Com quase duas décadas de estrada, o quinteto paulistano Asfixia Social acaba de lançar o álbum Mess Bigger, um trabalho que traduz o barulho, as tensões e a urgência das calçadas das metrópoles em forma de música pesada.
O disco traz oito faixas inéditas e foi produzido pela própria banda em parceria com Pedro Garcia (baterista do Planet Hemp). O resultado é um híbrido explosivo que une a agressividade do punk e do metal com o balanço do ragga, do ska, do rap e de ritmos genuinamente brasileiros, como o baião e o funk carioca.
Caldeirão de ritmos de rua
Para o vocalista e trompetista Kaneda Mukhtar, o álbum é uma reverência direta à cultura de rua em sua raiz de luta. A atual formação, que conta também com Thiko Garcia (guitarra), Leo Oliveira (baixo), Jahya (saxofone) e Barba (bateria), não tem medo de experimentar.
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O grande destaque do repertório é a pesada Baião de Dois. A música promove uma fusão de metal, soul e baião, servindo de base para uma letra forte que aborda a desigualdade social e a fome nas grandes cidades, trazendo referências à justiça de Xangô.
Outro choque de realidade vem em Capoeira-Karatê, que une a batida do funk carioca à fúria das guitarras do hardcore para falar sobre sobrevivência e insubmissão urbana. Já a abertura com Revolutionary Rapport funciona como uma rádio pirata periférica, cujo videoclipe reúne imagens da turnê europeia da banda realizada em 2025, conectando grandes festivais e ocupações artísticas alternativas do velho continente.
Time de convidados
Para encorpar a sonoridade de Mess Bigger, o grupo recrutou um time de peso nos bastidores. O álbum conta com arranhões de prato do icônico DJ Erick Jay (vencedor de cinco títulos mundiais de DJ), batidas de Carlos PXT, além das colaborações de Henrique Kehde e do multi-instrumentista Dendê Macedo.