meteora”, “What I’ve Done”, de “Minutes to Midnight”, além de “Heavy Is the Crown” e “Two Faced”, de “From Zero”. Esta última teve justamente em São Paulo sua estreia ao vivo. O material foi mixado por Neal Avron, colaborador de longa data da banda. O lançamento também ganhou um novo vídeo de “Waiting for the End”, registrado no Allianz Parque. A performance de uma das principais músicas de “A Thousand Suns”, de 2010, evidencia a interação entre Mike Shinoda e Emily Armstrong durante aquele período inicial da nova formação e a participação do público que lotou o estádio. “Unshatter Film Soundtrack (Live in São Paulo)” funciona ainda como trilha sonora oficial do documentário “Linkin Park: Unshatter”, dirigido por Joe Hahn. O filme chega aos cinemas a partir de 30 de setembro e acompanha o caminho percorrido pelo grupo entre perdas, incertezas e o processo de reconstrução que culminou na criação de “From Zero” e no retorno às grandes turnês. O documentário combina imagens de arquivo, bastidores, sessões de estúdio e apresentações ao vivo. Os dois shows realizados em São Paulo ocupam espaço importante na narrativa, transformando a passagem pelo Brasil em um dos registros centrais dessa retomada. A produção teve première em Los Angeles em 24 de setembro, com uma conversa entre os integrantes mediada por Mark Hoppus, do Blink-182, que também aparece no filme. Para Joe Hahn, o objetivo é mostrar não apenas a trajetória recente do Linkin Park, mas o processo humano por trás dela. “Espero que os fãs de longa data vejam partes da nossa trajetória que nunca haviam visto antes, e que as pessoas que estão descobrindo nossa música agora saiam com uma compreensão maior de como chegamos até aqui”, afirmou o músico.

Queens of the Stone Age busca inspiração na adolescência de Josh Homme em “Where the Goth Girls At?”

O Queens of the Stone Age lançou “Where the Goth Girls At?”, terceiro single de “Perfecth”, nono álbum de estúdio da banda, que chega em 30 de outubro pela Matador Records. A música sucede “Insignificant Other” e “Easy Street” e combina riffs minimalistas com um refrão mais expansivo, acompanhado por arranjos de cordas e metais. A inspiração veio das memórias de Josh Homme durante a juventude em Palm Desert. O vocalista relembra as garotas góticas que trabalhavam no balcão de uma loja JCPenney e transformavam também o visual das clientes mais velhas. A lembrança serve como ponto de partida para falar sobre amor adolescente, atração e aquela necessidade juvenil de impressionar outras pessoas. “Where the Goth Girls At?” ganhou ainda um videoclipe dirigido por Christopher Gruse e Tony Wolski, dupla que já havia trabalhado com o grupo em “Easy Street”. Gravado tendo uma usina elétrica deserta como cenário, o vídeo conta com Steve Agee, Scarlett Kapella e Lou Lou Safran, além dos próprios integrantes da banda, em uma sequência na qual personagens são gradualmente transformados pelas garotas góticas. “Perfecth” foi produzido por Homme e pelo baixista Michael Shuman e utiliza como uma de suas referências conceituais o Kintsugi, técnica japonesa de reparar peças de cerâmica quebradas destacando suas rachaduras. A ideia funciona como metáfora para um álbum dedicado às diferentes formas de amor e às marcas deixadas por relações capazes tanto de destruir quanto de reconstruir alguém. As nove faixas foram desenvolvidas a partir de sessões realizadas em diferentes locais, incluindo Nova Orleans e Los Angeles. Segundo Homme, a intenção foi justamente evitar uma unidade sonora óbvia, fazendo com que cada composição parecesse pertencer a um universo diferente enquanto todas permanecem conectadas por temas como amor, desejo, perda e amadurecimento. “Cada música soa como se fosse de um mundo diferente. E isso é de propósito”, explica Homme. Com Troy Van Leeuwen, Michael Shuman, Dean Fertita e Jon Theodore completando a formação, o Queens of the Stone Age chega ao nono álbum explorando as cicatrizes acumuladas ao longo da própria trajetória como parte fundamental de sua nova fase.

