Quem espera o tradicional blues-rock de Nasi em seu novo trabalho solo terá uma surpresa, e das grandes. O cantor lançou na última sexta-feira (24), via Ditto Music, o álbum nAsI – Artificial Intelligence. O projeto é uma incursão audaciosa por gêneros como samba da velha guarda, trap, corrido mexicano e cumbia, utilizando a IA como uma ferramenta de co-criação para reinventar composições de sua própria carreira.
“Esse não é um disco de rock ou blues. É um disco experimental que, ajudado pela IA, me levou a cantar gêneros que são muito distantes da minha seara”, explica o artista. Segundo Nasi, a ideia começou como uma “brincadeira que ficou séria”, resultando em seis faixas que desafiam o preconceito dos puristas.
Reinvensão do repertório
Com a colaboração do músico Augusto Júnior, Nasi selecionou “pepitas” de seu catálogo e as transformou radicalmente. Confira o que esperar de cada faixa:
- Corpo Fechado: O blues de 2006 agora é um Samba da Velha Guarda, com aquele balanço malemolente inspirado em Noriel Vilela.
- Feitiço da Rua 23: O antigo rockabilly misterioso deu lugar a um trap moderno. O lançamento acompanha um clipe divertido com referências a clássicos do terror como Nosferatu.
- Perigoso: O country-rock gravado com Renato Teixeira agora é um Corrido mexicano, gênero narrativo muito popular no México.
- Polvo en Los Ojos: A adaptação de John Coltrane ressurge como um Groove Afrocubano, com Nasi cantando em espanhol no melhor estilo Buena Vista Social Club.
- Alma Nocturna: Um dueto em espanhol com Nanda Moura, fundindo Tango com Cumbia colombiana.
- Ogun: O blues-rock explosivo agora é um Boogaloo porto-riquenho, transportando o ouvinte para um baile caliente.
Humano vs. artificial
Apesar do uso da tecnologia, o disco mantém o toque humano com participações de peso, como o guitarrista Johnny Boy e instrumentistas de sopro e cordas. Nasi é enfático: “Isso não é o futuro da minha música, nem o futuro da música. Mas o futuro pertence à interação entre humano e artificial, disso não tenho dúvida”.