Foram mais de 22 anos de separação entre o Rodox e Santos, mas, com o retorno recente da banda liderada por Rodolfo Abrantes, o público caiçara enfim pôde assistir a uma apresentação do grupo. Na noite de sexta-feira (15), o Rodox se apresentou no Arena Club lotado. A noite teve direito a dois integrantes da formação clássica do Charlie Brown Jr. na plateia: Marcão e Pelado, que foram celebrados por Rodolfo no palco como “a maior banda de rock do Brasil”. O momento foi emblemático e fechou um ciclo: foi em Santos, afinal, no M2000 Summer Concerts de 1994, que um jovem Chorão ficou na grade do show de Rodolfo e o entregou a primeira fita da banda santista.
Confesso que a primeira fase do Rodox não me atraía quando lançaram os dois primeiros álbuns, no início dos anos 2000. Muito provavelmente por infantilidade da minha parte, eu era adolescente, e por não entender o real motivo do fim do Raimundos da forma que conhecíamos.
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O documentário Andar na Pedra, dirigido e roteirizado por Daniel Ferro (disponível no Globoplay), ajudou muito a quebrar essa resistência com o Rodox, pois humanizou o “vilão” do fim dos Raimundos. Rodolfo realmente precisava romper com aquele momento, foi necessário ir para outro extremo e viver uma nova vida até encontrar o atual equilíbrio. Santos, inclusive, testemunhou suas dores mais profundas, como a tragédia de 1997 no lançamento de Lapadas do Povo, ferida que quase o fez abandonar a música e que só começou a cicatrizar após o abraço acolhedor dos familiares das vítimas na cidade. Ver o Rodox ali, décadas depois, é a prova de que o tempo cura. E quem ganha com isso são os fãs. Afinal, quem aqui não gostaria de ver um grande ídolo, que muitos perderam para a overdose, vivo até hoje, fazendo shows e sendo feliz?
No palco, o Rodox ao vivo entrega uma energia absurda, reflexo de um reencontro que começou despretensioso para 2026, mas que virou um renascimento criativo com promessa de disco de inéditas. Rodolfo segue com muita atitude, cantando bem e acompanhado por um timaço: Fernando Schaefer (baterista de uma cacetada de bandas), Patrick Laplan (baixista original do Los Hermanos) e Pedro Nogueira (guitarrista do Wacky Kids, uma das melhores bandas de hardcore melódico do Brasil). O guitarrista Victor Pradella, que foi sideman na fase musical de Rodolfo após o término do Rodox, também compõe o time na tour. O time que acompanha Rodolfo, inclusive, também é muito festejado pelo vocalista. Após pedir palmas para Chorão, Champignon, DJ Bob e Canisso, todos com muitos elogios, o frontman disse que é importante homenagear os amigos em vida também.
O setlist, idêntico ao de todas as apresentações da atual turnê e sem espaço para novidades, passeia pelos dois álbuns da banda, deixando de fora apenas faixas muito datadas: foram nove canções do disco homônimo e sete de Estreito, além de dois covers (Exodus, de Bob Marley, cujo álbum Kaya é uma das grandes influências da vida de Rodolfo, e Alive, do P.O.D.). Para quem ainda tem resistência ao grupo, recomendo dar uma chance às ótimas faixas apresentadas nessa tour, como De Costas Para o Mar, Beach Punx, Foi Bom Esperar, De Uma Só Vez, Dia Quente e Olhos Abertos.
Diferente de boa parte dos shows da banda, Rodolfo não pulou nos braços do público durante Alive. Mas a faixa contou com a participação especial de Wander Ruas, vocalista da banda Alva, responsável pela abertura do show, que já havia cantado também Olhos Abertos. O líder do Rodox preferiu terminar a apresentação no palco, deixando claro que o que era para ser apenas uma turnê curta de reencontro já virou um plano para o ano inteiro, para a alegria dos fãs que não o abandonaram mesmo após tantos anos.






Setlist
Segue a linha
De costas para o mar
Cego de Jericó
Mais e mais
Incinerador
Beach Punx
Horário nobre
Foi bom esperar
De uma só vez
Iluminado
Dia quente
Inflexível
1000 megatons
Olhos abertos
BIS
Quem tem coragem não finge
Três reis
Exodus (Bob Marley cover)
Alive (P.O.D. cover)