Bullet For My Valentine anuncia “Social Apocalypse”, primeiro álbum em seis anos

O Bullet For My Valentine anunciou “Social Apocalypse”, oitavo álbum de estúdio da carreira, com lançamento marcado para 19 de março de 2027 pela Spinefarm. O grupo britânico apresentou também a faixa-título, primeira música inédita da banda em quatro anos e responsável por abrir uma nova fase após o disco autointitulado de 2021. “Social Apocalypse” coloca Matt Tuck diante das transformações e conflitos que observa no mundo contemporâneo. A letra parte de uma sensação de desgaste e desesperança que se estende pelo conceito do álbum, abordando uma sociedade cada vez mais dividida e a velocidade com que mudanças sociais e tecnológicas afetam principalmente as novas gerações. “Tudo na vida está mudando em um ritmo tão rápido, e é difícil encontrar muita positividade quando você olha para os eventos no mundo”, afirma Tuck. O vocalista explica que a paternidade também mudou sua perspectiva sobre essas questões, especialmente ao comparar o mundo em que cresceu com aquele encontrado atualmente pelas crianças e adolescentes. Para o novo trabalho, o Bullet For My Valentine voltou a trabalhar com Carl Bown, produtor que já participou de quatro álbuns da banda e acumula trabalhos com nomes como Sleep Token, While She Sleeps e Malevolence. A proposta foi reunir características construídas durante a trajetória do grupo sem transformar o novo material em uma simples reprodução de fases anteriores. “Social Apocalypse” terá ainda algo pouco comum na discografia do Bullet For My Valentine: participações especiais. Chrissy Costanza, vocalista do Against The Current, divide os vocais com Tuck em “In The Absence Of You”, enquanto Will Ramos, do Lorna Shore, participa de “I Don’t Trust Tomorrow”. As duas colaborações também indicam uma tentativa de aproximar diferentes gerações da música pesada. Enquanto o Bullet For My Valentine se consolidou como um dos principais nomes do metalcore surgidos nos anos 2000, Against The Current e Lorna Shore representam caminhos distintos percorridos posteriormente pela cena pesada. Com o oitavo álbum, a banda procura justamente equilibrar essas duas pontas de sua história. “Social Apocalypse” recupera elementos que ajudaram a definir a identidade do Bullet For My Valentine ao mesmo tempo em que busca novas possibilidades para uma trajetória que já ultrapassa duas décadas.

Paura lança “Primitive Chaos” ao vivo neste domingo durante o Legacy Fest VI em São Paulo

O Paura apresenta oficialmente seu novo álbum, “Primitive Chaos”, neste domingo (27), durante a sexta edição do Legacy Fest, na Algo Hits, na Vila Madalena, em São Paulo. Lançado há menos de um mês, o nono disco da trajetória do quinteto será o centro do repertório em um evento dedicado ao hardcore e ao punk. Além do Paura, o Legacy Fest VI reúne Trueforce, Zanga, Sufoco, Noiado, Gøssip, Devir-vespa da Orquídea e Viela Sangrenta. A programação começa às 15h e segue até as 23h, reunindo diferentes nomes ligados à cena independente paulistana. “Primitive Chaos” parte de uma proposta de redução. Em vez de acrescentar elementos à sonoridade construída pela banda ao longo da carreira, o Paura procurou retirar camadas e chegar ao que considera essencial no hardcore: guitarras, baixo, bateria e voz trabalhando de maneira direta para produzir impacto e movimento. A ideia de primitivo presente no título, portanto, não representa uma tentativa de reproduzir o passado do gênero. O conceito está relacionado à busca por uma música mais bruta e imediata, ainda que construída a partir da experiência acumulada pelo grupo. “É bem mais dinâmico, atual e no ponto certo que queríamos”, define a banda. O novo trabalho sucede “Karmic Punishment”, lançado em 2023 e concebido ainda sob os efeitos da pandemia. Se naquele disco o grupo procurava compreender um período de ruptura, “Primitive Chaos” parte de outra perspectiva: responder ao presente antes mesmo de tentar organizar aquilo que está acontecendo. Para o vocalista Fabio Prandini, o álbum reflete o contraste entre os avanços tecnológicos e comportamentos humanos que continuam ligados a impulsos antigos. “Entregamos não. Devolvemos. Porque ele veio do mundo, foi feito do mundo. É do mundo! Feito com raiva e amor”, afirma. O show no Legacy Fest VI leva agora essa proposta para o ambiente em que o hardcore encontra sua expressão mais direta. Com o álbum já disponível nas plataformas digitais e também em CD, o Paura transforma a apresentação na Algo Hits no primeiro grande encontro do novo repertório com o público. Serviço Legacy Fest VI – Paura lança “Primitive Chaos”Data: domingo (27)Local: Algo Hits – Vila Madalena, São PauloHorário: das 15h às 23hShows: Paura, Trueforce, Zanga, Sufoco, Noiado, Gøssip, Devir-vespa da Orquídea e Viela Sangrenta

