Em Madri, Frank Turner & The Sleeping Souls ensina como dominar o palco em 40 minutos

Em Madri, Frank Turner & The Sleeping Souls ensina como dominar o palco em 40 minutos

Se as bandas anteriores lutaram contra as adversidades técnicas típicas de shows de abertura, a entrada de Frank Turner & The Sleeping Souls às 19:25, em Madri, marcou uma mudança de patamar na noite. O britânico não é apenas um músico, é um operário do palco que sabe exatamente como conquistar uma casa de shows, seja como headliner ou convidado de luxo.

Acompanhado de sua banda completa, o som que ecoou no WiZink Center foi, para dizer o mínimo, espetacular. A “parede sonora” do folk-punk preencheu todos os cantos do ginásio, mostrando que a noite estava apenas começando a esquentar.

Setlist com tiros curtos e diretos

Frank Turner não perdeu tempo. A abertura com Do One já veio com um “agrado” estratégico: os primeiros versos cantados em espanhol, arrancando a simpatia imediata dos madrilenhos. O setlist foi construído para não deixar a peteca cair: sem pausas longas, sem discursos intermináveis, apenas música direta e contundente.

A sequência com Never Mind the Back Problems e o hino Photosynthesis transformou a pista, já bem mais cheia, em um coro uníssono. É impossível não notar o domínio de palco de Frank Turner, algo que ficou evidente na execução de Girl From the Record Shop e No Thank You for the Music, ambas do álbum Undefeated (2024).

Clímax e promessa de Frank Turner em Madri

Mesmo com o tempo curto, Turner conseguiu passar por momentos de alta energia, como na explosiva 1933 e no convite à anarquia doméstica de Try This at Home.

A reta final foi desenhada para a consagração. I Still Believe soou como um culto religioso ao rock and roll, preparando o terreno para o encerramento com Four Simple Words, a faixa que, tradicionalmente, transforma qualquer lugar em uma fest punk. Ao sair do palco, prometendo um retorno breve à Espanha, Frank Turner deixou a sensação de que poderia ter tocado por mais duas horas sem cansar ninguém. Foi o “aquecimento” perfeito para a brutalidade hardcore que viria a seguir com Circle Jerks e NOFX.