“Embers to Ashes”, novo álbum de Everlast, marca o retorno do rapper, cantor e compositor norte-americano com seu primeiro trabalho de inéditas em oito anos. Produzido por Yelawolf e mixado por Chris Lord-Alge, o disco aprofunda a mistura de hip hop, blues, Americana e roots rock que acompanha o músico desde que ele deixou o House of Pain e construiu uma carreira solo marcada por sucessos como “What It’s Like”.
O novo álbum nasce de um período de grandes mudanças na vida de Everlast. Na última década, o músico viu sua casa em Los Angeles ser destruída pelo incêndio de Woolsey, em 2018, atravessou a pandemia e um divórcio. Essas experiências aparecem como pano de fundo para músicas sobre perdas, recomeços, relacionamentos, envelhecimento e a necessidade de reconstruir a própria vida.
A parceria com Yelawolf começou a ser desenhada ainda em 2015, quando os dois se encontraram em Berlim e o rapper manifestou interesse em produzir um disco de Everlast. Cerca de uma década depois, a ideia finalmente saiu do papel em Nashville. O álbum também contou com colaboradores como David Ray, compositor que já trabalhou com nomes como Jelly Roll e Teddy Swims.
Musicalmente, “Embers to Ashes” encontra Everlast em um território conhecido, mas sem simplesmente reproduzir o passado. “Losing Man’s Game” aborda a liberdade encontrada depois de chegar ao fundo do poço e conta com Andy Frasco, Amigo the Devil e DJ Muggs, do Cypress Hill. Já “My Hollywood” observa os altos e baixos da indústria do entretenimento, enquanto “Stones” percorre um caminho entre autodepreciação, cura e perdão.
Há também espaço para narrativas mais sombrias. “Never Coming Home” se aproxima da tradição das murder ballads, enquanto “Happy You Can Cry” discute liberdade a partir da história de uma mulher em dificuldades. Em “1987”, Everlast olha diretamente para o próprio passado e relembra sua vida antes da fama, período em que chegou a trabalhar com Ice-T. O lado político aparece em “Rubber Bullets”, faixa de protesto inspirada pelas repercussões do assassinato de George Floyd.
Antes da carreira solo, Everlast alcançou sucesso mundial como integrante do House of Pain com “Jump Around”, um dos grandes hits do hip hop dos anos 1990. Em 1998, apresentou uma nova direção musical com “Whitey Ford Sings the Blues” e o sucesso de “What It’s Like”, consolidando uma combinação particular de rap, blues e rock que se tornaria sua assinatura. Anos depois, também conquistou um Grammy pela colaboração com Santana em “Put Your Lights On”.
“Embers to Ashes” chega, portanto, como mais um capítulo de uma trajetória construída justamente pela dificuldade de encaixar Everlast em um único gênero. Mais de três décadas depois de “Jump Around”, o músico continua transitando entre rap, blues e rock, agora usando as experiências e cicatrizes acumuladas nos últimos anos como combustível para suas novas músicas.