Lesoir questiona consumo automático de música no single “Hidden Fire”

A banda holandesa Lesoir apresenta “Hidden Fire”, último single antes da chegada de “Tomorrow Is Now Today”, seu sétimo álbum de estúdio, previsto para 23 de outubro pela V2 Records. A faixa parte de uma discussão cada vez mais presente na indústria musical: a transformação da música em mero ruído de fundo, impulsionada pelo consumo passivo, por produções geradas por inteligência artificial e por versões feitas apenas para preencher playlists e ambientes. A letra acompanha o conflito de um artista diante da sensação de que sua identidade e seu trabalho estão sendo diluídos em meio a um fluxo constante de conteúdo. Em vez de direcionar a crítica somente à tecnologia, “Hidden Fire” questiona também o comportamento do próprio público e a escuta no piloto automático, colocando em dúvida até que ponto ainda existe uma escolha consciente sobre aquilo que ouvimos diariamente. Musicalmente, a faixa utiliza elementos do prog e do art rock para acompanhar essa inquietação. Os vocais de Maartje Meessen conduzem o início antes de a composição avançar para uma passagem instrumental com guitarra, flauta e cordas. A construção cresce até o refrão final e desemboca em um solo de guitarra. “Hidden Fire” encerra uma sequência de três singles que apresenta diferentes preocupações abordadas no novo disco. “Back To You”, lançado em junho, teve como inspiração a postura do presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy durante a guerra iniciada pela invasão russa da Ucrânia. Na sequência, “Is It Nothing?” partiu da teoria de Gaia, desenvolvida por James Lovelock, para discutir a responsabilidade coletiva diante das questões ambientais. Em “Tomorrow Is Now Today”, o Lesoir volta a trabalhar com o produtor John Cornfield, que acumula trabalhos com Muse, Oasis e Supergrass. A produção vocal ficou sob responsabilidade de Paul Reeve, colaborador de Matt Bellamy e do Muse, enquanto Steve Kitch, do The Pineapple Thief, realizou a masterização. O álbum incorpora ainda quarteto de cordas e percussão ao vivo à sonoridade do grupo. O lançamento abre também uma nova etapa de apresentações para a banda. Depois de shows ao lado do Airbag no Reino Unido, o Lesoir acompanha Anneke van Giersbergen, conhecida especialmente por sua trajetória no The Gathering, durante uma turnê europeia em novembro. Com “Hidden Fire”, o grupo antecipa um álbum que procura usar o rock progressivo não apenas como exercício musical, mas como ferramenta para observar questões contemporâneas. Desta vez, o alvo está justamente na maneira como a própria música vem sendo produzida, distribuída e, principalmente, ouvida.

Terminal Guadalupe transforma tensão política em “Ensaio Sobre a Urgência”

