Social Distortion adia turnê no Brasil para fevereiro de 2027; ingressos seguem válidos

A produtora Solid Music comunicou oficialmente que a turnê no Brasil do Social Distortion, inicialmente marcada para novembro de 2026, foi adiada para o final de fevereiro de 2027. Com a mudança, os veteranos da Califórnia se apresentam em São Paulo no dia 26 de fevereiro de 2027 (sexta-feira), no palco da Vibra São Paulo, e em Curitiba no dia 28 de fevereiro de 2027 (domingo), na Live Curitiba. Os ingressos já adquiridos pela plataforma 101 Tickets continuam automaticamente válidos para as novas datas, sem qualquer necessidade de troca. Quem optar pelo cancelamento e reembolso terá até o dia 30 de novembro de 2026 para registrar o pedido. Exaustão na estrada e a maratona de “Born to Kill” O reagendamento decorre do ritmo desgastante de compromissos que cercou a banda ao longo de 2026, especialmente para o vocalista e guitarrista Mike Ness. Após um hiato de 15 anos sem inéditas desde Hard Times and Nursery Rhymes (2011), o grupo lançou em maio, pela lendária Epitaph Records, o seu oitavo disco de estúdio, Born to Kill. Em nota oficial enviada ao público da América do Sul, Mike Ness e o grupo detalharam os motivos da pausa necessária: “2026 foi um ano em que lançamos um álbum após 15 anos. Após horas e mais horas de preparação, entrevistas e turnês extensas, com mais de 50 shows em inúmeros países, sentimos que é necessário fazer uma pausa na estrada neste momento. Por essa razão, decidimos remarcar as datas da nossa turnê pela América Latina para fevereiro e março. Agradecemos a todos os nossos fãs pelo incrível apoio, pela paciência e pela compreensão. Mal podemos esperar para encontrar todos vocês em breve!” A produtora Solid Music ressaltou ainda que todas as obrigações contratuais junto ao artista foram e seguem rigorosamente cumpridas no Brasil, Chile e Argentina. Política de ingressos e procedimento de reembolso Quatro décadas de tradição e o pioneirismo do cowpunk Formado em 1978 em Fullerton, Orange County, o Social Distortion construiu um dos caminhos mais autênticos da história do rock norte-americano. Enquanto a cena punk californiana acelerava em direção ao hardcore, Mike Ness fundiu a urgência da rebeldia suburbana às raízes do blues, da country music tradicional (de Hank Williams e Johnny Cash) e do rockabilly clássico. O resultado é uma discografia marcada por hinos atemporais que moldaram gerações, como Story of My Life, Ball and Chain, Bad Luck, Mommy’s Little Monster e a antológica roupagem de Ring of Fire. A realização da turnê é da Solid Music, com apoio da Caveira Velha e Desgosto Discos, e parceria de mídia da 23 Punk e Tedesco Mídia. Serviço | Social Distortion no Brasil (novas datas) São Paulo (SP) Curitiba (PR)
Queens of the Stone Age troca a agressividade pela escuridão e encontra novos caminhos em Perfecth

Existe uma expectativa quase automática quando o Queens of the Stone Age anuncia um novo álbum. Afinal, estamos falando de uma banda que ajudou a redefinir o rock alternativo nas últimas três décadas, com riffs marcantes, guitarras hipnóticas e uma personalidade musical inconfundível. Mas quem espera encontrar em Perfecth uma sequência de músicas na linha de Songs for the Deaf (2002) ou Rated R (2000) pode se surpreender. O nono trabalho de estúdio do grupo é um dos mais introspectivos e experimentais de sua carreira. Já começa pela capa, onde primeira vez usam uma foto da banda. Musicalmente, em vez de apostar na potência e distorção das guitarras, Josh Homme prefere explorar atmosferas, melodias desconfortáveis e arranjos pouco convencionais. O resultado é um disco que conversa muito mais com David Bowie, Iggy Pop e até Rolling Stones do que com o stoner rock que apresentou o Queens of the Stone Age ao mundo. É impossível ignorar o momento pessoal de Homme. Nos últimos anos, o músico enfrentou problemas de saúde e uma longa batalha judicial pela custódia e guarda dos filhos. Essas experiências parecem ter deixado marcas profundas em suas composições. A atmosfera sombria de Perfecth também estabelece uma conexão com Alive in the Catacombs, projeto gravado nas catacumbas de Paris. Um Queens of the Stone Age diferente e está tudo bem A abertura com It’s Only Love já deixa evidente essa transformação. A música começa de maneira intimista, com violão e uma interpretação vulnerável de Homme, antes de incorporar elementos que remetem a um cabaré sombrio. É uma escolha interessante justamente porque não tenta conquistar o ouvinte pela força, mas pelos detalhes. Em Insignificant Other, o grupo recupera parte de seu groove característico, com baixo em destaque, guitarras psicodélicas e harmonias vocais. Já Where The Goth Girls At? representa uma das experiências mais curiosas do álbum, misturando elementos