Basta estreia com “Inevitável” e leva estoicismo ao hardcore melódico

Basta estreia com “Inevitável” e leva estoicismo ao hardcore melódico

A Basta, nova banda formada por músicos de Araguari e Uberlândia, no Triângulo Mineiro, estreia nas plataformas digitais com “Inevitável”. O single apresenta um hardcore melódico cantado em português e parte de conceitos do estoicismo para abordar perdas, mudanças e a maneira como lidamos com acontecimentos que estão fora de nosso controle.

“Inevitável” é também a primeira amostra do EP “Manual para Dias Estranhos”. A composição trata de impermanência, incertezas e medo do desconhecido, mas procura distanciar aceitação de conformismo. “Algumas mudanças, perdas e acontecimentos são inevitáveis, mas a maneira como lidamos com eles ainda depende de nós”, explica a banda.

A inspiração filosófica se estende ao próprio título do futuro EP. A referência está no “Enchiridion”, de Epicteto, obra que parte da distinção entre aquilo que depende das próprias escolhas e o que está além do controle individual. O termo grego pode ser traduzido como “manual”, criando a conexão com o conceito desenvolvido pelo quinteto.

Musicalmente, o Basta busca referências no hardcore melódico e no skate punk que cresceram durante os anos 1990. Pennywise, NOFX, Face to Face e Bad Religion aparecem entre as influências internacionais, ao lado do Rise Against. No Brasil, o grupo aponta para nomes como Dead Fish, Noção de Nada, CPM 22, Blind Pigs e Garage Fuzz.

Apesar de ser uma banda nova, seus integrantes acumulam décadas de experiência na cena independente. O grupo surgiu em 2024 e reúne três ex-integrantes do Uganga, além de um músico do Attero. Antes mesmo da estreia nas plataformas, as músicas que formarão “Manual para Dias Estranhos” foram testadas ao vivo, processo utilizado para definir a identidade do projeto.

Nos vocais está Raphael Franco, que passou mais de 25 anos ligado à música independente e integrou o Uganga como baixista, participando de seis discos de estúdio e de apresentações internacionais. O guitarrista Thiago Soraggi também passou pelo Uganga e pelo Attero, enquanto Marco Paulo Henriques assume a bateria depois de experiências em grupos como Zuêra, Dull Kids e Uganga.

A formação é completada pelo baixista Raphael “Sapão” Rabelo, integrante do Attero e ex-membro de Krow e Esquiva, e pelo guitarrista Felipe “Capacete” Santos. Além da atuação como músicos, integrantes do Basta estiveram envolvidos na construção da cena independente do Triângulo Mineiro, organizando festivais, mantendo espaços culturais e participando de coletivos e selos da região.

Com “Inevitável”, o Basta inicia oficialmente sua discografia transformando uma questão filosófica em hardcore: há acontecimentos que não podem ser evitados, mas ainda existe escolha na maneira de enfrentá-los.