Terminal Guadalupe lança “Ensaio Sobre a Urgência”, sexto álbum de estúdio da carreira. Com dez faixas produzidas por Allan Yokohama e Dary Jr., o trabalho nasceu em meio ao ambiente político e social de 2026 e utiliza acontecimentos recentes como matéria-prima para músicas que discutem os rumos do Brasil e do mundo. O disco chega pelo selo 8-Bics, com distribuição da Tratore. O conceito passa pelas chamadas “instant songs”, composições desenvolvidas enquanto os acontecimentos que as inspiraram ainda estavam em curso. O grupo aborda temas políticos e o avanço de pautas ultraconservadoras, mas procura construir suas críticas por meio de ironia, afeto e observação social, evitando transformar as músicas apenas em discursos diretos. A urgência também determinou a maneira como o álbum foi registrado. As gravações aconteceram remotamente, com cada músico registrando suas partes em seu próprio espaço. A produção caseira foi incorporada à estética do trabalho, privilegiando espontaneidade e impacto emocional em vez de uma execução excessivamente lapidada. Musicalmente, o Terminal Guadalupe percorre diferentes vertentes do rock alternativo. “O Bebê de Mussolini” reúne referências que passam por System of a Down, Gang of Four, U2 e Bad Religion, enquanto “Mundo Sin Dueño” aproxima o grupo do rock latino dos anos 1990. Já “Love Me Like Gold” recorre ao glam rock e ao pop dos anos 2000. A formação responsável pelas gravações reúne Dary Jr. nos vocais e Allan Yokohama nas guitarras, violões, teclados e vocais. Para o projeto, a dupla contou com Gabe Salmazo, do Not An Ideal Boy e Bravonas, no baixo, escaleta e vocais, além de Luciano Vassão, da Jully et Joe, na bateria. Matheus Bittencourt realizou a mixagem e masterização no estúdio Casa do Fundo, em Curitiba, enquanto Maurício Peixoto assina a identidade visual. “Ensaio Sobre a Urgência” sucede “Serenata de Amor Próprio”, lançado em 2025 e incluído entre os 100 melhores discos daquele ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA). Após um trabalho voltado a temas como autoestima, afetos e autoconhecimento, a banda direciona agora seu olhar para as tensões coletivas do presente. Criado em Curitiba em 2002, o Terminal Guadalupe atravessa mais de duas décadas de atividade mantendo temas sociais e políticos entre os elementos de sua produção. Em “Ensaio Sobre a Urgência”, essa característica aparece associada à própria velocidade do processo criativo: observar o presente e transformá-lo em música antes que ele deixe de ser urgente.

Basta estreia com “Inevitável” e leva estoicismo ao hardcore melódico

A Basta, nova banda formada por músicos de Araguari e Uberlândia, no Triângulo Mineiro, estreia nas plataformas digitais com “Inevitável”. O single apresenta um hardcore melódico cantado em português e parte de conceitos do estoicismo para abordar perdas, mudanças e a maneira como lidamos com acontecimentos que estão fora de nosso controle. “Inevitável” é também a primeira amostra do EP “Manual para Dias Estranhos”. A composição trata de impermanência, incertezas e medo do desconhecido, mas procura distanciar aceitação de conformismo. “Algumas mudanças, perdas e acontecimentos são inevitáveis, mas a maneira como lidamos com eles ainda depende de nós”, explica a banda. A inspiração filosófica se estende ao próprio título do futuro EP. A referência está no “Enchiridion”, de Epicteto, obra que parte da distinção entre aquilo que depende das próprias escolhas e o que está além do controle individual. O termo grego pode ser traduzido como “manual”, criando a conexão com o conceito desenvolvido pelo quinteto. Musicalmente, o Basta busca referências no hardcore melódico e no skate punk que cresceram durante os anos 1990. Pennywise, NOFX, Face to Face e Bad Religion aparecem entre as influências internacionais, ao lado do Rise Against. No Brasil, o grupo aponta para nomes como Dead Fish, Noção de Nada, CPM 22, Blind Pigs e Garage Fuzz. Apesar de ser uma banda nova, seus integrantes acumulam décadas de experiência na cena independente. O grupo surgiu em 2024 e reúne três ex-integrantes do Uganga, além de um músico do Attero. Antes mesmo da estreia nas plataformas, as músicas que formarão “Manual para Dias Estranhos” foram testadas ao vivo, processo utilizado para definir a identidade do projeto. Nos vocais está Raphael Franco, que passou mais de 25 anos ligado à música independente e integrou o Uganga como baixista, participando de seis discos de estúdio e de apresentações internacionais. O guitarrista Thiago Soraggi também passou pelo Uganga e pelo Attero, enquanto Marco Paulo Henriques assume a bateria depois de experiências em grupos como Zuêra, Dull Kids e Uganga. A formação é completada pelo baixista Raphael “Sapão” Rabelo, integrante do Attero e ex-membro de Krow e Esquiva, e pelo guitarrista Felipe “Capacete” Santos. Além da atuação como músicos, integrantes do Basta estiveram envolvidos na construção da cena independente do Triângulo Mineiro, organizando festivais, mantendo espaços culturais e participando de coletivos e selos da região. Com “Inevitável”, o Basta inicia oficialmente sua discografia transformando uma questão filosófica em hardcore: há acontecimentos que não podem ser evitados, mas ainda existe escolha na maneira de enfrentá-los.