góticos, uma interpretação teatral e referências que remetem ao The Cure. Particularmente, gosto quando as bandas abraçam esse lado mais estranho. A banda sempre teve uma relação interessante com o absurdo, o humor ácido e o desconforto. A diferença é que, desta vez, esses elementos aparecem menos associados à agressividade e mais próximos de uma estética cinematográfica. A influência de David Bowie atravessa boa parte do repertório, especialmente na maneira como as músicas são construídas e na liberdade para explorar caminhos pouco convencionais. Essa aproximação também aparece em Sunday, composição originalmente desenvolvida por Homme para Post Pop Depression, de Iggy Pop. Por outro lado, Mono representa um dos momentos mais difíceis do disco. A música mergulha em experimentações psicodélicas, sintetizadores estranhos e uma estrutura propositalmente desconfortável. Entendi a proposta, mas considero que aqui a banda exagera um pouco na desconstrução. É uma faixa que exige paciência e não necessariamente desperta vontade de ouvir repetidamente. Entre a melancolia e os riffs A segunda metade do álbum consegue equilibrar melhor a experimentação com composições mais acessíveis. From the Cliff apresenta uma abordagem próxima do folk, com arranjos delicados e uma interpretação emocional de Homme. Já Easy Street está entre os grandes destaques, trazendo elementos acústicos e melodias envolventes que contrastam com os momentos mais sombrios do repertório. Phantom Limb recupera parte da identidade mais reconhecível do Queens of the Stone Age, enquanto Run Away From The Mob encerra o trabalho com uma explosão instrumental que lembra a energia característica do grupo. É quase como se Homme estivesse mostrando que ainda sabe produzir rock pesado, mas simplesmente não considera necessário fazer isso durante um álbum inteiro. Com aproximadamente 36 minutos, Perfecth é relativamente curto, mas exige atenção. Diferentemente de Songs for the Deaf ou …Like Clockwork (2013), que apresentam momentos de impacto imediato, o novo trabalho aposta em atmosferas e melodias que crescem conforme as audições. Não considero que seja um disco para apresentar o Queens of the Stone Age a alguém que nunca ouviu a banda. Para isso, continuaria recomendando os clássicos. Mas é um trabalho importante para compreender o momento atual de Josh Homme e um dos grandes discos do ano, com certeza. O que mais me chama a atenção é perceber que, depois de tantos anos, ele continua inquieto artisticamente. Em vez de reproduzir fórmulas que já funcionaram, prefere desafiar as expectativas, mesmo correndo o risco de desagradar parte do público. Fazendo uma metáfora, Perfecth não é um álbum perfeito, tampouco pretende ser. Existem momentos em que a experimentação compromete a fluidez, mas também há composições que revelam novas possibilidades para o Queens of the Stone Age. No fim, Josh Homme já não precisa provar que sabe fazer um grande disco de rock. Agora, parece mais interessado em descobrir quantas outras coisas consegue fazer sem deixar de ser ele mesmo.
Nickelback mostra força nos riffs e talento para refrões em Everything Under the Sun

Poucas bandas conseguiram construir uma carreira tão bem-sucedida e, ao mesmo tempo, despertar tanta antipatia quanto o Nickelback. Durante anos, o quarteto canadense foi tratado quase como uma piada por parte do público do rock, apesar de vender milhões de discos, emplacar sucessos nas rádios e lotar arenas pelo mundo. Com Everything Under the Sun, 11º álbum de estúdio, que chegou nesta sexta-feira (30), Chad Kroeger e companhia mostram que não estão particularmente interessados em convencer seus críticos. A proposta é fazer aquilo que sabem, e sabem muito bem: músicas acessíveis, guitarras marcantes e refrões que grudam na cabeça. Quatro anos depois de Get Rollin’ (2022), o Nickelback apresenta um trabalho que transita entre diferentes momentos de sua discografia. Há espaço para o hard rock mais pesado, para o post-grunge que marcou a explosão comercial do grupo nos anos 2000 e para uma abordagem cada vez mais próxima do pop. O resultado é um disco bastante variado, embora essa diversidade também provoque algumas mudanças bruscas de direção ao longo da audição. A abertura, aliás, pode até enganar quem espera encontrar um Nickelback mais comportado. Rattle the Cage, com participação do guitarrista John 5, atualmente no Mötley Crüe, é uma das faixas mais agressivas do repertório recente da banda. Os riffs são pesados, a bateria de Daniel Adair trabalha com intensidade e Chad Kroeger explora uma interpretação vocal mais grave e rasgada. O solo de John 5 acrescenta uma dose de virtuosismo sem transformar a música em uma demonstração exagerada de técnica. Na sequência, a minha preferida do álbum: Bones for the Crows. Ela