Samiam lota Hangar 110 com show intenso

O Samiam retornou a São Paulo após três anos para uma apresentação com ingressos esgotados na última sexta-feira (25), no Hangar 110. O quinteto californiano, pioneiro do emo e do hardcore melódico, fez uma apresentação que passeou pelos mais de 35 anos de história. Mas, antes do espetáculo principal, os goianos do Burning Rage e os santistas do Garage Fuzz deram o start. Confira um pouco de como foram as apresentações: Este texto foi escrito pelo jornalista Lupa Charleaux com fotos de Marcela Mattos De Goiânia: Burning Rage Os goianos do Burning Rage foram os responsáveis por iniciar a noite de hardcore melódico no Hangar 110. Com bastante velocidade e energia, o quinteto apresentou músicas do EP “Outra Porta”, entre elas “Acordar” e “Velha História”. Realizando o sonho de tocar no tempo do underground paulista, como os membros falaram diversas vezes, a banda executou alguns singles, como “Falsas verdades” e “Acorrentados”. O set ainda incluiu a nova música “Aprisionados”, que estará no próximo EP do quinteto. Da Califórnia brasileira (Santos): Garage Fuzz Lendas do hardcore nacional, o Garage Fuzz fez uma apresentação compacta que cobriu todas as fases dos 35 anos de estrada. Os santistas iniciaram o show com “Powerplant”, faixa-título do mais recente EP, mas não demorou para dominar o Hangar 110. Canções mais famosas, como “Shore of Hope”, “Dear Cinnamon Tea” e “A Mutt Running Where”, traziam um coro que às vezes encobria a voz de Victor Franciscon. Essa troca de energia fazia a banda seguir se divertindo no palco. Obviamente, o set ainda incluiu clássicos como “Embedded Needs”, sendo finalizado com “When All the Things”. Mesmo com um show mais curto, o Garage Fuzz conseguiu mostrar porque é uma das entidades supremas do hardcore brasileiro. Da Califórnia original (Berkeley): Samiam Após quase um dia inteiro de dúvida, o show do Samiam em São Paulo finalmente aconteceu. Na noite anterior (24), a banda precisou cancelar a apresentação em Goiânia por conta da saúde do vocalista Jason Beebout. E a espera do público paulista foi bem recompensada. Antes das cortinas do Hangar 110 se abrirem, já era possível ouvir as guitarras de “Lake Speed”, música do álbum mais recente “Stoneway” (2023). Mas bastou tocarem “Clean Up The Mess” e “Dead”, ambas do álbum “Trips” (2011), para os fãs se entregarem por completo, com vários stage dive e mosh. A maior parte do setlist foi baseada nas faixas do disco clássico “Astray” (2000). Então, Beebout pode até poupar um pouco a voz e deixar o público fazer sua parte em faixas como “Super Brava”, “Birth Bath” e “Mexico”. O Samiam deu uma leve desacelerada no início da segunda parte do set, trazendo músicas com uma vibe mais de “Midwest Emo”, como “Dull”, “Mud Hill” e “El Dorado”. Apesar de serem faixas mais lentas, os fãs conseguiram sustentar a energia ao som das guitarras distorcidas e “reflexivas”. No entanto, a banda retornou ao clima de hardcore melódico e “dançante” na sequência final do show. “Sunshine” e “She Found You” levantaram a bola para o encerramento com “Capasized” e “Full On”. Com o fim do show, todos puderam respirar aliviados de que ele realmente aconteceu. Apesar das interações bem pontuais, o Samiam entregou o que o público que esgotou os ingressos do Hangar 110 realmente queria: um show intenso, suado e divertido.