mantém a pressão das guitarras, mas já evidencia uma das maiores qualidades do Nickelback: a capacidade de construir refrões gigantescos. A faixa combina versos intensos com uma explosão melódica que parece feita sob medida para ser cantada por milhares de pessoas em uma arena. É justamente nesse equilíbrio entre peso e acessibilidade que a banda costuma entregar seus melhores momentos. Entretanto, quem imaginar que Everything Under the Sun seguirá nessa direção até o final provavelmente ficará surpreso. A partir de I Already Know, o álbum começa a suavizar sua sonoridade. As guitarras continuam presentes, mas passam a dividir o protagonismo com melodias mais leves, arranjos radiofônicos e influências que se aproximam do country rock e do pop americano. A transição fica ainda mais evidente em Leave Me Behind, que recupera a fórmula das baladas de médio andamento que ajudaram a transformar o Nickelback em um fenômeno comercial. É impossível não reconhecer a assinatura da banda. Os versos criam uma atmosfera mais contida, preparando o terreno para um refrão expansivo, daqueles que parecem familiares já na primeira audição. E aqui está o principal mérito do disco: o Nickelback realmente sabe fazer refrões. Independentemente de a música ser pesada, romântica ou descaradamente pop, existe um cuidado evidente com a construção das melodias. Os refrões não aparecem simplesmente como uma repetição dos versos. Eles crescem, apresentam novas camadas vocais e encontram maneiras eficientes de prender a atenção do ouvinte. If I Don’t Go reforça essa característica ao explorar uma sonoridade mais próxima do country contemporâneo. Já Make Me Love You mergulha definitivamente no território das power ballads, com uma interpretação emocional de Kroeger e uma produção que privilegia a grandiosidade. É o tipo de música que dificilmente surpreenderá quem acompanha a banda há duas décadas, mas que demonstra como o vocalista domina esse formato. Essa previsibilidade, porém, também representa uma das limitações do trabalho. Em determinados momentos, a produção parece excessivamente preocupada em deixar tudo perfeitamente encaixado. Os instrumentos soam limpos, os vocais são cuidadosamente trabalhados e os refrões surgem exatamente onde se espera. Funciona comercialmente, mas algumas músicas poderiam ganhar personalidade com um pouco mais de espontaneidade. Não faria mal para ninguém ter alguns “Lados B” despretensiosos por aqui. Entre as faixas que procuram escapar dessa estrutura está Chasin’ Famous, que recupera o espírito bem-humorado de Rockstar, sucesso do álbum All the Right Reasons (2005). Desta vez, o alvo é a obsessão contemporânea pela fama e pela exposição nas redes sociais. Musicalmente, a canção apresenta um groove interessante e guitarras que ajudam a impedir que a crítica social se transforme em algo excessivamente sério. Simple Song segue outro caminho, apostando em uma mensagem de união e em uma construção quase de hino. A presença de um coral amplia a dimensão da música, embora o resultado flerte com um sentimentalismo exagerado. Ainda assim, é difícil negar a eficiência do arranjo, especialmente quando as vozes se encontram no refrão. Uma das maiores surpresas aparece em Technicolor Steamboat. Com introdução narrada pelo ator Ryan Reynolds, a faixa apresenta violões, harmonias vocais e uma atmosfera psicodélica que pouco lembra os grandes sucessos do Nickelback. É uma experiência curiosa, com influências do folk e do rock clássico, que demonstra uma disposição para explorar caminhos menos óbvios. Nem todas essas experiências funcionam com a mesma intensidade, mas é interessante perceber uma banda com mais de 30 anos de carreira procurando novas possibilidades dentro de sua própria linguagem. Outro momento que chama atenção é Lift Somebody Up, principalmente pela quantidade de convidados envolvidos. Sammy Hagar, Brent Smith e Zach Myers, do Shinedown, Joe Bonamassa, Tommy Lee e Charlie Benante estão entre os músicos que participam da gravação. Apesar do elenco impressionante, a faixa não tenta transformar cada participação em um acontecimento isolado. O resultado é uma música coletiva, com espírito de celebração e uma pegada mais próxima do rock clássico. Na reta final, Bottled Dreams mantém o clima descontraído, enquanto Last Night Was Fun encerra o álbum com uma abordagem ainda mais pop. A última faixa praticamente abandona a agressividade apresentada na abertura e aposta em uma melodia leve, de assimilação imediata. É uma escolha que resume bem a trajetória do disco: começa com o pé no acelerador, mas termina muito mais interessado em conquistar o ouvinte pela melodia do que pela força das guitarras. Essa mudança gradual de sonoridade é, ao mesmo tempo, uma qualidade e um problema. Por um lado, demonstra a versatilidade